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segunda-feira, 24 de junho de 2013

«ELOGIO» À TÁCTICA DE MADURO


Transcrição dum texto interessante que vem complementar, em outro estilo, os posts Maduro parece ainda verde!!! e mais do mesmo:

Poiares Maduro e a solução anti-embrulhadas
Diário de Notícias 22-06-2013. por FILOMENA MARTINS

Está tudo resolvido. O Governo acaba de encontrar a solução para as suas últimas grandes trapalhadas. Ideia de Poiares Maduro, na sua primeira grande intervenção, passe aquele conflito com os parceiros sociais, desde que assumiu a pasta que era suposto ter sido de Miguel Relvas: a da comunicação e coordenação política.

A partir de agora haverá comunicações públicas diárias sobre a atividade governamental. Estão pois, de futuro, evitadas confusões como a das várias versões sobre a negociação com os sindicatos dos professores. E, claro está, nunca mais assistiremos a outra novela de explicações embrulhadas como a do pagamento dos subsídios de férias aos funcionários públicos. Ninguém voltará a desconfiar que o Governo adiou de propósito a entrega do Orçamento Rectificativo e todo o processo legislativo para pagar apenas quando entendia. Nem ninguém colocará a hipótese da promulgação relâmpago de Cavaco, que até tinha mostrado dúvidas quanto à medida, ser mais um sinal de que nunca antes um governo tinha tido tão amplo apoio político. Nem sequer será possível equacionar que Passos Coelho estará a insistir na estratégia de dividir os portugueses, pagando a uns e não a outros. E muito menos de que se trata de uma vendetta para com o Tribunal Constitucional, depois dos dois chumbos consecutivos.

Da próxima vez teremos o próprio Vítor Gaspar a explicar, devagarinho, que é tudo muito simples: se os subsídios fossem pagos agora a todos, Portugal voltaria a ter um trimestre com o défice acima do previsto e que o problema não era a troika, que é nossa amiga e permite deslizes, mas sim os mercados, pois é preciso voltar a marcar o terreno e emitir dívida no final do verão.

Adiante quanto a ironias, sobretudo porque estamos perante humor negro e do mau. Este governo tem muitas lacunas e uma delas é de facto a de comunicação. Mas o problema não está na quantidade do que comunica, está na qualidade. E isso não se resolve com briefings diários, que hão de ser iguais às conferências dos jogadores de futebol quando estão nas selecções: dizem sempre que vão fazer o melhor para ganhar.

Resolve-se com capacidade e preparação. E sobre isso nem a troika ou Angela Merkel podem valer ao Governo. Nem a nós.

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MAIS DO MESMO


O Sr ministro Poiares Maduro, aparentemente, vindo de longe e sem ainda ter concluído o seu estudo analítico da situação com que os portugueses se debatem, apressou-se a manifestar a sua boa intenção dizendo querer oferecer esperança aos portugueses. Terá de ficar-se pela intenção porque os portugueses, há mais de dois anos, ouvem tais promessas («garantidas» e asseguradas») sem deixarem de ver a sua fome aumentar bem como o desemprego e os sacrifícios da austeridade excessiva e sucessivamente agravada. Por isso, as palavras generosas e supostamente bem intencionadas são «mais do mesmo».

A esperança já não pode vir pela via das palavras e promessas, mas sim pelos resultados, que já foram prometidos pelo PM para 2013 e que, como a generalidade das promessas, ficaram esquecidas no tinteiro. O povo português, como está acontecer com os brasileiros, não poder ser iludido eternamente e, como disse Mário Soares, às tantas zanga-se.

Diz também o Sr ministro Maduro que Portugal viveu "demasiado tempo sem planear o futuro" e diz muito bem, mas não deve dizê-lo em público, pois esse recado deverá ser interiorizado pelos seus colegas do Governo. Eles não têm sabido ou querido «planear o futuro». Muitas pequenas e médias empresas têm mostrado muita competência em preparar o seu futuro e estão florescentes apesar da má política que Portugal vem tendo desde há 39 anos.

Mas planear o futuro exige que se conheça bem o presente com todos os seus factores condicionantes. Um avião parte para uma missão começando pela descolagem, isto é, do ponto de partida, depois de testadas as condições do avião e de a pista estar desimpedida e em boas condições. O mesmo acontece com o atleta que, antes do salto, tem que saber fazer a «chamada». O piloto de fórmula 1 deve preparar uma boa posição na linha de partida e ter o carro bem afinado.

Por isso, Sr ministro, não despreze o conhecimento rigoroso da situação actual, em que os desabafos das pessoas, mesmo que sejam mais modestas do que o empresário de granitos que se lhe dirigiu na Feira do Granito de Vila Pouca de Aguiar, devem ser tidos como factor importante no seu estudo do Portugal actual.

Nunca se esqueça que cada português tem um voto igual quer seja um sem-abrigo ou o PR e convém que isso seja sinal de que lhe deve ser dada igual atenção e respeito pelos seus direitos, liberdades e garantias, no quadro da Constituição.

