sexta-feira, 29 de abril de 2022

A VIDA EXIGE INOVAÇÃO E CRIATIVIDADE

A vida exige inovação e criatividade

(Public em DIABO nº 2365 de 29-04-2022, pág 16. Por António João Soares)

Sem a preocupação de ser escolhida a melhor solução para cada situação que surja e se, pelo contrário, for dada demasiada importância a experiências anteriores, podemos cair em erros históricos como o caso de «Potemkin», que arrasta atitudes altamente negativas e prejudiciais em todos os aspectos da vida moderna.

Cada decisão deve partir de uma boa definição do problema, suas causas, seus factores condicionantes, e o resultado desejado com os seus efeitos. Com tal metodologia, contribui-se para a boa inovação e um futuro melhor. Nunca se deve resolver um assunto por palpite, ou «porque sim», «porque é assim que quero», como vemos acontecer muitas vezes. Tal erro é a base da estagnação e a ausência de desenvolvimento, e ele é resultado de falta de preparação, de ausência de competência, e de interesses inconfessados, como os ligados a muitos casos «Potemkin», como referiu João Miguel Tavares no seu texto no Público de 19/03/2022 

Com manigâncias de tal género, é desviado dinheiro público, inventam-se mentiras, oculta-se a realidade, e desenvolve-se a letargia, a estagnação e o caminho para a degradação pública, ao mesmo tempo que enriquecem os autores das habilidades que, perante perguntas, respondem que não sabem, desconhecem, não viram, não se recordam. E a Justiça também não averigua, a fim de não levantar problemas e discórdias entre os donos do poder dos quais também depende.

No meu segundo artigo em O DIABO em 27/09/2016 dizia como se deve «preparar a decisão». Mas os grandes decisores nacionais não sabem e não têm verdadeiro interesse em se esclarecer em coisas que lhes evitem os truques dos malabarismos de «Potemkin». Estes são truques mais antigos do que o personagem que lhes deu este nome. E as «verdades» convenientes são apenas as «politicamente correctas» a que todo o sistema político se torna obediente, para continuar merecedor de benesses.

Mas impõe-se que seja encarada a necessidade de rever todo este sistema, por forma a tornar real a vida nacional para criar um futuro o mais perfeito possível, sem corrupção, sem desvios de dinheiro, com decisões bem preparadas e com facilidade de pareceres honestos e de sugestões sérias e bem intencionadas como as que aqui têm sido apresentadas desde 2016.

Em democracia, o poder é eleito pelos cidadãos e as decisões devem ser orientadas por forma a defender os melhores interesses dos eleitores. Para tal, deve haver o cuidado persistente de conhecer os melhores interesses colectivos e de permitir que os cidadãos possam emitir opiniões e sugestões para tornarem a governação mais correcta e eficaz. Deve haver o cuidado de um governante não tomar decisões por sua livre iniciativa por estar convencido de que tem autoridade e poder, do género de vulgar ditador. Em Portugal, na sequência do 25 de Abril era vulgar ouvir-se «o povo é quem mais ordena». Isto é considerado certo se for apresentada perfeita explicação da decisão que corresponda à real situação.

E, opostamente ao sistema de «Potemkin», não devem ser feitas promessas, antes de preparada a decisão, a fim de evitar mentiras que desacreditem a verdade verdadeira e acabem por a promessa ficar sem ser cumprida. O sistema de «Potenkim» apresentado pelo autor acima referido, acaba por ser mentira usada de tal forma que engana o próprio governante de topo, por estar afastado das realidades mais generalizadas dos pormenores da vida nacional. Conhecer as realidades da vida real dos cidadãos não se obtém com beijinhos, selfies e aplausos aos mais famosos dos espectáculos populares.


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sábado, 23 de abril de 2022

EXEMPLOS DE SOLIDARIEDADE

EXEMPLOS DE SOLIDARIEDADE
Public em DIABO nº 2364 de 22-04-2022, pág 16, por António João Soares)

É necessário divulgar a conveniência de amizade, solidariedade e espírito de ajuda, para evitar egoísmos, avareza, inveja, ódio e violência, com crises graves para o ambiente social e internacional, como tem acontecido.

Felizmente, há exemplos positivos que merecem ser seguidos e divulgados a fim de se melhorar a vida social a todos os níveis. Os convívios semanais das quintas feiras de que tenho publicado no «Blog Só Imagens» e no Facebook as fotos que me são enviadas, constituem um caso exemplar que deve ser seguido, de qualquer forma, mas sempre com a finalidade de salientar os bons efeitos da amizade e da solidariedade que, no caso, já vem de há muitas décadas, com melhores efeitos.

