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sexta-feira, 13 de junho de 2008

Mais um caso de jovens válidos

Na sequência de posts acerca de sinais positivos vindo das gerações mais novas, trago aqui este que acho interessante quanto a criatividade e inovação nas ideias e projectos sociais.

Segundo notícia do DN, Estudantes projectam hotel de turismo étnico no bairro problemático da Cova da Moura, no concelho da Amadora.

Quarenta alunos do terceiro ano de arquitectura da Universidade Autónoma de Lisboa deslocaram-se a este bairro, para elaborarem um trabalho de Arquitectura em que criam um hotel de turismo étnico que possa lançar uns ares de contemporaneidade naquele bairro carenciado.

Os professores Madalena Menezes e Manuel Vicente, tiveram a ideia e propuseram a jovens futuros arquitectos do terceiro ano imaginar um equipamento com funções culturais e lúdicas, capaz de aproximar os moradores e os visitantes de uma zona que era desconhecida de todos eles.

Da primeira visita todos ficaram sensibilizados pelo desequilíbrio contrastante entre o interior e o exterior do bairro, e também pelo "ar genuíno" e pela "vivência de rua" da comunidade local, maioritariamente oriunda de Cabo Verde e com escassos recursos financeiros.

Como disse o professor Manuel Vicente "Quisemos levar-lhes a modernidade, a contemporaneidade, para que a Cova da Moura pudesse transformar-se a partir de dentro, com as pessoas a quererem mudar e a olhar para o bairro como um sítio agradável e confortável". Acrescenta que "Isto foi apenas um exercício, mas seria óptimo que houvesse um investidor inteligente com vontade de introduzir pequenos focos de 'infecção' como este, que fossem trabalhando o tecido existente segundo uma transformação orgânica, sem 'colonizadores' do exterior".

Um dos alunos, João Simões, cujo trabalho encantou a Associação Cultural Moinho da Juventude - uma das mais conhecidas da zona -, foi um dos estudantes a responder ao desafio, tentando criar um "espaço público de referência" que pudesse servir de exemplo às restantes construções e inserir os hóspedes entre os residentes.

Fascinado por um edifício localizado no interior de um dos principais quarteirões da Cova da Moura e por um pequeno largo resguardado junto ao mesmo, o estudante concebeu vários volumes, ocupados sobretudo por quartos diferenciados (de 'singles' a apartamentos para famílias), um café aberto para duas ruas, um restaurante, uma florista, um supermercado, um banco, uma livraria de consulta livre e uma sala polivalente que se poderia transformar em auditório e abrir para a praça.

Uma piscina com vista para o bairro, no topo de um dos edifícios, e dois longos bancos e uma grande árvore, no largo resguardado pelas construções, reforçam a intenção de evitar qualquer afastamento entre visitantes e moradores.

"Neste bairro a vida parece realmente funcionar. Talvez o que falte é um espaço de celebração desta comunidade, um espaço onde se possam reunir, festejar", escreve João Simões na descrição do seu trabalho, que, a par das propostas dos colegas, poderá ser hoje conhecido na Cova, durante a celebração da festa cabo-verdiana "Kolá Son Jon".

Haverá entre os moradores do bairro capacidade para angariar fundos para um investimento como o imaginado por João Simões? Ou haverá algum investidor estanho ao bairro que queira abraçar a ideia e dar um salto pela positiva na recuperação da imagem do bairro? Falar mal de um bairro problemático é fácil, mas também não parece difícil apoiar a sua modernização, colaborando na melhoria das condições de vida e convívio dos seus residentes e visitantes. Só é preciso vontade e coragem. Há investimentos com maior risco.

Deixo aqui os links dos três últimos posts sobre as potencialidades dos jovens. No post mais antigo podem ser encontrados links de muitos outros posts.

- Jovens em voluntariado louvável
- Jovens excepcionais
- Jovens válidos são esperança para o País

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sábado, 26 de janeiro de 2008

Sociedade formatada no sistema binário!!!

