Os Jogos Olímpicos são um acontecimento sensível para a China porque, se dão mais visibilidade à futura potência mundial, por outro lado, enfatizam debilidades sociais e de Direitos Humanos dificilmente aceitáveis pelo mundo Ocidental.
China: Manifestantes confrontam-se com polícia junto a Tiananmen
Diário Digital, segunda-feira, 4 de Agosto de 2008 | 05:52
Um pequeno grupo de manifestantes confrontou-se hoje com a polícia junto à Praça Tiananmen, em Pequim, afirmando que a alegria dos Jogos Olímpicos foi construída sobre o seu sofrimento.
As duas dúzias de manifestantes enfrentaram a polícia no bairro histórico de Qianmen, imediatamente a sul de Tiananmen.
Os manifestantes alegaram terem sido despejados das suas casa para darem espaço à reconstrução do bairro, que foi transformado numa faixa comercial com empresas internacionais como a Nike, Starbucks e Rolex.
As manifestações no centro de Pequim são habitualmente travadas pela polícia.
Hoje mesmo a imprensa de Pequim dava conta de que as pessoas que queiram organizar protestos durante os Jogos Olímpicos têm de preencher um formulário com informação detalhada para pedir autorização à polícia chinesa cinco dias antes de se realizar a manifestação, havendo três locais afastados do centro da cidade onde podem ocorrer as manifestações.
Diário Digital / Lusa
China: Ataque à granada a posto fronteiriço faz 16 mortos
Diário Digital, segunda-feira, 4 de Agosto de 2008 | 05:35
Um grupo desconhecido avançou hoje com um camião sobre um posto fronteiriço chinês da Ásia Central, lançando granadas que mataram 16 pessoas e feriram outras tantas, informou a agência oficial Nova China.
O ataque ocorre quatro dias antes da abertura dos Jogos Olímpicos em Pequim.
Os atacantes utilizaram um camião de lixo para atacar o posto fronteiriço paramilitar de Kashi, onde foram lançadas duas granadas.
Dois dos atacantes foram detidos, informa a Nova China, sem dar mais pormenores.
A área onde ocorreu o ataque tem sido palco de uma rebelião mal contida de populações muçulmanas turquiques (povos eurasiáticos que se espalham desde a Turquia à China, num total de cerca 160 milhões de pessoas), do clã uighur (comunidade diaspórica de cerca de 20 milhões na mesma área), que reagem à lei chinesa.
Diário Digital / Lusa
Pequim2008: Divulgados procedimentos para organização protestos
Diário Digital, segunda-feira, 4 de Agosto de 2008 | 04:48
As pessoas que querem organizar protestos durante os Jogos Olímpicos têm de preencher um formulário com informação detalhada para pedir autorização à polícia chinesa cinco dias antes de se realizar a manifestação, informou hoje a imprensa estatal chinesa.
Segundo um comunicado divulgado no domingo pela Comissão Organizadora dos JO (BOCOG, na sigla em inglês) na sua página oficial na Internet, os organizadores de acções de protesto têm de entregar pessoalmente um formulário e os seus dados pessoais às autoridades policiais.
«Deve ser sublinhado que os cidadãos têm de respeitar e não prejudicar a liberdade e os direitos das outras pessoas, e que não podem prejudicar os interesses nacionais, sociais e colectivos», explicou Liu Shaowu, director de Segurança do BOCOG, citado pelo jornal oficial China Daily.
O formulário deve indicar o objectivo, hora e programa da demonstração, os cartazes e motes que vão ser utilizados no protesto, bem como o número estimado de participantes e a utilização de equipamentos de som.
Os cidadãos chineses devem apresentar o pedido de autorização à unidade municipal de Segurança Pública em Pequim, enquanto os estrangeiros devem entregar o requerimento no gabinete de emigração de Pequim.
Os cidadãos estrangeiros também têm de entregar uma tradução em chinês de todos os documentos apresentados.
Agências estatais, empresas privadas e Organizações Não-Governamentais (ONG) devem carimbar a documentação com o seu selo oficial e com a assinatura do presidente da instituição.
As autoridades chinesas decidirão se concedem ou não a autorização, para que os protestos ocorram em conformidade com as leis e regulamentos nacionais e avisam os candidatos por escrito dois dias antes da data da manifestação.
