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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Gestão empresarial activa

Há dias no post Desenvolver a economia era referida a necessidade de capacidade de gestão empresarial e a conveniente independência em relação a injecções de subsídios vindos do dinheiro público. Os balões de oxigénio a tentar suprir as incompetências de gestores, raramente servem de tónico, mas apenas de analgésicos viciantes que atrasam a falência, com avultadas dívidas aio Estado e outros credores.

Hoje o Jornal de Notícias traz a notícia de que Empresas portuguesas aproveitam crise para investir em Espanha, o que vem provar que existem gestores competentes, dinâmicos, atentos à evolução da conjuntura e do ambiente circundante e sabem aproveitar oportunidades de negócio que irão beneficiar a empresa, como geradora de serviços, de lucros, de benefícios para trabalhadores e famílias e para a sociedade em geral, por osmose e por eventuais acções de mecenato.

Portanto, o desenvolvimento da economia nacional depende do dinamismo das empresas privadas e da sua boa qualidade de gestão. Para isso, o melhor que o Estado pode fazer é criar condições e estímulos para boa formação profissional.

Imagem da Net.

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segunda-feira, 8 de março de 2010

Sindicatos desemprego e precariedade

No artigo de hoje no Jornal de Notícias, «A 6.ª via do socialismo», Manuel António Pina, coloca para reflexão a questão da existência dos sindicatos, nos seguintes termos:

«Um deputado socialista "de cuyo nombre no quiero acordarme" (se quisesse seria, aliás, difícil pois se trata já, mais do que um nome, da designação de um género) descobriu, em plena AR, que a culpa da precariedade e do desemprego é, afinal, dos sindicatos: "A razão pela qual Portugal tem a precariedade e o desemprego que tem é em grande parte devido às estruturas sindicais, reaccionárias e de posições que sacrificam trabalhadores".

«A tese não é inovadora e teve grande sucesso em alguns países no segundo quartel do século XX (no nosso, durante mais de 40 anos). Conduz à conclusão de que, se a culpa de termos hoje 10,5% de desempregados é dos sindicatos, a solução final será, não o financiamento público de empresas privadas para que "criem" os empregos que destruíram, mas acabar com os tenebrosos sindicatos, assim saltando uns degraus nas "vias" do socialismo do actual PS, da 3.ª directamente para a 5.ª ou a 6.ª. Algo como o que o PS fez, com o sucesso que se conhece e os números confirmam, acabando com o anterior Código do Trabalho, que também era, como os sindicatos, um "obstáculo à contratação".»

NOTA: Não me parece benéfico nem de realização prática ou mesmo possível «acabar com os sindicatos». No entanto, é preciso repensar o sistema existente. O sindicato poderia não só dedicar-se à defesa dos direitos dos trabalhadores mas também, com igual ênfase, à sua preparação profissional para melhorar o desempenho dos seus deveres e obrigações, que seria a base, o argumento de peso, para exigir melhores remunerações. Dessa formação profissional e cultural resultaria mais facilidade na obtenção de novo emprego, em caso de perda do anterior, em mudança de ramo e de sector e em mais força nas reivindicações e no controlo e colaboração numa gestão mais justa e eficaz da empresa. Um contrato com clara definições de tarefas e a preparação para as realizar seria uma base para defesa dos interesses de patrão e empregado.

Esta filosofia de sindicalismo transformaria o sindicato em amigo dos trabalhadores em vez de ser inimigo da entidade patronal, como hoje acontece. É só uma mudança de óptica, uma alteração da tónica dos objectivos e finalidades de que resultariam benefícios para todos, para a economia portuguesa e para a felicidade da população. A empresa, onde quer que se encontre, deve ser considerada como uma instituição social, de que devem resultar benefícios para proprietário (accionistas), empregados, fornecedores, clientes e famílias da área em que funciona. Os sindicatos podem e devem desempenhar um papel activo no equilíbrio destas funções sociais.

Segundo a notícia do Público de hoje, «Rangel defende consolidação do ensino profissional», o candidato à liderança do PSD Paulo Rangel afirmou ontem em Pombal que vai promover um movimento de dignificação e consolidação do ensino profissional em Portugal. Isto vem ao encontro daquilo que ficou dito acerca da necessidade de formação técnica dos trabalhadores para obterem mais flexibilidade na procura de trabalho e mais qualidade no desempenho das suas tarefas.

Os sistemas devem, com frequência, ser repensados e reajustados por forma a melhor contribuírem para um mais elevado nível de vida dos portugueses, num ambiente de mais justiça social.

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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Carreira dos políticos

Já por aqui deixei em vários textos, principalmente comentários, esta ideia, expressa por palavras simples de um cidadão comum, sem o saber e a autoridae de advogado de José Luis Seixas, autor do texto que transcrevo do Destak de hoje. Admito que haja eventuais excepções, mas isso é próprio de todas as regras pois, como diz o ditado, não as há sem elas… Eis como se criam os «boys»:

Bons rapazes
Jornal gratuito Destak, 23 | 02 | 2010 Por José Luís Seixas, Advogado

Duma forma geral, nos países do Primeiro Mundo as lideranças políticas forjam-se em percursos pessoais assinaláveis feitos nas universidades, nas empresas ou nas profissões liberais. Todas exibem currícula suficientes para suportar e legitimar ambições de poder. A política é, pois, a decorrência de uma vida com biografia.

Em Portugal, principalmente a partir dos anos 80, os partidos iniciaram um processo de insaciável tentacularidade que ainda hoje persiste. Assumiram estruturações organizacionais herméticas e através delas tentaram absorver as pulsões sociais e secar a cidadania.

