Não devemos rejeitar inovações
(Public em O DIABO nº 2266 de 05-06-2020 pág 16. Por A João Soares)
As controvérsias fazem parte inerente da pesquisa científica. O filósofo francês Edgar Morin afirma que uma teoria só é científica ser for refutável e que em ciência nada deve ser considerado dogmático. Por isso, não devemos recusar inovações mas, ao tomar uma decisão estratégica, destinada a regular a vida futura, devemos ponderar com o maior cuidado e profundidade as suas vantagens e inconvenientes, tendo sempre em atenção os condicionamentos actuais e previsíveis que influenciarão a sua concretização. Se rejeitarmos, levianamente ou por receio excessivo, aquilo que nos parece ter riscos, podemos estar a aceitar a paralisia e a estagnação da vida, o que é grave, principalmente, quando se trata do futuro de um Estado. Assim, é preocupante quando se ouve um alto responsável afirmar, sem explicação cuidada e com ar aparentemente seguro, que a virtude está em prometer a continuidade dos assuntos socioeconómicos e a estabilização e recuperação das soluções que podem ter parecido boas durante a crise actual.
É imperioso não ter medo de fazer mudanças e verificar que grandes passos em frente, na História Nacional, foram devidos a decisões corajosas que podiam ser criticadas por demasiado ousadas e perigosas pela tradicional calma passiva do nosso povo. É aplicável a este conceito a posição do ‘Velho do Restelo’ que Luís de Camões descreve na sua obra épica. Porém, a coragem não deve ser confundida com inconsciência, capricho fantasioso ou atrevida ousadia, pois devem ser bem ponderadas as prováveis vantagens e inconvenientes a fim de serem obtidos os melhores resultados para o melhor futuro dos portugueses. É conveniente que, neste momento, com grandes perspectivas de evolução em variados aspectos da sociopolítica mundial, as decisões estratégicas não se confinem a recuperar a vida anterior à pandemia e, muito menos, não se agarrem à continuidade de algo que tivesse vantagens para um ou outro sector mas sem interesse para a globalidade dos portugueses. Tal visão estratégica de melhorar os interesses essenciais de Portugal deve contar com a colaboração de pensadores nacionais e especialistas dos temas a abordar e das soluções a procurar, e que sejam independentes sem ligações a partidos nem a grandes grupos económicos para não se perder esta oportunidade de procurar o melhor para o futuro dos portugueses e para o engrandecimento do nosso País.
Tem havido muita gente a apontar como exemplo países que reconheceram que as medidas de confinamento foram demasiado restritivas e sem tomarem em consideração aspectos peculiares que não deviam ser abrangidos por regras gerais, e olhando para indesejados resultados para a economia, os serviços fundamentais, etc., e que estão a alterar todo esse projecto, como o Japão e vários países europeus, controlando os resultados e não vendo inconveniente no abrandamento das restrições aplicadas. Das pessoas que se colocaram ao lado do alívio do isolamento exagerado destaca-se a médica Margarida Abreu, que afirmou que pior do que a pandemia do Covid-19 foi a pandemia do medo que tolheu muitos cérebros e criou consequências de difícil eliminação e os muitos crimes de violência doméstica que afectaram muitas famílias da pior maneira. Os inconvenientes de ordem psicológica foram muito notados. Embora não haja certezas e previsões dogmáticas, podemos abraçar a realidade dos “factos que acompanhamos diariamente: o despertar da solidariedade e a oportunidade de reforçar a consciência das verdades humanas que fazem a qualidade de vida: amor, amizade, comunhão e solidariedade”.
Muitos pensadores à semelhança de Edgar Morin, sem darem uma ideia clara do que será a vida social nos próximos meses e anos, confessam a incerteza mas admitem que surgirão soluções totalmente discordantes da vida anterior à pandemia. Será um mundo novo e imprevisível. Oxalá se caminhe para mais amizade e solidariedade, com mais respeito pelas pessoas e menos apego doentio ao dinheiro e que as sociedades sejam mais pacíficas e harmoniosas. A criação do futuro está nas mãos dos governantes que devem ter a honestidade de perscrutar os reais interesses da população em geral, sem privilegiar injustamente ‘elites’ alheias aos mais altos interesses da Nação, como conjunto de todos os cidadãos. ■
quinta-feira, 4 de junho de 2020
NÃO DEVEMOS REJEITAR INOVAÇÕES
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A. João Soares
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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Souto Moura premiado
Este prémio já tinha sido atribuído a outro português, o também arquiteto Álvaro Siza Vieira, em 2001.
Sobre Souto Moura, já aqui foi referido, em 16-09-2011, o seu prémio pela Casa das Histórias, museu de Paula Rego, em Cascais.
Estes êxitos a tão alto nível devem ser publicitados porque, além de ser uma retribuição ao mérito dos galardoados, constitui um exemplo e um estímulo aos mais jovens para darem asas às suas capacidades de inovação e criatividade, porque em arte, a cópia e a imitação não merecem elogios.
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A. João Soares
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quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Mar, Agricultura e Indústria
Transcrição de artigo de opinião que convida a meditar sobre as palavras, ideias ou intenções e as realidades visíveis:
A expiação de Cavaco
Económico. 22/11/12 00:25 | Helena Cristina Coelho
Rodeado por criativos e especialistas em tecnologia e inovação, Cavaco Silva subiu ao palco para falar do futuro.
