O tema da reestruturação da dívida é de tal forma merecedor de cuidada análise e ponderação que estranha a forma como, de repente, sem a mínima reflexão, os 70 notáveis que assinaram o manifesto foram apelidados de masoquistas
Depois surgiu o manifesto de 74 economistas estrangeiros a que quase não foi dada atenção.
Por fim, o nobel da economia Joseph Stiglitz defende "reestruturação profunda" da dívida portuguesadisse que não deveria ser repetido o erro dos gregos que não realizaram logo em 2012 uma "reestruturação tão profunda como deveria ter sido feita".
Que argumentos convincentes apresentam os nossos «sábios» do Poder para esclarecerem os portugueses de que a sua própria opinião obstinada e «determinada» está mais correcta do que as constantes dos manifestos e da entrevista do Nobel?
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sexta-feira, 28 de março de 2014
REESTRUTURAÇÃO DA DÍVIDA E TEIMOSIA DOS SÁBIOS NO PODER
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A. João Soares
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segunda-feira, 14 de junho de 2010
Combate à Hidra Financeira
Realmente, o actual regime precisa ser rapidamente substituído, eliminando-se todos os factores imorais de desenvolvimento das injustiças sociais. Há no exterior bons modelos a perfilhar para, a partir deles, se fazer uma boa reestruturação. Do texto que se transcreve conclui-se pela necessidade de vencer a hidra financeira que faz secar e mirrar toda a economia, em prejuízo dos portugueses normais e em favor de uns quantos exploradores protegidos e cúmplices do Poder que lhes garante impunidade, em troca, de favores e tachos.
Pondo de parte os aspectos partidários, este fenómeno deve ser analisado com os olhos postos nos interesses nacionais, porque é Portugal e o seu futuro que está em perigo. O combate à crise e as medidas para evitar que ela reapareça deve ser encarado por Portugal e não pelos partidos, de per si. É um problema Nacional, abrangente que exige visão apartidária e estratégica, de longo prazo.
Uma alternativa de justiça!
Jornal de Notícias. 14-06-2010. Por Honório Novo
Na Alemanha, proíbem-se fundos de risco de operar nas bolsas. Em Portugal, podem operar quase livres de impostos. O país está transformado numa espécie de paraíso fiscal onde SGPS, fundos de risco e entidades residentes no exterior quase nada pagam ao Estado. Esta é uma das faces da injustiça em Portugal. Mas, ao contrário do que dizem o PS e o PSD, há um caminho alternativo para aumentar as receitas do Estado em época de crise. Não pode ser sempre o povo a pagar pela especulação de um sistema financeiro irracional, não podem ser sempre os mesmos a perder o emprego e os apoios sociais a que têm direito, a sofrer na carne o aumento dos impostos.
Há alguma razão para que aviões particulares, iates e casas de luxo, Ferraris ou Bentleys não paguem uma taxa adicional e temporária de imposto, como o PCP propôs esta semana no Parlamento?
Há alguma razão para que - tal como já anunciaram a Alemanha e outros, e como fez o PCP esta semana - não se crie um novo imposto sobre transacções financeiras, e se taxam as transferências para paraísos fiscais destinadas a fugir aos impostos (e que em 2009 atingiram mais de 11 mil milhões de euros, quase tanto como o défice do país)?
Há alguma razão para que a Banca (com lucros de 5 m€ por dia em 2009), e os grupos económicos com lucros acima de 50 m€, continuem a beneficiar de benefícios fiscais que lhes permite pagar de IRC uma taxa sempre inferior a 14%, quando as pequenas empresas pagam uma taxa efectiva de 25%?
Com a alternativa do PCP, o Estado poderia obter três vezes mais receita do que a que o bloco central espera ter com o PEC2, que penaliza ainda mais quem trabalha. Não basta - como fazem PS e PSD - invocar o interesse nacional em vão. O interesse nacional mede-se sobretudo pela justiça do que se propõe.
