Um comentário de Fernando Vouga, enfatiza a necessidade de confiança dos cidadãos na honestidade e competência dos governantes, o que merece ser meditado de forma séria pelos políticos. Por isso aqui trago algumas cogitações sobre o tema.
Como militar, com brilhante folha de serviços ele sabe que um líder só o é integralmente quando inspira total confiança nos seus seguidores. Sabe, por teoria e por prática, que um comandante, principalmente nos mais baixos escalões, se não inspira confiança nos seus subordinados de forma a estes o seguirem até à morte, poderá, num momento crítico, olhar para trás e verificar que está sozinho, o que será um «suicídio», pois não será poupado pelo inimigo que, a seguir, destruirá também a sua unidade.
Um fraco rei faz fraca a forte gente. E no futebol, a confiança no treinador é indispensável para a equipa ganhar o campeonato. Não é por acaso que muito se fala no moral do balneário.
Entre nós, a falta de confiança nos políticos além de experiências anteriores, tem agora razões muito fortes e persistentes: desde a confusão sobre as habilitações literárias, às promessas falsas e enganadoras, à «politica do chocolate», às «medidinhas», ao aparecimento nas TVs só para se mostrar, com o disfarce de mais uma promessinha, ao deslocamento a qualquer promoção empresarial como a do carro eléctrico, as viagens ao estrangeiro quando as comunicações permitidas pelo choque tecnológico, tanto do gosto do actual Governo, permitem a conversa e a negociação sem sair do gabinete, tudo isso mina a confiança que existia no início.
O caso da promoção da Nissan-Renault foi caricato, não só pelo desconhecimento da lei sobre um caso em que tinha decidido falar, mas principalmente pela aparente intenção de querer fazer passar a ideia de que o carro eléctrico foi uma criação deste Governo, ou de Portugal!!! Ou de que a substituição do petróleo seja uma invenção de portugueses!!! Como se pode ter confiança em alguém que age como um mau vendedor da banha da cobra?
Mas, repito aquilo que aqui já escrevi de que, nos primeiros meses, considerei que este foi o melhor primeiro-ministro depois do 25 de Abril, porque mostrou intenção de fazer as reformas, que de há muito eram necessárias, na estrutura do Poder, para desenvolver Portugal em benefício dos portugueses. Porém, começou por criar uma equipa fraca e por não a liderar de forma coerente e eficaz, com uma estratégia dirigida para objectivos bem definidos, e concretizada de forma coordenada e controlada. Fracasso, de que resultou um conjunto de recuos, com os cidadãos a apertarem os cintos diariamente enquanto os tubarões vêm a barriga crescer, alargando os cintos de forma ostensiva e desavergonhada.
Infelizmente o mal já vem de longe, já o Eça, o Guerra Junqueiro e outros descreviam o «estado» da época com palavras que ainda hoje são actuais. Grande parte dos nossos políticos, tendo saído de um povo atrasado, não souberam sobressair e mostrar capacidade e competência. Tive um mestre agora falecido e de quem tenho saudades que, em 1980, num curso de pós graduação de um ano lectivo em que o tema de fundo era «O Portugal que somos», a propósito dos portugueses, dizia «somos poucos, pobres e profundamente ridículos». Desde então, não temos melhorado em eficácia, mas as despesas dos governantes têm aumentado em espiral.
Para se concretizarem as reformas de que o País precisa com urgência a fim de não continuar a afastar-se a ritmo tão acelerado da média europeia, é indispensável conquistar a confiança dos cidadãos, de qualquer quadrante, para aderirem com esperança de êxito às alterações. A oposição deve comprometer-se com as reformas a fim de que estas não sejam colocadas de lado na mudança de Governo, deitando por água abaixo o esforço feito e os recursos gastos e os que deixaram de ser criados.
Mas a confiança não se conquista nem se mantém com inverdades, jogo oculto, medidas injustas, favoritismos, conluios, corrupção, medidinhas, «política do chocolate», «tachos dourados» e «pensões milionárias». Já não é cedo para se entrar no bom caminho, e, por isso, não convém adiar mais.
domingo, 13 de julho de 2008
Confiança no Poder é indispensável
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A. João Soares
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Conhecer a floresta para a amar e preservar
A quantidade de fogos florestais poderia ser drasticamente reduzida se fossem seguidos, por todo o lado, exemplos de vários municípios como, por várias vezes referi em cartas aos jornais (poderei enviar por e-mail a colecção dessas cartas a quem as desejar). Para defender a floresta preservando-a dos incêndios e de outros perigos, é preciso amá-la, começando por conhecê-la.
Nesse sentido preconizei a realização de actividades de ar livre nos concelhos com área florestal, levando a juventude a «passear» pela floresta, a propósito do estudo da botânica, da geografia, e através de provas de orientação, de marcha, de corrida com prémios para os melhores, organização de piqueniques e variedades nas clareiras, etc.