Rodeado por criativos e especialistas em tecnologia e inovação, Cavaco Silva subiu ao palco para falar do futuro. Mas foi ao passado que acabou por regressar ontem, na abertura do Congresso das Comunicações. Os portugueses, alertou o Presidente, precisam de voltar a olhar para os sectores que esqueceram nas últimas décadas: o mar, a agricultura e a indústria. Isto porque, justificou, é preciso ultrapassar estigmas, é obrigatório criar riqueza no país, é urgente gerar novas bases de crescimento económico. E isso deverá passar por produzir mais e melhor esses produtos e serviços, para chegar aos mercados externos.
Se Cavaco Silva acredita mesmo que a regeneração económica do país passa por voltar a investir em sectores que passaram as últimas décadas a ser esvaziados, é bom que saiba como isso se faz. Porque, nesses mesmos anos, pouca gente ou quase ninguém soube como (ou conseguiu) travar o declínio das pescas, o abandono das terras ou o fecho sucessivo de fábricas.
O próprio Presidente, num artigo de opinião publicado há um ano no ‘Expresso', já discursava nesse sentido. Que venham mais apoios para a agricultura, que se incentivem os jovens, escreveu na altura. Metas bem intencionadas - só é pena que colidam com os números que seguem em sentido contrário.
Já nessa altura, apenas 2% dos agricultores tinham menos de 35 anos e 10% tinham menos de 45 anos, com tendência a agravar-se. É possível que hoje sejam mais, empurrados pela crise e pelo desemprego a criar novas oportunidades onde (ainda) há abandono e desinvestimento.
Mas quantos destes - apesar de tudo, nobres e necessários - projectos empreendedores podem dar verdadeira escala à economia portuguesa? E quantos serão necessários para que Portugal resgate da sombra sectores tão maltratados como o mar, a terra ou a indústria?
Haverá muitos culpados nesta história, desde as políticas e quotas comunitárias que condicionaram os volumes de produção no país, aos subsídios que fomentaram muita dependência e comodismo em vez de competitividade, sem esquecer o próprio plano económico do país que, a certa altura, preferiu o betão das autoestradas a pastos e searas.
Cavaco Silva estava lá e sabe como poucos o impacto que essas decisões tiveram na sobrevivência desses sectores. O que faz parecer esta sua proposta um acto de expiação pelos factos passados. Os portugueses, ao contrário do que diz o Presidente, não esqueceram esses sectores - tanto é que muitos estão a regressar a esses negócios, investindo, inovando, diversificando. Porque sabem que o mar, a agricultura e a indústria estão longe de se esgotar no peixe, na fruta ou numa peça de roupa. Mas acreditar que isso basta para alavancar a economia não é um plano para o futuro. Parece mais uma remissão do passado.
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A. João Soares
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domingo, 11 de novembro de 2012
Reconstrução do País
Já em 17-11-2008, foi publicado o post Utilidade da crise!!! e agora a ideia vem sendo reforça, por Isabel Jonet que aconselha a dispensar o supérfluo e desnecessário para podermos ter o necessário e útil e também por João Vaz, redactor principal do Correio da Manhã, que aconselha os portugueses deixar de discutir o sexo dos anjos e a focar as energias na procura de uma saída da crise.
E diz que, sendo difícil crescer economicamente, por escassez de financiamentos, é preciso:
- Atrair o investimento estrangeiro,
- mostrar capacidade de trabalho e inovação e
- gerar rentabilidade
Acrescenta que «esta trindade é a base de reconstrução do País, destroçado pelo desgoverno, a corrupção e a falta de justiça».
Alguns «sábios», apologistas de palavras raras mas sem comunicarem conteúdo significativo, dizem que isto são banalidades que nada acrescentam, mas na realidade isto não são banalidades, mas sim conceitos, preceitos práticos, valores insubstituíveis, que não devem ser postergados, mas sim repetidos até que o bom povo que constitui o âmago da Nação os interiorize e pratique.
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A. João Soares
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quarta-feira, 18 de abril de 2012
Crescimento para interesse de todos
Por vezes, o maior interesse de uma notícia não está apenas no seu conteúdo, mas principalmente nas ideias que o seu título sugere. É o caso de Carlos Costa: "A Europa precisa de um centro que pense o crescimento em função dos interesses de todos". Isto deve aplicar-se não apenas a nível Europeu, mas dentro de cada Estado, de cada empresa ou colectividade. Com efeito, o objectivo de melhorar a «justiça social», reduzindo o fosso entre os mais ricos e os mais pobres, atinge-se através de educação que conduza a que todos possam contribuir para o enriquecimento nacional, com o seu trabalho e a correcta gestão dos seus recursos, sejam muitos ou poucos.
Portugal, precisa crescer, estimulando universidades, empresas e pessoas a inovar, para daí saírem empresas a oferecer emprego aos mais jovens e permitir a mobilidade de trabalho dos mais experientes. Há que saber explorar as oportunidades da inovação dimensionando a oferta em relação à procura e estimulando esta para aproveitar a nova oferta, sempre com o fito de melhorar o bem comum.
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quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Escadas do Metro
O vídeo mostra o que um grupo de engenheiros realizou para motivar as pessoas a subirem a escada fixa do metro.
Cerca de 97% da população usava a escada rolante.
Uma simples, mas genial ideia mudou a "vida" das pessoas, motivando-as a fazer exercício, sem quase notar.
As ciências e a tecnologia estão aí para servir, ajudar.
Realmente, os cérebros privilegiados descobrem coisas geniais mas muito simples. Os medíocres deslumbrados impõem as coisas mais complicadas mas sem valor. Tem sido esse um dos grandes males do País com os procedimentos administrativos cada vez mais complexos e demorados, a incitar à corrupção e que só complicam e atrasam a vidas dos cidadãos e o desejado desenvolvimento nacional.
