Deputado do PS chama ignorante ao ministro da Presidência
Público. 14.11.2010. Por Luciano Alvarez
Apadrinhamento de crianças por casais homossexuais.
O deputado socialista Miguel Vale de Almeida afirmou que as declarações do ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, sobre a não permissão do Governo para o apadrinhamento de crianças por casais homossexuais “relevam, no mínimo, da ignorância”.
O ministro da Presidência afirmou, na passada sexta-feira, no Parlamento, que o apadrinhamento civil está vedado aos casais homossexuais tal como a adopção, devido ao entendimento pelo Estado de que as “condições sociais não favorecem o desenvolvimento da criança nem a sua inclusão social”.
Miguel Vale de Almeida, no seu blogue pessoal, “Os tempos que correm” (http://blog.miguelvaledealmeida.net), considera que as declarações, além de revelarem, “no mínimo, ignorância”, são “ofensivas”.
Num pequeno texto com data de ontem, o deputado socialista eleito como independente, acrescenta: “O ‘argumento’ assenta, ainda, numa falsidade: nunca a separação entre conjugalidade e parentalidade, que esteve na base da exclusão da adopção aquando da questão do casamento, se confundiu com estas barbaridades sobre o desenvolvimento social da criança e a sua inclusão.”
Contactado pelo PÚBLICO, Vale de Almeida confirmou a autoria do texto e não quis fazer mais nenhuma declaração.
Foto de Rui Gaudêncio
domingo, 14 de novembro de 2010
Que se passa no PS???
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A. João Soares
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sexta-feira, 20 de março de 2009
Conflitos evitáveis
Recebi do Amigo José Luís Borges esta mensagem por e-mail que me deixou em dificuldade para responder por nem sequer saber para que fim pretende a minha opinião. Sobre isto pode escrever-se um livro com vários volumes, ou responder apenas com um ou dois monossílabos.
Gostei dos artigos que li sobre como evitar os conflitos.
Gostaria de saber sua opinião se o Conflito é inevitável, e aí levo em consideração todos os conflitos armados (guerra) ou não.
Considere aspectos de relações internacionais, políticos e geopolíticos.
Realmente já escrevi vários posts em que me referi aos conflitos, como se pode ver na lista de links que junto no fim deste texto.
Ao escrever tais posts e ao usar a palavra evitar, queria apenas referir os conflitos armados. Não é realista desejar evitar «conflitos» de outra ordem, pois desentendimentos, discordâncias, conflitos de interesses, diferenças de pontos de vista, etc. são naturais e fazem parte do relacionamento entre os diferentes povos, com religiões, tradições, recursos complementares ou concorrentes, fronteiras comuns, etc.
E, perante tais situações, será virtuoso tentar um diálogo ou negociação para se chegar a uma solução pacífica com o mínimo desgaste de vidas e de recursos materiais. Na actividade económica com trocas comerciais, entre países vizinhos ou entre os mais distantes pontos do Globo, a negociação é natural e raramente é colocada a hipótese de soluções violentas, até porque a arma económica já é de tal modo poderosa que serve de dissuasão, pressão, ameaça ou retaliação.
Felizmente, já existem muitos exemplos em que o diálogo e a negociação tem resultado, como foi o caso dos vários picos da «guerra fria» e recentemente com a Coreia do Norte que estava a levantar receios na Coreia do Sul e no Japão e a considerar em perigo uma boa parte da costa Ocidental americana.
Agora, está em curso a activação da simpatia entre o Irão e os EUA, sendo a elaboração deste post estimulada pela notícia de que «Obama falou directamente ao regime iraniano propondo superar conflito», por ocasião do novo ano iraniano, dizendo "Nesta época de novos começos, quero falar claramente aos líderes iranianos", "A minha administração está disposta a praticar uma diplomacia que trata a totalidade dos problemas que temos perante nós e a procurar estabelecer relações construtivas entre os Estados Unidos, o Irão e a comunidade internacional. Este processo não progredirá pela ameaça. Procuramos pelo contrário um diálogo honesto e fundado no respeito mútuo".
Também entre os EUA e a China. Está a ser levado a cabo um diálogo sério e aberto assente no respeito mútuo entre Estados soberanos, com grande potencial bélico.
Não deve deixar de ser referida a viragem positiva conseguida no relacionamento do Ocidente com a Líbia, após o atentado de Lockerbie, e posterior bombardeamento aéreo a Trípoli - sem qualquer resultado positivo -, a diplomacia francesa e britânica conseguiram convencer Kadhafi que seria vantajoso para a Líbia e para o Ocidente o estabelecimento de um bom relacionamento de entendimento e colaboração. E, realmente, a partir daí, os benefícios mútuos têm sido notórios.
A guerra no Iraque, ainda por terminar, poderia ter sido evitada se a França não tivesse feito uma asneira imprevisível do País que foi pai da diplomacia: O Saddam Hussein estava pronto a ir para o exílio e estava a escolher se iria para um palácio Líbio ou na Arábia Saudita, porque levou a sério o bluff americano com todas as forças nas imediações do Índico. (Toda a guerra é precedida de manifestações de força para convencer o adversário a ceder sem uso das armas). Mas quando industriais de petróleo franceses chegaram de avião a Bagdad, apesar de o espaço aéreo estar interdito, para assinar novos contratos, o Saddam convenceu-se de que os Americanos não iriam além do bluff, ignorando que estes já estavam junto do ponto de não retorno. E a sua atitude que, com os sinais dos franceses, se tornara mais arrogante, fez desencadear a guerra.
