A paz é uma situação muito instável, porque os poderosos podem «brincar» com os seus armamentos e exércitos e colocar um país ou uma região ou mesmo o mundo em polvorosa sem se saber bem porquê. Grande número de pessoas perde a vida ou fica estropiada sem ter qualquer culpa do estado de loucura que afectou cérebros movidos por interesses não confessados. Haveres destruídos, obras de arte, com valor histórico e arqueológico desaparecidas apenas porque um indivíduo irado e precipitado não merecia ter à sua disposição tanto poder demolidor.
Há dias vi a notícia de que «Ben Laden exige a europeus que deixem o Afeganistão». A televisão Al-Jazeera transmitiu uma cassete áudio do chefe da Al-Qaeda dirigida aos europeus em que este exige o fim das operações militares no Afeganistão, e iliba o povo afegão de qualquer responsabilidade nos atentados nos Estados Unidos em 11 de Setembro de 2001.
Segundo ele, "a América obstinou-se em invadir o Afeganistão; a Europa seguiu-lhe os passos". E apela "Convém que peçam aos vossos dirigentes, que se acotovelam diante da Casa Branca, que actuem de forma consequente para acabar com a injustiça imposta aos oprimidos."
Confessa: "a verdade é que os acontecimentos de Manhattan (Nova Iorque) foram a resposta aos massacres pela aliança americano-israelita do nosso povo na Palestina e no Líbano. Sou o responsável. Todos os afegãos, governo e povo, não tiveram qualquer conhecimento [disso]."
E acusou também os países que participam na guerra no Afeganistão de visarem "as mulheres, as crianças e os civis", não respeitando a "ética da guerra". E acrescentou "o avançado americano está prestes a perder terreno. Vão partir."
Isto faz-nos pensar nos objectivos e nos resultados das operações militares no estrangeiro. O que melhorou na vida do povo afegão? Quais os verdadeiros resultados para a felicidade das populações obtidos com a presença dos militares? E no Iraque? Que respostas lógicas e verdadeiras serão dadas a estas perguntas? O mesmo para o Kosovo e a Sérvia? Depois de tantas destruições de vidas e haveres, resultou algum benefício para alguém, além dos fabricantes de armamento? E queriam agora iniciar outro crime semelhante no Irão com base em mentiras pois hoje sabe-se que já desistiram há quatro anos de construir armas nucleares.
Seria mais interessante, humano e moral desenvolver o diálogo a fim de se implementar um bom entendimento, abolir a desconfiança e criar um ambiente de harmonia e colaboração para benefício de todos, principalmente dos mais carecidos. A verdade é que, em caso de conflito, são sempre os mais desprotegidos que acabam por sofrer mais e verem a sua miséria acrescida.
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
Os imponderáveis da Paz e a guerra
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A. João Soares
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Labels: Afeganistão, guerra, loucura, obstinação, paz
Cimeira UE-África. Uma festa!!!
Os grandes problemas da humanidade continuam a agravar-se por falta de capacidade e de coragem dos poderosos para os encararem de frente.
Os encontros de diplomatas, de grande ou pequena ostentação, não vão geralmente além dos «cocktails» poliglotas em que é praticada a «diplomacia do copo e do croquete». É assim desde há muito tempo e, agora, tudo isso começa por extensas viagens que ficam caras aos contribuintes a quem são exigidos todos os sacrifícios.
Na cimeira UE-África, foram à partida colocados de lado os principais problemas humanos que preocupam as pessoas mais sensíveis e generosas do Mundo – Darfur e Zimbabwe. A recusa da abordagem destes assuntos mostra que eles ultrapassam o limite máximo da capacidade dos diplomatas, os quais preferem utilizar a táctica da avestruz que enterra a cabeça na areia para evitar ver o perigo. E, assim, os participantes da cimeira, que custa ao Estado português 10 milhões de euros, irão conversar acerca de temas do interesse das multinacionais, embora não sejam estas que pagam os custos do encontro. Ou, pelo menos, não impedem que o Estado faça a despesa!
Para quem duvide daquilo que fica acima acerca dos diplomatas (há excepções, como em todas as regras e generalizações) recordo que, há dias, Durão Barroso confessou estar arrependido de ter apoiado a guerra no Iraque, alegando que não tinha informação completa e verdadeira, donde se infere que houve falta de eficácia da diplomacia que o apoiava, e também infantilidade dele por não ter testado os dados de que dispunha. O mesmo se pode dizer da precipitação de Bush, de Blair e de Aznar no mesmo facto, e da irreflexão da França que, com os aviões com empresário do petróleo enviados a Bagdade, deu a Saddam Hussein uma percepção errada da proximidade do «ponto sem retorno» no diálogo entre o Iraque e os EUA. Outro exemplo da deficiente diplomacia e serviço de informações veio agora a público, depois de os EUA terem ameaçado o Irão com acção militar para impedir o seu armamento nuclear, só agora se sabe que as investigações científicas e técnicas para esse fim tinham terminado já em 2003. E assim se desestabiliza um País com uma longa história cheia de factos exemplares.
Depois de tantas medidas oficiais e de ONGs para apoio aos refugiados do Darfur e para acalmar os actos ditatoriais de Robert Mugab, vemos agora estas situações serem consideradas banais e sem importância que justifique o incómodo dos diplomatas. Ou andam todos a enganar o Mundo ou andam de olhos fechados para as realidades. Qualquer destes casos é de lamentar e levam a perguntar como acreditar nos diplomatas, nos políticos ou nos governantes?
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A. João Soares
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Notícias do PREC
Manuel António Pina, JN
Portugal, cliente habitual dos últimos lugares das estatísticas europeias, aparece finalmente no primeiro lugar de uma delas.
Segundo dados revelados pelo Eurostat, somos o país da UE onde o desemprego mais cresceu no último ano, e estamos já no pódio dos países com mais desempregados (neste momento só a Eslováquia e a Polónia nos batem, mas nós ainda teremos o mesmo Governo durante mais dois anos).
De facto, enquanto na UE, entre Outubro de 2006 e Outubro de 2007, a taxa média de desemprego desceu de 7,8% para 7,2%, em Portugal subiu de 7,8% para 8,2%. Claro que pode acontecer que o Eurostat esteja dominado por sindicalistas da Função Pública apostados em denegrir o sucesso do PREC (Processo de Reformas em Curso) e das políticas sociais do Governo e desmentir a "estabilização dos números do desemprego" anunciada pelo ministro Vieira da Silva.
