Segundo notícia do DN de hoje, «Polícia Marítima tem 430 agentes para toda a costa», as cenas de violência ocorridas na praia de Santo Amaro de Oeiras, no sábado, deram aso a que a Associação Sócio-Profissional da Polícia Marítima sublinhasse que existem apenas 430 agentes para 1860 quilómetros de costa, incluindo Açores e Madeira, podendo esta carência de meios pôr em causa a segurança nas praias durante o Verão.
Certamente, para este efectivo, haverá um apoio administrativo que, nos diversos escalões, absorverá algumas dezenas de pessoas, o que resulta em pouca rentabilidade dos custos do serviço. Num País com esta dimensão deveria ser racionalizada a estrutura de forças de segurança, integrando as diversas especialidades por forma a obter a melhor coordenação, reforço mútuo e rentabilidade de recursos. Já foi efectuada a integração entre a Guarda Fiscal e a GNR e não se vê grande dificuldade em integrar agora na GNR a Polícia Marítima, constituindo uma unidade com as suas especificidades técnicas, mas beneficiando de apoio rápido e eficiente das forças de intervenção da área.
Para isso, teria de mudar de tutela, pois a Polícia Marítima depende hoje do Ministério da Defesa e teria de passar para o MAI, tal como aconteceu com a GF que antes pertencia ao Ministério das Finanças, o que não constituiu obstáculo inultrapassável.
Tal integração tornaria mais eficaz a vigilância, a prevenção, a dissuasão de actividades indesejáveis e a resposta rápida e eficaz a qualquer desordem. O conhecimento especial que a Polícia Marítima tem para actuar neste domínio, será mais eficaz e poderá ser difundido pelos outros efectivos a fim de tornar a acção conjunta mais eficiente, permitindo que muitas situações fiquem sanadas logo à partida.
Deve ser salientado que esta força de segurança tem como missões principais vigiar e fiscalizar navios e embarcações nacionais e estrangeiras, prevenir e combater o tráfico de droga, criminalidade e terrorismo e proceder à detenção de cidadãos não-nacionais que entrem ou permaneçam ilegalmente em território nacional, além de fazer cumprir as normas respeitantes aos banhistas, missões que são também da brigada fiscal da GNR, para o que já dispõe de meios marítimos de grande capacidade de intervenção.
Pergunta-se de que esperam os responsáveis para tomar uma decisão consentânea com os interesses e as possibilidades do País? Quem está interessado em que tudo se mantenha como antigamente? Quando se fala no choque tecnológico e na modernização, não se compreende o adiamento de ajustamentos como este.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Polícia Marítima insuficiente
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A. João Soares
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Modernizar. Como? Para quê?
Depois de ter colocado um comentário no post «Estar-se-á realmente a criar riqueza?», achei que teria aqui colocar as linhas de raciocínio que segui e recordar um post já antigo aqui colocado sobre a «Utilidade das rotundas».
A vida não pára, as circunstâncias alteram-se e é preciso modernizar, acompanhar o progresso, não para tornar diferente, mas para tornar melhor, utilizando os desenvolvimentos tecnológicos em benefício da população.
Para modernizar sensatamente, é preciso começar por identificar com rigor e isenção a situação actual, o ponto de partida, passando pelas actividades da região (urbanas e rurais), a população (quantidade, grau de escolaridade, aptidões profissionais prevalecentes, gostos culturais, etc.), valor dos rendimentos, etc. E, depois, com um adequado grau de ambição realista e viável, estabelecer objectivos dentro de uma previsão de evolução bem planeada, seguido de decisão, e acção (coordenada e controlada), não perdendo de vista a finalidade, o objectivo pretendido.
É preciso exercer um esforço permanente para fugir à ostentação (não produtiva de bem-estar social), à imitação dos outros e à má competição pela vã visibilidade. Não se deve perder a noção das realidades vigentes e há que procurar, a cada momento, rentabilizá-las em benefício da população. Esta deve estar sempre presente no espírito de um líder político, por ser o alvo e a razão de ser de toda a acção política e por constituir o principal recurso, o capital mais precioso, a empregar nestas tarefas de modernização.
