domingo, 14 de dezembro de 2008

Greve de magistrados ???

A greve é um direito constitucional dos trabalhadores por conta de outrem, mas pelos prejuízos que causa à população utente dos serviços ou Instituições, em vez de prejudicar apenas a entidade patronal, devia ser utilizada apenas em caso extremo, tal como a bomba nuclear o seria em guerra. Mas os estrategas são mais conscientes do que os políticos, os directores e os sindicalistas.

Usam e abusam dessa arma letal por motivos menores. E o povo soberano e inocente é que sofre as consequências.

Tratando-se de pessoas supostamente inteligentes e amantes dos interesses nacionais, que o mesmo é dizer do povo em geral, procurariam dialogar, negociar soluções com seriedade, isto é, com disposição para fazer algumas cedências de uma parte e da outra a fim de chegar a um consenso. Se aos lixeiros de Lisboa falta capacidade de diálogo para conversar e negociar, é muito estranho que entre o Estado e os professores, os juízes e os médicos não haja tal possibilidade.

Nos jornais de hoje encontrei estes três títulos:

- Magistrados do Ministério Público sugerem greve
- Procuradores admitem partir para a greve
- Médicos ameaçam com greve em luta pelas carreiras

Até se dá o caso de os juízes serem considerados órgão de soberania (não democrático porque não são eleitos!), mas já houve um caso em 1975 de um governo ter entrado em greve ! Porém o que choca é a falta de diálogo com as tutelas, o que parece não ser muito adequado a um regime democrático. Mas estes senhores de topo da administração pública ficarão em semelhança de situação com os lixeiros do concelho de Lisboa, igualdade muito desejada por muitos revolucionários do PREC, mas que já podia ser esquecida, como em muitos outros sectores. Até podia ser um exemplo muito positivo para as classes menos privilegiadas, ensinando-lhes formas mais civilizadas de solucionar diferendos sem usar a «bomba atómica»!

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Democracia e não só…(II)

Tenho o prazer de oferecer aos leitores um novo texto do amigo João Mateus que é a continuação do que consta do post publicado no dia 10 e que foi do agrado dos visitantes. Não carece de introdução porque o autor a fez. Ei-lo:

Estava eu a digerir, diria que “modestamente,” a satisfação sentida, já depois da publicação neste blog do meu desabafo “Democracia e não só….”, com a leitura nessa mesma manhã da coluna de Baptista Bastos no “Diário de Notícias” e com o ouvir depois do almoço, na televisão, das palavras do Senhor Presidente da Assembleia da República sobre o dever de assiduidade dos Ilustres Deputados desta Câmara, seguidas agora também das palavras do Presidente da bancada parlamentar social-democrata, estava eu, dizia, nessa digestão ao mesmo tempo que ia pensando na necessidade de uma nova abordagem do problema, mau grado a anterior haver preenchido duas folhas A4, quando, ao abrir o número de hoje, dia 12, daquele Jornal, deparo com um artigo que quase me levava toda a matéria que pretendia focar.

Longe de me desgostar o facto, regozijo me trouxe sim dado o perfil político e intelectual do seu autor, o Dr. António Vitorino, que a nível europeu, para si e para Portugal, logrou um prestígio por poucos alcançado.

Comungando com o articulista, como comungo, da convicção de que a existência de círculos uninominais é um imperativo do bom senso, de resto já com antecedentes na Monarquia Liberal onde, por certo, gerou o famigerado “caciquismo”, não sendo, porém, o facto razão suficiente para impedir a sua reintrodução atenta a circunstância de a cultura política do eleitorado ser hoje completamente outra, e tendo sobretudo em conta que esse sistema, criando uma relação directa entre o eleito e os eleitores que passariam a votar numa pessoa a quem poderiam pedir responsabilidades, deixariam de votar numa espécie de sociedade anónima de responsabilidade mais que limitada e de sócios ilustres desconhecidos.

Desta forma, sentiriam os Senhores Deputados que o eram por força do voto de um povo que neles confiou e não mais em resultado de uma proximidade às respectivas cúpulas partidárias, deixando de se comportar como funcionários dos partidos, por eles alcandorados a “Pais da Pátria”, posição bem evidente pela boca de uma Senhora Deputada ao declarar na televisão que tinha serviço do seu Partido no Algarve, que era mais importante que as suas obrigações no Parlamento, ou mesmo na sobranceria de outra que considera que as faltas dos Deputados são uma questão de política com “p” pequeno…

Perigo seria o desaparecimento do pluripartidarismo, podendo o Parlamento tornar-se, no limite, monocolor. A isso também a resposta é óbvia e já esteve no terreno com as recentes eleições regionais nos Açores onde já se votou também num círculo regional não personalizado, antes virado para a representação proporcional.

