Segundo notícia do DN, o porta-voz da Casa Branca, entre 2003 e 2006, Scott McClellan, defendeu a guerra no Iraque (assumiu o cargo apenas uns meses após a invasão) e garantiu que a Administração estava a fazer tudo para ajudar as vítimas do furacão Katrina.
Depois de ter acompanhado Bush desde quando este foi governador do Texas e de servir, talvez pressionando, o Presidente durante três anos, apareceu agora com umas memórias, de 341 páginas, que surpreenderam todos por nelas tecer duras críticas ao antigo mentor que acusa, por exemplo, de ter enviado os EUA para "uma guerra desnecessária no Iraque". Refere que "a resposta falhada ao Katrina foi agravada por decisões anteriores como a ida para uma guerra sem planeamento adequado, nem preparação do pós-guerra".
Porquê, então, tanto entusiasmo como porta-voz? Porque permaneceu três anos nessas funções, em apoio de tais erros do seu patrão? Porque não saiu dessas funções? Será que nessa altura não era inteligente e agora é?
O que agora diz é do conhecimento de quem acompanhou as notícias internacionais, mas o facto de ter colaborado na campanha de propaganda da Casa Branca, em realidades que achava erradas, demonstra, deslealdade, falta de franqueza, oportunismo, desonestidade, falta de carácter. Vir agora afirmar tais erros, mais do que inconstância, é uma confissão da sua instabilidade que é mais nefasta para a sua imagem do que para a de Bush que já é sobejamente conhecido.
Isto tem odor de ambição, primeiro para ser pago pela Casa Branca e depois por interesses opostos ao Presidente que lhe terão oferecido mais. Já não há sinceridade nem amor à camisola, mas apenas o interesse no dinheiro.
No campo oposto, recordo a atitude honesta de um Sr. major de Cavalaria, conhecido por «Sistema», que sendo chefe da segurança do PR Costa Gomes e começando a não gostar de atitudes deste, pediu para sair dessas funções e disse para os seus companheiros de trabalho: «tenho por dever colocar-me ente o PR e uma bala que lhe seja dirigida e não quero que, quando isso possa vir a ser necessário, não tenha a convicção, a abnegação e a força suficiente para cumprir esse dever». Isto é honradez de um português que venera os heróis da nossa história.
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Inconstância de catavento
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A. João Soares
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O absolutismo de Luís XIV e a actualidade portuguesa
Transfiro para aqui, pelo seu interesse para melhor compreensão da nossa realidade actual, o comentário muito elucidativo deixado por Manuela no post «Ex-combatentes desprezados».
Concordo consigo, João. Essa referência ao “rei-sol”, Luís XIV de França, que afirmou que “O estado sou eu”, fez-me recordar alguns conceitos desse poder absolutista da época e que a História parece estar a querer repetir. Chegam a ser irónicas as coincidências, salvaguardadas as devidas diferenças nos séculos que nos separam. Senão, repare:
1) A condição fundamental para o poder absoluto foram os conflitos entre classes que o próprio rei instigou, sobrepondo-se a eles e deles tirou proveito;
2) Protegeu a alta burguesia, garantindo-lhe ascensão social;
3) Calou a nobreza, atraindo-a com cargos;
4) O rei seria o representante de Deus na Terra, defensor da pátria e representante do Estado, cujos interesses estavam acima dos interesses particulares... ...mas,
5) Embora o Tesouro estivesse perto da falência quando Luís XIV assumiu o poder, muito dinheiro era gasto “alimentando” a Corte Real.
Sou só eu que vejo semelhanças com a actualidade?
Apenas numa área vejo distinção: Luís XIV, o rei absolutista, o REI-SOL, o rei que adorava ser adulado, reconheceu a lealdade dos militares que o serviram e que ficaram feridos ou já estavam em idade avançada, mandando construir o Hôtel des Invalides (Palácio dos Inválidos) para lhes servir de hospital/lar, caso contrário, ficariam na miséria!!!
Já agora, e para deixar esta comparação entre Portugal e a França do séc. XVII, prefiro nem pensar na sorte do Luís XVI que, 1 século depois, não conseguiu evitar a Revolução, pelo facto de não dar ouvidos a quem o aconselhava a “olhar” para o povo, nem se tornou “líder” popular por não “ouvir” o povo e...acabou como acabou: na guilhotina!
NOTA: Este texto, que surgiu como comentário, dá-me oportunidade de fazer algumas considerações sobre o que penso do papel dos blogues. Gosto de ter visitantes e bons comentários, embora não seja esse o meu objectivo, pois, se o fosse, colocaria posts mais espaçados no tempo, para não passarem despercebidos sob os mais recentes.
