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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

ÓDIO AOS MILITARES?



Transcrição de notícia seguida de NOTA  :

Mortes nos Comandos. Oficiais das Forças Armadas criticam procuradora
161121. POR PEDRO FILIPE PINA

A Associação de Oficiais das Forças Armadas esperou “três dias para, recuperada a serenidade”, se pronunciar sobre o caso que envolve detenções de instrutores do curso de Comandos. A reação surgiu esta segunda-feira à tarde, em comunicado enviado às redações, com várias críticas implícitas à procuradora-geral Cândida Vilar.

Foi a procuradora quem redigiu o documento que permitiu a detenção de sete militares, na sequência da morte de dois recrutas no curso de Comandos, Hugo Abreu e Dylan da Silva. No despacho, a procuradora falava em “ódio patológico”.

Entretanto, os sete suspeitos saíram em liberdade, com termo de identidade e residência. Apenas o médico ficou com medidas de coação mais gravosas, nomeadamente o impedimento de exercer como médico nesta altura, seja nas Forças Armadas seja em Unidades de Saúde Familiar.

Ora a reação da Associação de Oficiais das Forças Armadas é feita com várias críticas em tom de pergunta.

“Teria sido necessário detê-los para que se procedesse às eventuais diligências que tiveram lugar?”, questiona a associação, que acredita que a resposta foi logo dada. “A resposta é dada pela decisão da juíza que preside ao processo, libertando-os. Não era necessário deter quem não deu qualquer sinal de se tentar subtrair ao apuramento de responsabilidades”.

O termo “ódio patológico”, expressão que, como revelou a RTP, constava do despacho, merece outra questão dos oficiais: “Onde foi a senhora procuradora colher tão categórica qualificação?”, questiona a associação, acrescentando que “a resposta a esta pergunta é importante” devido ao facto de vários instruendos terem decidido continuar o curso.

O que leva ainda a outra questão em tom crítico: “será que a senhora procuradora confundiu o cenário criado à volta da instrução com a realidade”.

A associação de militares questiona ainda a necessidade daquilo que caracteriza como uma “caça ao homem” ao ser criada a Operação DANTE, que permitiu a detenção dos suspeitos, “como se perigosos e foragidos criminosos se tratassem”.

Defendendo que quer que seja apurado o que se passou, a Associação de Oficiais das Forças Armadas fala num “processo de julgamento em praça pública inédito em Portugal e cujo alcance na credibilidade dos militares e das Forças Armadas ainda está por apurar”. Por isso, espera que a investigação decorra dentro de um quadro em que se conhece a “realidade militar e sem quaisquer preconceitos”.

NOTA:

É desejável que a senhora procuradora-geral Cândida Vilar estude muito bem as características das Forças Armadas, dos militares, a sua ética, o seu sentido de missão, o seu amor a Portugal, para cuja defesa estão dispostos a arriscar a própria vida e que, depois, responda às interrogações bem apresentadas pela AOFA (Associação de Oficiais das Forças Armadas). Conte que terá resposta às respostas que der, porque os militares não se acobardarão de se defenderem de ataques feitos com «ódio patológico» à sua dignidade de patriotas sem temor, com peito oferecido às balas do inimigo (independentemente da máscara que este utilize).

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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

TODOS PELA TRELA, «DEMOCRATICAMENTE» !!!


Paulo Rangel reagiu frontalmente à proposta de Aguiar-Branco para o partido ser duro com os militantes que apoiaram outras candidaturas, chegando a argumentar «que o seu ex-adversário à liderança do PSD estava a ter um discurso soviético».

Talvez o modelo seguido pelo ministro da Defesa não seja o soviético, porque esse já pertence à História, ciência para a qual A Branco ainda não evidenciou ter apetência. Mais provável é que, como das Forças Armadas conhece principalmente o aspecto rígido das paradas e guardas de honra, deve ter como ideal a disciplina Norte Coreana imposta pelo «querido líder supremo», visível em diversos vídeos de cerimónias militares. E talvez veja vantagens na técnica dos tuaregues conduzirem as cáfilas através do deserto pela trela ou pela arreata.

E, com tais exemplo, revê-se numa imagem de partido político de acéfalos em que todos obedecem cegamente ao adorado líder, custe o que custar. O seu maior motivo de satisfação terá sido, certamente, a aprovação por unanimidade da «Lei da Rolha» no congresso do PSD em Março de 2010.

E assim vai a nossa «dita democracia».

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segunda-feira, 10 de junho de 2013

PR DISSE AOS MILITARES, EM 10 DE JUNHO, EM ELVAS


Transcrição integral do discurso do PR:

Discurso do Presidente da República nas Cerimónias Militares das Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas
http://www.presidencia.pt/?idc=22&idi=74552
Elvas, 10 de junho de 2013

Comemoramos hoje o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Comemorar é revisitar o passado, o legado da cultura e da história, de referências e de valores que moldaram a nossa identidade. Porque esta Pátria em que nos revemos foi e sempre será determinada pelo querer e pela vontade dos portugueses. É este o sentido que devemos dar a estas Comemorações.

Fazêmo-lo em Elvas, Cidade-Quartel, cidade de longa presença e tradições militares, palco de batalhas, e onde se escreveram das mais belas páginas da nossa história. Aqui se travou uma das decisivas Batalhas da Restauração, nas Linhas de Elvas, onde, movidas pelo querer e coragem, as tropas portuguesas e a população obtiveram uma vitória de enorme importância política, militar e simbólica.

Envolvida pelo imponente Aqueduto da Amoreira, sob o testemunho das suas muralhas intemporais e o olhar distante do Forte da Graça, uma das jóias da arquitectura militar, a grandiosidade de Elvas materializa-se no seu vasto património de fortificações, simbiose perfeita entre o saber e o querer, o conhecimento da arte da guerra, a que se juntou a determinação e a ambição de um Povo.

É este o legado que deve ser exaltado, competindo a todos nós estar à altura desta herança, confiantes e seguros de que a alma e o sentir português se mantêm vivos e merecedores do seu passado.

