Depois de Passos Coelho ter confirmado haver um excedente do OE 2011 de 2.000 milhões de euros, o deputado socialista Miguel Laranjeiro disse que a existência de tal excedente prova que «havia margem para não cortar o subsídio de Natal» que corresponde a cerca de 800 milhões de euros.
Parece que a obsessão das contas se sobrepõe à consideração pelas pessoas que foram grandemente prejudicadas nesta data festiva.
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domingo, 4 de dezembro de 2011
Subsídio de Natal podia não ser cortado
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A. João Soares
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domingo, 31 de julho de 2011
Subsídio de Natal e espírito de Natal
A notícia «Louçã diz que portugueses poderão não ter subsídio de Natal durante 12 anos», embora sendo uma conjectura algo profética, não é de todo inesperada.
Mas merece alguma reflexão sobre este denominado «subsídio» que, tal como o «imposto extraordinário», sem escalões, não está imbuído do espírito de Natal.
Realmente, será mais justo acabar com este subsídio – nada para ninguém – do que, tal como está, dar umas migalhas a quem mais precisa e milhares de euros aos que mais ganham. Continuando assim, é uma injustiça social, que alarga o fosso entre os mais ricos e os mais pobres, o que é contrário ao espírito do Natal.
Quando terminar a crise e o subsídio puder regressar, que seja igual para todos. Para não haver prejuízo para o Estado, as empresas e as instituições, a folha salarial de Novembro deve, como é costume, ter o dobro do valor total dos meses normais, mas o total do subsídio deve ser dividido igualmente por todos os elementos da folha. Se tivesse de haver diferenças deveria ser em benefício daqueles que menos ganham e mais precisam. Parece ser este o espírito de Natal.
Devemos procurar contrariar a ideia que Rousseau expressou pelas palavras: «todo o homem nasce livre e, por toda a parte, encontra-se acorrentado»
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A. João Soares
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quarta-feira, 6 de julho de 2011
Subsídio de Natal !!!
Há duas ópticas de aproximação deste problema que merecem ser analisadas por parte dos responsáveis pela qualidade de vida e pela justiça social dos portugueses.
Se olharmos para isto como 13º mês e pensarmos na percentagem de desconto, pode ficar-se com pena dos ricaços que descontem 4.758€ enquanto os que recebem menos que o salário mínimo nada descontam.
Mas isto é uma falácia só admissível como propaganda. Pois, se olharmos para isto como um SUBSÍDIO de Natal, somos forçados a fixar a atenção na importância líquida que cada português recebe para ajuda na compra de um par de peúgas e umas filhós para os filhos. E, nesta óptica, a importância líquida do SUBSÍDIO é de 485€ para os mais pobres e de 5.242€ para os mais ricos que ganham 10.000€ por mês. É uma diferença abismal entre estes dois valores, que nada se enquadra no espírito natalício e na Justiça Social.
Com esta medida do Governo, aumenta-se o fosso entre os mais ricos e os mais pobres. Se fosse dado um subsídio líquido igual para todos manter-se-ia o fosso. Para o reduzir, o que seria justo era dar valores inversos aos salários usufruídos, ou nada dar aos que recebem acima de um valor médio, e que não sentiriam a sua falta.
Compreende-se que os governantes não queiram melindrar os mais ricos, nem encarar as suas reacções e pressões políticas. Mas não devem esquecer-se de que a ira dos mais pobres poderá ser muito mais difícil de aceitar.
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A. João Soares
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Labels: justiça social, Natal, subsídio
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Falta informação sobre empregabilidade ???
A notícia «Cursos com mais desemprego esgotam vagas», mostram que os candidatos ao ensino superior , seus familiares e amigos, desconhecem as realidades sobre o desemprego nas diversas ares do conhecimento, e enveredam por cursos com pouca capacidade de garantir emprego.
Parece insólito, demonstrando falta de conhecimento de métodos de preparar a decisão e a do curso a seguir é importante e exige procura de informação, de dados, exige que se pense antes de decidir. Ou será que o o valor dos subsídios de inserção ou de desemprego será tão compensador que se transforme em forma de vida e torne menos importante a escolha do curso a tirar, olhando para este apenas pelo aspecto da facilidade?
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A. João Soares
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sexta-feira, 16 de abril de 2010
Estado incentiva o ócio?
A notícia do JN de hoje «Ofertas de salário são 9€ mais baixas que subsídio» traz à luz uma situação que parece irreal, por traduzir um incentivo à ociosidade, à recusa em trabalhar. É simples de ver, embora pareça que os governantes não conseguem compreender.
Ora vejamos: O salário mínimo nacional (remuneração por um mês de trabalho) é de 450€, mas o subsídio de desemprego (pago a quem não trabalha) é de 532€ (mais 18% do que recebem os que vencem o salário mínimo nacional!!!).
A notícia refere que em 2009, em média, as entidades patronais propunham aos candidatos inscritos em centros de emprego, para um trabalho a tempo inteiro, 523€ que, embora seja 16% acima do salário mínimo nacional, acaba por não ser aceite pelos candidatos porque continuando com o subsídio de desemprego recebem mais 9€. E como há situações em que a recusa faz perder o subsídio, alguns aceitam ir trabalhar durante um mês e depois entram novamente no desemprego, para ganharem mais e sem terem de cumprir horário, de aturar patrão e de trabalhar um pouco.
Parece que não há falta de oferta de emprego, mas há um atractivo subsídio de desemprego que é ofensivo para quem ganha o salário mínimo e que dificulta a satisfação da procura de trabalhadores por parte dos empresários.