A imaginação não tem limites e essas actividades levariam a um melhor conhecimento da floresta e do quanto ela é agradável e útil para a vida humana. Para melhor resultado, as actividades deveriam ser planeadas por forma a que as florestas fossem percorridas em todos os sentidos e direcções.
Com a presença de pessoas, nenhum pirómano se atreveria a atear fogo. E depois de se familiarizar com as florestas, nenhum jovem se sentiria tentado a ser pirómano, ou pelo menos o número destes seria reduzido.
Estas minhas cogitações surgem ao deparar com a notícia «Equipas de 'BUGA' vigiam floresta contra incêndios». Segundo ela, no concelho de Aveiro, equipas formadas por jovens em bicicleta 'BUGA' (Bicicletas de Utilização Gratuita de Aveiro) vigiam a floresta contra incêndios. Em anos anteriores, o programa "Olhos na Floresta" já permitiu detectar vários incêndios ou queimadas perigosas.
A sua actuação perante uma coluna de fumo consiste em alertar as pessoas para o facto de ser proibido, nesta altura do ano, fazer qualquer tipo de fogo. Quando não aceitam as recomendações, comunicam às autoridades", para o que são portadores de telemóveis que lhes permitem, quando necessário, alertar bombeiros, GNR ou Protecção Civil.
Embora se trate de um serviço voluntário à comunidade, cada um dos 18 elementos recebe diariamente 12 euros para fazer face às refeições e transportes. Ficou comprovado que a BUGA, apesar de ter sido desenvolvida para circuitos citadinos, "porta-se bem" na floresta, onde a câmara tem melhorado os caminhos, para facilitar a sua utilização.
Este é, sem dúvida, um bom exemplo a seguir pelos outros municípios: é fácil, é barato e poupa milhões!
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A. João Soares
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sábado, 12 de julho de 2008
Falta de estratégia, de bússola
João Miranda, no seu artigo de opinião, no DN, Medidinhas, explica a táctica oscilante de pequenas medidas para minorar os efeitos da crise nos grupos mais vulneráveis da sociedade: os pobres, as crianças, os idosos, os jovens, as grávidas, etc
E termina dizendo que: «As medidinhas segmentam a sociedade em pequenas castas. Contribuem para a erosão da igualdade perante a lei. Criam excepções e privilégios que dependem da idade, do rendimento, do sexo, da capacidade de procriação e do estado civil. Criam um ambiente de apartheid social. Os pequenos privilégios são fáceis de criar, mas difíceis de reverter. Ao fim de vários anos acumulam-se medidinhas. Acumulam-se custos, privilégios, legislação e burocracia. Quando toma uma medidinha, o Governo está apenas preocupado com os interesses de um segmento do eleitorado. Uma vez satisfeito esse segmento, o Governo pode dedicar-se a satisfazer o segmento seguinte. Num dia subsidia o transporte rodoviário para contentar os camionistas, no outro penaliza o transporte rodoviário para contentar os ecologistas. As medidinhas acumuladas formam um corpo legislativo incoerente, o que acaba por criar uma nova oportunidade política. Estamos mesmo a precisar de um Simplex que organize num corpo coerente e simplificado todas as medidinhas que este Governo e os anteriores andaram a tomar.»
Mesmo com estas medidinhas, o problema não fica resolvido e, como diz Rudolfo Rebêlo no mesmo jornal, até a classe média se queixa que já sobra mês, os portugueses estão entre os mais pessimistas da União Europeia a 27 e a maioria considera que perdeu poder de compra nos últimos cinco anos e teme pelo futuro.
Gerir uma grande empresa e, com maior razão, governar um Estado, mesmo que pequeno em dimensão geográfica e demográfica, não se compadece com medidas pontuais, oscilantes em zigue-zague, descoordenadas, sem interacção bem estudada e planeada por forma a criar sinergias, sem objectivos bem definidos que orientem todas as decisões.
Para tomar decisões eficazes tendentes à resolução de problemas críticos e preparar um País moderno e desenvolvido, é preciso começar por identificar com rigor e isenção a situação actual, o ponto de partida, passando pelas actividades das regiões (urbanas e rurais), a população (quantidade, grau de escolaridade, aptidões profissionais prevalecentes, gostos culturais, etc.), valor dos rendimentos, outros recursos disponíveis. E, depois, com um adequado grau de ambição, realista e viável, estabelecer objectivos dentro de uma previsão de evolução bem planeada, seguido de decisão, estabelecer um plano estratégico de longo prazo (o mais possível conforme o objectivo) e acção calendarizada, coordenada e controlada, não perdendo de vista a finalidade, o objectivo pretendido previamente definido.
A táctica incipiente de medidinhas resulta, além dos inconvenientes apontados por João Miranda, numa má utilização dos recursos existentes, com desperdícios, em sobreposições, má rentabilidade, sem tapar todos os buracos que merecem atenção. Pode acabar num «pára e arranca» com recuos que constituem prova de incompetência e de peculato que, segundo o dicionário, significa desvio ou má administração de dinheiros públicos ou rendimentos por pessoa encarregada de os guardar ou administrar.
