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domingo, 9 de setembro de 2007

Dobrar a cerviz perante a China

Portugal vai ter o privilégio da segunda visita do Dalai Lama entre 13 e 16 do corrente. De seu nome civil Tenzin Gyatso, monge e doutor em filosofia budista, Prémio Nobel da Paz, agraciado com mais de 100 títulos honoris causa, líder e mentor do povo tibetano, o 14º Dalai Lama, é uma das vozes mais lúcidas e comprometidas com a paz, o diálogo e a compaixão no cenário mundial contemporâneo.

Ninguém de cultura média desconhece muitos dos pensamentos deste monge ecuménico defensor do diálogo entre todos, qualquer que seja a sua religião. Mas nas suas peregrinações religiosas pelo mundo, o Dalai Lama fica sempre à margem das recepções oficiais, porque nas relações internacionais, os Estados, mais do que pelos seus interesses históricos e civilizacionais, vergam-se aos interesses de momento, bajulando-se aos impérios que são ou podem vir a ser brevemente grandes potências mundiais. O que é considerado importante é evitar qualquer conflito diplomático com a China que é a maior potência emergente, política e economicamente e que considera rebeldes os tibetanos de cuja causa o Dalai Lama é mentor espiritual e, por isso, considerado um dos maiores inimigos daquela potência.

E, estando o mundo dominado por factores materialistas e oportunistas, estes retiram qualquer valor aos princípios éticos e morais, e passam o respeito pelos direitos humanos e a justiça social para trás da cortina. O tempo é de real politik.

Entre nós, o Governo português e o Presidente da República não recebem oficialmente o Dalai Lama, segundo o MNE, por razões «óbvias», provavelmente políticas e económicas. Mas está previsto o encontro com o Presidente da Assembleia da República que não obedece a essa indisponibilidade.

É uma realidade a continuidade e a tradição da directriz estratégica que orienta as relações internacionais dos países mais responsáveis e prestigiados. Talvez neste dobrar da cerviz ao Império do Meio, se encontre uma constância da política externa portuguesa – o «respeitinho» pelos Estados mais poderosos, tendo em tempos sido bom aliado da Grã-Bretanha, tendo recentemente apoiado os EUA nas Lages na decisão de atacar o Iraque e agora, que a China aparece como candidata a maior potência económica mundial, é considerado oportuno fazer o «update» das prioridades, na escolha do rumo privilegiado.

Já não é novidade, pois nas últimas décadas em Portugal há mais lojas chinesas espalhadas por lugares nobres das cidades do que em qualquer outro país. Isto podia ser sinal de cosmopolitismo. Mas não é. É espelho da pobreza e enfraquecimento das cidades. Estas estão a degradar a sua imagem com a abertura de "lojas dos 300" e "dos chineses", em locais onde devia haver lojas de qualidade, especializadas e bonitas, que dão prazer de ver tanto a quem compra como a quem passa por elas - turistas incluídos. Algo merece ser repensado serena e racionalmente.

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quarta-feira, 23 de maio de 2007

Morte aos que não adoram Sócrates !!!

Extraído do Portugal Club

Que mil virgens...

... se arrojem a vossos pés todas as noites ansiando por vós serem possuídas!
Que mil estrelas estiolem de inveja face ao vosso brilho!
Que mil pétalas cubram os lugares onde vossos pés passaram!
Que mil Otas sejam construídas para vos glorificar!
Que mil estátuas cobertas de ouro vos sejam erigidas para que todos vos possam admirar!
Tudo e tudo por vós Grande Arquitecto do Universo! (ou melhor Grande Engenheiro do Universo)
Tudo por vós JOSÉ SÓCRATES!!! Verdadeiro Farol de Alexandria que iluminas as nossas vidas!
Pois eu estou danado! Danadíssimo!
Como é que aquela vossa admiradora do Porto tratou com tanta brandura aquele facínora, aquele bandido que ousou dizer uma "graçola" sobre vós. Sim só lhe pôs um processo disciplinar, queixou-se ao Ministério Público, mandou-o embora (escorraçou-o) para a Escola. Que brandura meu Deus!
Sinto-me possuído da raiva vingadora do Marquês de Pombal contra os Távoras. Sinto-me possuído pela crueza de Pedro quando arrancou o coração dos assassinos da bela Inês!. Como os invejo. Aqueles sim sabiam tratar dos incréus! Não não precisavam da polícia, dos processos disciplinares. Faziam justiça e pelas próprias mão.
Eles não perceberam ainda as magníficas palavras dos vossos mais devotos servidores:
"Quem se mete com o PS leva!"
"Habituem-se"!!! jota - Moscavide – Lisboa, in Portugal Club

Algumas achegas:
1. Diz a Directora Regional que "o sr. primeiro-ministro é o primeiro-ministro de Portugal" (in "Público", de 19 de Maio). Digo eu: haverá melhor prova da subserviência da dirigente que prefere o "bufo" ao trabalhador?! Para dizer uma evidência, usa duas vezes o cargo e ainda faz a vénia acrescentando "senhor"... Eu diria mais: «Faz ela muito bem, para conservar o tacho e ter boa avaliação do desempenho. Se das próximas eleições sair um PM de outro partido ela manterá a sua fidelidade canina ao novo ocupante da cadeira. Isto é saber gerir bem a carreira!»

2. Pinho Cardão, deputado do PSD disse dele: "Entre parêntesis, gostaria de dizer que conheci o dr. Fernando Charrua na Assembleia da República, nos pouco mais de dois anos que por lá passei, e muito gostei da qualidade do seu trabalho, do seu empenho em bem fazer, acompanhado de um constante ar jovial." Eu diria ainda: «Os malandros apoiam-se. O Charrua, um facínora, não merece que alguém esteja do seu lado contra a Directora Regional e o sacratíssimo patrão de S. Bento que ela adora». Morte aos infiéis, incrédulos, sacrílegos, iconoclastas, ateus que não adoram o grande ‘inginheiro’ do Universo!»

3. do blog O Sino da Aldeia: «A senhora directora, cuidando que ia agradar ao seu primeiro-ministro, acabará nesta história muito pior do que o "seu funcionário". Esta é a minha previsão.
E porquê, perguntarão?

O senhor primeiro-ministro não terá gostado mesmo nada do que sucedeu, sobretudo pela onda de revolta que gerou. Na actual conjuntura, convirá muito mais ao senhor primeiro-ministro convencer os portugueses de que é um democrata e de que consegue conviver com uma brincadeira em relação à sua pessoa.

A censura só existe quando os governos e os governantes são prepotentes, fracos ou têm uma débil base de sustentação.

Poderá, então, o senhor PM agir de outra forma que não seja "desculpar" o atrevimento de um e "punir" o excesso de zelo da "sua funcionária" directora geral'?

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