Potenciaram o “carreirismo”, servido por jovens com itinerários iniciáticos feitos nas organizações de juventude e que, por decorrência de uma militância alinhada e acrítica, se viram catapultados a Câmaras, ao Parlamento, ao Governo e ao sector empresarial do Estado.

A legitimidade brandida não radicava na formação, na competência ou na experiência de vida, mas em trajectos partidocráticos feitos de cumplicidades, de compromissos e de engajamentos. Hoje este paradigma de progressão individual na política transformou-se em estilo e em forma de vida que atravessa horizontalmente toda a denominada “classe dirigente”. Ora, com estes “bons rapazes” difícil será a reforma dos partidos e do sistema político.

Apesar de dramaticamente urgente. Mas o instinto de preservação da espécie é uma característica do mundo animal. E do mundo político também.

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domingo, 1 de junho de 2008

Falta mão-de-obra qualificada

As notícias de que não existe oferta de operários qualificados em quantidade suficiente para satisfazer as necessidades das obras públicas projectadas não surpreendem. Só espanta que alguém esteja admirado de isto suceder.

Nada acontece por acaso, e é lamentável que os responsáveis pelo País ao longo destas últimas décadas, não tivessem pensado nisto, quando tomaram as decisões erradas sobre o ensino. O encerramento das escolas técnicas e o desprezo pelas profissões conduziu a que hoje poucas pessoas com 20 anos saiba utilizar correctamente uma chave de fendas ou um alicate.

A ambição de ter uma licenciatura não impede que, no decurso do ensino, não se aprenda a conjugar os conhecimentos teóricos e científicos com as técnicas deles advenientes e que se tornam úteis para a vida prática.

A falta de formação profissional torna difícil o desenvolvimento da economia nacional, a competitividade internacional e, consequentemente, as exportações, o equilíbrio da balança comercial e da balança de pagamentos. E, na construção civil, essa falta de qualificação da mão-de-obra, redunda em amadorismo, improviso, falta de rigor, com o risco de desabamento de prédios, pontes e outras obras, e o correspondente custo em recursos financeiros e em vidas humanas.

Os políticos, principalmente os que têm ocupado cadeiras no ministério da Educação, deviam ter sempre presente que da qualidade do ensino depende o futuro do País, em todos os aspectos. O ensino é demasiado importante para que não se brinque com os programas e tudo o que se lhe refere.

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quarta-feira, 19 de março de 2008

Desemprego ou falta de vontade para trabalhar?

Segundo o JN de hoje, há uma «firma do Vale do Ave com falta de operários», tendo sido abertas vagas para as quais os candidatos não são em número suficiente para preencher os lugares disponíveis. Trata-se de uma multinacional americana instalada em Guimarães que se queixa de não conseguir trabalhadores. Manuel Cruz, director de recursos humanos da Amtrol-Alfa, instalada em Brito, estranha que isto aconteça num concelho que tem uma taxa de desemprego acima da média nacional.

Segundo o mesmo jornal esta é «Região fustigada pelo desemprego» em que havia
- 40509 inscritos em Janeiro, nos centros de emprego do distrito de Braga;
- 50000 desempregados no Vale do Ave, que abrange os municípios de Guimarães, Famalicão, Santo Tirso, Trofa, Vizela, Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Póvoa de Lanhoso, Vieira do Minho e Fafe, e
- 12000 desempregados inscritos no Centro de Emprego de Guimarães. Destes, 74 por cento têm mais de 35 anos (29 por cento têm mais de 55 anos).

Os requisitos para os candidatos aos lugares são aptidão física confirmada pelos médicos da empresa, disponibilidade para trabalho por turnos e a aceitação em fazer formação profissional. A empresa oferece um vencimento de 570 euros, mais um bónus, ajudas de custo para transporte e prémios de assiduidade.

Luciano Baltar, presidente da Associação Comercial e Industrial de Guimarães, diz que "há casos de empresas que procuram pessoal, principalmente costureiras, e não conseguem arranjar". O sector do vestuário (que tem um dos mais baixos salários na região) exige um "conhecimento específico" e, "além de haver poucas profissionais, há pouca gente interessada em aprender"
, apesar da elevada taxa de desemprego. "Se calhar as pessoas não estão tão mal quanto isso. Eu, se não tiver emprego, obrigo-me a procurar. Tem havido casos de empresas que recusam encomendas porque não conseguem dar resposta e um dos motivos é a falta de pessoal", garante.

É chocante ver na TV, quando empresas encerram, pessoas relativamente jovens lamentarem não poder arranjar emprego por não saberem fazer mais nada. Em toda a idade se pode aprender um novo ofício. Além de falta de vontade e, eventualmente, de capacidade para aprender, haverá falta de preparação básica que permita fazer face à flexibilidade de emprego e mudança de ramo em caso de necessidade ou de conveniência. Para melhorar a formação profissional e obter capacidade de mudança, o que têm feito os sindicatos? O que faz, o ministério do Trabalho e da Segurança Social e os organismos que tutela? Qual é o aspecto prático do ensino escolar, com o objectivo de preparar os jovens para a vida real, profissional? Quais as medidas dos partidos políticos, das autarquias, da Igreja e de outras instituições com vocação para o aconselhamento e orientação das pessoas?

Há pouco tempo contaram-me que o gestor de um supermercado, da minha área de residência precisava de uma empregada, pediu ao Centro de Emprego e apareceu uma jovem casada que servia para as funções, mas quando lhe foi dito quanto ia ganhar, disse que estava a receber subsídio de desemprego pouco inferior aquela importância, e não tinha que trabalhar que cumprir horário, aturar patrão e clientes e podia passar o dia na cama. Parece que esta mentalidade está generalizada, como disse Luciano Baltar.

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