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segunda-feira, 25 de maio de 2009

Portugal visto por emigrante no Canadá

Recebido por e-mail enviado por pessoa de confiança

O pântano

Nos últimos tempos, a gente escuta, observa e dificilmente acredita: falta sentido de Estado aos nossos políticos. Que ventos sopram afinal em Portugal? Onde param as virtudes republicanas, ou monárquicas, ou as que quiserem? Para onde emigraram a nobreza e a dignidade?

Um ministro fala de papas Maizena; outro diz que aprecia "malhar" na oposição; um membro da oposição acusa a "mordaça"; o primeiro-ministro proclama "não é assim que me vencem" e, fazendo em congresso e pela televisão queixas de um canal televisivo e de um jornal de referência, põe vários jornalistas em tribunal; um conselheiro de Estado mente no Parlamento; este, aprovando uma lei execranda sobre o financiamento dos partidos, abre mais a porta à corrupção; o partido maioritário recusa criminalizar o enriquecimento ilícito que toda a gente vê; um autarca do partido no poder dificulta o acesso a documentos que poderiam descredibilizar ainda mais o chefe de Governo; o magistrado português nosso representante no Eurojust fica submetido a processo disciplinar sob suspeita de pressão sobre outros juízes... Ufa! Que mais será necessário?

"Ó Portugal, hoje és nevoeiro!", clamava o poeta.

A falta de sentido de Estado vem destruindo os alicerces de um país orgulhoso do seu passado, mal grado muitos erros. Quem nos salva destes miasmas putrefactos? Como se drenam os pântanos deste "Portugal dos pequenitos"?

J. Sousa Dias,
Oakville, Canadá

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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Aumentar a «malhação» na «campanha negra»

Augusto Santos Silva tem razão: é preciso «malhar» na «campanha negra», pois há mancomunação entre pessoas de todo o leque político nacional, inclusivamente de dentro do PS. Isto é um escândalo que exige muita malhação!!! Não desista caro professor Augusto, continue a «malhar» neles em força!!!

Segundo Baptista Bastos no artigo do DN «O discurso do nada», «a vitória de Sócrates é a metáfora do eucalipto: ele seca tudo à sua volta e conduz o partido como muito bem entende. A percentagem de 96,43 por cento dos votos não reflecte, em boa verdade, a imagem que o PS deseja expor. O PS dispõe de cerca de 73 mil militantes, mas apenas 29 mil votaram, por terem as quotas em dia. Há um manifesto desinteresse dos socialistas pelo destino do partido em que militam». «O PS é a imagem devolvida do País: desencanto, aborrecimento, ausência de convicções, desmotivação. São os próprios princípios que estão em causa». «E José Sócrates não vive em autismo, não se move num universo virtual: simplesmente não sabe como resolver os inúmeros problemas da sociedade portuguesa». «Os temas exclusivos que, no congresso, suscitaram o seu interesse, são indicadores do seu oportunismo ou da sua incompetência. Esqueceu o desemprego, o desajuste entre a realidade pungente, na qual estamos mergulhados, e a mudança das instituições; a falência dos bancos, a corrupção e a própria questão da liberdade. Sócrates tinha opções: não as tomou ou não as quis tomar». «Desconhecemos o que José Sócrates pensa da exaustão portuguesa, sovada pela agressividade das leis que promoveu e fez promulgar. Não sabemos dos seus projectos para Portugal, sobre o qual nos é inculcada a ideia de que materialmente não tem futuro». «Parece que o secretário-geral do PS e primeiro-ministro somente obedece a forças cegas e brutais, impostas e garantidas pelos grandes interesses, que sobrepuseram o económico ao político. Apesar de tudo, presumi, um pouco ingenuamente, que José Sócrates iria inflectir o discurso para outros perímetros».

Segundo Vasco Graça Moura no artigo do DN «O feirante» «os factos vinham dar-lhe [a Manuela F Leite] carradas de razão e pôr à mostra quer o falhanço escandaloso das políticas do Governo, quer a batota sistemática por ele praticada!». «O Governo está a seguir um caminho completamente errado para fazer face à crise… regouga uns apartes sem conteúdo real, manda umas bocas idiotas em arremedo de resposta e não se atreve a discutir em concreto um só ponto». A sua orientação «consiste em anunciar o despejo à toa de baldes de dinheiro em cima de alguns problemas, sem qualquer critério seguro e só para que os papalvos acreditem piamente que estão a ser tomadas medidas eficazes contra a crise». «Vive da pantomina e da trapalhice. Redundará no favorecimento de jogadas, improvisos, descoordenações e compadrios e no empobrecimento de um país que já está pelas ruas da amargura, sem resolver nenhum problema de fundo .»
"Enquanto o Governo continuar a atirar para todos os lados, sem uma linha de orientação certa, os resultados são os que estão à vista: falências todos os dias, o desemprego a aumentar e as empresas cada vez mais endividadas." Ora, como ela disse também, "as empresas estão com problemas de tesouraria, precisam de sobreviver e isso não se resolve oferecendo mais crédito para se endividarem". « Só percebe uma coisa: tem de fazer muito barulho, de gesticular muito e de levantar muita poeira para ver se as pessoas não percebem…». «Fica bem à vista a que ponto Sócrates sabe pouco, é muito incompetente, não tem uma visão clara dos problemas, baralha tudo e cede a uma propensão fatal para vendedor de feira».