Portugueses,

Uma vez mais contamos com a presença, nesta Cerimónia, dos Antigos Combatentes que, como tem acontecido nos últimos anos, ocuparão lugar de relevo no Desfile Militar. Destaco o extraordinário espírito de solidariedade que os Combatentes tão bem conhecem e que hoje, em Portugal, como tantos exemplos ilustram, se estende por toda a sociedade civil, no seio das famílias, nas instituições de apoio social e nas iniciativas que surgem a nível local para minorar as dificuldades dos que são mais atingidos pela crise que o País atravessa.

A Nação deve saber honrar aqueles que tudo deram por ela, prestando-lhes a devida homenagem e não esquecendo o apoio que lhes é devido..

Militares,

A situação de crise e de exiguidade de recursos que vivemos exige reformas, exige sacrifícios, exige a compreensão do que está em jogo, exige um arreigado patriotismo e um notável espírito de missão. Nenhuma instituição deve permanecer intocada. Mas nenhuma instituição deve ser descaracterizada na sua essência. Mais, ainda, quando se trata de pilares fundamentais do Estado, expressão de valores e de princípios que não se alienam.

Quero realçar, desde já, o comportamento exemplar das Forças Armadas.

As Forças Armadas compreendem e participam no esforço que a todos é pedido. Colaborando e procedendo a estudos no sentido de se encontrarem as soluções que melhor se harmonizem com os objectivos propostos. Prosseguindo uma reestruturação que prevê acomodar uma redução significativa de efectivos e que é bem reveladora do espírito e da atitude de cooperação demonstrados neste processo.

As Forças Armadas têm sido um referencial de estabilidade, coesão e disciplina, cumprindo as suas tarefas com grande competência, dedicação e profissionalismo.

As reformas devem ser cuidadosamente preparadas e calendarizadas, ser objecto de um consenso alargado entre os órgãos de soberania e envolver um diálogo aprofundado com os Chefes Militares, salvaguardando a razão de ser das Forças Armadas, a sua capacidade de combate, a sua motivação e a sua condição militar.

Aos órgãos de soberania compete definir o enquadramento político e jurídico da Defesa Nacional e das Forças Armadas. Compete-lhes a orientação política, a afetação de recursos, o acompanhamento e a supervisão da respetiva ação. É sua a responsabilidade primeira pelo bom funcionamento da Instituição Militar em face dos objetivos definidos e dos superiores interesses da Nação.

Aos militares compete cumprir as determinações e orientações dos agentes políticos. Mas têm também o direito e, diria até, o dever de contribuir, com lealdade e sentido de ajuda, para a formulação das melhores soluções em relação às Forças Armadas.

Os decisores políticos têm, por sua vez, a obrigação de com eles trabalharem para essa finalidade.

Estarão assim criadas as condições para que as reformas não se limitem a um mero exercício de rigor orçamental, antes incorporando um conjunto de princípios funcionais e de valores patrióticos, éticos e institucionais que caracterizam as Forças Armadas e que lhes são próprios.

Haverá, sem dúvida, margem para racionalizar na estrutura superior, nas áreas de comando, na logística e no ensino e no dispositivo territorial, mas sempre salvaguardando a componente operacional e não descaracterizando a Instituição Militar.

Militares,

O processo de reformas em curso nas Forças Armadas vai ainda requerer muito trabalho e especial cuidado, nomeadamente no tratamento das questões do âmbito do pessoal, reconhecidamente o seu principal ativo.

A área da Saúde reveste-se de vincada importância operacional e de especial sensibilidade para a Família Militar, possuindo uma natureza específica que importa contemplar na definição da sua estrutura e organização.

Ainda na área do pessoal, decorre a revisão do Estatuto dos Militares das Forças Armadas, que, sendo um documento definidor das carreiras, da formação, das funções, das relações hierárquicas e disciplinares, dos direitos e deveres e, no fundo, moldando o futuro da Instituição Militar e dos elementos que a servem, assume importância capital.

O processo de revisão deve ser conduzido com ponderação, sensatez e respeito pelos princípios, regras e valores da Instituição.

Por último, o Ensino é um verdadeiro esteio da estrutura e do funcionamento das Forças Armadas. Vocacionada para o desempenho técnico-profissional e para o Comando de pessoas, muitas vezes em situações de grande exigência e complexidade, a Formação Militar não se limita à componente académica.

Estando inserida de forma plena no sistema universitário nacional, a Formação Militar, é, antes de tudo, uma Escola de Chefes e uma escola de valores castrenses e de cidadania, o que lhe confere um caráter distintivo. Não é por acaso que as Escolas Militares têm Comandantes e não Reitores.

Portugueses,

As Forças Armadas têm cumprido as suas missões dentro e fora do território nacional, sendo de saudar a sua elevada operacionalidade. Para que esta se mantenha em elevados padrões, é importante garantir as condições para o treino e operação das forças.

No plano interno, para além das missões estritamente militares, as Forças Armadas atuam em apoio às populações e ao desenvolvimento nacional.

Na última década, foram empregues mais de 36 mil militares e percorridos mais de 3 milhões de quilómetros em defesa da floresta e na abertura de estradas, voaram-se mais de 28 mil horas e efetuaram-se 230 mil horas de navegação, envolvendo mais de 70 mil militares, em missões como a busca e salvamento no mar, a vigilância dos espaços marítimos sob jurisdição nacional, as operações de emergência na área da saúde. As capacidades e os recursos das Forças Armadas são postos, no dia-a-dia, ao serviço de Portugal e dos portugueses.

No plano externo, Portugal tem cerca de 700 militares destacados em cinco Teatros de Operações - Afeganistão, Kosovo, Mediterrâneo, Somália e Mali -, continuando também a assumir importantes compromissos, no âmbito da Cooperação Técnico-Militar, com os Países de Língua Oficial Portuguesa.

Destaco o sucesso no combate à pirataria marítima, onde Portugal comanda presentemente a Operação Atalanta no âmbito da União Europeia.

Também no Afeganistão, como parte da “estratégia de saída” da coligação internacional, as Forças Armadas Portuguesas estão a implementar uma nova configuração do dispositivo, com ênfase na formação dos militares locais, de modo a assegurar uma transferência progressiva das responsabilidades de segurança para os próprios afegãos.

Militares,.

A vossa determinação e disponibilidade, o vosso espírito de missão, constituem inquestionável exemplo de cidadania, de profissionalismo e dedicação à Pátria..