Gosto de escrever sobre as reflexões que as realidades me inspiram. Sei que não mudo o mundo, mas procuro contribuir para que seja mais justo e torne as pessoas mais felizes. Não dou lições mas procuro sugerir pistas que me pareçam positivas e incentivar as pessoas a pensar pela sua cabeça sobre problemas importantes para a sociedade.
Há quem me critique por ser superficial, mas penso que ninguém procura aqui, em poucas palavras, um tratado científico ou uma tese de doutoramento. Ficarei satisfeito se os visitantes ficarem a reflectir sobre os temas apresentados e com curiosidade de irem procurar maior aprofundamento em local mais adequado. Um blogue não é uma revista especializada, ou um manual académico.
E tenho a sensação de que os visitantes não vêm com disposição para estarem muito tempo a ler um post demasiado longo e com muitos pormenores técnicos e exaustivos.
Estas palavras surgem a propósito da crítica que ouvi a um amigo, que me parecem desproporcionadas e fora das características de um blogue ou de um jornal generalista.
O comentário de Manuela concretiza esta minha opinião, ao ir em busca de mais aspectos na intenção de testar, positiva ou negativamente, a referência à frase de Luís XIV. Um bom comentário é isto: contribui para aprofundar o conhecimento do tema do post. Trazê-lo para aqui é uma justa homenagem à sua autora.
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A. João Soares
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Videovigilância é segurança ou ameaça?
No post Futuro com graves ameaças à liberdade era referido o perigo do excesso de controlo das populações, por poder contrariar os direitos, liberdades e garantias constantes na Constituição da República, em concordância com a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Ao assunto é reconhecida tal relevância que foi realizado no Porto um seminário com o título "Videovigilância - Vantagens e limites da sua aplicação", que serviu de motivo para o artigo do DN que a seguir se transcreve.
Excessos põem em causa sistemas de videovigilância
Helder Robalo
Os excessos cometidos na instalação de sistemas de videovigilância têm posto em causa a credibilidade deste sistema de segurança. Afirmações do advogado António Raposo Subtil à margem de um seminário organizado por uma empresa de segurança privada, no Porto, e subordinado ao tema: "Videovigilância - Vantagens e limites da sua aplicação".
Para António Raposo Subtil, o que falta é a discussão pública do problema, um pouco à semelhança "do que aconteceu há uns anos com a licença de uso e porte de arma". "Há aqui um colocar da cabeça na areia, há a atribuição de responsabilidades à Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) e não tem havido formação", asseverou. O que, afiançou, "gera pouca identificação do problema e, naturalmente, manipulação dos dados que se podem recolher". O que, garante, "contraria o sentimento de segurança que o cidadão deveria ter".
Por isso, a instalação de sistemas de videovigilância em locais públicos não tem sido pacífica. De um lado estão os que apontam estes meios como forma de combater a insegurança que se sente no País e que levaram já diversas associações e autarquias a pedir a instalação de câmaras nos seus concelhos. Do outro lado estão aqueles que consideram estes sistemas uma violação dos direitos individuais definidos na Constituição da República.
Com o aumento do número de pedidos de instalação de sistemas de videovigilância por parte das autarquias e outros organismos, Isabel Ribeiro, representante da CNPD no seminário - que se escusou a prestar declarações aos jornalistas porque a comissão não a autorizou - defendeu que é preciso conciliar o objectivo de uma sociedade mais segura com a liberdade de cada cidadão. Pelo que "é preciso analisar caso a caso" antes de autorizar o pedido.
Em 2007, recorde-se, a CNPD recebeu 2.667 notificações para instalação de sistemas de videovigilância, mais 603 do que em 2006. Estes sistemas ganharam especial destaque com o projecto lançado na Ribeira pela Associação de Bares da Zona Histórica do Porto (ABZHP).
Aos presentes, Isabel Ribeiro explicou que "os municípios podem requerer a instalação de câmaras no município". Pedido que terá de ser endereçado ao Ministério da Administração Interna, padecendo de autorização da CNPD. Já nas empresas, referiu aquela responsável, "a lei exige que o pedido seja sempre acompanhado de um parecer da comissão de trabalhadores".
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A. João Soares
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quarta-feira, 28 de maio de 2008
Ex-combatentes desprezados
Todos nós temos na família, mais ou menos próxima, ex-combatentes que foram obrigados a tomar parte numa guerra e da qual vieram com sequelas várias, algumas impeditivas de uma vida autónoma.
