Encontramo-nos numa situação muito crítica em que os eleitos têm que se concentrar, com todas as suas capacidades, na vida dos portugueses. Governar é isso. Mas agora a sensibilidade da situação exige que se mexa nos problemas com pinças, que se olhe para os problemas quase simultaneamente com microscópio e com binóculos, para dar atenção aos mínimos pormenores, sem perder de vista os objectivos distantes com todos os factores internos e externos.
Para isso, os partidos devem deixar de se entreter e desperdiçar energias com tricas entre si, e devem unir esforços para bem de Portugal, para encontrar a melhor solução, a melhor estrutura do Poder e da administração pública, a todos os níveis, etc. Nisso é interessante ver que o Ministro da Defesa desafia secretário-geral do PS a debater reforma do Estado e que Seguro desafia Passos Coelho para debater alternativa para o país, pois será bom que todos colaborem na preparação da Reforma do Estado que deve ser efectuada para durar algumas décadas sem necessidade de recuos e avanços que desnorteiam os cidadãos e os leva a desprezarem os políticos e cantarem a Grândola. Oxalá estes desafios não sejam apenas jogos florais como as guerras do alecrim e da manjerona.
O país está em crise e não suporta mais erros. É preciso que surjam, sem demora, decisões globais e sectoriais, progressivas, bem estudadas, com a colaboração de pessoas capazes, idóneas, isentas e conhecedoras dos problemas do pais (dos portugueses). A situação tem piorado imparavelmente como mostram os seguintes artigos:
- Gaspar reconhece que desemprego será ainda maior
- António Borges: Falta de equidade leva a sentimentos de revolta
- António Borges critica desigualdades na repartição dos sacrifícios
- Desemprego dispara, défice derrapa, dívida cresce e crescimento encolhe
- Marcelo: "Persistir na atual solução é suicida"
- Marcelo Rebelo de Sousa diz que vai ser mais difícil ao governo ganhar as eleições em 2015
- "Zigue-zague" de Gaspar "retira confiança à política"
- Seguro faz duras críticas às políticas de austeridade do Governo
Mas apesar deste quadro nada calmante, surgem notícias que mostram a persistência no voluntarismo, na teimosia obsessiva, na crença de que ideias são realidades que resolvem problemas sem que «haja acção eficaz, que mostram desprezo pela realidade e desconhecimento dos maus resultados das medidas tomadas nos 20 meses que empobreceram a população não abastada, criaram desemprego, paralisaram a economia, encerraram empresas, etc. Essas notícias centram-se na seguinte: Passos Coelho: País está na direcção certa.
Homem honesto não diria uma coisa que não é suportada por qualquer indicador da realidade, não condiz com os textos atrás referidos. Homem inteligente teria mais cuidado em captar a confiança das pessoas de forma mais aceitável. Se a direcção está certa quando se verificam os dados referidos no título desta notícia, tem que se concluir que o objectivo para que ela conduz será o mais profundo abismo de onde não há regresso. Ora, não creio que Passos queira, conscientemente, levar os portugueses para um suicídio colectivo, logo será absolutamente necessário dar umas guinadas no volante e mudar de direcção para evitar o buraco. Gerir é como conduzir um carro, não se pode fixar o volante e cruzar os braços, pois é preciso corrigir a direcção a cada instante.
Por outro lado, se durante 20 meses temos vindo a sofrer crescentes sacrifícios sem que se tenha obtido qualquer melhoria, qualquer resultado positivo e compensador, não podemos esperar que a mesma equipa consiga inverter os resultados, pois a receita está a ser a continuação do uso do mesmo tóxico, maas agora em dose reforçada. Isso não cura dos efeitos negativos do tratamento anterior com dose mais ligeira. Só pode agravar.
Também não parece sensato desprezar os sinais que chegam do descontentamento, da indignação popular, como se vê pelo título da notícia Passos defende que protestos "não são representativos da sociedade portuguesa”.
Será que os responsáveis esperam por um milagre? Ou será que em vez de serem cumprimentados pelo som de uma canção popular passem a ser por outro som diferente e de efeitos mais dolorosos? Estamos numa encruzilhada difícil que exige competência nas decisões e verdade na informação dirigida aos cidadãos. E devem ser tomados em consideração, nas devidas proporções, todos os sinais dele advindos.
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Verdade e competência ou o quê?
