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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Equipa é espelho do valor do treinador

No dia 23, ao cair da tarde, a TV, ao iniciar as apreciações sobre o acto eleitoral, referiu múltiplos incidentes com o cartão de cidadão em relação ao número de eleitor. Pessoas queixavam-se de ter esperado três a quatro horas para lhes darem o número de eleitor actual e poderem votar. Outras não estiveram para esperar o esvaziamento da fila que estava à sua frente e foram para casa aumentar o número das abstenções.

Parecia evidente que a criação do cartão foi mais uma das muitas decisões governamentais tomadas sem uma cautelosa análise prévia de todos os aspectos em que o documento identificativo iria incidir. Apesar dos inúmeros assessores, escolhidos a dedo por critérios de «amiguismo», apesar dos custosos contratos de consultoria com gabinetes seleccionados por critério semelhante, as soluções continuam deploráveis, aumentando sem resultados positivos os custos que todo o sistema dos serviços de Estado acarreta.

Curiosa porém a notícia Conselho de Ministros rejeita responsabilidades nas dificuldades em votar, embora a Agência para a Modernização Administrativa que pertence à Presidência do Conselho de Ministros – explica que o cartão de cidadão “agrega e substitui os actuais cartões de contribuinte, de utente do serviço nacional de saúde, de beneficiário da segurança social e de eleitor”. O título da notícia é impensável por atribuir ao Governo o ferrete de irresponsabilidade. Isto faz lembrar que, há mais de meio século, ouço que na organização militar, onde predomina o rigor, a dedicação, a honra e a hierarquia disciplinada, «o comandante da unidade é o responsável por tudo o que esta faz ou deixa de fazer». Ora o Governo, apesar de eventualmente poder conter irresponsáveis, deve ser considerado responsável pelo que se passa na máquina estatal. Não fica bem que dê a imagem de uma equipa sem líder responsável.

Mas curiosamente, depois desta informação sobre a globalidade da equipa, aparece a notícia de que o Ministro pede desculpa por incidentes nas votações das presidenciais, o que pode levar a crer que a notícia anterior não era verdadeira, ou o MAI não se sente bem integrado na equipa e é o único a ter consciência do seu dever de governante. Num caso ou no outro, a equipa está mal treinada, nem todos jogam pelo mesmo diapasão, pelo mesmo objectivo, em sincronismo. Fazem falta em muitos sectores do Estado líderes como o Scolari que, além de bem dirigir a equipa, colocou todo o País a usar a bandeira nacional como símbolo de união e convergência para um objectivo de exaltação do orgulho pátrio. Como pode haver confiança em tal equipa governativa? Como pode haver esperança num futuro melhor do que a actual baralhada?

A angústia que foi gerada há alguns anos e tem sido persistentemente alimentada está a tornar-se patológica e dificilmente suportável. É altura de Cavaco Silva ganhar coragem e ultrapassar a sua tímida hesitação e a tendência para tabus. Portugal precisa que tome atitudes patrióticas. Se o PR não conseguir este efeito, resta o incómodo de soluções populares, a explosão social espontânea, como o que tem acontecido pela Tunísia, a Albânia, a Bélgica, o Egipto. Oxalá se consiga uma evolução pacífica, mas eficaz, sem os danos de tais manifestações descoordenadas.

Imagem da Net

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domingo, 6 de setembro de 2009

Percalços da «arte» de governar

Os donos do quintal não pensaram nas dificuldades que os herdeiros irão ter na manutenção da herança que lhes é deixada. A notícia Novos Magalhães dependentes de quem ganhar as eleições não surpreende que se corra o risco de abortar uma decisão que custou muito aos portugueses e que, se tivesse sido adequada às circunstâncias, bem fundamentada e bem conduzida, representaria enorme progresso na preparação das crianças.

A dúvida e o receio de um retrocesso é uma «normal» consequência de não ter havido sentido de Estado suficiente para discutir previamente com a oposição as decisões com repercussões futuras que não convém ser anuladas pelo governo seguinte. É a isto que se referem os posts Pensar antes de decidir e Código de bem governar

Cada Governo, deve colocar o interesse de Portugal acima de tudo e, para evitar desperdícios de avanços e recuos, deve preparar as grande decisões com a colaboração e assentimento da oposição. Assim se teria evitado os custos da barragem de Foz Côa, os da pré-inauguração por Jorge Coelho da ponte Chelas-Barreiro, do Aeroporto na Ota e da TLEBS na Educação.

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segunda-feira, 8 de junho de 2009

política e futebol

Durante as duas últimas semanas de campanha eleitoral e na noite das eleições, veio confirmar-se a semelhança entre a política (com minúsculas) e o futebol, apenas com uma diferença de peso: no futebol a vítima é a relva do estádio, enquanto na política a vítima é a população não pertencente à corte do partido governante ou dos que esperam sê-lo.

