Xi Jinping, de 59 anos, foi eleito Secretário-Geral do PC Chinês e, consequentemente, Presidente da República Popular da China sucedendo a Hu Jintao e assume a chefia das Forças Armadas.
Ele e os novos membros do Comité Permanente declaram estar empenhados em “garantir uma vida melhor” ao povo chinês.
Xi disse: "Para cumprir as nossas responsabilidades, vamos liderar o partido e o povo de todos os grupos étnicos e fazer esforços permanentes de libertar o nosso espírito, fazer reformas, desenvolver as forças produtivas e trabalhar muito para resolver os problemas do povo".
Além desta tónica da melhoria do bem-estar do povo, colocou ênfase no combate à corrupção, dizendo: “Se falharmos em resolver correctamente esta questão [da corrupção], ela poderá tornar-se fatal para o partido, e mesmo causar o seu colapso e o do Estado”.
Também se refere à reorganização da máquina do Estado como se vê nesta s palavras: "Todo o partido tem de se manter alerta. Não vamos ser complacentes. Sob as novas condições, o nosso partido enfrenta enormes desafios e há problemas prementes que o partido tem de resolver, em particular a corrupção, o divórcio com o povo, as formalidades e a burocracia".
É de realçar a ligação com o povo, o combate â corrupção e às causas que a suportam., as quais, como nós sabemos por experiência, são as formalidades exageradamente complexas e a burocracia excessiva, muito além do indispensável.
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quinta-feira, 15 de novembro de 2012
China não é poderosa por caso
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A. João Soares
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terça-feira, 5 de junho de 2012
China não perde oportunidades
A China, já apontada como grande potência do futuro próximo, pauta a sua estratégia de crescimento pela dispensa de utilização de armas bélicas que substitui por outras, pacíficas, de ordem económica. Para isso, está atenta a todas as oportunidades de, sem impor a sua fé, dilatar o império. E este não obedece a fronteiras físicas nem à geografia dos continentes, pois a globalização faculta-lhe a possibilidade de defender os seus interesses de crescimento em qualquer recanto do mundo.
Neste momento, esta reflexão é apoiada pelo interesse chinês na situação da Grécia, pois já prepara plano para eventual saída da Grécia do euro. Pensar em termos de estratégia a longo prazo, para atingir objectivos bem definidos é isto; e não é aquilo que vemos na Europa em que os governantes apenas olham para os números do défice que tentam resolver, de forma pontual e muito limitada, Abusando da austeridade, cujo resultado é o esvaziamento do sumo de parte essencial da economia e do principal recurso do País, que é o seu povo.
A China, depois de colocar o pé de forma bem decidida e determinada em Portugal e de outras pontuadas noutros locais, está agora a olhar, com a sua perspicácia e inteligência prática, para a Grécia, procurando, ali, suprir a ausência de uma acção coordenada e coerente da União Europeia e dos parceiros ocidentais.
Tal qual como se passa com as pessoas, cada país colherá os frutos das acções mal ou bem preparadas que desenvolver de forma inteligente. Os vindouros virão sofrer ou beneficiar dos resultados conforme tais acções forem previamente estudadas e depois decididas e concretizadas com competência e rigor moral e ético. O sentido de Estado não pode ser esquecido em qualquer momento.
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quinta-feira, 14 de julho de 2011
Deslocação geográfica do Poder mundial
No post Crise, história e mudança ficou resumidamente a ideia de como ao longo da história a sede do Poder mundial se deslocou através do planeta e previa-se que os denominados países emergentes irão ter um papel de realce no futuro próximo.
Aparece agora a notícia de que a China «aconselha» aos Estados Unidos terem responsabilidade para com os seus investidores. Isto passa-se depois de a agência Moody’s ameaçar baixar a classificação da dívida norte-americana.
Por detrás de tal «conselho» ou aviso está o facto de a China ser o maior credor dos Estados Unidos, com mil milhões em títulos no final do mês passado, o que a faz temer dificuldades se a economia norte-americana entrar em recessão e destabilizar os mercados financeiros mundiais.
Sobre as perspectivas de desenvolvimento da China e a sua possibilidade se tornar potência mais poderosa do mundo, sugere-se a leitura dos seguintes textos:
- Os europeus correm contra o muro
- A China entra na Europa pacificamente
- A China e o futuro da geoestratégia
- A China em fase de evolução rápida
- Transformações no Mundo
- As mães chinesas educam melhor?
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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
A China em vez do FMI para combater a dívida???
«um preço que irá muito além dos juros cobrados pelo dinheiro que já prestou»
«A China quer entrar ou ser parceira privilegiada em bancos e empresas estratégicas portuguesas que lhe permitam reduzir as barreiras às suas próprias exportações, inundar a Europa de produtos, beneficiar de apoios fiscais, aduaneiros e de fundos comunitários para a inovação e energias renováveis, e usar Portugal e as suas empresas como 'trampolim' para reforçar posições em África, designadamente na construção de grandes infra-estruturas e construção civil em Angola e Moçambique»
«pretende "identificar possibilidades de cooperação em áreas como a logística portuária, serviços financeiros, novas e altas tecnologias, protecção do meio ambiente, energias renováveis, turismo, entre outras"».
Há um forte receio da concorrência dos produtos chineses, perante uma indústria nacional, pouco dinâmica, sem criatividade, e com factores de produção antiquados e de elevado custo, além de os empresários não estarem dispostos a contentarem-se com lucros menores.
Mas, nos tempos actuais, não se podem fechar fronteiras contra a entrada de produtos estrangeiros. E se elas fossem fechadas isso iria contra os interesses dos que têm menor poder de compra e iria beneficiar os industriais locais que vendem mais caro do que a concorrência estrangeira. Isso causaria descontentamentos que potenciariam reacções de graves consequências.
O que resta fazer, perante essa concorrência desigual? À primeira vista, os industriais ocidentais terão de rever a sua organização empresarial, métodos de fabrico, margem de lucro, etc. Mas talvez por esse caminho não se encontre solução eficaz.