Dois participantes desse grupo, com mais três velhos amigos decidiram deslocar-se de Lisboa a Torres Vedras a fim de se encontrarem com um amigo comum que se encontra a residir num lar de militares idosos, que já não tem facilidade de se deslocar com segurança, sozinho, mesmo a pequenas distâncias. Pediram ao visado que escolha o restaurante onde irão almoçar e uma data para esse efeito. Quanto à escolha, ele pediu a um companheiro de «presídio», mais jovem, com carro, que costuma participar em vários encontros deste género, com vários amigos residentes nesta área. Como na ida para o almoço o grupo virá buscar o amigo ao seu local de residência e ele o orientará para o restaurante, como o companheiro visitado não conhece nem o restaurante nem o percurso, esse seu amigo levou-o a fim de o preparar para poder cumprir a missão no dia do almoço. Fê-lo com dedicação, amizade e generosidade. São mais dois casos de solidariedade muito louvável.

Isto surge com naturalidade e espontaneidade, porque a amizade é contagiosa e transmite-se por reciprocidade. Mas só surge quando há respeito pelos outros e quando se cria esse hábito através do comportamento habitual, movidos pelo afecto recíproco alimentado ao longo de anos. Isso não é coisa que seja determinada ao som de apito ou assobio. Li há pouco uma entrevista com Pavlo Sadokha, presidente da Associação dos Ucranianos em Portugal, em que afirma que desde os tempos dos seus avós, os seus conterrâneos aprenderem a unir-se para defenderem o seu futuro comum, perante a ambição de um país vizinho frente ao qual não se irão render, embora isso lhes acarrete muitas vidas perdidas e muitos danos nas suas residências e nos seus patrimónios habitacionais e outros das localidades em que vivem.

Tal formação ética e moral das pessoas foi obtida pela experiência das atitudes da vizinhança e está bem estruturada nas mentes dos cidadãos. Uma tal aprendizagem produz comportamentos sólidos que se traduzem automaticamente através de gerações, fazendo parte da forma de viver das pessoas a partir do início da vida. Há muitas pessoas que desejam ver os seus países com espírito defensivo semelhante, mas tal mudança não se consegue através de factos isolados, sendo necessária uma formação ética desde tenra idade e bem fundamentada e repetida insistentemente, com apoio de textos históricos que mostrem a realidade da evolução.

Mas o respeito e a solidariedade não são qualidade das instituições públicas. No ano passado, ao tentar fazer a declaração do IRS, pela Internet foi me apresentada a hipótese de aceitar o sistema de declaração automática baseada nos dados que as Finanças possuem. Aceitei. E este ano também queria seguir o mesmo sistema, mas apareceram tais complicações por ter perdido a pass word que já passaram quase duas semanas à procura de solução. A Assistente Social aconselhou-me ir às Finanças e fui. Mas a pessoa que me atendeu não me esclareceu totalmente sobre o assunto e irei receber o quinto papel com números que me não têm sido úteis. Espero que decidam aplicar a solução automática, seguindo o costume anterior. 

«Amai os outros como vossos irmãos».

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terça-feira, 19 de abril de 2022

OS ANIMAIS DÃO-NOS LIÇÕES DE COMPORTAMENTO

(Public em DIABO nº 2363 de 15-04-2022, pág 16, por António João Soares)

A notícia mais recente do comportamento de um animal doméstico que constitui bom exemplo para um humano refere a amizade de um cão ao seu dono, depois da morte deste, mesmo ficando sem alimentação e ser encontrado, ao fim de duas semanas, cansado e esfomeado, ao lado do cadáver.

O dono, homem de 29 anos, desapareceu e após muita procura foi encontrado sem vida numa área inhóspita para onde tinha ido passear. Estava sem vida e tinha ao lado o cão seu companheiro, magro, cansado e cheio de fome, mas ainda vivo.

Há vários casos semelhantes de respeito pelo dono, de amizade aos companheiros de grupo, de apoio a outros, etc. Um amigo contou-me que seu irmão tinha uma pomba que vivia fechada numa gaiola a quem dava pouco afecto, por passar pouco tempo em casa e um dia resolveu propor ao irmão ficar com o animal e levá-lo para sua casa, ali perto. Depois de o ter em casa e de lhe dirigir sons semelhantes aos usados pelo irmão sentiu em resposta sons que considerava afectuosos. Ao fim de poucos dias, libertou-a da gaiola e ela andava livremente pela casa, apesar de não usar a higiene desejada e de lhe ter sido limitado o espaço onde podia deslocar-se.

