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sábado, 16 de junho de 2012

Avanços e recuos são sinal e imaturidade

O ideal seria que os responsáveis por decisões com efeitos sobre os outros e, mesmo, cada um nas suas pequenas decisões quotidianas seguissem a metodologia apontada em Pensar antes de decidir . É que as hesitações, ou melhor, os arrependimentos de erros de que resultam avanços e recuos, além de perdas financeiras e de tempo, ocasionam perda de credibilidade, de confiança e de esperança.

Mas, infelizmente, são frequentes tais comportamentos por tentativas, erros e novas tentativas, como se vê na notícia Educação recua e já não defende cobrança de IRS aos bolseiros, com a agravante de, neste caso, serem afectados indivíduos em plena formação para a vida activa de elevada responsabilidade. Constitui mau sistema de ensino e sensibilização para os melhores comportamentos profissionais futuros.

Imagem do Ionline

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terça-feira, 5 de outubro de 2010

Negligência nacional

Numa época em que tanto se fala na procura da excelência, na conveniência de fazer bem tudo aquilo que se faz, é desgastante assistir-se a tantos erros provenientes do desleixo, da incúria, do desprezo pela perfeição e pelo rigor.

Passa-se a nível governamental, com medidas avulsas, incoerentes, sem estratégia, mas o que não é menos grave, é que se passa também na generalidade da vida da população. As últimas notícias confirmam o que ficou escrito nos posts «Segurança votada ao desprezo» e «Incompetência e descontrolo».

Foi a infiltração da chuva no hospital Amadora-Sintra, de construção recente, que impediu o funcionamento do Serviço de Urgências e obrigou à transferência de doentes para outros hospitais. E agora é a notícia de que «Portão cai e fere criança em escola inaugurada há apenas quatro meses».


Mas, infelizmente, há muito mais dói que isto, pois os acidentes rodoviários não param de destruir vidas e, até, sofrem forte acréscimo quando caem as primeiras chuvas de Outono. A culpa não é da chuva, mas dos condutores que ignoram que a condução deve ser adaptada ao estado do piso e à visibilidade e é sabido que a chuva reduz a aderência do carro ao piso e diminui a visibilidade da estrada.

Como melhorar os comportamentos das pessoas? Certamente através das escolas, o que terá resultados lentos e demorados. Com resultado a curto prazo, só pode conseguir-se um comportamento mais adequado, através de penalização eficiente dos culpados, directa ou indirectamente por acidentes ou incidentes que possam causar danos pessoais ou materiais a terceiros. Estas acções disciplinadoras devem dirigir-se aos construtores, aos operários, aos responsáveis pela manutenção, aos inspectores das actividades económicas dos diversos sectores.

Os efeitos do desmazelo e da incompetência não se limitam a custos contabilísticos, mas incidem de forma grave na vida das pessoas, no seu stress, na sensação de insegurança, receio, falta de confiança e de segurança.

Para restabelecer cuidados racionais e socialmente correctos, os responsáveis, a justiça, os serviços de inspecção , não podem manter-se inactivos na luta contra pequenos defeitos que estão a criar mau ambiente pelo efeito de massa.

Imagem da Net

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sexta-feira, 21 de maio de 2010

Museu de Marinha deve ser defendido

Depois das primeiras notícias e do post aqui colocado, Museu deMarinha, com quase 150 anos, será extinto, surge agora o artigo

Possível integração do Museu de Marinha no Museu da Viagem gera contestação
Público. 20.05.2010 - 19:15 Por Maria José Santana


Está a gerar alguma contestação a ideia de que o futuro Museu da Viagem poderá vir a absorver o centenário Museu de Marinha. Nos últimos dias, têm circulado na Internet vários comentários de indignação face à possibilidade de aquele museu vir a desaparecer enquanto instituição autónoma.

A ministra da Cultura garante que o futuro Museu da Viagem só ocupará o espaço que é agora da arqueologia. Ministra assegura que um projecto não invalida o outro

O Ministério da Cultura desmente a existência de qualquer proposta, assegurando que o Museu da Viagem, é, nesta altura, apenas um conceito. Mas o PÚBLICO sabe que essa hipótese está na calha e até já foi avançada num projecto de protocolo.

Nesse mesmo esboço de documento de entendimento, surge a indicação de que as instalações do futuro Museu da Viagem corresponderão às instalações do actual Museu Nacional da Arqueologia – que, como já era do conhecimento público, passará para a Cordoaria Nacional -, abrangendo também o espaço actualmente ocupado pelo Museu de Marinha. (…..)


