Transcrevo para este espaço o comentário que Luís Alves de Fraga colocou no post «Na crise é preciso optimismo» por conter dados informativos muito interessantes que são um óptimo contributo para o aprofundamento do tema, em benefício dos leitores. NOTA: Este texto, mostrando que, nos tempos em que Portugal avançava à velocidade do mundo desenvolvido, havia Homens com visão correcta dos problemas e que adoptavam as melhores soluções, para obter efeitos a longo prazo, reduz o optimismo que agora se queira ter com a actual geração de políticos presos ao imediatismo e pouco ousando além do curto prazo. Aquilo que o autor refere do nosso País de antanho, é frequente nos Países que experimentaram êxito no desenvolvimento e recordo a Índia. A sua independência e os primeiros passos ficaram a dever muito ao Mahatma Gandhi e a Jawaharlal Nehru. Na sua acção coordenada, não faltou uma pequena divergência, mas ambos estavam de acordo em que era necessário começar pelo equilíbrio da balança comercial, reduzindo as importações, para o que havia de começar pela produção para as necessidades internas. Se Gandhi se inclinava para priorizar a existência de um tear em cada aldeia a fim de explorar directamente o algodão e evitar a importação dos tecidos vindos da Inglaterra (produzidos com algodão levado da Índia), Nehru inclinou-se para ultrapassar a produção artesanal e avançar para a indústria do aço e da maquinaria pesada, o que valeu à Índia, em poucos anos, tornar-se um importante exportador de equipamentos industriais. A fórmula de desenvolvimento era «engenharia e máquinas industriais pesadas, instituições de investigação científica, e energia eléctrica» e, a partir daí, veio aquilo que hoje é uma das grandes potências económicas mundiais (Ver «The Commanding Heights» de Daniel Yergin e Joseph Stanislaw, Edit Touchstone, 1998). Essa mentalidade de navegar na crista da onda ficou e desenvolveu-se, sendo hoje um dos grandes exportadores de «know-how» informático. A Portugal resta, como diz o texto no último parágrafo, saber analisar as realidades olhar para a panóplia dos remédios já comprovados em países desenvolvidos e escolher aqueles que mais nos convêm. Mas cuidado, porque os nossos dirigentes têm caído na asneira de adoptar soluções que lá fora já foram postas de lado por ineficazes. Os políticos precisam de competência, bom senso e dedicação ao bem nacional.
Meu Caro Amigo,
Algumas das conclusões citadas no seu interessante texto são velhas de quase 400 anos. Realmente, já D. Luís de Menezes, conde da Ericeira e ministro de D. Pedro II, aconselhava e defendia entre nós a criação de manufacturas para acabar com as importações e, se possível, dar início a um ciclo de exportações. Vivia-se a época do colbertismo e não do livre câmbio. Mas, se na História recuarmos mais outros cem anos - ao final do século XVI - encontramos relatos da forma pobre e rude como se vestiam os Portugueses (ver de A. H. de Oliveira Marques, "Portugal Quinhentista") por determinação real para evitar as importações de tecidos caros e exóticos, defendendo assim o erário público.
Em Portugal, como em certas regiões onde imperam o latifúndio, ao invés de «fome de terra», impõe-se a «fome de consumo». Consumir tudo o que vem de fora numa demonstração bacoca de riqueza é uma característica secular dos Portugueses! Não era Salazar quem mandou dizer que «beber vinho (produto de produção interna) era dar de comer a um milhão de Portugueses»?
Ora, o que é que se fez para remediar esta nossa característica estruturante? Integrou-se o país no maior mercado de consumo organizado politicamente que existe no Mundo! Integrou-se e subsidiou-se o consumo através da entrada de dinheiro às catadupas. Quer dizer, disse-se aos Portugueses: - Gastai, porque gastais o que não é vosso e, tal como no reinado de D. João V, esbanjou-se o ouro europeu de forma semelhante ao que se fez ao ouro brasileiro: enriquecimento privado - normalmente faustoso e economicamente inútil - esbanjamento em umas quantas obras públicas, quase sempre, também, não geradoras de riqueza permanente.
