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domingo, 15 de abril de 2012

Bombeiros agem pela positiva


O escritor, poeta e pensador Victor Hugo (22Fe1802 - 22Mai1885)deixou esta frase que ainda hoje tem significado real: «Entre um Governo que faz o mal e o povo que o consente, há uma certa cumplicidade vergonhosa». E o consentimento não se esbate com manifestações (mesmo que concorridas e barulhentas).

Consciente de que o efeito da manifestação é demasiado efémero e ineficaz e não se presta a um diálogo substantivo continuado, a Liga dos Bombeiros decidiu usar um método mais democrático e com bases sólidas e pés para andar. Assim, vai apresentar proposta de lei de financiamento ao MAI, seu ministério de tutela. Procura, desta forma, resolver o problema da maioria corporações, em ruptura financeira e em risco de não conseguir prestar o necessário socorro às populações.

Com este procedimento transparente e democrático, a Liga cria uma base de discussão que, embora venha a ser alterada e ajustada às disponibilidades nacionais, não pode ser esquecida nem desvirtuada e constitui um ponto de partida para diálogo sério e sem subterfúgios.

Oxalá este exemplo venha a ser seguido para discussões concretas e honestas dos principais problemas nacionais, sem o abuso habitual de palavras vazias de conteúdo que servem para tudo, inclusivamente, para ser negadas no dia seguintes.

Imagem de arquivo

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segunda-feira, 22 de junho de 2009

Eficácia nos fogos florestais

Qual tem sido a eficácia das medidas tomadas pela Administração Interna para prevenir e combater os fogos florestais?

Os dados da Autoridade Florestal Nacional (AFN), a que Agência Lusa teve acesso, referem que entre 01 de Janeiro e 15 de Maio deste ano arderam 16 227 hectares (ha), entre povoamentos (4 230 ha) e matos (11 997 ha), o que representa um crescimento de 292 por cento (quase o quádruplo) face a período homólogo do ano passado, quando arderam 4 140 hectares.

O ministro da Administração Interna, Rui Pereira, considerou este domingo que o aumento significativo da área ardida nos primeiros cinco meses deste ano, face a igual período de 2008, deve-se às condições climatéricas que têm sido "piores".

O ministro da Administração Interna garantiu, esta sexta-feira, que a Protecção Civil está mais bem preparada para fazer face aos desafios, sobretudo no combate aos incêndios. Rui Pereira assegura que cumpriu as promessas.

Realmente, todos os «esforços» feitos pelo erário público através do MAI são eficientes se não houver calor!!! Se as condições atmosféricas forem favoráveis, tudo está a funcionar com muito acerto!!! Se a minha avó não tivesse morrido ainda estaria viva.

Isto prova, segundo as palavras do ministro, que o papel dele tem sido nulo, pois o facto de haver mais ou menos área ardida deve-se apenas às condições atmosféricas, não havendo estrutura, em organização e comando de meios humanos e de equipamentos para fazer face às contingências, desde que um pouco menos convenientes para aquilo que o MAI elogia.

Parece poder concluir-se que o País navega ao sabor das temperaturas e dos ventos, sem leme nem timoneiro. Em termos populares, está lançado aos bichos.

Alguns títulos da imprensa sobre este assunto (clique para ler):

Área ardida quase quadruplicou em relação ao ano passado
MAI atribui aumento da área ardida este ano às condições climatéricas
Protecção Civil está agora mais bem preparada
65 fogos florestais e agrícolas neste sábado
Mil desempregados vigiam floresta

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quinta-feira, 22 de maio de 2008

Bombeiros bem ou mal equipados?

Há poucos dia o Sr. MAI, com muita pompa e circunstância e o seu habitual «entusiasmo», afirmava que, este ano, os fogos florestais não iriam levar a melhor, não iriam ficar a rir da dificuldades dos bombeiros, no confronto com os «soldados da paz», e anunciava que estes foram dotados com mais meios modernos.

O povo bem intencionado, de brandos costumes, muito crédulo nas palavras dos senhores governantes, ficou mais tranquilo e convencido de que os grandes fogos de anos anteriores, foram coisa do passado. Mas já nesses anos ouvira iguais promessas e não viu melhoras significativas.

Mas, como balde de água fria, antes que os fogos anulassem a ilusão criada pelo Sr. ministro, caiu agora a notícia «bombeiros sem equipamento» no jornal gratuito Metro. Segundo ela, o comandante distrital de operações de socorro de Lisboa, Elísio Oliveira, referiu no dia 20 as necessidades de equipamentos individuais dos bombeiros. Disse que existem carências de «materiais de protecção individual para combate a incêndios urbanos, e sistemas de respiração». Curiosamente, o seu espírito de missão levou-o a dizer que, apesar disso, os bombeiros podem «responder a qualquer situação», mas certamente, com menor eficiência!

Depois de tais palavras, a governadora civil do distrito de Lisboa, Dalila Araújo, salta à estacada e garante que as corporações do distrito estão bem equipadas.

Perante isto, ficamos totalmente baralhados. Quem estará a falar verdade? Quem é tecnicamente mais credível para opinar sobre o assunto? O que concluir das palavras de Dalila a desmentir o comandante Elísio? Como reagirá este?