Este artigo mostra que, felizmente, nem todos os portugueses estão adormecidos em permanente estado vegetativo e alguns estão atentos aos verdadeiros valores nacionais que devem se defendidos por todo e qualquer meio.

A ideia inicialmente divulgada mostra a triste sina dos portugueses. A incompetência dos governantes e a vontade de fazerem algo de diferente, só para mudar e para alimentarem a própria vaidade de colocar uma placa com o seu nome, leva-os a estragar o que está a funcionar bem e a nivelar por baixo e pôr tudo na lama. Aconteceu com o ensino técnico de que agora se sente a falta, aconteceu na saúde, na Justiça com a descriminação e despenalização, nas Forças Armadas, nas Forças de Segurança, etc. etc.

Não tenham inveja do Museu de Marinha. Deixem-no continuar na senda da excelência e tomem-no como modelo e exemplo; imitem-no. Procurem imitar o que há de melhor e, em vez de destruírem apoiem o que merece apoio e aperfeiçoem o que está pior, para se aproximar daquilo que possui boa qualidade.

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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Optimismo e esperança para salvar Portugal

Poderão dizer que não há motivo para optimismo nem para esperança, mas essa atitude é o factor mais negativo que entrava o esforço para a salvação do País. A esperança deverá ser a última coisa a morrer. Enquanto há vida há esperança. E o optimismo surge lentamente, à medida que focarmos a observação em exemplos positivos que vão aparecendo em vários sectores de actividade.

No post anterior era referida a iniciativa e a capacidade de decisão de uma empregada que ousou tomar as rédeas da empresa evitando o encerramento e garantindo o emprego de todas as colegas. Agora é outro exemplo atraente, o da Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra que é tema do artigo que se transcreve.

Portugal precisa de mais empresas que se proponham ser exemplares na rota da excelência, com boa gestão e bons resultados não apenas em lucros mas, principalmente, na satisfação do seu pessoal e dos clientes.

Eis o artigo:

Escola de Hotelaria campeã no emprego
Jornal de Notícias, 29 de Novembro de 2009, por João Pedro Campos

«A Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra celebra hoje 20 anos com uma taxa de empregabilidade na ordem dos 85%. A modernização das instalações e equipamentos é o próximo passo da instituição.

"É um desafio ter agora uma estrutura no limite da capacidade. Estamos a precisar de rejuvenescer os nossos equipamentos", afirma ao JN a directora da Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra. Ana Paula Pais garante que a instituição tem já um plano para modernizar esses equipamentos e um projecto destinado a melhorar as instalações. "Ainda assim, a escola tem excelentes condições técnicas", Considera.

Instalada próximo do Pólo II, a Escola de Hotelaria e Turismo é actualmente frequentada por cerca de 500 alunos, estando, segundo a direcção, no limite das suas capacidades. "Nos últimos quatro anos, tivemos mais 150 alunos do que tínhamos para trás. Em 20 anos, a escola foi crescendo e diversificando também as ofertas", revela Ana Paula Pais. Sobre os 20 anos da instituição, a directora entende que "corresponde àquilo que um jovem de 20 anos sente: está no auge da sua força, tendo neste momento um projecto muito consolidado".

Cursos com emprego

Ana Paula Pais mostra-se satisfeita com o rendimento da escola ao nível da empregabilidade. "Ainda conseguimos garantir empregabilidade, o que é um privilégio", comenta, revelando que alguns dos oito cursos leccionados na instituição têm mesmo uma taxa de 100%. Os cursos de cozinha, especialmente têm empregabilidade total. Em termos gerais, a directora da escola afirma que a taxa de empregabilidade ronda os 85%.

A escola, uma das 16 pertencentes à Turismo de Portugal, tem tido uma procura excedentária nos últimos anos, o que, segundo a directora, obriga a um processo de selecção bastante eficaz.

Mais actividades

Os 20 anos da Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra foram ontem comemorados com uma sessão no Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra, durante a qual foram entregues diplomas aos alunos que terminaram a sua formação e se fez uma celebração com os funcionários.

Ana Paula Pais anuncia que ainda vão realizar-se mais duas actividades, no âmbito das comemorações do 20º aniversário. Os "Natais da Europa", a 3 de Dezembro, celebrarão o Natal dos países de origem dos estudantes Erasmus, possibilitando aos alunos "trabalharem menus de diferentes países". A 9 de Dezembro, será servido um jantar "gourmet" preparado por ex-alunos da escola.»