Desperdiçar recursos públicos é sempre falta muito grave e é ainda mais quando se trata de País pobre, com carências de toda a ordem.
Sobre este tema já aqui foram publicados textos de que são exemplo os seguintes títulos (links):
Incapacidade de planear e racionalizar
Partidos. Líderes e estratégia de governo
Governo sem bússola nem leme?
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A. João Soares
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sexta-feira, 11 de julho de 2008
PM estava mal informado???
Transcrevo a parte inicial do artigo do JN que deixa a dúvida se o primeiro-ministro estava mal informado, ou se, na ânsia de propaganda, acabou por exagerar no lançamento da fumaça.
Carros eléctricos já eram isentos de IA
A Quercus exigiu hoje esclarecimentos ao Governo sobre o pagamento de imposto automóvel nos carros eléctricos,
dado que a lei já isenta estes veículos, ao contrário do que diz ter sido a ideia passada pelo primeiro-ministro quarta-feira.
No dia da assinatura do protocolo entre o Governo e a aliança Renault-Nissan para a comercialização em Portugal de modelos de veículos eléctricos, o primeiro-ministro afirmou que o Executivo iria estudar um modelo fiscal para permitir que os futuros carros eléctricos, sem emissões poluentes, possam pagar menos do actual imposto automóvel.
"Se um carro eléctrico já existisse actualmente, apenas pagaria 30 por cento do imposto automóvel, já que este imposto tem em 70 por cento uma componente ambiental. O Governo está disponível para criar um quadro fiscal ainda mais atraente", disse José Sócrates.
A associação ambientalista considera que "há dois erros na afirmação do primeiro-ministro: a componente ambiental representa 60 por cento e não 70 por cento do cálculo do imposto e um veículo eléctrico está isento dos impostos". (...)
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A excelência no ensino português
Transcrição deste artigo que recebi por e-mail, e a que juntei uma nota final. Agradeço à amiga Mariazita ter-mo enviado
Um naco de prosa
por António Barreto - Público
PARECE QUE A EDUCAÇÃO está em reforma. Sempre esteve, aliás.
Vinte e tal ministros da educação e quase cem secretários de Estado, em pouco mais de trinta anos, estão aí para mostrar o enorme esforço despendido no sector.
Uma muito elevada percentagem do produto nacional é entregue ao departamento governamental responsável.
Este incansável ministério zela por nós, está atento aos menores sinais de mudança ou de necessidade, corrige infatigavelmente as regras e as normas.
Por estes dias, mão amiga fez-me chegar o último exemplo do esforço reformador que anima os nossos dirigentes.
Com a devida vénia ao signatário, o secretário de Estado Valter Lemos, transcrevo o seu despacho normativo, cuja leitura em voz alta recomendo vivamente:
O Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março, rectificado pela Declaração de Rectificação n.º 44/2004, de 25 de Maio, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 24/2006, de 6 de Fevereiro, rectificado pela Declaração de Rectificação nº 23/2006, de 7 de Abril, e pelo Decreto-Lei n.º 272/2007, de 26 de Julho, assenta num princípio estruturante que se traduz na flexibilidade de escolha do percurso formativo do aluno e que se consubstancia na possibilidade de organizar de forma diversificada o percurso individual de formação em cada curso e na possibilidade de o aluno reorientar o próprio trajecto formativo entre os diferentes cursos de nível secundário.
Assim, o Despacho n.º 14387/2004 (2.ª Série), de 20 de Julho, veio estabelecer um conjunto de orientações sobre o processo de reorientação do percurso escolar do aluno, visando a mudança de curso entre os cursos criados ao abrigo do Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março, mediante recurso ao regime de permeabilidade ou ao regime de equivalência entre as disciplinas que integram os planos de estudos do curso de origem e as do curso de destino, prevendo que a atribuição de equivalências seria, posteriormente, objecto de regulamentação de acordo com tabela a aprovar por despacho ministerial.
Neste sentido, o Despacho n.º 22796/2005 (2.ª Série), de 4 de Novembro, veio concretizar a atribuição de equivalências entre disciplinas dos cursos científico-humanísticos, tecnológicos e artísticos especializados no domínio das artes visuais e dos audiovisuais, do ensino secundário em regime diurno, através da tabela constante do anexo a esse diploma, não tendo, no entanto, abrangido os restantes cursos criados ao abrigo do Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março.
A existência de constrangimentos na operacionalização do regime de permeabilidade estabelecido pelo Despacho n.º 14387/2004 (2.ª Série), de 20 de Julho, bem como os ajustamentos de natureza curricular efectuados nos cursos científico-humanísticos criados ao abrigo do Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março, implicaram a necessidade de se proceder ao reajuste do processo de reorientação do percurso escolar do aluno no âmbito dos cursos criados ao abrigo do mencionado Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março.
