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domingo, 22 de junho de 2008

A Justiça preocupa

Recebi este texto por e-mail do autor, José Morais da Silva, uma pessoa muito atenta à evolução da vida nacional e naturalmente preocupado com as incoerências que vai notando nos diversos sectores. E como a Justiça constitui um pilar importante para a sensação de segurança e civismo da sociedade, em que muita gente está a perder a confiança, como se ouve nos transportes públicos e na rua, decidi, pedir autorização para aqui o publicar.

Continua o regabofe na Justiça.

O Ministro afirma, com toda a prosápia própria de um pavão, que, quanto à hipótese de alterar o novo “Código Penal”, só para o ano!
E os casos trágico-cómicos continuam.
Eis alguns deles, tornados públicos pela Imprensa:

- Uma brasileira, matou o filho, de seis meses.
É presa e é presente a tribunal que lhe decreta prisão preventiva.
Mais tarde, o mesmo tribunal altera a medida de prisão, passando-a para termo de identidade e residência com a concordância do Ministério Público.
Ao mesmo tempo, adia a leitura da sentença.
Os advogados de defesa informam o tribunal que a ré, comprou passagem para o Brasil.
Se o tribunal alterar a situação da arguida, a defesa mete recurso, e ela foge sem a sentença.
Já não voltará a Portugal para ser punida, a não ser que o faça voluntáriamente!!!

- Um grupo de quatro jovens energúmenos, mata um jovem para lhe roubarem o casaco.
Um deles, assassina-o à facada.
Os outros amarram-no para ficar indefeso.
Apenas o que deu a facada está preso. Os outros estão em liberdade.
E, agora vem o melhor:
O Ministério Público propõe que os que estão em liberdade, apenas recebam uma pena suspensa.
O advogado de defesa, com toda a lata, propõe que o preso seja libertado e que a pena, se a houver, seja pena suspensa, pois o réu estava sob o efeito do álcool e até colaborou com a justiça!!

- Um jovem de 23 anos, testemunha de um processo, é alvo de uma tentativa de rapto executado por um dos réus com o auxílio de outro capanga.
Presente a tribunal, o arguido , apesar do seu cadastro, por outros crimes, é posto em liberdade com termo de identidade e residência!

- Foram dadas todas as facilidades a Valle e Azevedo para poder fugir para o estrangeiro.
E agora?
Claro que lhe irão continuar a a dar todas as facilidades para conseguir evitar a prisão, pois a lei vai ser usada até à exaustão para que a ordem de detenção e o pedido de extradição não sejam exequíveis.

A corda continua a ser esticada mas ela não chegará ao ponto de rebentar, porque este Povo está adormecido.
Não vê ou não quer ver que estão a ser gozados por grupos de políticos que utilizam as benesses que lhes foram dadas sem olhar a meios, as diferenças cada vez são maiores, idolatram um classe de inúteis ditos “Figuras Públicas”, vêm a ostentação ofensiva dos jogadores de futebol e continuam a alimentá-los enchendo os estádios e pagando o que não podem, aguentam os abusos da Galp e não a boicotam, aguentam a ERSE, as mordomias dos administradores das empresas públicas, as mordomias dos Ministros e deputados, etc., etc..

Uma tristeza sem fim.

Um abraço do

Morais da Silva

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quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Confusões no ensino

Há pouco tempo era a confusão da TLEBS que nos proporcionou dois secretários de Estado a fazerem declarações, com muito calor, de sinais opostos, com poucos minutos de intervalo. Antes tinha sido o problema de os professores terem de passar todo o horário dentro das escolas, mesmo que não tivessem aulas calendarizadas para essas horas. Outros pomos de discórdia têm surgido, como o problema da violência escolar e o controlo da disciplina.

Agora o Diário de Notícias diz que o «PS recua no novo estatuto do aluno». O leitor fica sem perceber se «os alunos do ensino básico com excesso de faltas poderão ficar retidos no mesmo ano de escolaridade, caso não tenham aproveitamento na prova de recuperação. Na mesma situação, os estudantes do secundário serão excluídos da disciplina em que falharam a aprovação na prova» ou se haverá alteração desta proposta.

Qualquer recuo mostra humildade dos dirigentes que aceitam o seu lado humano de errarem. Mas evidencia também a sua incapacidade de analisar rigorosamente o assunto, por forma a decidir da forma mais correcta e inatacável que não obrigue a recuos. Tais erros são incongruentes dada a quantidade de assessores e de outros «trabalhadores» que superlotam os gabinetes e serviços afins. Seria suposto que a colaboração de tanta gente «bem escolhida» resultasse numa gestão impecável do ensino e da educação. Mas, pelos vistos, não é!

Se as faltas dos professores não devem ser negligenciadas, as dos alunos também não devem ser ignoradas. Os alunos devem aprender a ser responsáveis, a saber gerir as suas vidas de adultos que virão a ser. Para isso devem ser estimulados a estudar, embora, pelo que me dizem, os psicólogos defendem que não se devem forçar as crianças porque isso as traumatiza e impede que cresçam naturalmente. Mas, com a falta de valores, do culto pela excelência, do prestígio do saber, da meritocracia, teremos um futuro de ignorantes que só pensam na ostentação de riqueza, adquirida de qualquer forma. Exceptuam-se, certamente, uns poucos, curiosamente, de famílias onde ainda se respeita a ética, a moral e outros valores tradicionalmente válidos, que, por se distinguirem numa sociedade mal preparada, acabarão por ser alvos da inveja dos medíocres.

