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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

PORQUÊ, MARIA LUÍS ???


Transcrição de artigo de opinião de Miguel Alexandre Ganhão, com igual título, seguida de NOTA:

Maria Luís podia dar mais? Se não quis, foi infeliz.

Mas que podia fazer Maria Luís? Podia subir os salários? Baixar os impostos? Não era essa a directriz. A troika definiu a matriz. Ignorou a vontade de Maria Luís.


Este é o nosso fado e a nossa cicatriz... contra isto nada pode fazer Maria Luís. Mas com menos ordenado e mais cortes nas reformas está quase a partir-se o verniz. E quando tal acontecer, o que resta a Maria Luís?

Não estamos propriamente a falar de uma aprendiz, estamos a falar de uma ministra que está convencida daquilo que diz. Uma verdadeira imperatriz, atirada para a frente das depauperadas Finanças de um pobre país. É o primeiro orçamento de Maria Luís... um exercício difícil, cheio de incertezas e que ainda tem de passar pelo crivo do juiz.... se passar... é por um triz, mas será de grande alívio para Maria Luís.

É aguentar, como diz o banqueiro do BPI. Aguentar até que apareça uma nova força motriz que traga alguma esperança a este país.

É a tua sina, Maria Luís. Tens de resolver este problema de raiz. Mas olha para aqueles que hoje castigas, porque amanhã podes ser tu a infeliz.


NOTA: Este texto é uma interessante reflexão, com aspectos poéticos, e um claro e útil alerta, para os perigos que podem advir da indignação do povo. A rima do texto pode sugerir que os políticos e, em consequência, Portugal pode vir a ficar numa RIMA.
De acordo com este alerta veio também a público um outro acerca da sensação de mal-estar no pessoal das Forças de Segurança, que não deve ser desprezada pela tutela. «Quem te avisa teu amigo é».

Imagem de arquivo

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terça-feira, 2 de setembro de 2008

Governo responde à insegurança?

Os portugueses assistiram através de todos os meios da Comunicação Social (e muitos viram com os seus olhos e sentiram na própria pele) à sucessão de crimes violentos que em Agosto criou um sentimento de insegurança generalizado.

O primeiro-ministro José Sócrates, segundo a notícia Segurança: Sócrates diz que Governo respondeu à situação , refutou as críticas ao seu silêncio e disse que «o Governo respondeu à situação», e sublinhou que «o que se impunha é que se agisse, muito mais do que se falasse». E disse que o povo fora informado pelo MAI, mas este apenas procurou ocultar dos cidadãos realidades que eram demasiado conhecidas e preocupantes, só mudando de atitude depois das palavras do PR.

Estas palavras do PM são sábias, politicamente correctas, as esperadas pela população. Mas convém provar a comida antes de a ingerir descontraidamente. Convém pensar qual o verdadeiro conteúdo dessa resposta do Governo? Para um cidadão vulgar, longe dos «mentideros» da política, poderemos encontrar três conteúdos da resposta.

O primeiro aspecto da resposta, a nomeação de um superpolícia, coordenador de todas as instituições com funções de investigação de segurança, parece não constituir resposta porque é um cozinhado que já estava em lume brando há mais de meio ano e veio levantar vários gritos de alarme a chamar a atenção para os inconvenientes de tal solução. Não é por acaso que Alegre critica concentração de poderes policiais, alertando para riscos de governamentalização da investigação criminal que "poderá pôr em causa o princípio constitucional da separação de poderes". Segundo ele "trata-se de uma solução que suscita preocupações numa área tão crucial como a dos direitos, liberdades e garantias".

Os jornais continuam a chamar a atenção para o desconforto dos juízes, os agentes mais especializados e credíveis do funcionamento da Justiça e do reforço da segurança, como se pode ver nos artigos Uma guerra surda por causa das leis penais e < Juízes querem preventiva mais clara nas leis penais.

E estes alertas dos juízes, resulta bem claro na notícia que diz que Traficante de armas ficou em liberdade caso que, como muitos outros, anula o esforço dos agentes das Forças de Segurança e reduz a sua motivação para correr riscos de vida ao deter criminosos, armados e violentos.