Resta que entre em acção a tradicional sabedoria chinesa, tão antiga como o Império do Meio. Eles verão que se o ocidente ficar pobre, sem poder de compra, não terão mercado para os seus produtos e, para evitar isso, terão de procurar um ponto de equilíbrio, em que são sábios. Mesmo assim, isso não dispensa a nossa economia de ser submetida a uma cura de reorganização para ser mais barata e eficaz. As gerações mais jovens terão de aprender a lidar com este problema que agora consideramos grave mas que terá de ser considerado normal no quotidiano de amanhã. Aliás, os próximos tempos não se compadecerão com imobilismos e soluções «para sempre», mas exigem um permanente ajustamento de rota, como acontece com a condução do automóvel em que o volante está permanentemente a sofrer pequenos desvios.
Quanto à competição entre os produtos ocidentais e os chineses, devemos ter consciência de que estamos num momento da história da humanidade em que se defende o comércio livre, a economia de mercado. A China dispõe de trunfos que a civilização ocidental não quer, não está disposta a utilizar, como seja a mão de obra barata.
Mas ninguém no Ocidente tem poder para levar os trabalhadores chineses a exigir salários muito mais altos do que os actuais e abdicar das suas características tradicionais. Também não é fácil reduzir os salários no Ocidente, ao ponto de ficarem ao nível dos chineses.
Mas é possível moralizar muitos empresários que se gabam de altos lucros, altos dividendos e uma vida faustosa à custa dos trabalhadores e dos clientes. Se tais empresários não se limitarem nos seus lucros e nas suas mordomias, acabarão por ter de fechar as suas empresas, e com isso os que mais sofrerão serão os desempregados.
Impõe-se que se antecipe uma estratégia para sobreviver. Os Chineses não são parvos e sabem que, se o mundo perder poder de compra, devido ao desemprego, deixarão de ter clientes para os seus produtos. Por isso, à falta de inteligência dos ocidentais, serão os chineses a moderarem a sua evolução económica para não acabarem por ficar com as mercadorias em armazém.
O mundo sempre passou por altos e baixos e sempre se chegou a pontos de equilíbrio, temporários.
Acho que cada pessoa, cada família ao comprar o que deseja, deve escolher em função do preço e da qualidade do produto sem olhar à origem. A maior parte dos industriais portugueses não merecem o sacrifício de lhes pagar mais caro. Não se pode esquecer que a actual crise se deve a eles e à pressão que têm feito sobre o Governo, como consta no post «Justiça Social ???»
Mas o título deste texto conduz a imaginar que o FMI não incomodará os portugueses (ele viria incomodar os políticos que vivem e enriquecem à custa de habilidades que lesam as finanças do Estado) porque o seu papel será melhor desempenhado pela China. Enquanto os técnicos do FMI iriam usar teorias lidas em bons manuais universitários, mas desajustadas das realidades que eles não conseguem compreender, a China, pelo contrário pretende salvaguardar o dinheiro investido nos títulos da dívida portuguesa e retirar benefícios de Portugal como entreposto para o seu comércio com a Europa e, para isso, usa a tradição de sensatez, realismo e pragmatismo, de que tem dado evidentes provas.
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Educar para produzir ou para o ócio?
Depois de ver as imagens do «Encerramento da Expo de Shanghai», em que fica bem patente a perfeição do espectáculo, fruto de preparação meticulosa, surge o texto que transcrevo que, embora polémico, por contrariar o «dolce far niente» de que nós ocidentais gostamos, leva a compreender o que está na base do desenvolvimento da China com um crescimento económico de cerca de 10 por cento ao ano, e do desenvolvimento na ciência, nas artes, na indústria e nas novas tecnologias, muito notável em todos os aspectos. Enquanto nós estamos a estender a mão à caridade e a pagar juros altíssimos pelos empréstimos, eles, depois de recuperarem do domínio mongol, da guerra do ópio, da invasão nipónica, da aventura de Mao e de evitarem o contágio da implosão soviética, estão à beira de serem a principal potência mundial e emprestam a nós e à Grécia aquilo que está fora das possibilidades da Europa.
A mentalidade de trabalho e de produção começa desde criança. Há dias ouvi num programa de José Hermano Saraiva que o valor de um País depende daquilo que produz e não daquilo que consome.
As mães chinesas educam melhor?
ISABEL STILWELL | EDITORIAL@DESTAK.PT 13- 01-2011
O livro de Amy Chua, sobre como é que as mães chinesas conseguem fazer dos seus filhos prodígios em tudo, da música à matemática, saiu há dias, mas já criou uma polémica acesa entre os pais norte-americanos.
Battle Hymm of the Tiger Mother (Hino de Batalha da Mãe Tigre) diz coisas que chocam os ouvidos ocidentais, e a autora, professora de Direito na Universidade de Yale e casada com um americano, tem absoluta consciência de que ia deixar claras as diferenças entre duas formas distintas de exercer a função parental.
Escreve Amy Chua que os pais chineses não aceitam que os filhos tenham menos do que a nota máxima, e a tudo, que escolham as actividades extracurriculares, vejam televisão, tenham um namorado na escola, ou que não sejam os melhores em tudo.
«Se uma criança chegar a casa com um 4, coisa que não acontece!, os pais não se vão queixar à professora. Gritam-lhe e dizem-lhe: «Isto começa por ti, esforça-te mais.» E isto porque acreditam que os filhos são capazes do melhor, e acham que, como pais, têm todo o direito de exigir excelência aos filhos, que lhes devem tudo.
Não é uma questão de mais ou de menos amor, insiste. Para ela «a grande diferença é que os ocidentais estão mais preocupados com a psique e a auto-estima dos seus filhos, enquanto os chineses colocam o enfoque na força, em lugar de nas fragilidades».
Aos pais chineses, afirma, pouco importa que um filho diga que os odeia, porque sabem que quando triunfar lhes vai agradecer a forma como se empenharam na sua educação, a que dedicam dez vezes mais tempo do que os ocidentais.
E os pais vão orgulhar-se, e dar-lhes nota do seu orgulho, em vez de fazerem como os ocidentais que se autoconvencem de que não estão desiludidos pelos seus filhos não serem os melhores, desistindo deles com o argumento de que são diferentes ou especiais. Não há como a polémica para nos fazer pensar...
