Transcreve-se na íntegra, sem comentários, o artigo do POVO, com igual título, da autoria de Pedro Aguiar Pinto
O nosso tempo parece aceitar sem ripostar imensas contradições como se nem sequer delas se desse conta.
É preciso, por isso, chamar a atenção para aquilo que, de tão absurdo, deveria ser imediatamente recusado. A passividade geral não só propicia que isso não aconteça como cria um clima de correcção política onde germina uma certa complacência e mesmo concordância.
É o caso da Petição pela abolição das touradas que falaciosamente usa argumentos cristãos e coloca os touros em pé de quase igualdade com os seres humanos atribuindo-lhes direitos e protecção que o Estado português hoje nega à criança por nascer.
É também o caso do amor abstracto à humanidade que é, pelo menos cúmplice com a indiferença a que é votado o vizinho próximo. Esta é a contradição que nos julga a nós, embora, Henrique Raposo escolha como exemplo a contradição entre o amor à humanidade e a defesa da morte de deficientes profundos.
A petição que é preciso apoiar assinando e divulgando é a que realmente defende o nosso Futuro
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quinta-feira, 29 de março de 2012
Contradições
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A. João Soares
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quinta-feira, 21 de maio de 2009
Isto passa-se na área da Justiça!!!
Se dermos crédito às palavras dos políticos, parece que todos se «respeitam» mas parece também, com mais sustentação, que nenhum acredita nos outros. Basta ler os títulos da imprensa para se ficar descrente e sem esperança numa clarificação da vida nacional, ao mais alto nível. «Ministro Santos Silva diz respeitar Ministério Público». Mas, acerca do Procurador Geral da República, podemos ler que «Pinto Monteiro e Eurojust em contradição», mas se um depende do outro, porque que é que o responsável não toma uma medida correctiva? Por seu lado, «Eurojust esclarece que deixou de trabalhar no caso Freeport em Abril por já não
ser necessário», o que faz parte da referida contradição. «Freeport: Situação de Lopes da Mota «ainda mais difícil» com retirada do Eurojust da investigação», o que pode levar a concluir que não está a beneficiar com a continuação da telenovela. Talvez tivesse sido mais prudente ter pedido a suspensão e iria assistir da bancada ao desenrolar do pleito. «Paulo Portas insiste na demissão de Lopes da Mota», mas talvez a suspensão a pedido tivesses sido suficiente porque ainda não há sentença transitada em julgado. Porém, apesar desta confusão, «Lopes da Mota diz-se de consciência tranquila», o que o irá manter no centro do palco até aos aplausos finais, se um apagão não provocar o discreto esvaziamento da sala. Entretanto, «Inspector coloca queixa nas mãos de Sócrates» para decidir se há filhos e enteados ou se a Justiça é abstracta, geral e obrigatória.
E assim vai Portugal, aquele País que foi grande por todo o mundo. Mas um mau rei faz fraca a forte gente. E não têm faltado maus «reis» nos tempos mais recentes
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A. João Soares
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sábado, 15 de novembro de 2008
Ensino. Só duas perguntas
Transcrevo este texto recebido da amiga Maria João, por me suscitar dúvidas para as quais não encontro resposta. Se alguém as tiver poderá deixá-las aqui no espaço de comentários.
1ª - Se os alunos que estão a Manifestar-se nestes dias são instrumentalizados - segundo diz a tutela, o Ministério da Educação, e segundo diz a CONFAP - são estúpidos, não é ? Só se deixa instrumentalizar quem é tanso...
Então como é que temos tão elevada diferença na taxa de sucesso nos resultados escolares do ano passado para este ???
Não sei se é parvo da minha parte... mas será que são os Professores que são MESMO BONS? Conseguir tirar algo de uma massa acrítica que se deixa instrumentalizar merece EXCELENTE...! Acabou! Já estão os Profs todos avaliados! (Os da Madeira vão emigrar para o Continente porque lá só têm Bom...).
2ª - Onde estava aquele senhor que aparece na TV sempre a representar a CONFAP (não me lembro do nome, juro que é verdade!... não me lembro mesmo...), que aparenta a minha idade (tenho 52), antes do 25 de Abril??? Ainda não teria nascido??? Será, afinal, muito mais novo que eu??? Estaria debaixo das saias da mãe??? É que eu ouvi-o hoje na TV a amedrontar (instrumentalizar, seria?) os estudantes dizendo que as Manifestações eram ilegais e que os jovens com mais de 16 anos nelas presentes poderiam vir a ter graves problemas legais...