Mas as inovações devem ser ponderadas, consistentes e com boas perspectivas de futuro quanto à economia e eficácia da manutenção.
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domingo, 18 de setembro de 2011
Portugueses com valor reconhecido no estrangeiro
Segundo a notícia do JN o Investigador de Vila Real premiado por tratamento inovador de resíduos, o investigador João Claro, docente do Centro de Química da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) foi um dos vencedores do "Green Projects Awards" pela autoria de um processo inovador de tratamento de resíduos e efluentes dos lagares de azeite com pó de cortiça para produção de biomassa. O prémio significa que o projecto BioCombus, que tem em desenvolvimento, conta com um financiamento comunitário de 1,16 milhões de euros.
A concretização do projecto está a ser feita através de uma parceria entre a UTAD e a Cooperativa Agrícola dos Olivicultores de Murça.
O investigador propõe-se resolver dois problemas em simultâneo, os resíduos e efluentes resultantes dos sectores oleícola e da cortiça, juntando-os e transformando-os em biomassa, que poderá ser utilizada como combustível sólido para caldeiras domésticas.
Com este projecto liberta-se o ambiente dos inconvenientes da «água russa» que sai dos lagares e é mais poluente do que os dejectos da população verifica-se e a aplicação da biomassa resultante em aquecimento contribui-se para idêntico objectivo do conseguido em Paredes, em que desde 2010 escolas e instalações autárquicas são aquecidas com desperdícios das fábricas de móveis, estando a Câmara de Paredes a substituir o gás natural por resíduos de madeira reciclados, em pequenos briquetes cilíndricos, provenientes das mais de 1200 fábricas de mobiliário do concelho.
Também recentemente, os quatro estudantes que participaram nas V Olimpíadas Iberoamericanas de Biologia, na Costa Rica, obtiveram óptimos resultados, tendo Diogo Maia e Silva, conquiatado a medalha de bronze, sendo a primeira vez que Portugal foi premiado na competição.
Portugal precisa de valores humanos, de produtividade, de competitividade e de exportação e os processos aqui referidos que economizam recursos, tornam a vida mais barata e segura e defendem o ambiente, merecem ser destacados. A inovação e a criatividade são dois factores de que Portugal tem necessidade, quer internamente quer para exportar ideias, projectos e equipamentos.
Bem se encaixariam nestes nossos concidadãos as comendas da Ordem do Infante D. Henrique.
Links referidos no texto:
(1) Investigador de Vila Real premiado por tratamento inovador de resíduos
(2) Ambiente - 4 RRRR
(3) Estudante premiado no estrangeiro
(4) Prémios justos, merecidos ???!!!
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sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Centro de inovações visa o futuro
Se procurarmos fazer uma lista dos instrumentos de trabalho e de lazer agora existentes e que não eram sequer imaginados há 50 anos corremos o risco de encher várias folhas A4. E outros já eram previsíveis mas tomaram formas novas, mais funcionais e práticas. Tais inovações mostram que será difícil imaginarmos o que existirá dentro de 10 anos, porque a inovação está a surgir a um ritmo cada vez mais veloz.
E um País que se preza de pertencera a uma área das mais desenvolvidas do planeta não pode ficar á espera das ofertas de centros mais evoluídos que nos invadem com um marketing em constante actualização, nas suas tácticas de convencimento e nos novos produtos que apresentam. É preciso inovar, criar e exportar, para se sobreviver num mundo de trocas constantes.
Integrado neste conceito, nasce um Centro de inovação nasce na Asprela, do Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, destinado ao desenvolvimento de novos produtos por investigadores, em articulação com grandes empresas.
Espera que seja uma semente de um crescimento promissor para o País. Oxalá o Estado, com as suas burocracias não lhe tolha a criatividade e não o transforme num «instituto» apenas destinado a albergar «boys». Da forma como o País tem andado tudo é de temer, mas temos que acreditar na eficiência de organismos que incentivem as pessoas bem intencionadas e com ideias positivas com potencialidade de aproveitamento prático. Precisamos de crescimento saudável e tudo leva a crer que este germe o vai produzir. Estas esperanças são fundamentadas nos vários exemplos de estudantes que têm sobressaído com valor acima da média e têm conquistado prémios muito significativos em concursos no estrangeiro.
Há motivos para sermos vaidosos das potencialidades dos nossos compatriotas, que poderão ser autores de grandes feitos, assim os políticos os saibam compreender e apoiar na proporção do seu mérito e dos seus projectos.
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segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Ideias com visão de futuro
As palavras dos políticos com cargos de responsabilidade devem merecer a atenção dos cidadãos por servirem de alertas e sugestões para construir um amanhã menos preocupante do que o hoje. Para isso, devem inserir-se numa linha de pensamento coerente, numa estratégia clara e perceptível que ajude cada agente económico a planear o seu esforço de forma útil ao desenvolvimento próprio e do País.
Deve ter sido nesse sentido que Cavaco Silva pede “ideias com visão de futuro” para Portugal. Mas não é fácil descobrir qual é a ideia estratégica de Cavaco Silva, se a tem. Do que temos observado ao longo de dezenas de anos verificamos que costuma mostrar-se adepto da continuidade, sem mudanças, com tabus, com receios, com a exagerada preocupação de que é preciso mudar apenas quando há a certeza de ser para melhor.
Ora a inovação exige mudança permanente, ter ideias para o futuro será um inconformismo com o presente e a procura de novas soluções para os problemas. As «ideias com visão de futuro» são um objectivo desejado, correcto, porque a vida é feita de mudança, embora ponderada resultante de estudo bem conduzido.