Mas outro problema existe e esse nem de longe tocado no meu desabafo anterior ou em qualquer intervenção do meu conhecimento. Ser politicamente incorrecto poderá ser causa do silêncio. A crítica às pessoas vá que se tolera mas ao sistema, mesmo que virada a pormenores e bem intencionada, é já outra coisa.

E o caso é que o princípio da separação de poderes, teorizado por Montesquieu mas já latente em John Locke e mesmo em Aristóteles, apesar da sua bondade, tem dentro de si, como toda a obra humana, os germes da sua própria destruição ou, ao menos, de alguma virose. E um, bem patente neste momento e que se não pode esconder, é a falta de algo que possa evitar o descarrilar de um dos poderes, no nosso caso do Legislativo. Se, e bem, o Poder Judicial não faz as leis por que se rege nem as leis que aplica aos cidadãos, se o Poder Executivo tem os seus instrumentos de acção balizados pelo Legislativo e a sua própria acção por ele fiscalizada, se o próprio Chefe do Estado no uso mesmo do seu direito de veto pode ser ultrapassado pela vontade, ou pela teimosia, da Assembleia, por que peregrina razão os Deputados podem sem qualquer fiscalização dispor e julgar em causa própria? Não são eles que, de uma forma ou de outra, fixam as suas próprias funções, as suas próprias regalias, as suas próprias obrigações em relação àquele que é a sua única razão de ser: o Povo? Desdobramento de personalidade? Heterónimos pessoanos? Já se alinham as virgens púdicas clamando que é o Povo, através deles, como constituintes, que faz a Constituição e a altera se for preciso e que fixa os seus poderes e que são eles, representantes constituídos, que vão funcionar nos termos que….a si próprios fixaram e que será o dito Povo que na eleição seguinte os julgará… politicamente.

Prova cabal dos factos que aduzo constituirá, por certo, a sugestão de um Vice Presidente do Parlamento para que, se os seus membros faltam à Sexta Feira, se deixe de trabalhar nesse dia… Por que não introduzir essa norma no Código do Trabalho? Já agora dava jeito…

E, quanto ao tal julgamento no fim do mandato… Como? Se, no caso, faltam Deputados de todos os Partidos, em quem votar? Por favor não aconselhem a abstenção a cem por cento… Bastava um desmancha-prazeres em cada círculo para tudo ficar “cada vez mais na mesma”.

Ética, Senhores, Ética é que é precisa……

João Mateus

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Rainha Isabel II, um exemplo a seguir

A Rainha do Reino Unido,Isabel II, apesar de dispor de uma elevada fortuna, dá um exemplo de sensatez na redução de gastos e ordena aos seus familiares e colaboradores mais próximos medidas de contenção de despesas. É um exemplo que deveria ser seguido pelos detentores do Poder cá no nosso pequeno rectângulo. Desde os gabinetes ministeriais, às autarquias, passando por todas as Instituições públicas, serviços públicos e empresas com dinheiros do Estado deviam pôr os olhos nesta decisão da casa real britânica.

Eis o artigo do DN que a isto se refere:

Rainha Isabel II pede à família real britânica para apertar o cinto
HELENA TECEDEIRO

Crise. Peças decorativas de Natal estão limitadas às 7,95 libras

Monarca comprou presentes na China para funcionários do palácio

Este ano, como é tradição, o Palácio de Buckingham vai ter uma árvore de Natal. Mas, como os tempos são de crise, a Rainha Isabel II impôs novas regras: as decorações que irão enfeitar o pinheiro não podem custar mais de 7,95 libras (pouco menos de nove euros). Preocupada com a crise económica mundial, a soberana pediu à família real para dar o exemplo e apertar o cinto.

Dona de uma fortuna avaliada em 320 milhões de libras, a Rainha Isabel II é uma das pessoas mais ricas do Reino Unido. Mas, nem por isso, deixa de se preocupar com a crise que ameaça o sistema financeiro mundial e já obrigou à nacionalização de vários bancos.