É QUE TODAS AS MANIFESTAÇÕES (e da parte dos estudantes houve muita contestação ao regime de então, embora, claro, houvesse sempre os bufos e os fura greves...) ERAM, ENTÃO, ILEGAIS E APRESENTAVAM, SIM, GRAVES AMEAÇAS A QUEM NELAS PARTICIPAVA...
Alguém pode esclarecer-me ?
Obrigada.
Mª João
Cara Maria João. A primeira pergunta contém a resposta. Os governantes perdem o tempo a falar e não lhes restam uns minutos para pensar naquilo que dizem. Se pensassem, não cairiam, certamente, nas incoerências e contradições com que nos brindam.
A segunda pergunta é o eterno problema do abuso do poder por parte de políticos que têm no seu íntimo os genes de ditadores. Agora, como no Estado Novo, o que acaba por imperar nos sentimentos desses tipos é «quero, posso e mando». Aguardemos que surjam comentários de quem não tenha medo de ameaças como as que referiu da parte do tal da CONFAP.
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A. João Soares
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quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Contradições abundam
Transcreve-se o seguinte artigo do Destak de 18Out07:
Governo incentiva casos de dupla personalidade
Se fosse guarda prisional em Portugal acusaria o Governo de me querer provocar uma síndrome de múltipla personalidade. Ontem, à saída da Assembleia da República, o ministro da Justiça, Alberto Costa, falou directamente para a personalidade A do guarda prisional. Com a sua voz clara, anunciou que agora, como sempre, o representante da autoridade que encontre alguém na posse de uma substância ilícita deve imediatamente «apreender a droga e, se se tratar de uma situação de tráfico, proceder à denúncia para ser canalizada para o Ministério Público». Justificando a sua posição, recordou que «as leis penais e processuais penais não são modificadas por esta experiência piloto». Portanto, a personalidade A do guarda só tem que pegar no prisioneiro pelas orelhas, e vociferar: «Malandro, então andas-me na droga outra vez? E quem é que te deu esta porcaria, vamos lá saber? Tens mesmo a mania que és esperto, e a malta não topava, era? Toma lá um carolo e mais dois meses de prisão que te lixas.»
Falando, logo de seguida à personalidade B do mesmo guarda prisional, o também idêntico ministro explicou que «a situação excepcional é apenas uma seringa contaminada ser substituída por outra não contaminada. O objectivo do programa é substituir seringas, não é favorecer o consumo ou o tráfico de droga». Sendo assim, a personalidade B do guarda fica a saber exactamente como agir. Chega-se ao prisioneiro e diz-lhe, num tom suave: «Ó pá, passa para cá o produto, mas fica lá com as seringas, que até foi a malta que tas deu, e já agora guarda o toalhete, o limão e a carica pá, que sou um mãos largas. E logo vais lá abaixo pedir outra, ouviste? Para quê? Sei lá, filho, mas não quero é apanhar-te outra vez a chutar para a veia. Brinca aos médicos, ou enche isso de água para fazer de bisnaga no Carnaval, estás é farto de saber que a porcaria da droga é proibida aqui dentro, e ao que parece no resto do País também. Aliás, se não me falha a memória, é por isso que estás preso, mas adiante».
Há outras explicações possíveis, como a de que a esquizofrenia seja da AR que aprovou o programa, ou ainda que não passe de uma estratégia para enlouquecer o prisioneiro, dando-lhe para a mão o fruto proibido, e depois castigando-o por o ter aceite. Maquiavélico, mas nada de novo.
Autor: Isabel Stilwell, editorial@destak.pt
NOTA: Mais uma vez, Isabel Stilwell marca aqui presença com uma observação perspicaz. O Governo, efectivamente, tem procurado criar em nós uma dupla personalidade: a que nos leva a acreditar nas suas promessas e falácias e a outra com que olhamos para a realidade adjacente ao local onde pousamos os pés. Mas isto é o reflexo das múltiplas personalidades do legislador, como no caso versado no texto, e com as formas de pensar, falar e agir dos governantes como é evidenciado pelas tácticas de avança, pára e recua ou dito de outra forma, com as dos avanços em zigue-zague, ou ainda com a de um passo para a frente e dois para trás, o que define a história recente da nossa posição no rank europeu. Com tais contradições e indefinições não podemos ir muito longe!