Passou-se o tempo e o animal saiu pela janela. O actual dono foi relatar o caso ao irmão que lhe disse: agora vai olhando para o ar para ver se a recuperas. Ele olhou e viu-a pousada a mirar a casa onde vivera antes, os dois chamaram e ela foi ao encontro deles. Tinha ido matar saudades do primeiro dono.

Um pelicano recém-nascido teve um acidente que lhe feriu uma pata. Um dos funcionários da praia recolheu-o e promoveu o seu tratamento, alimentou-o e manteve-o sob estreita vigilância, até que ele cresceu e, quando já podia voar, desapareceu. O tratador ficou desgostoso por ficar sem este amigo, mas poucos dias depois ele regressou, pousou no seu ombro e fez-lhe carícias, em nítido sinal de reconhecimento e de amizade. E depois voltou várias vezes com semelhantes atitudes.

Num grupo de aves migratórias, em que todas voavam bem alinhadas e sem alterarem as suas posições relativas, numa disciplina semelhante à dos militares em desfile festivo, uma ave perdeu altitude o que foi notado pelo responsável do grupo e logo saiu uma ave de socorro no seu encalce para lhe dar apoio e ficar com ele enquanto lhe fosse necessário e só depois seguissem para o destino para o qual o grupo se dirigia.

Enfim, os animais, apesar de terem sido classificados de irracionais, possuem a sua ética, com respeito, dedicação, amizade e reconhecimento que servem de lição a muitos humanos.

Porém, as situações de dificuldade recentes e actuais mostram que os humanos estão a dar mostras de alguma ética semelhante, embora não esteja generalizada, como se vê no caso do apoio aos ucranianos em dificuldade, ao refugiarem-se perante a destruição de habitações e a morte de numerosos civis, entre os quais crianças, pelas acções criminosas e injustificadas dos invasores e pelos mísseis por eles enviados. Perante tais actos terroristas e de violência genocida e criminosa contra os direitos humanos a generalidade dos países europeus têm-se comportado com humanismo, ternura e respeito pelo sofrimento humano.

Porém, ao contrário dos animais, os causadores de tais actos de selvageria, estão à margem de respeito pelos valores humanos e usam de barbaridade inqualificável.

Sugiro a leitura de «O respeito e a amizade devem ser permanentes» que publiquei em 18 de Março pp. Devemos admirar os animais e aprender os seus bons exemplos.


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sábado, 9 de abril de 2022

A RELIGIÃO DEVE INCENTIVAR A MORAL E A ÉTICA SOCIAL

(Public em DIABO nº 2362 de 08-04-2022, pág 16, por António João Soares)

 No dia 25 de Março, em resposta a um apelo do Papa, os crentes mundiais colaboraram na «Consagração ao Imaculado Coração de Maria pela paz na Ucrânia», na esperança de que o Divino Mestre decidisse exercer os seus divinos poderes e conseguisse terminar com os actos de selvageria que estão a ser praticados naquele país.

Mas estas orações e devoções têm pouco efeito nos comportamentos cívicos de políticos e dos seus colaboradores imediatos por não serem explicadas aos crentes menos letrados e não os incentivarem no seu comportamento. Muitos destes recitam maquinalmente orações sem ter a completa percepção do que significam as palavras e as frases que disseram.  Por exemplo, raras são as pessoas que percebem as três lições constantes da segunda parte da oração “Pai Nosso”. E não compreendem a formalidade do pedido ao «Pai» que lhes dê o «pão nosso de cada dia». Pois não lhes é dado o pão e apenas lhes pode ser dada a vontade de trabalhar para ele ser obtido e sem ambição nem ganância de obter fortunas que deformam a moralidade da vida, a qual deve ser simples e honesta.

Devemos respeitar e compreender os outros e perdoar-lhes as ofensas que nos dirijam. As más palavras e acções ficam com quem as pratica e devemos evitar ódio, inveja e vontade de vingança. E devemos evitar praticar o mal seja contra os outros seja contra a nossa saúde. A droga e os excessos estragam a saúde. E devemos ter muito cuidado com a nossa pessoa. Devemos «livrar-nos do mal». Não devemos esperar que seja Deus a «livrar-nos do mal».

A formalidade de pedir a Deus tudo aquilo de que precisamos e os remédios para todos os males que resultam dos nossos maus comportamentos e dos outros, deve ser ponderada porque teremos o futuro que prepararmos com os nossos comportamentos de cada momento.

Mostraram-me, há mais de meia dúzia de anos, um livro, cuja tradução foi publicada pela editora Diário de Notícias que tratava de entrevista a Deus e, perante a pergunta do jornalista se faz milagres, a resposta foi negativa, com a justificação de que não deve desrespeitar as leis da natureza, rigorosamente feitas com sabedoria e consistência. O milagre deve ser praticado por cada um, orientando o seu comportamento da forma mais natural, moral e ética, a fim de não cometer erros que precisem de ajuda para serem remediados. A religião deve incentivar a luta pela dignidade humana, pela liberdade e pela paz.