Desta forma, o presente diploma regulamenta o processo de reorientação do percurso formativo dos alunos entre os cursos científico-humanísticos, tecnológicos, artísticos especializados no domínio das artes visuais e dos audiovisuais, incluindo os do ensino recorrente, profissionais e ainda os cursos de educação e formação, quer os cursos conferentes de uma certificação de nível secundário de educação quer os que actualmente constituem uma via de acesso aos primeiros, criados ao abrigo do Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março, rectificado pela Declaração de Rectificação n.º 44/2004, de 25 de Maio, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 24/2006, de 6 de Fevereiro, rectificado pela Declaração de Rectificação n.º 23/2006, de 7 de Abril, e pelo Decreto-Lei n.º 272/2007, de 26 de Julho, e regulamentados, respectivamente, pelas Portarias n.º 550-D/2004, de 22 de Maio, alterada pela Portaria n.º 259/2006, de 14 de Março, n.º 550-A/2004, de 21 de Maio, com as alterações introduzidas pela Portaria n.º 260/2006, de 14 de Março, n.º 550-B/2004, de 21 de Maio, com as alterações introduzidas pela Portaria n.º 780/2006, de 9 de Agosto, n.º 550-E/2004, de 21 de Maio, com as alterações introduzidas pela Portaria n.º 781/2006, de 9 de Agosto, n.º 550-C/2004, de 21 de Maio, com as alterações introduzidas pela Portaria n.º 797/2006, de 10 de Agosto, e pelo Despacho Conjunto n.º 453/2004, de 27 de Julho, rectificado pela Rectificação n.º 1673/2004, de 7 de Setembro.
Assim, nos termos da alínea c) do artigo 4.º e do artigo 9.º do Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março, rectificado pela Declaração de Rectificação n.º 44/2004, de 25 de Maio, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 24/2006, de 6 de Fevereiro, rectificado pela Declaração de Rectificação nº 23/2006, de 7 de Abril, e pelo Decreto-Lei n.º 272/2007, de 26 de Julho, determino:
……
O que se segue é indiferente. São onze páginas do mesmo teor. Uma linguagem obscura e burocrática, ao serviço da megalomania centralizadora.
Uma obsessão normativa e regulamentadora, na origem de um afã legislativo doentio. Notem-se as correcções, alterações e rectificações sucessivas.
Medite-se na forma mental, na ideologia e no pensamento que inspiram este despacho. Será fácil compreender as razões pelas quais chegámos onde chegámos. E também por que, assim, nunca sairemos de onde estamos.
NOTA: As dezenas de governantes que passaram pelo ministério, cada um sempre ansioso por anular as decisões anteriores e fazer coisa diferente, fazem compreender o estado a que o ensino chegou. Com altas entidades a serem incapazes de ter ideias e, em caso afirmativo, de as exprimir em português compreensível, nem é preciso ir aos concursos da TV procurar provas da ignorância generalizada.
Caro leitor responda com sinceridade: gostou do texto do senhor secretário de Estado? tirou dele com facilidade conclusões positivas? Para ser sincero, eu não. Mas não esperava melhor!
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quinta-feira, 10 de julho de 2008
Como vai o País?
Neste momento, em que muito se fala no «estado da Nação», nem sempre com a profundidade reflexiva mais adequada, é oportuno olhar para o espelho constituído pela Comunicação Social para tentar ver a imagem mais fiel.
Nesta tentativa, verifica-se que continua em análise a recusa do helicóptero do INEM à população do distrito de Bragança.
Quanto aos biscates de agentes da PJ aliados a detectives privados, apesar de a PJ ter transferido três funcionários, esta instituição diz desconhecer escutas ilegais, o mesmo dizendo o ministro da Justiça. Ou os jornais mentem e devem ser chamados a juízo, ou os responsáveis andam a dormir e nem sequer acordam com as notícias de aspecto verosímil, ou querem enganar o bom povo português.
Também o secretário de Estado da Protecção Civil nega o conteúdo de notícias sobre a área ardida. Como bom colaborador do MAI, procura não mostrar a falta de sustentação das esperanças por este criadas.
Enfim, todos sacodem a água do capote, não assumem as suas responsabilidades, o que poderá significar que ninguém nos governa.
E o mais grave é que, apesar da crise do petróleo que veio de fora, o estado da Nação não surpreende, por já vir a ser incubada de há muito. Guterres abandonou o Governo para não se afogar no «pântano» para o qual lançou o rectângulo. Veio Durão que não conseguiu substituir a «tanga» por melhores roupagens e, logo que conseguiu, largou S. Bento a caminho de Bruxelas, deixando no seu lugar, como «bebé prematuro», Santana que não tendo sido capaz de definir estratégias e objectivos de longo prazo nem tomado medidas coerentes, limitando-se a transferir secretarias de Estado para longe de Lisboa, facilitou a vida a Sampaio que não teve dificuldade em encontrar pretexto para o mandar dar uma volta.