No artigo do Público «Edmundo Pedro ameaça abandonar o PS em caso de coligação pós-eleitorial» é afirmado que «o histórico militante socialista Edmundo Pedro afirma que está preparado para abandonar o partido». Este fundador do PS «afirmou ainda que o casamento homossexual, uma das apostas da moção de Sócrates ao congresso que o líder socialista ganhou este fim-de-semana, é uma aposta errada, falando mesmo de “um erro político”». «Para o histórico socialista, há outras prioridades no país e refere ainda que este tema do casamento gay não é consensual no seio do partido». «Denunciou, numa reunião de militantes, em Lisboa, que há medo dentro do partido, voltou ainda a enfatizar a sua opinião sobre esta matéria: o medo existe e faz-se sentir na rede clientelar que gira em torno do partido, afirmou».

Segundo o artigo “Há tradição de abdicação cívica”, o deputado do PS Manuel Alegre voltou a enviar recados internos ao seu partido ao afirmar que a resposta à actual crise económica deverá passar por "homens de nervos de aço e grande estatura ideológica", reconhecendo que no País "há uma tradição de abdicação cívica, para não falar de cobardia". Disse «que é 'membro do PS', e referiu que em Portugal 'ninguém manda calar ninguém'».

No artigo do DN «Homens sem reino» consta «Para que o embaraço continue, o ministro Santos Silva desencadeia novo alvoroço no partido, já de si tão ausente de convicções quanto repleto de oportunistas. Lembremo-nos de que o PS não pertence, apenas, ao "arco do poder": é uma agência de empregos, tal como o PSD. O conflito com Manuel Alegre resulta de um acto de má educação, infelizmente comum ao ministro dos Assuntos Parlamentares. Porém, a peça mais relevante deste berbicacho é um artigo do eng. Henrique Neto, publicado no Jornal de Leiria. O conhecido empresário socialista reafirma, claramente, que vivemos na indiferença porque o medo está presente e a presença do medo dá azo à resignação».

Num programa televisivo ouvi o ex bastonário da Ordem dos Advogados, Dr. Pires de Lima, dizer que o PM, para demonstrar a sua inocência no caso Freeport, não necessitava de se irritar nem gritar, nem mandar ministros repetir os mesmos slogans, sendo mais eficaz comunicar ao MP todos os haveres, ao que podia ser dada toda a publicidade e que, se algo houvesse de estranho que não pudesse ter sido adquirido por processos legítimos, o ofereceria à Santa Casa da Misericórdia. Isso evidenciaria a sua craveira moral recuperaria a confiança da Nação e daria mais votos.

Em conclusão, o Sr ministro Santos Silva deve aumentar a intensidade da «malhação» na «campanha negra», começando pelos 44.000 militantes que não estiveram para pagar as quotas porque não tiveram interesse em votar no Secretário Geral, e indo por aí fora, através do partido e chegando a todos os quadrantes em que haja homens sem medo. Depois será mais fácil governar Portugal, porque haverá poucos habitantes, algo menos de 29000 e serão, pragmaticamente submissos.

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segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Palavras de Jerónimo de Sousa

Depois do discurso de Manuela Ferreira Leite, e para confirmar a isenção deste espaço, seguem-se extractos (por não possuir o texto integral) das notícias sobre o discurso de Jerónimo de Sousa na Festa do Avante.