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A. João Soares
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quinta-feira, 26 de julho de 2007
Contradições e precipitações dos políticos
Não é necessário estar muito atento às notícias para notar as frequentes contradições e precipitações que são sinal de ausência de uma estratégia de governo com objectivos bem definidos e medidas coerentes a convergir para os superiores interesses da Nação que passam pela melhoria das condições de vida, na saúde, no ensino, na segurança, na Justiça, etc.
A contradição que hoje me chamou a atenção foi o prometido apoio a idosos do interior do País, criando condições para se manterem em casa, após melhorias nestas e visitas regulares de assistentes sociais e técnicos auxiliares. Não se vê em que linha coerente se insere esta decisão. Ela vem opor-se à política sistematicamente seguida de desertificação do interior (fecho de escolas, de maternidades, de centros de saúde, de SAP, de urgências, de tribunais, etc.). Os idosos têm pressionado os autarcas e estes, através da comunicação social, têm conseguido que, em alguns caso excepcionais, o ministro da Saúde tivesse recuado. Estas contradições, evidenciam precipitação e impulsividade nas decisões, inutilidade da enorme quantidade de assessores, ignorância da metodologia de preparação de decisões e inconsciência ou desprezo em relação às principais finalidades da governação. Estas maleitas não são exclusivas do actual governo, pois têm vindo a ser constatadas desde há alguns anos.
Outra contradição é a do caso Charrua em que a estrutura do partido do Governo apoiou a D. Margarida Moreira (conhaque é conhaque!) e, agora, a ministra arquivou o processo, depois das pressões da opinião pública largamente hostil à forma como tudo se passou. E, com o processo arquivado, fica-se à espera do puxão de orelhas à senhora que se precipitou em face de uma denúncia por SMS.
Também numa altura em que se condena de forma bem notória o trabalho infantil, se vê o Governo a utilizar um contrato com uma empresa que utiliza de forma sistemática esse tipo de exploração, para uma representação de apoio à propaganda governamental. Pode aceitar-se que o contrato das crianças foi feito por uma empresa privada, mas o Governo acabou por dar aval a essa empresa e ao seu sistema de recrutamento de menores e, o que é mais grave, é depois considerar tudo isso normal. Admira que o Governo, que tudo controla, confesse a sua ignorância desta irregularidade de uma empresa com que celebra um contrato.
Outra contradição. Já no tempo em que o actual PR era PM, o Governo começou a deixar de cumprir a compensação devida aos militares pelos sacrifícios e restrições aos sus direitos, liberdades e garantias, inseridos na denominada «condição militar». No entanto, a machadada crítica foi dada pelo actual Governo, ao comparar os militares a qualquer funcionário público (com excepção para Juizes e outros) no tocante a prestações de assistência na doença e a outros aspectos, e continuando a exigir deles a sua parte do contrato da «condição militar», com a impossibilidade de terem sindicato e impedimento de manifestarem publicamente o seu mal-estar. Como será resolvida esta contradição? São funcionários normais, semelhantes aos outros quanto aos direitos, liberdades e garantias constitucionais ou serão escravizados com condições de trabalho e de cidadania especialmente gravosas, singularmente restritivas?
Se são funcionários normais porque não lhes são aplicadas condições semelhantes? Se, como é lógico, é preciso manter essas restrições, então porque lhes foram retiradas as compensações adequadas? Porque é que o Estado deixou de cumprir a sua parte no «contrato» a que é dado o nome de «condição militar»? Neste âmbito, merece ser lido e devidamente meditado o artigo do general Loureiro dos Santo publicado no Público de 23 do corrente.
Há também os casos contraditórios do apoio total (quase incentivo ou convite) ao aborto voluntário, totalmente pago pelo Estado e sem fila de espera, passando as mulheres que não têm capacidade para ser mães e mostram ignorância e desleixo na prevenção da gravidez que não desejavam, à frente das pessoas normais que têm de esperar meses para intervenções cirúrgicas graves e urgentes, e isto em contradição com as medidas agora tomadas para aumentar a natalidade com subsídios substanciais às grávidas e às jovens mães. Afinal, o que pretendem os governantes: abortos ou nascimentos?
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A. João Soares
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