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domingo, 24 de fevereiro de 2013
Grândola para mais governantes
Depois de Passos Coelho, Miguel Relvas, Paulo Macedo, Paula Teixeira da Cruz, Vítor Gaspar, foram contemplados com o som da canção «Grândola Vila Morena, o ministro Álvaro Pereira e os secretários de Estado Franquelim Alves e Sérgio Monteiro.
Os portugueses estão a tomar gosto por esta música, e os governantes devem rever o seu estilo com que tratam os assuntos que afectam os cidadãos, porque o que custa é começar e, depois, pode aumentar o risco de o som vir a ser diferente. E, nestas coisas, mais vale prevenir, porque, às vezes, já não é possível remediar…
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Ministra não muda agenda
Na reunião de Paula Teixeira da Cruz, ministra da Justiça com a comissária europeia Viviane Reding no Hotel da Quinta das Lágrimas, em Coimbra, ocorreu interrupção por cidadãos que cantavam "Grândola Vila Morena", de Zeca Afonso, à semelhança do que já acontecera com Passos Coelho, Miguel Relvas, Paulo Macedo e Vítor Gaspar.
A Srª ministra reagiu com serenidade e disse que não muda agenda nem se choca com "Grândola".
Plagiando uma frase de Henrique Monteiro, «sempre que ouvimos as razões do outro lado, descritas com racionalidade e calma, mudamos um pouco. [Pelo contrário,] sempre que as ouvimos no rugir de uma guerra de palavras, enquistamos no nosso preconceito». Espero que a Srª ministra, tenha também aprendido alguma coisa com aqueles portugueses que, a cantar, expressaram o seu apelo.
É lógico que no momento não pudesse decidir fazer qualquer mudança na sua agenda. Mas não deve afirmar que não a muda porque isso pode enquistar a indignação que motiva o cântico, e deve utilizar o apelo da população como incentivo a rever as suas decisões e a preparar melhor as que se seguem. A condução da política deve ser uma actualização permanente tal como a condução de um carro em que o volante é accionado a cada momento a fim de não sair da estrada que o conduz ao objectivo, ao destino da viagem. Não teria ficado mal à Srª Ministra dizer que vai analisar os problemas que tem em mão a fim de escolher as soluções mais correctas em relação aos interesses dos portugueses.
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sábado, 15 de setembro de 2012
Polícia guarda sede do FMI
A sede do Fundo Monetário Internacional,
situada no número 57 da Avenida da República, em Lisboa, está a ser vigiada por
polícias e cães, devido à ocorrência de alguns confrontos.
Gritos e algumas palavras de ordem têm vindo a ser pronunciadas pelos manifestantes em frente à sede do FMI. Foram ouvidos três petardos e pelos menos dois jovens foram detidos quando arremessavam tomates contra o edifício. Para além disso, um dos manifestantes atirou uma garrafa.
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domingo, 26 de junho de 2011
Convulsões sociais. Mais vale evitar
Depois das convulsões no Egipto no início deste ano que culminaram com o abandono do Poder por parte de Osni Mubarak, têm ocorrido frequentes manifestações de desagrado com as autoridades e a última, na noite de sexta-feira, fizeram dezenas de feridos em confrontos entre partidários e opositores de Mubarak.
É mais um caso a confirmar que é melhor evitar do que remediar, o que significa que o Poder deve prestar mais atenção à vontade do povo e não governar contra ele, mas sim para ele e por ele. Os governantes não devem considerar-se donos do País, mas sim servidores dos cidadãos e actuando em nome deles e com o pensamento em criar melhores condições de vida para a generalidade deles.
Os ouvidos do poder devem estar atentos a reclamações e lamentos dos cidadãos e resolver atempadamente aquilo que não está devidamente correcto e com justiça social. Dessa forma se poderá evitar convulsões violentas que sempre deixam rastilhos para posteriores confrontos, sempre indesejáveis pelos custos sócio-económicos que acarretam.
Fica aqui este alerta para a necessidade de prevenir situações graves de desagrado, principalmente neste período em que se deseja a melhor convergência de esforços para ultrapassar a crise que nos preocupa.
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sexta-feira, 18 de março de 2011
O País está vivo
Transcrito de artigo de igual título do blog POVO, por merecer ser meditado a par do post anterior para melhor se compreender um aspecto da democracia actual
O país está vivo!
