quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A convergência (união) faz a força

Um cargo político, a qualquer nível é um serviço publico em que a prioridade deve ser dada aos interesses nacionais. No aspecto pessoal deve ser uma tarefa de sacrifício, em que os interesses pessoais devem ser secundarizados. Quem me lê deve estar a discordar e a pensar que já estou passado dos neurónios. Porém eu escrevi «devem» e não me referi às poucas vergonhas da realidade que todos os dias nos chegam através dos órgãos da Comunicação Social.

Há exemplos muito interessantes como agora nos chega dos EUA em que o Presidente eleito, Barak Obama se reuniu com os ex-presidentes vivos, independentemente dos seus partidos de origem, para trocarem impressões e ele aprender com eles. É um elogio à sabedoria da experiência e é uma prova de humildade e de dedicação ao País.

Neste blogue já se advogaram práticas parecidas tendentes a fazerem convergir sensibilidades e saberes dos vários sectores das bancadas parlamentares, a fim de serem tomadas as mais sábias decisões, principalmente nos casos em que a decisão será concretizada durante mais anos do que o prazo de validade de um Governo, por forma a não haver paragens, recuos ou alterações da ideia inicial, o que acarretaria perdas de recursos, por norma, escassos.

No post «Reforma do regime é necessária e urgente» apresentam-se algumas sugestões no sentido de fazer convergir esforços de todos os partidos para melhor serem defendidos os interesses nacionais. Provavelmente, o combate à crise financeira global, com tal convergência de informação e de esforços, seria mais rápida e eficaz. Em momentos difíceis, não se devem dispensar contributos para se conseguir a melhor solução. Cá existe o Conselho de Estado para dar ao PR opiniões com carizes diversos, mas com a agravante de nem todos os conselheiros merecerem credibilidade como a imprensa tem trazido alume. Talvez fosse mais útil, em casos de problemas graves, realizar reuniões com as figuras mais gradas dos partidos e, calmamente sem termo definido, discutir os vários aspectos dos problemas, em que todos ficariam comprometidos com a solução encontrada, por terem participado na sua procura.

Obama, com gestos deste género, atrairá elogios de todos os cidadãos dos EUA e, também, do mundo, criará confiança nos agentes económicos e contribuirá para os melhores resultados.

Parece que este é mais um sinal de que está a concretizar-se o que se diz no post «Já estamos na nova Era», há tendência para evitar ditaduras, arrogâncias partidárias, e busca de soluções de consenso para maior benefício do País.

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A sociedade está em mudança

Ao analisar-se vários comportamentos de pessoas públicas, com maior visibilidade na Comunicação Social, nomeadamente de políticos que foram «bafejados» por enriquecimento rápido, na gestão de empresas públicas ou privadas com negócios com o Estado, é-se tentado a concluir que o dinheiro é o farol dessa gente ao qual tudo subordina. A sociedade em geral tem evidenciado que os valores éticos e morais têm sido postergados e dado lugar ao dinheiro e a tudo o que com ele se relacione.

Mas, felizmente, surgem no horizonte sinais de mudança com a esperança de que a juventude (que alguns dizem ser rasca) está a ver a miséria moral da vida da geração dos seus pais e pretende dar uma volta para a recuperação de valores que eram válidos e respeitados nos tempos da geração dos seus avós.

Há dias, foi aqui publicado o post «Já estamos na nova Era», que mostra existirem sinais de alterações que irão ser profundas e que irão muito além das tecnologias, indo ao âmago das convicções e dos comportamentos sociais. Poderá ser um remédio para o stress moderno, a vida em correria sem sentido racional, em que as pessoas se esfalfam para ganhar mais dinheiro e o esbanjam em actividades de ostentação que, em vez de criarem descontracção e felicidade, ainda aumentam mais a obsessão de dilatar a riqueza material. É o culto do TER em prejuízo do SER.

Muitas vozes se levantam a denunciar este estado de loucura e, felizmente, já estão a aparecer sinais muito positivos de que os jovens estão atentos à irracionalidade da vida actual, pensam e condenam os males existentes, concluindo que são eles os responsáveis pela vida de amanhã, a qual eles desejam ser melhor do que a de hoje. E deitam mãos à obra.

Escrevo isto, com convicção, com esperança na capacidade da juventude, como aqui já referi muitas vezes enfatizando os poucos mas significativos exemplos de valor. Hoje o artigo do DN «Alunos do superior põem carreira aliciante à frente do vencimento» diz que, num inquérito a alunos do Ensino Superior, 41,4% dos 11 639 alunos inquiridos apontam como determinante para a prossecução dos estudos o propósito de adquirir conhecimentos que permitam uma carreira aliciante, enquanto apenas 8,4% o fazem apenas para conseguir emprego com um bom salário. É gratificante para quem alimenta esta esperança verificar serem aspectos morais de bem-estar e felicidade os principais factores na decisão de quem ingressa nas universidades e institutos politécnicos.