Os tempos que vivemos são tempos de riscos, incertezas e desafios. Mas, perante as dificuldades, não podemos perder a coesão e o sentido de comunidade e solidariedade. Não se pode esquecer quem mais precisa, tal como não podemos enveredar por um caminho de negativismo, resignação ou indiferença..

Perante vós, como Comandante Supremo, quero expressar a todos os militares o meu apreço e a minha confiança pela forma responsável como têm interpretado a dimensão e o sentir de ser Soldado de Portugal, manifestando um comportamento e um sentido de dever exemplares. Lembrando a coragem dos que nos antecederam, vamos transformar um tempo de incerteza em tempo de esperança e de mudança, de vontade autêntica em construir um destino comum que, juntos, conseguiremos alcançar: o destino de sermos Portugal.

Obrigado..

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segunda-feira, 25 de junho de 2012

Reformas estruturais são inadiáveis


Numa democracia, deve haver respeito pelas leis e pela Justiça, na medida em que ambas sejam aplicadas indiscriminadamente a qualquer cidadão independentemente da sua condição social ou de fortuna. Um dogma incontroverso é a igualdade dos cidadãos perante a lei.

Mas, infelizmente, a nível Estado, há filhos e há enteados, como se conclui por inúmeros casos vindos a público e que os políticos fingem ignorar em atitude de frequentes indícios de falta de vergonha e de ética.

Agora surge a notícia Sargentos e praças vão entregar ao PM protesto contra desigualdades entre portugueses o que constitui mais um sinal de mal-estar de num sector nacional que, pela formação ética, disciplinar e patriótica, não deve ser negligenciado.

E como muito se tem falado com serviços secretos ou de informações, deve ser tido em atenção que o processamento de «informações», começa com a avaliação de «indícios técnicos» e das relações entre eles para concluir da sua veracidade, credibilidade e significado. Tem sido aqui alertado para o perigo de acções menos pacíficas, se as tão prometidas reformas estruturais não vierem em tempo oportuno resolver ordeiramente os problemas do país a contento dos portugueses em geral, e não apenas dos protegidos do regime.

Outros sinais foram aqui trazidos em 20/01/200727/07/200710/03/200811/04/200806/11/20812/11/200830/01/2009... 18/07/201013/06/201223/06/2012…, não para fazer apologia de acções de força, mas porque as detesto e pretendo ajudar a evitar, alertando para a necessidade de adoptar medidas sensatas e adequadas com preocupações realistas e pragmáticas. A notícia atrás referida faz lembrar uma suspeita de amigo dedicado à história recente que diz que a revolução de 1926 foi liderada por generais e uma Unidade militar e a de 1074 foi liderada por capitães, podendo vir a suceder que a de 2012 ou 2013 seja conduzida por sargentos.

Para evitar actos de violência que sempre prejudicam mais os inocentes que, já do antecedente, eram vítimas e deixam escapar os que deviam estar na mira da acção, convém assumir com perfeito sentido de Estado que «as reformas estruturais são inadiáveis» e devem ser preparadas com o máximo cuidado e rigor, para criar um Estado com ética, com justiça social, com honestidade na gestão dos recursos nacionais, sem corrupção, etc

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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Sociedade exige ordem, disciplina, respeito…

Nos tempos que correm, há muitos acidentes nas estradas, no trabalho em casa e até mos processos de governação que conduzem a crises graves mas, apesar dos sofrimentos de que se tem conhecimento, cada um não toma precauções nem melhora a sua actuação porque está convencido de que as desgraças apenas acontecem aos outros. Há que olhar atentamente para o que ocorre fora de nossa casa e reflectir nos cuidados a ter para evitar azares.

Agora chega a notícia Ataque à sede do Governo na Líbia causa um morto e quatro feridos que nos mostra que nem tudo o que luz é oiro. A mudança é vantajosa quando se destina a aplicar uma solução devidamente estudada e ponderada para atingir um objectivo bem definido. De outra forma, «mudar por mudar é vã tentativa de disfarçar o vazio íntimo».

Semelhante a esta notícia, têm surgido outras como Ataque a manifestação faz 20 mortos no Cairo, Confrontos no centro do Cairo causam mais de 300 feridos e Dois mortos em confrontos entre polícias e manifestantes na cidade egípcia de Suez.

Estes casos, tal como muitos outros, mostram que a multidão se compraz em destruir, mas não tem projectos para edificar algo de melhor na vazio criado. E as leis da física mostram que o vácuo é autofágico, não pode sustentar-se e aceita ser ocupado por qualquer coisa que apareça. E nestes casos sociais, a necessidade de ordem, de respeito, de disciplina pode gerar uma autoridade que imponha um sistema demasiado duro, a ditadura, que depois, devido às imperfeições humanas, se transforme num regime vitalício cerceador da iniciativa individual e inibidor do crescimento e da felicidade das pessoas.

A lição que deveria ser retirada destes casos devia resultar em estilos de governação que tivessem sempre em vista o aumento de melhorar as condições de vida das pessoas e de desenvolver a mais perfeita justiça social, em respeito pelos outros. Cada um deve ser estimulado a desenvolver a noção do dever sagrado de respeitar os direitos dos outros que são o limite para os seus próprios direitos.

Dessa forma, se evitariam as reacções armadas, extremamente violentas que apenas destroem mas nada edificam de valioso em substituição das demolições praticadas.

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quarta-feira, 15 de junho de 2011

Via dolorosa do próximo Governo

Transcrição seguida de NOTA:

Coragem e patriotismo
Destak. 14 | 06 | 2011 19.36H. JOSÉ LUÍS SEIXAS

O silêncio que tem rodeado a formação do novo Governo pode ser um bom augúrio. Mais importante do que as linhas programáticas – as quais, em bom rigor, se acham desenhadas no memorando de entendimento que contratualiza o auxílio financeiro internacional – são as pessoas que irão assumir o timão deste barco tão frágil perante uma tempestade com a dimensão da que se avizinha. O governo destes tempos exige muito músculo, muito prestígio e muita determinação.

E, sobretudo, um enorme desprendimento e um grande patriotismo. Quando os portugueses sentirem na pele os sacrifícios de que, por enquanto, apenas se fala, os ‘rostos do poder’ serão apupados e vilipendiados. Então já ninguém se recordará do Eng. Sócrates, do memorando ou da crise internacional.