De qualquer modo, como disse Sócrates durante a campanha eleitoral que o levou ao Governo (quando a taxa de desemprego ia em 7,1%, um "número trágico"), "7,1% de desempregados é bem a marca de uma governação falhada, de uma economia mal conduzida". Já 8,2% é, nenhum português duvida hoje disso (basta andar na rua ou ir ao supermercado), a marca de uma governação de sucesso e de uma economia bem conduzida.
NOTA: Um curto texto, com muita perspicácia que enfatiza vários aspectos da incapacidade dos governantes e da sua propaganda entorpecedora das mentes menos atentas.
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A. João Soares
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Sara Ocidental, Polisário
Transcrevo para aqui este comentário deixado no post Paz pela negociação. por merecer mais visibilidade. Cumprimento a autora.
Sarita disse:
História do conflito do Sara
A frente Polisário, criada em 1973, foi baptizada com o nome de Polisário ou, ainda, frente de libertação de Essaquia Al Hamra e de Oued Eddahab; o seu ramo armado tem o nome de Exército de Libertação Popular Saraui (ALPS).
O grupo fundador da Polisário é composto de jovens marroquinos de origem saraui que prosseguiam os seus estudos na universidade Mohammed V em Rabat.
No entanto, as situações catastróficas sofridas pelos criadores da Polisário não podem ser ignoradas de ninguém, sobretudo daqueles que as viveram.
Não nos podemos esquecer que eles formavam um grupo de uma trintena de jovens universitários, todos os originários das províncias do Sul marroquinas, que tinham decidido um dia tomar as rédeas do seu próprio destino.
Foi nesse momento que eles aproveitaram a realização das festividades do Moussem de TanTan para manifestar nas vielas estreitas daquela cidade (que ainda não o era naquela altura) e, ao quebrar o equilíbrio estabelecido depois de uma dezena de anos, a resposta não se fez esperar.
O Caïd da zona ordenou, por conseguinte, o aprisionamento destes perturbadores de última hora, e como na altura não existia uma prisão propriamente dita, este improvisou uma, e amontoou-os numa rústica mansarda de uma dezena de metros quadrados, dotada apenas de uma pequena porta, sem janela, e debaixo de um calor sufocante.
Nenhum deles podia esquecer a dureza da vida e a coragem que os tinha levado a esta situação. Viviam, como os seus pais e mães, numa miséria inconcebível, degradante, desumana. Nesta aldeola, não existiam estradas alcatroadas, nem passeios, nem água corrente, nem saneamento, nem electricidade, nem investimentos, nem, certamente, trabalho, nada que permitisse dizer que esta região fazia efectivamente parte da pátria mãe.
Estas figuras ilustres, filhos de heróis, e eles próprios membros gloriosos do Exército de liberação nacional, que tinham vindo colher o fruto da sua vitória, encontraram-se, de um dia para o outro, compactados numa mansarda sem quaisquer condições, dormindo no chão, sem tapetes, nem mesmo uma esteira, debaixo de um tecto improvisado.
Viviam apenas da assistência nacional, graças à distribuição de sacos de farinha distribuídos a conta-gotas e, para cumulo da história, quanto mais delatavam o seu vizinho, mais bem vistos eles ficavam, ou mesmo, mais bem considerados eram, e menos sujeitos à fome ficavam. Adeus dignidade!!!
É neste estado de miséria absoluta que estes corajosos guerreiros e os seus descendentes e, para alguns, mesmo os seus ascendentes, vegetavam desde que a operação Ecouvillon os tinha lançado no caminho sem saída do êxodo.
Contava-se aos milhares o número de pessoas vindas em busca da liberdade, de felicidade e de paz na dignidade. Infelizmente, nada disso foi obtido, e foi neste mundo esquecido de todos: responsáveis locais e regionais, que esta trintena de universitários tentou fazer-se entender e gritar todo o mal que pensava da sua situação social, económica, cultural e política!
Não devia ter sido subestimado o despeito e o ódio que os responsáveis administrativos tinham contra estes jovens, vindos não sabemos de que planeta, e que nem eram nem submissos nem resignados, como os seus pais. Até eram acusados de se exprimirem e de manifestarem o desacordo com a ditadura do Caïd.
Como ousam eles desafiar o poder do governador invisível erigido num monumento sagrado?
Como pretendem eles ter a audácia de dizer em voz alta o que as suas famílias pensam em silêncio?
Como foi possível ganharem a temeridade do "desesperado" para levantar a cabeça e chegar aos calcanhares do califa do bairro?
Para resfriar estas "cabeças quentes", nada melhor do que os espancar, mas este trabalho não devia ser feito por qualquer pessoa, e muito menos por um guarda militar ou um polícia. Não, eles não mereciam este privilégio, mais valia suspende-los, fecha-los, privar-lhes de comida, deixá-los sufocar e sofrer o martírio enquanto não chegasse uma secção de Makhzen móvel, estacionada a mais de duzentos Km a norte (em Bouizakarne) para os fazer vir especialmente a fim de os torturar, humilhar e fazer-lhes provar as queimaduras das chamas ardentes da dor do "indefeso", espancados por aqueles que eram considerados os mais medíocres e desumanos entre os serviços de ordem.
Nem os jovens, nem os mais jovens, compreendiam o que se estava passar, porque o seu único delito, ou melhor, o seu único crime, tinha sido de um certo dia, terem aberto os olhos, mais do que os seus pais, e terem organizado uma marcha na véspera desta catástrofe, nas vielas estreitas desta pequena povoação de Tan Tan.
Eles manifestaram para que Marrocos recuperasse ou fizesse algo para recuperar o seu Sara, que seria a garantia da melhoria de uma situação ressentida como insuportável e profundamente desesperante.
É perante esta incompreensão, este tipo de cidadania, de terceiro nível, que a sua revolta foi destrutiva e devastadora, que a ira se incrustou nos corações e nos espíritos dos mais extremistas, por serem os menos pacientes e os mais afectados pelo soar das sirenes do progressismo, os mesmos que mais se agitavam e se uniam à ideologia em voga naquele momento no nosso país, isto é, uma ideologia que pretendia erradicar tudo e que preconizava a aceleração do ritmo de uma mudança brutal.
Para resumir, tratava-se daqueles que eram incapazes de separar o trigo do joio na desordem dos anos 70 em Marrocos, os que não tinham tempo para refletir e fazer a distinção entre o que compete, no exercício do poder, à pequena autoridade local, e o que incumbe ao Estado central.
Aqueles que estavam convencidos que seriam eternamente incompreendidos e que tinham decidido fazer-se entender pela força. Resumidamente, os mais idealistas que acreditavam na revolução mundial, no Cheguevarismo e no Castrismo, decidiram, então, romper com o seu passado e renegar as suas origens, bem como as dos seus antepassados.