Na falta de qualquer mina de ouro que pudesse alimentar a fome de consumo, qual foi, afinal, a solução adoptada? Procurar o arrimo à mesa do Orçamento, seja ele erário real ou fruto da cobrança de impostos. Já no reinado de D. Manuel I o monarca, para saciar a fome da nobreza que lhe cobiçava os falidos cabedais, dava-lhe autorização para que fosse à Índia comerciar e trazer especiarias que lhe servisse de esteio ao gosto do gasto.
A presença berbére entre nós, com marcada influência arábica e egípcia, foi excessivamente longa - mais de 500 anos - e deixou-nos a matriz de origem que a miscigenação cultural obrigava: o gosto pelo consumo, pela "pequena" independência individual proveniente do minúsculo negócio familiar, a capacidade de sobrevivência em qualquer meio ambiente social e, acima de tudo, uma desmedida vaidade apoiada numa enorme inveja do vizinho.
Governar este Povo só é possível através de medidas muito seleccionadas no estrangeiro - daí o êxito (?) do marquês de Pombal - ou com o látego iluminista na mão para refrear-lhe as características centenárias e, aí, limitar as ambições de todos, a todos educando para a moderação iluminada da civilidade. E foi nesta segunda parte que Salazar falhou, pois não passava de um provinciano, apegado à tradição e incapaz de ver nas "Luzes" estrangeiras o "farol" orientador de um Povo que anda à míngua de rumo há muitos séculos!
Necessitamos de governantes que saibam muita História de Portugal e tenham bons rudimentos de Antropologia Cultural capazes de estabelecer sínteses históricas que orientem as decisões legislativas.
Desculpe-me a prolixidade da exposição, mas julgo que é necessário deixar claros os defeitos dos Portugueses - os nossos defeitos - para, depois, sabermos escolher da panóplia de remédios aqueles que mais nos convêm.
Luís Alves de Fraga
sábado, 7 de junho de 2008
Exportar para desenvolver
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A. João Soares
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quinta-feira, 5 de junho de 2008
Na crise é preciso optimismo
Julgo interessante deixar aqui alguns excertos da conferência do economista Daniel Bessa proferida nos «Encontros Millenium» em Castelo Branco, por estimularem as reflexões sobre a forma de sair da crise actual. O link permite aos mais interessados ler mis sobre o tema.
- «só há uma maneira de crescer: é exportar».
- «o pessimismo é o pior dos pontos de partida","não se pode gerir uma empresa com pessimismo».
- "Num país tão pequeno e aberto, temos que investir para exportar, exportar para criar emprego e assim permitir que as condições de vida melhorem. Foi isso que não fizemos durante anos»
- «Portugal poupa pouco, o Estado gasta muito, as famílias têm um nível de vida muito elevado, as empresas têm dificuldades em reter o cash-flow e os lucros»
- «Portugal vive acima das suas posses», tendo baseado durante anos o seu crescimento no consumo interno, uma «factura que estava ainda por pagar».
- A dívida da banca é um dos «grandes problemas» que afectam o país, «esses 30 milhões de euros que por dia saem da banca para pagar o excesso de importações sobre as exportações». Por isso, «o endurecimento das condições de crédito (que veio para ficar)», e que tanto afectam particulares como empresas, «é uma atitude prudente».
- «pela primeira vez, o nosso crescimento depende de nós». São «jóias da coroa» algumas médias empresas, «saídas do meio da tabela», que se têm destacado no contexto nacional, viradas para a exportação e que crescem entre 20% a 30% ao ano e que há poucos anos ainda não eram conhecidas.
- Estas, e outras empresas saídas do meio tecnológico e universitário, são «um sinal positivo e a via estreita para a recuperação» que, no entanto, «já é tarde, pois deveria ter começado há dez ou 15 anos», quando Portugal viveu uma época de euforia de 1985 até 2000. Hoje, «a situação é mais difícil do que nunca, mas não temos direito de nos rendermos».
