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quinta-feira, 12 de março de 2009

«Malhar» no «tremendismo»

A noção generalizada de democracia assenta em eleições livres com voto secreto de cujo resultado sai um governo unipartidário ou de coligação, ficando os restantes partidos na oposição.

Ao Governo, cujos elementos, ao tomar posse, juram cumprir com lealdade as suas funções, compete realizar estas, de governar o País com vista a melhorar as condições de vida da população, pelo ensino, saúde, segurança, justiça e supervisão de toda a actividade com influência desenvolvimento do País (população, património e soberania).

Aos partidos da oposição nada é exigido em juramento solene, mas deles é esperado que estejam atentos aos actos de governação, criticando-os quando se afastem das promessas eleitorais e do programa do Governo aprovado pelo Parlamento ou que sejam, tomadas decisões nefastas para a população e para o futuro nacional. Ao mesmo tempo, os partidos da oposição com aspiração à alternância democrática (teoricamente, todos) devem exercer o seu papel de oposição por forma a mostrar aos eleitores que estão preparados para vencer as próximas eleições e exercer com competência, bom senso e patriotismo as funções de governo.

Perante este conceito, aqui delineado em traços ligeiros, a oposição só pode ser criticada por não chamar em voz bem audível a atenção do Governo para actos menos ponderados que poderão hipotecar gravemente as gerações actuais e as futuras. Pelo contrário, cada cidadão, como eleitor e detentor de uma quota-parte de soberania nacional democrática, deve usar do direito de opinião e de expressão, individual ou colectivamente, apoiando ou criticando aqueles que juraram defender os interesses dos portugueses. Cabe ao Governo, perante essas críticas, explicar as realidades por forma a esclarecer os discordantes.

Estes considerandos são suscitados pelo relato da líder do PSD sobre a actuação do Governo nos últimos quatro anos, que fez no seu direito de cidadã eleitora e de responsável pelo principal partido da oposição (segundo dados das últimas eleições legislativas). Se o Governo não concorda com um ou outro ponto, deve esclarecer a Nação com argumentos sérios, claros e transparentes para que não fiquem a restar dúvidas.

Mas, da parte do Governo, não houve tais esclarecimentos e, mais uma vez, saltou à estacada o «malhador» de serviço a zurzir a oposição, sem apresentar um único argumento que anulasse todas ou algumas das afirmações da líder do partido rival. Segundo o artigo do Público Santos Silva lamenta “visão tremendista” e “vazio de ideias” do PSD, o argumento mais válido que este conseguiu apresentar foi que "O PSD organizou hoje sessão não para apresentar qualquer ideia ao país, mas sim para ‘maldizer’, dizer mal de tudo, imputar culpas a quem não as tem, manifestando que o vazio de ideias que hoje assola o PSD é directamente proporcional à sua capacidade de dizer mal, à sua propensão para o negativismo". "É uma visão tremendista da sociedade portuguesa, uma dimensão que só revela a cegueira e o preconceito".

Portanto,o Governo pela voz deste representante, não provou qualquer mentira ou calúnia da líder do partido da oposição e até concordou com ela "claro que houve falhas nestes quatro anos, e a oposição cá estará para identificá-las, é a sua função".

Curiosamente, na malhada anterior usou de vitimização com os fantasmas de «campanha negra» de «tentativa de assassinato moral e político» etc. e agora, para mostrar a sua criatividade, talvez se tenha socorrido do «Magalhães, e utilizou o neologismo «visão tremendista», adjectivo que não consta dos dicionários, só parecido com as célebres falhas do referido ‘notebook’ tão do gosto do Governo. E, apesar da novidade do termo, nada ficou esclarecido contra as afirmações da referida líder.

Não é com arrogância, ofensas e palavras vazias de significado que se esclarecem os eleitores sobre aquilo que o Governo fez ou deixou de fazer, na sequência das promessas que lhe granjearam os votos. Os discursos do malhador estão a constituir uma tremendíssima asneira de que o PS nada beneficiará. Daquilo que disse, segundo o artigo do Público, o que há de mais claro é que «houve falhas nestes quatro anos».

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