Raquel Abecasis
RR online 14-03-2011; e o Povo Quarta-feira, 16 de Março de 2011
A manifestação do passado sábado veio provar que a classe dirigente e os comentadores nacionais estão completamente errados na visão que têm do país.
As centenas de milhares de pessoas que saíram à rua mostram um país que está exausto e revoltado e que este não é um estado de espírito apenas dos jovens, mas de uma larga maioria da população. Não ver isto e querer colocar esta manifestação no âmbito da mobilização de partidos e de sindicatos é persistir num erro que nos pode sair muito caro.
As imagens da manifestação mostram um país que está vivo, que não desistiu e que tem vontade de mudar o actual estado de coisas, não de uma forma negativa, mas construtiva, como afirmaram muitos dos que foram ouvidos pela comunicação social.
Ficámos a saber, este fim-de-semana, que, afinal, as elevadas taxas de abstenção dos últimos actos eleitorais ou a indiferença com as campanhas políticas não revelam apatia, mas sim uma profunda discordância com os métodos e prática dos políticos.
O modo como esta manifestação vai ser lida nos próximos dias é determinante para o nosso futuro. Ignorar o que se passou é programar uma bomba relógio que a prazo há-de rebentar.
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Egipto com o povo a manifestar-se
Centenas de egípcios desafiaram as autoridades e protestaram contra o Governo no Cairo, num “dia de ira”. As críticas ao regime têm vindo sobretudo de activistas on-line, que marcaram a manifestação para um feriado em honra da polícia. As manifestações, num “dia de revolta contra a tortura, a pobreza, a corrupção e o desemprego”, serão o teste para ver se o activismo consegue passar dos chats e blogues para as ruas.
“Cenas extraordinárias no Cairo enquanto milhares e milhares marcham com aparente liberdade depois de anos e anos a verem cada protesto anti-governamental imediatamente reprimido pela polícia”. “A polícia anti-motim segue atrás mas parece não estar certa do que fazer”, comentou: “três manifestações estão a ir agora para partes diferentes da capital, todas romperam cordões policiais, mas parece haver pouca coordenação sobre o que fazer a seguir.” Isto é relatado por Jack Shenker, jornalista do diário britânico "The Guardian".
Significativamente, o influente opositor egípcio Mohamend ElBaradei, ex-director da Agência Internacional de Energia Atómica e Nobel da Paz em 2005, garantiu que vai hoje mesmo juntar-se à vaga de protestos no seu país natal, onde a contestação nas ruas ao Presidente, Hosni Mubarak, entra já no terceiro dia consecutivo.
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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Saber manifestar-se
Dois ciclistas iranianos passaram por Lisboa, depois de terem atravessado a Turquia, Grécia, Itália e Espanha e seguem agora para França e daí para a Bélgica, Dinamarca, Noruega, Suécia e Holanda e, se conseguirem os vistos necessários, pretendem ainda pedalar no Canadá, Estados Unidos, América Latina, Japão e China antes de regressar ao Irão.
Segundo as suas palavras, "o objectivo desta viagem é a amizade e as relações cordiais entre todos os países. Queremos que o mundo preste atenção a estes valores". Querem alertar pessoas e instituições dos países por onde passam para a necessidade de valorizar a paz, a amizade, um estilo de vida saudável e a defesa do ambiente.
Esta é uma forma civilizada para divulgar uma ideia ou reclamar de uma medida injusta ou de uma situação desagradável. Entre nós, seriam convenientes manifestações deste género a fim de alertar para a necessidade de medidas que evitem a anunciada «explosão social espontânea», descontrolada e com o perigo de muitos prejuízo para inocentes, sem serem lesados os reais inimigos públicos.
Não consta que Portugal tenha sido atravessado por indivíduos a reclamar do aumento do IVA, dos transportes, do PÃO, da corrupção, dos bancos, etc. Esperam que outros lhes resolvam os problemas e que lhes levem os resultados numa bandeja. Limitamo-nos a desabafar no café ou no banco do jardim entre amigos. Onde está a coragem e o dever de cidadania? A regra parece ser ainda o medo, a resignação, a sujeição.
Falta aos portugueses a sabedoria de reclamar, de saber reclamar com visibilidade e oportunidade sem cair na alçada da polícia, embora o professor João César das Neves diga que «o mais irónico é que os nossos intelectuais costumam desprezar o povo e a cultura nacional, quando o único grande defeito do País está na mediocridade das elites».
