terça-feira, 21 de janeiro de 2014
ELES COMEM TUDO E NÃO DEIXAM NADA
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POUCOS ROUBAM O QUE É PRODUZIDO POR TODOS OS OUTROS
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segunda-feira, 1 de julho de 2013
MANIFESTANTES, ESTÃO USANDO VOCÊS
Pelo Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior
NOTA: Certamente, haverá quem aceite esta lógica e quem a recuse. Mas vale a pena cada um observar bem estes meandros e, depois, tirar as suas próprias conclusões.
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sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Economia financeira vs economia real
Transcrição:
Um canhão no cu
Dinheiro Vivo. 24-08-2012. por Juan José Millás
Este artigo incendiou a Espanha. Publicado a 14 de Agosto na secção de cultura de El Pais, em poucos dias tornou-se a peça mais lida de sempre naquele jornal e além disso teve milhares de acessos no Facebook. O autor é um escritor espanhol comprometido com os anseios do seu povo. Leia também a sua entrevista "Tornámo-nos uma colónia da Alemanha" em Dinheiro Vivo.
Se percebemos bem – e não é fácil, porque somos um bocado tontos –, a economia financeira está para a economia real assim como o senhor feudal está para o servo, como o amo está para o escravo, como a metrópole está para a colónia, como capitalista manchesteriano está para o operário superexplorado. A economia financeira é o inimigo de classe da economia real, com a qual brinca como um porco ocidental com corpo de uma criança num bordel asiático. Esse porco filho da puta pode, por exemplo, fazer com que a tua produção de trigo se valorize ou desvalorize dois anos antes de a teres semeado. Na verdade, pode comprar-te, sem que tu saibas da operação, uma colheita inexistente e vendê-la a um terceiro, que a venderá a um quarto e este a um quinto, e pode conseguir, de acordo com os seus interesses, que durante esse processo delirante o preço desse trigo quimérico dispare ou se afunde sem que tu ganhes mais caso suba, ainda que vás à merda se baixar. Se o baixar demasiado, talvez não te compense semear, mas ficarás endividado sem ter o que comer ou beber para o resto da tua vida e podes até ser preso ou condenado à forca por isso, dependendo da região geográfica em que tenhas caído, ainda que não haja nenhuma segura. É disso que trata a economia financeira.
Para exemplificar, estamos a falar da colheita de um indivíduo, mas o que o porco filho da puta geralmente compra é um país inteiro e ao preço da chuva, um país com todos os cidadãos dentro, digamos que com gente real que se levanta realmente às seis da manhã e se deita à meia-noite. Um país que, da perspectiva do terrorista financeiro, não é mais do que um tabuleiro de jogos no qual um conjunto de bonecos Playmobil andam de um lado para o outro como se movem os peões no Jogo da Glória.
A primeira operação do terrorista financeiro sobre a sua vítima é a do terrorista convencional: o tiro na nuca. Ou seja, retira-lhe todo o carácter de pessoa, coisifica-a. Uma vez convertida em coisa, pouco importa se tem filhos ou pais, se acordou com febre, se está a divorciar-se ou se não dormiu porque está a preparar-se para uma competição. Nada disso conta para a economia financeira ou para o terrorista económico que acaba de pôr o dedo sobre o mapa, sobre um país, este no caso, pouco importa, e diz "compro" ou diz "vendo" com a impunidade com que aquele que joga Monopólio compra ou vende propriedades imobiliárias a fingir.
Quando o terrorista financeiro compra ou vende, converte em irreal o trabalho genuíno de milhares ou milhões de pessoas que antes de irem para a labuta deixaram no infantário público, onde ainda existem, os seus filhos, também eles produto de consumo desse exército de cabrões protegidos pelos governos de meio mundo mas superprotegidos, é claro, por essa coisa a que temos chamado de Europa ou União Europeia ou, mais simplesmente, Alemanha, para cujos cofres são desviados neste preciso momento, enquanto lê estas linhas, milhares de milhões de euros que estavam nos nossos cofres.
E não são desviados num movimento racional, justo ou legítimo, desviam-se num movimento especulativo promovido por Merkel com a cumplicidade de todos os governos da chamada zona euro. Tu e eu, com a nossa febre, os nossos filhos sem infantário ou sem trabalho, o nosso pai doente e sem ajudas, com os nossos sofrimentos morais ou as nossas alegrias sentimentais, tu e eu já fomos coisificados por Draghi, por Lagarde, por Merkel, já não temos as qualidades humanas que nos tornam dignos da empatia dos nossos semelhantes. Somos agora mera mercadoria que pode ser expulsa do lar de idosos, do hospital, da escola pública, tornámo-nos algo desprezível, como esse pobre tipo a quem o terrorista, por antonomásia, está prestes a dar um tiro na nuca em nome de Deus ou da pátria.
A ti e a mim, estão a pôr nos carris do comboio uma bomba diária chamada prémio de risco, por exemplo, ou juros a sete anos, em nome da economia financeira. Avançamos com rupturas diárias, massacres diários, e há autores materiais desses atentados e responsáveis intelectuais dessas acções terroristas que passam impunes entre outras razões porque os terroristas vão a eleições e até ganham, e porque há atrás deles importantes grupos mediáticos que legitimam os movimentos especulativos de que somos vítimas.
A economia financeira, se começamos a perceber, significa que quem te comprou aquela colheita inexistente era um cabrão com os documentos certos. Terias tu liberdade para não vender? De forma alguma. Tê-la-ia comprado ao teu vizinho ou ao vizinho deste. A actividade principal da economia financeira consiste em alterar o preço das coisas, crime proibido quando acontece em pequena escala, mas encorajado pelas autoridades quando os valores são tamanhos que transbordam dos gráficos.
Aqui alteram o preço das nossas vidas a cada dia sem que ninguém resolva o problema, pior, enviando as forças da ordem contra quem tenta fazê-lo. E, por Deus, as forças da ordem empenham-se a fundo na protecção desse filho da puta que te vendeu, por meio de um roubo autorizado, um produto financeiro, ou seja, um objecto irreal no qual tu investiste as poupanças reais de toda a tua vida. O grande porco vendeu-lhe fumaça com o amparo das leis do Estado que são as leis da economia financeira, já que estão ao seu serviço.