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A. João Soares
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Sociedade e valores
Os valores que servem de forma e fundo à sociedade actual estão em permanente mudança, o que vem dar força à referência de Manuela ao «iluminismo do séc XXI».
Apesar dos «discursos obsoletos» a puxar a brasa a sardinhas diferentes ou iguais mas com temperos diferentes, há uma linha condutora entre aquilo que todos pretendem, como ideal. A equidade, igualdade e oportunidades, embrulhadas no termo «justiça social», a necessidade de boa gestão de recursos, as vantagens do ensino, a importância do conhecimento, do saber, o poder embrutecedor do mau uso da televisão, da Internet e, em geral, da comunicação social, o significado da desigualdade do saber, mais do que do dinheiro, estão a constituir um conjunto de factores que, segundo certas ópticas, são pequenas revoluções tecnológicas, culturais, de trabalho e de relacionamento que, depois de amadurecidas e coordenadas por um ideólogo, podem constituir a grande revolução social do século XXI tal como o foi a Revolução Francesa em fins do século XVIII.
Mais do que o fosso entre ricos e pobres, tomará forma mais marcante o fosso que separa os dotados de capacidade de aprender e aqueles que não dominam a arte do conhecimento e que, por isso, lutam com dificuldade de relacionamento com os primeiros.
A este propósito, valerá a pena ler o artigo do DN a seguir transcrito.
Já que falam de igualdade
Pedro Lomba, jurista
Caros senhores políticos da esquerda e da direita, Nos próximos tempos, até às eleições, vamos ouvir-vos falar muitas vezes de igualdade. Os que estão à esquerda vão querer amarrar Sócrates e têm aí o Relatório da União Europeia que mostrou Portugal no fim dos países onde a riqueza é mais mal distribuída. Os que estão à direita irão argumentar que a justiça social precisa menos de retórica do que de um Estado eficiente na gestão dos recursos. A probabilidade de uns e outros pegarem no tema com discursos obsoletos, os primeiros em 1974 e os segundos a reagir a 1974, é elevada. Antes que venham com as vossas receitas, há talvez algumas coisas em que devem pensar.
Vivemos a época mais igualitária que Portugal e o mundo alguma vez conheceram. No século XIX, era preciso ter dinheiro para votar, quando não para existir. No século XX, era preciso ter dinheiro para estudar. No século XXI, partimos de uma situação mais confortável. Um ensino predominantemente público expandiu as hipóteses de aprendizagem e ascensão para aqueles que o usam bem. Uma economia privada permite que os mais talentosos e esforçados triunfem. A maioria de nós é exposta desde cedo ao mesmo tipo de estímulos, da televisão e da Internet, respondendo, para o mal e para o bem, com normas de comportamento mais ou menos idênticas.
Ao mesmo tempo, as coisas estão a mudar todos os dias. Estamos a passar por uma série de revoluções tecnológicas, laborais e culturais que tornam a vida muito mais difícil para os que não aprendem e não se adaptam. Vivemos uma era em que a informação é abundante e circula depressa, em que muita coisa acontece em simultâneo, em que a diferença entre o que sabemos e não sabemos pode acabar por ser decisiva.
Neste tempo, a grande desigualdade não é financeira, entre os que têm mais e os que têm menos, mas cultural e de conhecimento. Os estudos mostram que aqueles que tiram bons cursos superiores têm melhores empregos do que os outros. Os estudos mostram que há uma nova elite culturalmente apetrechada que só se relaciona com outras elites culturalmente apetrechadas.
Na era cognitiva, como lhe chamou o fantástico colunista do New York Times David Brooks, precisamos de tratar a sério do conhecimento e do modo como as pessoas interagem umas com as outras a aplicar esse conhecimento. Precisamos de combater o abandono escolar para diminuir o fosso entre os educados e os não educados. Precisamos de pensar na informação como um novo espaço para políticas que permitem às pessoas mais oportunidades de usar os seus méritos.
