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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Três casos de auto-punição

Por vezes ouve-se que os casos de auto-punição traduzem grandeza de carácter e de dignidade, mas teria mais valor a continuidade de um comportamento correcto com dignidade e honradez que evitasse crimes ou infracções.

Agora quase em simultâneo vieram a público três casos de auto-punição:

-O Presidente alemão, Christian Wulff, acaba de apresentar a demissão do cargo, por causa do seu envolvimento num alegado caso de corrupção.

-O suspeito do triplo homicídio de Beja (homicídios da mulher, da filha e da neta) foi encontrado morto na cela do Estabelecimento Prisional de Lisboa, nesta sexta-feira, por se ter enforcado com os lençóis da cama.

- O ministro da Cultura grego Pavlos Geroulanos apresentou a demissão, na sequência do assalto por dois homens armados ao museu da antiga cidade de Olímpia, roubando mais de 60 objectos antigos e arqueológicos de valor incalculável. O museu com património artístico e arqueológico de alto valor tinha apenas uma vigilante.

Isto trouxe á memória dois casos passados no Oriente:

- Em Maio de 2007, o ministro japonês da Agricultura, Toshikatsu Matsuoka, enforcou-se no seu apartamento de Tóquio, após ter sido envolvido num escândalo financeiro.
- Em Junho de 2011, o ex-ministro sul-coreano da Agricultura e presidente da Universidade de Sunchon National, Lim Sang-gyu, investigado num caso de corrupção foi encontrado morto, no interior de um carro, em Seul.

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segunda-feira, 1 de março de 2010

Criminosos com cartõses do MAI

Transcreve-se o início da notícia (para a ler toda, abrir o link):

Cartões do MAI estavam na posse de criminosos
Jornal de Notícias. 01-03-2010. Carlos Varela

DIAP de Lisboa abre inquérito para perceber como foram passados os cartões. Empresa legal na base das suspeitas.

Suspeitos da prática de crimes violentos foram encontrados na posse de cartões de seguranças privados, que só podem ser passados pela PSP, por delegação do MAI. Foram descobertos na sequência da operação Nemésis, que desmantelou uma rede de extorsão.

Além do inquérito que já decorre associado à operação, envolvendo associação criminosa, homicídio consumado e tentado e extorsão, o Ministério Público (MP) abriu também um inquérito autónomo só relativo aos cartões.

O intuito do MP, mais concretamente do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, que tutela a investigação, é saber como foi dado acesso à posse dos cartões a indivíduos que, nos termos da lei, não estavam qualificados para tal e, logo, para o exercício da actividade de segurança privado. Entre os quinze detidos na operação havia um indivíduo com um cartão legal e activo, mas há suspeitas de que possa haver mais situações. (...)

NOTA: Numa era em que toda a gente séria é profusamente controlada, através da localização pelos telemóveis, pelas portagens, pela vídeovigilância nos transportes, nos edifícios, na rua, das escutas telefónicas, na utilização do cartão de débito, pelo cartão do cidadão, etc, coisa que há meio século cabia apenas na mais ousada ficção, é incompreensível que as autoridades responsáveis peça nossa segurança distribuam cartões a criminosos.
Para podermos não perder toda a confiança na máquina do Estado, é bom saber que o DIAP vai investigar o caso. Oxalá desse trabalho saia resultado visível e não aconteça como em muitos casos em que surgem obstáculos apoiados por interesses ocultos.

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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

As peias do legalismo

Perante as notícias que têm enchido as páginas dos jornais e de toda a comunicação social, são muito sintomáticos os títulos seguintes em jornais e dias diferentes

PGR alega que tentar controlar imprensa e TVI não é crime

PGR diz que “Falta transparência entre políticos e comunicação social"
não é crime


Com efeito, num País dominado pelos homens do Direito, peritos em preparar leis adequadas aos interesses de quem as assina e em jogar com as palavras para as aplicar da «melhor» forma em defesa tanto de uma face como da outra, o Sr. PGR tem razão nas suas afirmações. Um robot preso ao restrito significado da letra da lei, feita por políticos habilidosos, não diria melhor.