Isto são ideias que saltam ao correr da pena a estas horas matutinas. Mas que julgo merecerem ponderação.
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A. João Soares
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domingo, 22 de junho de 2008
A Justiça preocupa
Recebi este texto por e-mail do autor, José Morais da Silva, uma pessoa muito atenta à evolução da vida nacional e naturalmente preocupado com as incoerências que vai notando nos diversos sectores. E como a Justiça constitui um pilar importante para a sensação de segurança e civismo da sociedade, em que muita gente está a perder a confiança, como se ouve nos transportes públicos e na rua, decidi, pedir autorização para aqui o publicar.
Continua o regabofe na Justiça.
O Ministro afirma, com toda a prosápia própria de um pavão, que, quanto à hipótese de alterar o novo “Código Penal”, só para o ano!
E os casos trágico-cómicos continuam.
Eis alguns deles, tornados públicos pela Imprensa:
- Uma brasileira, matou o filho, de seis meses.
É presa e é presente a tribunal que lhe decreta prisão preventiva.
Mais tarde, o mesmo tribunal altera a medida de prisão, passando-a para termo de identidade e residência com a concordância do Ministério Público.
Ao mesmo tempo, adia a leitura da sentença.
Os advogados de defesa informam o tribunal que a ré, comprou passagem para o Brasil.
Se o tribunal alterar a situação da arguida, a defesa mete recurso, e ela foge sem a sentença.
Já não voltará a Portugal para ser punida, a não ser que o faça voluntáriamente!!!
- Um grupo de quatro jovens energúmenos, mata um jovem para lhe roubarem o casaco.
Um deles, assassina-o à facada.
Os outros amarram-no para ficar indefeso.
Apenas o que deu a facada está preso. Os outros estão em liberdade.
E, agora vem o melhor:
O Ministério Público propõe que os que estão em liberdade, apenas recebam uma pena suspensa.
O advogado de defesa, com toda a lata, propõe que o preso seja libertado e que a pena, se a houver, seja pena suspensa, pois o réu estava sob o efeito do álcool e até colaborou com a justiça!!
- Um jovem de 23 anos, testemunha de um processo, é alvo de uma tentativa de rapto executado por um dos réus com o auxílio de outro capanga.
Presente a tribunal, o arguido , apesar do seu cadastro, por outros crimes, é posto em liberdade com termo de identidade e residência!
- Foram dadas todas as facilidades a Valle e Azevedo para poder fugir para o estrangeiro.
E agora?
Claro que lhe irão continuar a a dar todas as facilidades para conseguir evitar a prisão, pois a lei vai ser usada até à exaustão para que a ordem de detenção e o pedido de extradição não sejam exequíveis.
A corda continua a ser esticada mas ela não chegará ao ponto de rebentar, porque este Povo está adormecido.
Não vê ou não quer ver que estão a ser gozados por grupos de políticos que utilizam as benesses que lhes foram dadas sem olhar a meios, as diferenças cada vez são maiores, idolatram um classe de inúteis ditos “Figuras Públicas”, vêm a ostentação ofensiva dos jogadores de futebol e continuam a alimentá-los enchendo os estádios e pagando o que não podem, aguentam os abusos da Galp e não a boicotam, aguentam a ERSE, as mordomias dos administradores das empresas públicas, as mordomias dos Ministros e deputados, etc., etc..
Uma tristeza sem fim.
Um abraço do
Morais da Silva
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A. João Soares
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sábado, 21 de junho de 2008
Preocupados com as notícias do mundo
Recebi um e-mail de um amigo «virtual» que achou que podia desabafar comigo as suas preocupações e angústias acerca do mundo que «caminha para o caos total». A sua sensibilidade coloca-o em grande «depressão» ao prever «grandes convulsões e sofrimentos sociais e humanos», sem ver capacidade nos poderes instalados para resolver os «grandes problemas nacionais e globais». Para ele, o desrespeito pelo voto Irlandês equivale ao fim do efeito da liberdade de expressão, e à perda de protagonismo dos povos. Também teme que o aumento da tensão com o Irão possa desaguar em outro conflito como os que já existem na zona. Como ele, poderá haver mais pessoas a deixarem-se dominar por um pessimismo que pode ser prejudicial à saúde, e assim permite que refira aqui estes tópicos e a resposta que lhe dei por, na sua opinião, poder ter efeito positivo em pessoas em igual situação depressiva.
