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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

GERAÇÃO DE MENTE DEFORMADA E SEM ALMA ?



A Humanidade criou a tecnologia para ter de fazer menos esforço nos trabalhos indispensáveis, A enxada foi substituída pela charrua e esta pelo tractor e assim sucessivamente. As modernas tecnologias resolvem tudo sem necessidade de esforço físico. E muitas têm sido utilizadas para actividades contrárias às clássicas regras morais e éticas.

Caiu-se num entorpecimento que gerou em muitas famílias um alheamento entre pais e filhos em que os primeiros supriam a falta de afecto e de comunhão e diálogo com o fornecimento aos filhos de dinheiro e das novidades electrónicas por eles exigidas. Isto afastou noções essenciais de respeito pelos outros, de responsabilidade. de conhecimento da vida social, inclusivamente do dinheiro e da necessidade de trabalhar para o ganhar, etc.

O vazio íntimo gerado por esta ausência de afecto levou muita gente para o caminho das drogas, do álcool e de vícios incontroláveis. Escaparam alguns que se dedicaram à arte, a ciência e ao desporto, além dos que encontraram trabalho de que gostaram. Mas uma grande parte ficou desarmada de regras e de princípios adequados à vida em sociedade e vulneráveis a serem aproveitados para participar em crimes hediondos para que foram aliciados por «falsos ideais sociais» por vezes com deturpadas citações religiosas.

Como inverter esta degradação social? Os psicólogos, e sociólogos devem analisar bem as causas e os condicionamentos do problema e pedir a colaboração de professores para mais adaptação dos alunos ``as realidades da vida de sociedade e para os órgãos da Comunicação social afim de darem relevo aos pequenos êxitos que forem sendo detectados. Os jovens precisam de ser entusiasmados para o melhor caminho. Não se trata de trabalho duro ou violento mas exige persistência, perseverança por os resultados surgirem com lentidão.

O Papa Francisco deu orientações que devem se meditadas e aproveitadas.

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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

SISTEMA FINANCEIRO, DINHEIRO, VALORES ÉTICOS

Os problemas que, recentemente, afectaram vários bancos e, agora,tiveram ponto alto com a crise do BES, vão levar as pessoas a olhar de frente para todos os aspectos do sistema financeiro. Muita gente estará implicada e outros bancos terão problemas semelhantes embora com outra dimensão. Uma notícia diz que «o caso BES foi uma "machadada enorme" dada ao mercado de capitais e à confiança dos investidores na informação e no funcionamento do mercado».

Vai-se confirmando o apocalipse esboçado por Paulo Baldaia que poderá estar próximo.

Este país não tem solução enquanto todos os poderes pactuarem com um sistema
-que favorece o enriquecimento ilícito,
-que julga na praça pública por ser incapaz de fazer justiça nos tribunais,
-que despreza a competência e aplaude o amiguismo,
-que se mostra totalmente incapaz de promover a igualdade de oportunidades.
-que recicla os donos disto tudo mas apenas para substituir uns pelos outros.

E, depois disto, você continua a ter confiança no seu banco?
Continua a investir as suas poupanças em acções para ter melhores resultados?
Acha que a felicidade depende do volume da sua fortuna?
Não será o dinheiro a pior droga criada pelo homem quando se usa descontroladamente e com obsessão?
Não será oportuno investir algum tempo, diariamente, na meditação que conduza a rever a escala dos valores éticos, morais, no funcionamento da sociedade?

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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O MUNDO ACTUAL É MUITO COMPLEXO


Gerir as questões sociais da humanidade é, agora mais do que nunca antes, um problema muito sério que exige elevado grau de maturidade, sensatez, dedicação e espírito aberto.

Ontem, casualmente, ao passar junto a uma esplanada, fui convidado por amigos, para participar numa conversação que estavam tendo com a professora espanhola doutorada em história que lecciona numa Universidade de Madrid e é autora de um livro que foca a guerra de Portugal no Ultramar e está a preparar a publicação de novo livro com assuntos relacionados com os tratados no primeiro e comparando as atitudes de Espanha e de Portugal em relação aos territórios de além-mar, elogiando o papel mais humano e civilizador dos portugueses.

A conversa foi muito interessante e, a certa altura, foi colocada a interrogação acerca dos efeitos a prever para a humanidade advindos da postura do Papa Francisco, em termos sociais e políticos e quais os efeitos da reacção que parece estar a ser levantada no sector conservador radical do Vaticano. A professora apresentou a dúvida de a maior reacção poder surgir do sector conservador (acomodado) do Vaticano, mas brotar da Ordem Jesuíta a que o Papa pertencia, e que pode não tolerar que um jesuíta deixe de defender a elite central e passe, como um franciscano, a defender a periferia social. Esta espécie de traição ou deserção pode dar origem a grave risco para Francisco devido às suas palavras e acções, à semelhança do que se passou com os seus recentes antecessores.

