O ex-deputado socialista e ex-ministro João Cravinho, em entrevista à Rádio Renascença, considera que a corrupção está a aumentar e não tem esperança que as medidas tomadas pelo Governo nesta área resolvam o problema.
Cravinho, que esteve na origem do pacote de medidas anti-corrupção apresentado na AR, que foi rejeitado pelo PS, afirma que a grande corrupção, “de Estado e política”, tem vindo a aumentar, “independentemente dos partidos”.
João Cravinho não acredita na independência do Conselho de Prevenção da Corrupção (CPC), aprovado o mês passado pelo PS, por ter uma composição de pendor governamental e alguns dos seus membros (inspectores-gerais das Finanças, Obras Públicas e Administração Local) serem responsáveis por inspecções que também deveriam ser alvo de fiscalização por parte do CPC. Assim, alguns membros "vão ser juízes em causa própria".
Rangel, líder da bancada do PSD afirmou que "é preciso continuar a aprofundar os instrumentos de combate e prevenção da corrupção e as medidas até agora tomadas não são para nós satisfatórias. Neste sentido as declarações de João Cravinho são oportunas", e acrescentou que "o PSD também não pode estar sempre a fazer propostas que são sistematicamente rejeitadas pela maioria do PS", como o foram as de Cravinho.
Pelo seu lado, o líder parlamentar do PS, Alberto Martins, assegurou em declarações à Agência Lusa que a sua bancada "não recebe lições de combate à corrupção do engenheiro João Cravinho" e promete continuar esse "combate sem tibiezas e sem desautorizar o esforço que está a ser feito". É a habitual arrogância e o discurso hiperbólico do PS, que seria desejável que correspondesse a factos visíveis, o que não tem acontecido.
Artigos sobre o tema:
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domingo, 27 de julho de 2008
Corrupção cresce
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segunda-feira, 22 de janeiro de 2007
O PODER NÃO REPUDIA A CORRUPÇÃO
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Joana Amaral Dias, Psicóloga, genecanhoto@gmail.com, DN, 070122
Quando se soube da saída de João Cravinho do grupo parlamentar do PS, com o objectivo de ocupar um lugar no Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento (em Londres) - convite dirigido pelo próprio primeiro-ministro - houve quem acreditasse na bondade e casualidade da oferta. Porém, outros - talvez menos crédulos -, sabendo que o deputado preparava uma série de elementares medidas anticorrupção, com vista a agilizar e a modernizar este imprescindível combate, interpretaram o posto como uma tentativa de silenciamento.
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