Das palavras do Sr. PGR deduz-se que, quando os políticos tomam atitudes anti-democráticas, autoritárias, ditatoriais, anti-éticas, imorais, chamando-se entre si os piores nomes e insinuando as piores coisas, desrespeitando os direitos e liberdades, também não é crime. Dessa forma não será crime dizer-se: vão para a pqp.

Mas, Sr. PGR, não devemos esquecer que, acima da lei e da Justiça, estão as pessoas e os valores éticos, morais, essenciais, que agora têm sido pisados repetidamente. Isso poderá sair do âmbito das funções de um PGR mas o povo não pode ignorar e deixar de exigir reparação. Se não for pela Justiça, terá de ser por outros meios. Provavelmente, acontecerá um dia.

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domingo, 17 de janeiro de 2010

Com oito anos assassinou pai e amigo

Notícia do Correio da Manhã diz que um menino, hoje com dez anos, em 2008, assassinou a tiro o pai e um hóspede, tornando-se no mais novo a ser condenado por homicídio na história criminal do Arizona, e foi internado num hospital psiquiátrico onde ficará até ais 18 anos. Confessou os homicídios e referiu os maus tratos infligidos pelo pai, que frequentemente o açoitava. O pai incitava o filho a usar armas e obrigava-o ainda a alvejar cães na pradaria.

Segundo o FBI, entre 1976 e 2005 foram 62 as crianças entre os seis e os sete anos a ser detidas por homicídio. No Arizona, a lei permite criminalizar qualquer pessoa com mais de oito anos.

Este caso como outros de desvios sociais de crianças 0obriga-nos a pensar. As crianças não nascem criminosas. São um fruto da sociedade e da sua estrutura familiar, social, do ensino, da Justiça e polícias, dos governos, dos legisladores. Perante notícias como esta, muita gente devia meter a mão na consciência e avaliar as suas responsabilidades na degradação da sociedade: pais e familiares, educadores e professores, governantes, legisladores, juízes, psicólogos, jornalistas e directores de órgãos da comunicação social, produtores de filmes, etc.

Os defensores das liberdades individuais ilimitadas, sem atender a que o outro não deve ser prejudicado na sua liberdade, devem rever o seu conceito de funcionamento da vida social, de relação, em que o respeito pelos outros deve ter um lugar cimeiro. A interacção, em convivência pacífica e tolerante, deve condicionar a educação das crianças, a sua preparação para a vida adulta.

Infelizmente, este importante problema está mal compreendido, pior equacionado e pessimamente resolvido, e exige das mais altas autoridades uma atenção muito especial.

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sábado, 28 de março de 2009

Crime organizado

Transcrição de um texto assinado recebido por e-mail.

Bem me parecia que isto das falhas na área da Justiça tinha alguém, a quem interessa que a Justiça não funcione!
Depois de ouvir na TV um juiz falar sobre o assunto, vi finalmente alguém da área, pôr tudo a claro!
A quem interessa que um departamento especializado nos crimes económicos nunca mais seja posto a funcionar?
A quem é que interessa que não seja contemplado na nossa legislação o crime de enriquecimento ilícito?
A quem é que interessa que as escutas telefónicas e os filmes ou vídeos não sejam admitidos como prova?
A quem é que interessa que continue o regabofe dos recursos aceites em tribunal só porque o condenado não concorda com a pena?
A quem é que interessa a vergonhosa legislação sobre os actos de pedofilia, violação e violência doméstica?
E muito mais vergonhas que não indico porque a lista já vai longa!...

É devido a tais vergonhas que o senhor Dias Loureiro não pode ser constituído arguido por ser membro do Conselho de Estado. Mas também não pode ser demitido pelo Presidente da República por mor de um regulamento votado pela Assembleia da República que o impede de demitir quem foi por ele escolhido!!

Quem é favorecido por todas estas falhas?
Claro que todos nós sabemos.
Está na hora de se organizarem os contribuintes que acabam por sofrer na pele todas estas vergonhosas e miseráveis situações.