Acusou hoje o Governo de ter dado uma resposta «tão fraca» que «chega a ser chocante» aos problemas de segurança durante o Verão, criando «um sentimento de que os criminosos ficam impunes».
Fez um ataque às políticas «de direita» do executivo socialista de José Sócrates.
Os «problemas de segurança regressaram à ordem do dia», durante o Verão, com «o sobressalto e a justa preocupação dos portugueses».
Advertiu que se gerou «um sentimento de que os criminosos ficam impunes e que o Estado está vulnerável ao crime».
«A resposta do Governo, de tão fraca, chega a ser chocante», afirmou o líder do PCP, considerando que o ministro da Administração Interna e o próprio chefe do executivo «foram ultrapassados pelos acontecimentos».
A solução, acrescentou, não passa por um «caminho no Estado policial, de uma sociedade cada vez mais vigiada».
«Não permitiremos que se concretize esse caminho. Não trocaremos a liberdade pela segurança, porque ficaríamos sem ambos».
"As principais causas da crise têm razões internas que radicam na existência, na insistência de uma política que colocou os interesses dos grandes grupos económicos e da especulação financeira acima dos interesses do país, dos trabalhadores e das populações".
O aumento do desemprego, o secretário-geral do PCP defender que "não resulta da recente crise internacional, mas de deliberadas opções da política nacional".
"O emprego criado não ultrapassou os 96 mil postos de trabalho", avançou, explicando que as estatísticas oficiais contabilizam como empregados todos aqueles que frequentam cursos de formação do Instituto de Emprego. "Nem metade dos empregos que se anunciam foram criados".
Face "a trinta anos do velho e gasto rotativismo de alternância sem alternativa, entre PS e PSD", Jerónimo de Sousa advertiu que "é tempo e mais que tempo de mudar". O PCP é "o partido que Portugal precisa para romper com a injustiça social e o declínio nacional".
"Há mais crime, mas há menos polícia, com menos direitos e menos condições para exercer as suas funções", alertou, classificando a resposta dada pelo Executivo socialista de "fraca".
Utilizou o discurso de "rentrée" do PSD para acusar o PS de fazer a mesma política "de direita" e a liderança de Manuela Ferreira Leite de não ser alternativa aos socialistas.
"O País precisa de responder com urgência a três problemas centrais: défice de produção, desemprego e a injusta distribuição do rendimento nacional".
"Atenuar as consequências sociais da crise" e "dinamizar a economia". Isso "exige, no actual contexto, a rápida dinamização do investimento público, o apoio às pequenas empresas e a dinamização do mercado interno pelo aumento dos rendimentos da população", pelo que "a situação exige a consideração e a necessidade de medidas imediatas, urgentes, algumas não esperando sequer pelo Orçamento de Estado para 2009".
Em matéria de prioridades, o PCP identificou três: a primeira, passa pela "revalorização dos salários e pensões", o que implica "associar ao subsídio de Natal um complemento para todos os trabalhadores e reformados, no valor da perda real dos salários e pensões em 2008". A segunda, envolve a Caixa Geral de Depósitos, a quem o Governo deve dar orientações para adoptar "uma margem (spread) máxima de 0,5% no crédito à habitação própria permanente". A terceira, envolve "o congelamento dos preços da electricidade, água e gás, e uma redução real não inferior a 5 euros do preço do gás de botija".
"A causa de o País estar a enfrentar o mais longo período recessivo e de estagnação de que há memória não se explica pela recente crise internacional, mas pela incapacidade de uma política nacional que abdicou da defesa da nossa economia e continuou a hipotecar o desenvolvimento" de Portugal.
"Não é só o facto de o País não sair do círculo vicioso da apatia e da estagnação do pára, arranca e torna a parar. São os novos desequilíbrios das contas externas e da dívida, que hipotecam perigosamente o futuro do País e o condenam à dependência crónica".

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Discurso de Manuela Ferreira Leite

Transcrevo este texto que recebi por e-mail. Faço-o ciente de ir receber críticas partidárias, mas estou apoiado na minha independência demonstrada pela publicação de muitos textos diversificados de origem de todos os quadrantes, com a intenção de os problemas poderem ser observados por todas as faces do prisma. Qualquer texto de análise séria, mesmo que orientada por uma filosofia especial, terá aqui lugar. Devemos conhecer os prós e os contras de qualquer solução para os problemas do País e do Mundo.

Discurso da Presidente do PSD no encerramento da Universidade de Verão [07-09-2008]

