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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Rejuvenescer o País

As boas ideias podem vir de qualquer cabeça pensante e, por isso. Apoiar uma ideia não quer dizer que se concorde com a totalidade da personalidade que a expresse. Mas neste caso, ela vem de uma pessoas que se tem mostrado coerente e credível.


O «envelhecimento demográfico» exige que seja dedicada muita atenção aos incentivos reais, eficazes, à natalidade. Como diz o texto que se transcreve:

(...) Porque “o que está em causa é a própria sustentabilidade da Segurança Social”, o fundador da AMI propôs medidas de incentivo à natalidade como o aumento do abono de família e a concessão de descontos nos transportes a famílias com três ou mais filhos. E afirmou-se o único candidato capaz de “criar um clima de confiança”, susceptível de fazer aumentar a natalidade. “Em 1960 tínhamos uma natalidade na ordem dos 3,3 filhos por mulher em idade fértil. Actualmente, andamos à volta de 1,33, ou seja, muito longe dos 2,1 [necessários para garantir a substituição das gerações]. Isso significa que se Portugal tem algum crescimento é à custa da imigração. Como todos os estudos apontam para uma involução da nossa demografia, em 2050 seremos apenas sete milhões e pouco”, descreveu, para concluir que “é fundamental que a natalidade em Portugal seja acautelada mas para isso é preciso incutir esperança, porque ninguém tem filhos num clima de desespero”.

O cirurgião pediatra Gentil Martins concorda que é urgente incentivar a natalidade. E apareceu ao lado do fundador da AMI porque o considera “uma pessoa isenta, honesta e preocupada com os valores humanitários do país”. “Não quero dizer mal dos outros candidatos mas eu preciso, acima de tudo, no meu país, de alguém em quem possa acreditar a 100 por cento”, declarou.(…)


Imagem da Net

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sábado, 5 de junho de 2010

S.O.S. - Crianças

Transcrevo o artigo S.O.S. e peço para divulgarem
Jornal de Notícias 05-05-2010,Por Joana Amorim

"Só é possível ensinar uma criança a amar, amando-a". À primeira vista, este pensamento de Goethe soa a dado adquirido. Mas basta ler os jornais todos os dias para saber que a realidade não é bem assim.

Vejamos o Dia Mundial da Criança, celebrado na passada terça-feira. Se calhar, poucos se aperceberam de que, por entre balões e palhaços, no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP), em Lisboa, era inaugurada uma sala para "receber" crianças vítimas de abusos sexuais.

Objectivo? "Atenuar o sofrimento causado às crianças e o trauma de serem ouvidas numa investigação criminal", explicava o DIAP. Crianças essas - vergadas já pela vergonha e pela dor - que são ouvidas, em média, oito vezes durante o processo.

O Estado, que se arroga de progressista e humanista, não pode permitir que, todos os dias, duas crianças sejam vítimas de crime em Portugal. Não pode fazer de conta que, só no último semestre do ano passado, mais de duas mil crianças tenham sido vítimas de negligência. Não pode compactuar com uma Justiça que deixa agressores à solta e as vítimas entregues a uma melhor sorte. À sorte de terem tido outros pais. À sorte de não terem nascido em Portugal. À sorte de terem tido mais meios técnicos e humanos para sinalizar e encaminhar todas as situações.

Os elementos das comissões de protecção de crianças e jovens em risco não são deuses. Não são nem omnipresentes, nem omniscientes, nem omnipotentes. Mas, e também não o sendo, o Estado tem o dever de os dotar de recursos. Porque - e acusem-me de cliché - as crianças são a base da nossa sociedade. São o passado, o presente e o futuro. Recordemos o princípio oitavo da Declaração dos Direitos da Criança (Nações Unidas, 1959): "A criança figurará, em quaisquer circunstâncias, entre os primeiros a receber protecção e socorro".

E quem diz Estado diz todos nós. Porque não deixa de ser chocante saber, como se tem sabido, que há gritos e estalos a irromper pelas casas dos vizinhos adentro e que há amigos a quem são confidenciados abusos de anos que pura e simplesmente nada fazem. Ou porque têm medo, ou porque acham que entre pais e filhos não se mete a colher, ou porque são uns perfeitos idiotas.