O nosso tempo dispensa que desenterrem as velhas políticas igualitaristas e redistributivas que só criam uma falsa segurança num mundo cada vez mais exigente. Lembrem-se: são as oportunidades.
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Fome, combustíveis, agricultura
Estão reunidos em Roma 191 representantes dos países membros das Nações Unidas durante três dias para discutir a subida dos preços dos alimentos e as dramáticas consequências que afectarão mais violentamente os países mais pobres.
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, sublinhou aos participantes da reunião extraordinária da Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) que a solução mais simples para responder ao previsível aumento da procura será o aumento da produção mundial de alimentos de 50% até 2030. E salientou que estamos perante uma "oportunidade histórica para revitalizar a agricultura". É a forma mais positiva de reagir à escalada dos preços das matérias-primas agrícolas e ao aumento dos custos de produção - em especial devido aos recordes dos combustíveis. E é a prova de um grande erro cometido pela EU, ao ter reduzido e condicionado a nossa agricultura. Será desejável que a Europa aprenda a trabalhar com coerência e boa estratégia para conquistar uma posição de liderança e de exemplo no mundo.
Segundo os números da FAO, a actual crise provocou situações de fome em perto de 100 milhões de pessoas em todo o mundo. A emergência do actual contexto foi de tal maneira traumatizante e resultou em que a maior parte dos principais responsáveis políticos fizesse questão de estar em Roma durante o encontro.
A FAO avançou com algumas sugestões para aliviar o peso da crise actual. E o seu director, Jacques Diouf, numa chamada ao bom senso e ao realismo, declarou que "se os países em vias de desenvolvimento tivessem investido na agricultura o que gastaram em armas, o problema alimentar estaria neste momento resolvido". Ban Ki-Moon, no discurso de abertura, não hesitou em criticar os presentes, dizendo que "os governos puseram de lado decisões muito difíceis, nestes últimos tempos, e subestimaram a necessidade de investimentos na agricultura. Hoje, o mundo inteiro paga um preço demasiado alto". Mais claro não pode ser quanto à falta de capacidade e ao mau desempenho dos políticos actuais que não sabem sintonizar-se com a construção de um bom futuro para os seus cidadãos e para o mundo.
O presidente do Brasil, Lula da Silva, referindo-se aos mais de 800 milhões de pessoas que em todo o mundo, em cada noite, se deitam sem jantar, propôs encontros anuais entre países desenvolvidos e outros em vias de desenvolvimento como forma de arranjar novas fontes de recursos de financiamentos. Seria bom que tal intenção se tornasse realidade, para evitar uma catástrofe humanitária e social
Apontando o dedo aos subsídios agrícolas nos países industrializados, o presidente brasileiro solicitou a sua eliminação total, acrescentando que "é preciso evitar que a culpa do preço dos alimentos recaia e afecte os mais pobres". "Subsídios provocam dependência, quebram sistemas inteiros de produção, e provocam fome e pobreza onde poderia existir prosperidade. A verdadeira segurança alimentar deve ser global e baseada na cooperação". Os subsídios impedem o comércio internacional e a livre concorrência, fechando a exportação de países pobres que disporiam de excesso. Mas, na realidade a produção nesses países, mercê desses apoios, torna-se impossível por os Países ricos ali colocarem produtos mais baratos do que custaria a produção local. O ideal seria apoiar esta, para as populações locais deixarem de ter carências graves.
Segundo Jacques Diouf, director-geral da FAO, o momento é de acção rápida, pois "não há mais tempo para conversas, a instabilidade climática e os desastres dos últimos anos, provocam anualmente 262 milhões de vítimas de calamidades naturais, dos quais 98% vive em países em desenvolvimento".
O director geral da FAO, indicou que o mundo, em 2006, gastou 1,2 mil de dólares em armamento, enquanto se estragou comida no valor de 100 mil milhões de dólares. E o excesso de consumo por pessoas obesas chegou a 20 mil milhões a nível mundial. Isto denuncia incapacidade e incoerência dos responsáveis mundiais.