A minha resposta:
Agradeço a sua confiança em mim e o desabafo que me entrega e, mesmo não sendo psicólogo nem sociólogo, vou dizer-lhe algumas ideias sobre os pontos que refere. Compreendo a sua situação e espero que a sua «depressão» não seja uma coisa grave que esteja a colocar em dificuldade o seu equilíbrio mental. Pense em si, porque, para si, nada há mais importante do que a sua pessoa. Quando dizemos que devemos gostar dos outros como de nós próprios, parte-se logo do princípio de que devemos começar por gostar de nós próprios, como ponto de referência.
O que vou dizer-lhe é a minha posição pessoal perante a vida, uma filosofia que tenho desenvolvido durante os tempos e com a qual me tenho dado bem, não a obter riqueza material, mas em manter uma paz interior que me agrada. Não levo a vida tão a sério que me tire o sono. E quando isso me acontece, procuro depressa regressar ao ponto de equilíbrio. Nada merece a nossa instabilidade psíquica.
O mundo está mal, sem dúvida, e não paro de o dizer, mas reconheço que não sou eu que, contra a vontade de todos, o vou mudar. No entanto, não desisto de fazer tudo o que posso para que os outros seres humanos pensem no problema e façam o que estiver ao alcance de cada qual para tornarmos melhor o ambiente, físico, ecológico, social, emocional.
As guerras são um dos muitos aspectos da loucura humana, já o tenho afirmado em muitos posts dos meus blogs (que julgo valer a pena ler), sugerindo que as conversações e negociações resolveriam os problemas de forma mais barata em recursos e vidas humanas e evitariam os ódios e desejos de vinganças que, após a guerra, continuam a azedar as relações entre as partes que se digladiaram.
Mas, na realidade, a história é feita de guerras. No meu tempo da instrução primária, o que se estudava da História eram principalmente as datas das batalhas. Mas o mundo tem-se tornado menos guerreiro, pois no século passado houve apenas duas guerras, a I e a II Guerras Mundiais, e depois da última, quase vivemos em paz, embora não deixassem de aparecer pequenos conflitos aqui e acolá, todos localizados. Portanto, o mundo tem melhorado, os filósofos da paz têm sido ouvidos. Não se esqueça que na Europa, nos séculos passados, houve guerras quase em permanência sendo conhecidas a guerra dos cem anos e a guerra dos trinta anos.
Quanto a liberdades das pessoas, apesar de tudo e das muitas queixas, hoje somos muito mais livres de fazer a vida que queremos e dizer o que pensamos do que nos tempos dos nossos avós e bisavós e por aí atrás. Agora temos a democracia, embora ela não seja o que idealizamos, e está na mão do povo usar as liberdades que tem, para pressionar os governantes no sentido de melhorar o sistema político, ao ponto de haver mais justiça social e menos desigualdades na distribuição dos recursos. Em séculos passados, na Europa, havia os nobres, os comerciantes e os servos da gleba que não eram muito diferentes de escravos e que representavam a maior percentagem da população. Eram grandes e muito discriminatórias as diferenças.
Hoje, temos muito poder, como tem visto naquilo que as manifestações conseguem, obrigando o Estado a recuar nas suas decisões menos correctas. Conclui-se que seria bom que o povo reagisse mais, fosse menos apático, e utilizasse o poder que a Constituição lhe concede. O maior mal da nossa sociedade actual é o desinteresse das pessoas, a sua indiferença, a acomodação e a aceitação dos abusos do poder. E é preciso ter sempre presente que a liberdade, quando não é usada, deixa de ter sentido, deixa de ter significado, deixa de existir. Faz lembrar o caso da águia que tendo vivido muito tempo em cativeiro, quando lhe é aberta a porta da gaiola, fica por ali perto, não voa para longe, não sabe aproveitar a liberdade, acabando por não ser realmente livre.