Promova-se, já, a denúncia destes casos e responsabilizem-se os cobardes. Pela Catarina (dois anos e meio, Ermesinde), pela Joana (oito anos, Portimão), pela Vanessa (cinco anos, Porto), pelo Daniel (seis anos, Oeiras), pela Maria João (sete anos, Matosinhos). Pelos que foram, pelos que são e pelos que serão.

NOTA: Creio ser dever de cidadania alertar para situações criminosas, de maus tratos, de abusos sexuais e outros, e denunciar à autoridade mais próxima e, por todos os meios, divulgar a inoperância da autoridade, sempre que ela exista. Passa-se o mesmo com a corrupção e outros crimes lesivos de pessoas e do País. Em democracia, o cidadão tem direitos mas também deveres e responsabilidades de colaborar na melhoria do ambiente social. Para que o mundo melhore, é indispensável a colaboração de todos , de cada um.

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segunda-feira, 16 de março de 2009

Crianças vítimas de desleixo

São preocupantes os abundantes indícios de degradação dos comportamentos do ser humano, que está a progredir a um ritmo assustador. Perderam-se valores éticos que eram considerados essenciais e passou a dar-se valor desproporcionado ao dinheiro e outros aspectos materiais, numa obsessão centrada nos interesses imediatos da ostentação e do consumismo daí resultante.

As crianças estão a ser duplamente lesadas, sendo vítimas da degenerescência dos pais e outros familiares que era suposto transmitirem-lhes lições práticas da vida e do indispensável civismo. Por um lado elas serão gravemente prejudicadas por irem herdar um mundo sem regras morais traduzidas numa escala de valores insubstituíveis; por outro lado, estão sendo vítimas do desleixo efectivo de quem as devia vigiar e resguardar de perigos desnecessários.

Os pais abandonam os bebés nos «berçários» para que outras pessoas os substituam na vigilância de seres indefesos. Tais pessoas, normalmente, sem características técnicas e afectivas adequadas, colocam a prioridade nas tarefas conducentes a evitar acidentes, desprezando a formação integrada dos seres candidatos a adultos.

Depois, as crianças passam para os infantários, onde pouco mais lhes é proporcionado para uma formação cívica adequada. Mas, ao menos, estão preservadas de acidentes graves.

Porém, aos fins de semana, feriados e férias, os pais que, normalmente, não sabem como lidar com os filhos, for falta de hábito de convívio com eles, procuram ser simpáticos e condescendentes, não os contrariando. E nessa liberdade descuidada, ocorrem os acidentes graves. Hoje, é preocupante a notícia do desaparecimento da Criança de quatro anos desaparecida em praia da Quebrada, Angeiras, Matosinhos, que deve ter sido levada pelo mar. E ainda não começou a época balnear, o que já é um péssimo prenúncio, que levou a Autoridade Marítima a pedir mais cuidado nas praias não vigiadas.

Mas o perigo espreita por todo o lado e o desleixo não permite fazer-lhe frente da forma mais eficaz. Também hoje, é noticiado que um menino de quase dois anos e meio que brincava na rua da aldeia, no concelho de Mangualde, com dois irmãos mais velhos, deixou de ser visto e, uma hora depois, foi encontrado num poço, acabando por morrer.

Mas os casos nefastos não param, como mostra a notícia de um automóvel com dois meninos de quatro e de sete anos que se encontravam sozinhos no interior a brincar, se destravou e deslizou despenhando-se de uma altura de cerca de 18 metros, junto ao miradouro de Sebolido, em Penafiel. As criança, demasiado traumatizadas, ficaram em risco de vida.

E isto a acrescentar ao esquecimento de um bebé, pelo pai, dentro do carro fechado estacionado ao sol, acabando por falecer.

As crianças de agora terão de recriar um mundo habitável, em que as pessoas respeitem a vida humana e se comportem com muito senso e com a valorização de conceitos de bom convívio com dedicação ao que é essencial.

Prevenir é prever os perigos para antecipar medidas adequadas a fim de os evitar. É pena que, nos tempos que correm, valores como o cuidado e a prevenção sejam tão ignorados. Por este caminho, onde iremos parar? Quando será que as escolas iniciarão uma eficaz preparação das crianças para serem adultas responsáveis e gerirem eficazmente a sua vida, melhor do que está a acontecer com a geração dos seus pais?

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