Nesse momento o governo em formação converter-se-á no bode expiatório do passado que colocou o País à beira do abismo. Serão os nomes dos seus ministros os pronunciados nas praças públicas como os responsáveis das muitas desgraças que baterão à porta de todos os portugueses. É bom ter presente que a memória histórica dos povos é um breve instante que se esvai como o fumo de um cigarro.

NOTA: Este texto não é profecia, antes um conclusão lógica da situação actual e recente. Nada se poderá resolver por um gesto de varinha mágica. É preciso inspirar a confiança do povo, através de verdade e transparência, de explicar as razões dos sacrifícios exigidos e os benefícios deles esperados, agir com rigor e bom senso para não cometer erros que possam afectar a confiança e a esperança das pessoas e o prestígio dos governantes. Para isso ,não pode esquecer-se o patriotismo, não se deixar pressionar por políticos partidários de baixa estatura ética que não sabem o que são os interesses nacionais e apenas visam regalias pessoais, como ficou visível nas palavras de Sílvia Ramos

E é preciso muito músculo, coragem e determinação para enfrentar as reformas indispensáveis para emagrecer o Estado e conter as despesas dentro das possibilidades das receitas, como por exemplo a eliminação de instituições inúteis que além dos custos financeiros acarreta aumento de burocracia e de ineficácia dos serviços públicos.

Portugal precisa que o Governo não fraqueje nesta via dolorosa e consiga vencer todas as dificuldades e escolhos que se lhe apresentarem no percurso.

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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Do Viçoso Caetano – Ser militar



Ser Militar

É ser nobre, é ser valente,
Filho de rico ou de pobre
Não interessa que gente!
Interessa a chama ardente,
Que arde no peito heróico,
Que, à bravura dá guarida,
No sacrifício da vida,
Se a tal chega o gesto heróico.

É ser respeito, Aprumo,
Disciplina, Coerência,
Decisão, Inteligência,
É saber traçar o rumo.

Ser militar, afinal,
É ser orgulho, é ser raça,
Quando se veste uma farda
E a Pátria é Portugal.

Viçoso Caetano
O Poeta de Fornos de Algodres


NOTA: Este poema devia ter sido publicado no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades mas, por lapso, só agora o pode ser, do que me penitencio perante o autor.

Este poeta, autor de cerca de duas dezenas de poemas aqui publicados é um patriota de pura gema que coloca o amor a Portugal acima de tudo, o que tem sido notório desde tenra idade passada no coração da Beira Alta onde se beneficia da sombra de Viriato. Não é militar mas, como afirmou num programa da RTP em que foi estrela, cumpriu com prazer o Serviço Militar Obrigatório, como oficial miliciano, em Moçambique.
Este poema, tal como outros já nossos conhecidos, é uma emanação daquilo que cultiva e alimenta na sua alma de português apaixonado pelo seu país natal.

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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Requisitos Essenciais a Cumprir

Transcrição de artigo:

O novo ciclo
Correio da Manhã. 06-06-2011. 0h30. Por: Luís Marques Mendes, ex-líder do PSD

Acabou ontem um ciclo político que não vai deixar saudades a ninguém. A pesada derrota que os eleitores aplicaram ao PS é a prova disso mesmo. Os portugueses, quando conheceram a verdade, não gostaram do que viram.

E disseram-no de modo concludente. Em bom rigor, porém, mais do que a derrota de um partido – o Partido Socialista – esta é sobretudo a punição política de um homem – José Sócrates. É ele o grande derrotado de ontem. Por isso se demitiu. Em boa verdade, os portugueses cansaram-se do estilo, indignaram-se com a atitude e revoltaram-se contra esta forma arrogante, auto-suficiente e mentirosa de fazer política. É bom para a democracia, é bom para o exercício da cidadania.

Abre-se agora um novo ciclo. Um novo ciclo que Passos Coelho vai liderar depois da retumbante vitória de ontem. A vitória que o líder do PSD obteve foi particularmente importante. Não apenas pela dimensão categórica do resultado. Mas também pela forma como foi obtida. Com uma campanha de verdade, com um discurso sem demagogia, com um programa eleitoral a sério, nunca ocultando as dificuldades, resistindo à retórica fácil e ao compromisso de circunstância. Passos Coelho seguiu o caminho mais difícil. Fez bem. Se seguisse outro caminho, podia ter tido ainda mais alguns votos. Mas desta forma conseguiu obter o que doutro modo não lograria alcançar – uma autoridade maior e uma legitimidade acrescida para governar. Ninguém o pode acusar de não ter sido verdadeiro ou de passar ao lado do essencial. É um bom começo e um excelente exemplo. Próprio de quem tem sentido de Estado e noção das responsabilidades.

Olhemos agora o futuro. É agora que ele vai começar. Acabou o tempo da mentira e a atmosfera da ilusão. Nada será fácil mas também nada será impossível. Mas para não dificultar o que já de si é difícil há requisitos essenciais a cumprir. Rapidez na acção, um executivo maioritário, uma coligação formal entre o PSD e o CDS, uma equipa governativa de elite, um governo como deve ser – a pensar nas próximas gerações, não nas próximas eleições. Mas convém ter visão estratégica – são necessários entendimentos políticos com o PS, para fazer reformas essenciais. Nem a maioria de governo deve fugir a este desafio nem o PS deve furtar-se a esta responsabilidade histórica. Fechadas as urnas e contados os votos, é tempo de pensar no País. E já não é sem tempo.

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domingo, 9 de janeiro de 2011

As Forças Armadas estão desvitaminadas

O DESAPARECIMENTO DE ARMAS NO EXÉRCITO
Por João José Brandão Ferreira,TCor/Pilav (Ref.), 7/1/2011

O recente e aparente roubo de armas no Centro de Instrução de Comandos é, sem dúvida, um acontecimento muito grave.

É grave porque configura uma falha de segurança que não pode ser admissível em caso algum; porque pode ser indício de uma tipologia de crimes ainda inéditos ou a “subida de patamar” de outros já existentes e porque representa uma mancha séria na imagem e credibilidade do Exército e, por arrastamento, nas Forças Armadas (FA).