Mas a incoerência com as ideias expressas anteriormente, a aversão à mudança e o seu apego a soluções provadamente desadaptadas ao presente, obsoletas, que conduziram à actual situação, dificulta a interpretação da linha de pensamento prospectivo de planeamento do PR.
Será conveniente que se apoie a criação de novas ideias, embora apenas se aproveitem as mais convenientes perante os condicionalismos existentes, a fim de as mudanças contribuírem para melhorar a vida dos cidadãos. «Para pior já basta assim». Este conceito ficou expresso no post que referia a notícia Cientistas concorrem com ideias inovadoras.
Serão bem vindas todas as «ideias com visão de futuro» e, principalmente todas as decisões bem preparadas com vista a um amamanhã risonho para os nossos descendentes.
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segunda-feira, 1 de março de 2010
No PSD dos três ficará um
Os temas abordados neste espaço com mais frequência referem-se à actividade governativa nos diversos níveis e sectores, por deles depender o futuro de Portugal e da vida das pessoas e por saírem de pessoas que, ao tomarem posse dos seus cargos, fizeram um juramento solene que as torna responsáveis perante a Nação. No entanto, a oposição, porque tem responsabilidades no Poder legislativo e de controlo do Governo e porque pretende vir a ocupar responsabilidades governativas, não pode deixar de ser observada a fim de se ter capacidade de tomar posição consciente em futuras eleições.
Nestas condições, o partido da oposição que pretende ser o principal candidato na alternância governativa democrática, deve estar sob as luzes da ribalta. E além dos seus problemas internos, não pode passar despercebida a divergência declarada sobre um problema de interesse nacional a qual mostra a índole dos candidatos em relação aos assuntos do Estado.
O Candidato a líder do PSD, Passos Coelho defende que Pinto Monteiro se demita ou seja demitido pelo Governo. «Eu julgo que este procurador-geral da República tem tido um desempenho, mesmo junto do Parlamento, que não é satisfatório e creio que seria um bom contributo para recuperar a credibilidade da justiça, nesta altura, que fosse designado um novo procurador-geral da República.»
Perante isto, o eurodeputado e candidato à liderança do PSD Paulo Rangel demarcou-se este domingo da sugestão feita pelo seu adversário Pedro Passos Coelho para o Governo substituir o procurador-geral da República.»
Por outro lado, o candidato à presidência do PSD Aguiar-Branco considerou hoje que o Governo e o Presidente da República são quem se deve pronunciar “em primeira instância” sobre as questões relacionadas com o procurador-geral da República.
Segundo ele, “o procurador-geral da República é nomeado conjuntamente pelo Governo e pelo Presidente da República. Acho que em primeira instância devem ser essas entidades a pronunciarem-se sobre essa matéria”, respondeu Aguiar-Branco aos jornalistas quando questionado sobre as declarações de Pedro Passos Coelho, que pediu hoje a José Sócrates que substitua Pinto Monteiro.
O líder da bancada parlamentar social-democrata sublinhou, no entanto, que o PGR “na sua actuação, tem contribuído mais para confundir do que para esclarecer”.
“Eu acho que o senhor procurador-geral da República tem tido uma actuação, quer pela forma, quer pelo momento e nas condições em que faz as suas intervenções, que não tem dado um contributo para o esclarecimento em matérias que tão sensíveis, que têm preocupado os portugueses”, realçou Aguiar-Branco.
Estas três posições que se enquadram na luta pelo poder dentro do partido deixam transparecer luz e sombra sobre o futuro dos portugueses.
Dos três o mais sincero, talvez mais puro e ingénuo, foi Passos Coelho, sem os castiços jogos de palavras que obscurecem a verdade que os políticos nos pretendem ocultar com o aspecto de a estarem a querer contar!
Quanto à posição de Paulo Rangel fica por explicar qual é o seu receio da substituição? Qual é o óbice que ele vê nessa mudança? Será que não há no País ninguém capaz de exercer o cargo com mais eficiência do que o actual PGR? Ou haverá aqui alguma cumplicidade? Será que prefere a estabilidade do pântano à melhoria esperada pela mudança?
E, por sua vez, a posição de Aguiar-Branco é obscura, demasiado formal. Parece não querer meter-se em assunto em que não tenha responsabilidade institucional. No entanto reconhece pontos fracos na actuação do actual PGR.
Dessa forma,dificilmente poderá ser um defensor activo dos interesses nacionais, do povo português.
Com estas águas tépidas, parece que há algo de sensato que merece ser meditado no post Estabilidade ou estagnação?
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
A crise pode ser uma bênção
“A Crise”, segundo Albert Einstein.
“Não pretendemos que as coisas mudem se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos.
A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar "superado".
Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais aos problemas do que às soluções. A verdadeira crise é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia.
Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la“.
NOTA: Recebido por e-mail. Vamos em frente em busca de soluções, criemos novos métodos de trabalho, de vida. O sistema actual já se mostrou antiquado, é preciso outro mais adequado às circunstâncias actuais.