Liu afirmou que nenhuma demonstração de «propaganda política, religiosa ou racial» será autorizada nas zonas ou recintos olímpicos.
Segundo a lei chinesa, as actividades de protesto não podem violar a Constituição, prejudicar a unidade, soberania e integridade territorial do Estado, instigar a divisão entre as pessoas nem pôr em perigo a Segurança Pública».
De acordo com o comunicado no site do BOCOG, se os candidatos não receberem um aviso das autoridades até dois dias da data dos protestos, podem concluir que o seu processo foi aprovado e realizar a manifestação nos locais permitidos para o efeito.
As autoridades chinesas já tinham anunciado os três únicos sítios em Pequim onde são permitidas acções de protesto durante o período dos JO, entre 08 e 24 de Agosto: no World Park, a sudoeste da cidade no distrito de Fengtai; no Zizhuyuan Park no distrito de Haidian na zona noroeste de Pequim; e no Ritan Park no distrito de Chaoyang na zona oriental da capital chinesa.
Todos os parques são relativamente próximos do centro da cidade e das zonas olímpicas de competição.
Diário Digital / Lusa
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
China é notícia
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A. João Soares
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Alexandre Soljenitsyne faleceu
Morreu o escritor Alexandre Soljenitsyne
Diário Digital, Domingo, 3 de Agosto de 2008 | 22:55
O escritor russo Alexandre Soljenitsyne, 89 anos, prémio Nobel da Literatura (1970),
morreu hoje no seu domicílio em Moscovo, anunciou a agência Itar-Tass, citando o seu filho Stepan.
Alexandre Soljenitsyne faleceu às 23:00 de domingo locais (19:45 TMG) de «insuficiência cardíaca aguda», declarou o filho do escritor.
Soljenitsyne é mais conhecido por ter revelado ao mundo a realidade do sistema soviético em livros como «Arquipélago Gulag», «Um Dia na Vida de Ivan Denissovitch», ou «O Primeiro Círculo».
Galardoado com o Nobel da Literatura em 1970, foi privado da cidadania russa em 1974 e expulso do país.
Viveu depois na Alemanha, Suíça e Estados Unidos, até poder regressar à Rússia em 1994, após a implosão da União Soviética.
Diário Digital / Lusa
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domingo, 3 de agosto de 2008
Submarinos e sentido de Estado
Recebido em fotocópia de artigo de jornal (DN de 080802), como anexo de e-mail enviado por amigo.
Sentido de Estado. Merecíamos mais
Nuno Vieira Matias, ex-chefe do Estado-Maior da Armada, almirante reformado
Se não tivesse visto, não teria acreditado no que o ministro da Economia, senhor Manuel Pinho, disse acerca dos submarinos portugueses no programa televisivo Prós e Contras. Fiquei perplexo com a ignorância demonstrada e também com a falta de sentido de Estado que alardeou. Insistentemente, o senhor ministro acusou com veemência a "oposição de direita de aprovar a compra de submarinos por mil miIhões de euros... compra disparatada, porque os três submarinos não servem rigorosamente para nada".
Pelos vistos, ignorou, ou quis ignorar, que o Sistema de Forças Nacional aprovado em 1998, sob proposta de um governo PS, já previa, como anteriormente, três submarinos.
Ignorou, igualmente, que o Dispositivo de Forças, aprovado nesse ano por um ministro da Defesa desse mesmo Governo, incluiu "três submarinos diesel eléctricos", com a anotação "em processo de substituição".
Ignorou também que a Assembleia da República aprovou, em sucessivas leis de programação militar (LPM), o programa de aquisição de três submarinos, com notável consenso. Cito apenas a Lei Orgânica 5/2001, de I4 de Novembro, que aprovou a LPM onde foram apontados quase
360 milhões de contos para esse programa. ao longo de um largo período de tempo.
Voltou a ignorar que foi um Govemo do PS que lançou o demorado processo de aquisição dos submarinos e até chegou a seleccionar os dois concorrentes finais, de entre os cinco que apresentaram propostas de fornecimento.
Ignorou, e isso é ainda mais grave, que o processo de aquisição dos submarinos impõe um programa de contrapartidas para a economia nacional, de valor pelo menos igual ao custo dos navios.