Foi então dada ordem aos mais vulneráveis deste grupo para se dispersarem e desaparecerem, precisamente para escaparem às rusgas dos visitantes nocturnos, para se encontrarem noutros lugares, com certos líderes, para vingarem a honra perdida e fazer justiça, devolvendo ao carrasco os golpes que ele lhes tinha infligido de bom grado!! Depressa foi procurado o responsável deste cataclismo e averiguado o nível hierárquico ao qual este pertencia.
A resposta não dava aso a qualquer tipo de dúvida: não, o califa não tem poder, o Caïd tão pouco, o guarda militar ou polícia não são ninguém e ainda menos os pobres Mokhaznis. Quanto ao governador, é "intocável" e de qualquer modo ninguém ousaria afirmar que o viu ou o ouviu, para poder testemunhar a sua existência real, nenhum dos membros deste staff pode ser considerado responsável destas "desgraças humanas".
Não, o responsável, é quem permitiu a esta escumalha de responsáveis locais de se comportarem como leões neste deserto largado ao Deus dará. Esta responsabilidade só pode incumbir à própria Administração marroquina, e não pode ser assumida por qualquer membro da administração, qualquer responsável ou funcionário e, de um modo geral, por todos os que tinham o direito e a possibilidade de abrir a boca!
É necessário, por conseguinte, vingar deste Estado que não soube, ou não pôde ou, pior ainda, não quis proteger os cidadãos, considerados como os mais pobres, embora se possam orgulhar de terem sido os mais fiéis. A decisão ergueu-se como um ideal, melhor ainda, como um mito, que infelizmente, com o passar do tempo se transformou em quimera que gerou um pesadelo.
Certamente, no início dos anos 70, estes jovens universitários marroquinos de origem saraui tinham reivindicações legítimas, de ordem política, económica e social, mas tratava-se de reivindicações de carácter interno, que tiveram lugar num quadro exclusivamente marroquino.
Estas reivindicações surgiram num momento difícil da história de Marrocos, num momento em que o Estado estava submetido a fortes pressões externas e internas. Podemos afirmar, sem equívoco, que naquela altura, ou seja, durante os anos 70, Marrocos não dispunha de qualquer poder ou força política capaz de responder de maneira positiva e favorável a uma reivindicação de carácter regional, por muito legítima que esta fosse.
Nesta altura, Marrocos estava confrontado com desafios enormes de ordem interna e externa. As prioridades eram outras, dadas as circunstâncias da época, dado que a conjuntura estava marcada por um contexto muito hostil de guerra fria e de incessantes conflitos entre árabes.
É por isso que uma parte deste grupo de universitários marroquinos de origem saraui que prosseguiam os seus estudos em Rabat, sentiu a vontade de vingança, após a repressão da manifestação de Tan-Tan, dos aprisionamentos, dos maus tratos e das torturas que se seguiram.
Estes maus tratos levaram estes jovens universitários a aliarem-se a certos países, num contexto de guerra fria e de conflitos entre árabes e entre africanos. Naquela altura, este tipo de alianças era perfeitamente permitido.
Estes estudantes universitários manifestaram esta vingança contra o seu próprio país de origem, isto é, Marrocos, do qual são originários os seus antepassados, todos os seus antepassados. Os seus pais lutaram incansavelmente, no âmbito do Exército de libertação, para a libertação do país onde estes jovens sarauis prosseguiram os seus estudos.
Os seus pais defenderam com ardor o sultão Mohammed V e prestaram fidelidade ao seu falecido filho, o Rei Hassan II. Havia que ter um pouco mais de bom senso. Nunca haviam de se ter esquecido que as autoridades marroquinas que eram, aquando da manifestação de Tan Tan em 1972, responsáveis pelos maus tratos, torturas e perseguições destes jovens universitários, também tinham sido vitimas de duas tentativas fracassadas de golpes de Estado.
Eis o panorama das grandes contradições de Marrocos dos anos 70.No entanto, todos estes motins não influenciaram o decorrer normal da história, pela simples razão que a questão do Sara é uma questão de descolonização entre Marrocos e a Espanha.
Tendo estado sob o protectorado de duas potências coloniais, a França e a Espanha, Marrocos teve que recuperar, gradualmente e por etapas sucessivas, a parte do território que estava sob o protectorado espanhol, começando pela zona do norte e Tanger em 1956, Tarfaya e Tan Tan em 1958, Sidi Ifni em 1969 e o Sara em 1975. Está marcado na história.
Isto sempre se verificou com a nossa vizinha e amiga Espanha. Todos os conflitos com este país, relacionados com o fim do protectorado, foram resolvidos pela negociação e através de vias pacíficas. Ora, os adversários de Marrocos, que fomentaram o conflito do Sara e se opõem à conclusão da sua integridade territorial, financiando e ajudando o movimento da Polisário, prepararam antecipadamente as condições desta oposição a Marrocos.
Resultado: este movimento tinha sido acolhido pela Argélia no seu território em Tindouf, devido às divergências existentes naquela época entre Marrocos e a Argélia, no que se refere às fronteiras comuns, e na altura em que Marrocos tinha concluído um acordo com Espanha, em conformidade com as relações históricas que sempre existiram entre os dois países.
De resto, Marrocos recuperou o seu Sara, através da negociação e do consenso, de acordo com o procedimento habitual que sempre manteve com a Espanha.
Tendo Marrocos recuperado as suas províncias do Sul, a Polisário não encontrou melhor idéia do que levar uma parte da população saraui para campos instalados no território argelino, aos quais foi posto o nome de campos dos refugiados, ou ainda, designados sob denominações fictícias, tais como campo de Laâyoune, campo de Smara, campo de Aouserd, ou campo de Dakhla.
A Polisário mentiu e manipulou a população que foi conduzida a Tindouf, na Argélia. Todos os Sarauis sabem que nos meses de Novembro e Dezembro de 1975, a Polisário tinha pedido a muitas pessoas para assistirem a reuniões em Gueltat Zemmour e quando essas pessoas se apresentaram para as ditas reuniões, foi-lhes pedido para se apresentarem para uma outra reunião em Bir Lahlou. Em seguida foi-lhes pedido que se reunissem em Tindouf, como armadilha para nunca mais os deixar sair de Tindouf.
Infelizmente, por falta de meios de transporte, a maior parte destes sequestrados ficou retida em Tindouf até hoje. Mas muitos deles aperceberam-se da armadilha e utilizaram todos os meios para regressar às suas casas, em Smara, Laâyoune, Dakhla e Aouserd.