O que falta ainda para que este Povo abra os olhos e proclame BASTA?

José Morais Silva

NOTA: Isto faz recordar uma anedota ilustrada que recebi há dias. Em frente à TV o pai olhava atentamente o ecrã, enquanto o filho, de copo na mão, olhava o jornal que tinha sobre os joelhos. O filho diz: estou a pensar dedicar-me ao crime organizado. E o pai, talvez distraidamente, pergunta: privado ou do Estado?
Era uma anedota!

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terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Crimes violentos. Chaga infecciosa

A criminalidade violenta que é trazida a nosso conhecimento através da Comunicação Social constitui uma chaga infecciosa com tendência a alastrar por todo o País e exige uma urgente e eficaz terapia a fim de ser evitado o contágio endémico ou epidémico.

Se é certo que ela se localizava na vida nocturna da cidade do Porto, o que não seria uma ameaça para as pessoas de bem do País, é grave que esteja a contaminar a cidade de Lisboa com alguns salpicos no interior. Foi o proprietário da discoteca Avião, José Gonçalves, vítima de atentado à bomba que, segundo entidades ligadas à Justiça, "nada tem a ver com os casos do Porto e, mais recentemente, o alto quadro dos CTT, Maurício Levy que foi assassinado, à facada, em sua casa e transportado para uma falésia da praia da Adraga, em Sintra. Tinha 50 anos e era director de qualidade, formação e desenvolvimento sustentável dos CTT. Estamos perante uma grave falta de respeito pela vida e uma sofisticação de procedimentos violentos que levam a suspeitar de profissionais de quem seria de esperar um melhor culto de valores humanitários e éticos.

A morte mais recente na vida nocturna do Porto, até hoje, de Alberto Carvalho, atribuída pela viúva ao chamado gangue da Ribeira, pode estar relacionada com o assassinato de Aurélio Palha numa madrugada de Agosto junto à discoteca Chic, de que era testemunha presencial, e com a morte do segurança Nuno Gaiato de que era suspeito, o que fazia compreender a sua presença numa alegada lista de alvos a abater. O Nuno foi assassinado a tiro na discoteca El Sonero, em Julho passado.

Este segurança, de 36 anos, sucumbiu às 23.20 de domingo, em Gaia, a três rajadas de metralhadora disparadas", baleado diversas vezes no tórax, abdómen e crânio à porta da sua residência, por vários indivíduos encapuzados que, segundo relatos de moradores à polícia, actuaram à queima-roupa e terão fugido num BMW preto e num Seat Leon. No local, foram recolhidos cerca de meia centena de invólucros.

Segundo as notícias, o surto de criminalidade associado à noite do Porto no qual este homicídio se insere é interpretado como uma "guerra" entre grupos rivais de seguranças profissionais na disputa de território, mas também é relacionado com negócios de droga e tráfico de sexo.

Segundos os jornais, "os crimes que têm ocorrido no Porto não têm nada a ver com as casas de diversão nocturna", como disse ao DN Mário Carvalho, proprietário da discoteca Indústria, na Foz, que considera que estas mortes estão ligadas a outros negócios e tanto podem acontecer à noite como de dia. "São execuções muito bem pensadas, servindo os bares e discotecas apenas de bodes expiatórios". Começa a haver um sentimento de insegurança, "porque as pessoas não percebem o que se está a passar". Nos media "associam-se estes crimes aos estabelecimentos nocturnos e, como a polícia não actua, há uma grande confusão", diz. Se até aqui, nota, "não existia quebra de afluência de clientes, agora as coisas estão a mudar". A população, "a que sai e a que não sai à noite", precisa, "começa a sentir que há impunidade nestes crimes".

António Fonseca, presidente da Associação de Bares e Discotecas da Zona Histórica do Porto (ABZHP), diz que "mesmo os bares da moda se começam a ressentir" e não hesita em culpar polícias e Governo por esta "onda de homicídios". «Os envolvidos são pessoas que fazem segurança a diplomatas, políticos e outra gente importante, embora só os bares e as discotecas sejam referidos".