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terça-feira, 14 de dezembro de 2010
China ajuda Portugal
O ministro das Finanças Teixeira dos Santos diz, com optimismo, que a China vai «reforçar» apoio Financeiro a Portugal. Sem dúvida que os portugueses têm razão para optimismo, pois, dada a incapacidade de os nossos políticos conseguirem equilibrar as contas públicas apesar de sacarem o tutano aos cidadãos mais carenciados, dada a sua falta de vontade de terminar com sumidouros de dinheiro sem o mínimo interesse para o País, como já foi dito em Dezenas de institutos públicos a extinguir, será boa decisão aceitar a supervisão de quem tem demonstrado saber gerir um desenvolvimento sustentado de cerca de 10% ao ano durante uma dezena de anos.
A China mostrou saber recuperar a crise criada por Mao Tse Tung e evitar o contágio da implosão da vizinha União Soviética e, agora, com o investimento que faz em Portugal, não vai deixar de vir vigiar muito de perto as contas do Estado e puxará as orelhas aos gestores da ‘colónia’ antes que haja erros com efeitos insuportáveis que coloquem em perigo a remuneração e o reembolso dos seus investimentos. Será, certamente, mais eficiente do que o FMI cujos técnicos têm grandes vícios capitalistas e não sentem os efeitos práticos de exageros burocráticos!!!
Com efeito, tudo leva a crer que os chineses não deixarão de apoiar Portugal discretamente, mas com rigor, para que as despesas do Estado sejam devidamente controladas e reduzidas ao indispensável, a fim de eles não perderem o seu investimento com esta ajuda financeira que estão a dar. Este é um sinal de esperança para vencermos a crise que tanto nos tem prejudicado.
Com os contactos mais frequentes teremos oportunidade de aprender o que há de mais positivo na cultura chinesa. Oxalá saibamos evitar os defeitos, que não são poucos, no que respeita aos Direitos Humanos e, de uma forma geral, aos direitos, liberdades e garantias.
Mas não esqueçamos que uma moeda tem duas faces e a China não se desenvolveu com desperdícios ou esbanjamentos. Portugal tem, do ponto de vista oriental, trunfos valiosos, como os melhores portos para cargueiros de grande calado, que servirão de entrada dos produtos chineses para o mercado europeu e essa entrada já está em marcha, como se vê nalguns dos posts linkados em baixo. Enquanto a América tem baseado o seu poder estratégico a nível mundial com a utilização das armas, os chineses estão a apoiar-se na economia o que lhes permite avançar sem conflitos, serenamente, até impor as suas ordens ao mundo.
Portugal irá servir de ferramenta estratégica de incomensurável valor nessa marcha ritmada para o domínio mundial. Oxalá os nossos dirigentes compreendam isso e usem os trunfos nacionais, para evitar a subserviência , e conseguir os melhores resultados para benefício do povo, principalmente da camada que tem sido mais sacrificada.
Posts com referências à China:
A China entra na Europa pacificamente
Dificuldade em prever o futuro Internacional
A China e o futuro da geoestratégia
A China em fase de evolução rápida
Transformações no Mundo
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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
A China entra na Europa pacificamente
«A chegada das empresas chinesas perturbou o mercado da construção civil e os concursos na Polónia, e suscita o interesse do vizinho checo. O seu segredo: preços baixos, pontualidade e integração de mão-de-obra local. Para além do apoio do Governo de Pequim.»
A notícia «O caminho está livre para as estradas chinesas» vem ao encontro do texto publicado em «Revolução imparável em curso».
O Grupo empresarial COVEC (China Overseas Engeneering Group), com sede instalada no subúrbio de Varsóvia dirige a expansão – há muito planeada – de Pequim na Europa. Após ter ganho o concurso para a construção da auto-estrada A-2 da Polónia, comunicou que estava interessada em projectos semelhantes noutros países europeus, incluindo na República Checa.
A Polónia é co-organizadora, com a Ucrânia, do próximo Campeonato Europeu de futebol, em 2012, e tem necessidade de centenas de quilómetros de novas estradas e o tempo é apertado. É lógico que este país de 40 milhões de habitantes procure aproveitar esta ocasião única, para mostrar ao mundo os imensos progressos realizados nos últimos anos. É bom que se saiba que a Polónia é um dos raros países da União Europeia que, apesar da crise económica que preocupa muitos estados europeus, não teve nem recessão nem um défice orçamental significativo. A Bolsa de Varsóvia, após algumas hesitações dos investidores, tornou-se uma das praças financeiras europeias mais procuradas pela sua estabilidade.
A entrada das empresas chinesas nos concursos permite escapar à maldição da corrupção endémica que envolve a construção de auto-estradas. Graças ao novo sistema que os concursos passaram a seguir o custo de construção de um quilómetro de auto-estrada passa para um terço, em poucos anos.
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sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Globalização. Prós e contras
Aspectos positivos:
Neste momento está bem visível o efeito altamente positivo da aldeia global na forma como, em poucos dias, se congregaram esforços, além de todos os organismos estatais, de empresas e entidades de muitos países para socorrer os 33 mineiros chilenos soterrados a 700 metros de profundidade na mina de S. José. Sem esse esforço colectivo e bem coordenado os mineiros teriam sucumbido, porque os recursos locais, a começar pelos da empresa mineira, estariam muito longe de serem suficientes.
Aspectos negativos:
A geoeconomia, avançou rápida e despudoradamente pelo mundo, ignorando fronteiras e regras, sem controlo e, além de ter causado a grave crise de que ainda não se levantou a cabeça, tem impedido uma reestruturação eficaz dos circuitos financeiros e, pelo contrário, tem feito surgir «soluções» que aparentam ser factores de maior perigo no futuro, Quem sofre, quem serve de mexilhão e de relva dos estádios de futebol são os países com maiores debilidades e as populações mais desprotegidas.
Já circulam notícias de compra das dívidas públicas dos países europeus em maior dificuldade pela China para resolver o seu próprio problema cambial. Daqui resultará um pormenorizado acompanhamento das contas públicas de tais países, um pressionamento mais ou menos discreto e a dependência progressiva e em espiral do novo «protector». Trata-se de uma forma de colonialismo pacífico, sem armas nem guerras, mas muito dominador e sem dar lugar a formas de luta e reivindicações com hipóteses de êxito.