Quando se escreve ou, por qualquer outra forma, se emite uma opinião, é impossível agradar a todos e qualquer preocupação nesse sentido seria castrante e distorceria o discurso. E, quando se chama a atenção das pessoas para um caso de cariz mais ou menos político que mereça reflexão, aparece alguém, por exemplo o «cenoura» ou «laranja» autor dum comentário a um post que não consegue ver o mundo senão através da óptica partidária, com uns antolhos adequados, mas que não se inibe de arrogância facciosa.

Depois, ou caluniam que é rosa-vermelho, ou fascista de extrema-direita, ou «xuxalista», ou comuna. Parece um fotógrafo de há 100 anos que apenas sabia trabalhar com fotografias a preto e branco. Mas, mesmo esses, eram mais hábeis e artistas pois aceitavam o cinzento mais ou menos escuro, em múltiplas tonalidades de luminosidade.
Pobre mundo esse, formatado em sistema binário, em que há muita gente a pensar em termos de sim ou não, de nós ou os diferentes, de preto ou branco, de cenoura ou os outros. Dessa forma, é impossível analisar a multiplicidade de tonalidades da humanidade ou até de uma sociedade de tão pequenas dimensões como a portuguesa. Um comentador que não sei se será cenoura ou laranja, acusou-me de não ser prático, mas ele ultrapassou a minha teoricidade, só que eu procuro não ser partidário e manter uma imparcialidade e isenção que permita ver o mundo a cores e não a preto e branco, em sistema de sim ou não, coisa que ele não consegue.

E essa estreiteza de raciocínios está na origem de todo o mal gerado pelas más decisões políticas. Por exemplo as decisões oníricas do ministro da Saúde e os seus frequentes recuos, em função das manifestações de populações e autarquias que não foram ouvidas com oportunidade.

Outro caso de obsessão legislativa arrogante vem sendo observado, ao longo de décadas, nas alterações do Código da estrada. Os acidentes continuam; a tragédia não pára. E, embora as leis existentes, se fossem cumpridas, evitariam essa sangria, os governantes decidem alterá-la agravando as multas e dificultando a vida às pessoas. Mas as novas leis também não são cumpridas e os resultados são a continuação da sinistralidade rodoviária.

Oxalá que os nossos anjos da guarda não nos abandonem completamente!

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segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Luther King sempre vivo

Transcrição seguida de NOTA:

Martin Luther King faria amanhã 79 anos
Isabel Stilwell, Destak 080114

Não somos todos iguais. Há quem se conforme ao mundo tal e qual o herdou, e há quem o transforme num sítio melhor, normalmente pagando a ousadia com a morte.

Morte que só reforça a sua força, sendo então capazes de mover mesmo aqueles que se mantinham de braços cruzados, porque sabemos bem que, quem consegue dar a vida por uma causa, já passou para um patamar bem mais alto do que o nosso.

Martin Luther King Jr. foi um desses heróis, e amanhã faria 79 anos, se não tivesse sido assassinado a 4 de Abril de 1968, há precisamente 40 anos. Pastor baptista, Luther King defendia a "não-violência" como forma de lutar contra as injustiças, e através dela conseguiu acabar com muitas das desigualdades de direitos que atingiam, de forma gritante, os negros e as mulheres. A sua primeira intervenção pública aconteceu em 1955, quando organizou o boicote ao sistema de transportes públicos que obrigavam os negros a viajar apenas nos lugares de trás dos autocarros. O boicote durou 382 dias, e a empresa acabou por mudar a sua política, até porque o Supremo Tribunal declarou esta segregação racial anticonstitucional.

Seguiram-se-lhe centenas de outras, sem que os manifestantes levantassem um dedo contra ninguém, apesar da violência com que a polícia os tratava, e King ter sido preso por várias vezes. Os media noticiaram sem tréguas esta luta e, em 1964, Luther King é galardoado com o Nobel da Paz, o mais novo até hoje a receber a distinção. O seu "poder" estava afirmado, e um ano depois boicotavam as eleições, levando o Congresso a conceder o voto à população negra.

