O primeiro-ministro afirmou que vai procurar envolver o PS no fim do programa de ajustamento, previsto para 17 de Maio e no cautelar, isto é, que vai pedir ao PS uma "pacificação em nome do interesse nacional" para que Portugal termine o programa de assistência económica e financeira e inicie um esforço profícuo de reconstrução e recuperação.
É frequente o PM apelar à convergência, ao consenso, ao entendimento, ao envolvimento, à pacificação. Mas não tem tido êxito. Porquê? Parece que faz uma má interpretação do significado das palavras. Ele parece querer subordinação, colaboração unilateral, , concordância e aplauso, o que são coisas diferentes do entendimento.
O primeiro passo para o entendimento tem que ser dado pelo Governo, aceitando propostas e sugestões dos partidos da oposição, de parceiros sociais e de cidadãos. Sem essa disposição para aceitar, não parece possível haver convergência, consenso, ou entendimento.
O PM tem mostrado estar disposto a seguir o lema «quero, posso e mando, custe o que custar, doa a quem doer». Mas isso é o oposto ao que agora, mais uma vez, diz querer.
Por outro lado, a oposição não pode contentar-se com a demolição do Governo e transformar tudo em terra queimada. A oposição tem que mostrar que se preocupa com o destino dos portugueses e apresentar-se como alternativa válida, com propostas e sugestões realistas e construtivas que mais tarde, ao pedir o voto nas urnas, possa usar como argumento do seu patriotismo e da sua capacidade para governar.
Seria construtivo e geraria confiança nos políticos se as tricas partidárias, em vez de demolidoras, fossem uma concorrência à apresentação das melhores soluções para um futuro melhor. E, sempre que a urgência se impõe devem aceitar-se entendimentos consensuais, fazer-se ajustamentos nas medidas a tomar a fim de se conseguir os melhores resultados para bem dos cidadãos. Dessa conversa cada um pode beneficiar das soluções que apresenta, dando-lhes a publicidade que achar mais conveniente.
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domingo, 12 de janeiro de 2014
CORRUPÇÃO SOFISTICADA FOGE À JUSTIÇA
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A. João Soares
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
ONU desrespeitada
Os atentados de Argel dirigidos a instalações da ONU, são mais um acto de hostilidade à ONU. Já são muitos. Mas também abundam os factos que evidenciam as incapacidades desta organização que, se assim continua, terá um fim semelhante ao da sua antecessora, a Sociedade das Nações.
Era esperado que, se a ONU funcionasse com eficiência teriam sido evitados muitos conflitos que destruíram património e vidas humanas em proporções exageradas. Por outro lado, a ONU também se tem mostrado incapaz de manter a paz, tendo prometido, há cerca de meio século solução para a Caxemira (desde as guerras entre a índia e o Paquistão em 1948 e 1965, a «linha de cessar-fogo» ainda não foi substituída por uma fronteira negociada) e para o Sara Ocidental (desde1975 existe uma situação de guerra latente). Os referendos ainda não se realizaram e o problema mantém-se com ocasionais perdas de vidas.
Os conflitos internacionais não têm parado, e a ONU não tem evidenciado autoridade efectiva. A própria estrutura do Conselho de Segurança e o imperialismo dos membros permanentes devidos a um momento histórico que já não tem significado real e aceite pelos países membros, serão um sinal da decadência da Organização.
A hostilidade da parte de grupos minoritários, pode resultar de não verem outra possibilidade de serem ouvidos, ponderadas as suas razões, as suas queixas, e procuradas soluções pacíficas para os seus problemas. Chamar rebeldes ou terroristas a grupos que não são ouvidos e não podem negociar soluções para as suas situações difíceis, não pode ser considerada uma medida pacificadora. Enviar tropas contra eles só serve para acirrar os ânimos. Isso não é democrático e as reacções também não serão enquadradas num conceito de obediência e subordinação respeitosa! O ditado diz que «quem semeia ventos colhe tempestades»
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A. João Soares
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domingo, 9 de dezembro de 2007
Problemas. Os sintomas e as causas
De médico e de louco todos temos um pouco. Atrevo-me, por isso, a utilizar uma analogia entre as relações internacionais e a medicina. Um médico não se limita a fazer desaparecer os sintomas, que são considerados como avisos, sinais de que algo está mal, mas analisa-os com a intenção de chegar às suas causas, que é a essência do problema ao qual é necessário aplicar a terapêutica mais adequada para ser eficaz. Mas esse é o método de trabalho de quem teve uma formação específica profunda e demorada e que nunca deixa de estudar a fim de se manter actualizado, a par das mais modernas inovações da ciência e da técnica.
Com os políticos não se passa o mesmo, dada a ausência de preparação para as funções e a sua conhecida aversão ao estudo sério e consequente, de onde resultam demasiadas hesitações e erros que provocam avanços e recuos, com variados e pesados custos para o erário, que podiam e deviam ser evitados.
Hoje os jornais trazem notícias do Darfur, do Iraque, do Afeganistão e do Kosovo. São pontos do globo com crises graves que estão a utilizar forças militares em grande quantidade e cuja pacificação fica para muito além do horizonte não se vislumbrando uma data final da normalização. A impreparação dos políticos e a sua miopia acentuada, tem resultado na aplicação da força armada para combater os sintomas, sem terem capacidade de análise serena das causas, isto é da essência do verdadeiro problema, daquilo que está em jogo. O efeito obtido traduz-se em indescritíveis destruições de património material, histórico, arqueológico que faz falta à cultura da humanidade e, o que é mais criminoso, a mortes de imensas pessoas inocentes e inutilização de muitas outras cuja vida passa a ser apenas sofrimento e revolta.
Em vez da confrontação armada, teria sido mais avisado sentar à mesma mesa representantes das partes em conflito e levá-las a analisarem calmamente os interesses em jogo com vista a chegarem a um acordo que fosse aceite por todos. Dessa forma, os representantes dos povos abrangidos pela crise, actuariam democraticamente, através dos seus delegados, para a construção do melhor futuro possível para todos. Mas, a «comunidade internacional» ignorando o espírito democrático, assalta o País e impõe, de cima para baixo, pela força das armas, a solução que nenhuma das partes quer. E passam-se anos de morte e sofrimento sem nada se obter de melhor para os povos.
Para ilustrar estas palavras basta observar o que se tem passado e continua a passar-se em cada uma das regiões atrás citadas, mas tem de ser uma observação o mais possível imparcial, sem preconceito, sem dar previamente razão aos «bons» ou aos «maus», sem chamar rebelde e terrorista a qualquer das partes. Quantos países se formaram à custa de muita luta em que foram apelidados de terroristas? E dos terroristas e rebeldes de hoje quantos virão a ver coroadas de êxito as suas lutas que só existiram por não ter havido uma negociação serena das suas pretensões? Quem melhor do que a população local pode gerir os interesses do Darfur, ou do Kosovo, ou do Afeganistão? Será mais democrático, e mais eficaz a imposição da «ordem» por militares estranhos à região?
Não me refiro a uma ajuda às forças locais para elas poderem manter a ordem pública, em benefício de toda a população e não de apenas uma das partes em conflito, mas tendo por base o resultado de negociações directas entre os interesses em luta. Essa ajuda, esse reforço das forças locais, numa acção humanitária conduzida localmente, sem impor os interesses estranhos, será conveniente.
Parece utopia? Parece irrealista? Mas as lições da vida mostram ser conveniente que os objectivos estejam um pouco acima daquilo que é vulgar e normal. Só assim se avança para a inovação e criatividade e se cria desenvolvimento.
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A. João Soares
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