Os donos do quintal não pensaram nas dificuldades que os herdeiros irão ter na manutenção da herança que lhes é deixada. A notícia Novos Magalhães dependentes de quem ganhar as eleições não surpreende que se corra o risco de abortar uma decisão que custou muito aos portugueses e que, se tivesse sido adequada às circunstâncias, bem fundamentada e bem conduzida, representaria enorme progresso na preparação das crianças.
A dúvida e o receio de um retrocesso é uma «normal» consequência de não ter havido sentido de Estado suficiente para discutir previamente com a oposição as decisões com repercussões futuras que não convém ser anuladas pelo governo seguinte. É a isto que se referem os posts Pensar antes de decidir e Código de bem governar
Cada Governo, deve colocar o interesse de Portugal acima de tudo e, para evitar desperdícios de avanços e recuos, deve preparar as grande decisões com a colaboração e assentimento da oposição. Assim se teria evitado os custos da barragem de Foz Côa, os da pré-inauguração por Jorge Coelho da ponte Chelas-Barreiro, do Aeroporto na Ota e da TLEBS na Educação.
domingo, 6 de setembro de 2009
Percalços da «arte» de governar
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sexta-feira, 22 de maio de 2009
Manuel Pinho, crente fanático
A fé move montanhas
JN. 090522. Por Manuel António Pina
É uma notícia animadora: "Manuel Pinho acredita que a Autoeuropa vai manter-se em Portugal". Podem faltar-lhe outras coisas, mas fé não falta ao ministro Manuel Pinho:
"Manuel Pinho acredita que Portugal pode sair bem desta crise " ('Diário Económico', 30/9/ /08);
"Manuel Pinho acredita na competitividade das empresas portuguesas" (TSF, 10/11/08);
"Manuel Pinho acredita que défice pode ser reduzido a 3%" ('Jornal de Negócios', 2/10/06);
"Manuel Pinho acredita no plano para salvar Quimonda" (RTP, 27/1/09);
"Manuel Pinho acredita que o país pode passar de importador a exportador de energia" ('Sol', 30/6/07);
"Manuel Pinho acredita que sector do turismo resistirá à crise" (TSF, 12/9/08);
"Manuel Pinho acredita no cluster do mobiliário" (Paços de Ferreira, 30/5/08);
"Manuel Pinho acredita que Douro será zona turística de 'altíssima qualidade'" (JN, 5/5/ 09);
"Manuel Pinho acredita numa nova maioria do PS" (TSF, 10/5/09); e por aí fora, que a crónica não dá para mais…
Pode ser, quem sabe?, que a fé mova montanhas, e que mais valha ter fé do que fazer algo. Tenhamos, pois, fé em Manuel Pinho. Pode ser…
NOTA: Oxalá a sua esperança ou fé fossem realidade. Mas é chocante que um governante não tenha melhores argumentos e análises para conduzir a Economia do País. Afinal a sua fé não assenta somente na papa da sua farinha predilecta, de que não digo o nome para não fazer publicidade em concorrência com Sua Excelência.
Fica, no entanto, a dúvida de ele seguir como norma os slogans:
- Tem fé e deita-te a dormir.
- Acredita e joga no euromilhões,
- Se acreditares enricarás.
E por falar em fé, recordo o preceito com sabor bíblico e mais promissor de êxito: «ganharás o pão com o suor do teu rosto».
Seria bom que Sua Excelência seguisse a sugestão de Pensar antes de agir e antes de falar.
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sexta-feira, 17 de abril de 2009
Assédio ao consumidor
A crise exige medidas inteligentes para ser iniciada uma nova vida, quer nas empresas quer nas famílias, tendo por finalidade a recuperação das perdas sofridas e a reorganização do sistema económico e financeiro, por forma a evitar que surjam outras situações críticas. Cavaco Silva, com o seu respeitável grau académico e currículo docente e político, critica a confusão entre custos e benefícios, o que sendo correcto em grandes investimentos, é o também nas pequenas despesas que as famílias e os indivíduos fazem diariamente. A este nível desprezam-se os cuidados aconselhados pelo bom senso, na gestão quotidiana.