Na economia real, para que uma alface nasça, há que semeá-la e cuidar dela e dar-lhe o tempo necessário para se desenvolver. Depois, há que a colher, claro, e embalar e distribuir e facturar a 30, 60 ou 90 dias. Uma quantidade imensa de tempo e de energia para obter uns cêntimos que terás de dividir com o Estado, através dos impostos, para pagar os serviços comuns que agora nos são retirados porque a economia financeira tropeçou e há que tirá-la do buraco. A economia financeira não se contenta com a mais-valia do capitalismo clássico, precisa também do nosso sangue e está nele, por isso brinca com a nossa saúde pública e com a nossa educação e com a nossa justiça da mesma forma que um terrorista doentio, passe a redundância, brinca enfiando o cano da sua pistola no rabo do seu sequestrado.
Há já quatro anos que nos metem esse cano pelo rabo. E com a cumplicidade dos nossos.
O original encontra-se em El País
e a tradução em
Dinheiro Vivo (foram efectuadas pequenas alterações)
em Resistir
em Movimento Novos Rurais
NOTA: Há uma grande diferença entre o feudalismo agrário e o financeiro. No agrário, o «senhor da terra» tinha consciência da importância das pessoas que, como mão de obra, deviam ser alimentadas e ter saúde para produzir, enquanto no financeiro, as pessoas não contam senão como ferramentas que produzem onde se vão tirar impostos e, de quando em quando, exigir o voto, com promessas desleais, e que perdem interesse logo que deixam de produzir.
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quinta-feira, 10 de maio de 2012
Manipulação do Estado
Recebi agora por e-mail um artigo publicado há quase um mês, mas que se mantém actual e merece ser lido e meditado. Nas ta fazer clic no link
A manipulação de um Estado de Direito
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sábado, 23 de outubro de 2010
Abate de automóveis
Segundo a notícia «Fim do incentivo ao abate ameaça sector automóvel», a partir de Janeiro, o incentivo de abate de carros velhos só será possível para quem comprar um eléctrico. As associações de comércio de automóveis dizem que é a medida mais gravosa para o automóvel prevista no Orçamento para 2011, ainda mais do que a subida de impostos.
Curiosamente, há pouco mais de um ano, o mesmo jornal trazia a notícia «Só isenção fiscal iria aumentar as vendas de automóveis», acerca de reivindicação das associações. Ela foi transcrita no post «Depois do BPN, o sector automóvel à mama» em que se reflectia sobre o sentido de gestão individual quanto ao momento da substituição do carro em função das suas condições de funcionamento em termos de segurança e de economia. Num momento de crise geral não se deve continuar com a tendência consumista e de ostentação de vender um carro ainda em boas condições de funcionamento.
Os lucros do sector automóvel não constituem um objectivo nacional que se sobreponha aos interesses gerais dos cidadãos que estão a sofrer sucessivos apertos de cinto.
No citado post consta entre muitas outras considerações o seguinte: o abate prematuro só serve para aumentar o negócio dos grandes grupos de importadores e vendedores. A pretensão das associações não pode ser um objectivo nacional, mas apenas um proteccionismo aos importadores e vendedores de automóveis novos.
Dos apoios a esses magnatas resulta prejuízo para o País por aumentar a dívida externa com mais importações, prejuízo para as pessoas que deixam de utilizar o carro enquanto pode funcionar com segurança e rentabilidade, prejuízo para os vendedores de peças e para as oficinas de manutenção e reparação, com o desemprego de muitos mecânicos de pequenas oficinas, por todo o país.
O bom povo deve ser ensinado a gerir os seus interesses e resistir aos apelos de vozes exploradoras das suas poupanças e dos dinheiros dos impostos.
Os governantes devem conhecer melhor as realidades dos portugueses em geral e não se limitarem a dar ouvidos às pressões de detentores do capital, ávidos de lucros à custa da exploração do povo menos informado.
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sábado, 29 de maio de 2010
Preço da electricidade cai na Europa mas sobe cá
Entre nós, as empresas de serviços públicos que era suposto servirem a população, com a melhor eficiência de qualidade e preço, habituaram-se a explorar os clientes ou utentes a fim de obterem mais lucros para distribuírem mais dividendos aos accionistas e altos salários e elevados prémios aos administradores.
As notícias «Preço da electricidade desce 1,5 por cento na Europa mas sobe 4,5 por cento em Portugal» e «Electricidade sobe em Portugal e cai na Europa» vêm confirmar como estamos a aumentar o atraso em relação à evolução europeia
O essencial das notícias resume-se na frase «Os preços da electricidade para as famílias caíram 1,5 por cento na União Europeia, entre o segundo semestre de 2008 e o segundo semestre de 2009, mas subiram 4,5 por cento em Portugal, segundo dados hoje publicados pelo Eurostat.»
Com isto, ficamos mais esclarecidos sobre aquilo que consta no primeiro parágrafo e nos seguintes posts captados ao acaso:
- EDP - Lucros 1º Semestre
- Economia soberana
- António Mexia com salários «obscenos»
- Na GALP não se ganha mal!!!
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terça-feira, 3 de novembro de 2009
A Elite e a arraia miúda
Escreva aqui a primeira parte do artigo
Transcrevo este artigo do JN de hoje, porque sinto que o caso focado tem um significado mais extenso, sendo mais um sintoma daquilo que está a ser esboçado, de forma um tanto difusa, para a sociedade moderna, como refiro na Nota final.
Os "essenciais" e os outros
JN. 091103. 00h44m. Por Manuel António Pina
Depois dos deputados, também os funcionários dos partidos foram considerados pela Direcção-Geral de Saúde (DGS) "imprescindíveis" para o "normal funcionamento da sociedade" e, por isso, incluídos na 1ª fase da vacinação contra a Gripe A, à frente de doentes crónicos, grávidas, profissionais de saúde em contacto directo com doentes, crianças, etc., que, sendo "substituíveis", terão que esperar pelas fases seguintes, rezando para que o vírus use os mesmos critérios da DGS e não se lembre deles.