Portanto, a herança deste Governo não foi fácil mas houve a visão iluminada de pensar longe, em reformas estruturais em inovações condizentes com as modernas tecnologias, com vista a reduzir o hiato que separa Portugal da média europeia.
Mas pouco conseguiu, por que não pôde ou não foi capaz de constituir uma boa equipa governativa constituída por gente válida, competente e séria. E não foi capaz de gerir com eficácia a sua frágil equipa criando interacção e sinergias para bem do país, mas, pelo contrário, deixou fluir as más decisões, na Saúde, na Educação, na Justiça, na Defesa. Não se aplicou a frase «um bom rei faz forte a fraca gente».
E, assim, por tudo isto se pode concluir que o estado da Nação é o pior possível.
Seguem-se alguns títulos de notícias de hoje:
Está a faltar a esperança aos cidadãos
José Medeiros descarta falhas no combate a incêndios
Governo não respondeu a 90 requerimentos
INEM abre polémica sobre 'helis' de apoio
Três inspectores transferidos da 'secreta' para outros serviços
Direcção Nacional da PJ nega escutas e vigilâncias ilegais
PJ: Alberto Costa desconhece casos de escutas ilegais
Empresas pessimistas com economia
O estado da Nação
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A. João Soares
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Análise do estado da Nação
Transcrição da entrevista do General Garcia Leandro - Presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo – à TSF, em 08/08/2008. A entrevista foi concedida sem papel de suporte, de improviso, pelo que após elaborado o escrito com base em gravação de áudio, foi pedida ao autor a revisão e eventuais alterações gramaticais, o que não lhe foi possível por carência de tempo. Fica este alerta aos leitores.
TSF - …
Gen. G. Leandro - Estamos numa mudança de época histórica e estamos a apanhá-la num País que está a fazer grandes reformas e agora sofre esta crise em cima de si. Quando o PM diz que tem azar, eu acho que realmente tem razão, porque a crise veio do exterior, embora tenha encontrado o País em estado de fraqueza.
Agora, o País está muito frágil para esta grande mudança em que vinha sendo feito um trabalho que, se vivêssemos numa ilha isolada no Atlântico, poderia ser realizado com alguma tranquilidade mas, como vivemos num mundo a caminho da globalização, somos afectados por múltiplos problemas vindos do exterior.
Quais são as grandes fragilidades que eu considero que existem? Verdade seja dita que os caminhos apontados pelo Governo parece que são correctos; porém, têm de ser seguidos com mais rigor e honestidade. Muitas vezes, desconfia-se que não há honestidade e que a competência, em sempre existe em escala conveniente.
Onde é que me parece que isso é absolutamente importante? Na formação académica, nós temos que apostar claramente e com rigor e honestidade, não sendo essencial focar o esforço nas estatísticas, pois não é essencial nem prioritário apostar nas estatísticas dos resultados escolares, porque depois na vida prática, a vida real não vai corresponder a isso, mas será uma consequência do ensino técnico-profissional, com efeitos no conjunto da economia.
Outra fragilidade com grau de grande pecado mortal da nossa situação é, para mim, a promiscuidade entre os partidos políticos e o poder económico, num jogo de interesses que nos apanha como uma armadilha. Também a Justiça, onde há uma evolução, tem aspectos bons de que é grande exemplo a acção da Doutora Maria José Morgado, mas os tribunais continuam muito lentos, e a qualidade legislativa em que por vezes não se acredita, tem preceitos de que se desconfia terem coisas escondidas. Também, em termos estruturais, há algo que nós não podemos deixar que sejamos vítimas de uma ligação à Europa que tem obrigatoriamente de passar pela Espanha, pelas auto-estradas, o que obriga a recuperar a rede ferroviária. Outra tarefa a não descurar é a de recuperar a frota de comércio e, em termos económicos, há que apostar forte no controle e exploração das riquezas do nosso mar e, em termos internacionais, temos que diversificar alianças, (aliás as de carácter económico estão a ser feitas).
Além de tudo isto, há problemas internos que são insustentáveis o que dá origem, por vezes, a grande tensões e, por outro lado, a ocasionais sentimentos de revolta. Não pode ser ignorado o fosso entre os mais ricos e os mais pobres, a classe média está a desaparecer, uma classe média desprotegida que está sempre continuamente a ser mais sobrecarregada. É evidente que é um problema mundial deste capitalismo selvagem em que estamos a viver – que o Papa João Paulo II anunciou, logo após a queda do império soviético, que caía o comunismo mas não se deveria ir para o capitalismo selvagem. Portanto este problema do fosso entre os mais ricos e os mais pobres não é só nosso, mas estamos a falar do país. E há pessoas que não compreendem esta alteração das realidades nacionais e não percebem que o país está quase falido e continuam a viver como se estivessem na estratosfera, num mundo isolado.