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A. João Soares
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sábado, 12 de junho de 2010
Situação a precisar de boa terapia
Transcrição seguida de NOTA:
Insustentável
Jornal de Notícias 12-06-2010. Por Pedro Baldaia
O presidente da República considera que a situação do país é "insustentável", enquanto o primeiro-ministro considera que não, que é apenas "difícil, como no resto da Europa. Quem tem razão é Cavaco, mas Sócrates dá uma ajuda, porque de facto a situação é insustentável em toda a Europa. Tem razão Sócrates quando destaca do discurso presidencial o apelo à união, ao compromisso, entre políticos, patrões e trabalhadores, para tirar este país desta crise onde cresceu.
O país não entrou em crise, o país tem-se desenvolvido em crise. Em crise de valores, em crise de justiça social, em perda de legitimidade da classe política. É insustentável sair desta crise económica sem cuidar de construir outro país. É insustentável manter esta Europa sem fazer dela uma federação com direitos e obrigações iguais para todos.
Temos de ser mais exigentes na produção de riqueza e na sua distribuição, sem demagogias, mas também sem medo de ser politicamente incorrecto e exigir que os especuladores que acumulam não possam esconder a cara atrás das leis do mercado.
É insustentável que os próximos governos se limitem a fazer o que fizeram todos os governos desde que Portugal aderiu à União Europeia. Não chega receber de Bruxelas e despejar pelo país. São precisas ideias. Ideias que não tiveram Cavaco, Guterres, Durão, Santana e Sócrates. Uns melhor e outros pior, limitaram-se a conduzir a direito.
É preciso gente nova, gente que não tenha medo de perder eleições na tentativa de ganhar um país mais justo e solidário.
NOTA: Uma interessante abordagem do problema. Neste blog podem ser encontrados textos que dão mais amplitude à análise da situação «insustentável». Podem ser pesquisados pelas palavras: ruptura, jovens, código, crise, reestruturação, governar, interesses nacionais, etc.
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A. João Soares
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sábado, 5 de junho de 2010
Ruptura com reestruturação inteligente é necessária
No meio da crise, que muitos imaginam estar longe do fim, há muito quem peça rupturas e quem adivinhe a necessidade futura de Portugal recorrer ao fundo de emergência europeu, uma espécie de FMI para os países pobres da Europa, mas ricos à escala global.
Ter amigos endinheirados, como a Alemanha, dá muito jeito quando as coisas correm bem, mas esses amigos têm sempre uma factura para apresentar quando as coisas dão para o torto. A ruptura com o caminho que temos seguido até aqui vai mesmo acontecer, a questão está em saber se a vamos saber impor a nós próprios ou se terão de ser outros a fazê-lo.
Recorrer ao fundo europeu, como em tempos recorremos ao FMI, só significará que as medidas de austeridade terão de ser mais fortes, muito mais fortes. Refinanciar a nossa dívida não significará nunca deixar de a pagar e, como o dinheiro está a ficar cada vez mais caro, vamos ter de o pagar cada vez mais rápido.
O país precisa de facto de uma ruptura, com o pragmatismo partidário a ceder em favor de uma ideologia que promova a dignidade humana, com os egoísmos a darem lugar à solidariedade e à partilha. Se isto não acontecer, vamos passar mais uns anos a corrigir os erros do passado para os repetir logo que a tempestade tenha passado.
O problema de Portugal e das empresas portuguesas é a falta de uma cultura de exigência e a falta de uma vontade pura de premiar o mérito, acabando com o mundo das cunhas. A ruptura que temos de fazer é cultural. Até lá, estaremos sempre em crise.
NOTA: A ruptura parece ser indispensável e inadiável, mas tem que ser sensata, inteligente e não um acto de loucura, de irresponsabilidade. Na Islândia, os eleitores estão dispostos à rotura votando em partidos e candidatos bizarros para fugirem ao afogamento no pântano criado pela diminuição da credibilidade dos políticos sérios. Elegeram o mais famoso humorista do país nas eleições autárquicas de há uma semana em Reiquejavique.