Um raciocínio baseado neste aspecto leva à conclusão de que a crise aumentou o conflito de interesses entre o produtor/vendedor e o consumidor, sendo aquele apoiado pelo Governo, que faz péssimo uso do dinheiro do contribuinte. O empresário está a fazer tudo para aumentar a facturação, aliciando, por todos os meios e utilizando todos os artifícios, o consumidor a comprar, mesmo que isso não lhe interesse.
Mas não devemos esquecer que foi esta táctica que conduziu à crise: marketing agressivo, publicidade exagerada e, por vezes, enganosa, crédito quase imposto (vá para férias e pague depois), promoções por telefone em que uma pessoa é pressionada a comprometer-se de imediato, sem poder pensar calmamente antes de decidir, etc.
Agora, até o Governo se coloca ao lado dos capitalistas exploradores dos consumidores, forçando estes a negócios em que o custo não tem contrapartida dos benefícios. A crise veio provar que há carros a mais, circulando a maioria com apenas o condutor nas horas de ponta, e muita gente já está a ponderar as vantagens dos transportes colectivos. Como resultado, há menos consumo de combustíveis, menos poluição e as vendas de carros baixaram de forma bem visível.
O povo abriu os olhos e começou a pensar bem. Mas o Governo, na sua óptica de apoio aos possuidores de mais dinheiro, muitas vezes amigos pessoais de governantes, para apoiar os vendedores de carros, importados na quase totalidade, vai aumentar o incentivo ao abate de veículos em fim de vida. Parece que seria mais lógico aconselhar a moderação das despesas, conforme o sugestão de Cavaco Silva, pensando na relação custo/beneficio.
É certo que sem compras, sem consumo, a economia não se desenvolve, mas tudo deve ser contido dentro de limites convenientes. E, se a economia volta a ter um empolamento fictício, com o consumismo vicioso de produtos menos necessários, caminharemos para uma nova crise pouco depois de esta ser ultrapassada.
Parece que a solução correcta passa por aceitar perdas em actividades dispensáveis, mais supérfluas e não prioritárias, e criar normas orientadoras para o desenvolvimento de uma sociedade mais sustentável, sem tanto consumismo, sem tanta ostentação e sem tanta concorrência no «faz-de-conta».
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Alerta para clima de revolta
O alerta não vem dos bloguistas, tão mal vistos pelos governantes. Vem do pai do PS, do ex-primeiro–ministro e ex-Presidente da República, Dr. Mário Soares.
No âmbito de uma conferência sobre Novas Políticas, organizada pelo Inatel, ontem à noite no Teatro da Trindade, fez declarações muito significativas e que devem ser tidas em boa conta pelos governantes que não se cansam de falar em defesa obstinada de medidas mal fundamentadas e que são objecto de crítica generalizada. Transcrevem-se algumas das suas palavras
“As pessoas tiram as conclusões das coisas. Como podem as pessoas aguentar que o Estado vá salvar um banco onde se sabe que há roubalheiras absolutas e fique tudo na mesma depois do Estado lá meter o dinheiro dos contribuintes. Não é possível”.
“Espero que se saiba o que se passou no BPP e no BPN. Tudo tem de ser esclarecido. É preciso transparência no País, senão é impossível haver confiança. Isso gera revolta e não estamos imunes que isso aconteça em Portugal”.
«Oiçam-se as pessoas na rua, tome-se o pulso do que se passa nas universidades, nos bairros populares, nos transportes públicos, no pequeno comércio, nas fábricas e empresas que ameaçam falir, por toda a parte do País, e compreender-se-á que estamos perante um ingrediente que tem demasiadas componentes prestes a explodir”.
“Com as desigualdades sociais sempre a crescer, o aumento do desemprego que previsivelmente vai subir imenso, em 2009, a impunidade dos banqueiros delinquentes, o bloqueio na Justiça, e em especial, do Ministério Público e das polícias, estão a criar um clima de desconfiança - e de revolta - que não augura nada de bom».
“Há investigações e há fugas da justiça que não se sabe de onde vieram. Tudo isto são questões importantes que devem ser esclarecidas. Acho que tudo deve ser rapidamente esclarecido, mas quem sou eu para pedir isso?”