Vamos tentar fugir a duas coisas, uma comum e outra menos: a primeira tem a ver com fazer aproveitamentos demagógicos de questões sérias e de atacar efeitos em vez de causas; a outra em falar de coisas que devem ter um carácter de confidencialidade (discorrer sobre procedimentos de segurança, por exemplo) ou substituir-me a quem, por dever de hierarquia ou de função, deve assumir posições oficiais – e por isso definitivas – sobre o assunto.

Vamos antes tentar discernir, sucintamente, as razões profundas (que davam uma tese!), que nos trouxeram a este ponto.

As consequências para as FAs, do 25 de Abril, do PREC (processo revolucionário em curso), do 25 de Novembro de 75 e da “Descolonização”, foram muito traumáticas e gravosas.

Tendo-se descido muito baixo (no PREC) houve ainda energia para fazer uma recuperação rápida - efeito do princípio da física, da acção e reacção - mais rápida do que o resto do país (em razão das especificidades próprias da Instituição Militar (IM). Mas esta recuperação apenas se verificou, quase na sua plenitude, no âmbito digamos “material” da Instituição. Isto é, no restabelecimento da hierarquia e da disciplina, na organização, na melhoria das instalações, na doutrina e no treino. A “coisa” entrou nos carris. Mas aquilo onde ficou longe de recuperar foi no seu âmbito digamos “espiritual” (a mais importante de todos), dado que os aspectos da ética, deontologia, confiança, lealdade, espírito de corpo e restantes virtudes militares, ficou muito por fazer. Os golpes foram profundos e deixaram sequelas, que só o tempo e uma boa prática sanarão. As relações e a imagem entre as FA e a Nação também sofreu e, por uma razão ou outra, acabou por deixar mágoas em todos os sectores da sociedade. O mesmo aconteceu com as relações político-militares: o conflito, o desajuste, o passo trocado e a desconfiança mútua, são uma constante dos últimos 30 anos. As águas mornas e as declarações institucionais em que tudo se tem passado e tentado iludir os problemas, não resistem à análise mais sumária. A piorar as coisas em vez de se sanear as fileiras de quem se tinha portado mal durante o período revolucionário – e portado mal não tem a ver com ideologia política, mas sim com os preceitos da virtude e da honra – resolveu-se passar um pano por cima de tudo e meter tudo no mesmo saco, promovendo-se todo o mau comportamento a coronel ou sargento chefe/mor, e distribuindo-se subsídios a esmo. De facto as pessoas calaram-se, na sua grande maioria, as tensões aparentemente atenuaram-se, mas a injustiça, essa, permaneceu.

A injustiça revolta e desmoraliza. A IM, no seu conjunto, ficou gravemente ferida. Perdeu a capacidade de se dar ao respeito e quem não se dá ao respeito não será respeitado.

Passando-se as coisas assim, foi-se assistindo a uma guerra surda e de sombras, em que os políticos na sua avaliação (errada), acharam a IM dispensável em termos geopolíticos e geoestratégicos, uma maçada político/social e uma despesa que eles gostariam de poder passar a usar no seu circo político/demagógico para manter/alcançar o Poder. Numa palavra, os militares estavam a mais. A prudência, porém, não aconselhava, acções precipitadas, de grande visibilidade, ou radicais. O desaparecimento da IM teria que ser indolor e gradual para não provocar reacções menos controláveis.

O ataque a sério começou no primeiro governo do Prof. Cavaco Silva, com constrangimentos financeiros, em pessoal e administrativos. Nunca mais parou.

Por seu lado, a mais alta hierarquia militar, sempre a tentar recuperar do quadro atrás apontado e com uma cromossomática incapacidade em se entender e, por isso, em andar à frente dos acontecimentos (e alguma falta de coragem à mistura), passou a encaixar danos, a fazer “acções de retardamento”, a explorar falhas alheias e a esperar melhores dias.

Não tem sido suficiente, nem bonito de se ver.

Cumulativamente e aproveitando o resvalar da sociedade (comum ao chamado Ocidente), para veredas menos próprias em termos de valores dominantes e a falta deles, os políticos passaram ao exercício de desconstruir e sabotar a IM nos seus fundamentos.

Acabaram com o serviço militar obrigatório, um erro trágico em termos nacionais; quase acabaram com a Justiça Militar e fecharam os seus tribunais; tentam “civilizar” constantemente o ensino militar; deram uma machada terrível na disciplina, com a reforma do RDM; obrigaram ao fim de praxes e tradições; retiraram sistematicamente a possibilidade a militares do quadro permanente em ocuparem outras funções fora das FAs; restringiram, enormemente, a expressão pública por parte dos militares; durante décadas impediram que as FAs participassem nas festividades do Dia de Portugal; a escolha dos chefes militares passou a ser exclusivamente por critério político e retiraram-nos da escala indiciária dos vencimentos – ou seja, tentaram separar a cabeça do resto do corpo; retiraram, constantemente, competências à cadeia hierárquica e coarctaram a capacidade dos chefes defenderem os seus homens o que levou ao aparecimento de “Associações” que podem evoluir para sindicatos o que transformaria a tropa num bando armado sem qualquer valor militar; abriram-se as fileiras ao ingresso de mulheres, decisão perfeitamente demagógica e escusada cuja única consequência foi aumentar os problemas sem qualquer contrapartida em mais valias e, agora, pretendem acabar com o Sistema de Saúde Militar e com o Fundo de Pensões.

Enfim o rol de asneiras e malfeitorias é extenso e quase ininterrupto.

Pelo meio os órgãos do Estado descredibilizam-se pois não cumprem leis que aprovam (contam-se cerca de 40), fazem letra morta da Lei de Programação Militar, impedindo a modernização e o reequipamento; mudam de critérios a meio do jogo (por exemplo as condições relativas a contratados), inventam engenharias financeiras que resultaram no “case study” dos submarinos e passaram a obrigar os militares, que faziam gala em ter as suas contas sempre certas e a honrar compromissos, a entrar na bandalheira do Estado que não paga a horas e faz dilações nos compromissos.