Em tempo de recessão, a monarca, de 82 anos, já começou a pensar em formas de poupar. Este ano, encomendou na China os presentes para os funcionários do palácio. Foram mais de mil caixas com bandejas revestidas a prata e vendidas a 20 libras o lote, que serão distribuídas pelos cerca de 400 funcionários nesta quadra festiva. "Ela poupou muito dinheiro com esta iniciativa", disse uma fonte do palácio, citada pelo Daily Telegraph. Este diário britânico garantiu que a soberana quer que a família real transmita a mensagem de poupança aos súbditos. "É pouco provável que voltemos a ver os príncipes William e Harry numa discoteca nos tempos mais próximos", disse à AFP Nicholas Davies, autor de vários livros sobre a monarquia britânica.

Conhecida por se preocupar sempre em manter as luzes do Palácio de Buckingham apagadas nas salas que estão vazias, Isabel II tem, inclusive, reduzidos os gastos com o guarda-roupa. Numa visita de Estado à Eslováquia e Eslovénia, usou um vestido criado a partir de um tecido de brocado cinzento bordado a ouro, que recebera numa visita ao Médio Oriente há mais de 20 anos. E, num passeio pelo centro de Liubliana, usou um conjunto vermelho que estreara em Abril. Esta forma de contornar a etiqueta é habitual na Rainha, mas nos últimos meses tem-lhe sido dado novo significado, relacionando-a com uma forma de mostrar a preocupação com a crise. Uma espécie de adesão à "credit crunch couture", como a classificou a imprensa.

Numa recente visita à London School os Economics, a Rainha, que não tem hábito comentar assuntos políticos, considerou a crise financeira "lamentável" e interrogou-se: "Como é que ninguém percebeu o que estava a acontecer?"

E se Isabel II pode ter dificuldade em convencer os netos a aderirem à austeridade, o marido, o príncipe Filipe é conhecido por continuar a usar aos 87 anos, calças que comprou há mais de três décadas.

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sábado, 13 de dezembro de 2008

Turismo a encarar de forma consistente

É vulgar ouvir-se dizer que o futuro de Portugal depende do turismo. Mas a sorte não cai no prato sem ser cozinhada. O artigo a seguir transcrito evidencia que se trata de uma actividade económica que exige pensamento profundo, coerente, lógico e abrangente de actividades convergentes e interactivas.

O Dubai, perante as perspectivas do fim do petróleo como «ouro negro»,teve uma ideia inteligente, a de estruturar a sobrevivência do País com recurso a outras fontes de divisas e concluiu que o turismo e as novas tecnologias (informática) bem poderiam ser a chave do futuro.

Mas lá, tal como tinha acontecido no Algarve, cometeram o erro de pensar que o turismo se esgota no «bronzeamento dos presuntos» e construíram abundantes instalações hoteleiras perto da areia das praias.

Também não basta criar campos de golf nos terrenos que sobram nos estreitos intervalos da densa rede de auto-estradas. Em Portugal há muita riqueza para atrair estrangeiros que, além do bronze, procurem aumentar a cultura e os conhecimentos na ânsia de manter o cérebro activo e adiar a chegada do Alzheimer. Desde os marcos históricos da antiguidade, mais ou menos remota, como os castelos e fortalezas ao longo da fronteira, as Linhas de Torres, Aljubarrota, Montes Claros, Buçaco, Almeida, às antigas aldeias de Monsanto, Sortelha, Tibaldinho, etc., há o património museológico industrial e agrícola, e as indústrias tradicionais como a louça de barro preta, em que se destacam Molelos, na encosta Leste do Caramulo, Bizalhães na encosta leste do Marão e Ribolhos no concelho de Castro Daire.

Da louça de barro preta, as três referidas são diferentes entre si e os entendidos não têm dificuldade em as identificar. Por exemplo a de Molelos é tão perfeita que chega a ser confundida com lindas peças de estanho, minério muito abundante na zona.

Isto serve para dizer que apostar no turismo não é para amadores, mas para pessoas com grande capacidade de definir a globalidade do problema para dele ser tirado o máximo proveito em todos os aspectos. Por exemplo: que proveito Portugal tem tirado das pegadas de dinossauro em Belas que ocasionou um acréscimo de quase três milhões de contos na construção da CREL, ou da Pedreira do Galinha em Mira Daire comprada pelo Estado por quase um milhão de contos, ou das gravuras de Foz Côa que fizeram parar a barragem onde já tinham sido investidos mais de 20 milhões de contos, e que impediu reduzir a dependência do petróleo tão nocivo para a atmosfera e o efeito de estufa.

Precisamos de bons políticos e de elites pensadoras prestigiadas que sejam ouvidas antes de serem tomadas decisões de fundo.