O desconhecimento, se foi disso que se tratou, teria sido rapidamente ultrapassado com uma explicação séria, caso tivesse havido vontade de a procurar. Já a falta de sentido de Estado, ostentada repetidamente, é mais difícil de suprir. Não é que a um ministro se deva exigir que saiba de submarinos, mas de um cidadão é de esperar que conheça o País que somos e que muitos de nós exigimos que continue a ser.
Esse País, Portugal, tem um território descontínuo com a maior zona marítima da UE e, amenos que alguém pretenda alienar os seus direitos soberanos ou jurisdicionais em favor de qualquer outro Estado, é ao nosso que incumbe proteger, também nesse espaço, os nossos interesses contra velhos e contra novos e imprevisíveis riscos e ameaças.
Para isso, como para a participação em forças de alianças e coligações de que Portugal faz parte, é preciso uma Marinha e esta, para ser minimamente eficaz, tem de ter submarinos, como o prova o que se passa no mar de todos os países que se prezam de o ser. Esperar que sejam outros, apenas, a defender os nossos interesses já deu mau resultado, várias vezes, ao longo da nossa história.
Ler o Conceito Estratégico de Defesa Nacional é útil. Entendê-Io, ainda o é mais. Evitaria que o senhor ministro usasse o demagógico "argumento" da troca de meios militares por hospitais, estratagema sempre exemplificado nos manuais de planeamento de forças, como fazendo
parte do grupo das razões mais primitivas. É que, para decidir entre hospitais e qualquer outro
bem, é preciso que o Estado tenha independência e segurança para o poder fazer. Já agora, seriam só dois hospitais, uma vez que estão em aquisição dois e não três submarinos.
Saiba também isso, senhor ministro.
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sábado, 2 de agosto de 2008
Futebol e interesse público
Interesse Público
João Marques dos Santos, Advogado, Correio da Manhã de 080802
“Os ataques ao interesse público agridem uma forma de pensar e de estar na vida da generalidade dos cidadãos”.
Durante as próximas semanas o interesse público vai levar uns valentes pontapés. Confirma-se, mais uma vez, que os "grandes senhores" do futebol profissional (esse mundo de interesses onde tudo está em causa menos o interesse público) têm o condão de conspurcar tudo aquilo em que tocam. Os tribunais deram-lhes trela e agora vão ter que os aturar. A eles e a todas as suas tropelias e devaneios. Quando alguma coisa corre mal e já não sabem como descalçar a bota, os dirigentes desportivos encomendam (e pagam) pareceres e vão a correr agarrar-se às saias da mamã Justiça, que mostra um desvelo inexplicável em aturar as birras dos pequenos. Mas agora a questão agrava-se.
O interesse público é um conceito sério de mais para que se permitam quaisquer tentativas de o desvirtuar. A violação do interesse público verdadeiro (que é, afinal, o único) afecta-nos a todos. Directa ou indirectamente, todos o sentimos e sabemos quando periga. Não necessitamos de ler grandes tratados ou que nenhum jurista nos venha, acrobaticamente, tentar "explicar" quando foi ou poderá ser violado. O interesse público resulta de um sentimento comum (e quase instintivo) de que um determinado valor deve ser defendido. É como o direito natural. Os ataques ao interesse público agridem uma forma de pensar e de estar na vida da generalidade dos cidadãos.
Ora, o mundo do futebol profissional é, por excelência, de alto a baixo, contrário a tudo isto.
Ao pretender invocá-lo, a FPF confunde os seus interesses de grupo com os da generalidade dos cidadãos e insulta os Tribunais e os Portugueses. E até, e sobretudo, os que gostam de futebol e o desejam limpo de todos os truques, golpadas, arranjinhos e formas singulares e pacóvias de corrupção, com prendas e prostitutas à mistura. Se o campeonato começa hoje ou amanhã, se o Boavista ou o Paços de Ferreira vão disputar, ou não, a 1ª Liga, se Pinto da Costa vai ou não manter-se suspenso, são questões absolutamente menores neste país onde tanta coisa séria periga. E pretender-se que têm qualquer conexão com o interesse público é transformar este país num corso carnavalesco. O interesse público é alheio a tricas clubísticas. Não é o interesse de nenhum organismo, clube, associação, grupo de adeptos mais exaltados ou, muito menos, o analgésico para as dores da FPF.
