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terça-feira, 16 de abril de 2013

QUAL O PERFIL IDEAL DE UM MINISTRO?


As recentes nomeações de ministros levantaram críticas de ordem diversa, sem ter havido conclusões consensuais. Talvez seja a crise a agudizar desentendidos e a acirrar a luta de interesses e as divergências de pontos de vista.

De entre o muito que tem saltado dispersamente para o domínio público, tem interesse analisar os artigos de Henrique Monteiro no Expresso e de Fernando Santos no Jornal de Notícias. Por um lado são referidas as capacidades técnicas e qualificações académicas e científicas que fazem supor eficiência na análise dos problemas a resolver e na sequente escolha de soluções. Porém, o alto nível de tais conceitos teóricos levanta o receio de desconhecimento das realidades em que os cidadãos vivem e das dificuldades práticas com que se debatem no dia-a-dia.

O ideal seria a conciliação entre saber e o método científicos e o conhecimento do país real e a experiência de vida profissional. Com efeito, não pode desprezar-se a experiência obtida com o picar o ponto numa fábrica às oito ou oito e meia da manhã, o respirar o ambiente de uma unidade de produção, a sujeição à estrutura hierárquica de uma empresa; o conhecimento do custo de artigos de primeira necessidade e ter estado com, paciência ou desconforto, na fila para apanhar um transporte colectivo. Esta tarimba daria mais capacidade para dialogar com os «parceiros sociais» e decidir mais correctamente com vista à melhoria do bem comum e da maior eficiência da economia.

Por outro lado, surgem dentro dos partidos os discordantes da nomeação de «sábios» sem «experiência política», isto é, com conhecimentos muito acima da quase nulidade da maior parte dos «boys», mas sem «sensibilidade» para os interesses característicos dos camaradas que esperam o momento para uma nomeação ou para uma negociata rendosa, sem o saber dos equilíbrios das ambições nos jogos das autárquicas, ponto de partida para carreiras que permitem o tráfico de influências e do enriquecimento ilícito, teimosamente ignorado pela legislação em que a Justiça se baseia. Nestas alergias não tem lugar a consideração pelo conhecimento dos dossiês nem pela vocação para a defesa dedicada dos verdadeiros interesses do país.

São também abrangidos pelas críticas, os afectos algum dia confessados por correntes partidárias menos favoráveis ao actual líder, o que sobrepõe a cumplicidade e a conivência pessoal à independência honesta de análise de aspectos dos problemas nacionais.

E para terminar, transcreve-se as últimas frases do texto de Henrique Monteiro:: «Em cada eleitorado aparelhístico há uma pequena Coreia do Norte que ama o seu grande líder. Esta gente, estas autênticas quadrilhas têm um papel mais pernicioso na política actual que a corte tinha nas monarquias absolutas. Um desafio importante é saber como nos podemos livrar desta canga.»

Imagem de arquivo

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segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Exemplo para os nossos governantes

O ministro do Interior da Croácia, Ivika Kirin, demitiu-se no sábado, depois de terem sido publicadas fotos comprometedoras. Trata-se de fotos de caça em que está próximo do general na reserva Mladen Markac junto de um javali abatido. O general, de 52 anos, é acusado da matança de dezenas de sérvios em 1995 e o seu regresso à Holanda tinha sido ordenado pelo tribunal de crimes de guerra da ONU, por violação das condições para a sua libertação, em 2004, enquanto aguarda julgamento por assassínio, actos desumanos e tratamentos cruéis. Na sequência destas fotos, foi detido no sábado na sua residência em Zagreb e encontra-se preso, segundo disse o porta-voz da Polícia, Krunoslav Borovec.

O Ministério de Ivika Kirin é o responsável por controlar as movimentações de Markac, a quem tinha sido determinado que não poderia deixar Zagreb sem autorização, pelo que o ministro ficou em falso e apresentou desculpas pelo incidente em carta enviada ao primeiro-ministro, Ivo Sanader.

Entre nós há, casos que fragilizam a imagem de governantes mas estes não tomam atitudes como esta (excepção a Jorge Coelho, António Vitorino e pouco mais). Fala-se sempre em responsabilidade política, mas ninguém sabe exactamente o que isso significa por que nada se torna visível. Nem sequer foram vistos os camelos do deserto da margem Sul do Tejo!

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quinta-feira, 11 de outubro de 2007

A saúde do ministro da Saúde?

O ministro da saúde foi ontem ao Departamento de Psiquiatria do hospital de S. Teotónio, em Viseu, comemorar o Dia Mundial a Saúde Mental, tendo escolhido esta Instituição por os seus técnicos estarem a fazer um trabalho exemplar no apoio domiciliário aos doentes desta especialidade.

Encontrando-se entre o pessoal daquele Departamento, o ministro declarou, no seu habitual tom convincente que «a doença mental está no meio de nós». Os técnicos olhando entre si e para o ministro evidenciaram a sua concordância!

Certamente, o ministro não quis, na sua região natal, referir-se ao facto de estar ali «no meio» daqueles técnicos, mas há coincidências terríveis. No mesmo dia, quando em Cascais, os doentes e médicos de Oncologia se manifestavam contra a retirada desta valência do novo hospital distrital, o presidente da Câmara afirmou que considera «bastante confusa a postura do Ministério da Saúde sobre esse assunto».

Na actividade de estudo e análise da informação, quando dois indícios técnicos são concordantes, merecem ser tidos na devida consideração e não ser negligenciados nem desprezados. É certo que o ministro já disse que preza a sua saúde e não a coloca nas mãos de um qualquer SAP, mas sim ao cuidado de boas clínicas privadas. Esse cuidado muito judicioso deixa-nos menos preocupados. Mas aqueles indícios fazem pensar... Já há tempos houve louváveis recuos das decisões de fechar algumas maternidades e urgências e alguns centros de saúde, por ter sido considerado, perante as manifestações de desagrado de populações e autarquias, que tinham sido erradas, por deficiente estudo prévio.

Desejamos que o senhor ministro da Saúde, tal como os restantes, gozem de boa saúde, por forma a tomarem as mais adequadas decisões para bem da população do País.

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