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sábado, 15 de novembro de 2008
Sucesso de jovem cientista português
Mais um português a distinguir-se na senda da excelência, da procura do mérito, mostra-nos que na nossa juventude algo se distingue da mediocridade com que nos preocupamos. Há quem diga que são poucos, são excepções. Mas Roma e Pavia não se fizeram num dia. E estas excepções mostram que existem boas sementes para se poder ter esperança numa floresta de pessoas com muito valor, talvez génios, que não fiquem atrás dos cientistas que apoiaram os descobrimentos da época gloriosa de 500
Já aqui foram referidos vários. Agora não podia deixar de dar espaço ao jovem investigador Luís Gargaté, do Instituto Superior Técnico, de 27 anos, a preparar o doutoramento e que, em contacto com instituições científicas estrangeiras, inventou um escudo magnético para naves espaciais, segundo notícia do DN de hoje. Já testou a hipótese de utilizar um campo magnético e um plasma para produzir um escudo protector para naves espaciais que já é possível fazer em laboratório. A descoberta foi publicada na Plasma Physics and Controled Fusion.
Luís Gargaté já conseguiu mostrar a viabilidade do conceito, juntamente com colegas do Rutherford Appleton Laboratory, em Inglaterra. Neste laboratório foram feitas experiências à escala laboratorial, coroadas de sucesso. A equipa chama-lhes mini-magnestosferas, e funcionam.
Os corpos no espaço estão expostos ao embate de partículas altamente energéticas do vento solar e das estrelas, que podem ser mortais. Aqui, na superfície do nosso planeta, como explica Luís Gargaté, estamos protegidos desse perigo pela magnetosfera da Terra, que as repele para o espaço. As únicas missões espaciais tripuladas que até hoje foram além da magnetosfera terrestre foram as Apolo, que rumaram à Lua. "Foram missões curtas e sabe-se hoje que os astronautas tiveram muita sorte porque nunca houve episódios de radiação mais intensa a coincidir com as missões", conta o investigador do IST. Mas numa viagem tripulada a Marte, muito mais prolongada, o problema vai colocar-se de forma grave.
A apetência deste cientista por estes assuntos vem do último ano da licenciatura em Engenharia Física e Tecnológica, quando começou a trabalhar em plasmas, no Grupo de Lasers e Plasmas do Instituto Superior Técnico. Nessa altura, Gargaté explorou a ideia de utilizar este estado da matéria como fonte de energia para lançar satélites o que já se tornou possível. Agora, a acabar o doutoramento, o investigador olha para os plasmas de outra maneira. Estava-se em 2006 e um dia, em conversa com Robert Bingham, professor em Rutherford, surgiu a ideia. Porque não utilizar os plasmas, juntamente com um campo magnético, como escudo protector de satélites ou naves, como acontece com a própria Terra?
Torna-se assim realidade a ficção apresentada na série Star Trek, em que quando os raios cósmicos apertavam, o seráfico Spock activava o escudo protector da Entreprise e os tripulantes ficavam seguros.
sábado, 27 de setembro de 2008
Mais um português premiado no estrangeiro
O concorrente açoriano Bruno Medeiros conquistou a medalha de ouro na sua área de actividade, no Campeonato Europeu das Profissões (Euroskills), que decorreu na semana passada em Roterdão (Holanda). É o melhor carpinteiro da Europa, tendo sido consagrado como um jovem talento ao construir a porta de uma casa com uma janela basculante.
A mãe, quando via o miúdo, um dos seus quatro filhos, martelo e pregos na mão, a brincar com os restos de madeiras que ele próprio ia buscar a uma carpintaria perto de casa e lhe dizia "um dia vais ser carpinteiro", não imaginava que o filho viesse um dia a ganhar a medalha de ouro europeia na área da carpintaria.
Parabéns ao Bruno, com votos de que tenha um futuro prometedor e que o seu exemplo seja seguido por muitos jovens que canalizem as suas capacidades para projectos válidos para a sua vida e o País. Portugal precisa de gente válida e criativa e não de indolentes viciados no ócio inútil.
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Estudantes portugueses premiados nos EUA
Ontem, foi anunciado que dois alunos do Instituto Superior de Engenharia do Instituto Politécnico de Coimbra, venceram o concurso «Mastercam Wildest Parts Competition» de 2007-2008, realizado nos EUA, na categoria pós-secundário, com o trabalho intitulado «Ferrari Enzo» que é um protótipo de um Ferrari Enzo e a respectiva base de suporte, à escala de 1/100
O júri ficou «impressionado» com a forma como criaram «peças separadas para os eixos e as rodas maquinadas». A atribuição do prémio «é o reconhecimento do esforço, dedicação e empenho envolvidos», uma vez que este trabalho absorveu «bastante tempo» e criou «diversas dificuldades» que foram superadas.
Segundo um dos premiados espera-se que esta vitória, seja um factor de motivação e que, ao mesmo tempo, encoraje alunos e docentes a participar em iniciativas deste tipo, por forma a pôr em prática a criatividade e conhecimentos adquiridos ao longo do curso.
Factos como este são uma prova de que há portugueses estudiosos, com capacidade inovação e criatividade que constituem esperança de um futuro melhor para o País. Com exemplos destes, Portugal há-de vencer a crise e recuperar o prestígio que já teve em tempos não muito distantes.
Parabéns aos contemplados e votos de que apareçam mais, muito mais, seguidores com olhos no progresso.
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domingo, 6 de julho de 2008
A Crise altera comportamentos
Desde sempre, as grandes catástrofes e as crises, mesmo que de âmbito menos grave, resultam em alterações de comportamentos com ajustamentos de procedimentos e adequação das despesas, cortando com consumos menos necessários ou facilmente substituíveis por outros.
Actualmente, as pessoas estão perante grandes elevações de preços desde as energias até aos alimentos imprescindíveis. A falta de treino nas contas dificulta uma adaptação rápida mas, mesmo com atrasos, ela está a aparecer.
Segundo diz o ditado «a necessidade aguça o engenho» e a capacidade de improviso e de desenrascanço da população está a evidenciar a sua engenhosidade na procura de soluções.