O Governo, qualquer Governo, tem que ter a coragem para enfrentar estes senhores todos poderosos da finança, da economia e dos partidos; eles têm que sentir que são parte do conjunto nacional e que têm obrigações relativamente ao todo Nacional. Portanto, enquanto não houver, da parte dos entidades responsáveis que nos governam, alguma confrontação com essas entidades que têm muito poder mas que não estão no governo, nós vamos continuar com a nossa débil situação e as nossas fragilidades sócio-económicas.
TSF – Sr. General: esses problemas, não sendo irresolúveis, vão certamente demorar muito tempo a resolver; estamos perante um país adiado, o futuro vai continuar a ser muito sombrio?
Gen. G.Leandro – Eu penso que…eu não vejo… grandes indicadores para optimismo. Mesmo acreditando que a alternativa de poder com a Drª Manuela Ferreira Leite, no PSD, dá uma credibilidade grande, as soluções que daí advirão não serão muito diferentes das soluções que têm sido seguidas pelo actual Governo. Apesar do trabalho que tem vindo a ser feito em alterações estruturais, em grandes reformas por este Governo, há questões que, independentemente desta crise mundial, os governos não podem controlar a curto prazo. É o caso da qualidade do capital humano que nós temos, as capacidades das pessoas, a formação académica, a formação técnico-profissional, o tecido empresarial que é muito fraco, tirando algumas raras e honrosas excepções e, portanto, a construção de um futuro melhor é um trabalho que vai demorar tempo, que é agravado por esta actual situação da crise mundial. Portanto, não estou, realmente, a ver sinais cor-de-rosa.
TSF – Ainda assim, o que é que Portugal tem de bom Sr. General, o que é que o enche de orgulho em Portugal?
Gen. G.Leandro – Aquilo que me enche de orgulho em Portugal? Acho que há uma bondade natural nas pessoas; acho que são pessoas que estão sempre disponíveis para ajudar mas, ao mesmo tempo, há uma grande desconfiança. Há uma grande falta de confiança nestes mecanismos económicos, político-partidários, etc. Porém, temos que viver com isto, diariamente, onde a corrupção é algo permanente, é visível, sempre, todos os dias.
Agora comparando, e eu já visitei praticamente todos os países da Europa, vivi em alguns, vivi nos EUA, em Itália, Bruxelas, para além de outros sítios do nosso antigo Ultramar, e também vivi em Marrocos, eu não trocava este País por outro; quero dizer que penso que nós temos capacidade para nos corrigirmos.
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quarta-feira, 9 de julho de 2008
Bragança não admite perder helicóptero
O presidente da Câmara de Macedo de Cavaleiros, Beraldino Pinto, não admite perder o helicóptero de emergência que o ministério da Saúde lhe tinha prometido. Se o "heli" for cancelado, o autarca considera que os protocolos celebrados com o Ministério da Saúde devem ser anulados e repostos os serviços encerrados, voltando à situação de antes deste Governo. Um contrato não pode vigorar se uma das partes recusa cumprir os compromissos assumidos.
O presidente do INEM admitiu, em declarações à "Antena 1", que podem ser desnecessários os helicópteros de emergência previstos para o Alentejo, Trás-os-Montes a Beira Alta.
Para maior esclarecimento do problema ler aqui, aqui e aqui.
Certamente, os transmontanos veriam o problema resolvido se imitassem os «poderosos» da Região Oeste que, sob a ameaça de «birrinhas» (ver post anterior), obtiveram o chocolate de apenas 197 milhões de euros. Ou será que o número de eleitores de Trás-os-Montes não é tão significativo como o daquela região? O que conta são os votos. É esse o factor que conduz à desertificação do interior: poucos votos levam a ausência de benefícios e, depois, a população emigra e reduz mais os eleitores, e a espiral de atraso agrava-se cada vez mais.
Será que a promessa do helicóptero de emergência não significa mais para a gente de Bragança de que a promessa de um aeroporto na Ota tem para os habitantes do Oeste?
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terça-feira, 8 de julho de 2008
A política do chocolate
O jornal gratuito «Global Notícias» de 8 do corrente traz a notícia de que na «Região Oeste, Estradas compensam saída do Aeroporto». É um título estranho que nada beneficia a imagem do Governo.
Vão ser investidos na região 197 milhões de euros com o argumento de «compensar as populações pela mudança de localização do aeroporto da Ota para o campo de tiro de Alcochete». Vai ser alterado o panorama de acessibilidades da região.
Trata-se de um região que já tem a linha de ferro do Norte e do Oeste, irá ter o TGV para o Porto, tem as auto-estradas A1, A8 e A10 e o IC21, e agora, além de vários troços de ligação, vai também ter o IC11.
Vai correr-se o risco de uma tão densa quadrícula tipo urbano de avenidas e ruas largas, chamadas auto-estradas e itinerários complementares, irem prejudicar os muitos campos de golfe já construídos e a construir na região!!!
Pelo contrário, ninguém pensa nas acessibilidades de Vila Nova de Paiva para Tabuaço e Carrazeda de Ansiães, ou de Meda para Lamego, de Castelo de Paiva para S. Pedro do Sul, de Vale de Cambra para Lamego, de Oliveira do Hospital para Castelo Branco, de Penamacor para a Covilhã, etc. Nenhum governante pensa a sério no interior, ignora-o totalmente.