Muitas faltas e o abandono escolar poderia ser evitado com a reactivação das escolas técnicas de outrora, em que se formariam técnicos necessários à economia nacional. Hoje é reconhecido que o encerramento das escolas comerciais e industriais foi uma asneira crassa. Alegava-se que se condenavam as crianças a não seguirem para a universidade. Mas é errado porque temos muitos licenciados e até professores universitários oriundos dessas escolas.
Profissões como as de serralheiro, marceneiro, etc. aprendem-se na adolescência e não na vida adulta depois de se ter falhado na universidade, altura em que já não se tem disposição para ser aprendiz, por falta de humildade e de motivação.

A falta de preparação profissional metódica e sistemática resulta em Portugal ficar nas mãos de imigrantes que vêm fazer aquilo que os portugueses não querem ou não sabem fazer, acabando por haver desemprego ao mesmo tempo que termos cá muitos estrangeiros a trabalhar. Por isso, o futuro do país está em risco.

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segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Escutas para quê? Chantagem?!

Um Portugal desconhecido e muito atento

Ferreira Fernandes

O PGR Pinto Monteiro disse ao Sol suspeitar que ele próprio era alvo de escutas ilegais: "Como vou lidar com isso? Não sei. Como vou controlar isso? Não sei."

Pinto Monteiro, é a autoridade maior da investigação em Portugal... Estamos, pois, em plena guerra. Falo da "Guerra" de Solnado. "- Sargento, fiz um prisioneiro! - Onde é que ele está? - Não quis vir..."

Ainda sobre elas, as escutas, relembro a recente entrevista ao JN de Amália Morgado, que foi juíza no Tribunal Criminal do Porto durante 11 anos. Quando a PJ lhe apresentava números para escutar A ou B (os juízes têm de validar), ela confirmava se os telefones eram mesmo deles e "não poucas vezes", garante, não pertenciam à pessoa indicada. É simples curiosidade que leva a estas malandrices? Claro que não. Fazer escutas ilegais comporta esforço e riscos. Logo, quem o faz tem de ganhar com isso. Logo, existe uma indústria de chantagem. Não se sabia? Pois, a chantagem é um negócio discreto.

Sobre este assunto pode ler-se também:

Advogados exigem explicações do Governo sobre Pinto Monteiro

O telemóvel do procurador

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segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Só resta a fuga ou o abrigo

Estado de sitio. Para os abrigos, já!
Por António Ribeiro Ferreira, Correio da Manhã

O sitio, já se sabe, está cada vez mais mal frequentado. Pior ainda, está cada vez mais perigoso.
- Andam por aí bancários feitos banqueiros a pôr em causa o dinheiro de accionistas e clientes de instituições financeiras;
- andam por aí magistrados do Ministério Público em guerra com outros magistrados da mesma instituição;
- andam por aí inspectores da Judiciária a caluniar outros inspectores da mesma polícia;
- andam por aí dirigentes desportivos a afirmar alto e bom som que o futebol indígena é uma farsa de alto a baixo;
- andam por aí políticos a transformar a política num caso de polícia com histórias de faca e alguidar;
- andam por aí uns vândalos feitos ecologistas a invadir e a destruir propriedades agrícolas;
- andam por aí uns senhores liderados pelo Torquemada Louçã a tentar impor a ordem e os bons costumes;
- anda por aí uma GNR incapaz de prender e levar à justiça uns energúmenos que recebem apoios do Estado para vandalizar bens privados e infernizar a vida a cidadãos que trabalham;
- anda por aí um Governo do senhor presidente do Conselho, José Sócrates, que admite alianças na Câmara de Lisboa com os mentores políticos desses actos criminosos.

No meio deste triste espectáculo, neste infeliz e cada vez mais mal frequentado sítio, o desemprego aumenta de ano para ano, a economia desacelera, a Europa foge a sete pés e as únicas coisas que crescem são as receitas fiscais e a despesa do Estado. É verdade.

As contas publicadas dos primeiros sete meses de 2007 não deixam margem para quaisquer dúvidas. O défice do chamado subsector Estado caiu 22,6 por cento só por via do brutal aumento das receitas fiscais. Os números são eloquentes. Os impostos directos subiram 12,4 por cento e os indirectos 5,5. E depois de tantas reformas anunciadas, de tanta propaganda sobre o rigor e o controlo de gastos na Administração Pública, do corte de funcionários públicos e de outras coisas mais, a despesa do referido subsector subiu 4,1 por cento. E os gastos com pessoal cresceram 3,4 por cento. Sem manipulações grosseiras de alguns avençados socialistas, a realidade é esta. Nua e crua.

O Estado continua a gastar mais do que deve e a diminuição do défice só se faz à conta dos aumentos dos impostos e do verdadeiro assalto que a máquina fiscal anda a fazer a todos os cidadãos e empresas, com particular incidência nos que, desgraçadamente, não podem fugir para lado nenhum e têm de viver neste sítio perigoso e cada vez mais mal frequentado.

A situação, como se vê, é negra. E as soluções muito poucas. Resta aos cidadãos a fuga ou a procura de refúgio nos abrigos. Rapidamente.

António Ribeiro Ferreira

NOTA: Já de nada servem as protecções clássicas como o elmo, a cota de malha, a armadura a couraça, a fortaleza com ameias. É indispensável o abrigo mas deve ser bem enterrado, de grande espessura, blindado, à prova de armas nucleares.
Este texto faz recordar os posts recentes:
Indícios pouco tranquilizadores,
Pontos fracos dos portugueses,
A condição humana, nacional,
Portugal... nem do pequeninos.

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