Quanto à nova estrutura superior da Segurança Interna, recordo-me da noção, aprendida há várias dezenas de anos, de que em organização tudo deve ser simples de modo a ser fácil traduzir a estrutura num organigrama de linhas verticais e horizontais, em que uma posição depende hierarquicamente apenas de outra, isto é, cada pessoa tem apenas um chefe de quem recebe ordens e a quem presta contas.

Por isso parece-me confusa a criação de mais uma entidade na já complexa estrutura da segurança. As Forças de Segurança dependem do MAI, a PJ e os tribunais dependem do MJ, as Forças Armadas (eventualmente com funções de segurança) dependem do MDN. Até aqui, a confusão é relativamente controlável com um bom sistema de ligação entre os ministérios e, por sua delegação, entre as instituições com informação, oportuna às respectivas tutelas.

Mas, entretanto, foram criados o Gabinete Coordenador de Segurança (GCS) e o Observatório de Segurança, que devem sentir imensas dificuldades no exercício das suas actividades, sem definição de dependência e sem clareza na sua autoridade e no efeito dos seus relatórios. A solução mais adequada teria sido classificá-los como órgãos de apoio e de consulta ao serviço do Chefe do Governo ou mesmo do PR, aos quais relatariam as suas observações sobre os diferentes aspectos da segurança, e esses relatos serviriam de base aos seus chefes (PM, ou PR através do PM) para alertarem os ministros respectivos para os problemas existentes e a necessidade de adoptar as medidas por eles consideradas convenientes. Não haveria atropelos de hierarquia, nem promiscuidades de ingerências menos respeitosas.

Presentemente, para maior confusão, surge um Secretário-geral da Segurança Interna, com uma posição mal definida. Depende do PM mas tem acção sobre quem? Se tiver acção sobre as FS está a colocar em curto-circuito o MAI, se se imiscuir no SIED está a curto-circuitar o MDN, se meter o nariz na PJ está a desconsiderar o MJ. Se estas instituições lhe obedecerem estão a cometer uma falta grave perante a respectiva tutela. Como reagirão estas instituições se receberem ordens, directivas ou sugestões contraditórias da tutela e do SGSI? A quem devem obedecer? Quem tem o direito de lhes puxar as orelhas se falham? Isto põe em risco o sábio princípio de cada elemento tem apenas um chefe de quem recebe ordens e a quem presta contas, a definição de um comando único

O Secretário-geral da Segurança Interna só pode funcionar se for considerado um órgão de apoio e de consulta do PM, com autoridade para observar em pormenor e por dentro o funcionamento das referidas instituições, relatar ao PM e propor-lhe recomendações que ele, se concordar, dirigirá aos respectivos ministros. Não se trata, por isso, de um superpolícia, não manda nas polícias, não desautoriza MAI, nem MDN, nem MJ. É apenas um órgão de «staff» do PM, para questões de segurança.

O segundo aspecto da resposta, a promessa do MAI de em fins de 2009 entrarem para os efectivos das polícias largas centenas de agentes não pode ser considerada uma solução para a onda de criminalidade actual, pode parecer uma solução para curto (a mais de um ano) prazo, mas torna-se altamente explosiva a médio prazo, pela escalada da violência e da repressão, coisa que era muito estudada na estratégia nuclear durante a guerra fria, cerceia a liberdade geral, mas deixa intactos os factores geradores da violência, que é a total ausência de valores cívicos e a injustiça social.

Quanto às polícias, o problema não está na quantidade, mas na qualidade e na forma como está organizada. Há muitos agentes sem a formação adequada e ocupados em funções administrativas e burocráticas, em vez de actuarem como agentes da ordem. Cerca de metade dos efectivos estão nos gabinetes e não saem para o cumprimento das missões de segurança. Outro factor é a má utilização dos equipamentos, em que a informática, do choque tecnológico, nem sequer permite uma boa utilização da informação obtida por todas as polícias para criar sinergias e multiplicar o resultado do trabalho realizado por qualquer delas. Basta ler os jornais para detectar o amadorismo da organização e do funcionamento, apesar de o MAI ter descido ao papel de chefe de esquadra a ensinar como se faz uma escala de serviço!
Mas, além do que vem ao conhecimento público, haverá muitas mais deficiências, coisa que se espera seja melhorada pelo futuro Superpolícia!