À Ota nada tiraram a não ser uma esperança que não se concretizou e que veio a comprovar-se que não passava de uma ilusão sem fundamento bem explicado. Mas o facto de tudo ter ficado na mesma, não justifica tão grande necessidade de novas acessibilidades. Um falso argumento. Tal profusão de comunicações seria menos ilógica se ali fosse construído o aeroporto.
Faz recordar o jovem pai que naquele fim-de-semana fica com o filho ainda criança e o leva a almoçar ao restaurante. O miúdo está mal-educado devido ao mimo dado pela mãe e pelo pai que lhe satisfazem todos os caprichos a fim de ele não fazer birra. Há entre eles uma chantagem mútua. Recusa a sopa e exige chocolate, senão faz birra, e o pai, para evitar tal aborrecimento, manda-o ir ao balcão escolher o chocolate que lhe agrada. Entre eles não há diálogo útil, não há capacidade de conversar sobre as vantagens da sopa e ensinar a criança a raciocinar de forma lógica e sensata. Desta forma não se educa uma criança e apenas se cria um monstro ou um potencial criminoso.
Esta «compensação» à Região Oeste é um fenómeno semelhante ao referido neste exemplo, é a «política do chocolate». Para evitar manifestações, como as dos camionistas, professores, etc., e a consequente perda de votos, dá-se o chocolate.
O que é muito sintomático é que o próprio Governo já não se apercebe do ridículo da argumentação e usa-a com uma naturalidade impressionante, preocupante, e nem dá conta que agrava a diferenciação entre o litoral já demasiado favorecido e o interior cada vez mais abandonado.
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A. João Soares
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Mais uma achega para o «iluminismo do séc XXI»
Transcrevo este texto recebido por e-mail por nos ajudar a estar abertos às mudanças em curso na humanidade que preconizam uma era diferente daquilo que se tem passado. Já aqui em 4 de Junho, no post Iluminismo do século XXI !!!, se pretendia levantar um pouco o véu que encobre a mudança em curso. O texto que se segue não precisa das minhas notas finais.
Começou a revolução!
por Carlos_Lacerda
Está a acontecer na nossa rua e à nossa volta, e ainda não percebemos que a Revolução já começou!
As pessoas andam um bocado distraídas! Não deram conta que há cerca de 3 meses começou a Revolução! Não! Não me refiro a nenhuma figura de estilo, nem escrevo em sentido figurado! Falo mesmo da Revolução 'a sério' e em curso, que estamos a viver, mas da qual andamos
distraídos (desprevenidos) e não demos conta do que vai implicar. Mas falo, seguramente, duma Revolução!
De facto, há cerca de 3 ou 4 meses começaram a dar-se alterações profundas, e de nível global, em 10 dos principais factores que sustentam a sociedade actual. Num processo rápido e radical, que resultará em algo novo, diferente e porventura traumático, com resultados visíveis dentro de 6 a 12 meses - tal como ocorreu noutros períodos da história recente: no status político-industrial saído da Europa do pós-guerra, nas alterações induzidas pelo Vietname/ Woodstock/ Maio de 68 (além e aquém Atlântico), ou na crise do petróleo de 73 - E que irá mudar as nossas sociedades e a nossa forma de vida nos próximos 15 ou 20 anos!
Estamos a viver uma transformação radical, tanto ou mais profunda do que qualquer uma destas!
Está a acontecer na nossa rua e à nossa volta, e ainda não percebemos que a Revolução já começou!
Façamos um rápido balanço da mudança, e do que está a acontecer aos '10 factores':
1º- A Crise Financeira Mundial: desde há 8 meses que o Sistema Financeiro Mundial está à beira do colapso (leia-se 'bancarrota') e só se tem aguentado porque os 4 grandes Bancos Centrais mundiais – a FED, o BCE, o Banco do Japão e o Tesouro Britânico - têm injectado
(eufemismo que quer dizer: 'emprestado virtualmente à taxa zero') montantes astronómicos e inimagináveis no Sistema Bancário Mundial, sem o qual este já teria ruído como um castelo de cartas. Ainda ninguém sabe o que virá, ou como irá acabar esta história !...
2º- A Crise do Petróleo: Desde há 6 meses que o petróleo entrou na espiral de preços. Não há a mínima teoria de como irá terminar. Duas coisas são porém claras: primeiro, o petróleo jamais voltará aos níveis de 2007 (ou seja, a alta de preço é adquirida e definitiva!) e começarão rapidamente a fazer sentir-se os efeitos dos custos de energia. Por exemplo, quem utiliza frequentemente o avião, assistiu há 2 semanas a uma subida no preço dos bilhetes de* 50% (leu bem: cinquenta por cento).