Eis o artigo referido:


CRÓNICA DE O 'EXPERT' IGNORANTE
Ferreira Fernandes

Quando os americanos aboliram a polícia e o exército iraquianos, lamentei não me terem contratado para conselheiro. Ter-lhes-ia dito: eh pá, matem os generais mas passem a mão pelo pêlo a uns coronéis. Nenhum país, sobretudo invadido, pode prescindir de oficiais locais (e de exército e de polícia). Mas ninguém me quis ouvir. Agora, foi com o Dubai. Ao princípio também fiquei impressionado com aquelas ilhas em forma de palmeira gabadas pelo Beckham e pelo Figo, aquele prédio mais alto do mundo, aquelas construções desenfreadas e propostas para que os turistas as comprassem. Um dia, fui lá. Dar um passo fora da porta era ficar com os óculos embaciados pela fornalha exterior. E porquê sair quando a cidade era cimento armado sem um só velho bairro árabe para visitar? Por essa altura, as melhores revistas mundiais tinham páginas sobre o El Dorado dos investidores imobiliários. Mas quem poderia querer uma casa num lugar impossível de viver, quanto mais fazer turismo? Esta semana, eis a capa da Newsweek: "Dubai, acabou a festa!" O mundo está perigoso quando eu, nulidade em defesa e em economia, sei mais que os senhores do mundo.

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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Alertar, reclamar, denunciar é um dever cívico

Como ficou dito no post Crítica positiva precisa-se, é imperioso que cada cidadão que encontre algo a merecer alteração para melhor, em benefício das pessoas em geral, deve reclamar, informar, sugerir. Dessa forma, exerce um dever cívico de cidadania colaborando no bom encaminhamento da governação para criar melhores condições de vida para os cidadãos. Muita coisa indesejável acontece porque os funcionários dos respectivos serviços não tiveram conhecimento ou porque, por comodidade ou outras razões, fecharam os olhos. Por isso, muitas situações permanecerão, com todos os inconvenientes, durante anos sucessivos, se os vizinhos, os que notarem a irregularidade não alertarem para ela.

O DN noticia uma dessas situações que, apesar de ser do conhecimento das autoridades competentes há cerca de dois anos, continua por solucionar.

A Liga Portuguesa para os Direitos dos Animais (LPDA) fez denúncia à Procuradoria-Geral da República de que num terreno do Ministério da Agricultura, uma quinta junto ao Hospital Amadora-Sintra, há algumas dezenas de animais a morrer em condições deploráveis. Trata-se de cavalos, vacas, cabras, ovelhas, porcos e muitos cães e o caso é do conhecimento público pelo menos desde 2006, data em que a quinta foi inspeccionada pela ASAE. Mas, em Outubro, foram encontrados cinco cadáveres em decomposição.

"Os moradores contam que o indivíduo que explora o local foi julgado em 2006 e impedido de continuar no negócio de carnes, tendo-lhe sido retirada a licença".

O Gabinete Médico Veterinário de Sintra, adiantou que no dia 21 de Outubro foram detectadas naqueles terrenos cinco carcaças de vacas e de um equídeo, "uma delas a ser consumida por uma porca", assim como algumas dezenas de animais vivos em más condições. O alerta tinha sido dado pela Protecção Civil, após denúncias de frequentadores do cemitério de Queluz, tendo o Gabinete ordenado e verificado a remoção das carcaças e informado a Direcção-Geral de Veterinária (DGV).

O gabinete de imprensa do Ministério da Agricultura admite que "em Novembro a DGV recebeu um relatório inconclusivo da veterinária municipal, mas só se deslocou ao local na quinta-feira (4), data em que notificou o dono dos animais para, no prazo de oito dias, proceder ao abate em matadouro de todas as espécies, excepto os bovinos, dado que tem licença para os ter".

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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Falta de civismo

Ao meu amigo Luís, comentador assíduo deste espaço, agradeço ter-me enviado esta transcrição de uma carta ao director da Revista do ACP que vem reforçar o muito que aqui tem sido dito acerca da carência de valores, de princípios, de normas de conduta na convivência social. Mesmo os animais selvagens, como se pode ver em canais de TV que dão espaço a tais temas, respeitam regras de conduta, prioridades aos mais idosos, às crias, às fêmeas, aos deficientes com dificuldade em acompanhar a manada. Mas, infelizmente, na nossa sociedade actual reina a falta de respeito pelos outros, pelas leis, pelas boas regras, imperando a ambição de mais dinheiro, mais velocidade, mais espectáculo, mesmo que isso traga graves danos para os outros utentes do espaço público. Nem sequer podemos dizer que reina a lei da selva, porque os animais selvagens são mais «civilizados» como referi atrás.