Também José Luís Zapatero, chefe do Governo espanhol, afirmou que "as instituições internacionais não têm sabido dar resposta às emergências económicas e sociais destes últimos anos". E considerou fundamental para a defesa da agricultura, "ajudar os pequenos agricultores criando condições que hoje não existem".
José Luís Zapatero, referiu que "as instituições internacionais não têm sabido dar resposta às emergências económicas e sociais destes últimos anos". E considerou fundamental para a defesa da agricultura, "ajudar os pequenos agricultores criando condições que hoje não existem".
Enfim, não parece ser necessário dizer muito mais para definir a doença. É, agora, imperioso que seja decidida a terapia e que os políticos de todo o mundo sejam capazes de a aplicar com eficiência, para bem da humanidade. E as grandes empresas económicas devem não esquecer que, sem essa humanidade com boas condições de vida e poder de compra, não conseguem fazer um nível de negócio suficiente para continuarem a operar. O desenvolvimento equilibrado com a justiça social será proveitoso para todos.
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quarta-feira, 4 de junho de 2008
O futuro começa agora
O futuro já começou a ser preparado e ressalta do somatório de pequenos gestos. Para ser obra perfeita deve haver, além das medidas imediatas a que nos vêem habituando, estratégias e planos de longo prazo que, com lógica, coerência e persistência, façam convergir todos os esforços no melhor sentido.
Como diz Manuela, já são visíveis ideias e acções tendentes a esse movimento que denomina «iluminismo do século XXI». Esta senhora, muito clarividente, não está a sonhar mas, simplesmente, a constatar que a história se repete segundo um movimento sinusoidal, com altos e baixos, e que a situação actual tem semelhanças à que antecedeu a Revolução Francesa que alterou os conceitos político-sociais da época, com repercussões no futuro, Como diz, agora, como então, também «questionamos a sociedade, a política ou até a economia, acreditamos que o ser humano tem direito à vida e à liberdade, criticamos o absolutismo governativo, o mercantilismo e os privilégios de apenas alguns, defendemos a liberdade política e a igualdade de todos perante a lei…».
Luís A Fraga, em comentário, diz que para poder ocorrer a ruptura, a que se chamará concretamente a revolução, só «falta uma ideologia política nova e um ideólogo». Segundo ele, os blogs a que Manuela dá muito valor, «são ensaios, são gritos, são "matéria-prima" para o tal ideólogo que, de novo, só trará a capacidade de síntese de uma análise que todos nós estamos, todos os dias, a fazer.»
Na realidade, há nos blogs que mais se preocupam com problemas sociais e políticos muitas críticas sugerindo linhas de conduta para se conseguir maior justiça social e felicidade para as pessoas. Mas este desiderato não é exclusivo da blogosfera, pois tem sido expresso por pessoas com grande visibilidade e com laços funcionais ao poder constituído, portanto com influência na generalidade dos cidadãos, como o Presidente da República, Mário Soares, Manuel Alegre, e muitos outros de vários sectores da política e da vida social.
Quanto ao encontro de Manuel Alegre com Francisco Louçã, só é pena que tenha havido uma vincada conotação de esquerda, pois seria mais vantajoso para os portugueses que os problemas que a todos afectam fossem analisados com isenção e procuradas soluções aceites pela generalidade dos cidadãos. Mas, provavelmente, não foram convidados participantes de direita e, se o fossem, talvez não aceitassem, porque é difícil para todos colocar os interesses gerais acima das tricas partidárias.
E um dos males nacionais que tem que ser remediado, para que o futuro desejado seja mais positivo para todos os concidadãos, reside nos aspectos da justiça social; em que se abusa das nomeações por compadrio (o que contraria a igualdade de oportunidades e prejudica o funcionamento do Estado), em vez dos concursos públicos em que se escolhe o mérito e a capacidade; em que instituições que devem ser isentas e apartidárias são dirigidas por indivíduos escolhidos pelos partidos; os abusos da ASAE, cuja direcção foi também de nomeação política; as múltiplas comissões que padecem do mesmo pecado original, etc.