Com a popularidade, cresceu o ódio. O FBI procurou associá-lo ao comunismo, que nunca conseguiu, suspeitando-se do seu envolvimento no homicídio, que ocorreu, a tiro, em plena rua. Horas antes, ao saber que recebera «mais uma» ameaça, disse: «Gostava de viver muito tempo, mas, se não puder ser, paciência. Agora já sei que vamos chegar à Terra Prometida, e é isso que importa.»

NOTA: Luther King, na sua imortalidade nas memórias das pessoas, é um modelo de Homem que merece muita reflexão. A sua tolerância, defesa da igualdade de direitos, repulsa pela discriminação de qualquer tipo, são uma bandeira que cada pessoa de boa vontade gostaria de desfraldar. Mas muitas pessoas, agarradas a interesses inconfessados, ou compromissos pouco claros e sem terem capacidade de raciocínio e discernimento, não aceitam que haja pessoas independentes de partidos, de clubes, isentas e imparciais que ousem pensar livremente, pela própria cabeça. A intolerância, a tacanhez e a insensatez de pessoas de vista muito curta, leva-as a imitar os agentes do FBI que associaram Luther King à ideologia mais repudiada pela América.
Recorda-se que, quando se fala de Direitos Humanos, o que hoje está na moda, não se devem fazer discriminações baseadas em diferenças de cor, de aspecto físico, de porte mais ou menos atlético, de idade, de religião, de ideias sócio-políticas, origem social, região de nascimento, clube ou partido. O respeito pelos direitos do outro, pelas suas legítimas liberdades, constitui o limite das nossas liberdades.

Porém, infelizmente, há quem faça muito alarido em defesa dos diferentes, o que é muito correcto e louvável, mas que alimente um ódio visceral àqueles que não concordam consigo em pormenores, por vezes insignificantes mas intencionalmente sobrevalorizados, em estilo nazista, pidesco ou coisa parecida.

Seria bom para o Mundo, para toda a humanidade, que o exemplo de Martin Luther King Jr. frutificasse, sendo interiorizado nos corações de todo o ser humano digno de o ser.

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quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Sugerir esperanças cria responsabilidades

Já são passados cerca de 40 anos sobre a primeira «Conversa em Família» de Marcello Caetano, em que este teve a frontalidade de mostrar conhecer os problemas que preocupavam os portugueses, fazendo nascer a esperança de lhes dar solução.
Era um assumir de responsabilidades que podia ser a cedência a uma tentação ingénua. Um ano ou mais depois, numa outra conversa – passaram a realizar-se regularmente – veio dizer quase «ipsis verbis» o mesmo que tinha dito na primeira. Era uma confissão de fracasso, de que nada tinha melhorado desde então, uma desilusão.

Recordei esses tempos devido às notícias de hoje de que Cavaco Silva, nas visitas natalícias que vem fazendo, na sequência da sua campanha de combate à exclusão, ouviu alertas sérios sobre " a crescente degradação das condições de muitas famílias". As culpas foram atribuídas ao desemprego e aos empregos cada vez mais precários, que levam a que "quem tem de deixar de trabalhar para acompanhar um filho doente se veja de repente a braços com falta de dinheiro até para pagar a renda da casa". Qualificou o desemprego como "um fenómeno preocupante" e deixou no ar a ideia de que o tenciona abordar mais tarde.

Também, na companhia de D. José Policarpo, cardeal-patriarca de Lisboa, contactou com sem-abrigos com problemas graves de toxicodependência e alcoolismo.

Exortou à esperança, realçando o papel insubstituível do voluntariado e da sociedade civil e estimulando os técnicos e dirigentes a um melhor aproveitamento das boas vontades existentes e apelando aos poderes Central e Local para que ajudem o mais possível as entidades privadas de solidariedade social prestadoras de cuidados que, muitas vezes, o Estado não fornece. Trata-se de um "compromisso cívico" que irá reafirmar nos próximos três anos, até ao fim do seu mandato.