Este facto verídico é do conhecimento dos Sarauis, pelo menos dos que tinham mais de 15 anos naquela altura. A Polisário premeditou, planeou e executou a instalação dos campos no território argelino.
Por que motivo a Polisario criou estes campos e continua a mantê-los num território que não é o seu, tomando por reféns as populações desmunidas de documentos de identificação, confinadas nos campos e sem liberdade de circulação?
Estas populações são vigiadas dia e noite pela Polisário que alista os seus filhos nas escolas, ensinando-lhes exclusivamente o ódio e inculcando-lhes o desespero. Perguntamo-nos quais são as razões humanamente aceitáveis que permitem a um grupo de líderes da Polisário de reter contra a sua vontade, durante mais de trinta anos, estas populações em campos? Qual é realmente o objectivo? Será uma moeda de troca?
Podemos adivinhar facilmente que sem a existência destes campos, o movimento político-militar chamado Polisário nunca teria existido. A existência da Polisário está directamente ligada à existência destes campos. Mas, esta política não leva a nenhum lado, e só poderá conduzir ao caos da deriva.
A própria existência destes campos num território hostil e em condições desumanas durante um tão longo período é uma violação flagrante dos direitos do homem.
Com que direito se pode deixar as pessoas viverem em tendas mais de 30 anos? Com que direito se pode impedir as pessoas de circularem livremente? Com que direito se pode alistar os seus filhos e inculcar o ódio e o desespero? Com que direito se pode impedir as pessoas de viverem como as outras? Com que direito se pode dispor, à vontade, da vida de uma parte da população saraui nos campos? Com que direito se pode vender a miséria humana às organizações de caridade internacionais?
São estas as verdadeiras e mais importantes violações dos direitos do homem, porque elas afectam a própria essencia do ser humano e a sua liberdade de escolher e de dispor de si próprio e da sua família.
A Polisário tem violado, constante e deliberadamente, os direitos do homem mais elementares há mais de 30 anos. Reteve prisioneiros marroquinos durante mais de 25 anos, que estiveram separados das suas famílias e dos seus pais no sofrimento total.
Qual a razão para ter infligido tanto sofrimentos a estes prisioneiros, que são seres humanos para todos os efeitos? Porque motivo os retiveram durante mais de 25 anos em condições insuportáveis, com todas as torturas físicas, psicológicas e morais que isto implica?
As perguntas são imensas, sem que se encontre uma única resposta justificável. Finalmente, este movimento foi obrigado a liberta-los sem qualquer contrapartida política. A Polisário instalou em seguida o seu Estado-maior em Hassi Rabouni, em Tindouf, e apropriou-se desde 1976 dos nomes de certas pessoas, sem qualquer fundamento jurídico, histórico e legítimo e sem a mínima consulta às populações sarauis.
A Polisário é um movimento político-militar que instituiu um sistema semelhante ao que existia nos países antigamente totalitários, com partido único, uma instituição única, uma estrutura única e uma burocracia única. O conjunto reunido num pensamento único.
Instaurou um controlo armado das populações que ele detém ou que controla, utilizando a ajuda alimentar como um instrumento de chantagem permanente e gere a população dos campos através de um sistema de controlo físico, psicológico e moral rígido, tipo Comissário político para cada actividade e serviço.
A frente instaurou os métodos de delação como meio de controlo e o alistamento permanente, ou melhor, a lavagem de cérebro dos jovens, dos adultos, como a deturpação da história ou a manipulação dos acontecimentos e o ensino do ódio como regra geral.
A Polisário é um produto de uma outra época, antes do desmoronamento do sistema totalitário, já quando o mundo começou a sofrer grandes alterações em 1991, ela permaneceu à margem destas mudanças: sem eleições livres, sem democracia, sem pluralidade, sem liberdade de expressão, sem liberdade de opinião e sem sociedade civil.
Impôs um hermetismo total e absoluto e uma compartimentação completa das estruturas de modo a que elas perdurem. Todos os movimentos de carácter político ou politico-militar semelhantes à Polisário desapareceram desde a queda do muro de Berlim. Quer mudaram de nome ou se autodissolveram, ou criaram novas estruturas correspondentes ao novo mundo globalizado, livre e democrático.
A Polisário, que pretende ser uma entidade independente, criou uma certa República Árabe Saraui Democrática (RASD), dando, ao mesmo tempo, às terras libertadas por Marrocos, o nome de Sara Ocidental ou de territórios ocupados.
Esta "RASD" está em contradição flagrante com o pedido da Polisário de um referendo de autodeterminação.
Como se pode pedir um referendo de autodeterminação para todos os Sarauis e responder antecipadamente ao seu desejo e à sua vontade criando uma entidade que não tem nenhuma base moral, histórica ou democrática?
Estes são exactamente os métodos dos movimentos totalitários antidemocráticos. Trata-se de uma prática muito conhecida, de responder em nome do povo às perguntas que não lhe são directamente feitas. A proclamação unilateral, por parte da Polisário, da "RASD" é uma violação flagrante do direito internacional. Trata-se do desrespeito da vontade do povo, o desrespeito das regras da democracia e a vontade deliberada e premeditada de obter lucros políticos através da fraude e da mentira.
É precisamente por isso que a Polisário desacreditou o seu pedido de autodeterminação livre para o povo saraui, manipulando as respostas dadas antecipadamente. Não podemos presumir que ela respeite a decisão do sarauis, uma vez que responde, por eles, antecipadamente. Não podemos pretender ser honestos e responder pelos outros. Não podemos dizer que somos fracos e ao mesmo tempo ludibriar nos princípios.
Ninguém pode dizer que existe um direito de autodeterminação dos povos de decidir do seu futuro livremente, sem qualquer pressão de qualquer parte que seja, e desacreditar-se respondendo antecipadamente a uma questão que ainda não foi levantada.
Ninguém pode dizer que é honesto, tendo anteriormente enganado. A "RASD" não tem qualquer existência territorial, ela instalou-se em Tindouf, na Argélia, e não tem povo, porque a única população de que dispõe, compõe-se de retidos dos campos que detém e controla contra a sua vontade, não é o resultado de uma eleição. Ela não dispõe de qualquer atributo de soberania, só existe na Internet e nas instituições fictícias no território de um país estrangeiro.
A Polisário, que instaurou em Tindouf instituições fictícias, tais como o governo saraui, a cruz vermelha saraui (CRS), a união da mulher saraui, a união da juventude saraui, não faz quaisquer diligências para organizar no solo argelino festividades comemorativas, como por exemplo: o 27 de Fevereiro, o 10 de Maio, o 20 de Maio ou ainda o 12 de Outubro.
