Em democracia, há separação de poderes e o órgão Máximo de cada poder tem atribuições constitucionalmente bem definidas e deve cumpri-las para que a palavra «democracia» tenha autenticidade. Um parlamento, sede do poder legislativo, não deve prender-se com discussões apalhaçadas, nem com guerrinhas do alecrim e da manjerona, mas deve assumir as suas atribuições com sentido de Estado e ter sempre presente os interesses nacionais e a melhoria das condições de vida dos cidadãos, sem nunca perder de vista os superiores objectivos nacionais.
Nestas condições e independentemente de poder ter havido eventuais pressões não confessadas, o «Parlamento afegão chumba dois terços dos nomes escolhidos para ministros», evidenciando o seu poder e a concretização de uma estrutura do Poder inteiramente assumida. Dezassete dos 24 nomes foram rejeitados, entre os quais alguns dos mais próximos aliados do chefe de Estado, Presidente Hamid Karzai.
A aprovação da equipa governamental é uma das raras áreas em que o Parlamento tem poder efectivo. O sistema de voto secreto encoraja os deputados a votarem contra figuras poderosas, como aconteceu com Ismail Khan, afamado líder da guerrilha contra a ocupação soviética e os taliban, observou a Reuters.
Se o Parlamento tem tais poderes, se os deputados foram eleitos e, como tal, assume-se que são dedicados ao seu Pais, este resultado será positivo. Porém, como em política raramente as decisões são as mais adequadas aos interesses do País e como os políticos se podem subordinar a interesses não declarados, então o Afeganistão poderá continuar num impasse, por o Presidente vir a resignar. E demorará a eleição do substituto.
E nós por cá o que vamos aprender com isto?
domingo, 3 de janeiro de 2010
Democracia é isto ?!!!
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A. João Soares
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Labels: Afeganistão
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
Os imponderáveis da Paz e a guerra
A paz é uma situação muito instável, porque os poderosos podem «brincar» com os seus armamentos e exércitos e colocar um país ou uma região ou mesmo o mundo em polvorosa sem se saber bem porquê. Grande número de pessoas perde a vida ou fica estropiada sem ter qualquer culpa do estado de loucura que afectou cérebros movidos por interesses não confessados. Haveres destruídos, obras de arte, com valor histórico e arqueológico desaparecidas apenas porque um indivíduo irado e precipitado não merecia ter à sua disposição tanto poder demolidor.
Há dias vi a notícia de que «Ben Laden exige a europeus que deixem o Afeganistão». A televisão Al-Jazeera transmitiu uma cassete áudio do chefe da Al-Qaeda dirigida aos europeus em que este exige o fim das operações militares no Afeganistão, e iliba o povo afegão de qualquer responsabilidade nos atentados nos Estados Unidos em 11 de Setembro de 2001.
Segundo ele, "a América obstinou-se em invadir o Afeganistão; a Europa seguiu-lhe os passos". E apela "Convém que peçam aos vossos dirigentes, que se acotovelam diante da Casa Branca, que actuem de forma consequente para acabar com a injustiça imposta aos oprimidos."
Confessa: "a verdade é que os acontecimentos de Manhattan (Nova Iorque) foram a resposta aos massacres pela aliança americano-israelita do nosso povo na Palestina e no Líbano. Sou o responsável. Todos os afegãos, governo e povo, não tiveram qualquer conhecimento [disso]."
E acusou também os países que participam na guerra no Afeganistão de visarem "as mulheres, as crianças e os civis", não respeitando a "ética da guerra". E acrescentou "o avançado americano está prestes a perder terreno. Vão partir."
Isto faz-nos pensar nos objectivos e nos resultados das operações militares no estrangeiro. O que melhorou na vida do povo afegão? Quais os verdadeiros resultados para a felicidade das populações obtidos com a presença dos militares? E no Iraque? Que respostas lógicas e verdadeiras serão dadas a estas perguntas? O mesmo para o Kosovo e a Sérvia? Depois de tantas destruições de vidas e haveres, resultou algum benefício para alguém, além dos fabricantes de armamento? E queriam agora iniciar outro crime semelhante no Irão com base em mentiras pois hoje sabe-se que já desistiram há quatro anos de construir armas nucleares.
Seria mais interessante, humano e moral desenvolver o diálogo a fim de se implementar um bom entendimento, abolir a desconfiança e criar um ambiente de harmonia e colaboração para benefício de todos, principalmente dos mais carecidos. A verdade é que, em caso de conflito, são sempre os mais desprotegidos que acabam por sofrer mais e verem a sua miséria acrescida.
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A. João Soares
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Labels: Afeganistão, guerra, loucura, obstinação, paz