O exemplo destes dois iranianos faz pensar.
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terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Perigo de «explosão» social espontânea
"Explosão" social poderá suceder à estupefação
Expresso. 9:51 Segunda feira, 27 de Dezembro de 2010. Lusa. Por Tiago Miranda
O ano 2010 é um ano de susto, em que os portugueses foram apanhados de surpresa, considera Boaventura Sousa Santos
A chegada da crise foi recebida com estupefação pelos portugueses, mas a "explosão" poderá rebentar espontaneamente ou por contágio europeu, alertam os sociólogos Boaventura Sousa Santos e António Barreto.
A crise foi-se instalando e apanhando os portugueses de surpresa. Primeiro é a estupefação e a inação ditadas pelo medo instaurado por um passado recente sem democracia, depois é a "explosão", que rebentará espontaneamente ou por contágio europeu.
A opinião é dos sociólogos António Barreto e Boaventura Sousa Santos, que justificam a aparente calma da sociedade portuguesa, num contexto de agravamento de crise e de escalada de violência em manifestações pela Europa, com falta de tradição organizativa e excessiva dependência do Estado.
"O ano 2010 é um ano de susto, em que os portugueses foram apanhados de surpresa. Um ano de medidas de austeridade aplicadas gradualmente e que não tiveram um efeito pleno na vida dos portugueses, como tiveram em países como a Grécia, onde as medidas foram particularmente drásticas", afirmou Boaventura Sousa Santos.
País sem tradição organizativa
Além disso, Portugal não tem tradição organizativa, considera o sociólogo, lembrando que o país viveu metade do século XX sem democracia e que, por isso, as pessoas continuam a ter medo e a viver como num regime de ditadura.
"É natural que algo aconteça a partir do momento em que estas medidas possam entrar não só no bolso, mas na cabeça das pessoas e estas percebam que estão a ser roubados para que o sistema financeiro e os bancos continuem a ganhar rios de dinheiro e a fazer disparar o consumo ostentatório que tem neste Natal um dos pontos mais altos desde 2008", afirmou.
Boaventura Sousa Santos acredita que as "coisas vão piorar" e que "se não houver inflexão vai-se assistir a uma situação explosiva nos próximos anos".
Na opinião do sociólogo, Portugal não é dos países que "mais se ofendem, pois viveu muito tempo com a mediocridade escondida do salazarismo", e "não tem tanta perceção de justiça", mas pode ser contagiado pelas mobilizações sociais na Europa, perante o desgaste dos direitos sociais.
Dependência do Estado
Para António Barreto, o problema de Portugal é a dependência do Estado e das organizações públicas. "Quanto maior a dependência, mais o receio de expressão livre e independente, sobretudo da expressão de contestação.
Mas também este facto tem particularidades: recalcar a expressão crítica por causa de dependência pode conduzir a verdadeiras explosões, mais tardias, mas mais cruas ou violentas", considera o sociólogo.
A capacidade organizativa e de contestação social - que em Portugal é diminuta - é mais eficaz, mais rápida e mais visível, mas também mais controlável.
Em contrapartida, "a contestação espontânea é mais difícil, mais lenta, mais longa de desenvolver, mas também mais profunda e ameaçadora para a ordem estabelecida", referiu.
Clima de contestação em 2010
Durante este ano, o clima de contestação foi elevado, mas sob formas pacíficas e institucionais, considerou o sociólogo, lembrando, contudo, que a situação se pode alterar.
"Nem sempre a contestação é proporcional à dificuldade. Por exemplo, taxas elevadas de desemprego e até situações de fome ou carência podem coexistir com graus igualmente elevados de resignação", afirmou, manifestando-se convicto de que no próximo ano se "desenvolverá muito significativamente o descontentamento".
Na opinião do sociólogo, se o poder político não souber responder com clareza e se revelar instável e incoerente, as coisas podem agravar-se.
"E se o poder político persistir em não reconhecer os problemas, em não esclarecer, em mentir, em enganar os cidadãos e em, pior de tudo, enganar-se a si próprio, poderemos recear uma crescente tensão social", acrescentou
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segunda-feira, 31 de maio de 2010
«A soberania reside em a Nação»
Este título é reprodução, de memória, da Constituição de 1933.