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quarta-feira, 17 de junho de 2009

Um sinal de moralização

Hoje tive a grata surpresa de ver um sinal de que algo poderá estar a moralizar neste País. Refiro-me à notícia de que o ministro do Ensino Superior, Mariano Gago, defende concurso para entrar no politécnico. Segundo a proposta «os professores terão de aceder aos quadros através de concurso público, mesmo que estejam na instituição há anos e com doutoramento».

O ministro garantiu que "o nosso princípio é qualificar e garantir que só se entra em lugares de quadro por concurso e terminar com a contratação automática. Temos assumido a maior flexibilidade em relação aos prazos de transição".

Parece que surge a preocupação de se cultivar a excelência, acabando com as nomeações sentimentais, por confiança política e amizade, e se passar a recorrer sistematicamente a concursos públicos em que, honestamente, sem corrupção, se escolham os mais dotados e preparados, melhores em todos os aspectos.

Conheço pessoalmente dois portugueses docentes, nos EUA, ambos doutorados, um em Economia e outro em Física Nuclear. Enquanto não atingirem um determinado grau académico na estrutura do ensino, trabalham numa universidade, após concurso documental e análise do currículo, por um período de dois anos não renovável, findo o qual terão de concorrer a outra universidade que tenha necessidade, em qualquer ponto dos Estados Unidos. Um destes compatriotas, casado e tendo a mulher bem empregada na localidade da Universidade, mostrou interesse em mudar de profissão. Dado o conceito em que era tido na Universidade, prolongaram, a título excepcional o contrato por mais um ano, mas sem hipótese de ficar mais um dia.

Em reunião familiar e perante a realidade de que se mudassem de cidade ela perderia o emprego e os filhos teriam de mudar de escola e criar novos amigos. A alternativa seria ele mudar de profissão e continuarem na mesma cidade. Mas ele tinha que arranjar trabalho e chegou a incluir nas hipóteses possíveis, montar uma padaria de pão tipo português e italiano, muito procurado na região. Sem preconceitos, o objectivo era viver com dignidade e eficiência.
Porém, na procura de emprego, acabou por ser admitido na segunda empresa de um ramo de serviços com bons auspícios, mas apesar do seu doutoramento, teve de obter uma licenciatura adequada a à actividade, o que conseguiu em horas pós-laborais. Decorrido pouco tempo, a primeira empresa do ramo, vendo a sua eficiência, apresentou-lhe uma proposta que ele levou ao seu chefe directo, obtendo como resposta que aceitasse porque não podiam cobrir, mas que ficasse um mês para passar a pasta.

Na empresa seguinte fez um trabalho de tal rigor e eficiência que a empresa anterior acabou por ir buscá-lo com uma proposta que a melhor do mercado não pôde cobrir.

Este exemplo mostra bem a ausência de preconceito na visibilidade do trabalho feito, pois pode ser-se bom até a produzir pão, mesmo sendo doutorado e com experiência docente universitária, e evidencia que o sistema de concurso permite obter os melhores colaboradores e criar-lhes estímulo para uma evolução permanente, mostra ainda que o mérito e a excelência acabam sempre por ser compensados e que a flexibilidade de emprego não prejudica as relações entre dirigentes e dirigidos, que se respeitam mutuamente.

Porém, receio que em Portugal não haja «vontade política» para evitar contratos assentes na «confiança política» e passe a fazer assentar as nomeações no resultado de concursos abertos com transparência e honestidade, por forma a escolher os melhores para cargos públicos, a fim de os dinheiros resultantes dos impostos sejam geridos de forma adequada aos interesses nacionais. Os nossos políticos não estarão dispostos a alienar os seus privilégios de serem agência de emprego para familiares e amigos, e as jotas, mesmo que sem os requisitos mínimos em preparação e vocação para o lugar.

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domingo, 17 de maio de 2009

Jovens que recuperarão Portugal

Ao pesquisar neste blog a palavra «jovens», encontram-se muitas referências a casos de jovens promissores que suscitam esperanças num Portugal renovado, mais próspero, com mais justiça social e bem-estar para a generalidade dos portugueses.