Hoje, tudo se apresenta muito complexo e os interesses em jogo podem surgir das origens mais ocultas e menos suspeitas. Por exemplo, ser decisor político ou líder de importante organismo nacional ou internacional exige isenção, desprendimento dos interesses próprios (da própria vida), coragem para correr os riscos de enfrentar as pressões que se lhe oponham, com intenções opostas nos aspectos de moral, de ética e dos interesses nacionais.

Governar significa olhar para as pessoas em geral, principalmente para as de menos teres.

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sexta-feira, 28 de junho de 2013

VALORES ÉTICOS, SIMPLICIDADE E FELICIDADE


No Jornal de Negócios, encontrei textos que definem um cenário optimista em 2023 originado pelas lições aprendidas com a experiência da crise crise que estamos vivendo. Isto faz pensar no livro 1984 de George Orwell, com a diferença de que este pintava um quadro pessimista e ficou aquém da realidade advinda. Seria óptimo que 2023 ultrapassasse as previsões em optimismo. Os tópicos de Isabel Jonet, presidente da Entreajuda e do Banco Alimentar coincidem na sua essência com escritos já aqui publicados em diversos posts.

Com a devida vénia, vou servir-me de palavras da autora de em 2023 viveremos melhor com menos, regressando à essência para que sirvam de «mandamentos» para melhorar os comportamentos que conduzam ao cenário edénico por ela desenhado para daqui a 10 anos. Esse cenário só poderá ser realidade se nos convencermos dos caminhos a trilhar para nosso bem e dos nossos filhos e netos.

Eis os ensinamentos e sugestões:

Na vida temos que saber separar o essencial daquilo que é secundário, desnecessário supérfluo, isto é aprender a viver com o possível e essencial e procurar valorizar a ética;
A experiência enrique-se com a aprendizagem e as ilações que possamos e consigamos elaborar e retirar de cada um dos momentos vividos, dos melhores e dos piores.
Isso nos permite ter uma melhor qualidade de vida no futuro, sem doentio apego a coisas sem real importância. Valorizar o SER acima do TER.
Com tal aprendizagem conseguiremos ultrapassar os momentos mais difíceis e criar melhores oportunidades de vida, com uma gestão mais racional de poucos recursos e o desprendimento em relação aquilo que não é essencial.
O que é secundário, os sinais de riqueza, de ostentação, o esbanjamento, impedem muitas vezes de valorizarmos aquilo que é fundamental, os valores éticos e a simplicidade. O apego às coisas materiais não essenciais absorve tempo e energias que fazem falta para construção da verdadeira felicidade.
Para bem da sociedade, todos e cada um de nós, uns mais responsáveis do que outros, com maior ou menor capacidade de intervenção, enquanto decisores ou meros agentes económicos ou políticos, mas todos imbuídos do mesmo dever cívico, devemos procurar ser capazes de apresentar e de propor soluções que permitam preparar um futuro em que seja menos provável o aparecimento de crises devidas à hipervalorização das condições financeiras e materiais.
Com a boa gestão de recursos materiais, a Redução de desperdícios, a sua Reutilização, Reparação e Reciclagem, a gestão individual, familiar e empresarial será mais económica e reduz-se a hipótese de carência de recursos.
É provável que surja escassez de recursos mas será bom que eles tenham uma repartição mais justa e equitativa para deles fazermos uma melhor utilização com um critério são de valorização do que é essencial e secundarizando o que é supérfluo, dispensável, não essencial. Assim, com menos, somos capazes de fazer mais e melhor. E,, depois do sacrifício de cada crise, podemos reflectir naquilo que vínhamos fazendo errado e na forma de rectificarmos o comportamento. Podemos, assim, lançar novas bases para uma sociedade em que se transmita aos vindouros o saber adquirido pela experiência e criar uma civilização sustentável.
O regresso à essência das coisas permite deixar aos descendentes uma herança menos pesada e hábitos mais racionais.
Estas reflexões e o hábito de pensar antes de agir permitirá uma nova reestruturação e um novo desenvolvimento das economias, contribuindo para recuperar confiança e tornar mais rigoroso o acesso ao crédito, na medida absolutamente indispensável e devidamente controlada, crucial para criar emprego e gerar crescimento conveniente, sem obsessão.
Com a indispensável intervenção do Estado reeducam-se comportamentos cívicos e de sobriedade na forma de viver em sociedade e nas opções pessoais. Assim se recuperam valores que são pedra basilar de todas as sociedades, se humanizam as interacções e se coloca o Homem no centro das decisões.
O civismo, assim fortalecido, pressuposto fundamental da sociedade ou da humanidade, levará à definição de um objectivo comum, que funcionará como mola impulsionadora e mobilizadora de toda a colectividade, o que, numa lógica de bem comum, reinventa a solidariedade, recupera a noção da responsabilidade colectiva, fomentando a certeza de que os nossos actos individuais são importantes, determinantes, para o bem-estar social, colectivo, global, fazendo interiorizar que existem direitos e deveres que não podem ser menosprezados.
Enfim, é imprescindível um regresso ao essencial, um despojamento de tudo aquilo que tem invadido as nossas vidas, sem lhes acrescentar qualquer valor efectivo. Paralelamente ao esforço individual e aos benefícios daí advenientes, será promovido o desenvolvimento e a redução das desigualdades a nível social e mundial.