O direito e dever de cidadania, em democracia, deve ser interiorizado por cada cidadão. E o descontentamento deve ser manifestado pela forma mais urbana e educada possível, mas sem excluir outras formas que sejam necessárias para obter eficiência e racionalidade dos procedimentos. Não basta conversar à mesa do café, mas esse é o primeiro passo para tomar conhecimento mais completo das realidades, para apresentar sugestões, dentro das possibilidades de influência, e para dirigir reclamações pelos meios disponíveis.
Os governantes têm necessidade de saber o pensamento e os sentimentos acerca daquilo que é feito e daquilo que deve ser feito para benefício dos portugueses, a fim de poderem exercer o seu dever de governar, no melhor sentido, para bem dos concidadãos que neles depositaram confiança e que por eles são representados. Para isso, é indispensável que as pessoas não se calem e não abafem as próprias opiniões.
Tem muito interesse, ler as seguintes palavras sobre este tema do cronista do Jornal de Notícias Rafael Barbosa, na edição de hoje:
(…)
2. Uma imensa multidão invadiu as ruas de Lisboa. E isso não se consegue apenas com a afamada capacidade mobilizadora da CGTP. Ninguém troca um sábado à tarde de descanso, de praia ou de convívio familiar, depois de uma semana de trabalho, para fazer o frete a Carvalho da Silva. Não havia brindes para receber na Avenida da Liberdade. As pessoas protestaram porque não estão contentes. E protestaram sabendo que o diálogo é importante, que a negociação é essencial. Mas sabendo também que nada se conquista de mão beijada. Nenhum Governo, nenhum patrão, reagiu, alguma vez, apenas porque lhe pediram delicadamente.
Faz parte da história da Humanidade: todas as conquistas sociais, desde o direito a dias de descanso à assistência na doença, foram conseguidas na rua, muitas vezes com sangue derramado e vidas perdidas. Já não vivemos os tempos violentos do século passado e não se justifica a radicalidade de uma batalha campal. Mas isso não significa que os cidadãos descontentes tenham de se comportar como cordeirinhos, rendidos ao discurso da inevitabilidade do aumento de impostos, assistindo tranquilos à demolição de direitos sociais. Manifestar-se nas ruas não é apenas um direito, é um instrumento. E é do confronto que se faz o progresso, seja qual for o caminho que ele tome. Um país de gente conformada, que só protesta à mesa do café, não é um país recomendável.
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sábado, 13 de fevereiro de 2010
Manifestação em apoio de Sócrates
SMS convoca manifestação de apoio a Sócrates para dia 20
Diário Digital. sábado, 13 de Fevereiro de 2010 | 17:45
Uma mensagem de texto anónima está a circular entre os militantes socialistas a convocá-los para uma manifestação de apoio a José Sócrates na Alameda Fonte Luminosa, em Lisboa, pelas 15:00 horas, no próximo dia 20. «Vamos repudiar esta campanha suja contra o PS e contra Sócrates», anuncia.
«Vamos de novo encher a Alameda Fonte Luminosa», onde, no Verão de 1975, o PS, então liderado por Mário Soares, fez um grande protesto contra o PCP, num momento considerado histórico para os socialistas. «Está na hora do PS se unir e combater esta baixa campanha, urdida pela direita dos interesses!», continua.
«Um partido que sempre lutou pela democracia e liberdade não pode aceitar calado este ataque sujo! Vamos repudiar esta campanha contra o PS e Sócrates e mostrar bem altas as nossas bandeiras. Divulga», pede ainda a SMS, que já é do conhecimento do PS, que afirma desconhecer a sua origem.
«O PS não tem nada a ver com isso», declarou a assessora de imprensa do partido, Catarina Faria, de acordo com a edição electrónica deste sábado do jornal Público.
NOTA: Será que assim se conhece a força do PS??? Se houver mais do que os 20% dos eleitores inscritos, tantos quantos teve nas legislativas, fica provado que manteve o seu eleitorado, embora pouco representativo! Fazem bem em aproveitar a liberdade de reunião e de manifestação, enquanto não a retirarem como estão a fazer à liberdade de expressão e de opinião.
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sábado, 4 de outubro de 2008
Sinais da área militar - 6
Com a devida vénia, transcrevo o post seguinte, do blog Fio de prumo, da autoria do Sr Coronel Luís Alves de Fraga, a quem apresento os melhores cumprimentos.