São as gerações mais jovens e as vindouras que terão sobre os ombros a pesada responsabilidade da recuperação de Portugal que tão danificado tem sido com más governações, servidas por políticos que pensam mais em si próprios do que no País que os elegeu. É vulgar ler-se e ouvir-se que «isto» tem que levar uma grande volta. Ela tem que ser conduzida pelos que ainda não estão viciados pelas actuais rotinas da sociedade, pelos que pensam pela própria cabeça e concluem que é preciso romper com procedimentos e hábitos nocivos, para reconstruir uma sociedade mais justa onde todos tenham direito à sua quota-parte de felicidade e não vejam outros a viver lautamente à custa da exploração dos desprotegidos pelo sistema.

Transcrevo na íntegra o artigo seguinte que merece ser lido atentamente até ao fim:

Alunos com vocação para a excelência

JN. 090517. 00h50m. Por HELENA NORTE

Distinguem-se pelas notas, mas não é isso que os faz estudar. Gostam de aprender, têm sede de conhecimento e são automotivados. Não correspondem ao estereótipo do "rato de biblioteca" e têm vida para além dos estudos, envolvendo-se em diversas actividades. Os métodos de estudo variam muito e não parecem ser determinantes para o sucesso. O prazer de saber mais é que os diferencia.

Método de estudo: "O método não é o mais importante. Estudar com prazer é que faz toda a diferença. Tenho uma paixão por aprender. Não estudo para tirar boas notas, isso é a consequência de saber."

Nos corredores da Faculdade de Medicina do Porto, já consta que não aparecia um aluno tão brilhante desde o tempo de Sobrinho Simões (eminente investigador na área do cancro). Ana Catarina Gomes está no 3.º ano com uma média invejável, destacando-se claramente como a melhor aluna da faculdade.

Ainda não tinha dez anos quando leu "Contos exemplares", de Sophia Mello Breyner, e a mensagem marcou-a inolvidavelmente: é preciso apreciar o que nos é oferecido, no momento, e não deixar para depois, porque quando voltamos atrás, já nada é igual. Para Ana Catarina, isso significa não desperdiçar qualquer oportunidade de aprendizagem.

Quando entrou em Medicina, com uma média de 20 valores do Secundário, tinha esperança de passar despercebida entre tantos bons alunos. Mas, rapidamente, deu nas vistas. Logo no 1.º ano, teve nota máxima no "cadeirão" de Anatomia. Desde então, colecciona prémios e mantém a média perto dos 19 valores. Quem a não conhece, julga que ela só vive para os estudos, mas Ana Catarina considera-se uma jovem normal, que gosta de sair e fazer amigos.

Os excelentes resultados que obtém nos exames não são o objectivo, mas a consequência. "Estudo pelo prazer de saber e discordo deste sistema de ensino centrado nos exames. Afinal, o objectivo é aprender ou fazer exames?"

Não faz noitadas a estudar em cima dos exames. Prefere estudar regularmente três horas por dia. Mas os seus dias não se resumem ao estudo. Nada diariamente uma hora, colabora num laboratório de investigação, estuda Inglês e Canto (já fez o curso completo de Piano), anda a aprender danças de salão e ainda tem tempo para fazer voluntariado no Instituto Português de Oncologia do Porto. Televisão não vê e com a Net não perde muito tempo.

Ana Catarina nunca precisou de estímulos para estudar. O perfeccionismo e o empenho exacerbados que dedica a tudo - "Quando faço alguma coisa, seja cortar uma unha ou dissecar um cadáver, gosto que fique perfeito" - são as bases da auto-motivação desta aluna que gostaria de fazer investigação na área do cancro da mama.

Método de estudo: "Estar atento às aulas e nunca sair da sala com dúvidas. E resolver muitos problemas, é assim que gosto de estudar"

Herdou os genes da Matemática do avô materno que, desde pequeno, o desafiava a resolver problemas. Nas viagens de carro, a mãe costumava fazer perguntas ao irmão mais velho e era Pedro quem respondia. Resultado: no Secundário, somou vintes e já ganhou três medalhas de ouro nas Olimpíadas de Matemática e outras distinções internacionais.

"É mesmo paixão. O que mais me fascina é resolver problemas novos, em que é preciso ser criativo, e não tanto fazer exercícios que consistam em aplicar a matéria dada", sublinha Pedro. Essa é, aliás, o método de estudo que prefere. Talvez por isso, Português seja a disciplina que menos gosta e a que tem a classificação mais baixa (19).