É escusado referir as enormes implicações sociais deste factor: basta lembrar que por exemplo toda a indústria de férias e turismo de massas para as classes médias (que, por exemplo, em Portugal ou Espanha representa 15% do PIB) irá virtualmente desaparecer em 12 meses!
Acabaram as viagens de avião baratas (*e as férias massivas!)
3- A Contracção da Mobilidade: fortemente afectados pelos preços do petróleo, os transportes de mercadorias irão sofrer contracção profunda e as trocas físicas comerciais (que sempre implicam transporte) irão sofrer fortíssima retracção, com as óbvias consequências nas indústrias a montante e na interpenetração económica mundial.
4- A Imigração: a Europa absorveu nos últimos 4 anos cerca de 40 milhões de imigrantes, num movimento incessante e anacrónico (os imigrantes são precisos para fazer os trabalhos não rentáveis, mas mudam radicalmente a composição social de países-chave como a Alemanha, a
Espanha, a Inglaterra ou a Itália). Este movimento irá previsivelmente manter-se nos próximos 5 ou 6 anos! A Europa terá em breve mais de 85 milhões de imigrantes!
5º- A Destruição da Classe Média: quem tem oportunidade de circular um pouco pela Europa apercebe-se que o movimento de destruição das classes médias (que julgávamos estar apenas a acontecer em Portugal) está de facto a 'varrer' o Velho Continente! Em Espanha, na Holanda, na Inglaterra ou mesmo em França os problemas das classes médias são comuns e (descontados alguns matizes e diferente gradação) as pessoas estão endividadas, a perder rendimentos, a perder força social e capacidade de intervenção.
6º- A Europa Morreu: embora ainda estejam projectar o cerimonial do enterro, todos os Euro-Políticos perceberam que a Europa moribunda já não tem projecto, já não tem razão de ser, que já não tem liderança e que já não consegue definir quaisquer objectivos num 'caldo' de 27
países com poucos ou nenhuns traços comuns!... Já nenhum Cidadão Europeu acredita na 'Europa', nem dela espera coisa importante para a sua vida ou o seu futuro! O 'Requiem' pela Europa deu-se há dias na Irlanda!
7º- A China ao assalto! contou-me um profissional do sector: a construção naval ao nível mundial comunicou aos interessados a incapacidade em satisfazer entregas de barcos nos próximos 2 anos, porque TODOS os estaleiros navais do Mundo têm TODA a sua capacidade de construção ocupada por encomendas de navios da China. O gigante asiático vai agora 'atacar' o coração da Indústria europeia e americana (até aqui foi just a joke). Foram apresentados há dias no mais importante Salão Automóvel mundial os novos carros chineses.
Desenhados por notáveis gabinetes europeus e americanos, Giuggiaro e Pininfarina incluídos, os novos carros chineses são soberbos, réplicas perfeitas de BMWs e de Mercedes (eu já os vi!) e vão chegar à Europa entre os 8.000 e os 19.000 euros! E quando falamos de Indústria
Automóvel ou Aeroespacial europeia helás! Estamos a falar de centenas de milhar de postos de trabalhos e do maior motor económico, financeiro e tecnológico da nossa sociedade. À beira desta ameaça, a crise do têxtil foi uma brincadeira de crianças!
8- A Crise do Edifício Social: As sociedades ocidentais terminaram com o paradigma da sociedade baseada na célula familiar! As pessoas já não se casam, as famílias tradicionais desfazem-se a um ritmo alucinante, as novas gerações não querem laços de projecto comum, os jovens não querem compromissos.
9- O Ressurgir da Rússia: para os menos atentos: a Rússia está a evoluir tecnológica, social e economicamente a uma velocidade estonteante! Voltou a encontrar o seu orgulho e tem uma liderança. Em 5 anos ultrapassará a Alemanha!
10- A Revolução Tecnológica: nos últimos meses o salto dado pela revolução tecnológica (incluindo a biotecnologia, a energia, as comunicações, a nanotecnologia e a integração tecnológica) suplantou tudo o previsto e processou-se a um ritmo 9 vezes superior à média dos
últimos 5 anos!
Eis, pois, a Revolução!
Tal como numa conta de multiplicar, estes dez factores estão ligados por um sinal de 'vezes' e no fim têm um sinal de 'igual'. Mas o resultado é ainda desconhecido e imprevisível.
Uma coisa é certa; as nossas vidas vão mudar radicalmente nos próximos 12 meses e as mudanças marcar-nos-ão (permanecerão) nos próximos 10 ou 15 anos.
Contrariamente a um comentador que muito estimo pelo seu brilho e inteligência (Carlos Magno, programa 'Contraditório' da 'Antena 1', 13 de Junho) eu não acho que o Mundo está 'a entrar num crespúsculo' (sic).
Espera-nos o Novo! Como em todas as Revoluções!
Um conselho final: é importante estar dentro do Novo! Da Revolução! Ir em frente! Sem medo!
Afinal, depois de cada Revolução, o Mundo sempre mudou para melhor!
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A. João Soares
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