Compreende-se que gente dos partidos e deputados sejam, como diz a DGS, "essenciais ao normal funcionamento da sociedade". Pode perguntar-se é como, sem padeiros que lhes façam o pão, sem motoristas que os levem ao Parlamento e às sedes, sem pessoal das águas e da electricidade que lhes garanta o banho diário, a energia para os computadores e a luz para estudar os dossiês, sem educadoras e auxiliares de infantários que lhes tomem conta dos filhos enquanto trabalham e toda a mais gente não "imprescindível" nem "essencial ao normal funcionamento da sociedade", uns e outros poderão cumprir as suas funções.
NOTA: Como o autor evidencia, é difícil e não deixa de ser injusto, dividir a sociedade em elite e arraia miúda, em essenciais e os «outros», em activos e pensionistas, em saudáveis e em doentes, em bons e em maus. Há poucos meses, houve um dirigente histórico e ainda com poder de opinião no partido que apresentou uma proposta sobre a eutanásia, ou talvez a máscara suavizante do suicídio assistido, as pensões e outros apoios a pensionistas têm sofrido consecutivos «apertos de cinto», as medidas de saúde para doentes com doenças prolongadas são insuficientes.
O panorama que pessoas pensantes está a recear é que seja ainda nas suas vidas que comece uma discreta eliminação dos não activos, para aliviar o serviço de saúde, as despesas de assistência social, as reformas, os lares do Estado, etc. E os avanços das ciências biológicas do domínio da engenharia genética vão facilitar as decisões semelhantes à da vacina, de separar os «essenciais» dos «outros», isto é, o oligarquia política e a plebe, aqueles a quem é reconhecido o direito de imunidade e impunidade para cometerem todas as aldrabices e os «outros», sem apoios, abandonados e explorados e que pagarão cada vez mais multas para que os polícias sejam bem avaliados para progresso na carreira.
Os «outros» que acordem e que manifestem a sua discordância!!!
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quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Depois do BPN, o sector automóvel à mama
Só isenção fiscal iria aumentar as vendas de automóveis
JN. 091007. Fernando Basto
Entrega de carros para abate diminuiu desde Agosto, apesar dos incentivos.
Os novos incentivos ao abate de carros usados, em vigor desde Agosto, não estão a ser suficientes para pôr fim à crise no sector automóvel. A isenção de impostos durante dois anos continua a ser a reivindicação das empresas.
"A ganância de obter dinheiro de imediato por parte do Governo é que está a impedir a recuperação do sector automóvel". É assim que Carlos Barbosa, presidente do Automóvel Clube de Portugal (ACP), comenta a falta de uma verdadeira inversão na venda de veículos novos. Acredita-se que 2009 feche com uma queda superior a 30% em relação ao ano passado.
Com efeito, para o presidente do ACP, os novos incentivos concedidos ao abate de veículos usados - e que se encontram em vigor desde 8 de Agosto - "não vieram dar o impulso às vendas que o sector automóvel precisa e há muito reivindica".
(Para ler mais faça clique aqui)
NOTA: O que chamam «crise no sector automóvel»? Uma diminuição de vendas de carros novos? Uma diminuição de abate de carros ainda em bom estado? Será que não vêem que esse abate só serve para aumentar o negócio dos grandes grupos de importadores e vendedores?
Acabar com essa dita «crise» não pode ser um objectivo nacional, mas apenas um proteccionismo aos importadores e vendedores de automóveis novos. De tais apoios a esses magnatas resulta prejuízo para o País que aumenta a dívida externa com mais importações, prejuízo para as pessoas que deixam de utilizar o carro enquanto pode funcionar com segurança e rentabilidade, prejuízo para os vendedores de peças e para as oficinas de manutenção e reparação. Quantos mecânicos de pequenas oficinas, por todo o país ficarão sem emprego?
E, quando se fala que a crise alertou para a necessidade de combater o consumismo, avançam em sentido contrário com esta medida que serve para o incentivar.
Será bom que os governantes não se debrucem apenas na defesa dos banqueiros e dos grandes importadores e representantes das marcas de automóveis. O bom povo deve ser ensinado a gerir os seus interesses e resistir aos apelos de vozes exploradoras das suas poupanças e dos dinheiros dos impostos. Os governantes devem conhecer melhor as realidades dos portugueses em geral e não se limitarem a dar ouvidos às sanguessugas capitalistas.
Será que Portugal tem necessidade de mais automóveis? Será que pretendem que haja mais do que um carro por pessoa?
Haja senso. Pense-se no nível de vida da maior parte dos portugueses.
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segunda-feira, 29 de junho de 2009
O saque ao erário não tem limites
Há situações escandalosas que vêm a público apenas ocasionalmente, o que deixa fora de vista o horizonte limite destas poucas vergonhas. Daí as suspeitas recaírem generalizadamente sobre todos os políticos, embora possa haver eventuais excepções.
Depois de um alto responsável pela ERSE se ter demitido e ficar com um ordenado fabuloso durante dois anos, da rápida promoção de um antigo empregado de balcão da CGD, ser nomeado administrador, passar para o BCP e, depois, ser promovido pela CGD a um escalão superior, assim como dos ordenados dos administradores do BdP aliados a regalias vitalícias mesmo que desempenhem as funções apenas algumas horas, aparece agora um caso não menos espantoso.
Um ex-chefe de gabinete de José Sócrates que é presidente do Instituto de Turismo de Portugal (ITP) desde Maio de 2006, ganhou, em 2008, como vogal do Conselho Geral e de Supervisão (CGS) da TAP, 98 mil euros, salário anual, referida no Mapa de Remunerações dos Órgãos Sociais. Este número representa que recebeu da TAP, durante 14 meses, um ordenado mensal fixo de sete mil euros, valor superior ao vencimento do próprio primeiro-ministro.
A justificar essa remuneração, no ano passado, teve o incómodo de assistir a 10 (dez) reuniões que a «comissão especializada de sustentabilidade e governo societário» realizou. Por cada comissão em média recebeu 9800 euros, equivalente a cerca de 22 salários mínimos nacionais, mensais (por uma reunião de poucas horas!!!).
Para conhecer melhor o assunto poderá ser lida a notícia no Correio da Manhã de hoje.