Desde a sua criação, a Polisário tinha nomeado o seu primeiro secretário-geral Chahid El Ouali que foi sucedido pelo denominado Mohamed Abdelaziz, nomeado em seguida presidente, secretário-geral da Polisário ou chefe da Polisário.
A frente também não deixou de criar os seus meios de comunicação social de propaganda para apoiar as suas teses separatistas, nomeadamente "a agência de imprensa saraui", (SPS), "Rádio Sahara" ou ainda "Rádio Polisário" lançando-se de corpo e alma numa quimera absoluta sobre a questão do Sara.
De facto, quando perdeu a guerra e após o fracasso do projecto do referendo, que de resto, é irrealizável visto que seria necessário alterar todas as fronteiras, a Polisário começou a afirmar, a quem a quisesse ouvir, que o Sara é um território ocupado por Marrocos e que esta região sofre todas as formas de repressão política e de violações dos direitos do homem.
A Polisário não está em posição de poder dar lições em matéria de direitos do homem a quem quer que seja. Todos sabem que as fronteiras na região do norte oeste africano, nomeadamente os confins maroco-algéro-mauritano-malianos, foram traçados com uma régua, no momento da divisão desta parte dos territórios africanos, entre a França e a Espanha.
As fronteiras actuais não obedecem a qualquer critério de ordem geográfica, humana ou de qualquer outro tipo. Pode-se dizer, com toda a certeza, que estas fronteiras foram traçadas arbitrariamente aquando da partilha. É a razão fundamental que deu origem ao fracasso do projecto do referendo.
Os sarauis não se encontram só em Marrocos. Toda a parte do sul ocidental da Argélia, de Bechar até à fronteira mauritano-maliana, é uma região de tribos sarauis, assim como toda a parte do noroeste do território da Mauritânia e o extremo norte do Mali entre Tombouctou e a fronteira argelina, passando por Taoudenni.
É por isso que, para ter um referendo de autodeterminação livre, democrática, justa, honesta e global que permita a todos os Sarauis, sem excepção, se pronunciarem sobre o seu futuro, como o desejava as Nações Unidas, no seu plano de resolução inicial, seria indispensável alterar as fronteiras dos quatro países em causa, nomeadamente de Marrocos, Argélia, Mauritânia e Mali, de modo a que fosse possível dispor ao mesmo tempo das populações sarauis e do seu espaço geográfico e histórico, antigo e actual.
Estas mudanças de fronteiras são obviamente impossíveis, ilógicas e desprovidas de qualquer carácter de responsabilidade. Por conseguinte, o referendo baseado na identificação é, também, impossível de se realizar. Qualquer insistência em organizá-lo é uma vontade deliberada de eternizar inutilmente o conflito e o sofrimento das populações. Na mesma ordem de ideias, a Polisário não hesitou em criar mais instituições, totalmente fabricadas, com a cumplicidade de certas pessoas anti-marroquinas, por diversas razões, como é o caso das associações de amizade com o povo saraui, as associações dos direitos do homem, as associações de solidariedade com o povo saraui, as associações de solidariedade com a RASD, as associações de ajudas humanitárias, a Associação Chahid El Ouali, a associação Oum Driga, a associação dos amigos do Sara ocidental, ou a associação dos amigos do povo saraui.
Embora a Organização das Nações Unidas (ONU) tenha concluído a impossibilidade de organizar um referendo para o Sara, sem a mudança das fronteiras, a Polisario não encontrou nada melhor do que inventar a questão da autodeterminação, argumentando que esta, através do referendo, só pode conduzir ao separatismo.
No entanto, a carta da ONU, que constitui a mais alta jurisprudência a nível internacional, estipula que a autodeterminação deve ter em conta a unidade e a integridade territorial do país e que a autonomia permanece uma das melhores fórmulas da autodeterminação.
Esta autonomia existe nos países ocidentais mais desenvolvidos do mundo. É por isso que, a comunidade internacional denunciou a Organização da União Africana (OAU), por ter violado deliberadamente o direito internacional reconhecendo a fantasmagórica "RASD", do mesmo modo que a instituição que a substituiu, a União Africana (UA), que desviou igualmente do direito internacional, reconhecendo uma entidade que foi declarada por um movimento politico-militar e não com base numa consulta referendária .
Em contrapartida, o resto das organizações internacionais, como a ONU, os países não alinhados, a Liga árabe, a Organização da Conferência Islâmica (OCI), a União Europeia (UE) e a União Asiática, recusaram categoricamente de negar o direito internacional e conformaram-se com as resoluções do Conselho de Segurança da ONU, ou seja, encontrar uma solução política e consensual para o conflito estéril do Sara, através da negociação e do diálogo.
Com efeito, este conflito impediu a construção da União do Magrebe árabe (UMA), obstruiu todos os acordos entre os países irmãos vizinhos, Marrocos e Argélia, e impediu as famílias sarauis de regressar às suas casas para viver com os seus familiares.
Criou igualmente uma fonte de tensão no noroeste de África e fomentou a proliferação do tráfico humano, nomeadamente a imigração clandestina, o tráfico de armas e de droga, o desvio de todos os tipos de mercadorias nos campos, bem como o aparecimento do terrorismo.
A ONU envia com frequência, a estes campos, delegações do Programa Alimentar Mundial (PMA) e do Alto Comissariado para os Refugiados (ACNUR) a fim de inquirir sobre a má gestão e sobre o desvio da ajuda humanitária procedente destas instâncias e da Direcção da ajuda humanitária europeia (ECHO), destinada, em princípio, aos retidos destes campos.
O desvio da ajuda humanitária foi confirmado por várias ONG internacionais, nomeadamente "US Committee for Refugees and Imigrantes (USCRI)", “La Fondation France-Libertés” e o “European Strategic Inteligency And Security Center” (ESISC).
Estas Organizações chamaram, várias vezes, a atenção da Comunidade internacional para este fenómeno de desvio e sobre o seu impacto na situação humanitária das populações retidas nos campos de Tindouf, na Argélia.
Apesar desta triste história, a Polisário pode ainda redimir-se e retornar à razão. É inútil de se obstinar e continuar no erro. A victória nunca pertenceu aos radicalistas. Hoje, a história dá a oportunidade à Polisário de concluir um acordo honroso e vantajoso para as nossas populações e as nossas famílias.
Hoje, a história oferece à Polisário a ocasião de abrir as portas da esperança, de fazer esquecer os sofrimentos, os erros e os incumprimentos morais. Hoje, a história oferece uma ocasião em ouro à Polisário para aceitar a única solução possível, a única realizável, a mais adequada, isto é, a autonomia política, sob a soberania do Reino de Marrocos.
