Como arma que dizem ser, a greve deve ser utilizada com muito sentido de responsabilidades, muita sensatez, escolhendo bem os alvos, o objectivo a atingir, enfim, em termos militares, «o inimigo», e usando de boa pontaria para evitar os danos colaterais. Pelo facto de um militar, um agente da autoridade ou um civil possuidor de licença de uso e porte de arma, poder usar esta, não pode nem deve aplicá-la contra inocentes e em situações de menor gravidade. A «arma» greve deve ter um uso adequado.
Numa empresa, se os trabalhadores têm motivos para reclamação e a administração não os ouve, não dialoga, não cede às reclamações justas e sensatas apresentadas educadamente, a greve poderá ter lugar com intenção de, lesando os interesses da empresa, chamar a atenção para o facto de esta estar a lesar os dos trabalhadores. Mas, mesmo neste caso, os organizadores da greve devem começar por ponderar se os prejuízos que irão causar à empresa não virão a reflectir-se nas suas condições de trabalho, porque a empresa funciona num conjunto interactivo formado pelo capital, pelo trabalho, pelos fornecedores, pelos clientes e pela população local.
Mas no caso de se tratar de uma empresa prestadora de serviços públicos como é o caso dos transportes, actualmente em greve, o factor mais importante é o conjunto e variedade de inconvenientes causados aos utentes que são apenas pagantes e vítimas de qualquer deficiência de funcionamento do serviço a que têm direito.
O direito do utente deve ser considerado em patamar superior ao dos trabalhadores e da administração da empresa.
No artigo Elites estão caladas por lhes faltar independência, diz Alexandre Soares dos Santos este empresário acusa as forças vivas de se remeterem ao silêncio o que as impede de se unirem na defesa de causas comuns. Subentende a necessidade de unir esforços à procura de soluções, sem medo de retaliação. Na realidade, esse medo deve ser expurgado e dar lugar a coragem e um pouco de «heroísmo». A propósito, ontem na estação da CP ouvia-se dizer com certo calor: o que eles precisam é que meia dúzia de valentes venham aqui com martelos destruir tudo isto.
Afinal qual é o objectivo desta grave? Contra quem? Para prejudicar quem? Qual o inimigo para quem usam a arma da greve? Infelizmente a resposta é: são os simples e humildes utentes, muitos que pagaram os passes e se vêm privados do direito que ele lhes deve conferir. E ficava a pergunta: Porque não desencadeiam a sua guerra, com boa pontaria, contra aqueles que consideram seus inimigos?
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
A greve é uma arma
Posted by
A. João Soares
at
09:55
1 comments
Labels: greve, transportes
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Greve irracional
A maioria dos trabalhadores que costuma utilizar os transportes públicos para se deslocar para o seu local de trabalho é prejudicada pelas greves dos transportes que esta semana nos está a massacrar. Qual a racionalidade de tal forma de os transportadores mostrarem o seu «direito»? Certamente os sindicalistas não fazem a greve propositadamente para atingir os inocentes que dela sofrem as piores consequências!
Poderão alegar que essa forma de luta é contra as entidades patronais. Mas para isso teria sido mais eficaz uma greve de zelo ou a recusa de cobrar bilhetes o que até favorecia os utentes. Poderão também alegar que é para mostrar o seu desagrado aos políticos. Mas tal como no caso, também os políticos pretensamente visados nada sofrem com a greve. E para sensibilizar os políticos têm os exemplos da Tunísia e do Egipto com menos ou mais fraca intensidade.
Os sindicalistas devem procurar ser racionais e pensar bem nos objectivos pretendidos, e nas formas de os conseguirem, com os menores custos para os inocentes que, em caso de irracionalidade, acabam por ser os únicos verdadeiramente lesados. Não perderiam tempo se lessem o artigo Pensar antes de decidir. É só fazer clic neste link.
Imagem da Net
Posted by
A. João Soares
at
10:46
1 comments
Labels: decidir, greve, transportes
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Transportes também vão subir de preço
De notícia do PÚBLICO extrai-se: «O ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, António Mendonça confirmou hoje que haverá um “aumento de cerca de 3,5 por cento para os passes sociais e de 4,5 por cento para as tarifas, no seu conjunto”.»