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A. João Soares
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terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Portugal é o maior
Portugal é o maior esbanjador dos dinheiros públicos, daquilo que nos obriga a pagar em impostos. A notícia do jornal de negócios de hoje é elucidativa.
Víctor Constâncio ganha 250 mil euros por ano;
O seu equivalente americano apenas ganha 140 mil euros por ano.
Isso equivale a
Victor Constâncio ganha 18 vezes o rendimento nacional ´per capita’:
O seu equivalente americano apenas ganha 4,2 vezes o rendimento 'per capita' dos EUA.
Constâncio está entre os banqueiros centrais mais bem pagos do mundo
Rui Peres Jorge, rpjorge@mediafin.pt
Nunca, como no último ano, a opinião pública ouviu falar tanto dos governadores dos bancos centrais. Até há um ano, para a maioria das pessoas estes banqueiros existiam apenas como os gestores dos juros. Mas a actual crise veio colocá-los no centro da política económica, devido às suas competências de supervisão e de assistência a instituições em dificuldades. A importância que assumiram volta a colocar a questão: quanto vale um governador?
Para o Ministério das Finanças português, o cargo ocupado por Vítor Constâncio vale uma remuneração anual de perto de 250 mil euros por ano, cerca de 18 vezes o rendimento nacional 'per capita'. Já para a Administração norte-americana, o lugar ocupado por Ben Bernanke justifica apenas 140 mil euros anuais, ou seja, 4,2 vezes o rendimento 'per capita' dos EUA.
NOTA de AJS: Já há quase um ano circulou por e-mail um artigo extenso e pormenorizado que comparava sob vários aspectos Victor Constâncio e o seu equivalente, na época, dos EUA. A notícia de hoje, embora curta, é elucidativa da exploração dos contribuintes portugueses.
Outra notícia de hoje, do DN diz que Gestores de topo ganham 441 salários mínimos. Segundo ela, um estudo do Hay Group analisa ganhos nas 50 maiores empresas e conclui que, na economia capitalista, a chamada cultura do mérito conduz a situações como a dos rendimentos dos presidentes executivos das 50 maiores empresas europeias equivalerem a 441 salários mínimos da Zona Euro. Isto significa que um trabalhador com o salário mínimo precisaria de trabalhar 441 anos (!!!) para receber tanto como um desses gestores recebe em apenas um ano!!!
O capitalismo está assim, ele próprio, a confirmar as teses de Karl Marx (1818-1883), filósofo, economista, mas igualmente sociólogo, que, ao tornar-se o teórico de um socialismo que anuncia como científico, se interessou pelo processo de desenvolvimento capitalista e tentou revelar as suas contradições internas, insistindo particularmente nas oposições de classe, segundo ele, inelutáveis no seio da sociedade capitalista.
Realmente o mérito só é pago principescamente aos que detêm as rédeas do poder nas empresas e instituições, mesmo que usem de corrupção e actividades ilegais, como temos sabido acontecer em muitas empresas financeiras. Os trabalhadores num grau hierárquico afastado do topo podem ter muito mérito, muita dedicação, muita competência, muita produtividade, que nunca cheirarão prémios equivalentes. Mesmo que fabriquem uma peça que, se tiver um defeito mínimo, estraga toda a produção da fábrica!
Algo está mal na sociedade ocidental e que tem alastrado para os países em vias de industrialização. Talvez esta crise global abra os olhos aos explorados e os leve a influenciar a moralização e a equidade do sistema.
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sexta-feira, 17 de outubro de 2008
A banca nacionalizou o Governo!!!
A troco de apenas algum dinheiro, os bancos emprestam-nos o nosso próprio dinheiro para que possamos fazer com ele o que quisermos. A nobreza desta atitude dos bancos deve ser sublinhada.
Quando, no passado domingo, o Ministério das Finanças anunciou que o Governo vai prestar uma garantia de 20 mil milhões de euros aos bancos até ao fim do ano, respirei de alívio. Em tempos de gravíssima crise mundial, devemos ajudar quem mais precisa. E se há alguém que precisa de ajuda são os banqueiros. De acordo com notícias de Agosto deste ano, Portugal foi o país da Zona Euro em que as margens de lucro dos bancos mais aumentaram desde o início da crise. Segundo notícias de Agosto de 2007, os lucros dos quatro maiores bancos privados atingiram 1,137 mil milhões de euros, só no primeiro semestre desse ano, o que representava um aumento de 23% relativamente aos lucros dos mesmos bancos em igual período do ano anterior. Como é que esta gente estava a conseguir fazer face à crise sem a ajuda do Estado é, para mim, um mistério. A partir de agora, porém, o Governo disponibiliza aos bancos dinheiro dos nossos impostos. Significa isto que eu, como contribuinte, sou fiador do banco que é meu credor. Financio o banco que me financia a mim. Não sei se o leitor está a conseguir captar toda a profundidade deste raciocínio. Eu consegui, mas tive de pensar muito e fiquei com dor de cabeça. Ou muito me engano ou o que se passa é o seguinte: os contribuintes emprestam o seu dinheiro aos bancos sem cobrar nada, e depois os bancos emprestam o mesmo dinheiro aos contribuintes, mas cobrando simpáticas taxas de juro. A troco de apenas algum dinheiro, os bancos emprestam-nos o nosso próprio dinheiro para que possamos fazer com ele o que quisermos. A nobreza desta atitude dos bancos deve ser sublinhada.
Tendo em conta que, depois de anos de lucros colossais, a banca precisa de ajuda, há quem receie que os bancos voltem a não saber gerir este dinheiro garantido pelo Estado. Mas eu sei que as instituições bancárias aprenderam a sua lição e vão aplicar ajuizadamente a ajuda do Governo. Tenho a certeza de que os bancos vão usar pelo menos parte desse dinheiro para devolver aos clientes aqueles arredondamentos que foram fazendo indevidamente no crédito à habitação, por exemplo, e que ascendem a vários milhares de euros no final de cada empréstimo. Essa será, sem dúvida nenhuma, uma prioridade. Vivemos tempos difíceis, e julgo que todos, sem excepção, temos de dar as mãos. Por mim, dou as mãos aos bancos. Assim que eles tirarem as mãos do meu bolso, dou mesmo.