O terceiro aspecto da resposta poderá ter sido uma discreta alusão à intensa actividade de rusgas e outras operações dos dias mais recentes que resultaram em apreensões de droga, armas, explosivos, e detenção de muita gente. Mas quanto a isso, há que estar atento. Pode perguntar-se, se as polícias têm capacidade para tal actividade, porque razão não a têm desenvolvido com regularidade para evitar o agravamento vivido no recente mês? Até parece que toda esta azáfama foi desenvolvida porque os ‘maus’ distraíram-se a assaltaram o escritório do advogado do deputado porta-voz do PS, Vitalino Canas. E, tendo tocado num politico do partido do Governo, as forças da segurança foram activadas, à semelhança do ocorrido no fim da primavera de 1983, quando as FP25 andavam a fazer tropelias de gravidade, mas nada se lhes opunha, até que mataram o administrados da Fábrica de Louças Sacavém, amigo do PM Mário Soares, altura em que foram desenvolvidos todos os esforços para meterem à sombra os elementos da organização.

Ou será que a azáfama dos dias recentes serviu apenas para que o discurso do PM tivesse argumento de força para provar que o seu silêncio foi uma táctica e que o importante foram as medidas. Depois desta meditação, embora feita ao correr do teclado, mantenho o ponto de interrogação do título.

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terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Funcionários públicos «porreiros», porque não são políticos!

Uma Justiça 'porreira, pá'
Por Manuel António Pina, Jornalista do JN

Parece que a "Operação Noite Branca" desencadeada pela PJ na madrugada de domingo no Porto só foi possível porque os 202 inspectores que nela participaram o fizeram por carolice, já que o Ministério da Justiça não paga horas extraordinárias fora dos serviços de piquete e prevenção.

Segundo informou, a propósito, a Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal, o Ministério da Justiça apoia-se em duas decisões judiciais, segundo as quais o trabalho da PJ entre as 20 e as 8 horas não tem que ser pago. Combate ao crime em Portugal só, pois, nas horas de expediente. Quando, como aconteceu agora no Porto, a PJ precisa de actuar entre as 20 e as 8 fica dependente de conseguir ou não arrebanhar inspectores que não tenham nada que fazer nessa noite e se disponham a trabalhar e a pôr a vida em risco de borla.

É assim que hoje funciona, em geral, a Justiça em Portugal, por carolice. E se, apesar de tudo, a Justiça ainda vai funcionando é porque tanto inspectores da PJ como magistrados judiciais e do MP não têm, como diz o ministro Alberto Costa, espaço (nem tempo) para "estados de alma" e levam processos para casa e trabalham fora de horas e aos fins-de-semana sem receberem um tostão.

É o "porreirismo, pá" nacional em todo o seu esplendor.

NOTA: Não falta dinheiro para os governantes se rodearem de inúmeros assessores, contratados por critério de confiança política, sem concurso público, apenas para empregar os familiares e amigos do clã, que evidenciam a sua incompetência na (im)perfeição dos documentos que saem dos ministérios, mas que usam o lugar para se catapultarem na carreira política de yesmen, para adquirirem os melhores carros do mercado, como tem sido noticiado acerca da Justiça e da Administração Interna, etc. Mas falta dinheiro para pagar a polícias e militares, a quem se exige a dedicação canina ao dever, sem qualquer compensação adequada, a quem não se reconhece o direito a ter «estados de alma», como se de uma máquina se tratasse. Mas mesmo a máquina exige cuidados de manutenção adequados.

Se os agentes da autoridade se comportassem como meros funcionários públicos, como Governo pretende, onde estaria a segurança dos cidadãos? Por que milagre os criminosos se sentiriam coibidos de praticar excessos? O que impediria que a justiça passasse a ser feita pelas próprias mãos com todos os inconvenientes inerentes? Isto dá muito que pensar, a quem disponha de um cérebro capaz, diferente do dos políticos!