Por tudo isto, melhor do que as consagrações do dia 25, realizadas por todo o mundo cristão, seria mais eficaz a difusão da vantagem da aplicação constante dos «mandamentos», bem explicados de maneira a serem praticados, por todos especialmente pelos políticos com possibilidade de ordenar actos ilegítimos que prejudicam seriamente povos pacíficos e inocentes, como é presentemente o caso da Ucrânia e de tantos outros actos de terrorismo que afectam gente honesta e trabalhadora.

O respeito pelos outros é basilar para vivermos em paz e, quando surgem dúvidas, quanto a limites dos interesses das partes, a melhor solução consiste no diálogo e, se necessário, o recurso a intermediários independentes e amantes da paz. Qualquer acto de violência, na sua contabilidade final, traz mais prejuízos do que ganhos para qualquer das partes.

A Igreja deve orientar o seu esforço para que os ensinamentos da fé sejam devidamente aplicados para a felicidade e a segurança dos povos, de todos os povos, e sejam evitados acontecimentos indesejados e desgastantes da boa qualidade de vida que os evangelhos apontam como ideal e desejada por Deus. Para isso, é esperada a colaboração de todos os sacerdotes e dos seus melhores praticantes.


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segunda-feira, 4 de abril de 2022

O BOM ENTENDIMENTO CONDUZ À PAZ

(Pblic em DIABO nº 2361de 01-04-2022, pág 15, por António João Soares)

A paz resulta do bom entendimento dos estados entre si. A amizade e o respeito mútuo, sem ambições nem invejas, são factores de concordância e de desenvolvimento. Os conflitos, mesmo que pacíficos ou pouco agressivos, afastam as energias dos objectivos de desenvolvimento e concórdia para os quais a colaboração, mesmo que apenas com ideias e trocas de opiniões, constitui um factor muito construtivo.

A violência posta em prática pelo poder russo contra um país vizinho, destruindo residências, matando civis inocentes e crianças, ocasionando muitos feridos e refugiados, obteve críticas da maior parte do mundo que discordou dos atropelos à moral, à ética e ao respeito pelos valores humanos, independentemente de raças, etnias, ideologias, etc.

Surgiram cortes de relações económicas, com sanções de cujos inconvenientes o Líder russo já se queixou dos efeitos. Por exemplo, vi há dias que o Governo alemão negociou um acordo com o Qatar para fornecimento de gás liquefeito, do que resulta menor exportação pela Rússia. E, se houver muitos casos semelhantes, o prejuízo será muito grande para a economia russa.

Nas relações internacionais, os interesses dos Estados não devem ser resolvidos ou defendidos por meio de armas, quer sejam simples ou modernas e poderosas, devendo ser dada prioridade à procura de soluções negociadas por diálogo com trocas de condições aceites pelas partes. O uso das armas acarreta custos elevados quer em valor material, quer em tempo gasto, quer em redução de conceitos morais, éticos, humanos e sociais.

Mesmo havendo atitudes criminosas, a reacção usando actos violentos pode ir afectar situações e pessoas que nada contribuíram para tais crimes. A reacção aos actos violentos pode, por forma pacífica e cordata, causar efeitos mais lesivos do que os de uma arma. O corte de relações comerciais pode ter resultados mais fortes ao longo do tempo do que um ataque de curta duração e com poucas vítimas. 

A China tem dado ao mundo bons exemplos dos conceitos atrás referidos, desde os primeiros passos que deu no desenvolvimento, desde os contactos com os navegadores portugueses do século XV, em que optou pelo bom relacionamento e a utilização das boas ideias e dos bons princípios, que passou a utilizar e a desenvolver em bom relacionamento com a indústria ocidental nos mais diversos sectores e que, em muitos casos, já ultrapassa e fornece melhoramentos de inovação e modernidade. Isto é uma prova de que a boa convivência, a comparticipação e a amizade são formas muito positivas de preparar, em permanência e continuidade, um futuro mais evoluído.

Com filosofias e estratégias semelhantes, usadas por todos, amanhã, teremos um mundo melhor, sem crises nem conflitos. A inveja, a ambição e a competição não impedem que todos sejamos iguais no destino, de morrermos e deixarmos cá tudo. Se descobrirmos algo de valor para melhorar as tecnologias, ensinemos aos outros, pois, de uma forma ou de outra, todos acabaremos por beneficiar da inovação e se, para esta, houver novas ideias, mais beneficiados seremos todos.