NOTA: Mais uma vez se sugere que as decisões sejam preparadas segundo um método semelhante ao constante do post Pensar antes de decidir e que os estudos de base tenham sempre em mente o desenvolvimento do bem-estar dos portugueses, nomeadamente os mais carentes de recursos e não, como parece ser normal nos governantes, os dos banqueiros e outros ex-políticos. Segundo o compadre alentejano, «Dá até a impressão que os membros do governo estão a precaver-se, para no futuro, seguirem a carreira bancária...Será?»
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A. João Soares
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Repressão em vez de formação
Embora actualmente a prática seja diferente, é lugar comum dizer-se que a formação das pessoas começa com a primeira mamada ou, como defende a escritora Alexandra Caracol, nos primeiros tempos da gestação.
Em termos práticos, clássicos, essa formação chama-se educação e nela desempenham um papel muito importante e insubstituível os pais e os professores, embora familiares, amigo e vizinhos devam colaborar.
Infelizmente, os pais arrastados prelo frenesim da vida moderna, abstêm-se desse dever e as escolas quase estão transformadas na indiferença perante actos de vandalismo e violência, por vezes contra os próprios formadores. O Estado, em vez de tomar medidas para reactivar estes dois factores da formação dos cidadãos, deixa de lado a formação e volta as suas «capacidades» de actuação para a repressão
É assim que a sinistralidade rodoviária resultante fundamentalmente da generalizada falta de civismo, de respeito pelos outros utentes, pelos próprios passageiros e pela própria vida, continua sem redução sustentada, apesar de repetidas promessas de melhoria por parte do Governo. Mas este não actua no ponto sensível, a formação cívica e limita-se a reprimir, aumentando o valor das multas e coimas, reduzindo os limites de velocidade, etc., tudo isso concorrendo para aumentar as receitas públicas mas não aumentando a segurança dos utentes da estrada. Da mesma forma, a lei das armas não acabou com o crime violento, assistindo-se, pelo contrário, ao seu aumento incontrolado. E há muitos mais diplomas legais que resultam letra morta, por falta de adequação ao problema, por serem inviáveis e de aplicação impossível ou contraproducente. Falta ao legislados seguir um método de preparação semelhante ao que consta do post «Pensar antes de decidir»
Hoje vem juntar-se a estes o caso «Bares não conseguem aplicar a lei do álcool». Segundo pessoas colocadas dentro do assunto, os jovens passarão a beber em garagens onde poderão abusar brutalmente da ingestão de bebidas alcoólicas, de forma totalmente livre, com muito piores efeitos. Vale a pena ler o artigo atrás linkado. Legisla-se antes de procurar analisar o problema em todas as vertentes e procurar as possíveis soluções para, de entre elas, escolher a melhor, mais adequada às circunstâncias.
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Labels: leis inúteis, obsessão legislativa, pensar antes de decidir
Estratégia é olhar para depois de amanhã
Ao ler o artigo de João César das Neves «O terrível erro estratégico» que recomendo aos leitores, ressaltou-me um pequeno trecho que aqui trago porque não pode ser ignorado pelos responsáveis e pelos que sofrem as consequências das decisões.
Diz o autor que, com as obras faraónicas que não trazem benefícios na actividade económica, o Governo compromete a solidez estrutural das contas públicas e, tal como Guterres, irá bloquear com dívidas o próximo surto de crescimento económico.
O erro económico de José Sócrates está em acreditar que o investimento público é bom em si mesmo. O primeiro-ministro demonstra uma fé cega na virtualidade imperativa dos projectos: basta anunciá-los e gastar dinheiro para a economia arrancar. Esquece que todo o dinheiro que gasta vai tirá-lo ao bolso dos contribuintes. Tal como o investimento privado, os projectos do Estado têm de ter utilidade e justificação. Aliás até têm de ter mais, pois usam o dinheiro dos pobres. Apostar milhões em obras faraónicas nunca resolveu nenhuma crise.
Não quero ser longo para que a atenção se concentre nestas poucas palavras. Os interessados podem seguir o link para ir ao texto completo. E a quem queira ter uma ideia de como estes erros se podem evitar sugiro a visita ao post «Pensar antes de decidir».
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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
José Sócrates insiste no investimento público
Artigo publicado no DN de hoje, de Susana Pinheiro
Crise. Primeiro-ministro diz que o País precisa da intervenção do Estado já.