Para bem do nosso País, esperamos que os agentes da autoridade, apesar das dificuldades, continuem a ter os seus «estados de alma», a pensar no seu bem-estar e das suas famílias, mas sem deixarem de alimentar o seu amor a Portugal e de actuar com carolice na esperança de que o seu sacrifício venha a ser devidamente retribuído.

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terça-feira, 16 de outubro de 2007

Polícias diferentes de simples funcionários públicos

PSP chamada à pressa

Por NS, no Jornal de Notícias

A chamada "em cima da hora" de mais de duas dezenas de elementos da Divisão de Trânsito da PSP do Porto para prestarem serviço na cimeira de Lisboa causou indignação no seio daquela força policial, denunciou ontem ao JN uma fonte da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP).

Os 23 agentes, na sua maior parte batedores, foram contactados durante a tarde de ontem, tendo recebido ordens imediatas para se apresentarem hoje de manhã em Lisboa, onde terão de permanecer durante quatro dias.

"A chamada dos agentes deveria ter sido feita atempadamente, mas aconteceu ao último da hora, sem ter em conta os transtornos que tal situação acarreta para os profissionais", sublinhou fonte sindical, questionando igualmente as condições de alojamento. NS

NOTA: E isto acontece apesar do excesso de assessores que enxameiam os gabinetes do Poder. Utilizei mal a palavra «apesar», pois estes erros de confusão, irresponsabilidade e desorganização devem-se precisamente ao excesso de pessoas parasitas do ordenado, sem uma clara definição de tarefas. Como definir e distribuir tarefas se estas são em número inferior ao dos funcionários?!!
Esquecem-se os donos do poder de que uma organização para ser eficiente e produtiva tem de ter obrigatoriamente uma estrutura claramente definida e muito simples, pois a simplicidade é condição essencial para a eficácia, para a responsabilização e para a realização pessoal dos seus recursos humanos.
No caso referido, além a incapacidade de previsão, de planeamento e de comunicação, houve desrespeito pela unidade a que pertencem os batedores que, desta forma, teve de anular e alterar profundamente as acções planeadas, e também houve desrespeito pelos guardas e seus familiares, que foram tratados como simples coisas, ferramentas do poder autoritário que reside na mente de quem decidiu tardiamente. Ao contrário da comparação feita há cerca de um ano entre polícias e simples funcionários públicos, agora aqueles são tratados como não seria possível fazer aos funcionários. Afinal são diferentes.

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sábado, 10 de março de 2007

ESTADO - POLÍCIA

Estado-polícia
10.03.2007, Vasco Pulido Valente

Salazar despachava diariamente com o director da PIDE. Caetano não despachava com o director da PIDE/DGS. Durante trinta anos de democracia nenhum primeiro-ministro despachou em pessoa com qualquer chefe de qualquer polícia. Tudo isto irá mudar. Uma lei já anunciada vai pôr a PSP, a GNR, a PJ e o SEF sob a autoridade de um secretário-geral para a Segurança Interna, com o estatuto de secretário de Estado, que despachará directamente com o eng. Sócrates. Como de costume, esta organização foi copiada. Desta vez, do modelo espanhol. Com duas diferenças. Primeira, em Espanha, o "secretário-geral" está subordinado ao ministro do Interior e não ao presidente do Conselho. E, segunda, em Espanha o terrorismo da ETA e a imigração islâmica teoricamente justificam a necessidade de um único centro de comando.

Em Portugal, nenhum perigo imediato exige que as polícias passem a depender de Sócrates. Pior ainda: o SIRP, que superintende e coordena o Serviço de Informações de Segurança (SIS) e o Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED), dois serviços secretos, também ficará sob a tutela do primeiro-ministro. E a tudo isto, António Costa juntou dois novos meios de fiscalização e vigilância. O bilhete 4 em 1, que reúne o bilhete de identidade, o cartão de contribuinte, o cartão da Segurança Social e o cartão de utente do SNS. E o cartão que reúne a carta de condução, o livrete e o título de propriedade do automóvel.

Com estas medidas, o Governo socialista criou um novo Estado-polícia, que a Assembleia não controla e que não dá ao português comum a menor garantia de privacidade. E, se a privacidade é, como é, o fundamento da liberdade, não lhes concede mais do que uma liberdade condicional e fictícia.