Hoje no Diário de Notícias e no Jornal de Negócios é tornado pública a grande queda do consumo de gasolina, principalmente a de mais octanas e um ligeiro aumento do consumo de gasóleo.
Isto representa que muita gente optou por deixar o carro parado e por utilizar os transportes públicos. E aqueles que não podem deixar de usar o carro, passaram a consumir gasolina mais barata quase deixando de ser vendida a aditivada e a preferir carros a gasóleo por motivo de economia. Por outro lado, diminuiu o culto do carro novo o que levou as vendas de carros a baixar significativamente.
O aspecto negativo do fenómeno, além de significar um amortecimento da actividade económica, é o risco de encerramento de muitas empresas que se dedicavam à venda de combustíveis e de veículos, com o respectivo aumento do desemprego. Mas as pessoas ao gerirem os seus problemas não podem limitar-se com essas consequências. Isso acontece sempre que há alterações económicas e tecnológicas; quando começaram a ser utilizados os automóveis, há cerca de um século, deixou de haver trabalho para os ferradores, construtores e reparadores de carroças e tratadores de cavalos. Há que fazer a reconversão das empresas que encerrarem e a reciclagem das suas actividades. A flexibilidade de emprego é cada vez mais frequente e exige dos trabalhadores mais capacidade e vontade de aprender novas tarefas em actividades diferentes. O progresso não se compadece com incapacidade de adaptação das pessoas. É bom que todos se compenetrem deste fenómeno e o encarem de modo positivo, construtivo.
É nas crises que é fundamental a possibilidade de adaptação a novos trabalhos, o improviso, a inovação e a competência que permita produtividade crescente.
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terça-feira, 2 de outubro de 2007
Estacionamento irregular em Lisboa
Parece que a «tolerância zero para o estacionamento irregular» lançada pela câmara de Lisboa no dia 12 de Setembro durou pouco tempo, tendo sido um fracasso. Esta é a opinião de comerciantes e moradores que têm vivido de perto a situação. Segundo eles, «só nos primeiros três dias é que houve menos carros parados em segunda fila e nos passeios. Depois voltou tudo ao mesmo».
Segundo dados recolhidos junto da Polícia Municipal, entre os dias 12 e 26 foram detectadas 770 infracções, sendo 188 devidas a estacionamentos em segunda fila e 236 a estacionamentos em cima dos passeios. Foram bloqueados 323 veículos e rebocados 69. Tl quantidade de autos, à semelhança do que aconteceu com os radares, torna as soluções ineficazes e condenadas a breve colapso.
E assim se descredibiliza uma instituição, pelo simples facto de a decisão não ter sido baseada num estudo cuidadoso, em que deviam ser previstas a viabilidade da execução e os efeitos a obter. Não é por falta de assessores, visto que notícias recentes davam conta de centenas de tais funcionários na câmara. Falta-lhes em competência o que lhes sobra em confiança política. Gerem os seus palpites pelo princípio de que é preciso fazer qualquer coisa mesmo que seja errada.
Ouvi há dias que o presidente devia despedir todos os funcionários da câmara com um QI inferior a 50. Ficaria praticamente sem ninguém e teria de pagar grossas indemnizações, mas ganhava a câmara e ganhava Lisboa. Depois abriria um concurso para uma dezena de assessores com um QI superior a 80 (é suficiente para assessorar os vereadores) e tudo funcionaria melhor.
O trânsito e o estacionamento em Lisboa tem de ser encarado com racionalidade e não na continuidade de soluções que nunca foram eficientes. Tem de se actuar no sentido de reduzir a quantidade de carros que todos os dias entram na cidade e, na sequência, fica resolvido o problema do estacionamento. Não é preciso obrigar ao pagamento de «portagem», deixa-se a decisão ao automobilista. Como? Criam-se parques de estacionamento na periferia da cidade, com grande capacidade, em altura ou em profundidade. Por exemplo, junto ao viaduto Duarte Pacheco, entre a avenida de Ceuta e o cimo do viaduto podem guardar-se milhares de carros, num silo em que a parte superior será um terraço para partida de autocarros de várias carreiras para toda a Lisboa. Para as outras entradas a solução tem de ser parecida.
Os autocarros passariam a circular mais rapidamente porque as ruas estariam menos pejadas de carros. Para maior adesão a esta ideia, os bilhetes de autocarro podem estar ligados ao estacionamento, tornando-se mais baratos. Em paralelo, uma fiscalização rigorosa não permitiria estacionamentos irregulares. Os estacionamentos dentro da cidade fechariam e teriam outro destino. Desta forma, só entrariam na cidade os carros que fossem absolutamente indispensáveis.
Pelos vistos, ainda não houve nenhum assessor que tivesse pensado nisto e exposto de forma bem argumentada. E não é necessário ter um QI de alta cotação. Dum «yesman» preocupado em agradar ao chefe para subir na «carreira» nunca podem sair ideias inovadoras à medida dos problemas.
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sexta-feira, 21 de setembro de 2007
Sinais positivos
Embora já aqui tivesse surgido um comentário a insinuar que só se diz mal, a verdade é que não se cultiva a maledicência nem se fazem ataques pessoais. Referem-se casos que não deviam existir, antes deviam ser evitados ou corrigidos. Da existência de tais casos não temos a mínima culpa e, ao referi-los, usa-se um estilo didáctico e, sempre que possível, sugerem-se pistas para melhor actuação.
Uma boa crítica deixa sempre uma seta para a solução que pareça ser a melhor, embora possa haver mil opiniões diferentes sobre o mesmo assunto.