O autor, Paulo Baldaia, refere de forma muito clara os valores que devem ser respeitados para restaurar Portugal, fugindo ao marasmo, demasiado indiferente e acatador de vícios e manhas, nocivos ao País, que se vêem arrastando por tempo demasiado.
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A. João Soares
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quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Mais polícia na rua
A demagogia dos políticos leva a dizer números inconcebíveis sem qualquer fundamento credível. Partem da hipótese de que todos os cidadãos são estúpidos. Pelo menos seria de esperar que os governantes não o fossem.
Segundo notícia no Destak de 10 de Setembro, o ministro da Administração Interna reconheceu ontem que há um atraso no processo de transferência de policias em funções administrativas para o terreno, mas garantiu que até ao final do ano, entre 2 mil e 3 mil agentes vão deixar as secretária e passar ao serviço operacional».
É chocante esta estimativa de 2 mil ou mais 50% (3 mil), o que prova que a operação está a ser pensada sem um estudo bem feito que, inclusivamente, exige uma revisão da burocracia a que a lei obriga e uma definição das tarefas essenciais para o cumprimento da missão da instituição, e a sua distribuição por funcionários ou por grupos (secções, repartições, serviços, etc.). É com base em estudos e reorganizações deste tipo que empresas civis, que procuram periodicamente aumentar a produtividade, se baseiam para tirar o melhor proveito do seu pessoal. Pelos vistos na polícia nada disso está a ser feito, mas apesar da ausência dessa metodologia, o ministro garante, com base num sexto sentido de que já deu provas, que até ao fim do ano vai transferir para a rua entre 2 e 3 milhares de agentes.
Até pode acontecer que, após um estudo consciencioso das tarefas, muita coisa deixe de ser feita, por desnecessária, e que outras sejam abreviadas sem percorrerem percursos tão longos nos gabinetes e que, com isso e as adequadas alterações em legislação e regulamentos, possa ser dispensado o dobro dos números apontados. Mas mesmo que tudo seja feito com muito voluntarismo, as alterações não serão rápidas, porque exigem a entrega das pastas, e a posterior reciclagem para as novas funções.
Neste assunto, merece mais credibilidade a Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP/PSP) que diz que «é um número impossível. É difícil colocar dois mil elementos da PSP no serviço operacional». «Há elementos que estão há muitos anos nos serviços administrativos, elementos com idades avançadas. Não faz sentido colocar estes homens nos serviços de rua, porque não ia aumentar a segurança». E, com base num levantamento no Comando do Porto, concluiu que «se fossem transferidos 20 a 25 elementos já seria um grande passo». Aqui, se o estudo atrás referido e a adequação da legislação e dois regulamentos tivessem lugar talvez este número fosse muito superior.
Mas, além da estrutura pouco lógica, há outros factores que encarecem o sistema policial e impedem uma boa produtividade como a duplicação de forças especiais, a falta de equipamento e armamento (ver o caso do esquecimento da aquisição e coldres para as novas pistolas!), a atitude desprestigiante dos tribunais em relação às detenções, etc. Para estas coisas, como muitas outras no País, funcionarem bem, é indispensável saber suficiente para estudar bem os problemas antes de decidir. A preparação da decisão e, depois, o controle e ajustamentos adequados da actividade resultante, são aspectos de grande importância, mas que ultrapassam a ignorância de muitos responsáveis, como vemos no dia-a-dia. Pensam que a inspiração divina que os leva a improvisos desajustados é solução.
Oxalá o ministro não teime numa solução inspirada e, embora com um pouco de mais demora, adopte uma atitude racional e faça uma reestruturação das polícias que as torne mais económicas e eficazes, com mais rentabilidade dos meios humanos e materiais em benefício da segurança dos portugueses.
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A. João Soares
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