A ONU deve, sem demora, encarar este grave problema que ameaça a humanidade nos próximos tempos, colocando em perigo as condições de vida dos nossos descendentes que dirão o pior das gerações dos seus pais e avós.
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quarta-feira, 21 de julho de 2010
A China e o futuro da geoestratégia
Do Amigo Manuel C. B. recebi estes tópicos acerca do post «A China em fase de evolução rápida» que merecem meditação. Ao Amigo C. B. os meus agradecimentos por vir enriquecer este espaço.
A temática é mais que actual
Sugiro mesmo que o adoptes no teu blogue estes pontos de reflexão para serem obtidos comentários que podem ser interessantes.
- O interesse económico é o grande catalisador de conflitos.
- As situações económicas internas são o grande gerador dos equilíbrios ou desequilíbrios sociais e políticos internos.
- A Paz resulta de equilíbrios de Forças (Guerra-Fria).
- Em termos geopolíticos e geoestratégicos, o conflito é potencial quando da existência de uma só grande potência (económica e naturalmente militar), como se verificou logo após a queda do muro de Berlim e o desmembramento da URSS com os EUA nessa posição.
- “Emergiram” os Países Emergentes.
- A globalização obriga a pensar nos equilíbrios e como consegui-los.
- Têm aqui particular acuidade as condições sociais dos “países emergentes” e as dos “países desenvolvidos” e os conhecidos reflexos nos custos de produção.
- É já visível a tendência para decréscimo nuns e de exigência noutros.
- Quantas gerações serão necessárias para o equilíbrio suficiente dos mercados ? (No pressuposto do prevalecimento da Economia de Mercado.
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sexta-feira, 25 de junho de 2010
A China em fase de evolução rápida
O Post «Como ficará a China do futuro?» no blog A Tulha do Atílio suscitou-me um extenso comentário que, pela sua extensão não terá a leitura e a atenção que julgo merecer, como ponto de reflexão nos dias de hoje. Por isso o publico aqui.
Os comentadores anteriores são consonantes em afirmar que o mundo está louco. Louco de verdade.
Como disse, há dias, noutro comentário, «desde a época da pedra lascada, paleolítico, tem havido evolução nas tecnologias (televisão, telemóvel, etc), mas na alma dos homens tem havido degradação, na maneira de encarar a vida, a Natureza, os outros. As relações em família, em grupo e em sociedade estão de tal forma degradadas que já temos muito a aprender com os animais da selva de que frequentemente se vêm imagens das televisões».
Porém, este texto contra a China é horrivelmente tendencioso, escrito por alguém que está habituado a defender a sociedade do lucro exagerado que não reverte para remuneração justa à mão-de-obra, mas sim para o enriquecimento dos donos das empresas que não dispensam as mansões, os caros de luxo, os jatinhos, o consumismo de luxo.
A China deve ser observada, tendo em vista a sua história. No tempo do Império do Meio, o seu desenvolvimento deu ao mundo inventos que ainda hoje são úteis. Depois teve um largo período de apagamento no seu pacifismo atacado pela Mongólia e pelo Japão. O fracasso da revolução maoísta serviu de vacina para reestruturar o País de forma cautelosa, persistente que tem dado bons frutos, apesar da grande extensão, do excesso de população e da sua grande diversidade de problemas.
Quando a União Soviética implodiu, receava-se que acontecesse algo de muito grave na China, o que seria perigoso para todo o mundo, mas a sensatez serena e eficiente dos governantes levou a medidas eficientes que fizeram a China crescer economicamente a um ritmo único no mundo moderno. Aprendeu o que de melhor encontrou nas regras do capitalismo ocidental.
O autor do texto, que defende a regra de que o lucro a qualquer custo é símbolo de modernidade, condena a China de estar a utilizar as regras ocidentais a seu modo e estar a orientar-se para o desenvolvimento económico. É uma contradição sua, que descredibiliza o texto.
Não concordo com o conselho de preferirmos produtos fabricados no nosso País, pois o consumidor deve ser livre de comprar o que mais lhe interessar em qualidade e preço, seja qual for a origem, pois é essa a lei da globalização que os ocidentais criaram. Por outro lado o facto de ser cá fabricado, não quer dizer que os lucros beneficiem o País, pois o capitalista pode ser estrangeiro ou, sendo nacional,, pode depositá-lo numa off-shore ou paraíso fiscal longínquo.
Por seu lado, os trabalhadores são na sua quase totalidade estrangeiros que enviam para a terra quase todo o salário. Os portugueses não sentem a obrigação de trabalhar e candidatam-se a assessores, deputados ou outro género de parasitas e, se o não conseguem, procuram viver de subsídios – há-os para todos os gostos – sem nada criarem para a riqueza nacional.
Falta aos empresários ocidentais a capacidade de adaptação aos novos tempos como os chineses têm feito desde há várias décadas. É preciso que nós os ocidentais passemos a raciocinar e aplicar quotidianamente os valores éticos e saibamos equacionar os problemas da melhor forma com respeito pelos outros, sejam de onde forem.
Quanto á imagens das crianças (ver o post referido), não são realmente edificantes, mas há por cá casos menos humanos. Até recentemente, nas aldeias, os pais iam trabalhar para o campo deixando as crianças fechadas em casa sem apoio nem comodidade. Já tem havido notícias de crianças asfixiadas por terem ficado fechadas no carro durante horas. Estas fotos da China mostram que há preocupação com a proximidade dos pais, que os observam com frequência e os miúdos observam que a vida é trabalho e vão aprendendo esse aspecto do civismo. Cá as crianças, pouco tempo após nascerem, apenas vêm os pais durante poucos minutos no fim do dia e, nas creches e jardins de infância, recebem o cuidado mínimo para não se ferirem e serem devolvidas em bom estado no fim do dia. Uns com os outros, sem educação cívica de adultos, só aprendem a desenvolver os piores instintos. Portanto, à luz dos conceitos, a diferença não é grande. Do ponto de vista humano, certamente, estas fotos não são uma amostra válida da média dos chineses.