Quanto ao perigo de guerra no Irão, não estou tão receoso como o amigo. Ninguém ataca um país que disponha da arma nuclear, como se viu na tensão de há poucos anos com a Coreia do Norte. No caso desta, as negociações foram esvaziando, lentamente, a pressão e evitou-se a guerra. Agora espero que aconteça o mesmo. O Irão tem tradições de bom senso desde os tempos dos Imperadores Ciro e Dário, sabendo conseguir a convivência entre povos de várias proveniências que ali se encontraram. No momento oportuno saberão dialogar construtivamente, assim tenham da outra parte aceitação do diálogo. Nos tempos actuais, preocupam-me mais as basófias provocadoras do Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que quer deixar de vender petróleo a quem não lhe fizer as vontades! E o petróleo, como estamos a ver nesta crise, é uma arma poderosa que pode desestabilizar dramaticamente todo o mundo, sendo os mais prejudicados os povos que já têm enormes dificuldades para sobreviverem.
A guerra do Iraque aconteceu por um erro de avaliação, ou uma acumulação de falhas e acasos. Poderemos falar nisso noutra altura. Mesmo assim, é apenas uma guerra localizada, embora terrível para as populações e o património material e histórico da região que foi o berço da História, a Mesopotâmia.
Para terminar, permito-me dar-lhe o conselho de não viver demasiado preocupado com os problemas cuja solução não depende totalmente de si. Use a táctica dos médicos que, embora devam tratar da melhor forma os doentes, não os consideram seus familiares ao ponto de se sentarem emotivamente a seu lado e chorarem, em vez de os medicarem racionalmente com esperança de os curarem mas sem sentirem grande desgosto quando morrem.
Os seres humanos têm muitos defeitos de fabrico, o que conduz a situações desagradáveis que nos podem colocar os nervos em franja, mas é nesta sociedade doente que temos que viver, e precisamos da serenidade adequada para analisarmos os factos com calma, estabelecermos prioridades e não desperdiçarmos esforços inutilmente, evitando emotividades que só prejudiquem o nosso psíquico.
Espero tê-lo ajudado a acalmar o seu espírito preocupado, e a evitar tornar-se muito infeliz com a porcaria deste mundo!
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A. João Soares
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Sócrates e o oráculo da energia do futuro
Transcrição do artigo do DN que desvenda uma face da propaganda enganosa. Não se pode levar a sério tudo o que se ouve.
O carro eléctrico
João Miranda, investigador em biotecnologia
José Sócrates encontrou a solução política para a crise petrolífera. Promete-nos o carro eléctrico. Sócrates já nos tinha dado a energia eólica (subsidiada), a energia solar (subsidiada), a energia das ondas (subsidiada) e os biocombustíveis (subsidiados). Como é evidente, o carro eléctrico de Sócrates será subsidiado. Os portugueses vão pagar a crise petrolífera através de petróleo mais caro e impostos mais elevados. Sócrates sonha com o carro eléctrico, como sonhou com as eólicas. O sonho será pago pelo contribuinte.
O carro eléctrico utilitário é, por enquanto, uma utopia. Não é um problema político. É essencialmente um problema técnico e económico. Os carros a bateria e as células combustíveis são tecnologias experimentais reservadas a modelos de luxo. Têm custos de desenvolvimento e de produção elevados. Mais importante, o carro eléctrico não acaba com a dependência dos combustíveis fósseis. A energia acumulada em baterias tem de ser obtida através dos processos tradicionais de produção de electricidade, como as centrais de ciclo combinado. O hidrogénio usado nas células combustíveis é produzido a partir de gás natural. Em última análise, os carros eléctricos requerem maior produção de energia a partir de fontes primárias e, actualmente, os combustíveis fósseis encontram-se entre as fontes primárias de energia mais competitivas.