Pedro atribui as notas brilhantes ao facto de ter sedimentado bem os conhecimentos, de ano para ano. "Nunca deixei lacunas no meu percurso. Sempre consolidei bem os conhecimentos a todas as disciplinas."

Além de inteligência e estudo q.b., este estudante de 18 anos soma outros ingredientes fundamentais ao sucesso: ambiente familiar estável e estimulante e equilíbrio emocional, alcançado com uma diversidade de actividades - joga ténis, futebol, estuda piano e canto e gosta de sair e divertir-se.

"Gosto de estudar pelo prazer do conhecimento. Para entrar no curso que quero - Matemática aplicada à Computação -, não precisava de ter uma média tão alta."

Método de estudo: "Faço uma boa preparação para encarar os exames com confiança. À partida, acho sempre que vai correr tudo bem. E coloco-me na veste do professor e tento imaginar o que ele valoriza mais"

Direito na Universidade de Coimbra foi a escolha de Marta depois de ponderar vários cursos da área das Humanidades. "Foi a opção mais racional", explica, "porque é um curso que permite uma formação bastante alargada". Não quis trilhar o caminho dos pais e da irmã que são médicos e não se arrepende. Gosta muito do que estuda e é a melhor aluna de Direito e está entre os melhores de Coimbra.

Equilíbrio entre estudo e prazer e autoconfiança, construída com uma boa preparação, são os factores determinantes para enfrentar os exames, na visão de Marta.

"Não vou às aulas todas. Se fosse, não teria vida", realça. Para esta estudante do 4.º ano, com média superior a 18, é fundamental continuar a jogar ténis, ir ver a Académica ao fim-de-semana, conviver com a família, namorar e divertir-se com os amigos.

Planos para o futuro? "Ainda está tudo em aberto. Vou fazer mestrado, mas ainda não sei em que área, e não decidi se, a seguir, faço doutoramento ou começo a trabalhar."

Método de estudo: "Não tenho um método de estudo especial. Não gosto muito de ler teoria, prefiro fazer exercícios que me desafiem e mantenham-me desperto. E não deixo acumular as matérias".

Tiago é um jovem normal, que gosta de cinema, de jogos de computador e de sair com os amigos. Não corresponde ao estereótipo do "rato de laboratório" e, no entanto, é o melhor aluno da Universidade de Aveiro.

Embora sempre tenha tirado boas notas - ingressou no ensino superior com 18.35 valores -. só quando chegou a Aveiro, oriundo de uma pequena aldeia de Pombal, é que percebeu que poderia ser um aluno de excelência.

Mecânica é uma paixão antiga. Ainda era miúdo e já o fascinava perceber os mecanismos dos brinquedos. Era habitual, ele e o irmão desmontarem os carros e pegar nas peças e transformá-las veículo com novas funcionalidades. Quando chegou ao 9.º ano, e porque não tinha a certeza se poderia prosseguir os estudos na universidade, optou por um curso profissional de Mecânica.

A exigência do Ensino Superior aguçou-lhe o empenho e os resultados não tardaram a aparecer - detém a média de 18,28.

"Se não tiver trabalhos para fazer e se não for fim de semestre, não preciso de estudar todos os dias. Saio das aulas e estou com os meus amigos. Mas, quando é preciso, dedico-me totalmente ao estudo", frisa este futuro engenheiro para quem "há sempre tempo para tudo. Até para decidir o futuro, embora já esteja a trabalhar em projectos na área da simulação de processos de estampagem.

Tiago Jordão Grilo, 20 anos
3.º ano do curso de engenharia mecânica da Universidade de Aveiro
Prémios: Doutor Vale Guimarães (melhor aluno da UA); bolsa de mérito (aproveitamento escolar excepcional); bolsas de estudo (melhor caloiro e aluno do 1.º ano)

Ana Catarina Gomes, 20 anos
3.º ano de medicina na Faculdade de Medicina do Porto.
Prémios: diversos prémios por ter sido a melhor aluna a anatomia, fisiologia, biologia celular e molecular, genética, história da medicina, etc, melhor aluna do secundário.

Marta Nunes Vicente, 21 anos
4.º ano do curso de direito da Universidade de Coimbra
Prémios: prémio "Marnoco e Sousa" e prémio"Guilherme Moreira", atribuídos pela faculdade direito da Universidade de Coimbra

Pedro Sousa Vieira, 18 anos
12.º ano na área das ciências exactas. Pretende seguir matemática aplicada à computação, na Universidade Técnica de Lisboa.
Prémios: 3 medalhas de ouro nas olimpíadas portuguesas de matemática; diversas medalhas em competições internacionais.