Se a Polisário tem um mínimo de sentimentos ou um mínimo de respeito para com os Sarauis, deveria aproveitar esta oportunidade histórica.
A Polisário deve sair da armadilha onde se encontra e não deve servir os interesses de outrem, ou ser utilizada contra os interesses do Reino de Marrocos por uma questão de hegemonia política.
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sábado, 1 de dezembro de 2007
Um raio de esperança?
Ouve-se dizer, com frequência que o crime de colarinho branco fica sempre impune, que há muitos políticos a abusarem impunemente dos dinheiros públicos para seu benefício ou de familiares e amigos.
Porém, ontem, chegaram três notícias de procedimentos judiciais contra autarcas – Felgueiras, Vila do Conde e Abrantes. Elas são um raio de esperança de que a Justiça poderá a estar a preparar-se para vendar os olhos e aplicar a lei a todos os criminosos, independentemente da sua posição social ou política. Será uma forma de acabar com a corrupção e outros vícios nefastos para o desenvolvimento do País e a felicidade e segurança dos cidadãos.
Em 5 de Outubro de 2006, o Jornal de Notícias trazia uma notícia intitulada «Portugal é 16.º no ranking dos subornos», em que constava que «Portugal está a meio da tabela dos países exportadores onde as empresas recorrem ao suborno para operar no estrangeiro. O ranking, feito pela organização não-governamental Transparency International, coloca Portugal em 16.º lugar, entre 30 países analisados, com uma pontuação de 6,47 pontos, numa escala que vai de zero (os mais corruptores) a dez (não há pagamentos de subornos no estrangeiro). Suíça, Suécia, Austrália, Áustria, Canadá, Reino Unido, Alemanha, Holanda, Bélgica, Estados Unidos e Japão figuram entre os menos corruptos, estando Taiwan, Turquia, Rússia, China e Índia no extremo oposto». Há, realmente, modelos a imporem-se aos países que desejam actuar com civismo.
Umas das notícias de hoje refere a suspeita de Fátima Felgueiras de ter usado indevidamente fundos camarários para pagar ao seu advogado brasileiro, quando estava fugida no Brasil. Segundo outra, o Tribunal de Contas (TC) condenou o presidente da Câmara de Vila do Conde, Mário de Almeida, e o ex-vice-presidente, Abel Maia, a reporem solidariamente 20 mil euros nos cofres da autarquia. Uma terceira notícia diz que o presidente da Câmara de Abrantes (PS), Nelson de Carvalho, foi constituído arguido no seguimento de uma visita efectuada pela Polícia Judiciária (PJ), no início de Outubro, e que resultou na recolha de um conjunto de documentos. Sobre este caso ele disse: "Na altura recebemos alguns relatórios parcelares sobre a actividade desenvolvida na área financeira, recursos humanos, empreitadas e outros que apontavam para pequenas irregularidades".
Será que estes processos irão até ao fim? Para a purificação da nossa Democracia, seria bom que sim. Conta-se que , há alguns anos, foram condenados dois indivíduos pelo crime de corrupção activa relativa à entrega de um cheque de 50 mil contos a uma alta entidade e esta, julgada em processo separado, foi absolvida por nada ter sido provado. Parece que o cheque se volatilizou no percurso das mãos do corruptos activos para as do passivo! Um mistério para a ciência!
Também ontem veio a notícia de que «o presidente da autarquia de Totana e o chefe da polícia local, na região espanhola de Múrcia, estão entre 10 detidos por alegado envolvimento numa rede de corrupção urbanística, o mais recente de casos idênticos em Espanha». Mas os exemplos que nos chegam de Países desenvolvidos não são raros, mas apenas são seguidos por quem quer! Na Coreia do Sul, em Agosto de 1996 dois antigos Presidentes, apesar de terem sido pilares muito válidos no arranque da construção económica do País, ouviram, vários anos após terem deixado o poder, sentenças por terem cedido à tentação da corrupção, tendo os ex-Presidentes General Park Chung Hee sido condenado à morte e Roh Tae-Wu a 22 anos de prisão.
As notícias de ontem atrás referidas vão ao encontro do muito que se ouve dizer acerca dos poderes autárquicos e central e poderão indiciar que estamos a entrar no bom caminho no combate à corrupção e aos maus costumes na gestão do dinheiro público e acabar com impunidades mal definidas. Isto dá-nos grande esperança de que Portugal se moralizará.
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quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Os políticos querem ser respeitados, mas…
Todo o ser merece respeito, mas numa instituição ou grupo social, os chefes têm o privilégio de verem acatadas as suas decisões, tomadas segundo as normas em vigor e explicadas aos que as devem executar, depois de terem beneficiado de melhoramentos provenientes da participação dos colaboradores. Nestas condições, situam-se os detentores de cargos públicos e políticos, pelas consequências das suas determinações num vasto número de cidadãos.
Mas, para serem respeitados, têm que «dar-se ao respeito», evitando resguardar-se com o ditado «ouçam o que eu digo mas não olhem para o que faço».
É notório o espírito que preside aos discursos dos políticos e que traduz uma convicção arrogante de que só eles são inteligentes e todos os cidadãos são carentes de cérebro. Pura ilusão porque, para se candidatarem a eleições ou a nomeações, não são obrigados a apresentar prova de alto grau de quociente de inteligência
Mas o mais chocante é a falta de respeito entre os seus pares, também merecedores de respeito institucional. São exemplos desses despautérios os casos referidos em duas notícias de hoje. Alberto João Jardim é de opinião de que o Tribunal Constitucional deve ser extinto, porque rejeitou o pedido de fiscalização sucessiva da inconstitucionalidade do Orçamento do Estado 2007, suscitada pela Assembleia Legislativa Madeirense. O chefe do Governo regional considera que a Madeira está a ser objecto de "terrorismo de Estado em matéria de aplicação constitucional".
Outro exemplo vem do ministro da Saúde, Correia de Campos, que ontem no Parlamento contestou as conclusões do relatório do Tribunal de Contas (TC) sobre a contabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS), afirmando que aquela instituição "não está abrangida pelo dogma da infalibilidade" e que o documento parte de pressupostos "que não têm adesão à realidade". Será o Sr. ministro é infalível? E será que as decisões tomadas pelo Sr. ministro têm esse realismo? Antes ou de depois dos vários recuos que se viu obrigado a fazer perante a discordância das autarquias e dos populares acerca das medidas que tomou, quanto a maternidades , urgências, centros de saúde, etc?
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segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Novo conceito de direita e esquerda!