O episódio do carro eléctrico ilustra bem a forma como os políticos vêem a economia e a inovação. José Sócrates não sabe, ninguém sabe, qual é a tecnologia mais adequada para substituir o petróleo. Pode ser o carro eléctrico, o etanol celulósico ou o biopetróleo. Este é um problema típico de empreendedorismo. Mas Sócrates apresenta-se como oráculo do futuro. Pretende substituir-se aos empreendedores ditando à partida qual será o resultado da competição entre tecnologias. José Sócrates já decidiu. É o carro eléctrico. Os empreendedores não percam tempo a experimentar. Sócrates acredita que a sua visão pode substituir o mercado e os empreendedores na descoberta de inovações. Não pode.
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sexta-feira, 20 de junho de 2008
Futuro esquecido
Por merecer mais visibilidade do que um comentário trago para aqui o ponto de vista que Manuela deixou acerca do post Sobredotados sem compreensão e apoio do Governo, que junto uma nota que corresponde à resposta que no mesmo local lhe dei. O título que dou ao actual post parece errado porque esquecido só o passado! Mas, com ele, quero exprimir que os responsáveis por prever e planear o futuro estão esquecidos de que é essa a principal tarefa a que as suas funções os obrigam, aquelas funções que juraram desempenhar com lealdade a quem os elegeu.
As contradições dos nossos governantes percebem-se em atitudes que não são medidas e pensadas em termos futuros, a não ser o destino que antevêem para o seu próprio ego. (...) o local de debate prós e contras, o centro das decisões mais importantes do país, não passa de um metafórico pombal de interesses individuais, económicos e partidários, povoado de pombos-correio disfarçados, em campanhas coloridas, de defensores daquelas mesmas conveniências para um povo, iludido, que juraram defender.
Neste caso concreto, não interessam “centros de desenvolvimento” de cérebros ou de competências que, à partida, se poderiam distanciar de decisões “poucochinhas”, porque não é aí que importa apostar. Os “craques” devem ser rápidos, perceptíveis e proporcionar um lucro instantâneo para, eternamente, ficarem nas memórias dos cultores de um zapping social efémero. Tal como as escolas formadoras a longo prazo estão fora de moda,(embora camufladas por uma capa de igualdade e de oportunidades democráticas), porque delas não se retira esse proveito efémero ultra moderno, também as potencialidades humanas ficarão irremediavelmente comprometidas porque não se compadecem com a celeridade do tempo actual, do hoje que já é amanhã e, em simultâneo, “é” ontem.
Apregoa-se a colheita célere a partir de uma raiz podre que, naturalmente, só poderá dar origem a frutos inócuos e insípidos mas com aparente essência. Mesmo sem perceber muito de agricultura, sei que o solo onde se planta tem de ser adequado às diferentes espécies, regado, adubado e lavrado. Não admira, pois, que outros a quem foi dada a conhecer, por experiência, a importância do aproveitamento de recursos “naturais”, deles se aproveitem e deles venham a usufruir de forma calculada, porque pensada. (...)
NOTA: Sempre atenta e muito perpspicaz nas suas opiniões. Realmente o futuro está em perigo e Portugal, as suas gentes, continuam a navegar junto da costa à vista das escarpas, sem uma rota bem estabelecida que conduza a um porto previamente escolhido. Somos viajantes que saimos de casa sem rumo, nem destino, nem bússola, nem GPS, com hesitações em cada cruzamento e que ora vamos para Norte ora para Sul e acabamos perdidos a perguntar o caminho para lado nenhum. Temos de passa a andar todos «chipados» para que alguém que nos encontre saiba que somos portugueses e continuamos perdidos sem nos preocuparmos com o «para onde».
Cara Amiga, desta forma, o que serão amanhã os nossos netos? A única saída é emigrarem cedo, obterem lá fora conhecimentos para a vida e por lá ficarem o resto da vida.
Eu bem gostava de ter razões para ser optimista, esforço-mo por isso, mas em vão. Os sinais positivos esvaem-se com a mais leve brisa.
