segunda-feira, 18 de março de 2013

Astrólogo falacioso


Marcelo diz que Gaspar «perdeu larguissimamente a credibilidade» e tornou-se uma espécie de "astrólogo". Mas um mau astrólogo porque quer fazer crer que as suas previsões são rigorosas e científicas mas raramente acertam. Já em 27 de Abril do ano passado se mostrou preocupado com desemprego, o que demonstrou que, na preparação da sua decisão de instituir a austeridade, não se apercebeu que ela ia reduzir o poder de compra, diminuir a actividade económica, gerar encerramento de empresas e aumento do desemprego. Tinha olhado, com baias apertadas para a calculadora e não reflectiu nas respectivas implicações nos diversos factores sociais interligados com o fenómeno que criou.

Infelizmente, no Governo, não foi o único a sofrer da mesma miopia e teimosia obsessiva e, apesar de palavras fantasiosas tipo astrólogo, não surgem no horizonte sinais de melhores tempos para a vida dos cidadãos. E não surpreendem palavras como as de Daniel Bessa que diz «estamos todos a evitar anunciar a bancarrota”, ou as de Seguro quando diz que "coisas vão de mal a pior".

Mas embora «previsões sejam apenas previsões» e palavras de político sejam apenas isso, as pessoas não vêm nada a que se possam agarrar para não se afogarem como náufragos sem boia de salvação. E governar é, segundo a ciência política, procurar bem-estar, em todos os aspectos, para as pessoas, para os cidadãos (não apenas os que fazem parte das amizades, cumplicidades e conivências com os detentores do Poder).

Imagem de arquivo

8 comentários:

Mário Relvas disse...

Caro Soares,

A realidade nacional e europeia é esta. Muito difícil. E aquilo porque estamos a passar foi negociado pelo governo anterior com a troika. Está no memorando. Governo esse que nos conduziu ao descalabro. Quando não há dinheiro todos ralham e ninguém tem razão. Seguro está a ser demasiado populista nas afirmações que faz. Não faria de outra forma. Teria de ir buscar o dinheiro de uma forma ou de outra aos contribuintes. Veja-se Hollande na França cujo país está falido e terá de implementar cada vez mais medidas duras de corte na despesa.
Quanto a Marcelo faz parte do naipe de comentadores de serviço que nunca fizeram nada pelo país porque nunca se conseguiram afirmar na política activa. Dispara em todas as direcções. É para esse espectáculo que lhe pagam a ele e a outros. Teixeira dos Santos foi mais certeiro do que Gaspar... por isso andamos a contar os cêntimos...

Cumpts

A. João Soares disse...

Caro Mário Relvas,

Não gosto de discutir lutas clubísticas nem partidárias nem entre religiões. Portugal, desde há 39 anos tem sido vítima de maus políticos e o caso mais gritante foi a má utilização do dinheiro dado pela CEE que era destinado a modernizar a nossa economia para entrarmos à vontade na competitividade europeia.

Há um velho ditado que diz «enquanto há vida há esperança». Mas se ficarmos de braços cruzados, aceitando tudo como se isso fosse irremediável, acomodados à espera que a sorte nos caia no prato, então isso não é VIDA e não há esperança.

E a solução que está a ser praticada não é única nem a melhor, não é socialmente justa.

Num comentário colocado há pouco no post anterior transcrevi ideias recebidas por e-mail com sugestões alternativas à austeridade.

Cumprimentos
João

Mário Relvas disse...

Caro Soares,

Sabe que a maioria dos que dizem isso se esquivam diariamente ao trabalho e se deixam ficar reféns dos subsídios sociais até ao último minuto. Ninguém arrisca uma oportunidade numa sociedade em completa mudança. É preciso ir ao encontro da oportunidade e não esperar que ela caia do céu. Há-de-me dizer em que país do mundo, tirando os comunistas, é que é o governo que gere a economia privada. Quando muito aponta caminhos e cria mecanismos de oportunidade. Vejo os jovens a queixarem-se de tudo e mais alguma coisa -menos das noitadas- mas estão de tal forma mal habituados -culpa da sua e da minha geração de pais que os habituou ao quentinho do conforto caseiro e não os responsabiliza por nada- que não procuram a verdadeira oportunidade.

Cumprimentos
MR

A Verdadeira Oportunidade

Uma das palavras que mais maltratadas têm sido, no entendimento que há delas, é a palavra oportunidade. Julgam muitos que por oportunidade se entende um presente ou favor do Destino, análogo a oferecerem-nos o bilhete que há-de ter a sorte grande. Algumas vezes assim é. Na realidade quotidiana, porém, oportunidade não quer dizer isto, nem o aproveitar-se dela significa o simplesmente aceitá-la. Oportunidade, para o homem consciente e prático, é aquele fenómeno exterior que pode ser transformado em consequências vantajosas por meio de um isolamento nele, pela inteligência, de certo elemento ou elementos, e a coordenação, pela vontade, da utilização desse ou desses. Tudo mais é herdar do tio brasileiro ou não estar onde caiu a granada.

