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sábado, 17 de janeiro de 2009

TGV. Sim ou não?

Muito tem sido dito e escrito acerca dos investimento faraónicos de discutíveis resultados para a o desenvolvimento da economia, fraca capacidade de recuperação do valor investido e posteriores pesados encargos de funcionamento e de manutenção das estruturas, fixas ou circulantes.

O TGV tem sido objecto de variados comentários, principalmente nas ligações internas de pequena extensão em que as composições não chegam a atingir a velocidade máxima que lhe daria vantagem. Os fundamentos que o poderiam tornar aceitáveis há 10 anos poderão não o justificar agora, em que tudo se modificou.

Em resposta à objecção argumentada pela presidente do PSD, o ministro das Finanças considerou ontem à noite "uma falsa" questão a polémica em torno dos investimentos na rede ferroviária de alta velocidade (TGV), defendendo que este projecto não terá impacto no défice ou na dívida pública em 2009. Referia-se às palavras de Manuela Ferreira Leite, presidente do PSD, na entrevista à RTP, em 15 à noite quando afirmou que, se formar Governo, riscará o investimento no TGV.

O ministro pode ter argumentos válidos, mas aquele que utilizou não convence ninguém que pense, porque o impacto a considerar não pode ser apenas o que se verificará no défice ou na dívida pública em 2009, sendo absolutamente indispensável projectar os impactos nos anos seguintes. É preciso ter uma noção o mais rigorosa possível sobre os custos e ganhos com o TGV nas próximas duas décadas, no mínimo. Não se deve ser inconsciente ao ponto de hipotecar Portugal e deixar encargos insuportáveis às gerações vindouras. O próprio ministro das Finanças acerca das previsões que apoiam as alterações do orçamento, escudou-se, alertando para que os números não devem ser considerados seguros, podendo surgir alterações imprevisíveis. Realmente não estamos em situações de embarcar em aventuras de muito alto risco

Numa época destas, um megainvestimento deste género só interessa às construtoras e dará trabalho a imigrantes, mas não contribuirá extensivamente para o aumento do poder de compra das populações. Não irá proporcionar maior produção às indústrias que permitam substituir importações e aumentar exportações.

Talvez a Presidente do PSD esteja mais dentro do bom senso do que o ministro das Finanças e o das Obras Públicas e Comunicações e este nem sempre se apoia em estudos isentos e rigorosos como se viu no caso da Ota, processo que teve de engolir e substituir pelo de Alcochete sem ter indigestão.

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