No caso, o interesse público, que começa a estar em causa e importa defender, consiste na salvaguarda da honra e bom nome dos Tribunais, contra todos os que pretendem servir-se deles para mascarar e adiar os seus problemas.
NOTA: Mesmo que nos custe acreditar, apesar dos direitos fundamentais «garantidos» pela Constituição da República, existem forças mal definidas, ou ocultas, que procuram anestesiar o espírito da população, desviando-a dos interesses nacionais, daquilo que a pode afectar profundamente. Para criar esse estado de modorra e sonolência servem-se de questões absolutamente menores como o futebol, os jogos olímpicos, a volta a Portugal em bicicleta, as feiras e romarias, os festivais pimba e as fofoquices com que os noticiários nos mimoseiam. Quem estará a puxar os cordelinhos? Serão os galardoados pelo Bilderberg? Os candidatos a governantes? Ou os que já o são?
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O fim da hegemonia americana
Francis Fukuyama
Os Estados Unidos devem renovar-se em profundidade. Já não ocupam isolados o primeiro plano da cena global; aí actuam, e com crescente êxito, outros grandes actores políticos, económicos e culturais
Francis Fukuyama 31/07/2008
Fareed Zakaria, colunista da Newsweek, fala do "mundo posterior ao domínio americano" para se referir ao que nos aguarda nos próximos anos. A primeira alteração evidente com que se defrontam os Estados Unidos tem a ver com a aparição de um mundo multipolar. Não se trata de um declínio. Os Estados Unidos continuam a ser a maior potência mundial. O que sucede é que o resto do mundo se está colocando ao seu nível.
Os EUA estão em recessão e endividados, enquanto outros crescem e acumulam poupanças extraordinárias.
As universidades norte-americanas e Hollywood perdem atractivo universal.
Sim, produziu-se uma impressionante deslocação de poder no que à economia se refere. Rússia, China, Índia e os países do Golfo gozam de economias em expansão, enquanto a dos Estados Unidos caiu num período de recessão. Durante os governos de Clinton e o primeiro de Bush, Washington costumava pregar ao resto do planeta sobre como manter em ordem as suas finanças, mas esse tipo de sermão soa agora um pouco falso depois da crise financeira americana do ano passado. A prova mais clara da mudança a que assistimos é o endividamento em que se encontram os Estados Unidos, enquanto muitos outros países estão acumulando reservas.
No futuro, as possibilidades dos Estados Unidos serão muito mais limitadas. Pode que ser que esta limitação provenha de certas alterações no equilíbrio do poder militar, mas sobretudo será devida a factores que têm mais a ver com o poder brando. Hoje, por exemplo, os chineses e os indianos exportam filmes; há estrelas de cinema coreanas que são famosas em toda a Ásia, e os japoneses são grandes produtores de cinema de animação. Em resumo, Hollywood já não é a única fonte de criatividade cultural no planeta.
Outra tendência especialmente preocupante é a diminuição de estudantes estrangeiros nas universidades americanas. Dissuadidos pela quantidade de obstáculos que encontram para entrar nos Estados Unidos, os estudantes estrangeiros têm preferido procurar alternativas em outras partes do mundo.
Consideremos agora um facto desconcertante: a despesa militar dos Estados Unidos é igual à soma dos gastos militares de todo o resto do mundo. E, sem dúvida, não conseguiram pacificar o Iraque nos cinco últimos anos desde que as tropas americanas invadiram e ocuparam o país. Constata-se assim que a força militar não é útil na hora em que é preciso criar as instituições legítimas sobre as quais assentam as nações, consolidar a vida política e estabilizar essa parte do mundo.
Durante as duas últimas décadas, países tradicionalmente aliados começaram a mostrar-se opostos à política americana. Formaram-se, por exemplo, alianças como a do Shanghai Cooperation Council, uma organização cujo objectivo é acabar com a presença americana na Ásia, incrementada depois do 11 de Setembro. E também não podem recorrer, com a mesma segurança que antes, aos seus aliados democráticos tradicionais.