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sábado, 9 de fevereiro de 2008

Jovens com prémios científicos internacionais

Duas notícias de hoje criaram em mim uma sensação muito agradável e restauraram o orgulho de ter nascido neste rectângulo.

Muito se lê e se escreve, com pessimismo, acerca do futuro do País, e, quando escrevo, procuro sempre deixar uma ponta de esperança na juventude, alimentando a convicção de que nos mais jovens, nas actuais crianças, há-de, sem dúvida, aparecer um punhado de pessoas sensatas e bem dotadas de capacidades intelectuais e éticas que lhes permitam restaurar o prestígio de Portugal no Mundo e a felicidade dos cidadãos que terão melhores condições de vida do que actualmente.

Dois jovens portugueses, foram galardoados com prémios internacionais que os honram e lhes abrem novas perspectivas de carreira. Eles mostram que o culto da excelência, não morreu e nem tudo se mede por critérios de mediocridade. O exemplo destes jovens merece ser apontado como objectivo para os nossos estudantes, cada um naquilo para que se sentir mais vocacionado, e merece ser também bem meditado pelos responsáveis pelo ensino e pelas ciências, a fim de darem o apoio mais adequado a quem demonstrar qualidades mais positivas.

No DN vem uma entrevista com Henrique V. Fernandes, investigador do Instituto de Medicina Molecular que é o único investigador português a receber uma bolsa no valor de 1,9 milhões de euros do European Research Council. Reconhece que se torna indispensável criar condições para o regresso dos investigadores que se encontram no estrangeiro, onde se formaram, e que é necessário criar massa crítica para uma melhor competitividade com os cientistas estrangeiros. Agora houve um premiado português entre 200 europeus e é desejável que passem a ser mais. São indispensáveis apoios e estímulos para os estudiosos se formarem e ficarem por cá a desenvolver projectos válidos.

Outra notícia, no Público e no JN, refere-se ao prémio concedido pela UNESCO, relativo às celebrações do Ano Internacional do Planeta Terra, que se comemora em 2008, a Diana Carvalho, de apenas 20 anos, aluna finalista do curso de Comunicação e Multimédia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real. O galardão vai ser recebido nos próximos dias 12 e 13 na sede da UNESCO, em Paris.

A jovem vila-realense foi a vencedora portuguesa deste prémio tendo concorrido com um filme com a duração de três minutos, elaborado com desenhos, programas de edição e filmagens reais em locais como o Douro e as «Fisgas de Ermelo" na Serra do Marão. Com a parte inicial deste trabalho, constituída por desenhos a preto e branco, pretende "alertar para a poluição e a sujidade", enquanto na segunda parte, as imagens "são reais e de cores vivas e fortes do Douro e de Ermelo".

Porém, em contrapartida ao optimismo gerado por estas notícias, surge uma outra no Público que traz por título « Só 12 titulares de cargos públicos pediram segredo de dados ao TC». Enoja-me o SÓ! Penso que 12 já é um número muito exagerado. Realmente, bastava apenas um para nos sentirmos repugnados com os políticos que temos. É pena que esses «só» 12 não vissem os seus dados devidamente investigados e fossem condenados pelas falcatruas que não queriam ver publicadas. Talvez o jornal, ao colocar o «SÓ», queira dizer que há muitos mais que estão em iguais condições mas não tiveram a ousadia de manifestar o seu pecado fazendo igual pedido ao TC. Falta de ousadia ou falta de consciência da sua situação irregular e marginal, no tocante à ética geral (para não falar na ética democrática, muito mais restrita)?

Parabéns aos dois jovens, Diana e Henrique, galardoados e pesar aos políticos que receiam ver publicadas as suas declarações de rendimentos e à justiça que não investigou e condenou as suas fraudes que estiveram na origem do pedido de ocultação.

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domingo, 5 de agosto de 2007

A importância de ser tratado por Excelência

Chega de excelências

Em 13/6 , um juiz do Paraná desmarcou uma audiência porque um trabalhador rural compareceu ao fórum de chinelos, conduta considerada "incompatível com a dignidade do Poder Judiciário".

Não muito antes, policiais do Distrito Federal fizeram requerimento para que fossem tratados por "Excelência", tal qual promotores e juízes.