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A. João Soares
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quinta-feira, 19 de junho de 2008
Crise não significa Apocalipse
As pessoas andam descoroçoadas com os efeitos da actual crise do petróleo, mas a melhor cura para o desânimo está em cada um, principalmente, nos líderes políticos e empresariais. Uma crise, geralmente, representa o início de uma nova era de desenvolvimento em muitos aspectos. Não esqueçamos que a II Guerra Mundial, estimulou o aparecimento dos computadores, de novas formas de comunicação, de tratamento da informação e de gestão, permitindo um grande salto em frente no desenvolvimento da humanidade. E se, por outro lado, aumentou as diferenças entre os mais e os menos desenvolvidos, foi porque estes, por falta de preparação prévia, não puderam ter a iniciativa de acelerar o passo. Isto que sirva de exemplo para que cada País e cada pessoa procure entrar já na carruagem da frente.
Tenho em Do Miradouro e em Do Mirante chamado a atenção para a necessidade de se estimularem os jovens a prepararem-se para a inovação, apoiando qualquer iniciativa positiva que deles saia. Não tem sido o caminho seguido e viu-se nas condecorações do 10 de Junho que os critérios estiveram distantes de preocupações de futuro.
Porém, as pessoas mais válidas não adormecem à sombra de vãs propagandas anestesiantes e vêm claramente que o patriotismo não se resume ao apoio á selecção de futebol, antes e muito acima disso, se preocupa com os grandes problemas actuais.
Hoje, o DN traz notícias que merecem muita meditação, ou pelo menos uma leitura lenta e ponderada. No editorial refere três exemplos de inovação dados pela Carmin, pela Renova e pela SIBS:
1) No Alentejo, a Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz (Carmin) a fim de se colocar mais próxima do consumidor final, com benefício dos preços a pagar por este, decidiu adquirir uma empresa distribuidora. Já aqui tínhamos sugerido solução semelhante aos pescadores para aumento dos seus ganhos e venda mais barata aos consumidores.
2) Em Torres Novas, a Renova conseguiu reduzir o preço dos transportes, aumentando em duas toneladas (de 5,3 para 7,3) a capacidade de cada camião, com a simples solução de retirar o ar das embalagens, tornando-as menos volumosas.
3) A SIBS foi considerada pela Associação de Pagamentos do Reino Unido o melhor multibanco da Europa, conclusão tirada depois de um estudo comparativo.
Outra notícia vem de Viseu, onde o presidente da Junta de S. Salvador, Álvaro Pereira, mostrou ser pessoa consciente da importância da conservação do ambiente, pelo que pediu ao delegado de saúde que procedesse à análise das águas e lençóis freáticos existentes na zona onde tinham sido despejados resíduos electrónicos que causaram alguns danos ambientais. Na sequência da sua iniciativa, equipas da Câmara Municipal de Viseu procederam, ontem, à recolha de mais de 300 quilos de resíduos electrónicos despejados, junto a uma urbanização. O autarca teme que os solos «tenham ficado contaminados com estes resíduos que incluem cádmio, chumbo e outros poluentes. Se houver infiltração, as águas poderão ter ficado contaminadas e solicitámos análises para que se possa despistar essa eventualidade». Até lá, a junta aconselha os moradores do local, «e que disponham de captação de água própria, a não consumir a água».
Também é positivo o facto de ser tornado público que as autarquias têm sido geridas sem seriedade responsável, sem competência ao ponto de, como é referido em dois artigos que há Municípios sem dinheiro para pagar as dívidas e que o 'monstro' do défice e da corrupção mudou-se para as autarquias. Tais notícias poderão ser o início da moralização dos gestores de dinheiros públicos em respeito pelos direitos dos contribuintes seus eleitores.