Oxalá estas conclusões do primeiro estudo sobre a Avaliação Nacional da Satisfação dos Estudantes do Ensino Superior desenvolvido em Portugal venham a corresponder inteiramente a uma reabilitação de valores que têm sido ignorados por aqueles que arrastaram o mundo para a actual crise financeira e para a falência de inúmeras empresas que deixaram milhares de desempregados.

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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

A nossa estrada mata tanto como uma guerra

Depois do post de 30Dez08 «A estrada continua um meio de morte», deparamos hoje com a notícia em que são citados os números da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária que referem ter havido em 2008 nas estradas portuguesas 772 mortos e 2.587 feridos graves – uma autêntica guerra! Porém quem se limitar a ler o título fica com uma noção errada e sem estímulo a melhorar as precauções na condução.

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Reflexões sobre a guerra

De uma forma geral, a guerra é uma manifestação bárbara, selvagem, desumana, primária, pré-histórica, imprópria do estádio de civilização em que o mundo de hoje se devia encontrar, se tivesse aprendido com a experiência da história.

Muito tem sido escrito nos últimos dias a propósito da «guerra» no Médio Oriente entre Israel e o Hamas, o que, embora me tenha procurado manter distante do conflito, me tem levado a tecer comentários em resposta de outros que abordam o tema, dos quais apresento a seguir alguns tópicos.

Segundo alguns comentadores, a guerra surge em consequência da «ambição desmedida, da falta de sentimentos e da incoerência» dos governantes, apoiados por uma mentalidade doentia dos povos demasiado dominados pelo sentido de posse, pela propriedade privada e pelos denominados interesses nacionais, com significados deturpados, na defesa de falsas noções de soberania. Se em vez de serem efectuados por exércitos, os conflitos se resumissem a espectáculos de pugilato ou duelos de morte entre os governantes dos países desentendidos, eles seriam evitados ou resumidos ao mínimo, e substituídos por negociações terminadas em acordos. É que os políticos prezam muito os seus interesses pessoais, acima de tudo, e desprezam as consequências que as guerras têm sobre as populações inocentes, sejam crianças, mulheres, deficientes ou idosos.

Mas, mais do que a soberania dos Estados e do que os interesses nacionais, um marcante móbil da guerra é a estupidez do ser humano, mais propriamente, a ambição de Poder, a vaidade dos políticos, a ostentação abusiva do Poder. A insensibilidade que leva à guerra conduz à destruição de património, por vezes de grande valor para a humanidade e de instalações essenciais para a vida das pessoas, conduz a perdas de vidas, que tendo em conta que cada uma é um valor irreparável, acontece em grandes números, levando ao uso de termos como massacre e hecatombe. Entre essas perdas e outros maus efeitos da guerra, não podemos deixar de destacar o sofrimento das crianças ainda inocentes e sem culpas, que é muito impressionante. Mas se, com a guerra, toda a gente sofre, directa ou indirectamente, há indivíduos mais protegidos dos seus malefícios que, por injustiça do destino, são os bafejados pelo Poder, aqueles que foram os causadores dessas guerras, que as decidiram, sem primeiro terem tentado encontrar soluções pacíficas para as suas ambições de mais poder.

Um outro factor não negligível é o facto real de que todas as guerras enriquecem uma série de empresas que abastecem o esforço militar. As muitas variedades de armamentos e equipamentos são o produto acabado de uma série complexa de empresas industriais. Daí termos que desconfiar dos lóbis de tal indústria a empurrar os políticos para a guerra. Talvez sejam eles os principais culpados de não se enveredar pela solução pacífica de muitos conflitos de interesses. O Presidente Eisenhower, após o termo da II Guerra Mundial, alertou para o perigo do «complexo industrial militar», que surgira para sustentar a logística do esforço de guerra e atingiu uma dimensão de grande poder, se mantivesse activo e viesse a desenvolver-se e, para não murchar, se tornasse num instrumento de pressão sobre os políticos levando-os a várias manifestações de agressividade no mundo, ou mesmo uma situação de permanente conflitualidade. Parece que era bruxo. E o mundo, principalmente o menos civilizado, com governantes dotados de mentalidade de ovelhas seguidoras do pastor, seguiu a maior potência e quis mostrar as suas habilidades, uns para se oporem aos intuitos da potência dominadora, outros para a imitarem localmente em escala menor, contra os vizinhos. E assim se concretizou o efeito negativo do complexo industrial militar previsto por Eisenhower!

Parece não haver muitas dúvidas de que a guerra, qualquer guerra, é fruto da estupidez de políticos que, cegos pela sua ambição de poder e de visibilidade, em vez de resolverem os desentendimentos à mesa das conversações (como aqui tem sido referido em vários posts), usam a violência, sem pensarem na multidão de inocentes que irão sofrer as consequências. Na realidade, quem ordena a guerra não se importa com as vítimas prováveis, ou mesmo certas, mas incógnitas, na sua inocência.