A humanidade somos todos nós e devemos mostrar que somos humanos e solidários com os nossos manos. Pessoas normais são contra as guerras, principalmente quando uma é dirigida contra populações inofensivas e indefesas. Destruir bairros residenciais, hospitais, maternidades, centros comerciais, escolas e outros locais onde serão feitas muitas vítimas, não é próprio de chefes inteligentes, sensatos e respeitadores dos seres seus semelhantes. Quem fomenta tais crimes humanitários não pode ter consciência de que merece ser considerado digno de ser respeitado como ser humano.  

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sexta-feira, 25 de março de 2022

A REALIDADE ACIMA DAS FANTASIAS

(Public em DIABO nº 2360 de 25-03-2022, pág 16, por António João Soares)


Os temas de conversa em que pessoas pouco dotadas, mas vaidosas e amigas de dar nas vistas perdem muito tempo a discutir futebol, ou o Covid-19 ou, agora, a invasão e a destruição de um pequeno país mas com valor, mas as pessoas mais evoluídas e patriotas preferem outros assuntos e outras ocupações de tempo.

Para tema deste meu texto aproveito uma notícia muito interessante e que evidencia que na nossa vida campesina, há pessoas com capacidade e preparação para se dedicarem à realização de projectos com intenção de fazer face às alterações climáticas, lutando pela defesa e recuperação da nossa floresta com sistemas eficazes que garantam o desenvolvimento da economia e da beleza do território.

Sendo Viseu uma das manchas florestais mais importantes do país, os cidadãos de mente desenvolvida e apoiados por saber de tecnologias bem estruturadas e atentos às realidades relacionadas com as alterações climáticas, tendo ficado muito desgostosos pelos incêndios florestais ocorridos em outubro de 2017 que provocaram grandes perdas, deram voltas ao cérebro e chegaram ao ponto de encontrar solução para evitar a repetição de tal desgraça, principalmente em época de alterações climáticas facilitadoras de incêndios.

Em Carregal do Sal e em Vouzela, pessoas interessadas na preservação da floresta, perante esta seca actual, criaram um sistema de captação de água da atmosfera com instalação de «colectores de humidade de nevoeiro» que absorvem água da atmosfera e a armazenam em depósitos de forma a poder ser utilizada para regar as árvores entretanto plantadas. Em Carregal do Sal já plantaram 2.200 carvalhos alvarinho e carvalhos negral e já existem três colectores de nevoeiro e um depósito e a plantação já é regada pela água produzida por este sistema.

Em Vouzela ainda não foi iniciada a plantação, mas já foi feita a instalação de três colectores da humidade e o depósito a eles associado.  Quanto à plantação, estão a iniciar a limpeza do terreno abrangido pela área do projecto onde preparam a plantação de 1.800 sobreiros e duas espécies de carvalhos como as já plantadas em Carregal do Sal.

Haverá um sector em que estão previstos reservatórios individuais, um em cada árvore, de material biodegradável que enquanto duram permitem uma rega constante da árvore a que são aplicados. Vão instalar 250 destes dispositivos, um em cada uma das árvores desta área.

Haverá um segundo sector que vai ser servido directamente, pela água que está a ser recolhida pelo colector de neblina instalado com o respectivo depósito. E haverá um terceiro sector com plantas tradicionais recebendo a rega que a chuva lhes permita.

Trata-se de uma experiência destinada a comparar a eficácia das três novas soluções, com vista a preparar um melhor futuro para a floresta nacional, sobrevivendo às alterações climáticas, já em curso.

Sendo Viseu uma região altamente vocacionada para a vida vegetal, com elementos da população permanentemente atentos às realidades da floresta e não perdendo tempo com ninharias secundárias e que idealizam projectos como este que potenciam um desenvolvimento muito positivo da economia regional deve merecer o apreço de todo o país.

Merecem aplauso o chefe de equipa da Unidade do Ambiente e de Protecção Civil Intermunicipal, André Mota, e o presidente da Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões, Fernando Ruas, bem como os engenheiros agrónomos, os presidentes dos municípios e outros técnicos colaboradores no projecto que acabará por ter efeito em todo o país.

Portugal é de todos nós, e cada um dos portugueses deve fazer tudo o que puder para melhorar o futuro do país.