Neste momento, é justo que, das notícias de hoje se retirem dois casos positivos, para os enfatizar, por poderem servir de estimulo a outros agentes económicos.
1. A jovem marca de calçado portuguesa Goldmud, da empresa Whywhe, foi distinguida com o prémio "Revelação", em Milão, onde decorre, desde ontem e até amanhã, a maior feira de calçado do Mundo.
A representação portuguesa nesta feira é formada por 85 empresas e é a segunda maior do certame, que reúne mais de 1600 empresas do sector de calçado de todo o Mundo.
O prémio "Revelação" foi a grande novidade desta edição e visa "destacar o facto de terem sido criadas, desde o início do ano passado, mais de 60 novas marcas de calçado em Portugal".
2. Quanto aos têxteis, as exportações portuguesas confirmaram, em Junho, a tendência de crescimento desde o início deste ano, com o semestre a encerrar com um aumento global de 1,1%. Em comunicado, e tendo por base os últimos dados do INE, a Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP) refere que as vendas de artigos têxteis e vestuário ao exterior somaram até àquele mês perto de 2 128 milhões de euros.
Porém, estes dados, embora animadores não são para embandeirar em arco, porque ainda não cobrem as importações do sector que registaram uma evolução positiva de 4,2% até Junho, com destaque para o vestuário de malha, com 13,4% e de tecido com 6,8% de aumento. Mas, embora seja um sinal débil, poderá ser o inicio de uma recuperação sustentada.
Oxalá os nossos empresários se entusiasmem na inovação e na revelação e aumentem o seu volume de negócios, do qual obterão mais lucro, haverá mais benefício para trabalhadores e fornecedores, pagarão mais impostos e, em resultado do aumento do poder de compra, irão consumir mais e dinamizar o comércio e outras indústrias. O enriquecimento do País depende dos êxitos de cada um e «todos não seremos demais para tornar maior Portugal».
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terça-feira, 11 de setembro de 2007
O novo ano escolar começa
O novo ano escolar arranca oficialmente amanhã. Com o seu habitual optimismo exagerado, José Sócrates afirma que nos últimos dois anos, o Governo procedeu a uma verdadeira revolução na estrutura da educação. Pelo menos em quantidade de euros, ele diz que há dez anos gastava-se o dobro do dinheiro com muito mais professores para muito menos alunos. Este jeito para os números é um aberração de muitos ministérios que descuram a avaliação do seu desempenho para benefício dos portugueses, para se centrarem no dinheiro poupado.
É certo que não pode ser ignorado que o governo tem procurado reformar o funcionamento do ensino como o de muitos outros sectores, sendo de esperar que obtenha o maior êxito. Neste momento, um dos objectivos é contrariar o abandono e o insucesso escolar, que deixam o País a milhas dos indicadores da União Europeia. Oxalá que isso não se traduza no inconveniente facilitismo que prejudique a real preparação dos estudantes para a vida prática e para a investigação e inovação. Portugal precisa de bons técnicos, o que se consegue com a criação de hábitos de estudo, com sentido de responsabilidade e de culto da excelência.
Algumas medidas anunciadas merecem ter êxito como o alargamento da oferta de bolsas de mérito; o reforço da Acção Social Escolar para os mais carenciados, nomeadamente ao nível das comparticipações dos manuais; e os transportes daqueles a quem foram fechadas as escolas próximas da sua residência.
A competitividade e a produtividade das empresas, de que resulta benefício para o País, exige que a educação seja considerada um investimento essencial, para o País e para as famílias. Vale a pena afirmá-lo, repeti-lo e demonstrá-lo. Quando assim é, o espavento feito pelos meios de comunicação social sobre os custos da educação é não só despropositado como, muitas vezes, profundamente demagógico e errado. Seria bom olhar atentamente para o exemplo dado pelos países em que as famílias se empenham e endividam para garantir uma educação de qualidade aos filhos, mesmo com o sacrifício do carro, dos electrodomésticos e da casa. E ver em que ponto se encontram esses países nos rankings de competitividade! Se Portugal quer crescer para se aproximar da média europeia e deixar de ser a ovelha ranhosa, tem de olhar positivamente para o esforço a fazer na educação, por todos os cidadãos e pela administração pública.
O sucesso na investigação e na inovação é um fruto da reforma do ensino, mas não imediato. É preciso perseverança, persistência e objectivos bem definidos. Por outro lado, o insucesso escolar no país deve-se também a questões sociais e culturais, nomeadamente "à falta de uma cultura de apoio à escola e de gosto pelo saber". Mas, para avançar, temos que puxar a solução por vários lados e estabelecer prioridades e sequências do esforço para este ser útil e profícuo. A boa preparação escolar é fundamental para a evolução.
Texto recomendados sobre este tema:
O ano escolar arranca amanhã
Combate ao abandono é prioridade no novo ano lectivo
Educação a todo o custo
Sócrates elogia primeiros resultados
Exames fazem falta para responsabilizar
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A. João Soares
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segunda-feira, 25 de junho de 2007
Galiza - um modelo de desenvolvimento
Os nossos comentadores costumam citar como exemplos de desenvolvimento rápido a Irlanda e os Países Nórdicos do continente, mas em conformidade com a entrevista dada ao Jornal de Notícias por Emilio Pérez Tourinõ, 56 anos, profundo conhecedor da Galiza, tendo como professor universitário feito numerosos estudos sobre a economia e a sociedade galegas e sendo presidente da Junta da Galiza desde 29 de Julho de 2005, a Galiza, aqui tão perto, tem a economia a crescer a um ritmo invejável, orgulhando-se da sua pujança, e sendo um bom exemplo a seguir.
