Transcrição do artigo de Eduardo Dâmaso do Correio da Manhã de hoje que faz meditar sobre o estado em que se encontra o País e as dificuldades de ser encontrada uma solução adequada.
O perfume do regime
15 Fevereiro 2009 - 00h30
O que têm em comum as notícias sobre a fortuna de Mesquita Machado, os negócios de terrenos em Alcochete coincidentes com a nova localização do aeroporto e os lapsos de memória do ex-todo-poderoso Dias Loureiro?
A primeira, que se saiba, nada terá a ver com as manigâncias do BPN, já as últimas duas têm uma relação entre protagonistas. Todas, porém, exprimem tudo aquilo que deveria estar nos próximos programas eleitorais dos partidos, mas só de forma irregular isso acontecerá. Ou seja, porventura apenas partidos minoritários terão propostas em matéria de
- criminalização do enriquecimento ilícito,
- eliminação de paraísos fiscais,
- aumento incondicional de meios para a investigação criminal e
- a criação de novos crimes no domínio autárquico.
Mas esses, porque são minoritários, tenderão a ser olhados como ‘radicais’ pelos influentes cá do burgo e, portanto, nada acontecerá.
Uma coisa é certa:
- fortunas como as de Mesquita Machado há na actual classe política quase aos pontapés e com a mesma dificuldade de explicação;
- negócios obscuros como os do BPN, já se viu, pululam como coelhos pelo sistema financeiro;
- lapsos de memória como os de Dias Loureiro são o pão-nosso-de-cada-dia quando se trata de matérias tão delicadas...
Ou seja, o pântano vai continuar a perfumar o regime!
Eduardo Dâmaso, Director-adjunto
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Fedor a pântano
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A. João Soares
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Justiça britânica não teme os poderosos
Detido suspeito de envolvimento em fraude de 45 milhões
JN, 13 de Fevereiro de 2009
A polícia britânica anunciou quinta-feira que deteve um corretor da City de Londres por suspeita de branqueamento de dinheiro no âmbito de uma investigação a uma fraude que envolve 45 milhões de euros, refere a imprensa.
O suspeito, um homem de 60 anos com domicílio no condado de Essex, no sudeste de Inglaterra, foi detido segunda-feira pela polícia no âmbito de uma investigação à GFX, Capital Markets, uma empresa de corretagem que cessou actividade recentemente, indicou uma porta-voz da polícia da City.
Este corretor é suspeito de "branqueamento de dinheiro" e foi libertado posteriormente, depois de ter pago uma caução, precisou a porta-voz, que afirmou que a fraude era "importante" mas sobre a qual recusou dar mais pormenores.
Segundo o jornal The Times, que não cita fontes, a fraude envolverá 40 milhões de libras (45 milhões de euros) e basear-se-á num esquema piramidal.
Caso se confirmem estes dados, esta será a maior fraude no Reino Unido desde o início da actual crise financeira.
A polícia da City, que opera exclusivamente no bairro financeiro de Londres e é especializada na luta contra o crime económico, apelou aos investidores da GFX para entrarem em contacto.
NOTA: E por cá? Por cá os colarinhos brancos são uns anjos de virtude, nunca pecam. Vejam-se os casos Freeport, Vale da Rosa, Cova da Beira e outros de quem a Comunicação Social se vai fazendo eco, timidamente.
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terça-feira, 30 de dezembro de 2008
A Justiça está doente
O procurador-geral da República, Pinto Monteiro, segundo notícia de hoje do DN, vaticina: a criminalidade violenta pode aumentar em 2009. Atribui o agravamento ao desemprego e à exclusão social. E evidencia preocupação face a um tipo de crime específico: o económico - como a corrupção, branqueamento de capitais, desvio de fundos, fraude fiscal ou peculato - aquele que considera o mais difícil de combater.
Quanto ao crime económico, para o qual a procuradoria está mal preparada, o PGR desafiou ainda os deputados a alterarem a lei, facilitando a colaboração entre o Ministério Público e os supervisores, e tornando-a mais estreita, de forma a que o sentimento de impunidade seja menor. Mas parece que esta «sugestão» não se sintoniza com as preocupações prioritárias dos deputados, como se deduz do tempo já decorrido desde que se começou a falar da gravidade da corrupção e sem haver ainda uma estratégia de combate eficaz.
Mas, perante a criminalidade violenta e o crime económico, não basta apontar o dedo aos deputados, haverá também que reflectir sobre o funcionamento da Justiça. Segundo as notícias, tem havido demasiada benevolência para os criminosos em casos de homicídio e outros de grande violência, o que não serve de dissuasor.
Segundo notícia de ontem, o bastonário da Ordem dos Advogados referiu que o novo sistema de nomeação dos defensores que a Ordem introduziu acabou com as nomeações de advogados através de "processos que geraram suspeitas sobre a isenção e os critérios de escolha" destes profissionais. E pôs fim às suspeitas de "favoritismo" ou "compadrio". E também fez duras críticas, nomeadamente à reforma da Justiça, ao novo mapa judiciário e ao "excessivo" poder dos juízes.
Os magistrados não gostaram das palavras de Marinho e Pinto que apelidaram de corporativistas, mas não mostraram consciência da necessidade de incrementar a eficiência da Justiça para fazer face à situação actual e previsível. Parece não haver dúvidas em espíritos bem pensantes independentes de que a permissividade e paralisia da Justiça, não acompanhando a evolução do crime tem sido um factor não negligenciável para a situação referido pelo PGR nas suas previsões para 2009. Parece ser urgente repensar o papel da Justiça perante os cidadãos honestos e tomar medidas convergentes para a máxima eficiência no desempenho desse papel.
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A. João Soares
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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Um ricaço a contas com a Justiça na China
O mais rico empresário da China continental, Huang Guangyu, foi detido por alegada manipulação de acções de uma empresa controlada pelo seu irmão. Com 39 anos, tem uma fortuna estimada em cerca de 5 mil milhões de euros e é presidente da Gome ("Guo Mei"), cadeia de lojas de electrodomésticos, uma das marcas mais conhecidas da China, com 1.300 lojas em mais de 300 localidades, e emprega cerca de 300.000 pessoas.
Os lucros da Gome aumentaram 111 por cento em relação a igual período de 2007.
Huang Guangyu é também investidor imobiliário e encabeçava a última lista anual dos "Mil mais ricos da China", divulgada o mês passado.
Como outros milionários chineses, Huang Guangyu (Wong Kwong Yu, como é conhecido em Hong Kong e Macau) começou a carreira quase a partir do nada.
Os muito ricos nem sempre alcançaram alta situação económica por mérito, por comportamentos exemplares, como efeito de virtudes, como a notícia refere. Entre nós também abundam referências a casos muito suspeitos, nas notícias da Comunicação Social dos últimos tempos. Porém na China, tal como em casos citados no post Lições do dito «Terceiro Mundo», haverá, certamente, uma condenação adequada na proporção do crime e não na proporção inversa à riqueza do arguido, como é vulgar acontecer por cá.
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A. João Soares
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