Uma Justiça 'porreira, pá'
Por Manuel António Pina, Jornalista do JN
Parece que a "Operação Noite Branca" desencadeada pela PJ na madrugada de domingo no Porto só foi possível porque os 202 inspectores que nela participaram o fizeram por carolice, já que o Ministério da Justiça não paga horas extraordinárias fora dos serviços de piquete e prevenção.
Segundo informou, a propósito, a Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal, o Ministério da Justiça apoia-se em duas decisões judiciais, segundo as quais o trabalho da PJ entre as 20 e as 8 horas não tem que ser pago. Combate ao crime em Portugal só, pois, nas horas de expediente. Quando, como aconteceu agora no Porto, a PJ precisa de actuar entre as 20 e as 8 fica dependente de conseguir ou não arrebanhar inspectores que não tenham nada que fazer nessa noite e se disponham a trabalhar e a pôr a vida em risco de borla.
É assim que hoje funciona, em geral, a Justiça em Portugal, por carolice. E se, apesar de tudo, a Justiça ainda vai funcionando é porque tanto inspectores da PJ como magistrados judiciais e do MP não têm, como diz o ministro Alberto Costa, espaço (nem tempo) para "estados de alma" e levam processos para casa e trabalham fora de horas e aos fins-de-semana sem receberem um tostão.
É o "porreirismo, pá" nacional em todo o seu esplendor.
NOTA: Não falta dinheiro para os governantes se rodearem de inúmeros assessores, contratados por critério de confiança política, sem concurso público, apenas para empregar os familiares e amigos do clã, que evidenciam a sua incompetência na (im)perfeição dos documentos que saem dos ministérios, mas que usam o lugar para se catapultarem na carreira política de yesmen, para adquirirem os melhores carros do mercado, como tem sido noticiado acerca da Justiça e da Administração Interna, etc. Mas falta dinheiro para pagar a polícias e militares, a quem se exige a dedicação canina ao dever, sem qualquer compensação adequada, a quem não se reconhece o direito a ter «estados de alma», como se de uma máquina se tratasse. Mas mesmo a máquina exige cuidados de manutenção adequados.
Se os agentes da autoridade se comportassem como meros funcionários públicos, como Governo pretende, onde estaria a segurança dos cidadãos? Por que milagre os criminosos se sentiriam coibidos de praticar excessos? O que impediria que a justiça passasse a ser feita pelas próprias mãos com todos os inconvenientes inerentes? Isto dá muito que pensar, a quem disponha de um cérebro capaz, diferente do dos políticos!
Para bem do nosso País, esperamos que os agentes da autoridade, apesar das dificuldades, continuem a ter os seus «estados de alma», a pensar no seu bem-estar e das suas famílias, mas sem deixarem de alimentar o seu amor a Portugal e de actuar com carolice na esperança de que o seu sacrifício venha a ser devidamente retribuído.
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Funcionários públicos «porreiros», porque não são políticos!
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A. João Soares
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terça-feira, 16 de outubro de 2007
Polícias diferentes de simples funcionários públicos
PSP chamada à pressa
Por NS, no Jornal de Notícias
A chamada "em cima da hora" de mais de duas dezenas de elementos da Divisão de Trânsito da PSP do Porto para prestarem serviço na cimeira de Lisboa causou indignação no seio daquela força policial, denunciou ontem ao JN uma fonte da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP).
Os 23 agentes, na sua maior parte batedores, foram contactados durante a tarde de ontem, tendo recebido ordens imediatas para se apresentarem hoje de manhã em Lisboa, onde terão de permanecer durante quatro dias.
"A chamada dos agentes deveria ter sido feita atempadamente, mas aconteceu ao último da hora, sem ter em conta os transtornos que tal situação acarreta para os profissionais", sublinhou fonte sindical, questionando igualmente as condições de alojamento. NS
NOTA: E isto acontece apesar do excesso de assessores que enxameiam os gabinetes do Poder. Utilizei mal a palavra «apesar», pois estes erros de confusão, irresponsabilidade e desorganização devem-se precisamente ao excesso de pessoas parasitas do ordenado, sem uma clara definição de tarefas. Como definir e distribuir tarefas se estas são em número inferior ao dos funcionários?!!
Esquecem-se os donos do poder de que uma organização para ser eficiente e produtiva tem de ter obrigatoriamente uma estrutura claramente definida e muito simples, pois a simplicidade é condição essencial para a eficácia, para a responsabilização e para a realização pessoal dos seus recursos humanos.
No caso referido, além a incapacidade de previsão, de planeamento e de comunicação, houve desrespeito pela unidade a que pertencem os batedores que, desta forma, teve de anular e alterar profundamente as acções planeadas, e também houve desrespeito pelos guardas e seus familiares, que foram tratados como simples coisas, ferramentas do poder autoritário que reside na mente de quem decidiu tardiamente. Ao contrário da comparação feita há cerca de um ano entre polícias e simples funcionários públicos, agora aqueles são tratados como não seria possível fazer aos funcionários. Afinal são diferentes.
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A. João Soares
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