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sábado, 11 de outubro de 2014

JORNALISTAS, COMENTADORES E A VERDADE


Transcrição de texto sobre a realidade nacional, acerca da verdade da informação, dos jornalistas e dos comentadores

BISCATES
por Carlos de Matos Gomes 140715

Para que servem as primeiras páginas dos jornais e os grandes casos dos noticiários das TV?

Se pensarmos no que as primeiras páginas e as aberturas dos telejornais nos disseram enquanto decorriam as traficâncias que iriam dar origem aos casos do BPN, do BPP, dos submarinos, das PPP, dos SWAPs, da dívida, e agora do Espírito Santo, é fácil concluir que servem para nos tourear.

Desde 2008 que as primeiras páginas dos Correios das Manhas, os telejornais das Moura Guedes, os comentários dos Medinas Carreiras, dos Gomes Ferreiras, dos Camilos Lourenços, dos assessores do Presidente da República, dos assessores e boys dos gabinetes dos ministros, dos jornalistas de investigação, nos andam a falar de tudo e mais alguma coisa, excepto das grandes vigarices, aquelas que, de facto, colocam em causa o governo das nossas vidas, da nossa sociedade, os nossos empregos, os nossos salários, as nossas pensões, o futuro dos nossos filhos, dos nossos netos. Que me lembre falaram do caso Freeport, do caso do exame de inglês de Sócrates, da casa da mãe do Sócrates, do tio do Sócrates, do primo do Sócrates que foi treinar artes marciais para a China, enfim que o Sócrates se estava a abotoar com umas massas que davam para passar um ano em Paris, mas nem uma página sobre os Espirito Santo! É claro que é importante saber se um primeiro ministro é merecedor de confiança, mas também é, julgo, importante saber se os Donos Disto Tudo o são. E, quanto a estes, nem uma palavra. O máximo que sei é que alguns passam férias na Comporta a brincar aos pobrezinhos. Eu, que sei tudo do Freeport, não sei nada da Rioforte! E esta minha informação, num caso, e falta dela, noutro, não pode ser fruto do acaso. Os directores de informação são responsáveis pela decisão de saber uma e desconhecer outra.

Os jornais, os jornalistas, andaram a tourear o público que compra jornais e que vê telejornais. Em vez de directores de informação e jornalistas, temos novilheiros, bandarilheiros, apoderados, moços de estoques, em vez de notícias temos chicuelinas.

Não tenho nenhuma confiança no espírito de auto critica dos jornalistas que dirigem e condicionam o meu acesso à informação: todos eles aparecerão com uma cara à José Alberto de Carvalho, à Rodrigues dos Santos, à Guedes de Carvalho, à Judite de Sousa (entre tantos outros) a dar as mesmas notícias sobre os gravíssimos casos da sucata, dos apelos ao consenso do venerando chefe de Estado, do desempenho das exportações, dos engarrafamentos do IC 19, das notas a matemática, do roubo das máquinas multibanco, da vinda de um rebenta canelas uzebeque para o ataque do Paiolense de Cima, dos enjoos de uma apresentadeira de TV, das tiradas filosóficas da Teresa Guilherme. Todos continuarão a acenar-me com um pano diante dos olhos para eu não ver o que se passa onde se decide tudo o que me diz respeito.

Tenho a máxima confiança no profissionalismo dos directores de informação, que eles continuarão a fazer o que melhor sabem: tourear-nos. Abanar-nos diante dos olhos uma falsa ameaça para nos fazerem investir contra ela enquanto alguém nos espeta umas farpas no cachaço e os empresários arrecadam o dinheiro do respeitável público.

Não temos comunicação social: temos quadrilhas de toureiros, uns a pé, outros a cavalo.
Uma primeira página de um jornal é, hoje em dia e após o silêncio sobre os Espirito Santo, um passe de peito. Uma segunda página será uma sorte de bandarilhas.
Um editor é um embolador, um tipo que enfia umas peúgas de couro nos cornos do touro para a marrada não doer. Um director de informação é um “inteligente” que dirige uma corrida.

Quando uma estação de televisão convida um Camilo Lourenço, um Proença de Carvalho, um Gomes Ferreira, um João Duque, um Judice, um Marcelo, um Miguel Sousa Tavares, um Angelo Correia, devia anunciá-los como um grupo de forcados: Os Amadores do Espirito Santo, por exemplo. Eles pegam-nos sempre e imobilizam-nos. Caem-nos literalmente em cima.

As primeiras páginas do Correio da Manhã podiam começar por uma introdução diária: Para não falarmos de toiros mansos, os nossos queridos espectadores, nem de toureios manhosos, os nossos queridos comentadores, temos as habituais notícias de José Sócrates, do memorando da troika, da imperiosa necessidade de pagar as nossas dividas.

Todos os programas de comentário político nas TV deviam começar com a música de um passo doble. Ou com a premonitória “Tourada” do Ary dos Santos, cantada pelo Fernando Tordo.

O silêncio que os “negócios “ da família "Dona Disto Tudo" mereceu da comunicação social, tão exigente noutros casos, é um atestado de cumplicidade: uns, os jornalistas venderam-se, outros queriam ser como os Espirito Santo. Em qualquer caso, as redacções dos jornais e das TV estão cheias de Espiritos Santos. Em termos tauromáquicos, na melhor das hipóteses não temos jornalistas, mas moços de estoques. Na pior, temos as redacções cheias de vacas a que se chamam na gíria as “chocas”.

O que o silêncio cúmplice, deliberadamente cúmplice, feito sobre o caso Espirito Santo, o que a técnica do desvio de atenções, já usada por Goebels, o ministro da propaganda de Hitler, revelam é que temos uma comunicação social avacalhada, que não merece nenhuma confiança.