Foram arrastados para «a defesa do território nacional», e mentalizados com o slogan «honrai a Pátria que a Pátria vos contempla». Mas a Pátria, pela mão dos seus maus representantes, não só não os contempla como os tem esquecido, desprezado. Esse desprezo para quem tudo arriscou, muitos lá perderam a vida, contrasta com a acumulação de subsídios de políticos parasitas e de muita gente que nada produziu nem para o País nem para a vida económica nacional.
O tema foi ontem focado pelo «Público» no artigo de Paula Torres de Carvalho e pelo jornal gratuito «Global-Notícias» no editorial de Silva Pires, em que se referia que «o provedor de Justiça, Nascimento Rodrigues, manifestou ao ministro da Defesa Nacional a sua preocupação quanto à existência de atrasos que considerou "excessivos" e "injustificados" na tramitação de processos de invalidez de ex-combatentes e de qualificação como deficientes das Forças Armadas».
Tasso de Figueiredo, presidente da Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) disse que a situação é "inqualificável", e saudou a iniciativa do provedor.
O gabinete de Nascimento Rodrigues explicou que, na sequência da apreciação das queixas de ex-combatentes, se apurou que "os atrasos ficam a dever-se à excessiva demora na marcação e realização de juntas hospitalares de inspecção e na elaboração de pareceres pela Comissão Permanente de Informações e Pareceres da Direcção dos Serviços de Saúde, que atinge um atraso médio de cerca de três anos".
Apesar de a guerra ter terminado já há 34 anos, esta questão tem vindo ser arrastada e já tinha sido colocada ao anterior ministro da Defesa que suscitou um parecer da Direcção-Geral de Pessoal e Recrutamento Militar, determinando a necessidade de realizar uma "revisão do percurso dos processos de reconhecimento de invalidez ou da qualificação como deficiente das Forças Armadas (DFA), ponderando a efectiva necessidade de intervenção de determinadas entidades do Exército".
Agora, na sua nota, o provedor salienta que ainda não são conhecidas as conclusões da criação de um grupo de trabalho pelo actual Governo, incumbido de estudar e reformar o sistema de saúde militar até ao fim de 2006. Continua assim sem se saber que medidas serão tomadas quanto aos atrasos relativos aos processos de invalidez ou qualificação como deficientes das Forças Armadas.
Esses atrasos "são fortemente penalizadores dos interesses legítimos dos cidadãos afectados, constituindo uma violação grave dos seus direitos", considera o provedor: "Num determinado contexto histórico e político, o Estado exigiu a estes cidadãos o exercício do serviço militar num teatro de guerra, física e psicologicamente, violento. Hoje, o Estado de Direito democrático deve-lhes o respeito pelos seus mais elementares direitos, ou seja, deve avaliar e decidir, com rigor e celeridade, a respectiva situação jurídica e, nos casos que se mostrem devidos, a recompensa de uma adequada protecção social."
Os atrasos são "fortemente penalizadores dos interesses legítimos" dos ex-combatentes, diz Nascimento Rodrigues. E pode suspeitar-se que os adiamentos são intencionais, esperando, o Poder, que eles vão morrendo e aliviando o Estado de tal encargo! Imoralidade, falta de honradez e de sentido de Estado.
Agora, que terminaram com o serviço militar obrigatório (SMO), e que os militares, em contrato voluntário, estão ser enviados para missões de perigo, no estrangeiro, irá levantar-se o problema de os jovens de hoje se consciencializarem do desprezo que a Pátria votou aos seus pais e avós, projectem em si as mesmas «recompensas» e comecem a deixar de ser voluntários para tais missões que poderão lançá-los na miséria para o resto da vida. O que farão então os nossos iluminados políticos?
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A. João Soares
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terça-feira, 27 de maio de 2008
Jovens excepcionais
Segundo o jornal gratuito «Global Notícias» de hoje, um grupo de quatro alunos da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), obteve o primeiro lugar, por unanimidade, no concurso Nacional de Software «Imagine Cup», patrocinado pela Microsoft.
O concurso subordinava-se ao tema o Ambiente e incitava os alunos a «imaginar um mundo onde a tecnologia possibilite o desenvolvimento de um ambiente sustentável».
Os quatro alunos, André Souza, José Faria e Marco Barbosa da licenciatura de informática, e Martinha Rocha de Engenharia Ambiental e de Recursos Naturais apresentaram um trabalho inovador para a recolha de óleos alimentares, um projecto intitulado «Smart Containers» que consiste em sensibilizar para o problema da recolha de óleos domésticos usados e a ajudar a resolvê-lo.