É com muito gosto que me encontro hoje aqui a encerrar os trabalhos desta Universidade de Verão e que será também simbolicamente o início deste ano político.
A Universidade de Verão, agora na sua 6ª edição, é já uma imagem de marca na vida do nosso Partido, e também uma referência nas iniciativas políticas no panorama nacional.
Numa época em que se privilegia o sensacionalismo e o efémero, o PSD elege a Universidade de Verão como símbolo da sua vontade de estar na política de forma diferente e de apostar no futuro com seriedade e trabalho.
O êxito desta iniciativa está na sua capacidade de atrair cada vez mais jovens para uma acção de formação de enorme qualidade, que conta com o contributo inestimável dos meios académico, político e empresarial, independentemente da sua filiação partidária.
Pela Universidade de Verão já passaram e certamente vão passar muitos líderes do futuro. Estão aqui hoje muitos líderes do futuro.
O PSD é uma força viva do nosso País, com vocação de poder, cujas linhas ideológicas, princípios éticos e valores de actuação devemos transmitir às novas gerações com uma convicção reforçada e com uma esperança renovada.
Estão aqui a ter uma formação política tanto mais interessante e útil quanto existe um crescente sentimento de divórcio entre os jovens e a política porque esta está descredibilizada.
E, no entanto, fazer política é uma coisa muito séria, não é um mero jogo fechado que só diz respeito aos Partidos políticos.
Quantas vezes já ouvimos dizer “Não me interessa a política, isso é lá com eles”?, como se a política não dissesse respeito a cada um de nós, como se a política não fosse uma actividade que deve ser exercida com cada um de nós.
Este é um tema sobre o qual o PSD tem que reflectir e é com os jovens que essa reflexão faz mais sentido.
O PSD teve um papel determinante na consolidação da democracia e tem a responsabilidade de contribuir positivamente para que a qualidade da democracia não se deteriore.
Neste sentido, a questão fundamental é porque é que se deu esta desvalorização da acção política e dos políticos?
Sem dúvida que uma das razões é a percepção de que os políticos deixaram de ter no centro das suas preocupações os cidadãos e os seus problemas, para passar a considerar sobretudo os seus interesses partidários ou pessoais.
Ganhou-se o hábito de comentar o curto prazo e ignorar as questões de fundo.
Por isso, as pessoas reagem com indiferença ou até desprezo ao que os políticos dizem.
Todos sentimos que fazer política com o recurso permanente a promessas é uma arma eficaz, mas que tem sido mortífera para a credibilidade dos políticos.
O PSD quer contribuir para mudar este estado de coisas, porque o crédito dos políticos é um factor indispensável para gerar a confiança necessária para enfrentar o futuro e mobilizar os Portugueses.
Não é uma tarefa fácil, tanto mais quanto todos esperam e reclamam que os políticos se comportem e actuem precisamente de acordo com os modelos que os fez cair em descrédito.
E é este círculo vicioso que tem de ser quebrado.
A verdade é que a política só vale a pena se tiver no centro das suas preocupações contribuir para um mundo melhor e, dessa forma, ajudar a que as pessoas sejam mais felizes.
E a felicidade significa não só o bem-estar pessoal, mas também o dos outros.
O PSD tem a obrigação, pelas suas raízes, pelo seu passado, de ser parte activa neste processo de reconduzir a política à sua nobre função.
Para tal, vamos ter de concentrar as nossas energias apenas nas questões que verdadeiramente preocupam os Portugueses.
E vamos deixar que outros se entretenham a discutir temas que, não afectam minimamente o dia a dia das pessoas.
Espero que estes trabalhos tenham estimulado fortemente o vosso gosto pela política e a capacidade de virem a exercê-la com dignidade e altruísmo.
E também espero que a grande lição que aqui receberam tenha sido a de que a política não é um meio de protagonismo pessoal nem de defesa de grupos, é uma forma de servir o nosso País.