Fernando Pessoa, in 'Teoria e Prática do Comércio'

A. João Soares disse...

Caro Mário Relvas,

Essa de relacionar os subsídios com o regime comunista é uma boa piada ao regime português desde o governo de Cavaco, que não controlou bem a distribuição dos dinheiros da CEE que acabaram por enriquecer gabinetes de advogados políticos, e fazer piscinas, comprar bons carros, construir casarões, tudo menos a modernização dos equipamentos das empresa para poderem competir com as indústrias na Europa.

Quanto à moralidade do nosso actual Governo, saltou para o extremo oposto, sacou por todos os meios possíveis quanto pode aos cidadãos da classe média, reduzindo o consumo interno, levando muitas empresas à falência, e criando milhares de desempregados. O país não estava bem mas em dois anos este governo nada melhorou e, pelo contrário, tudo piorou na vida dos portugueses. Não compreendo como se pode ser cegamente tolerante para o desaforo desta equipa. Nada é explicado, não são mostrados resultados positivos para as pessoas porque não os há e, estranhamente, continuam as promessas fantasiosas, sem credibilidade porque delas estamos fartos e sem ver concretização. Há teimosia e arrogância a mais e completo desprezo pelos legítimos interesses da população, de cujo bem estar são responsáveis.

As palavras dos políticos não passam de palavras.

Quanto a oportunidades, elas devem ser tidas em consideração no estudo que deve preceder cada decisão nos termos da metodologia indicada em Pensar antes de decidir.

Cumprimentos
João

Mário Relvas disse...

Caro João Soares,

A situação é muito má. Desesperante para quem estava habituado a que tudo fosse como foi ou era -deixou-se andar. Em Portugal as coisas não estão nada bem como é por demais óbvio. Digo que Seguro está a ser falicioso e demagogo ao afirmar que com ele tudo seria diferente. Ainda veremos -quiçá?- um governo de 3 partidos em coligação?

Resumi, muito ao de leve, na outra sua postagem, a situação europeia e portuguesa que se interligam. Uma coisa porque sempre me pautei na vida foi o de não usar palas nos olhos. Nem ser sectarista, clubista ou partidarista. Repito que a situação é muito má. E repito-me dizendo que isto seria de esperar como escrevi no outro comentário que referi atrás.

Cumpts

A. João Soares disse...

Caro Mário Relvas,

Neste momento, agrava-se o inconveniente de o PR ser demasiado «prudente», receoso de errar, incapaz de uma atitude mais definida, vocacionado para o «deixa andar», porque está ser inadiável uma alteração profunda do Governo, sem ser necessário novas eleições que ficam caras em dinheiro e perda de tempo.

É preciso dialogar com os partidos, retirar o Passos e nomear outro PM do PSD que formará um novo Governo com base nos dois partidos da actual coligação como propõe Freitas do Amaral ou também com recurso a elementos do PS e até de outros, para parar com as discórdias entre os partidos e todos unirem esforços para Bem de Portugal.

Se não houver mudanças deste tipo, não se pode esperar solução de quem, em dois anos, foi incapaz de acertar na solução e não tem conseguido corrigir a rota que está a conduzir PORTUGAL para o abismo, para a Bancarrota, como diz Daniel Bessa.

Cumprimentos


João

Mário Relvas disse...

Caro João Soares,

Penso que o freitas está bem melhor das costas desde que saiu do governo de Sócrates. Será que ainda hei-de ver o Seguro no CDS?
E Daniel Bessa já conseguiria estar mais do que dois meses num governo?

Passe a ironia: deixo-lhe um abraço e um até breve porque irei estar uns tempos ausente destas andanças.

A. João Soares disse...

Caro Mário relvas,

Embora eivado de ironia, o seu comentário estimula meditação em vários sectores da vida nacional.
A sabedoria popular, milenária e traduzida num rico manancial de «ditados» diz que «errar é humano», o que não impede que quem uma ou muitas vezes errou possa dizer coisas correctas e possua ideias úteis para meditação e, por isso, as comunique. Os erro, se bem analisados, aperfeiçoam a experiência da vida.

Freitas, Daniel Bessa, Segu ro e Catroga poderão ter errado em alguns momentos das suas vidas, mas neles predominam capacidades intelectuais, saber e pensamento que têm sido apreciados pelos seis contemporâneos e deles têm granjeado cargos prestigiantes e respeito da parte de quem com eles trata de perto.

Por outro lado, dar uma opinião nada tem de mal numa sociedade em que há liberdade de opinião e de expressão. Errado seria impor uma opinião teimosa e arrogantemente, e não tolerar que outros possuam as suas, de tom diferente. O respeito pelos direitos dos outros é a paz. respeitai os outros tal como desejais ser respeitados.

Os políticos, salvo eventuais excepções, são todos iguais. Não merecem a nossa confiança. Mas quanto a Seguro, recordo que nos tempos dos Governos de Sócrates, se deslocava a diversos pontos do País e tomava atitudes críticas, muito coerentes e construtivas, ao Secretário do seu partido e PM, como pode ver neste blogue, se consultar os posts de 2010 e 2011. Isso não significa que tenha sempre razão, ou que coloque sempre os interesses nacionais acima das suas ambições pessoais pelo Poder.

Cumprimentos
João