Assim aconteceu no Iraque, como era de esperar; mas também no Afeganistão, onde, embora os seus aliados aceitassem a legitimidade da operação, arrastaram os pés na hora de apoiar com tropas e recursos materiais. E mesmo um país como a Coreia do Sul, que foi sempre um aliado, se viu convulsionado durante os dois últimos meses pelas manifestações contra os Estados Unidos desencadeadas por polémicas importações de carne.
Em resumo, o mundo com que se enfrentam hoje os Estados Unidos requer novos instrumentos. Têm que poder desenvolver e utilizar o poder duro, a força militar, mas também há outras maneiras de propagar aqueles valores e aquelas instituições que hão de ser a base da sua liderança no mundo. O trabalho realizado pelo Governo de Clinton nos Balcãs, na Somália e no Haití, no sentido de colaborar na construção de nações, foi muito criticado e apelidado de "trabalho social". Mas a realidade é que a política exterior americana deve interessar-se por certo tipo de trabalho social.
Quem se opõe ao domínio dos Estados Unidos no mundo - los Hermanos Musulmanes, Hamás, Hezbolá y Mahmud Ahmadineyad, no Próximo Oriente, assim como certos líderes populistas da América Latina como Hugo Chávez, Rafael Correa e Evo Morales – chegaram ao poder porque ofereceram serviços sociais aos mais pobres dos seus países.
Os Estados Unidos, pelo contrário, não têm oferecido nada neste sentido durante a passada geração. Oferecem mercado livre e democracia, duas coisas boas e importantes que constituem a base do crescimento e da ordem política. Mas nenhuma das duas parece atrair as populações mais pobres, que são, em definitivo, os autênticos eleitores nesta luta pelo poder e pela influência no mundo.
Não creio que o declínio americano seja inevitável. Os Estados Unidos têm muitos trunfos ganhadores em tecnologia, em competitividade, no mundo das empresas; contam com uns mercados laborais flexíveis e umas instituições financeiras, em princípio, fortes, ainda que temos de admitir que agora atravessam certas dificuldades. E uma das suas grandes vantagens é a sua capacidade para assimilar a gente de outros países e de outras culturas.
Praticamente, todos os países desenvolvidos atravessam um choque demográfico. As suas populações diminuem de ano para ano como consequência da baixíssima taxa de natalidade dos seus habitantes nativos. Desta forma, qualquer país desenvolvido que deseje continuar a crescer terá que acolher imigrantes procedentes de países e culturas diferentes, e creio que os Estados Unidos têm uma capacidade única neste sentido.
Mas há três pontos fracos sobre os quais os Estados Unidos hão-de trabalhar se quiserem sair airosos. Em primeiro lugar, a crescente perda de capacidade de acção do sector público; em segundo lugar, a maneira, demasiado auto complacente, de entender o resto do mundo, sempre desde a sua própria perspectiva; e, em terceiro lugar, a grande polarização do sistema político, que impede a procura de soluções para estes problemas.
Exemplo do primeiro é a péssima planificação da ocupação do Iraque e da guerra que lhe sucedeu. Outro, o desastre absoluto da resposta ao furacão Katrina.
O segundo ponto tem que ver com a arrogância norte-americana a respeito do resto do mundo. Quando em finais dos anos cinquenta, a União Soviética colocou no espaço o Sputnik, os Estados Unidos responderam ao desafio investindo massivamente em ciência e tecnologia. O resultado foi que os Estados Unidos se reafirmaram como líder mundial em tecnología. Do mesmo modo, poderiam ter respondido ao 11 de Setembro: investindo na sua capacidade para compreender a complexidade de regiões do mundo como o Médio Oriente. Por exemplo, é um escândalo que a Embaixada americana em Bagdad só conte com um punhado de funcionários que falem árabe correctamente.
O último ponto que haveria que resolver é o impasse em que se encontra o sistema político devido à polarização. A direita recusa falar em subir os impostos a fim de financiar uns serviços públicos muito necessitados de injecção económica. E a esquerda recusa falar de questões como a privatização da Segurança Social ou o aumento da idade de reforma.
E nem a esquerda nem a direita têm tido a valentia política de sugerir uma subida dos impostos sobre o consumo energético, que é a maneira mais óbvia de solucionar a dependência do exterior e de impulsionar fontes alternativas.