Caros companheiros,
Esta nossa concepção de acção política é completamente diferente da seguida pelo Partido Socialista.
E a prova está na estratégia seguida por este Governo ao longo destes mais de três anos de legislatura.
Uma estratégia de manter as aparências, de esconder os fracassos e de iludir os Portugueses sobre a real dimensão dos seus problemas e da forma de os enfrentar.
O Governo gasta imensa energia e recursos a tratar da comunicação e imagem, mas o objectivo não é informar, não é esclarecer ou mobilizar. O objectivo é enganar-nos ou distrair-nos.
Mas chegou o momento de ficar claro o abismo que existe entre o discurso oficial e a dureza do dia a dia.
Hoje, três anos decorridos ao longo dos quais fomos atordoados por títulos de jornais e pelo anúncio de grandes realizações, confrontamo-nos com a realidade de uma pobreza crescente e de uma clivagem acentuada com os outros países europeus.
Ora, se todos os anúncios correspondessem à realidade o País tinha de estar melhor do que está.
Quantos foram os projectos anunciados e que não tiveram qualquer seguimento? Ainda ontem foi conhecido o caso dos aviões de Évora, para não falar da mistificação à volta do projecto dos carros eléctricos.
Por isso, os Portugueses, vivem hoje um clima de desânimo, justamente frustrados por verem desperdiçados os sacrifícios que lhes foram pedidos em troca de promessas num futuro melhor.
Há desilusão onde devia haver esperança, há lassidão onde tinha que haver dinamismo, há indiferença onde devia estar mobilização e vontade de lutar.
Este clima de mistificação só tem sido possível porque está apoiado por uma máquina de comunicação e de acção pouco democrática.
Ouvem-se todos os dias os arautos da acção do Governo e em contrapartida são cada vez mais abafadas as vozes dos que sabem que isto não vai bem, mas que não podem falar muito alto porque há uma impressionante máquina socialista que controla, que persegue, que corta apoios, que gere favores ou simplesmente que demite.
Na administração pública, na vida económica, no associativismo, nos mais variados sectores podemos recolher testemunhos e exemplos de um clima anti-democrático pouco saudável e desconfiado.
O Governo confunde autoridade com autoritarismo, esgota-se a impor quando devia ouvir, ao mesmo tempo que deixa minar a autoridade do Estado.
A maioria socialista aprova leis sobre leis muitas vezes sem se dar ao trabalho de reflectir sobre as suas consequências e sem que o Governo esteja preparado para garantir a sua execução, ou evitar as dificuldades que os novos quadros legislativos possam trazer.
Na pressa de cumprir calendários anunciados ou agitar bandeiras ideológicas da sua conveniência, o Governo despreza o estatuto da Oposição e abafa qualquer tentativa de participação séria e democrática.
O debate, a confrontação de ideias e a discussão objectiva das soluções é sempre fonte de regeneração, de resolução de conflitos e de progresso.
Mas Portugal está longe de beneficiar da democracia na sua plenitude.
Não é esta a nossa concepção de política, não é iludindo os problemas ou calando críticas que o País progride ou se mobilizam os cidadãos para uma nova atitude de iniciativa, de responsabilidade e de esforço.
Portugal tem demonstrado ao longo da sua história uma extraordinária capacidade de reacção aos estímulos, quando se incentiva a criatividade e a energia dos Portugueses e se cria um clima de confiança nas instituições.
Não é com concepções centralizadoras e falsamente proteccionistas, muitas vezes ameaçadoras da liberdade de opinião, que conseguimos acompanhar o ritmo de desenvolvimento dos países europeus nossos parceiros.
Pelo contrário. A competitividade da economia é prioritária para que se consiga a criação de emprego estável, melhoria de salários e maior segurança e protecção social.
É urgente um quadro de actuação claro em que se confie no Estado e nos poderes públicos para estimular, apoiar e garantir o estrito cumprimento das regras do jogo.
É na área da política económica que a asfixia que o actual Governo nos impõe se torna mais visível.
Os sucessivos governos socialistas, que ocuparam o poder durante 10 dos últimos 13 anos, desperdiçaram recursos gigantescos e tornaram muito difícil a vida das pequenas e médias empresas, esmagando qualquer esperança de iniciativa empresarial transformadora.
Na sua concepção centralizadora, o PS canalizou recursos para projectos sem rentabilidade ou justificação económica e, vai deixar o País endividado como nunca, e sem perspectivas de ultrapassar a estagnação, como o próprio Primeiro-Ministro confidenciou recentemente a um Presidente estrangeiro.
O nosso programa económico será exactamente o oposto de tudo isto.
A prioridade será para a competitividade da economia, para a produtividade e criatividade empresarial, removendo custos e obstáculos à eficiência das pequenas e médias empresas.
É imperioso reduzir os custos operacionais, aliviar a carga burocrática, reduzir a fiscalidade ligada à criação de emprego e apoiar a exportação.
Mas é sobretudo preciso que o sucesso se baseie no mérito, em vez de proteger simplesmente os que querem manter-se como estão, sem esforço, sem modernização e sem responsabilidade.
Entre outros problemas complexos, o mundo atravessa hoje uma séria crise de crédito. O financiamento é mais difícil, os credores são mais exigentes, os riscos mais difíceis de aceitar.
Como é que o Governo enfrenta esta crise? Com um endividamento externo recorde e em crescimento sem limite previsível, o que nos obriga a todos, particulares, famílias e empresas, a pagar mais pelo crédito a que recorremos.
Por isso, se desiste de muitos projectos produtivos e se abandonam iniciativas que teriam o risco próprio da inovação e do progresso.
E qual o motivo porque nos endividamos?
Para financiar projectos megalómanos que são um extraordinário luxo para o País porque não criam riqueza, mas que implicarão muitos anos de sacrifício para serem pagos.
O PSD propõe uma política económica diametralmente oposta, que conduza ao enriquecimento do País.
Uma política atenta à escassez de recursos e ao seu custo, porque o pouco capital que temos não pode ser esbanjado.
Propomos uma atenção crescente à poupança, sem a qual o crescimento não pode ser financiado.
Daremos prioridade absoluta aos investimentos de grande impacto na produtividade e na inovação.
Só com o reforço da nossa capacidade exportadora e de concorrência poderemos afirmar-nos, ou mesmo sobreviver, em mercados cada vez mais agressivos.
É por este motivo que não desistiremos de conhecer e avaliar os critérios que levaram o Governo a tomar decisões sobre grandes obras públicas.
Mas é no emprego que a política económica que defendemos melhor mostrará os seus resultados.
O desemprego crónico que se instalou na nossa economia é a manifestação mais clara da acção do governo socialista, a consequência de políticas erradas e incapazes de reorientar a política económica para a criação de postos de trabalho.
São as pequenas e médias empresas e os sectores mais expostos à concorrência que podem criar mais empregos de qualidade.
Ao destruir a competitividade da economia, o Governo tem destruído muitos milhares de postos de trabalho e impedido a criação de muitos mais.
Resta, assim, aos Portugueses a aceitação de salários cada vez mais distantes dos que se praticam na Europa, como única forma de assegurar os postos de trabalho que ainda existem e se vão mantendo.
Não admira que a emigração se tenha tornado de novo a última tábua de salvação para muitos dos nossos compatriotas.
Neste contexto, a qualidade dos serviços públicos é um dos factores mais decisivos de bem-estar dos cidadãos e uma marca diferenciadora das sociedades mais desenvolvidas e mais justas.
É sabido que as sociedades modernas e desenvolvidas necessitam de um Estado de dimensão importante, moderno, sofisticado e eficaz.
A reforma da Administração Pública é talvez a área onde este Governo mais prometeu e menos concretizou, por incompetência ou falta de coragem política.
Na Administração Pública não houve só três anos desperdiçados. Houve um óbvio e grave retrocesso e o enfraquecer das instituições.
A reestruturação dos serviços saldou-se por uma mão cheia de nada, no que se refere à eficácia e transparência.
Pelo caminho, os serviços viveram anos de incerteza, de confusão, e desorientação.
Serviu para adaptar a máquina aos interesses do Partido Socialista completando silenciosamente uma operação em grande escala do controlo político dos cargos da administração pública.
A avaliação de desempenho, invocada como trave mestra de toda a mudança, saldou-se por um logro em que florescem muitas prepotências e se afundam muitas esperanças.
É urgente libertar o País e as instituições do sectarismo partidário, que conduz à instabilidade e ao desprestígio de muitas organizações.
A modernização do Estado implica que se valorize o profissionalismo e o mérito e se abra caminho a uma nova cultura de responsabilidade, mérito e isenção.
Sem respeito por estes princípios, sem independência e sem solidez estrutural, o Estado é muito vulnerável à corrupção, ao tráfico de influências e ao enriquecimento ilícito, fenómenos que devem ser eficazmente combatidos na sua expressão efectiva mas que devem, sobretudo, ser prevenidos com determinação e seriedade.
De pouco serve aprovar leis contra a corrupção quando a organização é caótica, instável e politizada.