No futebol, os clubes contam os contos das competições enquanto os partidos contam os votos. Há aqui uma diferença, os pontos são adquiridos com o esforço, a competência e a habilidade dos jogadores e um pouco de sorte, enquanto na política os votos dependem da imagem que cada eleitor faz dos candidatos o que leva os partidos a denegrirem ao máximo os concorrentes e a fazerem as mais descabeladas promessas em que muitos eleitores, demasiado inocentes e crédulos se deixam embarcar.

E, se no futebol pouco se fala da relva ou dos estádios, também na política, como acabámos de ver nestas eleições, pouco se fala da Europa, de Portugal ou das pessoas e do que estas poderão beneficiar com esta ou aquela medida.

Porém, talvez por distracção, um dos concorrentes disse que o Governo não deve fazer investimentos ou tomar outras decisões que possam vir a dificultar a actividade do Governo seguinte. Esta deveria ser uma preocupação permanente e que devia constar no já aqui sugerido «código para bem governar» que devia ser uma lista de preceitos gerais assentes em valores e princípios éticos que conduzissem à convergência prévia de vontades partidárias para as grandes decisões estratégicas, com repercussões duradouras.

Dessa forma se evitariam esbanjamentos de recursos de paragens de obras ou reformas iniciadas pelo Governo anterior (Barragem de Foz Côa, túnel da CREL em Belas, aeroporto na Ota, etc.)

O Código para bem governar foi referido nos seguintes posts:

- Alguns não gostam da verdade
- Ética na Política
- Políticos mais competentes e com personalidade
- Código de bem governar
- Políticos, pensem no País
- Remunerações de gestores
- Enriquecimento «ilegítimo»?
- Ganhar eleições ou ganhar os portugueses?

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quarta-feira, 11 de março de 2009

Ganhar eleições ou ganhar os portugueses?

Transcrevo o texto recebido de zpp, por e-mail, e ulteriores comentários de diversas origens:

Vi esta notícia no D. Económico:
"políticos e jornalistas debatem no Porto a 18 de Março as melhores formas de saber «como ganhar uma eleição».

Terá lugar no Hotel Palácio e inclui quatro módulos, cada um com 2 oradores distintos, e destina-se aos partidos políticos e aos seus candidatos, mas também aos cidadãos".
Julgo ter interesse para um de nós para nas perguntas e respostas podermos dizer, "sim, mas a teoria sobre a prática a seguir é muito diferente do que aqui foi dito".
No que me diz respeito gostava de lá ir mas não sei se me será possível.
Zpp

Comentário de AJS:

Acho muito bem que os problemas essenciais do País sejam discutidos. Mas o que parece não ser essencial para o País, é a forma de ganhar eleições.

Seria preferível discutir a forma de melhorar as condições de vida da população, o desenvolvimento do civismo, da capacidade profissional dos trabalhadores, a Justiça, a segurança, a saúde, etc.
Pensem em Governar, em fazer Política com P maiúsculo, dêem dignidade aos servidores do Estado para que sirvam a população, combatam a injustiça, a corrupção, a mentira as promessas falsas.

Enfim criem uma CÓDIGO DE BEM GOVERNAR e cumpram-no.
Pensem em arranjar pessoas para os lugares e não arranjar lugares para as pessoas. E meditem esta frase do Papa Pio XII: O homem facilmente se convence que são falsas ou, ao menos, não são verdadeiras aquelas verdades que gostaria que o não fossem.


Comentário de A. Fragoso A.

Concordo em absoluto com o teu comentário e acrescentaria... a responsabilização de todos, incluindo os políticos, começando por cima, para dar exemplo. A disciplina e ordem incluem-se no civismo...

A Politica tem que ultrapassar os interesses partidários e pessoais. A Politica, com o tal P maiúsculo, tem que ser orientada pelos interesses nacionais e deve fazer-se por programas alargados no tempo superiores aos períodos eleitorais. Por isso, deveria ser uma Política de consenso entre todos os Partidos, com P maiúsculo... para não haver descontinuidades aquando da mudança de Partido, ou Partidos, no governo.

Como ganhar eleições, cheira-me a feira, ou suja maneira dos partidos e meios de comunicação social se entenderem e daí tirarem o maior proveito material...
Os meios de comunicação social têm que ser isentos, livres e responsáveis...

Comentário de M.D.

Eu dou uma dica aos políticos. Mostrem trabalho no desenvolvimento do país e não pensem em servir-se do país para desenvolvimento dos partidos. Pensem em arranjar pessoas para os lugares e não arranjar lugares para as pessoas . Como disse o Papa Pio XII: O homem facilmente se convence que são falsas ou ao menos não são verdadeiras aquelas verdades que gostaria que o não fossem.

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