Para isso, os quatro universitários criaram um recipiente inteligente de baixo custo que permite á empresa de recolha saber quando o recipiente está pronto a ser recolhido. Esse desiderato é conseguido pela possibilidade de o software de gestão central fazer automaticamente a monitorização dos recipientes e elaborar as rotas de recolha, com a representação automática dos recipientes no mapa, devido a sensores, à ligação em rede online ao processamento dos dados e à representação num mapa da área de responsabilidade.
Tal como, outros casos já aqui referidos noutros artigos, este evidencia que nas gerações mais jovens existem pessoas altamente capacitadas para inovar e tratar de problemas complexos. O futuro de Portugal depende de serem dadas aos jovens mais capazes condições de estudo e trabalho adequadas aos seus projectos e serem aproveitados na economia do País em funções que contribuam para resolver os temas essências da vida das populações. Isto exige dos detentores do Poder a selecção do que é substancial para o País a definição de prioridades por forma a não perder tempo com coisas de menos significado para o desenvolvimento das condições de vida da população.
Há razões para ter esperança no futuro, assim tenhamos governantes à altura das competências que estão surgindo.
Ver o post Jovens válidos são esperança para o País e a lista de links que contém.
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A. João Soares
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segunda-feira, 26 de maio de 2008
RTP. Péssima programação
Transcrevo este texto de autor desconhecido recebido por e-mail de remetente identificado.
O drama de Pacheco Pereira, Nuno Brederode … e dos telespectadores da RTP
Chegou à praça pública um tremendo rugido de protesto, implacável e ao mesmo tempo desesperado, contra o estado a que chegou a informação nos telejornais portugueses: Pacheco Pereira perdeu a cabeça (ou usou-a como nunca) clamando contra “A cultura da irrelevância (que) está a crescer exponencialmente” (“Público” de 17 de Maio). E escreve, mortificado: “Futebol, futebol, futebol, fumei, pequei, vou deixar de fumar, a Esmeralda entre o pai afectivo e o pai biológico, futebol, directo do acidente na A1 que provocou três feridos, os pais da pequena Maddie, futebol, tenho um cancro-tive um cancro-vou ter um cancro, futebol, futebol, futebol.”
Dias depois, adesão insuspeita: Nuno Brederode Santos junta a sua pena demolidora às diatribes de Pacheco Pereira para lamentar “… ter de saber que, no hotel do estágio, a ementa de hoje foi canja de galinha e carne à jardineira (e o cozinheiro já vai explicar porquê), mas também que o craque A, afectado por uma ligeira indisposição, comeu pescada.” (“Diário de Notícias” e blogue “Sorumbático” de 25 de Maio).
O ridículo elevado ao delírio? A imbecilidade transformada em cartilha editorial dos telejornais? Pode ser, mas resulta muito pior quando praticados na antena do serviço público – vulgo RTP.
Ora eu, que não ostento de Pacheco e Brederode a fama e glória, também tenho a minha história de rebelião contra este filme de massacre futebolisivo.
Enviei a seguinte carta ao Provedor do Espectador da RTP:
“Senhor Provedor, Às 20 horas de ontem, dia 12 de Maio, os editores do Telejornal já possuíam a notícia e as imagens: oito mil e quinhentos seres humanos tinham morrido, poucas horas antes, num terramoto na China. Sabiam também que novecentas crianças estavam debaixo dos escombros da sua escola. Mais de oitenta por cento das casas de uma grande cidade estavam derrubadas, com gente lá dentro. Os senhores editores do Telejornal sabiam isto tudo às 20 horas. Até porque as grandes cadeias de televisão mundiais ( BBC, Sky e CNN) já tinham transmitido reportagens sucessivas sobre todo esse horror. Parece que uma notícia desta magnitude iria abrir o jornal do serviço público lusitano, com devido trabalho jornalístico. Mas não, senhor Provedor: Os primeiros DEZASSETE MINUTOS do Telejornal foram integralmente dedicados ao anúncio dos jogadores escolhidos para chutar a bola na selecção nacional! Que valem milhares de mortos ao lado da conferência de imprensa do treinador Scolari? Senhor Provedor: Temos o direito, todos os que ainda nos reclamamos da cultura e da inteligência, de ouvir da boca dos editores do Telejornal de ontem as inqualificáveis razões editoriais para tamanho insulto aos espectadores. Por isso me dirijo a V. Exa, que tantas provas de verticalidade nos tem trazido em cada um dos seus excelentes programas. Com a maior consideração, N.”