NOTA: Este texto, de que desconheço o autor, foi-me enviado por e-mail pelo amigo Luís SC. Não tenho dúvidas de que os bancos «vão aplicar ajuizadamente» o nosso dinheiro que o Governo coloca nas suas mãos, pois ele, em grande parte, servirá para manter o nível de remunerações directas e indirectas, visíveis e invisíveis, dos seus quadros superiores, e como ninguém duvida, continuarão a cobrar juros pelos empréstimos e pagar o mínimo possível pelos depósitos, só para evitar que estes vão para Espanha ou para outro local da «nossa» UE.
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sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Cotação de mercado de combustíveis
Na sequência do post «Combustíveis. Gostava de ser esclarecido» deparei com o seguinte artigo da SIC Online, de ontem, que vem lançar alguma luz sobre a exploração dos consumidores pelas gasolineiras.
Gasolineiras cobram mais 5 cêntimos do que deviam
A SIC analisou as cotações de mercado que as gasolineiras dizem usar para definir os preços de venda ao público e descobriu que os consumidores estão a pagar pelo menos mais cinco cêntimos acima dos praticados quando, no primeiro semestre do ano, a gasolina e o gasóleo refinados estavam a preços iguais aos da semana passada.
Preço dos combustíveis. Gasolineiras não descem preços ao mesmo ritmo da descida das cotações de mercado
Lucros das gasolineiras: 1 milhão e 50 mil euros por dia
As gasolineiras garantem que os preços de venda ao público não resultam directamente do preço do barril de petróleo, mas das cotações no mercado europeu de produtos refinados - o chamado Platt´z.
Dizem também que o impacto chega aos postos de abastecimento portugueses uma semana depois.
Isto significa que, o preço do combustível que esta semana está a ser vendido ao público é uma consequência das cotações no mercado de Platt´z na semana passada.
Para avaliar o comportamento das gasolineiras, basta usar os argumentos das gasolineiras e ver quando é que as cotações no mercado de Platt´z estavam iguais à semana passada.
Em relação ao gasóleo refinado, na semana passada estava com uma cotação igual à praticada no fim de Fevereiro, que permitiu que uma semana depois o preço médio de venda ao público fosse de 1 euro e 23 cêntimos.
Mas agora tem estado a ser vendido ao preço médio arredondado de 1 euro e 31cêntimos, quase oito cêntimos mais caro, apesar de ter o mesmo valor de mercado.
Para a gasolina sem chumbo 95 é quase a mesma coisa.
Na semana passada estava no mercado de refinados ao mesmo preço da segunda semana de Abril.
Nessa altura, foi vendida a 1 euro e 40 cêntimos por litro. Mas agora os consumidores têm de pagar mais quase 6 cêntimos.
As gasolineiras argumentam que o preço não pode ser igual porque o dólar está mais caro.
E é verdade. A SIC fez as contas, conferiu com especialistas e pode garantir que o impacto da valorização do dólar aumenta o preço de venda ao público da gasolina e do gasóleo em cerca de um cêntimo.
O que quer dizer que as gasolineiras estão agora a ganhar pelo menos mais cinco cêntimos por litro na gasolina e quase seis cêntimos por litro no gasóleo.
NOTA: parece que não está a haver verdade, sinceridade, lisura, da parte das gasolineiras. Quanto às autoridades que deviam defender os interesses dos portugueses, não se vê capacidade ou vontade de actuar.
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Economia soberana
Texto recebido por e-mail de José Morais Silva
Ora aqui está a prova do que já se suspeitava há tempo.
Na ânsia de privatizar a EDP e a Galp (duas empresas de inalienável interesse estratégico para a soberania do País na área da energia), os “políticos” do PSD e PS foram vendendo as posições do Estado, todos contentinhos julgando que, com a invenção das “gold share”, ainda ficavam com alguma capacidade de controlo.
Vem agora a União Europeia informar que vai iniciar uma acção no Tribunal Europeu para acabar com essa ilusão.
O próximo passo vai ser a privatização da CGD, deixando então a Banca à rédea solta.
É tempo de começar a pensar numa acção em tribunal, posta pelos cidadãos Portugueses para exigir responsabilidades aos autores destas privatizações que retiraram ao Estado a sua capacidade de regulação.
Veja-se a triste figura do Ministro da Economia, bem acompanhado pela dita Autoridade da Concorrência e a não menos cómica ERSE.
Já agora alguém que investigue quem são os elementos daquelas magníficas organizações que, supostamente, têm como missão zelar para que não haja abusos e quais os seus vencimentos e regalias associadas ao tacho que os partidos que passaram pelo governo lhes ofereceram, afinal, para só fazerem asneira ou estarem caladinhos!
Claro que, fiel à tradição, o nosso Presidente da República continua a seguir com atenção e preocupação o que se passa!
Para quando terá sua Excelência a conversa com o nosso Primeiro Ministro para lhe dar algumas “grandes linhas de orientação”?
NOTA: Repare-se na posição anódina do ministro da Economia em face da exploração das gasolineiras nos preços escandalosos dos combustíveis. (Ver o post «Combustíveis. Gostava de ser esclarecido»)
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segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
Poderosos aliados na exploração do País
Transcrição de artigo do Diário de Notícias
No Carnaval é que ninguém leva a mal
Por Ferreira Fernandes, jornalista do DN
Sabíamos que a prática corrente era essa - o PS e o PSD distribuindo-se os cargos sumarentos - mas tínhamos o mínimo consolo disso não ser confessado.
Encornados, está bem, mas ao menos que não se ande a apregoar por aí... Foi desse limbo que Luís Filipe Menezes nos expulsou, ontem, quando veio exigir publicamente a CGD, já que, palavras dele, o PS abocanhava o BCP. O busílis está no "publicamente". Que Menezes telefonasse a Sócrates, perdão, que se reunisse com ele (hoje em dia, telefonar e falar publicamente é o mesmo), que se reunisse com ele e, a sós, exigisse: "Então, pá, segundo o acordo habitual, agora toca-nos a Caixa!"