Destes males resulta o desconforto, bastante generalizado, e que tem sido traduzido por lamentações referidas a:
-redução do poder de compra da classe média e aumento da pobreza nos mais carentes,
-dificuldades de funcionamento de muitas pequenas e médias empresas,
-idosos com acrescidas dificuldades devido ao critério ineficaz de actualização das pensões,
-o agravamento da sensação de insegurança, na rua e também em casa,
-dificuldades e deficiências na saúde e na educação,
-agravamento da carga fiscal e demora na correcção de erros do fisco,
-mentalidade persecutória das forças policiais e de inspecção, parecendo dar prioridade à caça à multa em vez de ser à segurança dos cidadãos
A construção do futuro não pode ser adiada, começa hoje, amanhã será demasiado tarde. Cada pequena decisão deve ser bem ponderada para não ter depois de se recuar, deve prever-se a sua implicação no futuro e na forma como contribui para o objectivo esperada pelo povo português. Todos os gestos devem ser coordenados para convergirem para o fim comum., Temos de ser 1º milhões a puxar para o mesmo lado. O treinador da equipa deve capacitar-se para bem dirigir o funcionamento colectivo.
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A. João Soares
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Iluminismo do século XXI !!!
Manuela deixou um comentário, contendo mais uma comparação histórica da actualidade com uma época histórica geradora de grandes transformações sociais e políticas no mundo. Pelo interesse do texto não o podi deixar na obscuridade da condição de comentário, porque merece mais visibilidade pra benefício dos visitantes, que poderão dar seguimento ao tema com outros comentários sempre bem vindos.
E da discussão nasce a luz!:)
Prevejo que daqui a uns anos, todos os bloguistas serão considerados como a “geração iluminista”do século XXI, aquela que fez renascer um movimento propagador da luz e do conhecimento. :)
E.. aqui estou eu, lançada em mais comparações, desculpem-me aqueles que pensavam e que gostariam de ser únicos ou originais, mas a História, mais uma vez, penso que está a pregar-nos uma partida…
É que, para os iluministas do séc. XVIII, o grande objectivo era a busca da felicidade, através da luta contra a injustiça da concentração de privilégios nas mãos de apenas alguns, contra uma sociedade submissa e fanática que tornava o homem ignorante. Daí, algo necessitava de ser mudado: a sua educação, ou melhor, a capacidade do homem pensar por si próprio. Como qualquer um destes âmbitos actualmente tem merecido críticas, concluo que quem não lê ou leu blogues irá, um dia, ser comparado àqueles que viviam ainda nas “trevas da ignorância”.:)
Não foi o chamado “século das luzes” que, com a Revolução Industrial, abriu caminho para a grande mudança que culminou na Revolução Francesa?
Afinal, iluministas bloguistas já há em número considerável, (muitos mais do que numa época em que nem se sabia o que era um pc), uma nova Revolução industrial se não começou já, não anda longe, e… só falta uma 2ª Revolução tipo da francesa, plena de ideais! Mas, também ela, se não está a germinar, está à espera da sua melhor oportunidade. Com que consequências? Isso não sei… só espero que não meta guilhotinas enferrujadas…
O grande precursor iluminista, o tal René “Dés Cartes”, nome que a minha professora odiava ouvir-me pronunciar, disse que para se chegar à verdade, se devia duvidar de tudo, mesmo das coisas aparentemente verdadeiras.
Afinal, não é o que fazemos aqui? Questionamos a sociedade, a política ou até a economia, acreditamos que o ser humano tem direito à vida e à liberdade, criticamos o absolutismo governativo, o mercantilismo e os privilégios de apenas alguns, defendemos a liberdade política e a igualdade de todos perante a lei….
É claro que, na época, algo ou alguém que divulgasse ideias iluministas era imediatamente castigado. O “pobre” do Rousseau foi perseguido várias vezes só porque defendia uma sociedade mais justa e igualitária… Será da família esse “perseguidor” que tem andado a fazer das suas nos blogs?