Quando um jornal, uma TV deu uma notícia na primeira página sobre Sócrates( e falo dele porque a comunicação social montou sobre ele um operação de barragem pelo fogo, que na altura justificou com o direito a sabermos o que se passava com quem nos governava e se esqueceu de nos informar sobre quem se governava) ficamos agora a saber que esteve a fazer como o toureiro, a abanar-nos um trapo diante dos olhos para nos enganar com ele e a esconder as suas verdadeiras intenções: dar-nos uma estocada fatal!

Porque será que comentadores e seus patrões, tão lestos a opinar sobre pensões de reforma, TSU, competitividade, despedimentos, aumentos de impostos, gente tão distinta como Miguel Júdice, Proença de Carvalho, Angelo Correia, Soares dos Santos, Ulrich, Maria João Avilez e esposo Vanzeller, não aparecem agora a dar a cara pelos amigos Espirito Santo?

Porque será que os jornais e as televisões não os chamam, agora que acabou o campeonato da bola?

Um grande Olé aos que estão agachados nas trincheiras, atrás dos burladeros!

Carlos de Matos Gomes

Nascido em 24/07/1946, em V. N. da Barquinha. Coronel do Exército (reforma). Cumpriu três comissões na guerra colonial em Angola, Moçambique e Guiné, nas tropas especiais «comandos».

Imagem de arquivo.

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terça-feira, 9 de abril de 2013

GOVERNAR COMO CONDUZIR AUTOMÓVEL


Por considerar dever dar mais destaque ao texto de um comentário, transcrevo-o para aqui com pequenos retoques:

A serenidade, ao contrário da exaltação descontrolada constitui um valor a manter e a rendibilizar para a reflexão, a inovação e a produtividade no melhor sentido e para os melhores efeitos.

Mas da reflexão não deve resultar uma IDEIA FIXA, dogmática. Com efeito, não há verdades absolutas senão em mentes débeis de cruéis ditadores autoritários e dominadores pelos piores métodos. Tudo é relativo e tudo está sujeito a incontáveis factores, em permanente evolução, que exigem rever a acção em cada momento, adaptando-a a alterações ambientais, circunstanciais. Viver ou governar constitui uma actuação do género da condução automóvel em que o volante da direcção não pode ser desprezado um só momento, a fim de fazer face, com eficácia, às condições da estrada e a tudo o que nela se passa ou pode vir a passar-se.

A impreparação, a incapacidade e a vaidade de governantes cria-lhes a errada noção do poder e da infalibilidade e teimam obsessivamente num capricho que impõem ao povo «custe o que custar», não reconhecem os seus erros e falhas e «prometem continuar» em vez de procurar mudar para a rota mais apropriada para atingir os objectivos mais favoráveis aos 80 por cento da população, aquela que está por eles condenada a viver na pior miséria e a morrer de fome, de carência de cuidados de saúde, de deficiente educação, de insegurança ou por suicídio.

O povo, com o poder que lhe é concedido teoricamente pela DEMOCRACIA, devia gritar mas infelizmente está exangue, sem coragem nem força para manifestar a sua indignação, e deixa-se iludir por promessas, que não passam de palavras bonitas.

Mas a vacuidade cerebral está ligada à ostentação e ao palavreado oco, e aparecem jovens acriançados, sem uma sólida preparação, a tentarem convencer que são SENHORES ÚNICOS DA VERDADE e que prometem colocar de lado a PESTE GRISALHA!!!. Outros puxam por um dos poucos livros que folhearam e citam frases de sábio do século passado a querer mostrar competência e idoneidade e tentam impor ideias que foram aplicáveis noutros tempos mas que não são minimamente ajustadas à sociedade actual, com características muito diferentes e mais complexas. Não conseguem perceber que as realidades são outras, não conhecem o mundo real e as condições em que vive grande parte da população que, por isso, martirizam de forma desumana. Parecem marionetes submissas aos cordelinhos manipulados por alguns senhores do poder financeiro que fazem parte dos 20 por cento favorecidos pelo regime. E mesmo estes vivem iludidos, porque se destroem os 80 por cento que produzem e consomem, ficam sem alimento e sem quem os sirva e sem fonte do enriquecimento a que estão habituados.

Muitos dos que têm funções directivas e de gestão, com pessoas, de carne e osso sob a sua responsabilidade não sabem aplicar nas suas tarefas o exemplo do automobilista que nunca fixa o volante, para não se expor a um grave acidente nos segundos mais próximos. A propósito, O presidente do ACP atribui a quantidade de acidentes rodoviários à péssima preparação dos condutores. Isso também merece ser meditado de forma abrangente à formação geral dos portugueses.

E o pior mal da humanidade é que, pelo mundo, predominam nos governos e ekm funções de alta responsabilidade pessoas de tal estirpe, que não pensam nos interesses das pessoas mas apenas nos seus próprios e nos do seu clã e se orientam por vãs vaidades, como se vê na Coreia do Norte, na Síria e em vários países da Europa que, há muito tempo, deixou de ser o modelo e a mola real da civilização ocidental e exemplo para o Mundo.

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sexta-feira, 22 de março de 2013

A situação política, vista à maneira de José Gil


Transcrição (por alto) de passagem do livro de José Gil «Portugal, Hoje – O Medo de Existir», de Relógio D’Água Editores, Novembro 2004 que vem ao encontro do muito que tem sido escrito ultimamente acerca da crise complexa que estamos a atravessar:

«Ao aceitarmos o descaramento com que certas medidas são tomadas, estamos a aceitar o desaparecimento de toda a ética da vida política. E estamos a deixar que novamente o nevoeiro nos envolva e que o terreno propício ao enquistamento (a não inserção) se desenvolva. Estamos a aceitar que este se estratifique no nosso inconsciente, e assim se justifique o declínio da democracia.