Nenhum outro lugar do mundo beneficiará da política americana se os Estados Unidos continuarem a ser um país que só olha para o umbigo, incapaz de levar para a frente as políticas e medidas projectadas, e demasiado dividido para tomar decisões importantes. Tudo isto não só é prejudicial para os americanos, mas também para o resto do planeta.
Francis Fukuyama é autor de O fim da história e o último homem. Este texto é um extracto do discurso que fez em Santa Mónica em 21 de Junho. Tradução a partir da versão espanhola de Pilar Vázquez, por A. João Soares. © 2008, The American Interest. Distributed by Global Viewpoint / Tribune Media Services, Inc.
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sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Justiça. Seu estado actual
Sobre o mesmo tema do post anterior, recebi por e-mail este pequeno texto muito preocupante que chama a atenção para uma situação a carecer de solução urgente.
Continua o regabofe na Justiça.
O Ministro afirma, com toda a prosápia própria de um pavão, que, quanto à hipótese de alterar o novo “Código Penal”, só para o ano! E os casos trágico-cómicos continuam. Eis alguns deles, tornados públicos pela Imprensa:
- Uma brasileira, matou o filho, de seis meses.
É presa e é presente a tribunal que lhe decreta prisão preventiva. Mais tarde, o mesmo tribunal altera a medida de prisão, passando-a para termo de identidade e residência com a concordância do Ministério Público. Ao mesmo tempo, adia a leitura da sentença. Os advogados de defesa informam o tribunal que a ré, comprou passagem para o Brasil. Se o tribunal alterar a situação da arguida, a defesa mete recurso, e ela foge sem a sentença. Já não voltará a Portugal para ser punida, a não ser que o faça voluntariamente!!!
- Um grupo de quatro jovens energúmenos, mata um jovem para lhe roubarem o casaco. Um deles, assassina-o à facada. Os outros amarram-no para ficar indefeso. Apenas o que deu a facada está preso. Os outros estão em liberdade.
E, agora vem o melhor: O Ministério Público propõe que os que estão em liberdade, apenas recebam uma pena suspensa. O advogado de defesa, com toda a lata, propõe que o preso seja libertado e que a pena, se a houver, seja pena suspensa, pois o réu estava sob o efeito do álcool e até colaborou com a justiça!!
- Um jovem de 23 anos, testemunha de um processo, é alvo de uma tentativa de rapto executado por um dos réus com o auxílio de outro capanga. Presente a tribunal, o arguido, apesar do seu cadastro, por outros crimes, é posto em liberdade com termo de identidade e residência!
- Foram dadas todas as facilidades a Valle e Azevedo para poder fugir para o estrangeiro.
E agora? Claro que lhe irão continuar a a dar todas as facilidades para conseguir evitar a prisão, pois a lei vai ser usada até à exaustão para que a ordem de detenção e o pedido de extradição não sejam exequíveis.
A corda continua a ser esticada mas ela não chegará ao ponto de rebentar, porque este Povo está adormecido. Não vê ou não quer ver que estão a ser gozados por grupos de políticos que utilizam as benesses que lhes foram dadas sem olhar a meios, as diferenças cada vez são maiores, idolatram uma classe de inúteis ditos “Figuras Públicas”; vêm a ostentação ofensiva dos jogadores de futebol e continuam a alimentá-los enchendo os estádios e pagando o que não podem; aguentam os abusos da Galp e não a boicotam; aguentam a ERSE, as mordomias dos administradores das empresas públicas, as mordomias dos Ministros e deputados, etc., etc.
Uma tristeza sem fim.
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Justiça surda, muda, coxa e marreca
Para provar que em Portugal nada muda, a não ser para piorar, é costume citar Eça de Queirós, Guerra Junqueiro ou outros escritores do século XIX, mas, em tempos mais recentes tem havido alertas que ainda são actuais, porque não surgiram soluções para os problemas. Nesse sentido recebi agora por e-mail um artigo de Clara Ferreira Alves publicado no Expresso de 22 de Outubro de 2007, há quase um ano, que transcrevo.
A justiça criminosa
Clara Ferreira Alves
Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado. Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.
Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia que se sabe que nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado. Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve. Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços do enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal e que este é um país onde as coisas importantes são "abafadas", como se vivêssemos ainda em ditadura. E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogues, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade. Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa e Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Bragaparques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém que acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muito alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos? Vale e Azevedo pagou por todos. Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção. Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros. Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência com o vírus da sida? Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático? Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico? Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana? Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?
Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma. No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém? As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não substancia. E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou? E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente "importante" estava envolvida, o que aconteceu? Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu. E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê? E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára? O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha. E aquele médico do Hospital de Santa Maria suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina? E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.
Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento. Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade. Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusavam, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra. Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade. Este é o maior fracasso da democracia portuguesa e contra isto o PS e o PSD que fizeram? Assinaram um iníquo pacto de justiça.
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Magalhães, negócio pouco claro
O negócio do computador «Magalhães» apresenta-se pouco claro, sem transparência, com adjudicação sem concurso público e rodeado das habituais palavras hiperbólicas do primeiro-ministro, que deram uma ideia demasiado optimista das potencialidades tecnológicas da indústria portuguesa e das características dos componentes essenciais do note-book. Vale a pena ler estes dois apontamentos extraídos da Internet (ver os URLs) e recebidos por e-mail
«Magalhães», um computador pouco português
Apresentado com pompa e circunstância por José Sócrates, trata-se de um produto totalmente idealizado pela Intel
Foi anunciado como o primeiro computador português, mas não é bem assim. O Magalhães é originalmente o Classmate PC, produto concebido pela Intel no sector dos NetBooks, que surge em reacção ao OLPC (One Laptop Per Child) XO-1, que foi idealizado por Nicholas Negroponte.
Será, no fundo, um computador montado em Portugal, mais propriamente pela empresa JP Sá Couto, em Matosinhos. Tirando o nome, o logótipo e a capa exterior, tudo o resto é idêntico ao produto que a Intel tem estado a vender em várias partes do mundo desde 2006. Aliás, esta é já a segunda versão do produto.
Este computador ultraportátil já está à venda em vários países, inclusivamente o Brasil, mas nem sempre é conhecido pelo mesmo nome. A ideia não é portuguesa, mas irá dar postos de trabalho na montagem dos componentes. Também permitirá manter bem viva a acção das empresas de comunicações, que irão fazer mais alguns milhares de contratos de acesso a Internet. São 500 mil portáteis disponíveis para as crianças dos seis aos dez anos. Um agrado para os mais novos, que com certeza também satisfará os pais.
Na Indonésia o «Magalhães» é conhecido pelo nome de «Anoa», na Índia é o Mileap-X series, na Itália é o Jumpc e o no Brasil é conhecido por Mobo Kids. O Governo do Vietname percebeu o sucesso da oferta e já o colocou nas escolas a preço reduzido. Uma ideia agora adoptada por José Sócrates.
(…)
Ao contrário da pompa e circunstância difundida pelo Governo, a notícia teve um outro impacto a nível internacional, sendo considerado um grande negócio para a Intel na guerra pela liderança no mercado dos Netbooks com a rival OLPC (One Laptop Per Child - Um Computador Por Criança).
Segundo a porta-voz da empresa, Agnes Kwan, para além da maior venda de sempre destes computadores, a Intel passará a ter direito de conselheira tecnológica do Ministro Mário Lino, que está a liderar o programa. A mesma porta-voz diz que estes computadores (Classmate PC) já estão presentes em mais de 30 países, relata a agência Associated Press.
http://diario.iol.pt/tecnologia/intel-magalhaes-tecnologia-socrates/977084-4069.html
OLPC contra Intel. Diferentes plataformas, com objectivos diversos. Qual o melhor?
A ideia surgiu da mente do «guru» dos media e da tecnologia Nicholas Negroponte. Pretendia que houve um computador por criança, pensando nomeadamente em África. Nasceu a Fundação OLPC (One Laptor Per Child) e o computador dá pelo nome de XO-1. Sem fins lucrativos, visava construir um portátil por 100 dólares.
A ideia foi apanhada por outras empresas. E surgiram outros produtos, como o Classmate PC, da Intel, que surgirá em Portugal como o nome «Magalhães». Este tem sido, aliás, um nicho de mercado muito explorado recentemente, com o surgimento de vários computadores mais pequenos, de baixo custo, conhecidos como Netbooks. Assim aconteceu há cerca de um mês com o Asus EeePC, mas também existe o Everex CloudBook, entre outros.