João, já sei que vai dizer que misturei tudo, mas não consegui separar os dois posts e não sabia para onde enviar este :)
Manuela
NOTA: Agradeço esta colaboração desta amiga virtual de quem espero que crie um blog porque saber e coragem intelectual não lhe falta. Manuela, enquanto não criar o seu blog, disponha deste, enviando as suas reflexões como comentários ou, melhor, por e-mail (tem o endereço na minha ficha de blogger). Bem haja.
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segunda-feira, 2 de junho de 2008
Pescadores contra cidadãos inocentes
Os pescadores, tal como os táxis, os transportadores de pessoas e mercadorias, os particulares com carros, todos estão a sofrer directamente as consequências dos aumentos sucessivos do preço dos combustíveis. É uma realidade com que é preciso saber lidar.
Penso ser uma norma indiscutível da actividade empresarial que o preço dos seus produtos acabados é calculado com base nos custos dos factores de produção, em que as matérias-primas e a energia estão incluídas. Sendo assim, se um desses factores encarece, vai ocasionar o aumento do preço do produto final. Se esse cálculo não for feito dessa forma, a empresa não pode aguentar muito tempo os prejuízos continuados, terá de encerrar e mandar o pessoal para o desemprego.
Será lógico que a bandeirada do táxi aumente, que os bilhetes de autocarro aumentem, bem como o preço do peixe. O cliente, se não encontrar alternativas mais em conta para os produtos de que necessita, tem de aceitar esses aumentos.
Tudo isto me parece lógico. Mas os pescadores e armadores, em vez de agirem com inteligência estão a transformar-se em malfeitores, a praticar vandalismo, lançando para o lixo peixe fresco que havia na lota, quando há no País gente com fome. Se eles não têm respeito por tal produto alimentar, a população em geral tem, e acha mal que eles o destruam. Também não é justo que impeçam a população de comer peixe, venha da Espanha ou de qualquer outro País. Eles não têm o direito de impedir que o povo se alimente e que procure alternativas para o peixe que eles se negam a pescar. Estão profundamente errados e são desumanos quando pretendem «provocar uma escassez de peixe nos mercados para venda ao consumidor final».
Então qual deve ser a sua atitude perante os custos do combustível? Aquela que atrás ficou explicado para a generalidade das empresas e devendo pesquisar alternativas para tornar a sua actividade mais económica e propondo medidas mais racionais de distribuição e comercialização do peixe por forma a não o encarecer demasiado ao consumidos final.
Alguém disse na TV que o preço de venda ao consumidor é éne vezes o da venda pelo pescador, em virtude haver múltiplos intermediários a obter lucros exponenciais. Ora, uma medida que os pescadores devem propor é a venda através de circuitos mais curtos com menor número de intermediários. Até podem organizar empresas de transporte directo da lota aos mercados e peixarias, ficando eles com o lucro que está a ser disseminado pela extensa cadeia de distribuição.
Uma crise, quando bem aproveitada, pode originar o saneamento de circuitos injustificadamente extensos, que se traduzem em exploração do produtor, por um lado, e do consumidor final, por outro. A solução apresentada seria uma prova de inteligência e daria benefício aos pescadores e armadores, ao contrário do vandalismo que se traduz em fazer mal aos consumidores, em geral, sem daí colherem benefício. Atrair os ódios de gente humilde e desprotegida, como é a maioria do povo, não é e nunca será um bom caminho para resolver problemas de que este bom povo não é culpado.
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A. João Soares
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Os cinco meses mais recentes
Após conversa com um amigo pouco interessado em visitar blogs, surgiu-me a ideia de aqui deixar este resumo da actividade dos últimos cinco meses.
- Foram publicados 189 posts (em média 38 por mês). O mês de Maio teve 51.
Na maior parte dos posts encontram-se comentários muito interessantes de visitantes com notório grau de cultura e capacidade de raciocínio que me deram o privilégio das suas reflexões acerca dos temas focados.