É preciso ter respeito pelos que são diferentes de nós. «Amai-vos uns aos outros», e os outros são os diferentes. A China tem tradições diferentes mas tem evoluído aproveitando o que de melhor vê no mundo. Assim Fossem os ocidentais!!! Mas não são e querem torpedear quem, se ergue acima da mediocridade do Ocidente.
Juntam-se links de textos já aqui publicados referindo temas semelhantes:
- 2010 Ano de Transformações
- Transformações no Mundo
- Como será o mundo amanhã?
- A China e os direitos humanos
- Um ricaço a contas com a Justiça na China
- Lição da China contra a desertificação
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terça-feira, 11 de maio de 2010
Transformações no Mundo
Depois do post 2010 Ano de Transformações no blog Sempre Jovens e dos comentários que lá coloquei, recebi este texto que vem ajudar a perceber a evolução que o Mundo irá ter.
A CHINA DO FUTURO
Luciano Pires
Alguns conhecidos voltaram da China impressionados. Um determinado produto que o Brasil fabrica um milhão de unidades, uma só fábrica chinesa produz quarenta milhões... A qualidade já é equivalente. E a velocidade de reacção é impressionante.
Os chineses colocam qualquer produto no mercado em questão de semanas.. Com preços que são uma fracção dos praticados aqui. Uma das fábricas está de mudança para o interior, pois os salários da região onde está instalada estão altos demais: 100 dólares. Um operário brasileiro equivalente ganha 300 dólares no mínimo. Que acrescidos de impostos e benefícios representam quase 600 dólares. Comparados com os 100 dólares dos chineses, que recebem praticamente zero benefícios...
Hora extra? Na China? Esqueça. O pessoal por lá é tão agradecido por ter um emprego, que trabalha horas extras sabendo que nada vai receber... Essa é a armadilha chinesa. Que não é uma estratégia comercial, mas de poder.
Os chineses estão tirando proveito da atitude dos marqueteiros ocidentais, que preferem terceirizar a produção e ficar com o que "agrega valor": A marca. Dificilmente você adquire nas grandes redes dos Estados Unidos um produto feito nos Estados Unidos. É tudo "made in China", com rótulo estadunidense.
Empresas ganham rios de dinheiro comprando dos chineses por centavos e vendendo por centenas de dólares... Mesmo ao custo do fechamento de suas fábricas. É o que chamo de "estratégia preçonhenta". Enquanto os ocidentais terceirizam as tácticas e ganham no curto prazo, a China assimila as táticas para dominar no longo prazo.
As grandes potências mercadológicas que fiquem com as marcas, o design... Os chineses ficarão com a produção, desmantelando aos poucos os parques industriais ocidentais. Em breve, por exemplo, não haverá mais fábricas de ténis pelo mundo... Só na China. Que então aumentará seus preços, produzindo um "choque da manufactura", como foi o do petróleo.
E o mundo perceberá que reerguer suas fábricas terá custo proibitivo. Perceberá que se tornou refém do dragão que ele mesmo alimentou ( Vale salientar que o mundo Árabe, é como é, graças aos petrodólares ). Dragão que aumentará ainda mais os preços, pois quem manda é ele, que tem fábricas, inventários e empregos... Uma inversão de jogo que terá o Impacto de uma bomba atómica... Chinesa.
Nesse dia, os executivos "preçonhentos", tristemente, olharão para os esqueletos de suas antigas fábricas, para os técnicos aposentados jogando bocha na esquina, para as sucatas de seus parques fabris desmontados. E lembrarão com saudades do tempo em que ganharam dinheiro comprando baratinho dos chineses e vendendo caro a seus conterrâneos... E então, entristecidos, abrirão suas marmitas e almoçarão suas marcas.
Luciano Pires é director de marketing da Dana e profissional de comunicação
"Uma Nação que confia em seus Direitos, em vez de confiar em seus Soldados, engana-se a si mesma e prepara a sua própria queda." ( Rui Barbosa)
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sábado, 6 de fevereiro de 2010
Relações China - EUA
Por este espaço ter uma vocação global, planetária e se interessar pelas questões estratégicas, faz-se a transcrição seguinte, vinda de Macau:
Borrasca no relacionamento China - EUA?
No Dicionário de Língua Portuguesa, 6ª edição, Porto Editora, o termo borrasca é definido como "'pé-de-vento súbito, acompanhado de aguaceiros; tempestade marítima; furacão; (fig.) acesso de ira; contrariedade súbita; zaragata; motim; tumulto; revolta; pl. inquietações".
Temos então muita água, irritação que pode dar em chatice.
Querem melhor descrição para o actual relacionamento (tenso) entre a China e os Estados Unidos?
Tudo começou com o episódio da possível vigilância e censura a conteúdos do motor de busca Google na China e a ameaça da empresa norte-americana de se retirar do mercado chinês (o pé-de-vento súbito).
A China a desmentir categoricamente aquilo que todos sabemos ser uma realidade, a ameaçar com retaliações comerciais, a deixar claro que não admite interferências em questões internas, e os americanos a dizerem que não admitem qualquer tipo de censura, mas que se trata de um problema que terá de ser resolvido pela própria empresa.
Seguiu-se a venda de armas a Taiwan.
A China volta a falar em interferência inadmissível em questões de política interna, porque Taiwan é parte integrante da China, voltou a ameaçar com retaliações comerciais, e os americanos deixaram claro que consideram que Taiwan precisa de repor os equilíbrios bélicos com o poder na China (os americanos precisavam daquela venda também, mas isso não se diz na diplomacia internacional, não é?).
Aqui já havia aguaceiros.
Agora o encontro do Dalai Lama com Obama.
A China fala em interferência intolerável em questões de política interna (onde é que a gente já tinha ouvido isto?), porque o Dalai Lama é uma figura política e não religiosa, e ameaça com retaliações comerciais (também parece que já tínhamos ouvido esta....).
Os americanos (Obama) expressam o seu profundo respeito pela figura religiosa e o símbolo de paz que o Dalai Lama representa, e afirmam abertamente que vão receber o líder espiritual tibetano com toda a honra.