Chegou resposta, assinada pela chefe de gabinete, D. Fernanda Mestrinho. Em dois secos parágrafos estilo Formulário-Norma-4 agradecia a mensagem e mandava à m…era procura de um programa do Provedor que fora emitido meses antes.
Tenho a certeza cega de que o ponderado Prof. Paquete de Oliveira desconhece esta troca de correspondência, nem que mais não seja pela boçalidade que enforma e ele é, além de inteligente, um homem de finesse.
Que isto se tenha passado assim com um ignoto espectador, diz apenas de quem assessora o Provedor. Mas a coisa fia mais fino quando dois comentadores de nomeada exibem, em dois dos maiores jornais do país, o mesmíssimo cartão vermelho à RTP e… tudo fica na mesma. Aí o povo contorce as mãos, desesperado, e percebe quão majestático é o poder da tv estatal, sem se dignar explicações, mantendo inalterável o rumo soturno do seu navio fantasma. E os telejornais continuam a dedicar os seus primeiros quinze a vinte minutos a banalidades insípidas que rodeiam os treinos da Selecção de futebol em Viseu. Noite após noite, os directos espremem não-notícias, vulgaridades sonolentas, opiniões vazias de passantes sem o menor interesse. E a tal pescada que o jogador comeu, em vez de bife. Puro lixo televisivo. Vejo os telejornais estatais de Espanha, França, Inglaterra e Itália e nenhum se atreve a tamanho desperdício de tempo com tamanhas ninharias das suas selecções de jogadores. Só mesmo a RTP, até à náusea.
E porquê? Acho que sei, e até peço perdão se estou errado.
Sem ofensa pessoal para ninguém envolvido, eu acho que Pacheco e Brederode tiveram apenas um azar de circunstância, que passo a explicar.
A RTP é como o Estado: são todos e ninguém. Preciso é distinguir quem vale e quem não vale. O segurança da RTP não vale para definir telejornais, mas há três pessoas que valem tudo para definir os conteúdos dos telejornais: o Zé, o Luís e a Cristina. Se eles lerem os dois cronistas e se a sua roda de amigos concordar com os cronistas e comigo, tudo vai mudar no telejornal desta noite. O país, em vez de vinte minutos de nha-nha de Viseu, só grama dois ou três minutos de nha-nha de Viseu, se gramar!
Basta que o Zé tome café com o Luís e a Cristina e se ponham de acordo. Podia ser: o Zé Alberto é director de Informação e até pode decidir sozinho. Mas como a matéria é gravíssima para os interesses estratégicos de Portugal, admito que não queira utilizar o seu formidável poder sem ouvir o Luís Marinho que era seu chefe até ontem mas hoje é administrador da empresa. Os dois teriam quórum mais que bastante para colocar o terramoto da China antes das canelas do Petit a abrir o telejornal, mas vamos supor que isso teria implicações formidáveis no orçamento da TV pública e portanto conviria ouvir a Cristina Viegas, a sempre presente directora do subdepartamento comercial da empresa. Que diabo, a campanha publicitária que tem Nuno Gomes aos saltinhos e gritinhos poderia estar-se nas tintas para os mortos na China e exigir prioridade a Viseu Petit.
Portanto, seria superiormente recomendável um cafezinho a três – o Zé, o Luís e a Cristina. Belém reúne o seu Conselho de Estado por bagatelas bem menores do que o primeiro quarto de hora do Telejornal.
Simples, não é? Tudo arrumado em dez minutos de um café de bom senso. Pois não senhor: isso jamais acontecerá. O drama de Pacheco, Brederode e de todos os espectadores da RTP é que um dos três – acho eu – não gosta de café.
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A. João Soares
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domingo, 25 de maio de 2008
Jovens válidos são esperança para o País
Segundo o PR afirmou no discurso de 25 de Abril, os jovens não evidenciam apetência pela política, o que, como diz Marta Vieira no Diário de Notícias de hoje isso é compreensível porque «para a maior parte dos potenciais eleitores, entre os 18 e os 30 anos (com excepção de um ou outro carreirista), os políticos já deram todas as provas de incompetência e de falta de seriedade, provas essas que se acumulam de cada vez que vêem um primeiro-ministro, com um ar festivo e vaidoso, a desrespeitar promessas sobre o emprego, a consolidação orçamental, a retoma do investimento, a segurança dos cidadãos, a inflação, a estabilidade laboral, a educação, as novas oportunidades, etc., etc., etc., tudo aquilo, enfim, que serviu para enganar, mais uma vez, os portugueses».