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sexta-feira, 18 de março de 2022

O RESPEITO E A AMIZADE DEVEM SER PERMANENTES

(Public em DIABO nº 2359 de 18-03-2022, pág 16, por António João Soares) A Humanidade tem-se modificado, sem racionalidade, sem coerência e sem programação que lhe permitisse ir-se aperfeiçoando para finalidades bem escolhidas e fundamentadas. A dependência da informática, sem sensatez, em vez de permitir o aperfeiçoamento dos procedimentos realistas e lógicos, tem dado aventuras e desprezos por interesses sociais e económicos. As corridas ao espaço e à grande dependência dos automatismos facilitados pela Internet complicaram o funcionamento natural do espaço e da atmosfera terrestre ao ponto de terem poluído com radiações electromagnéticas que perturbaram o funcionamento do espaço envolvente do Sistema Solar ao ponto de, ao longo de mais de um século, ter provocado variadas epidemias e, agora, a pandemia do Covid-19 com sucessivas variantes, e o que é mais complicado por dificuldade em encontrar remédio, para as alterações climáticas. E as pessoas ainda não estão informadas da forma como fazer face a tal problema. A falta de água terá de ser minorada com o recurso à água do mar, mas esta está de tal forma poluída com plásticos e outros produtos desajustados à saúde que, por desmazelo das pessoas, são abandonados e, depois arrastados pelos rios em quantidade tal que perto do Polo Sul têm morrido muitos peixes intoxicados por terem engolido água com demasiadas quantidades de partículas de plástico que lhes destroem, por entupimento, o funcionamento do organismo. Tuto isto necessita de que a Educação seja completa na formação, desde crianças, sobre as realidades da vida preparando-as para evitarem os perigos da má utilização da Natureza e da preservação da sua própria saúde e da dos vizinhos da vida, dos companheiros do trabalho e de todos os seres vivos. Para tais atitudes das pessoas é indispensável a amizade entre todos, que devem olhar-se como irmãos, com espírito de colaboração e boa convivência. Mas, infelizmente, cada vez é maior o egoísmo, a ganância, a ambição que luta pelo engrandecimento próprio à custa de tudo e de todos. Neste momento está em curso a invasão de um país independente por um Estado vizinho cujo líder diz que não pára a ocupação, antes de terminar. Terminar o quê? Certamente, a destruição do património, das habitações e das pessoas que não lhe queiram lamber os pés! Pessoas horríveis, criminosas, que não aprenderam a boa convivência com todos os habitantes do Planeta, aproveitando todos os benefícios existentes em partilha amigável com todos os seres humanos. Saibamos aprender com os animais ditos irracionais que alimentam uma familiaridade espontânea e um espírito de ajuda bem visível sempre que um precisa de apoio. Quem tem animais domésticos conhece bem quanto eles o conhecem e estão sempre preocupados com a sua actividade e a sua boa disposição. No caso da invasão da Ucrânia, há pouco mais de uma dezena de dias depois do início, já contam cerca de quatro centenas de civis mortos e perto de oito centenas de feridos sem terem cometido qualquer crime. Mas quem lhes provocou tais danos já é mundialmente acusado de criminoso. Na política, muito se pode conseguir por intermédio de negociações que sejam bem conduzidas e negociadas, por forma a que o principal beneficiado retribua uma parte de tal benefício aos países vizinhos, por forma a que todos beneficiem com as alterações no seu relacionamento e continuem amigos. Se as benesses forem bem negociadas poderão ficar todos muito amigos e viver sempre em paz. O respeito e a amizade são um dom espontaneamente enriquecedor. Ensine-se este conceito desde as escolas primárias.

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sexta-feira, 11 de março de 2022

A HUMANIDADE ALTERA-SE COM O TEMPO


(Public em DIABO nº 2358 de 11-03-2022, pág 16, por António João Soares)

A Juventude actual tem comportamento incomparável ao do tempo dos pais e avós. Tudo evoluiu para maior facilidade, mas nem tudo se tornou mais racional nem com resultados de melhor comportamento com mais ética e mais civismo. Isso nota-se nos vários aspectos que, mesmo os menos idosos podem comparar a diferença nas poucas décadas de intervalo. E vai além dos comportamentos de indivíduos sem fama nem cultura.

Por vezes ficamos chocados com atitudes de gente importante na política internacional, como agora se estão a estranhar as decisões do líder da Federação Russa. Estamos ouvindo pensadores que dizem que a humanidade seria mais feliz se fossem procuradas soluções harmoniosas com base em negociações para busca das melhores formas de resolver os problemas que surgem entre os interesses de cada país de maneira a evitar violência e guerras que são causadoras de danos para as partes, quer em patrimónios quer em perda de vidas. Uma conversação franca e leal pode conduzir a soluções boas para as partes levando-as a desenvolver vidas harmoniosas e evolutivas com resultados compensadores. Mesmo uma guerra pode ser ganha por decisões ponderadas de sangue frio, sem violências mas com serenidade, sem necessidade de violências. Um bom acordo é o mais desejável para ambas as partes.