Caros Companheiros,
Em muitos outros sectores da vida nacional podemos encontrar claros sinais do mau Governo socialista que deixa o país sem confiança, sem alento e sem recursos.
Há o sentimento generalizado de fracasso, ninguém duvida que Portugal está muito abaixo do que poderia e deveria estar no seu nível de desenvolvimento.
Salvo para o pequeno grupo que caiu nas graças ou na dependência do poder socialista, para a maioria das pessoas a vida está cada vez mais difícil.
A confiança na qualidade e exigência do sistema educativo não melhorou e a classe dos professores conheceu um ataque sem precedentes, ao seu prestígio e autoridade.
Na saúde as políticas mudam com os ministros, ou os ministros mudam por causa das políticas e o serviço nacional de saúde vai conhecendo uma sangria de médicos e pessoal qualificado que já provocou a ruptura em serviços centrais.
A valorização das pessoas, o estímulo ao capital humano no sector público, incluindo em áreas de elevada qualificação e investimento na formação, é pura e simplesmente ignorado.
Na agricultura, as queixas contra o Governo, as dificuldades causadas por políticas erradas e surdas aos apelos, são caladas com o estrangulamento financeiro e premeditado das associações representativas do sector.
Na Justiça, as promessas de maior eficácia e celeridade redundaram na confusão no sector, no beliscar do prestígio e isenção da classe e no sentimento de que também a justiça é impotente perante as injustiças.
Por fim, o Governo falhou perigosamente no âmbito da Segurança Interna, onde é patente a falta de uma estratégia sistemática e coerente capaz de assegurar com a desejável eficácia a realização dos fins mais essenciais do Estado: a segurança, a justiça e a tranquilidade dos cidadãos.
O aumento de certo tipo de crimes violentos, pouco habituais na sociedade portuguesa, mas muito especialmente a sensação de impunidade dos criminosos, inquieta justamente os cidadãos, comprometendo a imagem tradicional de Portugal como País seguro.
Os acontecimentos dos meses de Verão tornaram patente essa falta de estratégia no que se refere à Segurança Interna.
Não é apenas uma questão de meios, nem de número de agentes.
É essencialmente uma questão de como esses meios estão a ser utilizados e como os recursos humanos são organizados e coordenados.
É esta estratégia que cabe, em particular, ao Ministro da Administração Interna definir e fazer cumprir.
Ora, é o sentimento de impunidade que intranquiliza as populações e, não se vê onde está a luta contra a criminalidade violenta.
Não se sente que os criminosos sejam perseguidos e punidos, nem que haja uma prevenção eficaz do crime.
Este sentimento não pode instalar-se como uma fatalidade.
Ora, o Ministro não disse e devia ter começado por aí, como iria reforçar a capacidade de investigação, de informação e de penetração das polícias.
O Governo confunde medidas com estratégias, confunde reacção com concepção. E confunde espectáculo com intervenção.
Em matéria de segurança interna e de autoridade do Estado, isto é gravíssimo.
Esta função de soberania não se compadece com a desorientação ou com medidas ditadas por urgências mediáticas.
Muito menos se compadece com a escandalosa operação mediática feita pelo Governo para calar os alarmes.
Como é possível que o Ministro da Administração Interna admita que se organize uma operação policial destinada a passar em directo na televisão, escolhendo o terreno tristemente emblemático de bairros problemáticos, sacrificando a um momento mediático a necessária pacificação e acalmia nas zonas de maior tensão?
Para um Governo que diz ter preocupações sociais, não podia ter mostrado maior insensibilidade social.
Mais uma vez se viu que o Governo não sabe actuar fora do espaço do espectáculo e do mediatismo, o cenário em que verdadeiramente se move bem.
No entanto, uma palavra é justa. Ao desnorte do Governo, as forças de segurança têm correspondido com um sentido de missão e responsabilidade que é de salientar e que é, em si mesmo, um conforto para este momento de crise.