União
O adágio popular diz que «a união faz a força». É certo que toda a união representa mais do que o somatório da força de cada elo da cadeia; poderíamos dizer, de forma tosca, que a união de uma qualquer cadeia é igual à soma da força dos elos da mesma mais a força do conjunto. Uma tal verdade genérica pode ter várias aplicações. Ocorreu-me, hoje, uma sobre a qual vou discorrer em discurso breve, mas conciso.
Mais do que noutros tempos já passados, têm sido os militares, nas suas diferentes categorias e Ramos, atacados por este Governo maioritário e dito socialista nos direitos que julgavam adquiridos. Tudo começou pela assistência sanitária e pelas comparticipações específicas que lhes eram dadas quer aquando da aquisição de medicamentos quer nos chamados actos médicos. De uma forma perfeitamente arbitrária o Governo retirou direitos que eram formas indirectas de pagar sacrifícios de uma vida ao serviço da Pátria. Pessoalmente essa arbitrariedade governamental passou a pesar-me na carteira mais de mil e duzentos euros no final do ano em despesas de farmácia!
Quando o militar está na efectividade de serviço pode, de acordo com os regulamentos que pautam a sua actividade, fazer chegar ao comando competente a manifestação da sua discordância em relação ao que afecta a sua vida. Pode dizer por escrito: «Exmo. Senhor, o que me é pago por mês não chega para satisfazer as despesas normais de sustento da minha família. Solicito que dê conhecimento do facto a quem de direito e que sobre o assunto seja tomada a resolução que se achar conveniente».
Pode dizer isto e o comandante ou chefe, se não for completamente inapto, deverá fazer chegar este desabafo ao escalão mais alto que lhe for possível. Talvez o militar reclamante nada ganhe com a reclamação, mas teve a oportunidade de, com lealdade, informar sobre a sua desmotivação. Ora, o que é verdade para um militar na efectividade de serviço já o não é para um que esteja na situação de reforma. Esse não tem para quem reclamar! Resta-lhe, então o quê? Juntar-se com os velhos camaradas em iguais circunstâncias e, em conjunto, carpirem as suas mágoas. Mas só isto? Na minha opinião, não.
Os militares reformados detêm um direito inestimável: o de livremente poderem reclamar em público contra o que acharem por bem. Confere-lhes esse direito a Constituição Política da República. Uma República democrática que ajudaram a construir há 34 anos. As amarras castrenses já estão soltas.
É verdade que o direito de reunião e de manifestação pode ser usado por todos os militares, reformados ou na efectividade de serviço, mas também é certo que sobre os primeiros já não tem a autoridade militar qualquer tipo de alçada. Isso dá àqueles um mais largo espectro de liberdade!
Se nós, militares reformados, soubermos tirar proveito da possibilidade de protesto público formamos uma cadeia que tem a força de cada um e mais a força do conjunto.
Aproxima-se a altura de podermos mostrar quanto valemos. Deixemo-nos de velhos pruridos e saltemos a juntarmo-nos engrossando a cadeia que nos dá força. Deixemos de lado a velha frase que fez escola aqui há alguns anos e que resumia a ideia de que o «chefe do sindicato» era o Chefe do Estado-Maior do respectivo Ramo. Está mais do que provado que eles não são «chefes de sindicato» nenhum e, até, se calhar, já mal representam os direitos e interesses daqueles que comandam.
Camaradas de armas unamo-nos!
Luís Alves de Fraga
NOTA: A liberdade só tem significado se for utilizada. Se o não for, não serve para nada.
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segunda-feira, 16 de julho de 2007
De quem foi o funeral?
O povo português, preso a tradições que se mantém quase imutáveis durante séculos, agarrado a crenças religiosas e dominado por afectos familiares e de amizade, logo que tem notícia do falecimento de um familiar ou amigo chegado, mesmo que tudo se tenha passado, a muitos quilómetros de distância, corre a vestir as roupas mais adequadas ás circunstâncias e dirige-se ao local do velório, para das a condolências aos familiares do defunto e acompanhar o corpo deste à terra (ou ao crematório nos tempos de hoje).
Ontem, curiosamente, sem que tivesse havido notícia audível de falecimento, deparámos, através da TV, que vieram de urgência a Lisboa numerosos cidadãos de localidades distantes, desde o Alentejo ao Minho e Trás-os-Montes. Vieram de autocarros que alguém lhes pagou e receberam uns euros para comer uma bucha e beber uma pinga para enganar o estômago. Interrogados pela TV, alguns nem faziam ideia a que funeral vinham. A «festa» não era deles, não tinham relações directas com os alvos desta sua homenagem. Não se confessaram enganados, porque acabaram por viajar á borla até à capital do rectângulo e isso, só por si, até era um prémio para quem raramente sai da terrinha.