Se este tipo de duplo-esmagamento (do poder apoiado pelos mídia e do medo existencial) não produziu microterrores (que virão muito depois), ele prolifera agora através do duplo efeito do controlo da televisão pelo poder e do controlo dos territórios existenciais pela televisão O PM compreendeu perfeitamente a importância do capital simbólico que a imagem mediática confere. O prestígio, o carisma de origem «divina» que afecta os gestos, a imagem, as palavras do sujeito mediático encerra uma mais-valia simbólica que o torna puro, imediatamente atraente e «belo». A imagem transforma (pelo menos tendencialmente) o antipático em simpático, o repulsivo em aceitável. A aura mediática muda o facto em direito e valor.

Com tanta magia assim ganha, o homem político mediático corre o risco de julgar que tudo pode, que as maiores asneiras, erros, desgovernações lhe serão imediatamente perdoados ou melhor, que eles serão afectados de uma espécie de «impunidade», de «ligeireza», de «irrelevância» que não contarão no balanço final eleitoral – porque, afinal, não se inscreverão na memória popular. A isto chama-se também populismo, demagogia imanente (que se enraíza endemicamente no nosso país, no «nacional porreirismo», naquele gregarismo «da malta», que traduz a força extraordinária da cultura popular portuguesa que atravessou as barreiras de classe e de estatuto, num país «provinciano» em que nem a nobreza nem a burguesia conseguiram produzir culturas verdadeiramente autónomas, duradouras e consistentes).

… leva-nos de novo à génese da nossa passividade de cidadãos livres.

Porque é que deixámos chegar as coisas a este ponto? Porque é que uma maioria da população não se indigna e protesta ao ponto de obrigar o Governo a mudar de direcção? De onde vem a nossa anestesia, a nossa complacência, enquanto povo perante actos que fazem perigar a democracia?»

NOTA: Se procurarmos observar as realidades à nossa volta, as interacções entre vários factos e fizermos um esforço para responder às dúvidas que se nos levantam, certamente faremos evoluir o nosso conceito de cidadania, sair da concha da complacência ou da indiferença e teremos uma participação mais activa na nossa sociedade, de que dependemos e para cujo desenvolvimento todos devemos colaborar.

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sábado, 29 de dezembro de 2012

Relvas. Promessas e realidades


Ouça-se o que nos diz um político na oposição, com palavras atraentes e promissoras do paraíso e veja-se nas notícias de jornais a realidade que nos deu após ser Governo.

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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Para um Ano Melhor

É preciso que o Governo tome medidas para evitar que o bom povo português perca a esperança e entre em perigosa depressão. Depois de ler a notícia Milhares de portugueses deixaram de pagar condomínio para poderem comer, o estado de alma ficou logicamente abalado.

Mas, felizmente, pouco depois encontrei um outro texto com sinais de haver soluções possíveis, luz ao fundo do túnel, ideias de alguém que sugere pistas que, se adoptadas, criam a esperança desejada e conveniente. Dele se retiram as seguintes ideias:

Falta emprego e esperança aos portugueses e sobram dificuldades e incertezas, pelo que é preciso acção adequada.

O actual modelo de governação precisa de mudanças, de ajustamentos.

Há que apostar em políticas que tenham as pessoas como prioridade, e ultrapassar as políticas assentes em modelos que esquecem as pessoas e que consideram o desemprego e a pobreza como danos colaterais.

É imperioso criar condições que evitem que haja crianças que chegam com fome às escolas, idosos e reformados que deixam de comprar os medicamentos ou deixam de ir a consultas médicas e de famílias a viver no limite da dignidade.

São precisas políticas públicas de saúde, educação e segurança social, essenciais para combater as desigualdades, garantir a dignidade de cada cidadão e promover a coesão social.

Enfrentar o Novo Ano com esperança lúcida para que todos deixem de ter um presente de incerteza e de falta de esperança e para que o futuro não seja receado com angústia e preocupação.


Trata-se de linhas positivas de espírito natalício que, embora teóricas e vagas, merecem muita atenção por parte dos detentores do poder e da oposição para irem ao encontro das melhores medidas práticas a fim de termos um ANO MELHOR e recuperar a economia nacional e incentivar o bem-estar social.

Imagem do JN

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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Pés na terra a olhar o futuro

Transcrição de artigo seguida de NOTA:

Alô? Há alguém com os pés assentes na terra?

Correio da Manhã 30-11-2012. 1h00. Por: João Miguel Tavares (jmtavares@cmjornal.pt)

Todas bem juntinhas, as asneiras que Pedro Passos Coelho já acumulou ao longo de ano e meio de governação dariam para uma terceira ponte sobre o Tejo.

Mas quando assisto aos debates parlamentares em torno do orçamento e depois ouço a entrevista do primeiro-ministro na televisão, fico tristemente convencido de que se amanhã houvesse eleições eu voltaria a votar no PSD.

Passos Coelho tem tratado muito mal o meu voto, porque o empenho com que se atirou à minha carteira foi muito superior ao empenho com que se pôs a emagrecer o Estado. Mas quando ele fala, pelo menos vejo que há ali uma pessoa que percebe o problema. Ou duas, juntando Vítor Gaspar. Ou três, juntando Paulo Macedo. (Paulo Portas é melhor não juntar.) Eu até posso não concordar com as soluções propostas, mas pelo menos concordo sobre o que está mal.