"Aquando da segunda morte ocorrida este ano, a polícia disse tratar-se de grupos identificados e que tudo estava sob controlo. Não está, porque os crimes, com alvos estratégicos, continuam". O ministro da Administração Interna, Rui Pereira, também não é poupado. "Devia ser honesto e não andar aí a dizer que a criminalidade violenta diminuiu. Não há memória de tanta morte em tão pouco tempo no Porto, a cidade está a ferro e fogo, com uma lista de pessoas a abater, segundo fontes da própria polícia. Por muito menos já foram demitidos ministros". À critica do líder da ABZHP nem o primeiro-ministro escapa, por "não ter dito uma palavra sobre o assunto, a fim de tranquilizar as pessoas".

Outro artigo diz que Alberto Ferreira foi executado por profissionais, quase quatro meses depois de ter escapado aos disparos que mataram o seu "patrão" Aurélio Palha, tendo sido abatido com cerca de dezena e meia de tiros de metralhadora, à porta do prédio onde vivia, em Gaia, sendo a quarta vítima de uma guerra sem precedentes na noite do Porto ou no país. São referidas opiniões que relacionam este homicídio com ajustes de contas entre grupos rivais de seguranças dos meios nocturnos e de claques de futebol.

«Esta lógica de violência poder-se-á inverter se o Estado não continuar a demitir-se das suas funções como regulador da vida colectiva e da ordem pública. O Estado tem de investir na área da segurança e não a fazer entrar no domínio da privatização. Em vez de se preocupar com a redução da despesa em nome do défice, devia investir no sector e não entregá-lo aos privados. O que se está a passar na noite do Porto acontece porque ninguém preveniu ao longo de vários anos e as coisas aconteceram».

«Como os negócios dos "bandidos" são economias paralelas e criminosas, eles não podem recorrer aos mecanismos legais da ordem e fazem "justiça" de outra forma, pelas próprias mãos». «A noite está "entregue" aos seguranças privados, por demissão do Estado, desde 1999 . O facto explica em grande parte a quase total ineficácia da actuação policial, perante os sucessivos homicídios dos últimos meses». «A culpa é dos sucessivos governos que desde 1999 se demitiram de assegurar a presença policial em estabelecimentos de diversão nocturna».

Espantosamente, com a nova legislação, aumentaram as restrições aos requisitos de aplicação de prisão preventiva, tendo de ser dada preferência a medidas de coacção menos danosas e havendo mais benevolência para os crimes de associação criminosa, coacção grave, ofensas corporais, extorsão, armas proibidas, tráfico de droga.

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terça-feira, 9 de outubro de 2007

Fantasmas entre os legisladores???!!!

A vírgula misteriosa

Por Manuel António Pina

O professor Costa Andrade disse-o já, a reforma penal de Alberto Costa & Rui Pereira foi "impulsionada" pelo processo Casa Pia.

Costa Andrade não foi o único a dizê-lo; disse-o o também professor de Direito e ex-secretário de Estado da Justiça Paulo Rangel, e disseram-no (e dizem-no) magistrados judiciais e do MP, juristas e advogados.

Mas dizem-no sobretudo algumas das normas "metidas a martelo", não se sabe por quem, nos textos postos à discussão pública tanto do Código Penal como do de Processo. No CPP, um novo número acrescentado a um artigo passou a impedir a divulgação de escutas embaraçosas como aquelas que vieram a público durante a instrução do processo dos abusos das crianças da Casa Pia.

Ontem, o advogado José António Barreiros classificou de "escândalo" a vírgula e o subtil acrescento que autor parlamentar ou governamental anónimo apôs ao texto primitivo do art.º 30º, n.º 3 do Código Penal, aparentemente "à medida" dos crimes em julgamento no mesmo processo: dois, três, quatro, cinco, cinquenta crimes como os sexuais passam a ser considerados um só, "continuado", se... foram cometidos "contra a mesma vítima".

Chegará tão longe, à maioria PS e ao próprio processo legislativo, o longo braço dos arguidos Casa Pia e "compagnons de route"?

NOTA: E assim vai esta País!!!

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