O primeiro-ministro, José Sócrates, quer "reforçar o investimento público" para relançar a economia do País de modo a que as "dificuldades que vamos enfrentar possam ser ultrapassadas". Durante a assinatura do contrato de construção do novo Hospital de Braga, Sócrates afirmou que "além de estabilizar o sistema financeiro e de ajudar as empresas, o dever do Estado é fazer tudo o que estiver ao seu alcance para relançar o investimento público". O governante assegurou ter mesmo condições para o fazer.
O primeiro-ministro avisou que "o ano de 2009 vai ser muito exigente e muito difícil para todo o mundo", defendendo, por isso, que este "é o momento em que o País precisa do Estado e só o Estado o pode fazer". Mais, reforçou: "Este não é um momento em que o Estado fique sentado à espera que a crise passe." Tem, sim, o "dever de responder a esta situação", pois "nem as famílias nem as empresas podem ou têm condições para potenciar e elevar o investimento que é essencial para fazer face às dificuldades".
"É no próximo ano que vamos ter dificuldades e é, por isso, que nos devemos concentrar em 2009 e reforçar todos os investimentos públicos que pudermos." Sócrates crê mesmo que disso poderá depender a manutenção de emprego ou a actividade das empresas.
O governante relembrou ainda que Portugal terá este ano "o menor défice do Estado da democracia portuguesa" - 2,2%, sendo "um dos poucos países a cumprir o objectivo do défice".
Quanto à ajuda do Estado à banca, explicou que, sem ela, as consequências seriam terríveis para a nossa economia". E repetiu, uma vez mais, que o fez "não a pensar em banqueiros, mas nas famílias e empresas que precisam de ir ao banco e ter a certeza de que os bancos têm dinheiro para lhes emprestar".
NOTA de AJS: Palavras de grande interesse quer me apraz ler. Sem dúvida que o momento presente é de avançar. Os portugueses não podem nem devem ficar deitados na rede a «ouvir crescer o capim». É preciso investir, dinamizar, movimentar.
MAS, ATENÇÃO! Também não é altura para esbanjar recursos, sendo necessário decidir com sentido de Estado e seguir regras semelhantes às referidas no post Pensar antes de decidir. Há que evitar investimentos faraónicos, só porque sim. É preciso escolher os investimentos que contribuam, MESMO, para o desenvolvimento do pais isto é, para melhorar as condições de vida da população actual e futura, e evitar obras cujo rendimento não as justifique ou que gerem custos de manutenção que constituam pesado encargo para os futuros cidadãos.
O objectivo de criar emprego, só por si, não justifica obras faraónicas de reduzida utilidade. Para isso, é preferível pagar salários sem nada fazerem, porque isso não acarreta despesas futuras, com a manutenção de património de discutível rendibilidade sócio-económica.
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Governo recua no pagamento por conta
Ontem, o Governo recuou o prazo da obrigação imposta às empresas de liquidar o pagamento por conta. A data limite que estava prevista na lei para 15 de Dezembro esteve em vigor durante apenas um dia, porque um despacho das Finanças repôs o prazo para o final do mês.
A Associação Empresarial de Portugal (AEP) aplaudiu o recuo do Governo por este ter sido sensível às dificuldades de tesouraria das empresas criadas pela «publicação tardia do diploma».
Se a AEP ficou satisfeita pela alteração de uma lei por despacho, temos que nos regozijar pela solução oportuna e pacífica de um erro de governação. Porém, há que lamentar a ocorrência do erro que, como muitos outros, resultou do «analfabetismo» dos funcionários do ministério no que diz respeito às normas de preparação da decisão e de planeamento, aconselhadas em todos os manuais de gestão e recentemente aqui mais uma vez referidas no post Pensar antes de decidir. Seguindo estas normas, poupa-se tempo e outros recursos e ganha-se em prestígio e fiabilidade e conquista-se a confiança da população que tem péssima opinião sobre a competência dos governantes.
Para obter tal solução «milagrosa, talvez bastasse reduzir ao mínimo a quantidade de assessores e escolher, por concurso público, pessoas competentes que sirvam de apoio sólido aos actos do Governo.
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