É poucochinho? É. Só que do lado da oposição é o deserto intelectual. Toda a gente anda aos gritos e a proclamar diariamente a "ruptura política e social", mas a verdade é que o povo, numa sondagem feita já esta semana, continua a defender por uma larga maioria (63,5%) o cumprimento do acordo com a troika. Será mesmo o PSD que está desligado da realidade? O PS de António José Seguro está convencidíssimo de que anda a dizer aquilo que o país quer ouvir, mas eu estou muito menos certo disso do que ele.

O realizador português Gonçalo Tocha assinou este ano um filme sobre a ilha do Corvo, ao qual chamou "É na terra não é na lua". Parece-me o conselho perfeito para a oposição ao PSD e para uma vasta galeria de comentadores apocalípticos. Meus senhores: isto é a Terra. Se querem a Lua, inscrevam-se na NASA.

NOTA: Parece que tem razão e faz gerar a dúvida, quase certeza, de que a maioria dos portugueses, no seu progressivo empobrecimento e na ansiedade dele resultante e da falta de um sinal de esperança, vive nas nuvens ou na Lua e perdeu a noção das realidades terrenas.

Mas, em democracia, «a soberania reside em a Nação» e, por isso, seria bom que, ao lado ou em vez das muitas asneiras referidas no primeiro parágrafo, surgissem ideias para que cada cidadão se consciencializasse das realidades e se criasse um pensamento alargado a muitos por forma a encontrar a pista de salvação para que, com os pés na terra, se pudesse sair da crise e enveredar pelo caminho do crescimento da riqueza nacional e do bem-estar dos cidadãos.

Esse seria um papel adequado aos partidos e às principais instituições sociais, profissionais, etc., num trabalho de equipa, com total convergência de esforços e de vontades. Tudo o que seja a bem da Nação, com justiça social, equidade, proporcionalidade, deve merecer a primeira prioridade, nos discursos, nas acções, nos comportamentos cívicos.

Imagem do CM

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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

É necessária verdade e transparência

Transcrição de notícia:

As dúvidas de Marcelo 
Publicado em «maiortv» em 18 Novembro 2012, 23:57

O professor Marcelo Rebelo de Sousa tem dúvidas que o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, controle as contas públicas

“Ele (Vítor Gaspar) está a controlar mesmo as despesas do Estado? Tenho dúvidas. A sensação que tenho é que ele controla no papel, em termos macro, de valores efectivos. Duvido que controle, efectivamente, as despesas do Estado. Mas, pior do que isso: se a situação muda na Europa todos os dias, é instável e imprevisível, e nós dependemos muito da Europa porque é que se insiste em fazer previsões muito rígidas que são desmentidas dai a 15 dias?”.

No seu habitual espaço na TVI, o comentador sugere que o Governo diga que “há uma margem de incerteza interna e internacional que explica que se está a funcionar dentro de certos limites e que essa incerteza torna impossível ser-se muito certo e peremptório”. Por isso, acrescenta, Vítor Gaspar devia ser menos assertivo.

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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

E porque não aprende?

O Sr. ministro Dr. Miguel Relvas, desviou-se das suas grandes preocupações de governar mais eficazmente para melhorar as condições de vida dos portugueses, a fim de dizer as sábias e oportunas palavras de que o Governo está disponível para aprender com «a realidade.

Estas palavras fazem ressaltar a curiosidade de compreender a razão «porque ainda não aprendeu?». Depois de 16 meses de funções quanto mais tempo será necessário para iniciar a aprendizagem? Talvez a aprendizagem fosse mais rápida e eficaz se o Sr. ministro, em vez de dizer estas sábias palavras que nada trazem de novo nem de edificante, estivesse a procurar iniciar a aprendizagem com «a realidade». E há muito que aprender, com base nas manifestações de descontentamento e de indignação dos portugueses, na análise dos números sobre o aumento do desemprego que registou novo recorde em Agosto, procurando compreender as suas causas e as medidas mais ajustadas para o estancar, etc.

E o Sr. ministro não precisa de ir longe procurar auxílio para a aprendizagem, pois Maria Luís Albuquerque, secretária de Estado do Tesouro mostra já estar mais esclarecida quando diz que se “nota nos portugueses um desalento compreensível” perante a sucessão de medidas de austeridade impostas pelo Governo. E que «as duras medidas aplicadas – aumento de impostos, contenção das prestações sociais – tornam extraordinariamente difícil a vida de muitos portugueses»

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domingo, 30 de setembro de 2012

António Borges o arrogante «sábio»

Talvez o arrogante «sábio» António Borges consiga fazer as quatro operações aritméticas sem calculadora nem precisar de contar pelos dedos, talvez consiga saber logaritmos, derivadas, integrais, estatísticas e outros malabarismos com números, mas isso não justifica, não lhe dá o direito de querer impor a sua opinião com a arrogância de quem se julga ser dono absoluto da verdade e muito menos de ser incontido nas palavras ofensivas que usou para os empresários que têm sido pilares da economia nacional, inovando, produzindo e exportando, como é referido na notícia António Borges classifica de "ignorantes" empresários que criticaram a TSU.

Os visados não aceitaram tais modos menos correctos de uma pessoa que joga nos dois campos de adversários e se presta à promiscuidade entre público e privado, recebendo do Estado e da Jerónimo Martins, empresa que tem negócios com o Estado (ver aqui e também aqui) e reagiram como se pode ver nas notícias seguintes:

- O empresário Luís Onofre ficou “pasmado”com as declarações de Borges

- Fortunato Frederico, patrão da Fly London ofendido com as afirmações de António Borges

- Filipe de Botton, presidente da Logoplaste, disse que António Borges “demonstra total ignorância do que é o tecido empresarial português”

- Vieira Lopes, presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), disse que António Borges não tem “perfil para o lugar público que ocupa”

- Murteira Nabo. empresário e ex-ministro, disse que Borges não foi feliz ao ter chamado “ignorantes” aos empresários

- Rui Moreira, presidente da ACP, acusa António Borges de se colocar “na posição de ministro que não é”

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terça-feira, 3 de julho de 2012

Reflectir sobre a realidade !!!