O XO-1 e o Classmate PC são, porém, destinados ao mercado educacional, assumindo um design dirigido, como o facto de serem ergonómicos, resistentes à água e a algum choque.
«É uma má escolha e não me parece transparente, porque o que tem sucedido noutros países é que é aberto um concurso para a escolha dos melhores produtos. Sempre que isso acontece o produto OLPC tem vencido, como sucedeu no Uruguai e no Brasil», revelou ao PortugalDiário o produtor americano Wayan Vota, criador do site OLPC News e uma das referências nesta área.
«A boa notícia é que Portugal está a apostar na tecnologia, colocando-a à disposição das crianças. Mas o que não é claro é o método. Para além disso, é estranho que a Intel fique como conselheira tecnológica do Ministério responsável. Será que convidariam a Opel para conselheira da indústria automóvel?», questiona, assumindo a perplexidade: «Há aqui uma perda de autonomia de escolha no futuro. Para além disso, não foi bem esclarecido a verba dispendida por cada aluno. Não me parece que tenha sido um processo totalmente transparente».
Afinal o chip não é de última geração
José Sócrates referiu que o «Magalhães» surgirá com o último microprocessador da Intel. Mas tal não corresponde à verdade, como referiu a directora-geral da Plataforma para os Mercados Emergentes, Lila Ibrahim. A primeira leva de produtos levará o processador mais antigo da Celeron e só depois terá direito ao novo chip Atom, da Intel.
Diferentes objectivos
Algo que poderá ter pesado na escolha portuguesa é a produção do computador em solo nacional. «A OLPC não deixa dúvidas. Só constrói na China, para que o processo seja sistematizado e garantido o preço do computador», lembra Wayan Vota.
A verdade é que os objectivos do Classmate e do OLPC XO são diferentes. O primeiro tem como objectivo adaptar um computador normal (preferencialmente em Windows XP) a uma dimensão mais reduzida, com características menos exigentes, para uma utilização simplificada.
A plataforma do OLPC aposta mais do chamado software open-source (livre), que poderá ser totalmente modificado pelas próprias crianças, mediante as suas necessidades pessoais/educativas. Assim, poderá aprender enquanto mexem no computador, como explicou Mary Lou Jepsen, uma das responsáveis pelo desenvolvimento tecnológico do produto.
«O Classmate é mais caro, consome dez vezes mais energia, tem um terço da captação de rede wifi e não pode ser usado durante muito tempo no exterior. O XO não é só mais barato, mas requer uma infra-estrutura menos dependente da energia eléctrica e do acesso à Internet. No Peru, por exemplo, podemos pô-lo a funcionar com energia solar de dia e à manivela à noite por cerca de 25 dólares por criança», frisou em entrevista ao site Groklaw.net.
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Lei da oferta e da procura
Na economia de mercado, os preços resultam da lei da oferta e da procura, o que dá ao consumidor um papel importante nos aumentos ou reduções dos preços dos produtos de maior consumo. Mesmo quando funciona a especulação, ela utiliza esta lei, criando situações de oferta ou procura, menos realistas mas cuja aparência tem de ser credível aos olhos do mercado.
O petróleo aumentou devido a notícias que embora em parte reais foram artificialmente orquestradas e ampliadas para fins de especulação. Os consumidores reagiram racionalmente reduzindo os consumos, através de maior racionalidade na utilização da energia e no aproveitamento e desenvolvimento de energias alternativas. Os produtores e distribuidores de produtos derivados o petróleo sentiram a redução do consumo e, segundo a lei da oferta e da procura, não tardaram a baixar o preço do petróleo (ver aqui).
Convém não esquecer esta lição e aplicá-la a cada passo da nossa vida de consumidores. O consumidor, o cliente, tem muita força da vida económica, escolhendo os produtos que mais lhe interessam em qualidade e preço, no fornecedor menos explorador e mais eficiente, adaptando os seus hábitos de consumo conforme a conjuntura de modo a defender o seu poder de compra e dando o devido valor ao seu dinheiro.
Isto resulta mesmo com o império do petróleo!
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A. João Soares
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