Aproveitou mais um dia do seu roteiro para a inclusão apelando ao governo central e às autarquias locais para "na medida do possível" terem uma atitude generosa em relação às instituições de solidariedade social. Quis deixar uma palavra de estímulo directo aos muitos voluntários que, com grande generosidade, tentam alterar no quotidiano situações de grande exclusão social em muitas instituições espalhadas pelo país que trabalham com idosos, deficientes, crianças e em todos outros domínios". Mostrou vários casos de sucesso e deixou claro, uma vez mais, que o combate à exclusão social "não é só uma tarefa do governo", mas sim "de todos os portugueses sem qualquer excepção."

Esperamos que Cavaco Silva não desista deste seu propósito, embora o êxito não seja imediato, mas são indispensáveis gestos positivos em cada momento. E é muito interessante a ideia de realçar que Portugal não é obra apenas de governantes, mas de cada um, «de todos os portugueses sem qualquer excepção», dentro das suas possibilidades.

Algumas das notícias:
Cavaco mostra exclusão entre a dor e a esperança
Desemprego e exclusão social preocupam presidente
Presidente apela a atitude generosa dos poderes públicos

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sábado, 28 de abril de 2007

António Costa e a Democracia

Ministro critica atenção em torno do PNR

O ministro da Administração Interna, António Costa, criticou ontem o "fervor noticioso" em torno do Partido Nacional Renovador (PNR), recusando-se a contribuir para o que classificou de "publicidade à extrema-direita".

"Espanta-me o fervor noticioso em torno desse partido chamado PNR", declarou o ministro, quando questionado sobre a manifestação que aquele partido tem programada para o 1º de Maio, em Lisboa. Para o ministro da Administração Interna, o PNR "é um partido como outro qualquer e o facto de um partido realizar uma manifestação não tem nada de extraordinário". "Creio que já estamos habituados, ao fim de 30 anos (de democracia), a que os partidos organizem manifestações e, portanto, não contem comigo para contribuir para a publicidade da extrema-direita", acrescentou. António Costa explicou ainda que o direito de manifestação não requer autorização, contrariando notícias que davam conta de que a manifestação do PNR tinha sido autorizada pelo Governo Civil de Lisboa.

NOTA: É de apreciar esta visão global e inclusiva da democracia. Realmente um cozinheiro elabora uma refeição com os ingredientes que tem na despensa e não com outros. E Portugal tem de contar com todos os portugueses. É a prata da casa. Todos somos indispensáveis, não se podendo colocar de lado uns ou outros, porque os que forem marginalizados acabarão por, mais cedo ou mais tarde, criar sérios problemas. Nem sempre, há capacidade para ver o todo com serenidade e tolerância. Muitas vezes, olhamos demasiado para a árvore e esquecemos a floresta. Parece que, no momento actual, essa incapacidade está a manifestar-se, o que não será de bom augúrio. António Costa parece estar no caminho certo. Há que não esquecer que a repressão do antigo regime não impediu que houvesse o 25 de Abril.

Em vez da rotura e da exclusão, será preferível procurar a convergência nos problemas fundamentais do País. Todos são necessários e com direito a participar não desenvolvimento do País. As divergências de opinião não devem ser interpretadas como «guerra» mas apenas como visões diferentes do que será melhor para a Nação. Há interesses de visibilidade e há vaidades e ambições? É natural. Mas o diálogo consegue limar arestas e colocar toda a gente a puxar, à sua maneira, para o mesmo objectivo. Um jardim tem variedade de flores e não apenas uma, com monotonia. Portugal tem de poder contar com todos e cada um, não pode ser contra qualquer cidadão ou grupo de cidadãos, a não ser em casos raros e muito graves, para que todos dele se sintam orgulhosos.

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