A Galiza está a crescer, há seis semestres seguidos, acima do resto da Espanha e mesmo da média europeia para o que, segundo ele, «existem vários elementos fundamentais. O primeiro é o clima de estabilidade e confiança. Propiciámos um marco de acordo e diálogo social. Essa foi a primeira tarefa que propus quando cheguei ao Governo. Convocámos os representantes dos empresários e todas as centrais sindicais e propusemos-lhes criar uma mesa estável e de diálogo social. Delineámos o objectivo de, em um ano, chegar a um acordo pela produtividade e o emprego da economia galega, com uma série de reformas e de medidas concertadas. Creio que esse clima foi alcançado.
«O segundo elemento é que, nos últimos anos, a economia galega conheceu uma modernização infra-estrutural significativa, no que toca à qualificação dos seus recursos humanos. Existem três universidades e há um nível de qualificação elevado. Eu dou um valor singular, no ranking da importância, à educação e à formação.
E, em terceiro lugar, considero que se gerou um núcleo de potentes investidores, de líderes empresariais…nos sectores automóvel, das pescas, agro-alimentar e de transformação de rochas ornamentais.»
As exportações galegas estão a crescer 17 por cento, «não apenas em quantidade. A componente das exportações que gera valor acrescentado está a ganhar muito peso. As exportações que incorporam valor acrescentado e uma componente média/alta do ponto de vista tecnológico são 25% do bolo total. E estamos a ganhar em produtividade. No último ano, a economia espanhola não teve crescimento de produtividade, mas a Galiza cresceu um por cento. Nos últimos dois anos criou-se 64 mil empregos. E estamos a reduzir a precariedade, que era um dos nossos maiores problemas. Crescíamos precarizando o trabalho - e isso não é bom socialmente, nem economicamente.»
«Os nossos motores de crescimento são a educação e a inovação. Há que vencer o desafio da produtividade da economia. Este é o objectivo central de toda a política económica. E não há outro remédio senão melhorar o capital humano e tecnológico. Quando tomei posse neste Governo planeei um crescimento de 20 por cento para a Educação em quatro anos. Praticamente, em dois anos, alcançámos esse objectivo. Estamos a qualificar a fundo os nossos recursos. O outro elemento fundamental é melhorar a nossa capacidade de investigação e de inovação. O desenvolvimento tecnológico. Pusemos em marcha dois grandes planos, cada um dotado de 800 milhões de euros. Um tem a ver directamente com a investigação e inovação e o outro com o acesso à sociedade do conhecimento, a extensão da banda larga a toda a geografia galega. Estamos a criar instrumentos potentes e inovadores nesse sentido.»
Para criar projectos foi já criada «uma sociedade de investimento, em que estão as três principais financeiras e os principais empresários, que nasce com um fundo inicial de 100 milhões de euros destinado a seleccionar projectos de investimento que gerem alto valor acrescentado à nossa economia. Queremos projectos singulares que actuem como motores, como elementos dinamizadores.»
Deixo aqui apenas este aperitivo. Quem desejar ler a totalidade da interessante entrevista encontra aqui.
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sábado, 5 de maio de 2007
Um passo para a inovação
Caravana ecológica percorre o país
Automóveis movidos com combustíveis ecológicos - óleo usado em restaurantes, biodiesel e híbridos - vão percorrer o país nos dias 11, 12 e 13, numa acção de sensibilização para as alternativas aos combustíveis fósseis.
A iniciativa "Portugal de lés a lés 2007 Travessia de Norte a Sul" é de um fórum de discussão sobre energias alternativas e renováveis, criado na Universidade de Aveiro. E, segundo um dos organizadores, Luís Miguel Oliveira, conta já com inscrições de utilizadores de todo o país.
A caravana ecológica parte de Bragança, com destino à Quarteira, onde termina com a participação numa exposição sobre veículos "amigos do Ambiente" e cozinhas solares. Para o reabastecimento ao longo do percurso, conta com pontos de apoio de utilizadores de combustíveis alternativos.
Custos reduzidos
De acordo com Luís Oliveira, estudante de Química da Universidade de Aveiro, a maior parte dos carros inscritos são movidos a biodiesel, mas há também alguns a "óleo directo" vegetal. Trata-se de um combustível alternativo que não afecta o rendimento do automóvel, já que tem um poder calórico semelhante ao gasóleo.
Quanto ao custo, comprando o óleo novo em supermercados, o preço por litro pode ficar a menos de 75 cêntimos. Mas muitos dos utilizadores recorrem mesmo a óleos usados, oferecidos por restaurantes e particulares.
NOTA: Os portugueses temos que inovar, pesquisar novas soluções para sobreviver na economia mundial em época de globalização. A solução do futuro não pode assentar nas actividades tradicionais. O artesanato é lindo e não deve ser esquecido, mas não basta para a competitividade internacional, para equilibrar a balança comercial. Há que investigar, descobrindo actividades em que possamos enfrentar a concorrência e sobreviver na arena internacional de amanhã, que não dará hipóteses a dorminhocos conformistas.
Felizmente, a juventude não está toda adormecida e resignada, havendo grupos de estudantes e académicos que se dedicam a perspectivar o futuro com vontade de vencer. Esta divulgação da utilização de novas energias não poluentes é de estimular, quando o petróleo ameaça esgotar-se e quando crescem as preocupações com a preservação do ambiente e as alterações climáticas.
É agora indispensável que avancem investidores e industriais a iniciarem a produção em massa e não deixem que estrangeiros se antecipem.
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