Falta de Civismo

Serei pessimista ou quem sabe, realista, afirmando que tanto os portugueses como as portuguesas são mal comportados no trânsito pedonal ou automóvel, porque padecem de um mal comum, não têm educação cívica, isto falando da maioria dos cidadãos, não na totalidade, felizmente.

Se caminhamos pelo lado direito de um passeio, somos muitas vezes ultrapassados por quem de seguida pára à nossa frente para ver uma montra. Chegou primeiro e isso ilumina o seu ego, porém se esse indivíduo vai ao volante de um carro numa estrada, numa rua, numa recta ou numa rotunda, procede da mesma forma, inconsciente, por carência da tal educação cívica que afecta ambos os sexos.

Da mesma forma, muda de faixa nas curvas e, nas rectas então, por não saber ou não se aperceber das regras de trânsito que não aprendeu na escola de condução, ou já esqueceu, salta da primeira para a terceira faixa ou vice-versa, sem sequer avisar.

As setas e os sinais de perda de prioridade pintados no piso, raramente são respeitados por condutores de ambos os sexos que aceleram onde não devem, mas se são avisados da proximidade de radares que impõem a velocidade máxima de 50 km/h, afrouxam repentinamente para os 40 km/h.

São os mesmos que ao verem um polícia abrandam e procuram, na sua simplicidade, cumprir as normas de trânsito.

Só o medo os trava.

Resumindo: seja homem ou mulher, o automobilista sofre da mesma insuficiência, mal que não tem remédio, porque os seus pais e os seus professores não lhe transmitiram aquilo que infelizmente não tinham: civismo.

E porque não há regra sem senão, a minoria que se respeita e respeita os seus semelhantes, se conduzir à defesa pode reduzir mas não pode impedir a ocorrência de acidentes.

Falo de homens e mulheres, porque o problema não está no sexo.

João Lopes dos Reis, sócio 4671 do ACP"

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Portugueses mais pobres

Alerta-se para que os dados referidos no artigo do Público que se transcreve referem-se à média estatística, o que quer dizer que à maior pobreza da maioria corresponde o enriquecimento dos privilegiados com «tachos dourados» e «reformas milionárias acumuladas» como circula em abundância pelos e-mails e vem ocasionalmente nos jornais, como as notícias referidas aos patrões do BPN do BPP e do BdP, além de muitos outros.

Portugueses perderam poder de compra entre 2005 e 2007 e estão na cauda da Zona Euro
Por Lusa, PÚBLICO. 11.12.2008 - 13h50

Estes dados não incluem este ano de forte abrandamento económico, em particular do consumo
Dados do INE elaborados com base no Eurostat

Os portugueses perderam poder de compra entre 2005 e 2007 relativamente à média da União Europeia e Portugal surge na cauda da lista dos 15 países da Zona Euro, com o pior poder de compra de todos, nos 76,2 por cento, segundo dados hoje apresentados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

O Produto Interno Bruto (PIB) por habitante expresso em Paridades de Poder de Compra (PPC) elevou-se no ano passado a 76,2 por cento, face à média europeia, de acordo com as estimativas do INE que têm por base informação do Eurostat.

Esta avaliação não inclui os dados deste ano, onde se verifica uma deterioração acentuada das condições económicas das empresas e das famílias, dificuldades acrescidas de acesso ao crédito e o agravamento do preço dos produtos alimentares e dos combustíveis até, pelo menos, Outubro deste ano.

Em 2005, o poder de compra português correspondia a 76,9 por cento da média da UE (valor final apurado) e em 2006 era de 76,4 por cento, de acordo com as estimativas elaboradas pelo gabinete de estatísticas da União Europeia.

Trata-se da segunda queda consecutiva de Portugal no indicador anualmente calculado pelo Eurostat para avaliar o poder de compra dos países da União Europeia, com o objectivo de estabelecer comparações sobre a riqueza "real" (sem efeito da inflação) dos 37 países analisados.

O INE adverte, contudo, que "os resultados publicados devem ser analisados com alguma prudência, quer devido a limitações de ordem metodológica, quer a deficiências de homogeneidade que ocorram eventualmente na informação de base".

Os cálculos para a elaboração desta tabela do Eurostat são feitos com base nas estimativas da paridade de poder de compra (PPC), uma moeda artificial que tem em consideração os níveis de preços domésticos e as taxas de câmbio, permitindo tornar comparáveis alguns indicadores económicos e ajustar os valores absolutos do PIB de acordo com o custo de vida em cada país.