Já estamos na fase da tempestade marítima.
Será que vai haver um acesso de ira, que conduza a revolta, que termine em zaragata, seguida de furacão?
Creio bem que não.
Obama está claramente a definir a sua fronteira perante o Poder chinês.
Nem está a testar Pequim, está a deixar claro ao que vem.
E está a fazê-lo quando passa o primeiro aniversário da sua presidência com a certeza de que nada de extraordinário resultará destes incidentes.
A China e os Estados Unidos dependem demasiadamente um do outro, economicamente, para deixarem que essas relações comerciais sejam afectadas por questões políticas.
Mais a mais, na ressaca de uma crise financeira que ainda está longe de estar ultrapassada.
Há borrasca, é inegável, mas são apenas algumas inquietações.
Nada mais do que isso.
Publicada por Pedro Coimbra em Devaneios a Oriente
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
A China e os direitos humanos
O assunto do artigo «Direitos humanos: China pede a Washington para parar de dar lições» merece ser devidamente ponderado pelos diplomatas e pelos que pensam um pouco sobre os aspectos que podem influenciar a paz mundial e a felicidade dos povos.
O Departamento de Estado Americano no seu relatório anual sobre o estado dos direitos humanos, o primeiro da Administração de Barack Obama, promete dar o exemplo e aponta o dedo às violações registadas na China, Irão ou Rússia. A China reagiu de imediato, pedindo aos Estados Unidos para pararem de se apresentar como guardiões dos direitos humanos no mundo.
“Pedimos aos EUA que se ocupem dos seus próprios problemas de direitos humanos e que parem de se considerar guardiães dos direitos humanos”, declarou esta manhã à imprensa o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Ma Zhaoxu.
“Neste 30 anos, a China experimentou um forte crescimento económico e realizou progressos democráticos constantes e protege plenamente a liberdade religiosa”, assegurou ainda o porta-voz, citado pela AFP. “Os grupos étnicos gozam dos seus direitos e da sua liberdade” na China, acrescentou. “O mundo inteiro sabe isso.”
Porém, o relatório americano, publicado quarta-feira à tarde, sublinha violações das liberdades individuais na China. “O balanço do Governo chinês no que respeita aos direitos humanos continuou mau e agravou-se em certas regiões”, citando em particular “a repressão das minorias étnicas na região autónoma uigure e no Tibete”. Washington denuncia ainda as “eliminações e torturas” infligidas aos opositores e as perseguições sofridas pelos dissidentes, defensores dos direitos humanos e os seus advogados, nomeadamente no período dos Jogos Olímpicos de Pequim.
Compreende-se que a China, candidata a grande potência mundial e senhora de uma história milenar de poder hegemónico na Ásia e no Extremo Oriente, o Império do Meio, tem características civilizacionais próprias e não gosta de ser apontada como em situação inferior seja em que aspecto for. Por outro lado, a América não será bem vista se continuar a assumir um papel de polícia do mundo.
Mas o mundo que se considera mais civilizado não resiste à tentação de exigir condições mais humanas quanto aos direitos humanos e, dada a globalização da economia, muitos países asiáticos, com salários de miséria e horários de trabalho muito alargados, bem como o trabalho infantil, constituem uma concorrência desleal que, se não for moderada, arruinará os produtores do mundo Ocidental.
Haverá, por isso, que, de forma adequada, convencer esses países a usarem de métodos semelhantes aos restantes membros das Nações Unidas, por forma a construir-se um ambiente internacional de concorrência sã, em clima de confiança, compreensão e cooperação, para bem das populações de todos os continentes.
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A. João Soares
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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Um ricaço a contas com a Justiça na China
O mais rico empresário da China continental, Huang Guangyu, foi detido por alegada manipulação de acções de uma empresa controlada pelo seu irmão. Com 39 anos, tem uma fortuna estimada em cerca de 5 mil milhões de euros e é presidente da Gome ("Guo Mei"), cadeia de lojas de electrodomésticos, uma das marcas mais conhecidas da China, com 1.300 lojas em mais de 300 localidades, e emprega cerca de 300.000 pessoas.
Os lucros da Gome aumentaram 111 por cento em relação a igual período de 2007.
Huang Guangyu é também investidor imobiliário e encabeçava a última lista anual dos "Mil mais ricos da China", divulgada o mês passado.
Como outros milionários chineses, Huang Guangyu (Wong Kwong Yu, como é conhecido em Hong Kong e Macau) começou a carreira quase a partir do nada.
Os muito ricos nem sempre alcançaram alta situação económica por mérito, por comportamentos exemplares, como efeito de virtudes, como a notícia refere. Entre nós também abundam referências a casos muito suspeitos, nas notícias da Comunicação Social dos últimos tempos. Porém na China, tal como em casos citados no post Lições do dito «Terceiro Mundo», haverá, certamente, uma condenação adequada na proporção do crime e não na proporção inversa à riqueza do arguido, como é vulgar acontecer por cá.
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A. João Soares
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quarta-feira, 6 de agosto de 2008
China. Polícia prende quatro britânicos
Polícia chinesa prende 4 britânicos após protesto
quarta-feira, 6 de agosto de 2008, 01:13 | Online
PEQUIM - A polícia chinesa prendeu nesta quarta-feira quatro britânicos que protestaram em Pequim pela libertação do Tibete. A identidade dos manifestantes não foi revelada, mas as autoridades revelaram ser três homens e uma mulher - eles teriam entrado na China com o visto de turista.
O protesto aconteceu no começo da manhã desta quarta-feira (no horário chinês), nos arredores do Estádio Olímpico, conhecido como Ninho de Pássaro. Os quatro manifestantes levavam dois cartazes: "Um mundo um sonho Tibete livre" e "Tibete será livre".
Segundo a polícia chinesa, dois dos manifestantes chegaram a subir em postes de eletricidade para pregar as faixas de protestos. Mas os quatro acabaram sendo detidos e foram levados para interrogatório na delegacia.
A actuação do governo chinês no Tibete é criticada mundialmente, mas os protestos internacionais foram intensificados recentemente, com a passagem da tocha olímpica por diversos países.