De salientar também a notícia de que o fisco não anda apenas a perseguir os pequenos infractores de uns pares de euros, mas está principalmente no encalço dos potenciais lesivos de milhões. Segundo ela, equipas mistas do Ministério Público e da Administração Fiscal procederam ontem a buscas a empresas lideradas por Américo Amorim, no âmbito da 'Operação Furacão' e diz que esta operação é um processo que já contabiliza mais de 250 arguidos e que a equipa liderada pelo procurador Rosário Teixeira já efectuou buscas, nos Açores, à Fábrica de Tabacos Estrela, controlada pela Madeirense de Tabacos dos empresários Joe Berardo e Horácio Roque. Oxalá não acabe tudo por ficar arquivado, como aconteceu em «operações» anteriores muito mediatizadas mas de resultados desconhecidos.
Entretanto, surgem iniciativas para ensinar as pessoas a gerir as próprias capacidades e a rentabilizar os recursos humanos que dormem no subconsciente de cada um de nós. É preciso saber o que se quer, o que se pode fazer e querer de verdade, com persistência, atingir objectivos previamente estabelecidos.
Enfim, há motivos para não nos deixarmos sucumbir à crise. E deixo umas dicas atrevidas: Porque não lutarmos contra a monodependência do petróleo? Porque não preparar a energia de cada prédio, através da decomposição da água por forma a utilizar o hidrogénio para produzir a energia necessária ao prédio? Ou a eólica ou a solar? Porque não modernizar as comunicações ao ponto de tornar desnecessários os cabos que ligam o prédio às centrais eléctricas, de telefones de TV por cabo, etc? Porque não utilizar a Internet para trabalhar a partir de casa aliviando os transportes e a poluição?
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quarta-feira, 18 de junho de 2008
Sobredotados sem compreensão e apoio do Governo
Estima-se que sejam aproximadamente 50 mil as crianças e jovens sobredotados em Portugal, mas, nem todos estão identificados e muito menos acompanhados no processo educativo, correndo sério risco de entrarem na lista do insucesso escolar. - Jovens válidos são esperança para o País
Segundo o Instituto da Inteligência, as crianças sobredotadas, com um cociente de inteligência (QI) superior a 130, representam 3% da população menor de 18 anos, sendo deste grupo que sai a maioria dos génios da ciência, da arte e do desporto de todo o Mundo.
Sem os apoios adequados este aspecto positivo das crianças acaba por, em vez de uma vantagem, ser um ónus por elas acabarem por se sentirem rejeitadas pelas outras e se desmotivarem pelo estudo e muitas vezes, até, de viver». Por isso, é que se tornou urgente a criação de escolas para pequenos talentos, como defende o Instituto da Inteligência.
A inexistência de estabelecimentos de ensino específicos para sobredotados em Portugal fez com que a Universidade da Criança, localizada no Algarve, avançasse, conjuntamente com o Instituto da Inteligência, para o projecto de criação de uma escola-piloto do 1º ciclo, a iniciar no próximo ano lectivo de 2008/09, em Portimão.
No entanto, segundo o Instituto, «o projecto está em risco de ser suspenso visto que as dificuldades burocráticas e a incompreensão do Ministério da Educação estão a atrasar o processo de legalização». O ministério de Maria de Lurdes Rodrigues contactado pelo jornal gratuito Destak, não forneceu uma explicação para os atrasos burocráticos até à hora de fecho da edição de 18 do corrente.
A escola, de características inovadoras e pioneiras na Península Ibérica e até na Europa (em alguns aspectos), já suscitou o interesse de algumas entidades espanholas que, segundo o Instituto da Inteligência, podem vir a importá-lo. Esta situação «não deixaria de ser bizarra, embora não fosse invulgar em Portugal», acrescentou fonte do Instituto. Se esta hipótese se confirmar, os sobredotados portugueses poderão ter de recorrer ao país vizinho para ir à escola. E, provavelmente, acabarão por ali vir a exercer as suas futuras actividades científicas, artísticas ou outras.
Se não for encontrada a melhor solução para o País fica, mais uma vez, demonstrada a nossa teimosa vocação para a mediocridade, com rejeição daquilo que de mais válido existe dentro das fronteiras. Tem sido em vão que neste espaço se tenha chamado a atenção para a importância dos jovens excepcionais que prometem elevar o valor de Portugal. É imperioso que se valorize o capital humano em que tem de assentar a reconstrução de Portugal, como repetidamente aqui e aqui tem sido expresso.