Mas não. Menezes disse em comício e com microfones ligados: "Está na hora de o Governo nomear para presidente da CGD uma personalidade próxima da área do maior partido da oposição." É intolerável! Não a repartição do bolo entre os dois partidos, isso é só imoral. O intolerável é fazer-nos - às vítimas - de testemunhas.
NOTA: Se havia dúvidas, agora estamos esclarecidos. Os Partidos mais açambarcadores de votos consideram o País como uma quinta deles que exploram em conluio, com a mais descarada conivência. O País é a relva do estádio que os jogadores - os políticos - pisam a seu bel-prazer, sem a mínima consciência ou escrúpulo. Que diferença há entre isto e as associações de malfeitores? Há uma grande diferença: O povo vota neles, e eles fabricam as leis que lhes convém, para que tudo o que fazem seja legal!!!
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quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
Não param de mexer na nossa carteira
Os indivíduos considerados CCCC – cidadão, contribuinte, consumidor, cliente – estão permanentemente a ser roubados, sem terem quem os defenda e sem poderem defender-se.
Já aqui se referiu a exploração dos bancos que, para terem elevados lucros, não têm escrúpulos que os impeçam de extorquir cada vez mais, a pretexto seja do que for.
Agora é a Entidade Reguladora dos Serviços de Energia (ERSE) que pretende fazer a conversão dos actuais contadores da luz para a telecontagem o que deverá avançar a partir de 2010. É uma medida lógica do ponto de vista de gestão económica das distribuidoras de energia que irá reduzir os custos com o pessoal encarregado da leitura dos contadores. Esta que outrora era mensal, agora passou a ser feita com intervalos de 4 meses, sendo a facturação bimensal. A telecontagem vai originar grandes economias à empresa, sendo de seu inteiro interesse implementá-la.
Mas, ilogicamente, a factura será paga pelos consumidores via tarifas de electricidade ao longo de 20 anos, a partir de 2010. Segundo a ERSE, este encargo vai agravar a factura em 3,1% no máximo a partir de 2015 entre o sexto e o décimo ano. Portanto, o consumidor (CCCC) vai pagar uma medida que apenas traz benefício à empresa, por lhe ocasionar poupanças em pessoal e trabalho administrativo. É inacreditável!!!
E os CCCC continuam indefesos, desprotegidos, porque o Governo, que era suposto zelar pelos seus direitos e garantias, assiste impávido e sereno à roubalheira sem tugir nem mugir. Porquê? Porque estão em jogo interesses de grandes empresas que serão generosas na compensação aos governantes que lhes forem dóceis, oferecendo-lhes tachos dourados quando deixarem a política activa.
Antes que se diga que este raciocínio é exagerado, convém fazer a lista dos tachos daqueles que passaram por altos cargos nos governos e em outras instituições políticas. Na realidade e em geral, a política constitui apenas uma etapa intermédia na corrida aos tachos em grandes empresas, com prioridade para as que têm algum capital público.
E, desta forma, os CCCC continuarão a ser explorados, porque todos os interesses estão contra eles e nada está a seu favor. Como dizia o humorista Camilo de Oliveira, «toma que é democrático»!!!
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segunda-feira, 6 de agosto de 2007
Taxas de juro já estão nos 6%
Taxas de juro para habitação já estão nos 6%
http://dn.sapo.pt/2007/08/06/economia/taxas_juro_para_habitacao_estao_6.html
Notícias de hoje dizem-nos que as taxas de juro do crédito à habitação já chegaram aos 6%, o valor mais alto desde há seis anos. Quem for contrair um novo empréstimo à compra de casa em Agosto e só conseguir negociar um spread de 1,8 pontos, que é dos mais altos, ficará a pagar uma taxa de juro nominal de 6,219% e efectiva (já com encargos) de 6,247%, se o indexante escolhido foi a Euribor a seis meses.
Este é o resultado de mais uma subida das taxas Euribor em Julho, com o valor médio deste indexante a seis meses a atingir os 4,419%, enquanto a mesma taxa para o prazo de três meses apresentou um valor médio de 4,275%, no mês passado.
Trata-se dos valores mais altos desde Setembro de 2001, quando a taxa máxima era de 6,250%. No entanto, nesta altura, este spread máximo praticado pela banca era de dois pontos percentuais e a taxa de juro Euribor era arredondada ao oitavo e quarto de ponto percentual acima, consoante os bancos.
Actualmente, com o arredondamento à milésima obrigatório, as taxas de juro praticadas pela banca apresentam poucas variações, com a negociação do spread a constituir a principal diferença.
Recorde-se que no último pico da subida das taxas de juro europeias, em finais de 2000, os portugueses chegaram a pagar taxas de juro pelos seus empréstimos de 7,3%. Actualmente as taxas do mercado bancário estão em ciclo ascendente, desde Setembro de 2005.
Este é mais um aperto no cinto que os cidadãos mais desprotegidos vão sofrer. Para quê? Para que alguns privilegiados tenham melhor vida. Recordem-se as notícias vindas a público há dias e já referidas no post
Pontos fracos dos Portugueses:
Lista de devedores cresceu 15 vezes face há um ano
Lucros dos bancos privados subiram 23%
Bancos lucram 6,3 milhões por dia
Lucros da CGD sobem para 490 milhões
Seguros registam melhor resultado de sempre
E não se vê sinal de um controlo que evite esta especulação imoral do bancos sobre os clientes, fazendo tudo o que lhes apetece para aumentar os lucros à custa do cidadão já tão sacrificado por todas as formas, por todos os poderes.
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sábado, 4 de agosto de 2007
Pontos fracos dos Portugueses
Há dias, no Porto, o professor Cândido Agra, presidente da Sociedade Portuguesa de Criminologia enunciou os seguintes três sintomas da síndrome da "portuguesidade": medo, fuga e angústia. O medo (1) é devido a vários factores de que se destaca: falta de confiança nas instituições da Justiça, nomeadamente, a Polícia; a educação, "quanto menos informadas as pessoas estão, mais medo têm"; a influência importante da televisão; e a herança histórica.