NOTA: Já aqui tinha sido escrito, na área de comentários, que o que se passará na China nas próximas semanas é imprevisível, ma a tónica colocada na segurança não é de bom augúrio. Pelo menos cerceia as liberdades dos jornalistas, dos visitantes e dos turistas. Cada estrangeiro será visto como um potencial terrorista, como agora esta notícia vem comprovar.
Mas o problema virá de dentro, dos descontentes, dos que agora ficam a conhecer que no resto do mundo há mais liberdade e mais conforto. A mudança da sociedade chinesa sairá de dentro, pois nada do exterior tem poder de influência para produzir e manter uma mudança sustentável. No entanto, neste momento, a presença de tantos milhares de estrangeiros na China acaba por difundir ideias de modernidade que irão acelerar o movimento de resistência à ditadura, até aos mais remotos recantos daquele grande país.
Estejamos atentos porque iremos assistir a um fenómeno interessante, embora muitos pormenores fiquem ocultos devido aos controlos sociais que o Governo impõe.
Porém, as multidões, as sociedades modernas, são movidas por actos de «acção psicológica», de «lavagem ao cérebro», muito aplicados no marketing e na propaganda política e agem como o trotil, por efeito de uma espoleta. Quando tudo parece estar calmo, ouve-se uma palavra de ordem e a desordem arranca com toda a violência. Morreu há dias o escritor russo Soljenietsin que foi um obreiro da preparação da sociedade soviética mais evoluída para o derrube do regime.
Mas, infelizmente, aparecem poucas análises sobre estes problemas e as opiniões vão ser mais orientadas para o desporto e alguma propaganda do governo chinês, tudo para manter o mundo adormecido. Convém estar atento, para observar os pequenos sinais de mudança. As autoridades chinesas têm tido a sensatez serena e eficiente para evitar que a implosão político-social da União Soviética tivesse repercussões graves no Império do Meio.
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segunda-feira, 4 de agosto de 2008
China é notícia
Os Jogos Olímpicos são um acontecimento sensível para a China porque, se dão mais visibilidade à futura potência mundial, por outro lado, enfatizam debilidades sociais e de Direitos Humanos dificilmente aceitáveis pelo mundo Ocidental.
China: Manifestantes confrontam-se com polícia junto a Tiananmen
Diário Digital, segunda-feira, 4 de Agosto de 2008 | 05:52
Um pequeno grupo de manifestantes confrontou-se hoje com a polícia junto à Praça Tiananmen, em Pequim, afirmando que a alegria dos Jogos Olímpicos foi construída sobre o seu sofrimento.
As duas dúzias de manifestantes enfrentaram a polícia no bairro histórico de Qianmen, imediatamente a sul de Tiananmen.
Os manifestantes alegaram terem sido despejados das suas casa para darem espaço à reconstrução do bairro, que foi transformado numa faixa comercial com empresas internacionais como a Nike, Starbucks e Rolex.
As manifestações no centro de Pequim são habitualmente travadas pela polícia.
Hoje mesmo a imprensa de Pequim dava conta de que as pessoas que queiram organizar protestos durante os Jogos Olímpicos têm de preencher um formulário com informação detalhada para pedir autorização à polícia chinesa cinco dias antes de se realizar a manifestação, havendo três locais afastados do centro da cidade onde podem ocorrer as manifestações.
Diário Digital / Lusa
China: Ataque à granada a posto fronteiriço faz 16 mortos
Diário Digital, segunda-feira, 4 de Agosto de 2008 | 05:35
Um grupo desconhecido avançou hoje com um camião sobre um posto fronteiriço chinês da Ásia Central, lançando granadas que mataram 16 pessoas e feriram outras tantas, informou a agência oficial Nova China.
O ataque ocorre quatro dias antes da abertura dos Jogos Olímpicos em Pequim.
Os atacantes utilizaram um camião de lixo para atacar o posto fronteiriço paramilitar de Kashi, onde foram lançadas duas granadas.
Dois dos atacantes foram detidos, informa a Nova China, sem dar mais pormenores.
A área onde ocorreu o ataque tem sido palco de uma rebelião mal contida de populações muçulmanas turquiques (povos eurasiáticos que se espalham desde a Turquia à China, num total de cerca 160 milhões de pessoas), do clã uighur (comunidade diaspórica de cerca de 20 milhões na mesma área), que reagem à lei chinesa.
Diário Digital / Lusa
Pequim2008: Divulgados procedimentos para organização protestos
Diário Digital, segunda-feira, 4 de Agosto de 2008 | 04:48
As pessoas que querem organizar protestos durante os Jogos Olímpicos têm de preencher um formulário com informação detalhada para pedir autorização à polícia chinesa cinco dias antes de se realizar a manifestação, informou hoje a imprensa estatal chinesa.
Segundo um comunicado divulgado no domingo pela Comissão Organizadora dos JO (BOCOG, na sigla em inglês) na sua página oficial na Internet, os organizadores de acções de protesto têm de entregar pessoalmente um formulário e os seus dados pessoais às autoridades policiais.
«Deve ser sublinhado que os cidadãos têm de respeitar e não prejudicar a liberdade e os direitos das outras pessoas, e que não podem prejudicar os interesses nacionais, sociais e colectivos», explicou Liu Shaowu, director de Segurança do BOCOG, citado pelo jornal oficial China Daily.
O formulário deve indicar o objectivo, hora e programa da demonstração, os cartazes e motes que vão ser utilizados no protesto, bem como o número estimado de participantes e a utilização de equipamentos de som.
Os cidadãos chineses devem apresentar o pedido de autorização à unidade municipal de Segurança Pública em Pequim, enquanto os estrangeiros devem entregar o requerimento no gabinete de emigração de Pequim.
Os cidadãos estrangeiros também têm de entregar uma tradução em chinês de todos os documentos apresentados.
Agências estatais, empresas privadas e Organizações Não-Governamentais (ONG) devem carimbar a documentação com o seu selo oficial e com a assinatura do presidente da instituição.
As autoridades chinesas decidirão se concedem ou não a autorização, para que os protestos ocorram em conformidade com as leis e regulamentos nacionais e avisam os candidatos por escrito dois dias antes da data da manifestação.