Resultou de tudo isto para as FAs uma impossibilidade de gerir o seu pessoal, dar carreira condigna seja a quem for, incapacidade para reter especialistas em várias áreas; mal-estar; desmoralização; obter adequados níveis de instrução e treino; exiguidade de equipamentos modernos e impossibilidade da sua manutenção adequada; inexistência de um mínimo de factores estáveis de planeamento; falta crítica de munições; esgotamento de stocks e inexistência de reservas de guerra.

O dia a dia das unidades degradou-se. Os laços de disciplina estão relaxados, fecha-se os olhos a uma quantidade de coisas e deixou-se de cumprir uma elevada soma de procedimentos que são o ABC de qualquer IM que se preze e estão inventados desde o tempo dos Romanos.

Enfim, havendo dificuldade de recrutamento, especialmente para praças no Exército – apesar dos quantitativos diminutos necessários! – existe uma falta de informação terrível sobre quem se recruta. Nem um registo criminal se consegue e durante a instrução um instrutor que se distraia e “grite” algo mais alto a um instruendo, arrisca-se a que o mesmo se queixe dele e chame um advogado. Parece que é tudo contra os direitos humanos!...

A situação é insustentável e ninguém está para aturar isto.

Falta um pouco de tudo e está tudo preso por fios.

Querem que diga mais?

Pois vou dizer. Numa local do Correio da Manhã que deu a notícia, lia-se: “muitos dos militares retidos no quartel têm outros empregos, estão no Exército em regime de contrato. E ontem estavam revoltados porque não podem ir trabalhar nem estar com a família”.

Tirando a demagogia da notícia, e a ser verdade o relatado, é gritante a falta de preparação dos militares e a sua interiorização da condição e do dever militar. Ter outro “trabalho” carece de autorização e nunca pode ser invocado face ao serviço e que este também prefere à família. Ou seja estaríamos perante uma situação de autêntica “peluda”!

Perante todo este cenário que descrevi e que é real, perguntar-se-á porque é que a cadeia hierárquica não actua.

Bom, há de tudo um pouco a saber: por receio de verem as suas carreiras prejudicadas; por cansaço de verem as suas informações ignoradas; por não haver informação/feedback; por não se querer encarar a realidade; por sentimento de impotência; não quererem ser portadores de más notícias, por...Procure-se na natureza humana e descobre-se. A nível superior, ainda, porque as chefias políticas têm a autoridade de despedir um chefe militar e mandá-lo para casa com uma mão à frente e outra atrás, o que não tem paralelo em mais nenhuma profissão e porque, não querem tomar algumas decisões (desejadas pelos políticos mas não assumidas) de fechar unidades ou diminuir capacidades, que sabem não irem recuperar jamais.

Por tudo isto, caros leitores, nós não temos de nos admirar do que aconteceu nos Comandos. Face às barbaridades cometidas nós só temos de dar graças, por as coisas, apesar de tudo, terem corrido tão bem!

Mas podem deixar de correr.

João José Brandão Ferreira
TCor/Pilav (Ref.)

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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A Educação no Brasil com problemas semelhantes aos de Portugal

Transcrição, sem comentários. Deve ser lido cuidadosamente até ao fim

DESAGRAVO DO PROF. IGOR P. WILDMANN

Amigos,

Embora há muito tempo desligado daquela instituição, como ex-professor do Instituto Metodista Izabela Hendrix, fiquei profundamente consternado com o caso do universitário que, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca no coração de seu professor, na cantina, em pleno horário escolar, à frente de todos.

Escrevi um desagravo e, em minha opinião, a pérfida ilusão vendida a muitos alunos despreparados, sobre a escola (e a vida) como lugares supostamente cheios de direitos e pobres em deveres, acaba por contribuir para ambientes propensos à violência moral e física.

Espero que, se concordarem com os termos, repassem adiante, sem moderação. A divulgação é livre.
Abs
Igor

J’ACUSE !!! (Eu acuso !)
(Tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes)

«Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice.»(Émile Zola)
Meu dever é falar, não quero ser cúmplice. (...) (Émile Zola)

Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova subsequente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que... estudar!).

A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro.

O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares.

Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de convivência supostamente democrática.

No início, foi o Maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”. Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”.

Aliás, “prova não prova nada”. Deixe o aluno “construir seu conhecimento.” Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, “é o aluno que vai avaliar o professor”. Afinal de contas, ele está pagando...

E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidêmica, travestida de “novo paradigma” (Irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários setores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos que mudar ‘tudo isso que está aí’; “mais importante que ter conhecimento é ser ‘crítico’.”

Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno – cliente...

Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo”.

Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar.

Ao assassino, corretamente, deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei. Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público. A acusação penal ao autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre texto de Emile Zola, EU ACUSO tantos outros que estão por trás do cabo da faca:

EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;

EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a “revolta dos oprimidos”e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas;

EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correto, que impedem a escola de constar faltas graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas;

EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranqüilas, provas de mentirinha, para “adequar a avaliação ao perfil dos alunos”;

EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições, frequentados por alunos igualmente sem condições de ali estar;

EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na sociedade;

EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual, finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã;

EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com segundo grau completo cresceu “tantos por cento”;

EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito” de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia;

EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”, uma “ nova cultura de paz”, pois o que se deve promover é a boa e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas, à autoridade e do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento; 


EU ACUSO os “cabeça – boa” que acham e ensinam que disciplina é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito,

EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;

EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como ACUSO os professores que, vendo tais alunos colarem, não têm coragem de aplicar a devida punição.

EU VEEMENTEMENTE ACUSO os diretores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos;

EU ACUSO os diretores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é diretamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores;

Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos -clientes, serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia.  


Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de “o outro”.

A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: “Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema.

Eu, sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima. O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida. Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita raiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.”

Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós. Que a sua morte não seja em vão. É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova cultura de paz” que podemos adotar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.

Igor Pantuzza Wildmann
Advogado – Doutor em Direito. Professor universitário.

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sábado, 30 de janeiro de 2010

Indisciplina. Família e Escola

Transcrição de texto recebido por e-mail de Maria João F, que agradeço.

A indisciplina nas escolas (vista por F. Savater)
Especialistas reunidos em Espanha

Aumento da violência nas escolas reflecte crise de autoridade familiar
Especialistas em educação reunidos na cidade espanhola de Valência defenderam hoje que o aumento da violência escolar deve-se, em parte, a uma crise de autoridade familiar, pelo facto de os pais renunciarem a impor disciplina aos filhos, remetendo essa responsabilidade para os professores.