Frei Fernando Ventura - Portugal dos pequeninos


Os seguintes títulos de notícias estimulam a reflectir, mas se desejar ir mais além, e convém, faça clique sobre os links:

- Dez mil famílias e empresas arrastadas para a falência no primeiro semestre
- Especialista garante que apelo à emigração é "um erro enorme"
- Finanças apontam falhas nos cortes de salários em altos cargos do Estado
- Denúncias sobre fugas ao fisco aumentaram 17% em 2011

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domingo, 10 de junho de 2012

Pérolas de António da Nóvoa

O Discurso do Prof. Doutor António Sampaio da Nóvoa, Presidente da Comissão Organizadora das Comemorações do 10 de Junho (texto completo aqui), é comparável a um precioso colar de joias raras de que a seguir se apresentam alguns exemplos:

A consciência e a realidade
As palavras não mudam a realidade. Mas ajudam-nos a pensar, a conversar, a tomar consciência. E a consciência, essa sim, pode mudar a realidade.

O Poder e os mais desprotegidos
A regra de ouro de qualquer contrato social é a defesa dos mais desprotegidos. Penso nos outros, logo existo (José Gomes Ferreira). É o compromisso com os outros, com o bem de todos, que nos torna humanos.

A pobreza de ontem e a de hoje
Portugal conseguiu sair de um longo ciclo de pobreza, marcado pelo atraso e pela sobrevivência. Quando pensávamos que este passado não voltaria mais, eis que a pobreza regressa, agora, sem as redes das sociedades tradicionais.
Começa a haver demasiados “portugais” dentro de Portugal. Começa a haver demasiadas desigualdades. E uma sociedade fragmentada é facilmente vencida pelo medo e pela radicalização.

Precisamos de ideias novas para alternativas
Não façamos, uma vez mais, o erro de pensar que a tempestade é passageira e que logo virá a bonança. Não virá. Tudo está a mudar à nossa volta. E nós também.
Afinal, a História ainda não tinha acabado. Precisamos de ideias novas que nos dêem um horizonte de futuro. Precisamos de alternativas. Há sempre alternativas.

Conhecimento, liberdade e futuro
A arrogância do pensamento inevitável é o contrário da liberdade. E nestes estranhos dias, duros e difíceis, podemos prescindir de tudo, mas não podemos prescindir nem da Liberdade nem do Futuro.
O futuro, Minhas Senhoras e Meus Senhores, está no reforço da sociedade e na valorização do conhecimento, está numa sociedade que se organiza com base no conhecimento.

O económico VS o ético e o democrático
Os sacrifícios têm de basear-se numa forte consciência do social, do interesse colectivo, uma consciência que fomos perdendo na vertigem do económico; pior ainda, que fomos perdendo para interesses e grupos, sem controlo, que concentram a riqueza no mundo e tomam decisões à margem de qualquer princípio ético ou democrático. É uma “realidade inaceitável”.

Nós e a Europa
Em mar de águas revoltas, é preciso manter o rumo, ter a sabedoria de separar o acessório do fundamental. A Europa não é uma opção, é a nossa condição. Uma Europa com uma nova divisa: liberdade, diversidade, solidariedade.
A Europa é o nosso futuro, mas não nos iludamos. Ou nos salvamos a nós, ou ninguém nos salva (Manuel Laranjeira). Falemos, pois, de Portugal e dos portugueses.

Trabalho e ensino são factores fundamentais
Nos momentos de prosperidade não tratámos das duas questões fundamentais: o trabalho e o ensino. Nos momentos de crise é tarde: fundas economias na administração aumentariam os desempregados, e para a reorganização do trabalho falta o capital; falta o tempo, porque a fome bate à porta do pobre. Então a emigração é o único expediente: silenciosa e resignadamente cada um vai partindo, sem talvez uma palavra de amargura(…).
O heroísmo a que somos chamados é, hoje, o heroísmo das coisas básicas e simples – oportunidades, emprego, segurança, liberdade. O heroísmo de um país normal, assente no trabalho e no ensino.

Organização interna
Porque Portugal tem um problema de organização dentro de si:
- Num sistema político cada vez mais bloqueado;
- Numa sociedade com instituições enfraquecidas, sem independência, tomadas por uma burocracia e por uma promiscuidade que são fonte de corrupção e desperdício;
- Numa economia frágil e sem uma verdadeira cultura empresarial.

Um rumo novo
Chegou o tempo de dar um rumo novo à nossa história.
Portugal tem de se organizar dentro de si, não para se fechar, mas para se abrir, para alcançar uma presença forte fora de si.
Não conseguiremos ser alguém na Europa e no mundo, se formos ninguém em nós.
Não é por sermos um país pequeno que devem ser pequenas as nossas ambições. O tamanho não conta; o que conta, e muito, é o conhecimento e a ciência.

Conhecimento, ciência e tecnologia
Existe conhecimento. Existe ciência. Existe tecnologia. Mas não estamos a conseguir aproveitar este potencial para reorganizar a nossa estrutura social e produtiva, para transformar as nossas instituições e empresas, para integrar uma geração qualificada que, assim, se vê empurrada para a precariedade e para o desemprego.
É este o nosso problema: a ligação entre a universidade e a sociedade. É esta a questão central do país: uma organização da sociedade com base na valorização do conhecimento. (…)
É por aqui que passa o nosso futuro, pela forma como conseguirmos ligar as universidades e a sociedade, pela forma como conseguirmos que o conhecimento esteja ao serviço da transformação das nossas instituições e das nossas empresas.