Parece que a classe a que eles pertencem não tem sensibilidade humana de gente de bem. Se a tivessem, procurariam dialogar e, se não fosse possível directamente, procurariam fazê-lo através de intermediários qualificados. Na nossa vida prática, de cidadãos, se tivermos um desentendimento com um vizinho e não conseguirmos negociar com ele, contratamos um advogado e este, com a outra parte ou o advogado desta, tenta chegar a um acordo, ou se não o consegue vai para tribunal. Na vida internacional este esquema está a ser pouco utilizado. Mesmo a ONU não se tem mostrado merecedora de crédito para isto. Porém, a porta das negociações não está fechada, como mostra o caso de este ano ter sido dado o prémio Nobel a um diplomata Finlandês por ter participado, com êxito, em muitos casos, quer internos de Estados quer entre Estados vizinhos.

Será uma actividade a desenvolver. O difícil é encontrar mediadores isentos e credíveis, respeitados por ambas as partes em conflito. Torna-se absolutamente necessário que o mundo tenha uma Organização com autoridade para conduzir os beligerantes ao diálogo, à negociação.

Olhando para possíveis causas dos conflitos nota-se que, no caso agora objecto de notícias, nem sempre isentas, o sentido de posse do terreno, leva os palestinianos a considerarem que a «sua» área «não devia ter sido ocupada» por estranhos (propriedade privada, sentido de posse), mas também existe a aversão violenta a um povo que, pelas suas qualidades, criando condições económicas diferentes por ter capacidade de inovação, criatividade, organização e produtividade, geradora de riqueza, lhes desperta o desconforto de tão notória diferença, originar comparações que não lhes são favoráveis. É o sentimento manifestado pela serpente na fábula «O vagalume e a serpente». O papel de vagalume está a ser o de Israel que, não podemos ocultar, é um País reconhecido internacionalmente e que é constantemente ameaçado de ser eliminado, e essas ameaças passam das simples palavras e vão ao ponto de verem os seus cidadãos em festas ou outras concentrações da vida corrente serem massacrados por bombistas suicidas ou sabotagens ou mísseis e rockets. Quando o seu poder de encaixe se esgota reagem e fazem-no com demasiada força, para serem dissuasores. Do outro lado o fanatismo e a obsessão pelo objectivo de expulsarem este povo trabalhador, organizado, produtivo, inovador, não desarmam e continuam na sua sanha de mal fazer, apoiados por Países invejosos que se sentem mal ao lado de um povo que lhes desafia a inveja, por ser exemplar como Estado organizado e desenvolvido, que transformou o deserto em férteis pomares.

Por outro lado, como disse outro comentador, nas guerras desta região, não pode deixar de se referir o problema religioso, pois as religiões têm evidenciado um grande inconveniente, por considerarem possuir o melhor Deus, o único, o que as torna irreconciliáveis com os seguidores de Deuses diferentes. As guerras de origem em motivos religiosos, contra os infiéis, sempre foram demasiado sangrentas e prolongadas. Actualmente, nesta região do planeta, os fanáticos mais aguerridos, obcecados por impor e dilatar a sua fé são os seguidores do Islão. E fazem-no sem o mínimo respeito pelas pessoas, procurando os efeitos mais espectaculares do seu ódio aos outros, aos diferentes.

E não me alongo mais, mas deixo uma sugestão para que as pessoas, sem se acorrentarem a uma ou outra facção, procurem meditar sobre este fenómeno destruidor de vidas e de recursos que fazem falta ao desenvolvimento dos países e ao bem-estar das pessoas.

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terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Chãos de Guerra

Extraído do blog Sempre Jovens, onde foi publicado por Mariazita

Poema de Eugénio de Sá
Brasil 04/Jan/2008

Não há altares que valham, que se bastem
Nem d’Alah as bandeiras esverdeadas
Que o sangue é negro e corre p’las estradas
Não há mais cor que as orações resgatem.
Que céus são esses que a fumaça esconde?
Que estrondos colossais, que vil fragor,
Ofendem tanto a terra do Senhor
Que procura o amor, sem saber onde!
Ódios à solta atrás dos canhões
Meninos-homens, raivas sem idade
Chãos semeados só de humilhações.
Pasma-se o mundo de incredulidade
Esgrimem-se vozes, gritam-se razões
Mas estes chãos são de infertilidade!

NOTA: Este poema é um grito de alerta para a bestialidade da humanidade que pretende resolver os mínimos desentendimentos à pancada em vez de dialogar com argumentos racionais.
Que futuro está o homem a preparar para a sua espécie?

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domingo, 4 de janeiro de 2009

As guerras não clássicas são difíceis para os militares

A guerra clássica obedecia a regras respeitadas por ambas as partes, era uma contenda nobre, com cortesia. Não esqueço um texto num livro escolar de Francês dos anos 40 em que o general francês em frente do inimigo inglês, tirou o chapéu, fez uma vénia e disse «Monsieurs les anglais tirer les primiers».