Os participantes no encontro 'Família e Escola: um espaço de convivência', dedicado a analisar a importância da família como agente educativo, consideram que é necessário evitar que todo o peso da autoridade sobre os menores recaia nas escolas.

'As crianças não encontram em casa a figura de autoridade', que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo Fernando Savater.
'As famílias não são o que eram antes e hoje o único meio com que muitas crianças contactam é a televisão, que está sempre em casa', sublinhou.

Para Savater, os pais continuam 'a não querer assumir qualquer autoridade', preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos 'seja alegre' e sem conflitos e empurrando o papel de disciplinador quase exclusivamente para os professores.

No entanto, e quando os professores tentam exercer esse papel disciplinador, 'são os próprios pais e mães que não exerceram essa autoridade sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os', acusa.

'O abandono da sua responsabilidade retira aos pais a possibilidade de protestar e exigir depois. Quem não começa por tentar defender a harmonia no seu ambiente, não tem razão para depois se ir queixar', sublinha.

Há professores que são 'vítimas nas mãos dos alunos'.

Savater acusa igualmente as famílias de pensarem que 'ao pagar uma escola' deixa de ser necessário impor responsabilidade, alertando para a situação de muitos professores que estão 'psicologicamente esgotados' e que se transformam 'em autênticas vítimas nas mãos dos alunos'.

A liberdade, afirma, 'exige uma componente de disciplina' que obriga a que os docentes não estejam desamparados e sem apoio, nomeadamente das famílias e da sociedade.

'A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara', afirma, recomendando aos pais que transmitam aos seus filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, 'uma oportunidade e um privilégio'.

'Em algum momento das suas vidas, as crianças vão confrontar-se com a disciplina', frisa Fernando Savater.

Em conversa com jornalistas, o filósofo explicou que é essencial perceber que as crianças não são hoje mais violentas ou mais indisciplinadas do que antes; o problema é que 'têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos'.

'Deixaram de ver os adultos como fontes de experiência e de ensinamento para os passarem a ver como uma fonte de incómodo. Isso leva-os à rebeldia', afirmou.

Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade, admitindo Savater que 'mais vale dar uma palmada, no momento certo' do que permitir as situações que depois se criam.

Como alternativa à palmada, o filósofo recomenda a supressão de privilégios e o alargamento dos deveres.

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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Família e escola. Espaço de convivência

Especialistas em educação reunidos na cidade espanhola de Valência defenderam hoje que o aumento da violência escolar deve-se, em parte, a uma crise de autoridade familiar, pelo facto de os pais renunciarem a impor disciplina aos filhos, remetendo essa responsabilidade para os professores.

Os participantes no encontro 'Família e Escola: um espaço de convivência', dedicado a analisar a importância da família como agente educativo, consideram que é necessário evitar que todo o peso da autoridade sobre os menores recaia nas escolas.

'As crianças não encontram em casa a figura de autoridade', que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo Fernando Savater.

'As famílias não são o que eram antes e hoje o único meio com que muitas crianças contactam é a televisão, que está sempre em casa', sublinhou.

Para Savater, os pais continuam 'a não querer assumir qualquer autoridade', preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos 'seja alegre' e sem conflitos e empurrando o papel de disciplinador quase exclusivamente para os professores.

No entanto, quando os professores tentam exercer esse papel disciplinador, 'são os próprios pais e mães que não exerceram essa autoridade sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os', acusa.

'O abandono da sua responsabilidade retira aos pais a possibilidade de protestar e exigir depois. Quem não começa por tentar defender a harmonia no seu ambiente, não tem razão para depois se ir queixar', sublinha.

Há professores que são 'vítimas nas mãos dos alunos'.

Savater acusa igualmente as famílias de pensarem que 'ao pagar uma escola' deixa de ser necessário impor responsabilidade, alertando para a situação de muitos professores que estão 'psicologicamente esgotados' e que se transformam 'em autênticas vítimas nas mãos dos alunos'.

A liberdade, afirma, 'exige uma componente de disciplina' que obriga a que os docentes não estejam desamparados e sem apoio, nomeadamente das famílias e da sociedade.

'A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara', afirma, recomendando aos pais que transmitam aos seus filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, 'uma oportunidade e um privilégio'.

'Em algum momento das suas vidas, as crianças irão confrontar-se com a disciplina', frisa Fernando Savater.

Em conversa com jornalistas, o filósofo explicou que é essencial perceber que as crianças não são hoje mais violentas ou mais indisciplinadas do que antes; o problema é que 'têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos'.

'Deixaram de ver os adultos como fontes de experiência e de ensinamento para os passarem a ver como uma fonte de incómodo. Isso leva-os à rebeldia', afirmou.

Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade, admitindo Savater que 'mais vale dar uma palmada, no momento certo' do que permitir as situações que depois se criam.

Como alternativa à palmada, o filósofo recomenda a supressão de privilégios e o alargamento dos deveres.

Texto recebido por e-mail sem indicação do autor

NOTA: Os pais e, a seguir, os professores, sob a cúpula do poder governamental, não podem esquecer que estão a preparar os futuros cidadãos, a sobrevivência da Nação, do Estado e da humanidade. O civismo e o corpo de valores éticos não aparece por geração espontânea. Por isso, há que preservar e desenvolver aquilo que de bom herdámos das gerações anteriores, para legarmos aos vindouros uma sociedade mais perfeita.

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quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Um cadete do Exército Argentino

REFLEXÕES CASTRENSES:
-Por Pedro Rafael Mercado, da Reserva do Exército Argentino.

O facto aconteceu no Colégio Militar da Nação. A Ministra da Defesa, Nilda Garré, encontrava-se a presidir à projecção de um filme-debate que pretende coroar a mudança cultural que prega, do seu Ministério para as Forças Armadas. Nesse sentido, vem trabalhando activamente Martin Grass, um ex(?)-dirigente montonero, que conduz actualmente o sector educacional da área castrense.