Sugere-se a leitura da notícia para ter a noção do erro do sistema e dos brandos costumes, conivências e aproveitamentos, ligados à falta de rigor e de clareza das manhas praticadas pelos interessados e pelos tolerantes.
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A. João Soares
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Labels: emprego, racionalidade, subsídio
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Carência de mão-de-obra
Nas notícias de hoje ressalta o problema da carência de mão-de-obra nas empresas de construções. Mas parece que do mesmo facto se queixam muitas outras, de outros ramos, grande parte delas com tipo de trabalho mais suave e menos arriscado. É assunto que apesar de ser previsível desde há muito tempo merece ser meditado e ponderado pois o índice de desemprego é elevado e a imigração muito volumosa a ocupar postos de trabalho que os nacionais recusam.
Segundo a notícia do Jornal de Notícias, o problema nas empresas de construção do Norte, deve-se a diferenças de salário que levam os operários a irem trabalhar para Espanha onde ganham 2,26 vezes mais (1200 contra 531,50€). Parece que os nossos gestores não são muito esclarecidos e não sabem motivar um dos principais factores da empresa. Esta precisa de capital, de equipa de gestão, de trabalhadores, de clientes e da simpatia da sociedade do meio em que se insere. O capital, indispensável para o arranque da empresa, para instalações e equipamento, depressa é amortizado e passa a ser criado pela própria empresa, através da acção da gestão e dos trabalhadores. A gestão tem uma importância permanente, no funcionamento de todos os factores que se conjugam para a facturação e os consequentes lucros. Dos trabalhadores, que convém estarem motivados sentindo que a empresa é sua e enriquece com o seu trabalho honesto, competente e dedicado, sai a produção que será tão boa em quantidade e qualidade, quanto o for a sua motivação. A eles interessa que a empresa tenha bons resultados para sua satisfação, e garantia de continuidade do emprego e, também, para maiores salários e prémios. Os clientes, satisfeitos, são uma garantia de bom futuro para a empresa e essa satisfação resulta da perfeição do trabalho feito pelos operários e pelo seu enquadramento. Quer os clientes quer os operários satisfeitos com a empresa tornam o meio social afectivamente ligado à «sua» empresa. E esta tem obrigação de apoiar alguns aspectos sociais da localidade para aumentar essa interacção, sendo justo aqui referir o exemplo dos «Cafés Delta» em Campo Maior».
Mas o tema deste texto leva-nos mais além do caso dos salários da Construção e deixa uma quantidade de interrogações acerca da falta de vontade de trabalhar, isto é, de ganhar a vida com o próprio esforço e ocupação da capacidade física e intelectual para produzir os recursos financeiros indispensáveis para viver. E isto passa-se apesar da reorganização do ensino, do programa das «novas oportunidades» e das anunciadas reduções dos subsídios.
A falta de vontade de trabalhar não é apenas devida aos subsídios viciantes e incontrolados, embora haja sobejos sinais de terem grande influência. Já aqui referi, há tempos, um caso de uma candidata a emprego dizer que «por esse salário não estou interessada, pois recebo quase isso do subsídio e não preciso de cumprir horários nem de aturar patrão». E também o caso daquela licenciada que estava há seis anos à espera de «emprego compatível com a sua licenciatura», e entretanto vivia à custa dos pais. Em grande parte, falta, desde tenra idade, educação cívica do dever de trabalhar, do direito ao trabalho, da gestão da própria vida, da procura da auto-suficiência.
Não é agradável ver jovens desempregados enquanto muitos empregos de fácil e agradável desempenho estão nas mãos de imigrantes. Parece que a mentalidade portuguesa está a degenerar para a subsidiodependência a alta velocidade e, quando o subsídio não é suficiente, surge o recurso a actividades ilegais, por vezes de cariz criminal.
O assunto merece ser devidamente analisado por quem de direito, a fim de ser procurada a terapêutica adequada.
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A. João Soares
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17:42
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Labels: carência de mão-de-obra, civismo, dever de trabalhar, subsídio
terça-feira, 28 de agosto de 2007
Abortos fora dos hospitais.
Notícia de hoje do JN «Aborto fora de hospitais a partir de Setembro» é um pouco surpresa e um pouco sinal e bom senso. Já não podemos acreditar em nada que tenha algo de política, mas esta promessa parece ser mais um recuo do ministro da Saúde. Se assim for, não lhe terá sido alheia a onda de reparos feitos pela população através das poucas vias de que dispõe e da mordaça e da ameaça impostas pelo Governo. Muitos blogs, incluindo este, se manifestaram contra a leitura abusiva que o Governo fez do referendo, mesmo que este tivesse sido incontestadamente válido. Dos posts aqui inseridos, deixo aqui os links, A, B, C e D.
É de esperar que o Governo também deixe de financiar, com o dinheiro de todos nós, essa realização de caprichos de mulheres sem qualidades maternais, ignorantes e desleixadas, que não foram capazes de utilizar de forma adequada os meios anticoncepcionais existentes. Não se trata de um problema de saúde, pois nem o espermatozóide é um vírus, nem a gravidez é uma doença, nem o feto é um cancro. O referendo era bem claro pois destinava-se a que se deixasse de considerar crime o aborto até à décima semana e que esse devia ser praticado em instituição adequada, isto para não serem julgadas as abortadeiras e para estas não porem em risco a própria vida ao abortarem às escondidas em locais de higiene duvidosa como garagens e sótãos.
Oxalá este recuo (mais um!) do ministro da Saúde não fique a meio, e reponha a moralidade (na medida do possível!) e a legalidade, ou legitimidade, em consonância com a letra do referendo e não desbarate o nosso dinheiro.