Caros Companheiros,
O diagnóstico sobre a condução da vida política no nosso País está feito.
Os resultados estão à vista de todos e são medíocres. Fraco crescimento económico, níveis de desemprego elevados e, muito especialmente, manutenção da disparidade entre os mais ricos e os mais pobres.
Perante a mediocridade dos resultados, o PS insiste na mesma política.
O PSD afirma que perante a mediocridade de resultados tem de se mudar de política.
Não é demais recordar que o Partido Socialista desperdiçou oportunidades extraordinárias para imprimir um ritmo de desenvolvimento e progresso de que carecemos para competir na Europa e no Mundo.
Com um Governo do PSD e uma outra política o País poderá regressar a uma via de prosperidade.
Esse objectivo tem de incluir todos os cidadãos. Não pode ser feito à custa do agravamento da pobreza de uns para o aumento da riqueza de poucos.
O Estado não pode criar a ilusão de que pode, por si só, resolver todos os problemas de desigualdade e pobreza.
Mas pode fazer muito, se orientar a sua acção exclusivamente para os que dela necessitam.
É indispensável que se descentralize a rede de apoios sociais, ao mesmo tempo que o Estado se deve concentrar na avaliação muito rigorosa dos meios e dos efeitos desta intervenção.
É com olhos no futuro que se realiza esta Universidade de Verão.
O ano que nos espera é de muito trabalho e exigência.
Vamos ter vários actos eleitorais, todos eles importantes e que exigem o empenho de todo o Partido porque queremos ganhar.
O País precisa e merece melhor Governo.
Nós temos uma ambição para Portugal e ela não é maior nem menor do que a do PS. É diferente, profundamente diferente.
Do Governo do PS não resultou qualquer benefício para o País.
Do nosso, resultará o progresso e é essa ambição que nos move e nos motiva.
Conto convosco para, em conjunto, construirmos um Portugal à medida das nossas ambições.

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segunda-feira, 23 de junho de 2008

Situação actual do País. Uma visão preocupada

Transcrevo um «retrato», talvez muito realista com cores muito cruas, da actual situação do País, hoje recebido por e-mail, esperando que desperte meditação e comentários que ajudem a melhor compreender este tema.

Um País a cair de podre

A classe política, no seu vaivém diário entre a Assembleia da República, território de muitas 'estórias, gargalhadas-passatempos, gabinetes, inaugurações e algumas confrontações no terreno, não faz (ou não quer fazer) a mínima ideia do que está a acontecer no 'Portugal real'. Não é só o drama da habitação e do desemprego; dos aumentos constantes que afectam a qualidade-de-vida das pessoas; é sobretudo, a necessidade de pagar as contas mínimas de uma sobrevivência cada vez menos digna.

Metidos nos aviões, nos restaurantes de luxo, nos encontros com os seus parceiros europeus, cujas facturas estão pagas à partida, deitam-se e acordam com a sensação de uma vida atribulada. Mas é uma maratona que vale a pena correr, porque, agora ao serviço de uma empresa pública, amanhã como administrador de uma empresa privada, o lucro está garantido e as 'indemnizações maia reformas', em certos casos, como se pode ir observando, são escandalosamente douradas.

A Democracia trouxe a liberdade e o Pais desenvolveu-se, sobretudo, na área das Obras Públicas (porque será?). Na educação, na cultura, na saúde e no trabalho (empregabilidade) há uma minoria tão activa como existia no tempo do Estado Novo. Convém compreender o que pensam do 'regime democrático português' aqueles que nasceram depois de 1974. Identificam-se com o sistema partidário? Acham que os políticos fazem política honesta? Cumprem a sua função de reduzir, de facto, as assimetrias qualitativas? Até que ponto não estaremos todos a consagrar o 'regime do umbiguismo'?

Em Portugal, perdeu-se a vergonha. A impunidade está instalada, os lóbis cavalgam a onda da letargia popular e as 'estórias' que se contaram em redor da licenciatura do primeiro-ministro, as indecentes factualidades vivenciadas no eixo do sistema financeiro protagonizado pela CGD e BCP, com o governador do Banco de Portugal a gaguejar perante a inconformidade do ónus da culpa, ajudam a perceber como este Pais se arrasta na maior das indigências morais.

Os interesses dirimidos entre as 'capelinhas' do Bloco Central (PS+PSD) atiraram Portugal para a lama. A credibilidade dos Partidos extinguiu-se. As Forças Armadas estão paralisadas. A Igreja perdeu a força. Assaltados pela lógica furtiva do assalto, vivemos em ruptura social e os partidos continuam a fazer de conta.

Muito por força das 'lógicas umbiguistas* do Bloco Central, só a classe política não observa as rupturas sociais, em hora de assalto(s).

Por Rui Santos, jornalista, Semiópticas, opinião, pág. 82

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