- Foram contados 10.248 visitantes (em média 67 por dia, com o máximo de 146 em 26 de Maio)
Estes números são muito agradáveis, tanto mais que neste período se passou o facto insólito de um bloguista usando o anonimato e variados disfarces de identificação ter desencadeado uma maldosa campanha demolidora, contra este blog, contra o Do Miradouro e contra A Voz do Povo.
Deixo aqui o meu agradecimento e a minha consideração a todos os que me deram o prazer da sua visita e, principalmente, dos seus comentários.
Apesar de todo o mal que queiram fazer ao blog, ele há-de continuar o seu rumo, servindo da melhor maneira os seus visitantes, que merecem o maior respeito.
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A. João Soares
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16:37
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Labels: dados de cinco meses
domingo, 1 de junho de 2008
O excesso de segurança nada garante
O Correio da Manhã de ontem trazia a notícia de que um 1º sargento do «Núcleo de Investigação Criminal» (NIC) da GNR de Alenquer encontra-se sob suspeita de participação em furtos em residência.
Outra notícia refere que, a 29 de Novembro passado, um militar da mesma força de segurança foi detido por agentes da PSP quando tentava assaltar uma agência do BPI em Sassoeiros, concelho de Cascais.
Temos que crer que se trata de excepções que não devem afectar a confiança que nos merece a generalidade dos agentes das Forças de Segurança, mas há uma razão para aqui colocar este post. É que estas notícias vêm evidenciar os riscos referidos no post «Futuro com graves ameaças à liberdade».
E estes perigos não surgem apenas de indivíduos com mau comportamento, pois o referido sargento chefiava o NIC que apresentava bom desempenho, com alta taxa de conclusão de inquéritos, com detenções e apreensão de droga e material roubado.
Isto vem demonstrar, como se disse no referido post, que há grande perigo para as nossas liberdades se forem concentradas, numa base de dados centralizada, todas as informações sobre as nossas vidas. «As fraquezas humanas não dão garantias e não permitem descartar o perigo de um funcionário operador da base de dados os utilizar para uma vingança de alguém com quem se tenha desentendido» ou para uma malandrice pior do que entrar em nossa casa, quando sabe que estamos ausentes por tempo determinado.
Perante casos tão elucidativos, devemos reagir contra a tendência de um qualquer Poder tentar controlar tudo e todos, mesmo que seja com o pretexto de nos garantir melhor segurança!
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A. João Soares
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Falta mão-de-obra qualificada
As notícias de que não existe oferta de operários qualificados em quantidade suficiente para satisfazer as necessidades das obras públicas projectadas não surpreendem. Só espanta que alguém esteja admirado de isto suceder.
Nada acontece por acaso, e é lamentável que os responsáveis pelo País ao longo destas últimas décadas, não tivessem pensado nisto, quando tomaram as decisões erradas sobre o ensino. O encerramento das escolas técnicas e o desprezo pelas profissões conduziu a que hoje poucas pessoas com 20 anos saiba utilizar correctamente uma chave de fendas ou um alicate.
A ambição de ter uma licenciatura não impede que, no decurso do ensino, não se aprenda a conjugar os conhecimentos teóricos e científicos com as técnicas deles advenientes e que se tornam úteis para a vida prática.
A falta de formação profissional torna difícil o desenvolvimento da economia nacional, a competitividade internacional e, consequentemente, as exportações, o equilíbrio da balança comercial e da balança de pagamentos. E, na construção civil, essa falta de qualificação da mão-de-obra, redunda em amadorismo, improviso, falta de rigor, com o risco de desabamento de prédios, pontes e outras obras, e o correspondente custo em recursos financeiros e em vidas humanas.
Os políticos, principalmente os que têm ocupado cadeiras no ministério da Educação, deviam ter sempre presente que da qualidade do ensino depende o futuro do País, em todos os aspectos. O ensino é demasiado importante para que não se brinque com os programas e tudo o que se lhe refere.
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A. João Soares
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