É mais um sinal que deve suscitar as maiores preocupações da parte de cerca de 90% da população e levá-la a meditar sobre a situação em que foi colocado o País.
Neste dito «Estado social», a «austeridade», consequência de má gestão pública durante anos, constitui um roubo multifacetado ao bolso vazio dos pobres, que se vêm lesados ou mesmo privados de benefícios sociais, de salários e, por outro lado, vêm as suas despesas acrescidas para serem mantidos os lucros de empresas de serviços públicos, desde bancos a transportes, e as benesses dos seus administradores, consultores, accionistas, etc. Isto não dá boa imagem a tal estilo de «Estado social» de que os governantes se gabam e em que o fosso entre os mais ricos e os mais pobres, em vez de ser reduzido, se torna maia largo e mais profundo.
Mas os defensores do sistema não convém se esquecerem de que, quando a justificada ira do povo atingir um grau insustentável, não há muralhas nem fossos que o impeçam de conquistar a fortaleza e aniquilar o inimigo público. Pelo caminho que as decisões superiores estão a tomar, esse momento está cada vez mais próximo. Tenham cuidado. Pensem antes de decidir. Pensem mais nas pessoas do que nos euros dos ricaços. Libertem-se um pouco das grandes pressões dos detentores do poder do dinheiro que os dominam puxando os cordelinhos, e pensem nos 90% de cidadãos, eleitores, clientes, consumidores e nas condições em que está a viver a maioria da população que tão desprezada e sacrificada tem sido.
Não esqueçam que o voto de cada pobre vale tanto como o de cada rico.
Imagem da Net
Posted by
A. João Soares
at
10:09
0
comments
Labels: despesas, justiça social, transportes
domingo, 27 de julho de 2008
Barbeita é notícia
Os moradores de Barbeita protestaram em abaixo-assinado contra o aumento consumado em 1 de Julho no custo e as anunciadas alterações nos horários a partir de 1 de Agosto dos transportes que servem esta importante localidade.
Exemplarmente, as gentes desta terra aprenderam os conselhos de Mário Soares quando defendeu o direito a manifestar a indignação e os de Cavaco Silva quando aconselhou a não se resignarem.
Segundo o JN, a Câmara, representada pelo vereador, vice-presidente, Américo Nunes, recusou o abaixo-assinado de protesto dos moradores por estar em causa um serviço privado e não municipal, mas, como os actos de gestão da empresa de transportes Berrelhas são aprovados pelo Instituto de Mobilidade e Transportes Terrestres (IMTT), aconselhou a entregar o abaixo-assinado no Governo Civil de Viseu".
A Élio Oliveira, um dos subscritores do documento, felicito pela forma ordeira de tentar resolver o problema e a mobilização que fez para conseguir o abaixo-assinado. No entanto, recordo que há outras formas de luta também ordeiras e concernentes com a lei da oferta e da procura, que é fundamental na economia de mercado, e que é pouco lembrada. Segundo ela, para baixar os preços é preciso baixar a procura. Isto traduz-se em que as pessoas do povo de Barbeita, que tenham capacidade física para o fazer, pelo menos quando as condições climáticas o permitirem, passem a deslocar-se a pé até à carreira de tiro e, aí, apanharem o STUV. A Berrelhas, quando vir diminuída a procura e reduzida a facturação, terá de decidir baixar os preços, para captar mais clientes e, dessa forma, recuperar o volume de negócio.
Esta sugestão não representa grande sacrifício, pois há algumas décadas a estrada era de macadame poeirenta no verão e lamacenta no Inverno e as deslocações faziam-se a pé mesmo até Viseu. Pela forma referida, este esforço, de dez minutos em estrada alcatroada, durará dois ou três meses, porque a Berrelhas preferirá, logicamente, ceder a ficar sem volume de negócio que lhe cubra as despesas com as carreiras.
Posted by
A. João Soares
at
09:51
2
comments
Labels: Barbeita, oferta e procura, transportes