A Vitalino Canas admite que "à medida que os problemas forem sendo ultrapassados, é claro que a dimensão à esquerda poderá ser mais visível". "Isso virá com o tempo". Segundo ele, "o PS governa à esquerda e de acordo com as possibilidades que tem de governar à esquerda". Estas frases do socialismo realista de Vitalino Canas, porta-voz do PS, foram ditas quando, desafiado a comentar o repto de Mário Soares para que o Governo virasse à esquerda.
Parece que estamos perante um teorizador da política sugerindo novos aspectos da clássica divisão entre esquerda e direita. Parece deduzir-se das palavras desta influente figura do principal partido que a esquerda não tem a mínima vocação ou capacidade para governar em situações de crise e muito menos para as resolver, só podendo brilhar em situações normalizadas à medida que os problemas ficarem resolvidos. As direitas estão melhor preparadas para resolver as crises e os problemas. Por isso, o PS sentiu-se obrigado a fazer uma política de direita para resolver a crise do défice orçamental e, após a missão cumprida, pode dar-se ao luxo de fazer política de esquerda, talvez para criar a próxima crise?
Com esta filosofia, ficamos na dúvida de quem teria ocasionado esta crise? Possivelmente, ao contrário destes pedaços de «ciência» política, a crise foi sendo criada paulatinamente por todos os político dos mais variados partidos!
O que eles dizem e o que fazem!!! É só fumo, fumaça, poeira em frente ao povo que consideram muito estúpido. Não deviam destruir a auto-estima dos cidadãos e fica-lhes mal ostentarem tanta superioridade, que nem sequer corresponde à realidade.
Recomenda-se a leitura do artigo no Diário de Notícias de hoje sobre este caso. PS promete mais esquerda à medida que a crise passar
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domingo, 25 de novembro de 2007
Chávez, o «amigão»!!!
A verdade nua e crua !!!
Todo menino passou por isso ao menos uma vez: Ter de encarar um valentão na escola. Todo mundo já foi para o recreio passando por uma odisséia mental, e a nada metafórica górgona que o aguardava era um moleque mais velho e mais forte, espancador de menores e ladrão de merenda. Todos conhecem o tipo. E todos evitavam cruzar com ele, claro. Quanto maior a distância, menor o problema. Mas alguns usavam uma tática oposta; viviam puxando o saco do sádico mirim. Eram os baba-ovos de plantão, que compravam a simpatia dele com as adulações. Quando o valentão escolhia um deles pra extravasar sua violência natural, a saída do puxa-saco agredido era fingir que tudo não passava de uma brincadeirinha do amigão. Diminuía o tempo de surra e salvava as aparências. Assim o puxa-saco continuava amiguinho do covardão e tentava fazer com que os outros acreditassem que era apenas uma travessura. E afinal, quase nem tinha doído, gente.
Semana passada Lulla riu quando Hugo Chávez o chamou de sheick da Amazônia e de magnata do petróleo, entre outras graves ofensas. Tudo televisionado. O riso nervoso, forçado, demonstrava claramente que Lulla tinha medo. Lulla morre de medo de Chávez, o valentão boquirroto. Lulla fez o papel de amiguinho para apanhar menos.
Lulla foi ironizado, espezinhado, humilhado pelo psicopata Hugo Chávez , na Cúpula Ibero-Americana, ocorrida no Chile. Riu, nervoso, quase histérico, para disfarçar a humilhação mundial que passava. Não só ele, mas, aos olhos do mundo, todo o Brasil foi, de novo, agredido verbalmente pelo venezuelano. O mesmo que chamou nosso Congresso de papagaio dos americanos.
O rei da Espanha não comunga com esses pensamentos. Não agiu como Lulla, fingindo que era tudo brincadeirinha do amigão do peito. Não foi fraco, não foi pusilânime. Quando o psicopata falou mal da Espanha e do ex-primeiro-ministro José Maria Aznar, chamando-o de fascista, ouviu o merecido cala-boca; rei Juan Carlos, um homem educado, piloto aposentando da Força Aérea espanhola, fidalgo que bem representa seu país, deu seu recado ao ditador. E ao mundo: chega desse imbecil. Algo que não ouviu do presidente brasileiro; Lulla perdeu uma excelente chance de mostrar que não somos idiotas, ou ao menos, que não é covarde. Estamos mal. Lulla riu (riu!) ao ouvir as ofensas ironicamente dirigidas ao Brasil e à sua triste figura, meu nobre cavaleiro Dom Quixote; digo, Sancho Pança. Moinhos que o digam. Cervantes foi honrado pelo seu rei. Fomos humilhados pelo nosso presidente, mais ainda que pelo falastrão venezuelano. É de chorar; justamente quem deveria, até pela força de seu cargo, defender o Brasil de Chávez, preferiu fingir que a pancada não doeu. Achou melhor assim. Lulla só mostra as garras com os menores, como o jornalista americano Larry Rother, que relatou as paixões etílicas do presidente e quase foi deportado pelo "crime". Com os mais parrudos, age diferente; Chegou até a ficar amicíssimo de Fernando Collor, José Sarney e Orestes Quércia, a quem antigamente chamava de ladrões.
Com Evo Morales não foi diferente. O boliviano espoliou e humilhou o Brasil invadindo militarmente a Petrobrás, com transmissão ao vivo pela TV mundial. Lulla fez que não era com ele. Como se a pedrada não tivesse atingido suas costas.
O rei espanhol provou que tudo tem limite. Fez com Chávez o que Churchill fez a Hitler em 1938: Avisou ao mundo o perigo que representa um tirano demente e armado até os dentes. Parece que Juan Carlos teve mais sucesso que o inglês em sua empreitada. O alerta foi ouvido.
A Europa cansou de Chávez. O rei disse o que muitos pensam, mas não falam. O venezuelano odeia a Espanha, um país que enriqueceu à custa de muito trabalho duro. Muito diferente da Venezuela, que empobrece a olhos vistos, não obstante as fortunas arrecadadas com a exportação de petróleo, cujos lucros vão diretamente para o ralo do populismo e da corrida armamentista.
Na escola em que o rei Juan Carlos ministra aulas, Lulla ainda está no primário. E Chávez o espera no recreio, para roubar nossa merenda.
Fernando Montes Lopes Advogado
fermlopes@uol.com.br
NOTA: recebido por e-mail de correspondente identificado.
Não é só Lulla da Silva a ter medo do amigão valentão. Recorde-se a forma como tem sido tratado pelo nosso Governo e pelo ex-PR Mário Soares. Infelizmente, nas relações internacionais, não é frequente a frontalidade, a coragem e a nobreza demonstradas pelo Rei Juan Carlos, de Espanha.