É estranho que o líder russo tenha atacado fortemente a Ucrânia, alegando que é necessário levá-la à desmilitarização. Realmente, segundo o que deixei dito no parágrafo anterior, o mundo seria mais agradável se não houvesse tanto esforço de militarização em estados de boas condições económicas, mas o que parece anedótico é tal justificação sair da cabeça de alguém que está a fazer um uso exagerado de poder militar e que vive obcecado com o perigo de haver reacção de potência com capacidade nuclear e deu ordem para serem activados os próprios meios para tal hipótese. Estes acontecimentos podem dar origem sequências de actos de volência que contribuem para destruir a vida no planeta mas, anedoticamente, o líder russo afirma que o seu objectivo de atacar a Ucrânia foi para a obrigar a proceder à desmilitarização!

Seria altamente elogioso o apoio da desmilitarização, mas devia começar-se por ter um comportamento pacífico. Na realidade tal posição é irracional por ele confessar estar em pecado pelo seu elevado grau de militarização e, em vez de mostrar arrependimento, está a colocar em evidência essa falta, de forma ilegal e altamente condenável. Tal situação vem evidenciar a verdade das palavras com que iniciei este texto. Um jovem moderno e sem ideias claras nem comportamento racional e coerente.

Os estados que, em maioria condenam a Rússia e pretendem ajudar a Ucrânia não se têm mostrado dispostos a enviar tropas para empolar a violência já exagerada. Realmente, a solução precisa de ser obtida pacificamente, dando liberdade à Ucrânia para desempenhar um papel de ponte diplomática entre a NATO e a Rússia, facilitando a convivência dialogante e pacífica na sua zona, sem subserviência incondicional a qualquer destas partes. Seria um óptimo exemplo a toda a humanidade, para a Harmonia e a paz internacional, sem ambições de Poder e sem rivalidades nem agressividades.

Cesse tudo quanto a ambição e o desejo de ostentação de riqueza vale e pondere-se a vantagem de reforçar a troca amigável de colaboração na procura de solução para uma vida mais feliz da população, a viver harmoniosamente em paz e progresso. O bem pode beneficiar uns e outros, mas a inveja e o egoísmo acaba por não beneficiar ninguém de forma continuada.  

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sexta-feira, 4 de março de 2022

ESTRATÉGIA DO MEDO OU DA AMEAÇA

(Public em DIABO nº 2357 de 04-03-2022, pág 16, por António João Soares)

Quando surgiu esta pandemia, uma médica, em artigo de opinião num jornal, resumiu a situação de estratégia do medo e realmente não tardaram as restrições à liberdade ou o confinamento que tolheram a vida social e a actividade económica. Mais tarde, com a esperança de que a crise fosse passar, tais cortes às liberdades das pessoas foram reduzidos, mas muitas pessoas sentiram-se menos ameaçadas pelo perigo do covid e exageraram a liberdade sem cuidar das medidas preventivas indispensáveis e daí resultou o agravamento da saúde e o número de infectados subiu e apareceram várias variantes da moléstia que nos fazia sofrer. Mais agravamentos mais doentes e isto repetiu-se.

Se as restrições reduziram as baixas, também ocasionaram prejuízos na economia, mas depois de as aliviar havia que consciencializar as pessoas dos cuidados preventivos a ter, como o uso da máscara, a higiene das mãos e evitar as aproximações com outras pessoas.

Mas a realidade vai além desta situação. O medo e as ameaças reinaram e vão continuar a persistir na política internacional, como tem sido muito notado no caso da Ucrânia. A ostentação de forças e as afirmações de ambas as partes são intenções de levar a parte adversa a hesitar na violência, mas ambas aumentam a imagem de força por forma a travarem a vontade do adversário para agir, com receio de reacções fortes da outra parte. E o perigo de um rasgo de ousadia é cada vez maior. Mas a história mostra que um conflito, por vezes, surge por uma distracção, um descuido na interpretação do outro e, depois de desencadeado, mesmo que seja encontrado acordo para terminar, não deixa de provocar grandes despesas em material bélico e muitas perdas de vidas e muitos feridos. A estratégia do medo e da ameaça não é isenta de grandes inconvenientes.

O comportamento desejável, embora difícil de obter, seria o do diálogo franco e fraternal e o respeito pelos interesses legítimos de cada um por forma a suportarem pequenos inconvenientes que seriam incomparáveis com os grandes prejuízos de conflito de grande dimensão e gravidade, como foram as duas Grandes Guerras do século passado.