Há alguns meses, foi noticiado que outro juiz, este do Rio de Janeiro, entrou com uma acção judicial para obrigar o porteiro de seu condomínio residencial a tratar-lhe por "doutor".

Tais fatos poderiam apenas soar como anedotas ridículas da necessidade humana de criar (e pertencer a) castas privilegiadas. No entanto, os palácios de mármore e vidro da Justiça, os altares erguidos nas salas de audiência para juízes e promotores e o tratamento "Excelentíssimo" dispensado às altas autoridades são resquícios directos da mal resolvida proclamação da República brasileira, que manteve privilégios monárquicos aos detentores do poder.

Com efeito, os nobres do Império compravam títulos nobiliárquicos a peso de ouro para que, na qualidade de barões e duques, pudessem se aproximar da majestade imperial e divina da família real.

Com a extinção da monarquia, a tradição foi mantida por lei, impondo-se diferenciado tratamento aos "escolhidos", como se a respeitabilidade dos cargos públicos pudesse, numa república, ser medida pela "excelência" do pronome de tratamento. Os demais, que deveriam só ser cidadãos, mantiveram a única qualidade que sempre lhes coube: a de súditos (não poderia ser diferente, já que a proclamação não passou de um movimento da elite, sem nenhuma influência ou participação popular). Por isso, muitas Excelências exigem tratamento diferenciado também em sua vida privada, no estilo das famosas "carteiradas", sempre precedidas da intimidatória pergunta: "Você sabe com quem está falando?".

É fato que a arrogância humana não seduz apenas os mandarins estatais. A selecta casta universitária e religiosa mantém igualmente a tradição monárquica das magnificências, santidades, eminências e reverências. Tem até o "Vossa Excelência Reverendíssima" (esse é o cara!).

Somos, assim, uma República com espírito monárquico. As Excelências, para se diferenciarem dos mortais, ornam-se com imponentes becas e togas, cujo figurino é baseado nas majestáticas vestimentas reais do passado. Para comparecer à sua presença, o súdito deve se vestir convenientemente. Se não tiver dinheiro para isso, que coma brioches, como sugeriu a rainha Maria Antonieta aos esfomeados que não podiam comprar pão na França do século 18. Enquanto isso, barões sangram os cofres públicos impunemente. Caso flagrados, por acaso ou por alguma investigação corajosa, trata a Justiça de soltá-los imediatamente, pois pertencem ao mesmo clã nobre (não raro, magistrados da alta cúpula judiciária são nomeados pelo baronato). Os sapatos caros dos corruptos têm livre trânsito nos palácios judiciais, com seus advogados persuasivos (muitos deles são filhos dos próprios julgadores, garantindo-lhes uma promiscuidade hereditária), enquanto os chinelos dos trabalhadores honestos são barrados. Eles, os chinelos, são apenas súditos. O único estabelecimento estatal digno deles é a prisão, local em que proliferam.

A tradição monárquica ainda está longe de sucumbir, pois é respaldada pelo estilo contemporâneo do liberal-consumismo, que valoriza as pessoas pelo que têm, e não pelo que são. Por isso, após quase 120 anos da proclamação da República, ainda é tão difícil perceber que o respeito devido às autoridades devia ser apenas consequência do equilíbrio e bom senso dos que exercem o poder; que as honrarias oficiais só servem para esconder os ineptos; que, quanto mais incompetente, mais se busca reconhecimentos artificiais etc.

Numa verdadeira República, que o Brasil ainda há de um dia fundar, o único tratamento formal possível, desde o presidente da nação ao mais humilde trabalhador (ou desempregado), será o de "senhor", da nossa tradição popular. Os detentores do poder, em vez de ostentar títulos ridículos, terão o tratamento respeitoso de servidor público, que o são. E que sejam exonerados se não forem excelentes!

Seus verdadeiros chefes, cidadãos com ou sem chinelos, legítimos financiadores de seus salários, terão a dignidade promovida com respeito e reverência, como determina o contrato firmado pela sociedade na Constituição da República.

Abaixo as Excelências!

Fausto Rodrigues de Lima ---- Promotor de Justiça do Distrito Federal
In http://alentejano2004.blogspot.com/

NOTA: Por cá, depois e uns anos em que as pessoas nos se tratavam pelo nome primeiro nome, está a começar a abusar-se dos títulos, o que é exigido por muitos snobs, principalmente mulheres. Será tendência para a monarquia???!!! Os EUA tiveram um Presidente Bill e tinham tido outro Jimy. A GB teve um PM Tony. Nós temos um PM «engenheiro» José Sócrates e um PR Professor Doutor Cavaco Silva. Assim se vê o que é um País grande e poderoso!!! A excelência é muito importante na qualidade do desempenho, mas é dispenssável no tratamento demasiado formal.