Pelo contrário, as guerras de guerrilhas, nada tendo de regras respeitadas e respeitáveis, nem de cortesia, antes se servindo de truques e habilidades, não são fáceis de vencer por exércitos clássicos, como as invasões francesas verificaram em Portugal, e, recentemente, como os EUA tiveram o desgosto de constatar no Vietname, na Somália e agora no Iraque e no Afeganistão. O regime do Nepal reformou-se antes de as perdas se tornarem incomportáveis e no Sri Lanka o afundamento do País é notório, com prejuízos graves para a economia e os cingaleses em geral.

Vêm estas considerações a propósito da invasão de Gaza por «Uma entrada esperada mas de fim muito incerto», com a declarada intenção de fazer parar os disparos de rockets e mísseis, cerca de 70 por dia, do território palestiniano para Israel. O desenrolar não será fácil e o fim pode ser decepcionante, para a parte tecnicamente melhor preparada.

A população israelita, com vontade de sobreviver aos propósitos do Hamas, apoia a invasão, mas com um misto de manifestação de força voluntariosas e de receio do fracasso inerente a esse tipo de guerras, acredita que «Operação em Gaza vai durar vários dias»

Israel iniciou a sua operação militar terrestre na Faixa de Gaza, como era esperado, uma vez que os ataques aéreos que vinham fazendo não travaram o lançamento de mísseis. Criticada por muitos, sobretudo nas ruas árabes, e recebida em silêncio por muitas das potências mundiais, esta operação é, na óptica de Israel, uma tentativa de esmagar o Hamas e as suas infra-estruturas militares. Do outro lado, o Hamas, que tem declarado querer eliminar completamente Israel, segundo o seu porta-voz avisa que «Gaza será um cemitério para Israel».

Com as intenções repetidamente declaradas de os palestinianos pretenderem a destruição total do Estado de Israel, este tem-se preparado para resistir a tal ameaça, e reage de forma forte, com uma dureza talvez exagerada, mas que considera inserir-se no conceito de legítima defesa, porque actua em resposta a actos bárbaros e desumanos de massacres de população indefesa, em locais de concentração, como festas de casamento, momentos de oração, paragens de transportes, etc., com bombistas suicidas ou com mísseis e rockets.

Com estas motivações aparentemente inflexíveis, o desfecho do conflito não se apresenta fácil. Trata-se de um caso em que, como tenho aqui referido em variados posts, a solução deve ser procurada por meio de conversações, com o apoio de entidades estrangeiras aceites por ambas as partes. A ONU, de quem tudo devia ser esperado em casos semelhantes, mostra-se mais uma vez incapaz de encontrar uma solução adequada e em curto prazo, porque há vidas em perigo, em grande quantidade.

A conflitualidade entre as duas partes, assenta em causas muito complexas a que não são alheias ambições e interesses de Países da região, como a Síria e o Irão.

Localmente, dado que os israelitas são organizados, inovadores e produtivos tendo transformado o deserto em terrenos produtivos em agricultura e férteis pomares, além de uma indústria moderna que lhes torna fácil a defesa, e, ao contrário, os palestinianos e continuam a viver como antes da criação do Estado de Israel, sem sinais de modernização da sua economia e da sua capacidade de sobrevivência, parece que um dos factores de hostilidade é o mesmo da lenda contada no post «O vagalume e a serpente». Um problema de inveja, de detestar um vizinho com quem a comparação não é favorável.

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sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Já estamos na nova Era

Um texto recebido por e-mail e que merece ser meditado, olhando à nossa volta para confirmar estes sinais da «revolução» que está em marcha. O texto deve ter sido escrito antes da baixa do petróleo, mas, apesar disso, não perde actualidade no raciocínio.

Uma nova Era já começou!
por Carlos_Lacerda

Está a acontecer na nossa rua e à nossa volta, e ainda não percebemos que a Revolução, uma nova Era, já começou!

As pessoas andam um bocado distraídas! Não deram conta que, há cerca de 3 meses, começou a Revolução! Não! Não me refiro a nenhuma figura de estilo, nem escrevo em sentido figurado! Falo mesmo da Revolução "a sério" e em curso, que estamos a viver, mas da qual andamos distraídos (desprevenidos) e não demos conta do que vai implicar. Mas falo, seguramente, duma Revolução!

De facto, há cerca de 3 ou 4 meses, começaram a dar-se alterações profundas, e de nível global, em 10 dos principais factores que sustentam a sociedade actual. Num processo rápido e radical, que resultará em algo novo, diferente e porventura traumático, com resultados visíveis dentro de 6 a 12 meses… E que irá mudar as nossas sociedades e a nossa forma de vida nos próximos 15 ou 25 anos!

… tal como ocorreu noutros períodos da história recente: no status político-industrial saído da Europa do pós-guerra, nas alterações induzidas pelo Vietname/ Woodstock/ Maio de 68 (além e aquém Atlântico), ou na crise do petróleo de 73.

Estamos a viver uma transformação radical, tanto ou mais profunda do que qualquer uma destas! Está a acontecer na nossa rua e à nossa volta, e ainda não percebemos que a Revolução já começou!