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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Excesso de confiança pode matar

Depois dos posts recentes sobre a defesa do ambiente, deparei com um artigo que considero muito importante. Realça que o irrealismo, o excesso de confiança nas nossas capacidades e no desejado êxito, leva ao desprezo dos riscos e pode destruir a humanidade e que a vida internacional, as alterações climáticas e a degradação do ambiente e das sociedades, são efeitos que devem servir de alerta, para sermos mais realistas e ponderados.

Do extenso texto do artigo A evolução ofereceu-nos excesso de confiança, hoje isso pode matar-nos, de que aconselho a leitura, extraio as seguintes frases::

…o excesso de confiança está espalhado amplamente pela humanidade. As pessoas têm uma opinião de si próprias e das suas capacidades acima do normal, o que significa que têm uma leitura errada da realidade.

“as populações tendem a ter excesso de confiança, desde que os benefícios dados pelos recursos que estão em competição sejam suficientemente grandes, em comparação com os custos”, diz o artigo. Por isso, “o modelo mostra que é plausível que o excesso de confiança possa evoluir numa grande variedade de ambientes, assim como em situações que vão dar mau resultado”,

Mas o excesso de confiança pode ter um preço. No artigo, os cientistas prevêem que esta característica, que terá sido útil até aqui, pode tornar-se “particularmente prevalente em domínios que têm um grande grau de incerteza inerente”. Exemplos: relações internacionais, gestão de conflitos, fenómenos imprevisíveis como as alterações climáticas, tecnologias novas, ou alianças com líderes desconhecidos.

No passado, esta característica terá sido culpada pela Primeira Guerra Mundial, a Guerra do Vietname, a guerra no Iraque, a crise financeira de 2008, e a má preparação para fenómenos climáticos como o furacão Katrina ou as alterações climáticas, adianta o artigo. “Parece que estamos a torna-nos hiper-confiantes precisamente nas situações que são mais perigosas”, concluem os autores.

Francisco Santos, que estuda de perto a relação entre a percepção dos efeitos das alterações climáticas pelas pessoas e a atitude perante este fenómeno, dá mais uma pista. “Já se conseguiu mostrar que a contenção dos efeitos está directamente relacionada com a percepção do risco que as pessoas têm. O excesso de confiança pode ser um dos factores que contribuem para esse efeito”, disse.

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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Cuidado com os «sábios»

Os «sábios», principalmente os que estão limitados ao conteúdo de compêndios didácticos, não podem ser tomados como guias para a vida prática, sem serem avaliados cuidadosamente, passo a passo, pois podem ser nocivos para os países e para o Mundo.

A notícia de ontem Governo espanhol quer limitar défice e dívida na Constituição, mostra que os responsáveis espanhóis alinham com Angela Merkel e Nicolas Sarkozy na proposta de «um “travão constitucional” ao défice e à dívida pública, pretendendo que o limite ao endividamento esteja inscrito nas constituições de todos os países da moeda única até ao fim do Verão de 2012.»

No entanto, há quatro dias, notícia dizia que o Professor Doutor Cavaco Silva considera “teoricamente muito estranho” travão constitucional ao défice, por os poderes políticos não poderem controlar os factores endógenos que originam o défice.

Afinal quem pensava que os líderes da UE são a Alemanha e a França e que possuem técnicos de contas e consultores devidamente capacitados, estava errado, pois Angela Merkel e Nicolas Sarcozy nada sabem ao lado do catedrático Cavaco Silva. Segundo este, o que aqueles dizem «é teoricamente muito estranho». Não diz em que «teorias» se baseia mas devem ser as que conhece, desde os tempos de estudante e da consulta de manuais, e que ensina, mas que acabam por ser aquelas que nos levaram à crise que nos está a massacrar, a coberto da «muito estranha» incompetência dos economistas que confessam o seu fracasso.

Sendo o défice a diferença entre as entradas e saídas de fundos, e sendo estes previstos no orçamento, parece que «é teoricamente muito estranho» que não possa ser controlado, salvaguardando imprevistos excepcionais acima das reservas para casos extraordinários. Cada decisor no âmbito de receitas e despesas deve ser controlado sistematicamente. Por isso, o défice não deve ter «travão», mas simplesmente ser proibido e dar lugar a condenação.

Como é suposto que o Sr PR quer ser compreendido por todos os portugueses, convém explicar com clareza em que baseia a sua estranheza. Como humilde português estou ávido de beber os seus ensinamentos.

Nãp podemos esquecer que os «sábios», normalmente, caem na tentação de dar força aos ricos, mas convém que ouçam o que Warren Buffett disse, ao pedir "Parem de acarinhar os super-ricos". E que se informem das ideias do indiano Anna Hazare. O Mundo é demasiado complexo para ser entregue a especialistas que «conhecem tudo de nada», isto é. prendem-se com minuciosidades esquecendo o universo, que são as pessoas, os habitantes do planeta. É isso de que estão conscientes 16 super-ricos franceses.

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domingo, 13 de fevereiro de 2011

Irresponsabilidade e desumanidade generalizada, degradação nacional

Transcrição de artigo que merece muita atenção por ser um indício muito sintomático do Estado a que chegou o País e os seus serviços públicos.

Um país insuportável
Jornal de Notícias. 13-02-2011. Por A. Marinho e Pinto

A falta de bom-senso e humildade constitui uma das principais causas da degenerescência da justiça portuguesa. Tudo seria simples se houvesse uma coisa que falta cada vez mais aos nossos magistrados: bom senso.