Torna-se necessário, segundo a autora, valorizar «o que ainda resta dos tradicionais valores nacionais: o trabalho, a honra, a solidariedade». Porém como neste blog tem sido várias vezes escrito, existem jovens válidos que merecem ser apoiados porque constituem uma esperança para o País poder ressurgir do atraso e da letargia em que se tem afundado.
Passo a citar casos positivos em abono dos jovens. Pelo Jornal de Notícias de hoje ficámos a saber que «o eco-veículo da Universidade de Coimbra (UC) manteve ontem o título ibérico no European Shell Eco-marathon, realizado em Nogaro, França, ao conquistar o 11.º lugar, conseguindo percorrer 1445 quilómetros com um litro de gasolina». Trata-se de um veículo desenvolvido pelo Departamento de Engenharia Mecânica da UC que já em 2007 conseguiu uma melhor prestação tendo alcançado o 7.º posto na geral dos protótipos a gasolina, ao percorrer 1902 quilómetros com um litro de gasolina.
Na mesma competição, uma equipa da Universidade do Minho ficou no 16.º posto da classificação geral, com um veículo que percorreu 1192 quilómetros com um litro de gasolina. E esteve presente uma terceira equipa portuguesa, da Escola Secundária Alcaides de Faria, de Barcelos, que se classificou no 30.º posto, com 789 quilómetros com um litro de gasolina.
Na variante Urban Concept, da mesma competição, a equipa da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto classificou-se em segundo lugar, ao percorrer 291 quilómetros com um litro de gasolina, uma prova que teve cerca de metade dos inscritos da variante de protótipos.
Isto evidencia capacidade científica e de aplicação da teoria à prática, desenvolvendo tecnologias extraordinariamente evoluídas e inovadoras.
Também, o DN refere a actividade efectuada no edifício do auditório do Taguspark, em Oeiras, em que 90 jovens vindos de várias escolas do concelho de Oeiras, com idades entre os 15 e 16 anos, discutiam os últimos pormenores das estratégias empresariais que desenharam em apenas 24 horas, para serem avaliados por um júri de cinco elementos. Embora jovens adolescentes, mostraram-se empreendedores, inventaram ideias para fazer negócios, delinearam planos de investimento, de marketing, de publicidade e de financiamento dos seus projectos. Cada equipa tinha entre quatro e cinco elementos e era coordenado por um monitor, ele aluno do Instituto Superior Técnico. Os prémios são bilhetes para o Rock in Rio
A iniciativa "Taguspark Empreendedor Júnior" foi organizada pelo Taguspark em parceria com a associação Aprender a Empreender, uma organização internacional sem fins lucrativos que está presente em Portugal desde 2005 e que tem como objectivo incentivar os jovens desde o ensino básico até à universidade a tornarem-se empreendedores.
Os jovens estão a aderir com entusiasmo às iniciativas desta associação. A equipa que ganhou os três dias de Rock In Rio foi a que apresentou um projecto para a criação de um chip de reconhecimento de imagem para telefone. Os sectores preferidos pelos jovens empreendedores foram o ambiente, as energias renováveis, o apoio aos donos de animais, a genética e até as tecnologias que permitem poupar tempo e divertir-se mesmo em trabalho. Em apenas 24 horas, saíram da cabeça dos jovens boas ideias de negócio, desde o aproveitamento de óleos alimentares para a produção de biodiesel, até relógios com GPS e roteiros turísticos.
É com agrado que se verifica haver no País matéria cinzenta de muita qualidade que merece ser apoiada com condições de investigação e trabalho para produzir as «ferramentas» úteis ao desenvolvimento da nossa economia e incrementar as exportações de equipamentos com inovações, de tecnologia avançada, e boas perspectivas de venda.
Indicam-se em a seguir links de posts que abordam aspectos animadores das capacidades de jovens:
- A política como trampolim
- A política não é atractiva
- Cavaco, Jovens e a democracia
- Duas etapas sensíveis na vida
- Investigador português recebe prémio no Canadá
- Francisco Veloso recebe prémio internacional
- Filipe Valeriano, Português que sobressai
- Cientistas portugueses em destaque internacional
- Jovens cientistas portugueses
- Jovens com prémios científicos internacionais
- Portugal vai ressurgir!!!