Mas a estratégia do medo também é usada a nível nacional. Com a restrição de informação conseguida pelos cidadãos, estes são circunscritos pela influência de promessas ilusórias e na impossibilidade de conhecer as realidades que lhes tolhem os interesses legítimos de conhecimento dos condicionamentos que lhes confinam as possibilidades de felicidade. O povo adormecido raramente se atreve a agir com força na procura de um futuro melhor e vai-se acomodando nos limites do medo, «sem tugir nem mugir». Mas quando consegue um pouco de consciência e um rasgo de atrevimento, surge uma crise nacional que pode atingir graves consequências, porque até muitos que vegetavam na sombra do poderoso, procuram aproveitar a oportunidade para o afectar e colher com isso benefícios pessoais e sentem atracção pela ambição de riqueza e poder.

A estratégia da ameaça está latente em cada gesto de um líder poderoso. Muitas vezes manifesta-se por promessas não cumpridas e por ostentação de poderes que, se forem exercidos, causam sérios perigos nas pessoas alvejadas, que ficam cheias de medo a pensar na vingança. São curiosos os factores causais e os consequentes da colocação de forças militares para «proteger» pessoas que são dadas como vítimas de actos de violência de concidadãos apoiados por agentes externos.

Que bom seria se todos se respeitassem e se amassem como irmãos! Se houvesse da parte de todos os intervenientes uma eficaz contenção! A vida seria um paraíso

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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

QUEREMOS EVOLUÇÃO E NÃO ESTAGNAÇÂO

(Public em DIABO nº 2356 de 25-02-2020, pág 16 por António João Soares)

Há alguns anos, um «inteligente» foi apologista da estabilidade em vez do desenvolvimento e o resultado tem sido a estagnação, a inacção e o empobrecimento de um país que estava com sinais e boa esperança de crescimento. A Natureza é movimento, é vida. Um menino que não evolui fica anão e, depois, nunca será um desportista, um atleta. Um motor que deixa de funcionar, enferruja e é destruído pela corrupção. 

Mas funcionar e evoluir não deve acontecer ao acaso, por palpite ou por sorteio, pelo contrário, deve obedecer a regras sensatas, inteligentes, de planeamento, de pensar antes de agir e a sensatez conduz a meditação para avaliar o resultado de qualquer acto para evitar repetir o mesmo erro que ocorra por engano ou má decisão. Os próprios «ditos irracionais» praticam tais regras e vão sobrevivendo dando bons exemplos aos que se consideram racionais mas que muitas vezes desprezam a racionalidade.

A carência da virtude e da sensatez tem sido visível em muitos momentos da vida humana, a nível global, o que põe em perigo a sua sobrevivência sobre o Planeta.

Tenho referido este problema repetidamente, nestes escritos, mas a humanidade teima em não encarar a necessidade de sensatez em todos os actos que podem afectar a vida. Teima-se em referir a necessidade de lutar contra as alterações climáticas, mas recusa-se a aceitar o esforço de conhecer bem as suas causas e de as enfrentar e as anular, eliminando actos contra a natureza em dimensão que ela recusa, como o que se tem passado com o acelerado crescimento que tem sido dado à poluição atmosférica pelas radiações electromagnéticas. Se as novas tecnologias apresentam vantagens para a vida, apresentam graves inconvenientes para o funcionamento normal da Natureza astronómica em que estamos inseridos, e por isso, são nocivos para a vida.

Mas há muitos outros inconvenientes do mau comportamento humano que saltam aos olhos de um bom observador preocupado com o perigo em que está a ser preparado o futuro do Planeta. O cuidado e sensatez devem ser respeitados em todos os aspectos da vida, a começar pelos aspectos sociopolíticos. Por vezes, tenho elogiado atitudes de respeito pelos seres humanos por parte de alguns países poderosos mas, pouco depois, vejo que foi pura ilusão minha, porque a ganância e a ambição ilimitada de poder são uma droga poderosa que se sobrepõe ao bom senso e, em vez de condicionarem de forma cívica, o vício do terrorismo e da agressão, procuram encontrar desculpas de entrar em defesa das vítimas com meios mais violentos e destrutivos. E a violência aumenta, causando baixas e desgaste do património já insuficiente para o bem-estar das populações. Isso é real em vários países africanos, no Afeganistão, no Cazaquistão e em muitos outros.

Mas, infelizmente, o problema não existe apenas a tal nível. Em questões mais vulgares há também necessidade de competência, ponderação e sensatez na forma como desenvolver a confrontação com a pandemia, com as crises nos sistemas de saúde, com a higiene da forma como se trata a poluição da atmosfera, não apenas de gases tóxicos, mas principalmente das radiações altamente nocivas mas que os responsáveis não sabem ou não querem ver, com a educação quanto a civismo, ética, respeito pela vida das pessoas, etc,

A palavra continuidade não deve ser utilizada de forma impensada.

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