Uma mulher com 88 anos de idade morreu no seu apartamento em Rio de Mouro, Sintra, mas o corpo só foi encontrado mais de oito anos depois, juntamente com os restos mortais de alguns animais de companhia (um cão e dois pássaros).

Este caso, cujos pormenores têm sido abundantemente relatados na comunicação social, interpela-nos a todos não só pela sua desumanidade mas também pela chocante contradição entre os discursos públicos dominantes e a dura realidade da nossa vida social. Contradição entre promessas e garantias de bem-estar, de solidariedade e de confiança nas instituições públicas e uma realidade feita de solidão, de abandono e de impessoalidade nas relações das instituições com os cidadãos.

Apenas duas ou três pessoas se interessaram pelo desaparecimento daquela mulher, fazendo, aliás, o que lhes competia. Com efeito, uma vizinha e um familiar comunicaram o desaparecimento às autoridades policiais e judiciais mas ninguém na PSP, na GNR, na Polícia Judiciária e no tribunal de Sintra se incomodou o suficiente para ordenar as providências adequadas. Em face da participação do desaparecimento de uma idosa a diligência mais elementar que se impunha era ir à sua residência habitual recolher todos os indícios sobre o seu desaparecimento. É isto que num sistema judicial de um país minimamente civilizado se espera das autoridades policiais e judiciais, até porque o caso era susceptível de constituir um crime. O assalto e até assassínio de idosos nas suas residências não são, infelizmente, casos assim tão raros em Portugal. Mas, sintomaticamente, as autoridades judiciais não só não se deram ao trabalho de se deslocar à residência como, inclusivamente, recusaram-se a autorizar os familiares a procederem ao arrombamento da porta de entrada.
E tudo seria tão simples se houvesse uma coisa que falta cada vez mais aos nossos magistrados: bom senso. Mas não. Dava muito trabalho ir à uma residência procurar pistas sobre o desaparecimento de uma pessoa. Dava muito trabalho oficiar outras instituições para prestar informações sobre esse desaparecimento. Sublinhe-se que um primo da idosa se deslocou treze vezes ao tribunal de Sintra para que este autorizasse o arrombamento da porta da sua residência. Mas, em vez disso, o tribunal, lá do alto da sua soberba, decretou que a desaparecida não estava morta em casa, pois, se estivesse, teria provocado mau cheiro no prédio. É esta falta de bom-senso e humildade perante a realidade que constitui uma das principais causas da degenerescência da justiça portuguesa. Os nossos investigadores (magistrados e polícias) não investigam para encontrar a verdade, mas sim para confirmarem as verdades que previamente decretam. E, como algumas dessas verdades são axiomáticas, não carecem de demonstração.

Mas há mais entidades cujo comportamento revela que a pessoa humana não constitui motivo suficientemente forte para as obrigar a alterar as rotinas burocráticas e impessoais.


A luz da cozinha daquele apartamento esteve permanentemente acesa durante um ano, ao fim do qual a EDP cortou o fornecimento de energia eléctrica, sem se interessar em averiguar o motivo pelo qual um consumidor deixou de cumprir o contrato celebrado entre ambos.

Os vales da pensão de reforma deixaram de ser levantados pela destinatária, mas a segurança social nada se preocupou com isso. Ninguém nessa instituição estranhou que a pensão de reforma deixasse de ser recebida, ou seja, que passasse a haver uma receita extraordinária sem uma causa. E isto é tanto mais insólito quanto os reformados são periodicamente obrigados a fazerem prova de vida. Mas isso é só quando estão vivos e recebem a pensão.

Os CTT atulharam a caixa de correio daquela habitação de correspondência que não era recebida sem que nenhum alerta alterasse as suas rotinas.

Finalmente, as finanças penhoraram uma casa e venderam-na sem que o respectivo proprietário fosse citado. Como é que é possível num país civilizado penhorar e vender a habitação de uma pessoa, aliás, por uma dívida insignificante, sem que essa pessoa seja citada para contestar? Sem que ninguém se certifique de que o visado tomou conhecimento desse processo? Como é possível comprar uma casa sem a avaliar, sem sequer a ver por dentro? Quem avaliou a casa? Quem fixou o seu preço?

Claro que agora aparecem todos a dizer que cumpriram a lei e, portanto, ninguém poderá ser responsabilizado porque a culpa, na nossa justiça, é sempre das leis. É esta generalizada irresponsabilidade (ninguém responde por nada) que está a tornar este país cada vez mais insuportável.

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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Perigo do saber enfático e arrogante

Encontram-se escritos, em vários locais por aqui, alertas contra os «intelectuais», eventualmente senhores das maiores descobertas científicas que recitam a alunos, mas que ignoram as realidades da vida prática e os benefícios que para ela poderão advir da aplicação sensata e coerente das teorias. Entre outros artigos recentes, faço referência às apreciações constantes na entrevista de António Barreto a DN/ TSF e no artigo, que por ser mais conciso transcrevo. A entrevista pode ser lida aqui.

O jogo dos economistas
 Destak. 06 | 01 | 2011 20.25H. J.L. PIO ABREU

Depois de se meterem no buraco no início de uma crise que não souberam prever, eis que se levantam, de novo, os economistas de palco cheios de receitas para os nossos males. Não os suporto. A satisfação arrogante com que nos propõem o mais miserável destino e as mais contraditórias soluções, põe-me os cabelos em pé.

Senhores da fortuna e da desgraça, todos se armam em deuses, sabendo que são deuses menores porque tudo depende dos políticos que neles delegaram as responsabilidades. Mas que fazem eles, os economistas?