O medo, a desconfiança, a falta de diálogo, de transparência, presta-se a actos violentos, como são as guerras. Daí que um bom relacionamento e a resolução pacífica dos pequenos conflitos evita que estes degenerem em guerra, que é sempre mais custosa do que eventuais benefícios que possa trazer.
Seria pois desejável que qualquer desentendimento fosse resolvido pacificamente com oportunidade para evitar o seu agravamento e o perigo de gerar violência. Isso até poderia, contra os interesses das indústrias de armamento e de equipamentos bélicos, contribuir para que, utopicamente, as forças armadas se tornassem uma actividade em vias de extinção, o que seria a prova de que a humanidade passaria a agir com racionalidade, confiança, franqueza, abertura, etc. e a diplomacia daria solução aos diferendos.
P.S.: Há dias, a propósito de educação foi referido que um psicólogo defende a negociação entre alunos e professores e entre filhos e pais, com o que a autora do texto não concordava. Realmente a negociação, no sentido aceite neste post, só tem pleno significado entre duas entidades com capacidade para aceitar, fazer cedências e exigir. Não é esse o caso da educação, em que o educador deve impor procedimentos cívicos, embora o deva fazer por persuasão, explicação e demonstração dos benefícios resultantes dos bons comportamentos e do respeito pelos outros.
Outros posts sobre este tema:
- Negociação em vez de guerra
- Reflexões sobre a guerra
- Para evitar conflitos armados
- Nobel da Paz. Negociação e Mediação
- Conversações em vez de Confronto
- Relações internacionais mais pacíficas?
- Humanidade sem terrorismo
- Terroristas, dissidentes ou apenas oposição?
- Negociar, coligar em vez de utilizar as armas
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domingo, 15 de julho de 2007
Guerra a pior forma de resolver conflitos
Como já aqui escrevi, a mais desejável forma de resolver conflitos internacionais é o diálogo, a negociação que, através de cedências de parte a parte, conduz ao restabelecimento da confiança e de relações de convivência pacífica. O recurso à guerra arrasta inconvenientes graves para vencedor e vencido, com a destruição de recursos materiais e perdas de vidas. E no fim das hostilidades armadas, é na mesa das conversações se consolida a paz, apetecendo perguntar porque não foi por essa mesa que se tentou de início resolver o diferendo. Duas notícias vêm agora reavivar este tema: da Coreia do Norte e da Rússia. 14Nov06 - relações internacionais são interesseiras 29Nov06 - relações internacionais entre amor e medo 01Dez06 - Guerra de civilizações ou guerra de tradições? 02Jan07 - A Democratização nuclear é previsível
Coreia do Norte
Após três semanas de desenvolvimentos positivos, no âmbito das negociações entre Estados Unidos, Japão, Rússia, China e as duas Coreias, em torno da crise nuclear norte-coreana, foi conseguido o acordo de Fevereiro, em Pequim. Com ele, Pyongyang aceitou o princípio do desmantelamento do seu programa nuclear em troca de uma série de ajudas económicas e humanitárias e de garantias de segurança por parte dos EUA, além da devolução das verbas retidas durante a investigação a um banco de Macau, acusado de envolvimento no tráfico de divisas para a Coreia do Norte.
Com este avanço que estabeleceu um bom grau de confiança entre a partes em conflito, a Coreia do Norte recebeu ontem o primeiro de uma série de carregamentos de combustível acordados em troca do encerramento do reactor nuclear de Yongbyon, cujo fecho formal foi anunciado ao final do dia.
O subsecretário de Estado americano Christopher Hill, principal responsável dos EUA envolvido no dossier nuclear norte-coreano, classificou a desactivação do reactor como "um primeiro passo" na direcção certa. As 6200 toneladas que chegaram ao porto de Sonbong, no nordeste do país, representam apenas a primeira parte das 50 mil toneladas que Pyongyang receberá pelo fecho de Yongbyon. Quando concluir o desmantelamento do seu programa nuclear, Pyongyang receberá um milhão de toneladas de combustível.
Rússia
As negociações nem sempre são fáceis e isentas de tomadas de força, quer diplomáticas, quer económicas, quer apenas de propaganda, por forma a cada um dos intervenientes poder fazer valer os seus trunfos, o que tem de ser conduzido com muita perspicácia, porque o «bluff» mal conduzido pode ultrapassar o pondo de não retorno e o conflito armado torna-se inevitável. Estou convicto de que foi assim que começou a guerra no Iraque ainda em curso.
Numa decisão digna de uma pequena Guerra Fria, Vladimir Putin assinou um decreto que suspende a participação da Rússia no tratado sobre armas convencionais na Europa (CFE, na sigla inglesa), um dos mais importantes documentos da nova ordem mundial. Na prática, Moscovo deixa de fornecer informações sobre as suas forças e a recusar inspecções.
A decisão responde à expansão da NATO e segue-se a opções ocidentais que Moscovo contesta, sobretudo a iniciativa americana de construir um escudo anti-míssil na Europa de Leste e a instalação de bases militares na Roménia e Bulgária. Os países europeus criticaram o decreto presidencial, embora em tom prudente.
A atitude russa surge menos de duas semanas depois de Vladimir Putin ter visitado o presidente americano, na residência da família Bush. Na altura, apesar dos problemas entre as duas potências, a cimeira parecera bem sucedida. O que divide russos e americanos tem a ver com a segurança na Europa, sobretudo a questão do Kosovo, o escudo anti-míssil e a entrada na NATO de países que pertenceram à esfera soviética.
Para enquadrar estes aspectos, poderão ser lidos os seguintes textos aqui «linkados»:
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A. João Soares
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