Façamos um rápido balanço da mudança, e do que está a acontecer aos "10 factores":

1º- A Crise Financeira Mundial: desde há 8 meses que o Sistema Financeiro Mundial está à beira do colapso (leia-se "bancarrota") e só se tem aguentado porque os 4 grandes Bancos Centrais mundiais - a FED, o BCE, o Banco do Japão e o Tesouro Britânico - têm injectado (eufemismo que quer dizer: "emprestado virtualmente à taxa zero") montantes astronómicos e inimagináveis no Sistema Bancário Mundial, sem o qual este já teria ruído como um castelo de cartas. Ainda ninguém sabe o que virá, ou como irá acabar esta história !...

2º- A Crise do Petróleo: Desde há 6 meses que o petróleo entrou na espiral de preços. Não há a mínima ideia/teoria de como irá terminar. Duas coisas são porém claras: primeiro, o petróleo jamais voltará aos níveis de 2007 (ou seja, a alta de preço é adquirida e definitiva, devido à visão estratégica da China e da Índia que o compram e amealham!) e começarão rapidamente a fazer sentir-se os efeitos dos custos de energia, de transportes, de serviços. Por exemplo, quem utiliza frequentemente o avião, assistiu há 2 semanas a uma subida no preço dos bilhetes de… 50% (leu bem: cinquenta por cento). É escusado referir as enormes implicações sociais deste factor: basta lembrar que por, exemplo, toda a indústria de férias e turismo de massas para as classes médias (que, por exemplo, em Portugal ou Espanha representa 15% do PIB) irá virtualmente desaparecer em 12 meses! Acabaram as viagens de avião baratas (…e as férias massivas!), a inflação controlada, etc…

3º- A Contracção da Mobilidade: fortemente afectados pelos preços do petróleo, os transportes de mercadorias irão sofrer contracção profunda e as trocas físicas comerciais (que sempre implicam transporte) irão sofrer fortíssima retracção, com as óbvias consequências nas indústrias a montante e na interpenetração económica mundial.

4º- A Imigração: a Europa absorveu nos últimos 4 anos cerca de 40 milhões de imigrantes, que buscam melhores condições de vida e formação, num movimento incessante e anacrónico (os imigrantes são precisos para fazer os trabalhos não rentáveis, mas mudam radicalmente a composição social de países-chave como a Alemanha, a Espanha, a Inglaterra ou a Itália). Este movimento irá previsivelmente manter-se nos próximos 5 ou 6 anos! A Europa terá em breve mais de 85 milhões de imigrantes que lutarão pelo poder e melhor estatuto sócio-económico (até agora, vivemos nós em ascensão e com direitos à custa das matérias-primas e da pobreza deles)!

5º- A Destruição da Classe Média: quem tem oportunidade de circular um pouco pela Europa apercebe-se que o movimento de destruição das classes médias (que julgávamos estar apenas a acontecer em Portugal e à custa deste governo) está de facto a "varrer" o Velho Continente! Em Espanha, na Holanda, na Inglaterra ou mesmo em França os problemas das classes médias são comuns e (descontados alguns matizes e diferente gradação) as pessoas estão endividadas, a perder rendimentos, a perder força social e capacidade de intervenção.

6º- A Europa Morreu: embora ainda estejam a projectar o cerimonial do enterro, todos os Euro-Políticos perceberam que a Europa moribunda já não tem projecto, já não tem razão de ser, que já não tem liderança e que já não consegue definir quaisquer objectivos num "caldo" de 27 países com poucos ou nenhuns traços comuns!... Já nenhum Cidadão Europeu acredita na "Europa", nem dela espera coisa importante para a sua vida ou o seu futuro! O "Requiem" pela Europa e dos "seus valores" foi chão que deu uvas: deu-se há dias na Irlanda!

7º- A China ao assalto! Contou-me um profissional do sector: a construção naval ao nível mundial comunicou aos interessados a incapacidade em satisfazer entregas de barcos nos próximos 2 anos, porque TODOS os estaleiros navais do Mundo têm TODA a sua capacidade de construção ocupada por encomendas de navios… da China. O gigante asiático vai agora "atacar" o coração da Indústria europeia e americana (até aqui foi just a joke…). Foram apresentados, há dias, no mais importante Salão Automóvel mundial, os novos carros chineses. Desenhados por notáveis gabinetes europeus e americanos, Giuggiaro e Pininfarina incluídos, os novos carros chineses são soberbos, réplicas perfeitas de BMWs e de Mercedes (eu já os vi!) e vão chegar à Europa entre os 8.000 e os 19.000 euros! E quando falamos de Indústria Automóvel ou Aeroespacial europeia…helás! Estamos a falar de centenas de milhar de postos de trabalhos e do maior motor económico, financeiro e tecnológico da nossa sociedade. À beira desta ameaça, a crise do têxtil foi uma brincadeira de crianças! (Os chineses estão estrategicamente em todos os cantos do mundo a escoar todo o tipo de produtos da China, que está a qualificá-los cada vez mais).