Porquê e para quê esta deslocação forçada de população? Há quem diga que o deserto se alargou para a margem Norte do Tejo e abrangeu Lisboa, como se viu nas urnas que ficaram quase vazias, tendo, por isso, para que houvesse uma manifestação de regozijo, sido necessário recorrer aos subterfúgios da migração da periferia para a Capital. Realmente, sendo a vitória alcançada por tão poucos votos, não seria possível agregar mão-de-obra suficiente para realizar um desfile muito luzido! E não seria de bom tom contratar os eleitores dos candidatos da oposição para tal manifestação de regozijo. Enfim, situações que acontecem quando não há uma perfeita sintonia entre partidos e seus filiados e entre políticos e cidadãos civis, como pode concluir-se do post anterior!
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sábado, 16 de junho de 2007
Manifestantes contestam junto Sócrates em Abrantes
Manifestantes contestam junto Sócrates contra fecho hospital
Centenas de populares de Abrantes aproveitaram hoje a visita de José Sócrates para o vaiar, manifestando-se contra o eventual fecho do hospital local, uma medida que já foi negada pelo primeiro-ministro.
Gritando palavras de ordem contra o Governo, os populares, vestidos com t-shirts onde se podia ler «Abrantes sem hospital não», abordaram o primeiro-ministro, que havia inaugurado o maior açude insuflável do país, contestando o eventual fecho da unidade hospitalar.
«Defendam o hospital, senão não vale a pena viver em Abrantes. Está tudo a esvaziar-se», desabafou uma popular, enquanto cumprimentava José Sócrates que quis passear entre os manifestantes, garantindo que nenhuma das valências existentes irá encerrar.
«O Governo não tem nenhuma intenção de alterar o acordo entre os hospitais de Abrantes, Torres Novas e Tomar» sobre a distribuição das valências clínicas, prometeu José Sócrates, que considerou a manifestação «muito simpática».
Apesar de ter sido confrontado com vários insultos e acusações como «mentiroso», José Sócrates considerou que quem o abordou dirigiu-se a ele de forma «cordial e civilizada».
Aos políticos cabe responder com «fair-play» e «ouvir com um sorriso porque (este tipo de situações) faz parte da festa da democracia», disse José Sócrates, que negou qualquer intenção do Governo de reduzir os serviços clínicos da unidade de saúde, criada durante um Governo de Mário Soares.
«Era o que faltava que um Governo presidido por mim fosse alterar fosse o que fosse», afirmou José Sócrates.
Na visita, Manuel Dias, porta-voz do movimento cívico por Abrantes ProAbrantes, entregou uma carta ao primeiro-ministro onde manifestou a sua preocupação com o futuro do hospital local, já que uma redução das competência virá «desqualificar e comprometer a qualidade de vida» da população.
Até porque o hospital serve concelhos limítrofes que ficarão ainda mais longe das outras unidades do Centro Hospitalar do Médio-Tejo, refere ainda a carta.
No documento, os populares apontam ainda o receio que o círculo judicial de Abrantes, criado em 1986, venha a ser encerrado no quadro da criação nas novas circunscrições judiciais.
No entanto, o secretário de Estado da Justiça, Conde Rodrigues, que esteve na visita, garantiu à Agência Lusa que «não foi ainda anunciada qualquer decisão» do Governo sobre o novo mapa judiciário pelo que qualquer receio é «simples especulação».
Diário Digital / Lusa
16-06-2007
Segundo as notícias o açude insuflável inaugurado custou 190 milhões de euros e, segundo o presidente a Câmara local, terá utilidade para desportos náuticos, turismo, espectáculos culturais. Até parece que tudo isso é mais importante do que as condições de apoio à saúde, pois para o hospital não há dinheiro! Mas, tal como na Ota, em Vendas Novas e noutros locais do país, valeu a pena o povo manifestar-se e o problema vai beneficiar de um recuo do Governo. Ouçamos a palavra de José Saramago "é altura de protestar, porque se nos deixamos levar pelos poderes que nos governam e não fazemos nada por contestá-los, pode dizer-se que merecemos o que temos".
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