- Mensagem de Ano Novo do PR
- Excesso de assessores e má gestão não resultam bem
- Políticos não dão lições de liberdade
- Três estudantes portugueses premiados nos USA
- Tenhamos esperança nas novas gerações
- Jovens hoje, Líderes amanhã
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sábado, 24 de maio de 2008
Portugal e os parceiros europeus
Transcrição de post do blog Ecos e comentários
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Um texto enviado por mail pelo meu querido amigo D.M.C. e que tenho o prazer de publicar.
A grande cabeça pensante deste Governo, o ministro das Finanças Teixeira dos Santos, desde Agosto de 2007 que nos andou a impingir a ideia de que os efeitos do “subprime” dos EUA não chegariam a Portugal devido às sábias políticas por ele adoptadas e pelo Governo democrático e maioritário do PS, no que foi acompanhado pelo inefável e infalível Constâncio, que aguarda paciente, patriótica e sacrificadamente pela reforma de cerca de 25.000€ do Banco de Portugal para finalmente “basar”.
Recentemente, com lata e desfaçatez, disse que quer a UE quer o FMI estavam enganados em prever para Portugal reduções do crescimento do PIB para 2008, porque não sabiam do que falavam. Ele um “expert” do assunto é que tudo sabia e nunca falhara. Passados poucos dias, com um ar sério, anunciou ao País, que a previsão do crescimento do PIB para 2008 passava de 2,2 para 1,5%, o que significa para já mais um substancial rombo nas reformas e nos aumentos dos funcionários públicos em 2009...
A “holding” «Movimento O Que Tu Pias» cujo único sócio é um economista de “meia-tijela” e não-praticante esclarece o ainda Ministro das Finanças que a crise do “subprime” prevê-se venha a ter quatro fases até 2010, a primeira das quais vivemos e será a de menores consequências nas economias de mercado. O pior está para vir. A crise do “subprime” tem como origem a actividade da “banca de casino” que explorou os americanos pobres com taxas de juro especulativas.
Portugal, seguindo as boas práticas ultraliberais, com a atenta supervisão do Banco de Portugal, também cá já tem esses tipos de bancos a actuar livremente, cedendo créditos ao consumo aos aflitos dos portugueses a Taxas de Juro Anuais de mais de 30% (GE Money, BBVA, Cetelem, Santander, Cofidis, é uma carrada delas). Um escândalo financeiro brutal autorizado pelo poder político e obviamente pelo Banco de Portugal.
Estas crises do “subprime” são a consequência natural da actuação ultraliberal da “banca de casino”, cujos efeitos nefastos na vida das famílias até os dois últimos Papas denunciaram, num mundo em “globalização”, em que o poder político é uma marionete da alta finança e dos especuladores bolsistas, promove agora a especulação energética e dos produtos alimentares, consequência do desenvolvimento acelerado de economias orientais que conceberam, desviando para esses países a produção e a exploração dos povos e das condições ambientais. Tal política origina nesses países o aumento brutal do consumo de bens energéticos e alimentares. É a chamada “pescadinha de rabo na boca” que visa a destruição da classe média dos países ocidentais e o fim do Estado Social…
Devido à reconhecida competência do «Bloco Central de Interesses» a Comissão Europeia divulgou no relatório de 2007 (mas com dados de 2005) que Portugal foi o pior país da EU na distribuição da riqueza, mesmo piores que os EUA, os campeões da batota e da “banca de casino”….
Agora parece que devido à sábia actuação deste Ministro das Finanças e deste Governo do PS já somos penúltimos, uma autêntica glória, dizem como sempre que melhorámos a enormidade de 0,1%, e já estamos à frente da Letónia, corrigiu o Sapientíssimo Ministro de Estado o Mestre Pedro da Silva Pereira, um crente em tudo, mesmo nele.
A safa dos pobres é que a fome não tem aumento de preço, daí que, quantos mais portugueses tiverem fome mais imunes estarão à inflação e às políticas ultraliberais do «Bloco Central de Interesses».
Assim temos: os ricos são cada vez menos mas cada vez mais ricos; os pobres são sempre mais e mais pobres; a classe média é coisa para desaparecer.
Este é o objectivo final e o resultado da prossecução das políticas ultraliberais do «Bloco Central de Interesses» e da ideologia subjacente lançada pelo “Compromisso Portugal” com o grande patriota de “sacola laranja” Diogo Vaz Guedes à cabeça.
É por isso que em Portugal e em toda a Europa, é que eles, os políticos profissionais, quando “basam” da política vão servir quem já serviram...