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domingo, 8 de julho de 2007

Discriminação dos maus alunos

Por João Miranda,investigador, jmirandadn@gmail.com DN, 07.07.07

Na passada quarta-feira, o CDS-PP propôs no Parlamento a criação de exames nacionais no 4.º e no 6.º anos. Paulo Portas justificou os exames com a necessidade de impor uma "ética do esforço" aos alunos. A deputada Paula Barros, pelo PS, contestou os exames, considerando a proposta do CDS-PP "discriminatória" e reveladora de "profunda insensibilidade social".

Este caso ilustra bem as posições típicas de conservadores e progressistas sobre educação. Nenhuma das facções reconhece a autonomia dos pais para educarem os filhos. Ambas acreditam que o Estado é que deve ser o grande educador. Os conservadores, representados pelo CDS-PP, acreditam que o Estado deve educar de acordo com os valores tradicionais. Moral católica, trabalho, família, Pátria, rigor e esforço. Os progressistas, representados pelo PS, estão mais interessados na igualdade do que na educação. Acreditam que se a escola ensinar alguma coisa torna-se discriminatória, porque os bons alunos aprenderão mais do que os maus. A forma mais segura de impedir a discriminação é garantindo que as escolas não ensinem nada.

Quem tem razão? Conservadores ou progressistas? O ensino conservador parece demasiado tradicionalista para entusiasmar alunos e professores e o progressista demasiado experimental para ser credível. Dado que os senhores deputados não conseguem ir além do senso comum, o mais provável é que o conhecimento para escolher entre a via conservadora e a via progressista não se encontre no Parlamento, mas disperso pela sociedade. É mesmo possível que a resposta dependa do aluno, das suas condições familiares e da cultura de cada escola.

Existe uma solução que poderá contentar tanto os conservadores como os progressistas e que, como bónus, ainda consegue aproveitar o conhecimento disperso pela sociedade: a liberdade de escolha. Se as escolas pudessem escolher os seus métodos de avaliação e seleccionar os seus alunos e se os pais pudessem escolher a escola dos filhos, os deputados seriam dispensáveis. Os pais, que estão muito mais interessados no futuro dos seus filhos que o Parlamento, teriam liberdade para decidir. Os defensores do ensino conservador e os do ensino progressista teriam que abdicar do poder do Estado para impor as suas teses e teriam que convencer pais e professores com argumentos fundamentados. Paulo Portas e Paula Barros teriam que se converter em gurus das respectivas comunidades educativas. Os deputados do CDS-PP colocariam os seus filhos em escolas com exames externos e os do PS colocariam os seus em escolas sem exames promotoras de igualdade. Ah, e os maus alunos poderiam ir para as escolas sem exames onde não correriam o risco de ser descobertos. Quero dizer, onde não correriam o risco de ser discriminados.

NOTA: Seria uma ousadia comentar o trabalho de um investigador, concordo que o problema é demasiado complexo para ser decidido sem considerandos, sem profunda reflexão, de ânimo leve ao tradicional estilo dos políticos. Considero que a discriminação pela positiva é indispensável como estímulo à «cultura da excelência» sem a qual não pode haver desenvolvimento de qualquer tipo. Para isso tem de haver classificações e exames credíveis, no bom estilo da avaliação que se pretende pôr a funcionar entre os funcionários públicos. A igualdade na mediocridade só pode ser defendida por ineptos e incapazes. Mesmo no desporto, apenas recebem as taças os melhores, só sobem ao pódio os vencedores.

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sábado, 10 de março de 2007

FELICIDADE VERSUS EXCELÊNCIA

Felicidade versus Excelência
Texto de João Pereira Coutinho, jornalista

Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades. Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos. Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar.
Hoje, não. A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis. E um exército de professores, explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição. Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente mas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito.
É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho. Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar forte no Prozac.
É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos. A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima. Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!

NOTA: Agradeço ao amigo Hugo R o envio deste texto por e-mail. Traz uma visão realista da forma como estamos hoje a construir o mundo futuro. Os nossos netos não dirão maravilhas dos avós que tiveram!

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