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quarta-feira, 4 de julho de 2007

Prestigiar os bombeiros operacionais

A propósito do reforço de apoio financeiro às associações de bombeiros, em função da sua colaboração com o serviço de saúde e da necessidade do controlo adequado das despesas, referido no post anterior, reproduzo aqui uma carta enviada há quase quatro anos aos jornais e publicada no Diário de Notícias entre outros, na qual se aborda o tema do controlo da contabilidade, por se ratar de dinheiros públicos.

Importa prestigiar os bombeiros
(Publicado no «Diário de Notícias», 30 de Setembro de 2003)

Foi divulgado na Comunicação Social que o MAI irá renovar as chefias da Protecção Civil e do Serviço Nacional dos Bombeiros e vai iniciar acções de formação nestas áreas, no âmbito nacional, a terem lugar na Escola Superior de Bombeiros. Como intenção já é algo de muito positivo, na sequência das lições aprendidas nos fogos deste último Verão. Mas, além de ser necessário concretizar estas medidas, impõe-se que muitas outras sejam levadas a cabo.

Perante tão vultosos prejuízos que, embora muitos sejam particulares, resultam no empobrecimento nacional, tantos bombeiros a trabalhar nos combates aos incêndios, etc., é preciso encarar de frente tal catástrofe. Um grande investimento preventivo nesta área é mais compensador do que o realizado nos estádios de futebol a serem utilizados uma ou duas vezes no euro 2004.

Mas, há que ter em atenção que os dinheiros públicos devem ser gastos com rigor e sentido de responsabilidade. Se o Ministério ou uma Autarquia dá subsídios a uma Associação de Bombeiros, deve usar do direito de passar a pente fino a escrituração e as contas dessa Associação. Se esta também vive de doações generosas de cidadãos, alguém deve verificar se estes donativos estão a ser destinados a fins consentâneos com a intenção dos dadores. Tive, há pouco tempo oportunidade de ver uma revista em papel de óptima qualidade, aspecto gráfico de muito bom nível, muitas fotografias em que o tema principal era uma festa da Liga de Bombeiros, sendo um dos líderes desta a figura central da maior parte das fotografias. Ora, não me parece que isto contribua para as finalidades que estão presentes no espírito das autoridades e dos cidadãos quando concedem subsídios e donativos aos Bombeiros, em prejuízo de outros destinos possíveis para essas importâncias.

E se as contas e as escriturações forem devidamente auditoradas, provavelmente poderão ser encontradas outras despesas com remunerações (directas ou indirectas) aos elementos directivos, telemóveis, deslocações não justificadas das viaturas de comando, etc. Não é por acaso que muitos corpos de bombeiros entram frequentemente em conflito com as respectivas Direcções e que muitos bombeiros (menos graduados) se manifestam contra os seus comandantes.

Todos nós, principalmente os governantes e os autarcas, devemos prestigiar e credibilizar os bombeiros, verdadeiros soldados da paz e, para isso, eliminar todo e qualquer aspecto menos positivo que possa empalidecer a sua imagem pública.

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Bombeiros com mais apoio financeiro

O Ministério da Saúde e a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), Depois de um braço-de-ferro negocial que se prolongou desde Março, assinam hoje um acordo que melhora de forma significativa o financiamento dos serviços de emergência pré-hospitalar. Isto é noticiado como uma cedência do ministério, o que significa que este exigiu inicialmente condições inadequadas que não conseguiu sustentar e fazer valer. É o habitual irrealismo do governo, que bem tem sido notório no campo da Saúde.

No caso das corporações com maior volume de actividade, os subsídios trimestrais chegam a triplicar, relativamente aos valores actuais. O financiamento dos Postos de Emergência Médica (ou seja, as ambulâncias do INEM colocadas em associações de bombeiros e tripuladas por estas) contempla duas componentes. Por cada ambulância, as associações recebem um subsídio trimestral que é, actualmente, de 3.240 euros. Com a tabela agora acordada, passam a existir três escalões, consoante o número de serviços prestados. No mais baixo, o subsídio passa para 6.000 euros, enquanto no segundo é de 7.500 e no terceiro atinge os 10.500 euros. É realmente uma subida substancial.

E além disto, a este subsídio fixo juntam-se os prémios de saída, diferenciados consoante a distância percorrida até à unidade de saúde. A nova tabela introduz nove escalões, em vez dos actuais cinco, e em termos médios os prémios aumentam 21%. No caso das ambulâncias de reserva (que pertencem às associações e são utilizadas a título excepcional), apenas existem prémios de saída, que registam um aumento médio de 19%. Em qualquer dos casos o aumento é considerável. O acordo ontem finalizado contempla igualmente a vertente de formação de tripulantes, segundo um plano a definir.

Perante este aumento considerável, impõe-se um adequado controlo das despesas dos bombeiros, para poder concluir se esses aumentos serão mesmo suficientes para o seu esforço em benefício da saúde das populações ! Não pode ser esquecido que se trata de dinheiros públicos que poderão fazer mais falta noutros serviços também importantes para os cidadãos. Os bombeiros são pessoas generosas e dedicadas, mas como humanos podem sucumbir a tentações, como o de Lamego que levava os familiares e amigos a passear no helicóptero que ali estava para combater incêndios florestais.
Este texto foi preparado com base em artigo do JN (link).

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