Nos negócios e empregos que têm, eles são os actores e os principais beneficiários do jogo económico. Nas Universidades, ditam as regras desse jogo. Nos Governos ou na influência que têm, eles apoderam-se também do campo de jogo onde, por suposto, jogam todos os cidadãos.

Usam palavras esotéricas, estrangeiradas, com que disfarçam os lances que executam. Nenhum deles aprendeu Matemática, e apenas lida com contas simplórias, feitas de percentagens, somas e subtracções, ao alcance de um computador ou de qualquer contabilista que conheça o significado das palavras. Mas é um jogo onde são jogadores, árbitros, donos do campo e ainda ditam as regras. Assim, qualquer um ganhava.

Todo o seu discurso, no fim de contas, se destina a ocultar uma verdade que, incluindo eles, todos conhecem: a única coisa que produz riqueza é o trabalho humano. A contabilidade serve apenas para a distribuir. E mal.

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domingo, 26 de setembro de 2010

Resultados do ensino onde estão ???

Seria suposto que as melhorias mostradas pelas estatísticas acerca de engenheiros e doutorados correspondessem a melhores resultados na evolução da economia. Mas, pelos vistos, não é assim.

Apesar da ênfase verbal dada ao Plano Tecnológico, e de Portugal nunca ter tido «tantos recursos humanos e tão qualificados nas ciências e engenharias, a economia nacional não parece estar a ganhar com isso, antes pelo contrário, os resultados são de perda, a avaliar pelos últimos dados oficiais. Por exemplo, apesar de ter mais profissionais nestas áreas, o país exporta menos alta tecnologia e não consegue criar mais empresas de grande intensidade tecnológica e de conhecimento.»

Serão efeitos da lassidão do ensino em que se advoga a abolição de chumbos e de retenções, serão os acessos às Universidades a partir das Novas Oportunidades? Serão as cábulas utilizadas como testes de graduação? Poderá haver uma associação de causas variadas e interactivas. Haverá que estudar o problema equacioná-lo e encontrar soluções.

Ao mesmo tempo surge a notícia de que «Cientistas concorrem com ideias inovadoras». Mais de 120 jovens, autores 87 projectos feitos em equipa ou individualmente, em exposição no Museu da Electricidade em Lisboa, que abrangem uma multiplicidade de áreas e vão desde a ideia mais simples à muito elaborada, estão, até terça-feira, sob a mira dos jurados do Concurso Europeu de Jovens Cientistas. Eles terão de explicar os seus projectos sempre que um ou mais elementos do júri mostrem interesse. E esse pode ser um bom sinal.

Desenvolver novas ideias, apresentar inovações, criar novas tecnologias, é sempre sinal positivo promessa de vida mais fácil, produtiva, eficiente. Não importa que venham ou não a ser aplicadas na prática, mas certamente, muitas serão aproveitadas. No momento da criação, aplica-se o conceito « a asneira é livre!» como dizia José Manuel Betencourt Rodrigues, quando professor e na prática de decisor, em relação ao terceiro passo da «preparação da decisão» referido em Pensar antes de decidir.

Os jovens devem ser estimulados a inovar, mas têm que assumir a humildade de que nem todas as ideias serão aplicadas na prática de imediato e algumas poderão nunca o ser. Mas de entre elas aparecerão algumas que serão um presente dos deuses.

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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Politiquice e realidade

O Serra, que é socialista, como é sportinguista, incondicional, porque sim, ou porque o seu filho é deputado, não admite que alguém critique qualquer acção do Governo. O amor de pai leva-o a estes excessos: não quer ver o filho, que já foi assessor, e pretende continuar a subir na carreira, ser prejudicado, nem que indirectamente, por qualquer atitude que o pai tome por acção ou omissão.

Achou muito exageradas as palavras do economista Medina Carreira, acusando-o de demasiado crítico, sem nada de positivo, e disse que o fiscalista Saldanha Sanches (no momento estava ser visto na TV) é excessivamente exaltado quando critica a situação vigente. Um dos presentes afirmou convictamente que após o 25 de Abril nada melhorou e que a revolução não valeu a pena.

Um outro do grupo, o Silva, pouco falador, mas incisivo, e por vezes usando de mal disfarçada ironia, alertou para não ser sensato acusar o 25 de Abril pois, desde então, o povo tem recebido inúmeros benefícios com que antes nunca pudera sonhar: a televisão a cores, os telemóveis, os computadores ao alcance da maior parte dos portugueses, as consolas e playstations, a Internet, os e-mails, os blogs, os ecrãs de plasma, o ABS nos carros, os airbgs, os GPS, etc., etc., embora haja aldeias que continuam sem água canalizada e esgotos, muita gente com centros de saúde e urgências a grande distância e crianças a nascer em ambulâncias. Também há mais e maiores estádios de futebol, muito mais auto-estradas, mas menos caminhos de ferro a servir o interior do Portugal profundo, cada vez mais desertificado. O Silva, com um sorriso discreto, não disse que as inovações tecnológicas que referiu não se devem aos governos nacionais mas sim à evolução da ciència e das técnicas internacionais, o que foi compreendido pela maior parte dos prsentes.

Estas considerações e outras do mesmo género foram-se amontoando com as achegas dos circunstantes e darão pano para mangas ao pai do jovem político carreirista, para nelas meditar, se tiver vontade e coragem para aceitar as realidades, vistas por outros olhos que não estejam enublados pelas cataratas dos interesses pessoais ou de familiares, ou pela propaganda governamental e partidária.

É uma virtude a procura da verdade, com todas as suas facetas, cores, cheiros, sons, aspectos bons e maus. As posições clubísticas ou partidárias nunca são boas conselheirras de quem procure compreender bem o que se assa em seu redor.

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