Tendo este panorama como pano de fundo, deparamo-nos com espertalhões que exploram a situação de forma chocante e impune. Há uma injustiça social gritante que as pessoas, devido ao tal medo atávico, parecem ter receio de denunciar e até comentar. Veio a público há poucos dias que a média dos salários mais altos é 11 (onze) vezes os mais baixos. Se a média é esta, haverá, certamente, picos que passarão das 20 vezes. E, o que é ainda mais grave, ninguém procura tornar estas disparidades menos escandalosas. Na realidade, uma família tem gastos independentes do grau de riqueza e outros que são ostentação de luxo da «elite». Ora para estes luxos, seriam suficientes, para marcar a diferença de competência e de responsabilidade profissional, salários máximos de cinco ou seis vezes os mais baixos. Em casos muito excepcionais, poderão ser um pouco mais.
Mas a exploração tem outros aspectos gritantes. Não vou entrar em pormenores, deixo os links para os interessados poderem colher mais informação e limito-me a simples referências. O poder de compra está muito reduzido, não se fala de poupanças, as prestações da casa e outras estão a deixar muitas famílias em situação de falência; e as próprias dívidas (2) ao fisco cresceram muitas vezes face ao ano anterior
Em contraste com as péssimas condições que têm sido impostas ao povo, através de más políticas sócio-económicas e da focalização nos benefícios do grande capital, os lucros dos bancos privados (3) subiram 23%, os bancos (4) lucram 6,3 milhões por dia, os lucros da própria CGD (5) sobem para 490 milhões, e os seguros registam o melhor resultado (6) de sempre.
Com estes títulos nos jornais, mesmo os cidadãos menos atentos, que enfrentam um contínuo, persistente e cada vez mais doloroso apertar do cinto, sentem dentro de si os três sintomas enunciados pelo professor Cândido Agra e outros que podem inesperadamente explodir numa qualquer manifestação colectiva de que poderão sair efeitos traumatizantes. Não quer dizer que essas manifestações não sejam estimulantes para uma vida futura melhor e mais justa.
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domingo, 29 de julho de 2007
Jovem contra exploração económica
Há muita gente a queixar-se da exploração das empresas que, na ambição do lucro, criam dificuldades às famílias mais carentes de meios financeiros e que têm de apertar o cinto para fazer face a necessidades dos filhos estudantes e outras. As tentações e os assédios económicos são irresistíveis para a maioria das pessoas.
Mas, como não devemos ficar pelas palavras, é de toda a justiça elogiar a iniciativa hoje vinda a público no Jornal de Notícias com o título Jovem "recicla" manuais pela escrita de Salomão Rodrigues.
Patric Figueiredo demonstra e põe em prática que é possível comprar livros escolares 75% mais baratos. Não se trata aqui de nenhuma iniciativa governamental, e muito menos de um acto promocional das editoras. Este jovem, inteligente e de acção, cansado de gastar dinheiro e de ver a mãe desembolsar centenas de euros na compra dos manuais escolares, decidiu recolher livros usados para posterior revenda.
Garante que o projecto pode ser implementado à escala nacional se as pessoas ousarem resistir aos "fortes lóbis das editoras". Quem disponibiliza os manuais usados tem a mais valia de ser ressarcido de parte do seu valor.
Habituado a usar os livros do irmão mais velho, Patric lembrou-se de pôr em prática o princípio usado em casa, "mas à escala nacional". Arrancou este verão com uma ideia amadurecida durante dois anos, mergulhou nos compêndios da informática e trocou saberes com os amigos da escola, e criou um sítio na Internet (www.exacto.com.pt) que é a "montra" da iniciativa.
O projecto Exacto.com.pt consiste na recolha de manuais usados junto de escolas, evitando que acabem esquecidos numa qualquer arrecadação ou mesmo no lixo. Os livros são depois colocados à venda na Internet, com preço 75% inferior ao original. Se a venda for efectuada, quem ofereceu o manual recebe parte da quantia cobrada. Quanto a livros oferecidos que não são adoptados pelas escolas, seguem para instituições de solidariedade, que os encaminharão para a África de língua portuguesa.
"O uso dos livros por seis anos dá mais consistência à iniciativa e a oferta aos mais carenciados vai permitir expandir a ideia a outros escalões de alunos". Patric só lamenta que os estudantes não sejam "incentivados a deixarem por livre vontade os seus manuais na escola, no final do ano".
O adolescente vai agora pedir ajuda à autarquia para ter espaço para acomodar os livros e promete continuar com as recolhas, em cada primeira sexta-feira do mês, junto às escolas.
Esta iniciativa merece todo o apoio – e é isso que aqui estamos a fazer agora – de autarquias, escolas, famílias, estudantes e todos aqueles que não estejam acorrentados aos lucros das editoras.
Este tema que versa a importância da gestão da economia doméstica e da defesa dos interesses do consumidor está relacionado com a notícia do Diário de Notícias «Alunos vão aprender a lidar com a publicidade» em que é anunciado que, a partir de Setembro, os estudantes do 1.º e 2.º ciclo, dos sete aos onze anos, terão um novo currículo nas salas de aula: vão aprender a entender a publicidade e a defender-se dos seus abusos. É indispensável que, desde tenra idade se aprenda que a publicidade raramente traz vantagens para o consumidor e este deve estar preparado para resistir às tentações dos seus apelos.
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sexta-feira, 27 de julho de 2007
Insatisfação entre os militares
SINAIS DE INSATISFAÇÃO ENTRE OS MILITARES
Por Loureiro dos Santos no Público de 23Jul2007
Têm sido visíveis diversas atitudes públicas de insatisfação de militares, mesmo no activo, quanto à forma como os governantes estão a agir para com eles, no conjunto das reformas em curso de que o país carece.
Terão os militares razões para se sentirem injustamente descriminados pelos responsáveis políticos? É a pergunta para cuja resposta pretendo contribuir, embora sucintamente e sem abranger todo o universo da actividade castrense.
A especificidade da profissão militar tem por núcleo caracterizador a completa disponibilidade para o serviço do país daqueles que a exercem. Disponibilidade em termos de tempo e de local de prestação – sem limite de horário e sempre prontos a marchar para onde a missão o requeira, com toda a incomodidade pessoal e familiar que isso representa. E disponibilidade na entrega total à sua missão, tanto física como espiritualmente, comprometendo-se a sacrificar a própria vida na defesa da Pátria, em contrato que estabelecem através de juramento público perante a bandeira nacional.