Há quem preveja que não demorará muito, um protesto de rua espontâneo e generalizado aos subúrbios das grandes cidades, por essa Europa fora, que fará com que os profissionais da política arrepiem caminho, mudem de vida e de carris, porque a política está completamente subjugada ao poder económico a da alta finança e os políticos profissionais obviamente também.
Dizem que o povo deixou de poder contar com os Partidos (alternantes) do Poder, que também estão manietados pelo poder económico e da alta finança, aqui e por toda a Europa. A democracia política tem que se reinstalar e reassumir o poder económico e financeiro, e a soberania terá que voltar a residir no povo.
O inevitável protesto popular, fruto da escandalosa precaridade do trabalho, do desemprego e da desmantelação em curso do Estado Social, será espontâneo e muito provavelmente incontrolável e violento, com possível envolvimento das próprias forças da ordem. Quando começar alastrará como fogo posto em floresta virgem.´´
DMC
M3C’s – Movimento Cuidado Cas Carteiras
MESGA - Movimento Estamos a Ser Gamados
Publicada por ANTONIO DELGADO em Ecos e comentários
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A. João Soares
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Labels: economia nacional e a europeia, estagnação
Teatro de comédia ou de tragédia?
De autor desconhecido, recebido por e-mail. Dá para meditar devagarinho.
O Portugal em que vivemos hoje
Uma adolescente de 16 anos pode fazer livremente um aborto mas não pode por um piercing.
Um cônjuge para se divorciar, basta pedir;
Um empregador para despedir um trabalhador que o agrediu precisa de uma sentença judicial que demora 5 anos a sair.
Na escola um professor é agredido por um aluno.
O professor nada pode fazer, porque a sua progressão na carreira está dependente da nota que dá ao seu aluno.
Um jovem de 18 anos recebe €200 do Estado para não trabalhar; um idoso recebe de reforma €236 depois de toda uma vida do trabalho.
Um marido oferece um anel à mulher e tem de declarar a doação ao fisco.
O mesmo fisco penhora indevidamente o salário de um trabalhador e demora 3 anos a corrigir o erro.
O Estado que gasta 6 mil milhões de euros no novo Aeroporto recusa-se a baixar impostos porque não tem dinheiro.
Nas zonas mais problemáticas das áreas urbanas existe 1 polícia para cada 2.000 habitantes; cada Ministro tem 4 polícias guarda-costas; o Governo diz que não precisa de mais polícias.
Numa empreitada pública, os trabalhadores são todos imigrantes ilegais que recebem abaixo do salário mínimo e o Estado não fiscaliza.
Num café, o proprietário vê o seu estabelecimento ser encerrado só porque não tinha uma placa a dizer que é proibido fumar.
Um cão ataca uma criança e o Governo faz uma lei.
Um professor é sovado por um aluno e o Governo diz que a culpa é de causas sociais.
O IVA de um preservativo é 5%. O IVA de uma cadeirinha de automóvel, obrigatória para quem tem filhos até aos 12 anos, é 21%.
Numa entrevista à televisão, o Primeiro-Ministro define a Política como 'A Arte de aprender a viver com a decepção'.
Estaremos, como Portugueses, condenados a aprender a viver com este Primeiro-Ministro?
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A. João Soares
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Labels: estagnação, Portugal actual, retrocesso
Podemos acreditar na palavra dos políticos?
Já vários ministros quer do MNE quer do MDN afirmaram, com voa teatral, boa dicção e tom que queria ser convincente, no som e no gesto, que o território nacional não foi sobrevoado por aviões ao serviço da CIA em viagem para a prisão de Guantânamo.
Afinal, depois de tantas negativas, surgiu agora a notícia aqui, aqui e aqui de, durante o período de um ano e meio entre Julho de 2005 e Dezembro de 2007, ter havido 56 voos, embora continue o encobrimento ao dizerem que não souberam quem era transportado.
Não podemos esquecer que os governantes ao tomarem pose juram cumprir com lealdade as funções que lhes são confiadas. Como estamos em democracia e eles são representantes do povo soberano, admite-se que essa lealdade é para com a população, a Nação, os eleitores. Por isso, terrivelmente dolorosa é a nossa dúvida quanto a saber se, apesar desse juramento, alguma vez um político fala verdade, e no caso de isso alguma vez, eventualmente, acontecer, como sabemos qual é o momento e a afirmação em que podemos fiar-nos..
A esta dúvida, há quem diga que nunca merecem confiança e que não são pessoas a quem se possa comprar um carro em segunda mão. Mas acho essa «insinuações» demasiado fundamentalistas e maldosas! Quero convencer-me de que deve haver excepções!
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A. João Soares
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