Portugal surge no 22º lugar de uma lista liderada pelo Luxemburgo, país onde o poder de compra é mais de duas vezes (266,6 por cento) superior à média da UE, que assume o valor de 100 por cento.

Entre os 15 países da Zona Euro, Portugal é o país onde o poder de compra é mais baixo em relação à média da UE, seguido de Malta (77,4 por cento), Eslovénia (89,3 por cento), Chipre (90,8) e Grécia(94,9 por cento).

O PIB "per capita" expresso em PPC dos restantes dez países encontra-se acima da média da UE.

Este indicador da riqueza de cada Estado-membro varia entre 37 por cento na Bulgária e 267 no Luxemburgo.

O Estado-membro vizinho de Portugal, a Espanha, tem um nível de riqueza seis por cento superior à média comunitária.

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Lisboa cheira a... lixo

Um mal entendido entre os autarcas de Lisboa e os trabalhadores da Câmara responsáveis pelos serviços de limpeza da cidade está a transformar a cidade numa lixeira lesiva dos direitos dos moradores que estão habituados à recolha organizada de lixo desde a 1496, ano em que D. João III contratou homens para o fazerem.

Os moradores pagam as suas contribuições para isso e votaram na actual vereação para que esta defenda os seus legítimos direitos e actue de forma responsável para o bom funcionamento dos serviços municipais. Se houve desentendimento, os autarcas devem ser pessoas capazes de dialogar frontalmente por forma a ser obtida a melhor solução para os legítimos interesses dos contribuintes.

Os interessados poderão obter mais esclarecimentos no artigo do JN que se transcreve

Greve deixa Lisboa a cheirar mal
Ricardo Paz Barroso

Cerca de 4500 toneladas de resíduos esperam na rua ao fim de cinco dias sem recolha

Quatro dias de greve à recolha do lixo foi o suficiente para transformar Lisboa, que produz em média 930 toneladas de detritos por dia, numa cidade malcheirosa, com restos de comida e outras imundices em ruas comerciais e turísticas.

João Martins, 60 anos, dono da mercearia Morgadinha da Graça, sente bem na pele os efeitos dos quatro dias de greve dos cerca de dois mil trabalhadores da higiene urbana da Câmara de Lisboa.

O que perturba este merceeiro não é "apenas" o lixo acumulado nas ruas, impedindo passeios e emanando cheiros nauseabundos. É que João Martins, trabalhando sobretudo com hortaliças, frutas e carne, tem de guardar todo o lixo que a Morgadinha da Graça tem vindo a produzir nas duas carrinhas que possui. "Se o deitasse na rua, o cheiro piorava e a rataria logo infestaria o local".

É difícil constatar se todos os comerciantes tiveram o mesmo espírito de abnegação. Mas, numa ronda rápida pela cidade, facilmente se percebe que nem todos podem, ou estão dispostos, a usar a viatura própria para guardar o lixo enquanto dura a greve dos trabalhadores camarários, que hoje termina. Só amanhã é que deverá ser retomada a normalidade na recolha de resíduos.

Segundo os sindicatos (dos Trabalhadores do Município de Lisboa e também o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local), a adesão à greve tem sido superior aos 90%.

Aos quatro dias de greve, soma-se o facto de não haver recolha de lixo ao domingo. Segundo os cálculos do JN, usando os dados disponíveis no site da Câmara de Lisboa (de 2006), o concelho de Lisboa - e os cerca de dois milhões de pessoas que frequentam diariamente a cidade - produz 930 toneladas de lixo por dia, ou seja mais de 340 mil por ano. Os primeiros registos de recolha organizada de lixo em Lisboa remontam a 1496, ano em que D. João III contratou homens para o fazerem.

Os trabalhadores da Câmara partiram esta semana para a greve por causa de uma eventual privatização dos serviços de limpeza na cidade. O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, garantiu que tal não vai acontecer e que a autarquia apenas pediu um estudo sobre a possibilidade de adjudicar a limpeza e varredura de ruas a uma entidade externa e só em duas zonas da cidade.

Os funcionários da higiene urbana ripostam pedindo a contratação de 200 cantoneiros e a compra de mais meios e equipamentos.

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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Crítica positiva precisa-se

Há pouco ouvi o Dr. Mário Soares, como velha raposa, macaco de rabo pelado, homem de cabelos brancos a quem a vida deve ter ensinado muito, dizer que no momento presente, mais do que criticar e destruir o que existe, é fundamental apontar novas soluções, propor novas pistas para construir um País mais rico e justo. As palavras não foram estas, mas foi esta a ideia que captei por estar sintonizada com o muito que aqui tenho escrito insistentemente. Entendo que criticar de forma positiva é isso.