- Mais um caso de jovens válidos
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A Igreja dá um bom exemplo
Costuma ouvir-se dizer que a Igreja e as Forças Armadas são as instituições que mais têm sabido resistir às dificuldades dos tempos e mantido as suas características próprias. Isso não acontece por acaso, mas a sua organização com hierarquia bem definida e disciplina de funcionamento adequadas, vão vencendo as crises exteriores, e continuam.
Mas a Igreja, não espera por milagres de modernização e actualização de procedimentos e dá uma boa lição aos organismos oficiais e até a empresas que se mostram avessos à adaptação aos mais modernos meios de gestão e demoram a aderir à melhores formas de actuar, sem perder a coerência com valores e princípios que devem ser mantidos imutáveis.
A vida moderna torna a gestão das organizações cada vez mais complexa exigindo sensatez na luta pela simplificação sem perda de eficácia e, por isso os «Bispos estudam liderança para administrar dioceses». Não lhes foi difícil encontrar mestres com conhecimentos práticos, pois gestores católicos voluntariaram-se para ensinar os prelados.
Os bispos portugueses reuniram-se em Fátima para estudar gestão e liderança, de modo a integrar na administração das dioceses normas similares às que são usadas pelas empresas na economia de mercado.
Sem nunca serem perdidos de vista os "critérios evangélicos e pastorais", procura fazer o enquadramento global "em ordem a uma gestão de recursos humanos e de administração dos bens da Igreja" atendendo a que "a Igreja é produtora de bens e serviços, mas não se compara a uma empresa que age num contexto de mercado".
Actualmente, no dia-a-dia, as dioceses confrontam-se com desafios no que respeita a gestão quotidiana que exigem a modernização da organização operativa e "é preciso delegar para se governar melhor".
São colocadas três perguntas para reflexão:
- É possível usar os conceitos gerais que valem para qualquer instituição produtora de bens e serviços?;
- «Como conjugar qualidade, eficiência e rentabilidade económica no contexto da organização eclesiástica?»
- «como promover, numa situação eclesial, os valores da dedicação, do profissionalismo e da criatividade que distinguem uma empresa?".
Quanto ao conceito de liderança, é referido o exemplo de Jesus Cristo que "lava os pés aos apóstolos" que corresponde a características fundamentais de qualquer líder: "O líder como servo, pastor e administrador". O líder como um membro da equipa que em relação aos outros tem maior responsabilidade de motivar e conduzir as vontades para um objectivo comum.
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segunda-feira, 16 de junho de 2008
O Velho do Restelo disse
Depois do soneto de Camões publicado em post anterior, trago aqui o início do discurso do Velho do Restelo com que termina o canto quarto de Os Lusíadas, por nele encontrar motivos de meditação para compreender muito do que hoje ocorre em nosso redor. Quem tiver curiosidade, poderá consultar o poema épico e ler as restantes sete estrofes do Velho, que não trago aqui para não sobrecarregar com referências mitológicas e históricas, ficando por estas três que já dão estímulo para interessantes reflexões.
Estrofe 95
- «Ó glória de mandar! Ó vã cobiça
Desta vaidade a quem chamamos fama!
Ó fraudulento gosto que se atiça
Cua aura popular que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas!
Estrofe 96
«Dura inquietação d’alma e da vida,
Fonte de desamparos e adultérios,
Sagaz consumidora conhecida
De fazendas, de reinos e de impérios!
Chamam-te ilustre, chamam-te subida,
Sendo digna de infames vitupérios;
Chamam-te Fama e Glória soberana,
Nomes com quem se o povo néscio engana!
Estrofe 97
«A que novos desastres determinas
De levar estes Reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes lhe destinas
Debaixo dalgum nome preminente?
Que promessas de reinos e de minas
De ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que famas lhe prometerás? Que histórias?
Que triunfos? Que palmas? Que vitórias?
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A. João Soares
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