8º- A Crise do Edifício Social: As sociedades ocidentais terminaram com o paradigma da sociedade baseada na célula familiar! As pessoas já não se casam, as famílias tradicionais desfazem-se a um ritmo alucinante, as novas gerações não querem laços de projecto comum, os jovens não querem compromissos, dificultando a criação de um espírito de estratégias e actuação comum…

9º- O Ressurgir da Rússia/Índia: para os menos atentos: a Rússia e a Índia estão a evoluir tecnológica, social e economicamente a uma velocidade estonteante! Com fortes lideranças e ambições estratégicas, em 5 anos ultrapassarão a Alemanha!

10º- A Revolução Tecnológica: nos últimos meses o salto dado pela revolução tecnológica (incluindo a biotecnologia, a energia, as comunicações, a nano tecnologia e a integração tecnológica) suplantou tudo o previsto e processou-se a um ritmo 9 vezes superior à média dos últimos 5 anos!

Eis pois, a Revolução!

Tal como numa conta de multiplicar, estes dez factores estão ligados por um sinal de "vezes" e, no fim, têm um sinal de "igual". Mas o resultado é ainda desconhecido e… imprevisível. Uma coisa é certa: as nossas vidas vão mudar radicalmente nos próximos 12 meses e as mudanças marcar-nos-ão (permanecerão) nos próximos 10 ou 20 anos, forçando-nos a ter carreiras profissionais instáveis, com muito menos promoções e apoios financeiros, a ter estilos de vida mais modestos, recreativos e ecológicos.

Contrariamente a um comentador que muito estimo pelo seu brilho e inteligência (Carlos Magno, programa "Contraditório" da "Antena 1", 13 de Junho) eu não acho que o Mundo está "a entrar num crepúsculo" (sic).

Espera-nos o Novo! Como em todas as Revoluções!

Um conselho final: é importante estar aberto e dentro do Novo, visionando e desfrutando das suas potencialidades! Da Revolução! Ir em frente! Sem medo!

Afinal, depois de cada Revolução, o Mundo sempre mudou para melhor!...

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quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Mensagem de Ano Novo do PR

Mensagem de Ano Novo do Presidente da República

Palácio de Belém, 1 de Janeiro de 2009

Boa Noite,

No início deste novo ano, dirijo a todos os Portugueses, onde quer que estejam, uma saudação calorosa e os melhores votos para 2009.

Quero começar por dirigir uma palavra especial de solidariedade a todos os que se encontram em situações particularmente difíceis, porque sofreram uma redução inesperada dos seus rendimentos.

A estes homens e a estas mulheres, que sofrem em silêncio, e que até há pouco tempo nem sequer imaginavam poder vir a encontrar-se na situação que agora atravessam, quero dizer-lhes, muito simplesmente: não se deixem abater pelo desânimo.

O mesmo digo aos jovens que, tendo terminado os seus estudos, vivem a angústia de não conseguirem um primeiro emprego: acreditem nas vossas capacidades, não percam a vontade de vencer.

Quero também lembrar dois outros grupos da nossa sociedade que são frequentemente esquecidos e que vivem tempos difíceis.

Os pequenos comerciantes, que travam uma luta diária pela sobrevivência. O pequeno comércio deve merecer uma atenção especial porque constitui a única base de rendimento de muitas famílias.

Os agricultores, aqueles que trabalham a terra, que enfrentam a subida do preço dos adubos, das rações e de outros factores de produção.

Sentem-se penalizados face aos outros agricultores europeus por não beneficiarem da totalidade dos apoios disponibilizados pela União Europeia.

O mundo rural faz parte das raízes da nossa identidade colectiva. A sua preservação é fundamental para travar o despovoamento do interior e para garantir a coesão territorial do País.

Portugueses,

Não devo esconder que 2009 vai ser um ano muito difícil.

Receio o agravamento do desemprego e o aumento do risco de pobreza e exclusão social.
Devo falar verdade.

A verdade é essencial para a existência de um clima de confiança entre os cidadãos e os governantes.

É sabendo a verdade, e não com ilusões, que os portugueses podem ser mobilizados para enfrentar as exigências que o futuro lhes coloca.

A crise financeira internacional apanhou a economia portuguesa com algumas vulnerabilidades sérias.

A crise chegou quando Portugal regista oito anos consecutivos de afastamento em relação ao desenvolvimento médio dos seus parceiros europeus.

Há uma verdade que deve ser dita: Portugal gasta em cada ano muito mais do que aquilo que produz.

Portugal não pode continuar, durante muito mais tempo, a endividar-se no estrangeiro ao ritmo dos últimos anos.

Para quem ainda tivesse dúvidas, a crise financeira encarregou-se de desfazê-las.

Como é sabido, quando a possibilidade de endividamento de um País se esgota, só resta a venda dos bens e das empresas nacionais aos estrangeiros.