Curiosamente, hoje o jornal gratuito «Global Notícias», traz na página 2 dois pequenos textos com muito interesse pela forma como tratam a crítica positiva. Aqui os deixo para consulta e apreciação dos visitantes.

DEFENDER A CULTURA DA RECLAMAÇÃO
Silva Pires

Reclamar é um acto legítimo que, para os portugueses, as mais das vezes se resume a uma discussão sem efeitos. Ir até às últimas consequências é trabalho a que poucos se prestam, seja por comodismo, seja porque a burocracia complica aquilo que devia ser simples.
Nos meses de Agosto e Setembro, 21 cidadãos reclamaram o reembolso de portagens de auto-estrada, sobretudo devido ao tempo de espera provocado pela realização de obras. Ninguém foi reembolsado. Ainda assim, é de louvar a atitude destes 21 automobilistas. Todos ganhamos com o simples facto de haver quem leve até ao fim o direito de se sentir mal servido.
Faltam mais pessoas assim.

CRÓNICA EM JEITO DE MANIFESTO
José Jaime Costa

Era uma vez a “choldra”, como dizem que dizia o rei barbaramente assassinado no Terreiro do Paço.
Era uma vez o país estreito dos “brandos costumes” que nunca o foram.
Era uma vez a feliz confusão do Abril inevitável.
Era uma vez o “bom aluno da Europa” que em vez de crescer inchou com os mesmos vícios de sempre.
Era uma vez...
Mas agora é a sério! A cabeça já bateu no chão!
Chega pois de choradinhos, corrupções descaradas e impunes e mitologias sebastianistas.
Chegou o tempo dos que são iguais aos demais, e nada têm a dever ou a temer.
Chegou o tempo de usar tudo o que ensinámos e aprendemos.
Chegou enfim o tempo de nos voltarmos a “inscrever” no mundo.

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Democracia e não só…

Esta análise, muito interessante e pormenorizada, embora se possa discordar, em alguns pormenores, o que dará oportunidade a comentários de igual nível, foi-me envida por e-mail pelo meu amigo Dr. João Mateus, já aqui conhecido dos visitantes, por textos de bom nível literário e esclarecida opinião. Para o autor os parabéns pelo trabalho e os agradecimentos por tê-lo oferecido para publicação.

Independentemente do gosto ou desgosto que o facto para cada um de nós possa acarretar, e abstraindo mesmo das simpatias pessoais, legítimas, por esta ou aquela cor, a realidade nua e crua, no tempo em que vivemos, e como vem acontecendo, aliás, desde inícios do século XIX, é que a democracia parlamentar, aquele sistema a que Churchill terá chamado o pior dos regimes…tirando todos os outros, é o único antídoto que se nos oferece contra maleitas como as ditaduras vigentes no Zimbabwe, na Coreia do Norte, no Irão e noutros países sujeitos a governos autocráticos, confessionais ou não, regimes que, aqui ou ali, não deixarão de subsistir, quando mais não seja como situações de ausência de saúde, que são, e até que, algum dia, se atinja o fim da História.

E democracia, no estádio actual da civilização, subsidiário do espírito da Revolução Francesa, de 1789/99, para quem se não lembrar, é a democracia pluripartidária já que, perdida no fundo dos tempos a memória do Estado-Cidade, em que os chefes de família, os cidadãos, reunidos em assembleia, eram os detentores do poder supremo, os partidos políticos, também conhecidos como máquinas de assalto ao poder, se tornaram as únicas forças aptas a arregimentar as populações para a escolha dos seus governantes, numa visão idílica considerados mandatários do povo. E máquinas de assalto ao poder que serão principalmente quando, como vem sendo moda, abandonam as ideologias, caídas em desgraça, mas que eram a única garantia de um mínimo de princípios éticos, republicanos ou não pouco significará, desde que não desmereçam dos das monarquias nórdicas europeias. Porque, perdida a ideologia, se passam eles a definir pela pessoa do seu chefe, caudilho em construção, ou até por um simples ícone no género do burro e do elefante.