Não se trata aqui do indivíduo Sócrates, que não abusará dos seus poderes. Mas da própria existência desses poderes, que nada impede um sucessor, ou mesmo um ajudante obscuro, de eventualmente desviar para fins perversos. Só que nessa altura será tarde para desfazer a máquina que hoje com tanta inconsciência e sem protesto público se anda a pôr em pé.

Claro que vivemos num mundo perigoso e é preciso coordenar as polícias. Sucede que das várias formas de coordenação o Governo escolheu a pior: a que mais reforça (e compromete) o chefe do Executivo, a que não inclui um «droit de regard» do Parlamento e a que deixa os portugueses sem defesa perante a prepotência e o arbítrio. O que de resto não espanta. A liberdade nunca foi por aqui muito estimada.

NOTA: Quem nos salvará de abusos de funcionários mal intencionados e com apetência para abusos?

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terça-feira, 28 de novembro de 2006

Os polícias querem ter direito a greve

Este título de uma notícia nos jornais de 28 de Novembro surpreendeu-me, não porque tenha algo contra tal desejo dos guardiões da ordem pública a quem o povo muito deve, mas porque, na minha ingenuidade infantil (apesar de cabelos brancos e rugas), estava convicto de que eles já tinham tal direito.

Esse convencimento formou-se quando, há poucos meses, os governantes, ao reduzirem aos policias e familiares os apoios de saúde e outras «regalias» que vinham usufruindo, usavam o argumento de que os funcionários públicos são todos iguais em direitos e a tendência era a de igualar as condições de todos os cidadãos, pelo que os polícias tinham que alinhar com os restantes funcionários.

Embora tivessem surgido vozes a explicar que os polícias não são cidadãos iguais aos outros e que têm restrições de direitos, liberdades e garantias, as quais são compensadas pelas tais «regalias», os governantes, como detentores do poder, não hesitaram em manter a decisão.

Nestas condições, como ainda penso que os governantes são coerentes e actuam com racionalidade, lógica e de forma consequente, fiquei convicto que o polícias e militares, tal como qualquer funcionário público, incluindo os juízes (que até se intitulam órgão de soberania), passaram a ter direito de se manifestarem publicamente e de fazerem greve. Só assim se compreende a igualdade.

Afinal, estava enganado! Mais uma desilusão a convencer-me de que, em questões políticas, a lógica não passa de uma batata.

Sobre este tema, já em Abril p.p. foi publicada nos jornais a seguinte carta

Polícia é Funcionário Público?
(Publicada em 25 de Abril de 2006, p. 17)

Em plenas férias da Páscoa, é oportuno reflectir sobre quem é funcionário público. Há alguns meses, surgiu a ideia socialista e teórica de igualar todos os funcionários públicos, acabar com as regalias dos polícias quanto à passagem à reforma e ao apoio de saúde, reduzir as férias dos tribunais, etc. Teria sido muito eficiente e justo se não houvesse circunstâncias diferentes. Por exemplo, em dias em que as polícias estão em força nas estradas para garantir mais segurança a quem vai e vem de férias e nas cidades para dar segurança às casas pontualmente desabitadas e aos turistas que nos visitam, pergunta-se: quantos juizes estão activos, quantos professores estão no exercício das suas funções didácticas, quantos funcionários das Finanças estão nos seus postos de trabalho, etc. Por outro lado, quantos destes funcionários são abatidos violentamente no exercício das suas funções, durante o ano?

Para enfatizar esta reflexão, não podemos ignorar que mais de metade dos deputados da AR anteciparam a ida para férias na quarta-feira santa a ponto de inviabilizarem a votação prevista de nova legislação, dando um péssimo exemplo ao País. E o que é inconcebivelmente grave é que alguns, antes de se ausentarem, assinaram a folha de presenças.

Sem dúvida que devemos ter mais consideração pelos agentes policiais e bombeiros e recompensar a sua disponibilidade permanente e os riscos a que a sua actividade os obriga, e o que isso representa para os seus familiares. Constitui um erro insensatamente crasso considerá-los em situação semelhante à dos vulgares funcionários públicos.
A. João Soares

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