Os portugueses devem também estar conscientes de que dependemos muito das relações económicas com o exterior.

Não são apenas as exportações e as importações de bens.

São as remessas dos nossos emigrantes, o turismo, os apoios da União Europeia, o investimento estrangeiro, os empréstimos externos que Portugal tem de contrair anualmente.

Para tudo isto, é importante a credibilidade que merece a nossa política interna, as perspectivas futuras do País, a confiança que o exterior tem em nós.

Devemos, por isso, ser exigentes e rigorosos connosco próprios, cuidar da imagem do País que projectamos no mundo.

Caso contrário, tudo será mais difícil.

Não escondo a verdade da situação difícil em que o País se encontra.

Mas também não escondo a minha firme e profunda convicção de que há um caminho para Portugal sair da quase estagnação económica em que tem estado mergulhado.

O caminho é estreito, mas existe. E está ao nosso alcance.

Para ele tenho insistentemente chamado a atenção.

O reforço da capacidade competitiva das nossas empresas a nível internacional e o investimento nos sectores vocacionados para a exportação têm de ser uma prioridade estratégica da política nacional.

Sem isso, é pura ilusão imaginar que haverá verdadeiro progresso económico e social, criação duradoura de emprego e melhoria do poder de compra dos salários.

Sem isso, não conseguiremos pôr fim ao crescimento explosivo da dívida externa.

As ilusões pagam-se caras.

Por outro lado, temos de reduzir a ineficiência e a dependência do exterior em matéria de energia.

Assim como temos de alterar a estrutura da produção nacional, no sentido de mais qualidade, inovação e conteúdo tecnológico.

Os dinheiros públicos têm de ser utilizados com rigor e eficiência.

Há que prestar uma atenção acrescida à relação custo-benefício dos serviços e investimentos públicos.

Para que o nosso futuro seja melhor, para que os nossos filhos e netos não recebam uma herança demasiado pesada, exige-se a todos trabalho e determinação, sentido de responsabilidade, ponderação nas decisões e prudência nas escolhas.

Há que enfrentar as dificuldades do presente com visão de futuro, olhando para além do ano de 2009.

Portugueses,

Conheço os desafios que Portugal enfrenta e quero contribuir para a construção de um futuro melhor.

Tenho percorrido o País e contactado directamente com as pessoas.

Tenho procurado mobilizar os portugueses, apelando à união de esforços, incutindo confiança e vontade de vencer, apontando caminhos e oportunidades que sempre existem em tempo de crise.

Tenho insistido na atenção especial que deve ser prestada aos cidadãos mais atingidos pelo abrandamento da actividade económica.

Tenho apelado ao espírito de entreajuda em relação aos mais desfavorecidos.

Aos Portugueses, pede-se muito neste ano que agora começa.

Mas, na situação em que o País se encontra, especiais responsabilidades impendem sobre as forças políticas.

Os portugueses gostariam de perceber que a agenda da classe política está, de facto, centrada no combate à crise.

As dificuldades que o País enfrenta exigem que os agentes políticos deixem de lado as querelas que em nada contribuem para melhorar a vida dos que perderam o emprego, dos que não conseguem suportar os encargos da prestação das suas casas ou da educação dos seus filhos, daqueles que são obrigados a pedir ajuda para as necessidades básicas da família.

Não é com conflitos desnecessários que se resolvem os problemas das pessoas.

Nesta fase da vida do País, devemos evitar divisões inúteis.

Vamos precisar muito uns dos outros.

Portugueses,

Já passámos por outras situações bem difíceis. Não nos resignámos e fomos capazes de vencer.

O mesmo vai acontecer agora. Tenho esperança e digo-o com sinceridade.

Cada um deve confiar nas suas competências, nas suas aptidões e capacidades.

Este é o tempo de resistir às dificuldades, aos obstáculos, às ameaças com que cada um pode ser confrontado.

Não tenham medo.

O futuro é mais do que o ano que temos pela frente.

O futuro será 2009, mas também os anos que a seguir vierem.

Acredito num futuro melhor e mais justo para Portugal, porque acredito na vontade e no querer do nosso povo.

Para todos, Bom Ano de 2009.

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Combate ao crime violento

Combate à criminalidade violenta será prioritário em 2009
Lusa/SOL

O ministro da Administração Interna, Rui Pereira, salientou hoje que «o combate à criminalidade violenta e grave continuará a ser a prioridade da estratégia de segurança para 2009»

De acordo com o ministro, «oportunamente será apresentado o relatório de segurança interna, com todos os números pertinentes em relação à criminalidade, de forma séria e ordenada, bem como a estratégia e medidas para 2009».

Rui Pereira falava aos jornalistas à margem da inauguração da carreira de tiro de Águeda, onde sustentou não ter «sentimento de preocupação ou fazer previsões» sobre a criminalidade para 2009.

«Quero sim tomar medidas», disse.

O ministro escusou-se a comentar os receios manifestados publicamente, segunda-feira, pelo Procurador-Geral da República.