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quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Novo Aeroporto de Lisboa, onde?
É agora enfatizado que o Pinhal Novo é nova proposta para a localização do Novo Aeroporto de Lisboa (NAL). Esta notícia que cita um estudo do Engenheiro Pompeu dos Santos não deveria passar despercebida aos opinadores da Comunicação Social, porque encerra realidades que não podem ser ignoradas – a força dos lobis que não desistem perante uma eventual derrota e procuram escolher terreno mais favorável para nova batalha.
Já vai longe a data em que as duas alternativas eram a Ota e o Rio Frio. Como os terrenos da Ota eram mais baratos por não interessarem nem à agricultura nem ao urbanismo, várias pessoas se podem ter tentado a investir aqui em força para colherem boas «mais valias» no momento da expropriação, para a construção do NAL e as pressões para ali se orientaram. Soa que tais pessoas estiveram ligadas a idêntico investimento no distrito de Beja tendo em mira as construções da A-2, de um projectado centro de rastreio de satélites em Almodôvar e de um resort chinês com amplos campos de golfe e um centro logístico para abastecer toda a Europa a partir do porto de Sines.
Tendo, assim, sido desprezada a hipótese de o NAL ir para Rio Frio, ficou apenas a Ota para gáudio daqueles que ali investiram e o caso estava considerado encerrado, com o ministro Lino a dizer, com a sua pronúncia francesa, que no «deserto» da margem sul «jamais» seria construído. Com o «jamais» mostrou-se desactualizado quanto à geopolítica, pois, hoje é mais curial usar termos em inglês do que no obsoleto francês. Mas, como é iberista...
Porém, alguém não preso pelo pescoço ao Poder, nem ao grupo influente dos investidores prediais, alertou para os graves inconvenientes da Ota e para as variadas vantagens da margem Sul. E surgiu a hipótese de Alcochete onde o Estado possui terreno suficiente para instalar o NAL com todas as suas dependências. Os investidores não podiam encarar com bons olhos tal solução, por não haver hipótese de ali virem a beneficiar de mais valias, mas, na sua esperteza, viram que a lógica iria inclinar-se para a margem esquerda do Tejo, dadas as vantagens variadas daí resultantes para o País. Ora, naquela margem, no tal «deserto», dado que o Rio Frio já tinha sido excluído do campeonato, e Alcochete não lhes interessar, havia que deitar as garras à hipótese, já em tempos referida de fugida, do Pinhal Novo.
Agora vinda a público a notícia baseada em estudo elaborado por técnico credenciado, há todo o interesse em investigar o que consta ou venha a constar na Conservatória do Registo Predial da área quanto às transacções de terrenos efectuadas desde o início deste ano. Desta forma, à semelhança de igual pesquisa na região da Ota, ficará a saber-se quem tem originado tantos atrasos na decisão sobre a localização do NAL e causado tão vultosas despesas em sucessivos «estudos» e «comissões de estudo». É certo que os custos desses estudos não foram perdidos porque entraram no bolso de «estudiosos» amigos e da confiança dos detentores do Poder! Mas o erário público, o dinheiro dos nossos impostos, esse foi gravemente lesado, bem como os custos da demora da entrada em funcionamento do NAL e as sucessivas adaptações entretanto necessárias na Portela para poder manter a operacionalidade por mais tempo.
Esperemos para ver. Mas a lógica não trará grandes surpresas ao que aqui fica esboçado, à laia de profecia.
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A. João Soares
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A formação gera riqueza
O JN de hoje traz a oportuna notícia de que decorre na Fundação Gulbenkian, em Lisboa uma conferência internacional sobre sucesso e insucesso escolar em que vários especialistas defendem que a educação é fundamental para o aumento da riqueza dos países e para o desenvolvimento social e cultural da humanidade.
Anna Vignolles, da Escola Londrina de Economia e Ciências políticas afirmou, com muita clareza, que a "Educação é um investimento para produzir capital humano, essencial para aumentar a produtividade e as capacidades económicas do país", pois a "educação traz benefícios para o pais e para os indivíduos ao aumentar, para além da produtividade, os salários" que "devem reflectir os níveis de produtividade dos indivíduos".
Segundo Manuel Villaverde Cabral, investigador e coordenador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, é "este défice de capital humano que explica a extrema dificuldade com que a economia (portuguesa) está a enfrentar os desafios da competitividade à escala global".
Porém, julgo que não se pode esperar que estas afirmações, só por terem sido proferidas produzam milagres. Já há muitos anos que se aceitaram estas verdades e Portugal recebeu dinheiro da CEE para a formação profissional com vista a elevar a produtividade das suas empresas aproximando-a da média europeia. E nada se conseguiu, tendo até surgido suspeitas de fraudes de organismos sindicais e de muitas empresas.
As ideias e as intenções são imprescindíveis, mas devem ser continuadas pela prática, pela sua realização no terreno. E, para ser eficaz, esta exige adjectivação como ser séria, honesta, sempre tendo em vista objectivos bem definidos, ministrada a pessoas interessadas e estimuladas para a aprendizagem, por instrutores (professores) competentes e eficientes, sem aldrabices nas avaliações, etc.
Além da maior produtividade e possibilidade de melhor salário, o trabalhador com melhor preparação quer nos aspectos específicos quer de âmbito geral, usufrui de maiores facilidades de mudar para melhor emprego ou de encontrar trabalho no caso de a sua empresa fechar. Quem quer realmente trabalhar e dispõe de uma boa formação cultural e profissional, facilmente encontra emprego, porque tem várias hipóteses à sua frente. Há, porém que evitar aquela posição vaidosa, inepta e anquilosada de rejeitar um emprego só porque não é compatível com o seu grau académico.
Um simples quiosque de jornais fará melhor negócio se, em vez de empregado analfabeto, tiver um mestre em comunicação social, política internacional ou literatura (exagero dispensável!). Tive conhecimento, há cerca de trinta anos, de que um oficial de marinha fora saneado por inveja de camaradas que não se sentiam bem a seu lado porque a comparação com a sua inteligência, saber, competência profissional e dedicação ao serviço, os deixava ficar mal classificados, não se sentindo bem. Para ter o tempo ocupado e suprir o efeito do carimbo que lhe colocaram, resolveu criar um quiosque de jornais e revistas, onde granjeou uma clientela culta com quem discutia os temas mais interessantes do dia. A facturação foi crescendo e o negócio progrediu... O segredo do seu êxito foi a sua formação superior, o apoio dado a clientes menos informados e o diálogo culturalmente enriquecedor com os indivíduos mais cultos que lhe deram a preferência, em detrimento de outros locais de venda pior providos de capital humano.
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