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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Sarjetas, chuva e técnicos de hidráulica

Passava pouco das dez da manhã de hoje e descia, a pé, a avenida 25 de Abril a caminho da estação, à chuva, cada vez mais intensa. Nas antigas bombas de gasolina no cruzamento com a av Eng Adelino Amaro da Costa, parei à espera que a chuva abrandasse. Mas parecia que não valia a pena esperar porque o aspecto era de continuar sem grande alteração da pluviosidade, e retomei a caminhada.

Mas dali até ao cruzamento com a Avenida D. Pedro I (a mania de chamar avenidas às ruas para dar valor às localidades!), foi um inferno. Já há tempos, em cartas aos jornais, alertava a autarquia para a inexistência de sarjetas ou sumidouros neste troço da avenida. Pois hoje, mais do que de experiências anteriores, o caudal era muito intenso e o trânsito automóvel mais compacto e veloz. Cada carro lançava um leque de água que me atingia quase até à cintura, mesmo indo na parte mais externa do passeio e não é preciso gastar palavras sobre o estado em que fiquei.

Não tive dúvidas de que nem o Presidente da Câmara, nem os altos funcionários ligados às condições das ruas, algum dia por ali passaram, a pé, em dia de chuva. E sugiro, peço, ao senhor presidente que num dia de chuva experimente descer este troço da Avenida para se aperceber da situação dos peões. Mas como prezo a sua actuação e, portanto, a sua saúde para estar sempre disponível, aconselho a levar botas de borracha de pescador e um impermeável que chegue até meio do cano das botas, a afim de não ficar molhado como um pinto.

E permito-me recordar aos senhores técnicos da hidráulica urbana que a água continua teimosamente a obedecer à força da gravidade, correndo para baixo. E esta conclusão pode ser tirada junto às poucas sarjetas que se encontram fora daquele troço (onde primam pela ausência), onde se verifica que a água está empoçada a cerca de um metro da sarjeta ou, nas rampas, vemos a água a passar ao lado dos sumidouros, como se eles não existissem. É que estes não estão nos pontos mais baixos do piso da rua. E, quando isso acontece junto de paragens de autocarros, ou de passagens de peões, então as pessoas levam sucessivos duches enquanto esperam para avançar.

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