Nesta situação, que é aquela que atravessamos, e conhecidos os resultados dos sistemas bi-partidários, sejam mesmo duas só as forças políticas em confronto ou seja o efeito o mesmo pela irrelevância dos demais partidos, resultados esses bem patentes na história da nossa Monarquia Liberal e da nossa Primeira República, o factor mais importante para que se possa viver realmente em democracia, tendo como razão suprema do nosso agir a “res publica”, é a existência de um espectro político equilibrado em que todas as correntes de opinião não anti-sistema tenham realmente uma força política que as possa representar, em que se revejam e que seja facilmente identificável no xadrez político.

E, assim sendo, creio que, entre nós, neste momento, nenhum dos parceiros verdadeiramente em jogo estará a mais em cena. PS., PSD., PCP., CDS/PP., e BE., os que em nome próprio estarão realmente representados no Parlamento, são todos por igual relevantes, são todos por igual necessários, e outros mais o serão por certo, quando mais não seja se nos dermos conta de que, curiosamente, nenhum se confessa de direita….e a direita, democrática, é tão legítima quanta a esquerda….

E aqui reside um ponto da maior relevância. É a insustentabilidade da manutenção no tempo de um quadro em que os partidos, mais semelhantes a personagens de uma “Floresta de Enganos”, sejam tudo menos aquilo que pretendem parecer, em que se colem um rótulo mas tenham uma prática oposta, na ânsia infrene de pescar em todas as águas. Proclamar-se de esquerda, mas encostar-se ao centro, dizer-se social-democrata, mas estar à direita, moderada que seja, afirmar-se do centro, mas perfilar-se à direita pura, são manobras que, para além de despidas de ética, não garantem um sucesso mais que falacioso e conduzem a uma perda de credibilidade do actor e do próprio sistema, que lenta mas inexoravelmente a um desinteresse popular cada vez maior, a uma abstenção crescente e ao definhar de uma consciência política que obstaculize qualquer aventura anti-democrática.

Também, para além dos partidos, o homem não poderá ser esquecido e, ao falar do homem, falo do actor individual da cena política. A ética é essencial, mas um falso moralismo é fonte de todos os perigos. Queixa-se, quem está atento aos acontecimentos, da mistura, diria mesmo da promiscuidade, entre a política e os negócios, e até é verdade que existe. Mas por que nos negamos a ver que os nossos políticos nos lugares mais representativos e mais responsáveis são aflitivamente mal pagos? Será o Chefe do Estado, será um qualquer Ministro menos que um Director, não digo um Administrador, digo um Director de um Banco? E um Presidente de um Supremo Tribunal? E um Chefe do Estado Maior das Forças Armadas, por exemplo? Quem não se lembra de qual era o vencimento de um Director Geral no Ministério das Finanças requisitado a um Banco em que era um dos Directores e que, podendo optar, optou pelo vencimento de origem, muito superior ao do Chefe do Estado?

Terá isto justificação? Não tem, não tem e não tem….

Quem é escolhido para servir o Estado e aceita fazê-lo deve ser pago em função do serviço que se lhe pede e se lhe exige. Simplesmente, haverá que equacionar quantos Ministros, quantos Secretários de Estado, quantos Deputados ou quantos assessores são necessários para a dimensão do País e depois, haverá que lhes exigir dedicação exclusiva às suas funções e trabalho ao nível das suas remunerações.

Políticos em “part-time”, Deputados que se poderá dizer que o são em regime de avença, que deixam o Parlamento porque têm um julgamento, como advogados, àquela hora, ou que vão de fim de semana mais cedo sob o pretexto de contactos com os eleitores quando sabem que há votações cruciais, é algo de inconcebível.

Se, por exemplo, um Juiz o é em regime de dedicação exclusiva, se um simples Notário, no tempo em que era funcionário público, estava sujeito a esse mesmo regime, salva a excepção para lugares nos meios mais recônditos, será admissível que os Senhores Deputados sejam “biscateiros”? Já imaginaram um Juiz a deixar um julgamento mais prolongado para ir atender um cliente em actividade privada com hora marcada? Pague-se aos Deputados em condições, permita-se a opção por rendimentos profissionais superiores quando os seus méritos justifiquem a sua escolha para o lugar, mas dignifique-se a função e não se queira fazer do Parlamento um lugar de pousio para políticos de reserva, nem dos gabinetes ministeriais, ou até autárquicos, centros de estágio para recém licenciados que certamente ganhariam outro “calo” exercendo uma profissão que os pusesse em contacto com a realidade da vida, com o dia a dia de um povo que até poderiam ficar a conhecer melhor.

E quem sabe se assim não se estaria a conseguir diminuir o número dos que na política só procuram o direito ao título de “Ex-Ministro” para o cartão de visita.
João Mateus

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