Terminada a projecção da película "Desobediência", um filme tendencioso que narra situações de guerra, onde soldados e graduados se negam a obedecer a ordens presumidamente imorais. O objectivo é: aprofundar a lavagem cerebral dos jovens Cadetes. O filme termina e um silêncio sepulcral instala-se no salão.
Tentando romper o gelo, com um sorriso irónico no rosto, a Dra. Garré toma a palavra e pergunta: Aqui não se aplaude, como nos cinemas?

Um Oficial pede a palavra e expressa, com atitude, com respeito e com muita convicção o que todos pensam: que independente do conteúdo, aquele não era o âmbito adequado para passar aquela película; que os Cadetes estavam-se formando na disciplina para operar na forma de uma guerra regular e que a película nada indicava nesse sentido. Definitivamente: não servia para nada.

A Ministra ainda não acabara de absorver essa bofetada intelectual, quando um simples Cadete faz uso da palavra, resumindo o sentimento generalizado:

-"Se estes são os valores que se pretendem impor para o novo Exército, eu peço baixa imediatamente".

E o salão explodiu num aplauso geral, que punha em evidência a magnitude do fracasso da política oficial, seguida pelos neo-montoneros. Queriam mudar a alma do soldado... e o espírito castrense permanecia inalterado. Dominando os seus nervos, Nilda Garré, já sem o sorriso inicial, interrogava-se como era aquilo de que no ambiente castrense não se costumava aplaudir.

É de esperar que os actuais Altos Comandos do Exército Argentino tenham anotado esta lição da história. E na hora de formular estratégias, não deixem de lado a sensibilidade, a coragem e o valor dos quadros médios da instituição, que menos comprometidos com as intenções do poder, parecem estar mais perto das verdadeiras soluções.

A Dra Nilda Garré é Min da Defesa desde 2005. Abrs Landeiro

NOTA: Por cá, também há ministros que pretendem governar CONTRA os agentes dependentes dos seus ministérios e não COM eles, sem perceberem os valores éticos e profissionais dos especialistas com quem estão a tratar. Temos, através de notícias dos jornais, visto isto no âmbito da Educação, da Saúde, da Justiça, da Defesa, da Administração Interna, etc.
Nenhum artífice evidenciará competência se não souber e quiser trabalhar COM as ferramentas de que dispõe. E os recursos humanos, principalmente os mais qualificados, não se compadecem com amadorismos.

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quinta-feira, 12 de julho de 2007

Generais «obedientes» amordaçam militares

Segundo o DN aqui e aqui e outros jornais, os chefes dos três ramos das Forças Armadas proibiram os militares no activo de participarem na vigília marcada para hoje frente à residência do primeiro-ministro, em Lisboa. Trata-se de um protesto, contra as alterações nas condições de passagem à reserva e à reforma, organizado por três militares e tem "o apoio e solidariedade" da Associação Nacional de Sargentos (ANS). Segundo um dirigente associativo, os chefes militares justificam a proibição com o facto de se tratar de uma vigília com objectivos políticos.

Os militares, apoiados pela ANS, reclamam o pagamento, pelo Estado, de dívidas aos militares que, nos últimos anos, ascenderão a mil milhões de euros, que incluem o incumprimento no pagamento de complementos de reforma e atrasos nas comparticipações nos actos médicos. E outro dos pontos de contestação é o projecto de revisão das carreiras nas Forças Armadas, que institui as promoções por mérito, as reduções nas comparticipações na saúde e que já esteve no centro da polémica do protesto de 2006, e as mudanças nas regras da passagem à reforma.

Já em 8 de Agosto de 2005, militares fardados fizeram um protesto contra as medidas anunciadas pelo Governo para as Forças Armadas, nomeadamente o aumento da idade de reforma e as alterações projectadas para o sistema de assistência à doença.

A vigília resultou em vários processos disciplinares contra militares por terem participado fardados. Os protestos regressaram em Novembro de 2006, o "passeio do descontentamento" que teve a participação de centenas de militares na reforma, alguns no activo, tendo parte deles participado fardados. Segundo Fernandes Torres, não é aceitável a posição dos chefes militares, nem as alegações de que em causa estariam objectivos políticos. A vigília convocada pela Associação Nacional de Sargentos, tem natureza de reivindicação sócio-profissional de defesa dos legítimos interesses. São os direitos constitucionais dos cidadãos militares que estão a ser postos em causa. É necessário existir na opinião pública a consciência de que estas tensões não beneficiam em nada a coesão e a disciplina das Forças Armadas.

Na sequência do Passeio do Descontentamento, em Novembro, foram punidos 12 militares. Destes nove viram o Tribunal Administrativo dar-lhes razão. Face a isto o governo decidiu entregar na Assembleia da República uma nova legislação para impedir os militares de recorrerem aos Tribunais quando são castigados. Neste contexto está a assistir-se a uma instrumentalização da disciplina militar por razões políticas.

Nos últimos dois anos foi instaurada cerca de meia centena de processos disciplinares a militares dos três ramos das Forças Armadas, "a grande maioria sargentos". Do total de processos, um grande número está em fase de recurso, enquanto sete aguardam conclusão. Nas vésperas de mais uma acção de protesto - está convocada uma vigília para hoje, às 19 horas, junto da residência oficial do primeiro-ministro -, a Comissão de Militares (COMIL) emitiu um comunicado em que acusa o Governo de "assalto violento e ilegítimo" aos direitos da classe e afirma ser necessário travar essa "sanha persecutória".

As Forças Armadas não têm sindicatos porque é suposto que os comandantes defendem os interesses dos seus colaboradores. Porém, esta defesa tem sido descurada e os generais e outros graus de comando sobrepõem a esse seu dever o seu interesse de agradar aos políticos, como fiou bem patente nas atitudes do Almirante Mendes Cabeçadas que se limitou a ser o «porta-voz» do ministro Amado, nas complicações de Setembro.

Neste blog foram inseridos textos em várias datas sobre este tema:

06Nov22 - condições dos militares !
06Nov24 - militares perderam pontos ?
06Nov29 - chefes alertam para perigo das restrições militares
06Dez05 - os políticos e os militares
06Dez06 - Novo CEMGFA
06Dez10 - Oficiais das FA dão nota negativa aos políticos
07Jul11 – Discurso do General Gomes da Costa em Agosto de 1925

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