Liu afirmou que nenhuma demonstração de «propaganda política, religiosa ou racial» será autorizada nas zonas ou recintos olímpicos.
Segundo a lei chinesa, as actividades de protesto não podem violar a Constituição, prejudicar a unidade, soberania e integridade territorial do Estado, instigar a divisão entre as pessoas nem pôr em perigo a Segurança Pública».
De acordo com o comunicado no site do BOCOG, se os candidatos não receberem um aviso das autoridades até dois dias da data dos protestos, podem concluir que o seu processo foi aprovado e realizar a manifestação nos locais permitidos para o efeito.
As autoridades chinesas já tinham anunciado os três únicos sítios em Pequim onde são permitidas acções de protesto durante o período dos JO, entre 08 e 24 de Agosto: no World Park, a sudoeste da cidade no distrito de Fengtai; no Zizhuyuan Park no distrito de Haidian na zona noroeste de Pequim; e no Ritan Park no distrito de Chaoyang na zona oriental da capital chinesa.
Todos os parques são relativamente próximos do centro da cidade e das zonas olímpicas de competição.
Diário Digital / Lusa
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quarta-feira, 12 de setembro de 2007
Tibete anexado pela China em 1950
Há mais de meio século, o Tibete foi anexado pela China, num atentado à sua autodeterminação denunciado internacionalmente, e o seu povo experimenta, desde então, o mais negro e triste período de toda a sua história.
Em 1950, o regime comunista da China ordenou a invasão da região, que foi anexada como província. A oposição tibetana foi derrotada numa revolta armada, em 1959. Em consequência, o 14° Dalai Lama Tenzin Gyatso, líder espiritual e político tibetano, retirou-se para o norte da Índia, onde instalou um governo no exílio.
O país tornou-se região autónoma da China em Setembro de 1965 contra a vontade popular. Entre 1987 e 1989, tropas comunistas reprimiram, com violência, qualquer manifestação contrária à sua presença. Há denúncias de violação dos direitos humanos pelos chineses, resultantes de uma política de genocídio cultural. Em agosto de 1993, iniciaram-se conversações entre representantes do Dalai Lama, prêmio Nobel da Paz em 1989, e os chineses, mas mostraram-se infrutíferas.
Embora este atentado contra um povo tenha sido denunciado internacionalmente, os Estados, que era suposto serem «pessoas» de bem, depressa esqueceram o sacrifício dos tibetanos, como esquecem os atropelos aos direitos humanos de um grande estado, em tamanho geográfico e demográfico. O Poder do mundo reside na força das economias, mas não tenhamos ilusões, é mutável e os grandes de ontem já não são os grandes de hoje. Os que denunciaram o atentado à autodeterminação do Tibete já não são poderosos e sentem conveniência em se bajularam aos invasores desse acto, na época, condenável.
Os poderosos do mundo substituíram na ONU Taiwan pela China, agora não concedem ao Dalai Lama o lugar que corresponde ao seu Prémio Nobel da Paz e à sua capacidade de pensador em defesa da Paz mundial. A Europa, agora presidida por Portugal, não hesita em o colocar muitos degraus abaixo do execrável Roberto Mugabe do Zimbabwe.
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domingo, 9 de setembro de 2007
Dobrar a cerviz perante a China
Portugal vai ter o privilégio da segunda visita do Dalai Lama entre 13 e 16 do corrente. De seu nome civil Tenzin Gyatso, monge e doutor em filosofia budista, Prémio Nobel da Paz, agraciado com mais de 100 títulos honoris causa, líder e mentor do povo tibetano, o 14º Dalai Lama, é uma das vozes mais lúcidas e comprometidas com a paz, o diálogo e a compaixão no cenário mundial contemporâneo.
Ninguém de cultura média desconhece muitos dos pensamentos deste monge ecuménico defensor do diálogo entre todos, qualquer que seja a sua religião. Mas nas suas peregrinações religiosas pelo mundo, o Dalai Lama fica sempre à margem das recepções oficiais, porque nas relações internacionais, os Estados, mais do que pelos seus interesses históricos e civilizacionais, vergam-se aos interesses de momento, bajulando-se aos impérios que são ou podem vir a ser brevemente grandes potências mundiais. O que é considerado importante é evitar qualquer conflito diplomático com a China que é a maior potência emergente, política e economicamente e que considera rebeldes os tibetanos de cuja causa o Dalai Lama é mentor espiritual e, por isso, considerado um dos maiores inimigos daquela potência.
E, estando o mundo dominado por factores materialistas e oportunistas, estes retiram qualquer valor aos princípios éticos e morais, e passam o respeito pelos direitos humanos e a justiça social para trás da cortina. O tempo é de real politik.
Entre nós, o Governo português e o Presidente da República não recebem oficialmente o Dalai Lama, segundo o MNE, por razões «óbvias», provavelmente políticas e económicas. Mas está previsto o encontro com o Presidente da Assembleia da República que não obedece a essa indisponibilidade.
É uma realidade a continuidade e a tradição da directriz estratégica que orienta as relações internacionais dos países mais responsáveis e prestigiados. Talvez neste dobrar da cerviz ao Império do Meio, se encontre uma constância da política externa portuguesa – o «respeitinho» pelos Estados mais poderosos, tendo em tempos sido bom aliado da Grã-Bretanha, tendo recentemente apoiado os EUA nas Lages na decisão de atacar o Iraque e agora, que a China aparece como candidata a maior potência económica mundial, é considerado oportuno fazer o «update» das prioridades, na escolha do rumo privilegiado.
Já não é novidade, pois nas últimas décadas em Portugal há mais lojas chinesas espalhadas por lugares nobres das cidades do que em qualquer outro país. Isto podia ser sinal de cosmopolitismo. Mas não é. É espelho da pobreza e enfraquecimento das cidades. Estas estão a degradar a sua imagem com a abertura de "lojas dos 300" e "dos chineses", em locais onde devia haver lojas de qualidade, especializadas e bonitas, que dão prazer de ver tanto a quem compra como a quem passa por elas - turistas incluídos. Algo merece ser repensado serena e racionalmente.
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A. João Soares
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Labels: China, Dalai Lama. impário, servilismo