Pinto Monteiro afirmou, numa entrevista à Rádio Renascença, recear «um aumento da violência para o próximo ano, em consequência do desemprego».

«Portugal é um Estado de Direito que assenta no princípio da separação e interdependência de poderes, pelo que não peçam ao Ministério da Administração Interna que faça comentários aos tribunais, ao Ministério Público ou ao Procurador Geral da República porque não o fará!», afirmou o ministro.

Rui Pereira adiantou, no entanto, que foi identificada a criminalidade violenta e grave como primeira prioridade de combate em 2008, que se manterá em 2009, estando o governo empenhado em dotar as forças de segurança de condições para lhe dar resposta.
«Está em curso o concurso para a admissão de mais dois mil homens, mil na GNR e os outros mil na PSP», anunciou.

O ministro salientou ainda que houve um reforço em meios, nomeadamente a distribuição de cerca de 20 mil gloks e 10 mil armas a cada força de segurança, atribuídos, este ano, cerca de mil automóveis e construídas e remodeladas várias instalações.

Também houve, segundo Rui Pereira, o reforço de meios que permitem treinar incidentes táctico-policiais e tiro.

«Por isso a necessidade destas carreiras de tiro», frisou.

NOTA: Afirma que o combate a este tipo de crimes também teve a primeira prioridade em 2008, e o resultado foi o que se viu. A sua eficácia dependerá apenas do MAI ou também do MJ? Será que o povo ainda está receptivo a tais promessas de políticos? Agora esta promessa até promete ser «séria e ordenada»; a que se deverá o milagre? Se estes adjectivos já eram aplicáveis, porque se torna necessário usá-los agora? Depois das outras palavras não se compreende a razão de não ter «sentimento de preocupação ou fazer previsões» sobre a criminalidade para 2009. Porquê então a prioridade?
Convém tomar nota das razões apontadas para não fazer «comentários aos tribunais, ao Ministério Público ou ao PGR», quando se ouvem tantas críticas de governantes ao Tribunal de Contas ao PR, etc. Contradições?
Quando fala da «admissão de mais dois mil homens, mil na GNR e os outros mil na PSP», não diz quantos agentes saem por atingirem a idade da reforma, ou por incapacidade física, para se saber qual o saldo positivo.

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Uma nódoa na Comunicação Social

Costuma dizer-se que «no bom pano cai a nódoa», mas no caso referido neste artigo do Correio da Manhã, será necessário demonstrar que se trata de bom pano!

Sinto muito
Rui Rangel, Juiz desembargador

Sinto muito, mas a entrevista dada ao ‘Expresso’ por Azeredo Lopes, presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, não pode deixar ninguém indiferente, muito menos os senhores jornalistas. Mas, mais uma vez, a única voz que se ouviu foi a do silêncio. Não sei se foi por terem medo deste ‘patrão’, se foi por subserviência ou falta de consciência profissional e social.

A transparência e a qualidade da Democracia exigem mais destes actores que exercem uma profissão que, sendo nobre, não pode ficar condicionada na sua actividade nem ‘algemada’ no seu espírito crítico. O que se passou foi grave aos olhos do Estatuto dos Jornalista e das legis arte desta profissão, não tanto pela substância da entrevista, que não trouxe nada de novo, mas pela circunstância do entrevistado se ter dado ao luxo de vetar a presença de um jornalista do ‘Expresso’. O direito de informar e de ser informado, em suma a liberdade de expressão, mereciam mais respeito de Azeredo Lopes, quer enquanto cidadão, quer, sobretudo, enquanto presidente da Entidade que regula este sector.

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social, que foi politicamente santificada e que pretende ser um poço de pureza ética, não pode dar este mau exemplo. Nesta fotografia, a preto e branco, todos ficaram mal vistos. Ficou mal visto Azeredo Lopes, que, embora tendo direito à palavra, era a última pessoa a ter o direito de escolher os jornalistas que iam fazer a entrevista (só faltou escolher as perguntas). Se já havia dúvidas sobre as qualidades e a eficácia do funcionamento regular desta instituição a que preside Azeredo Lopes, ao recusar falar com um jornalista, demonstrou que não acredita na regulação nem no seu papel. O direito à palavra nada tem que ver com a escolha dos jornalistas para uma entrevista.

A isenção e a independência que deveriam ser salvaguardadas pela ERC, ficaram à porta com o jornalista vetado. Ficou, igualmente, mal vista a jornalista do ‘Expresso’, Rosa Lima, que aceitou fazer o frete imposto pela sua direcção e conduzir a entrevista sozinha, sabendo que o seu colega de profissão, tinha sido ‘escorraçado’. Seria bom, antes de mais, ler o seu Código Deontológico, para ver se andou bem e se não foram violados os mandamentos da sua profissão. Também ficou mal visto o ‘Expresso’ que, com uma justificação irresponsável e absurda, aceitou fazer este ‘servicinho’. No fundo, o ‘Expresso’, Azeredo Lopes e Rosa Lima estão bem uns para os outros.

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