Esta especificidade, conhecida como “condição militar”, implica a obrigação de cumprir deveres que se traduzem em numerosas privações ou limitações dos direitos garantidos aos outros cidadãos, como os de expressão, manifestação, associação, etc. E também no facto de lhes serem outorgados certos direitos. Uns de natureza moral, como o respeito devido às tarefas que desempenham e aos sacrifícios que muitas delas integram, e a dignidade que, em consequência, lhes deve ser atribuída. Outros de natureza material que, no essencial, se referem ao usufruto de diferenciais remuneratórios positivos em relação aos não militares, de assistência de saúde assegurada para si e para os familiares deles dependentes, e da segurança social correspondente ao estatuto que lhes deve corresponder.
Esta é a prática de todos os países. Está mesmo a ter lugar um reforço dos elementos compensatórios de natureza material, em todos os estados ocidentais, dada a crescente importância das forças militares para a respectiva política externa, da qual são instrumento insubstituível, e para a segurança interna, ligada com o facto dessas forças serem profissionais, na sua grande maioria.
Portugal é excepção. As compensações dos militares, em degradação acentuada desde os anos 90 do século XX, estão a sofrer novos e profundos cortes, que não só mantêm os diferenciais negativos existentes, mas, em certos casos, os aumentam.
Nos finais dos anos 80, afim de garantir a remuneração justa dos militares, o governo equiparou-os a três outras profissões da administração pública portuguesa – magistratura, diplomacia e ensino superior. Decisões sectoriais posteriores, relacionadas com cada uma dessas quatro profissões, distanciaram, de modo diferenciado, as três não militares da profissão das armas, ficando com estatutos remuneratórios bem mais favoráveis, com destaque para o dos juízes. A esta realidade chocante, tão distorcida e iníqua para os militares, não será estranho o facto de todos os outros profissionais manterem na íntegra os direitos reivindicativos que a Lei confere, incluindo o direito de greve. Até os magistrados (?).
Mais grave. Os governos não cumprem legislação entretanto aprovada com o fito de atenuar parcialmente o diferencial negativo dos militares, em relação aos profissionais equiparados. Como o complemento de pensão de reforma, e o nivelamento das gratificações dos militares em serviço nas embaixadas às dos diplomatas em iguais circunstâncias. E não têm reforçado suficientemente o fundo de pensões, não pagam pensões devidas aos antigos combatentes e atrasam-se a ressarcir as despesas de saúde a que os militares têm direito. Aliás, só o actual governo, e muito recentemente, insuflou meios financeiros no fundo de pensões (já precisam de reforço), salvando-o de ir à falência. De facto, existem dívidas muito elevadas do Estado português aos profissionais militares, o que, no mínimo, é muito estranho. Além de potencialmente perigoso.
Não houve preocupação que se visse com esta situação, nas reformas presentemente em curso.
A assistência à saúde dos militares e familiares a seu cargo, assim como as pensões que irão auferir, estão a ser seriamente atingidas. Ainda não há sinais de um programa de revisão do sistema remuneratório dos militares, com a finalidade de anular os diferenciais mencionados. Chegou mesmo a ser aprovado um diploma que dá melhores condições aos peritos em finanças, quando em cooperação técnico-financeira no exterior, do que aos militares em cooperação técnico-militar.
E está na forja um diploma que parece igualar as normas relativas aos militares às dos funcionários públicos. Como é que um governo, que se afirma tão competente, avançou com uma proposta à Assembleia da República que não ressalva sequer os aspectos básicos indispensáveis à gestão do pessoal militar, em qualquer parte do mundo, incluindo os remuneratórios? Embora o tenha feito para os magistrados. Por que não terá sido ouvida, atempadamente, a Instituição Militar?
Considerará o governo que os militares são funcionários públicos? Ou que serão de categoria inferior? Já que os parcos benefícios específicos que lhes restam estão a ser tão reduzidos, que nem de longe equilibram os inúmeros sacrifícios e obrigações, que terão de continuar, sem o que deixarão de existir forças militares credíveis.
A situação que procurei descrever sucintamente está a aumentar a insatisfação entre os militares e contém o perigo de provocar actos de indisciplina. Estou certo de que os responsáveis situados nos mais elevados níveis estão dela conscientes e tudo procuram fazer para a alterar em sentido positivo. O que, do meu ponto de vista, abrange a tutela governamental do sector.
O que pensarão desta matéria o Primeiro-Ministro e o Presidente da República?
Tal como afirmei, são visíveis os sinais de insatisfação. Até agora, a noção dos militares sobre a delicadeza do assunto tem evitado situações mais inconvenientes. O comportamento dos Chefes e dos Comandantes tem tido o maior mérito. As próprias associações profissionais de militares, com algumas excepções preocupantes, têm agido como lhes compete e com cuidado.
Por agora, as Forças Armadas e a Guarda Nacional Republicana continuam a actuar com a dedicação, o espírito de servir, a generosidade, o profissionalismo, o valor, até o elevado brilho, que lhes é reconhecido. Nacional e internacionalmente.
Sinal de que a insatisfação necessita de ser rapidamente reduzida é o facto de alguns militares terem arriscado cometer actos de indisciplina para chamar a atenção do poder político, através da sensibilização da opinião pública. O que pode prejudicar-lhes as carreiras. Já teve lugar um movimento colectivo que afectou uma unidade – uma corveta da Marinha –, embora sem beliscar o cumprimento escrupuloso da missão. O que é motivo de ainda maior preocupação. Outras movimentações colectivas podem ocorrer…
É preciso agir, para prevenir situações de maior gravidade, susceptíveis de prejudicar fortemente o país. A tempo. Não só com palavras, mas especialmente com actos concretos dos órgãos de soberania. Em primeiro lugar, do Chefe do Governo e do Chefe de Estado. Julgo que qualquer deles terá a noção exacta do papel da Instituição Militar para a soberania e a afirmação externa do nosso país, assim como no contexto da autoridade do Estado. Num período histórico tão agitado e tão carregado de ameaças como o nosso.
Loureiro dos Santos, general
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