Eis alguns títulos de posts já aqui publicados abordando estes ideais:

Pensar antes de decidir http://domirante.blogspot.pt/2008/12/pensar-antes-de-decidir.html
- Simplicidade de vida e justiça social 
- Dinheiro não é o essencial 
- Dinheiro não dá felicidade
- Mark Boyle: Há um ano sem dinheiro 
- Lição de vida dada por um Tuareg
- Dispensar excessos, consumismo e ostentação
- O Homem sensato e a Avestruz
- Simplicidade de vida e justiça social 
- A Simplicidade é louvável
- Simplicidade na vida
- Viver sem dinheiro, de trocas
- Obras faraónicas para ostentação
- PM Holandês usa bicicleta
- Marques Mendes persiste e insiste
- Gestão moderna é o inferno

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quarta-feira, 20 de março de 2013

Políticos em absoluto desnorte


Este título foi inspirado pelo 1º parágrafo, que transcrevo, do artigo de José Luís Seixas no Destak, «A revolução de Francisco» e sugiro a leitura do artigo completo.

«Estes últimos dias têm exibido uma Europa em absoluto desnorte, com lideranças a assumir comportamentos e decisões que, à luz do mais elementar bom senso, são incompreensíveis. As controvérsias a propósito do resgate do Chipre são um dramático, mas cristalino, exemplo da ausência de serenidade que paira no Continente e um sério presságio de realidades indesejáveis, mas emergentes.»

Uma outra origem de motivo de reflexão é o artigo do Público, intitulado Disfunção entre classe política e o povo é cada vez maior, diz Jorge Sampaio. Diz que «cada vez menos os cidadãos portugueses se revêem nos seus representantes políticos».

Mas estes alegam que foram eleitos livremente pelos portugueses. Na realidade, as eleições não foram tão livres como parece, porque foram altamente condicionadas, pela propaganda à base de promessas falsas sem possibilidade de virem a ser concretizadas, como se tem provado nos dias seguintes à entrada em funções dos vencedores.

Outro aspecto condicionante consiste em os eleitores terem de escolher entre listas partidárias concorrentes, sem nada conhecerem acerca de cada um dos nomes nelas contidos. Perante a «disfunção» apontada por Jorge Sampaio e aquilo que José Luís Seixas refere de forma geral aos políticos europeus, parece lógico questionar:

Até quando os eleitores continuarão a aceitar ser responsabilizados por votarem às cegas? Quando decidirão passar a votar em branco ou a abster-se, o que lhes é mais cómodo? Talvez que quando os políticos passarem apenas a contar com os seus próprios votos, sintam a cara coberta de vergonha e se decidam a reformar o regime substituindo-o por outro mais verdadeiro, leal e honesto, sem a referida «disfunção».

Já ouvi defender um sistema eleitoral, adaptado de exemplos estrangeiros, que, no essencial, seria: em cada freguesia, cada eleitor escreveria no seu boletim dois nomes de pessoas que considerasse com capacidade para altas funções políticas. Depois a nível Concelhio em reunião dos 5 mais votados nas freguesias, cada um deles escolheria os 3 que achasse melhores. Estes números podem ser diferentes consoante a dimensão demográfica de cada da unidade administrativa. A nível distrital proceder-se-ia de forma semelhante para apurar os eleitos que iriam às finais nacionais de onde sairiam, os deputados da Nação, livremente escolhidos por iniciativa democrática dos eleitores de base.

Assim, haveria democracia e exercício do direito de o povo escolher os seus representantes e mandatários, mais prestigiados nas suas regiões. Outra vantagem, ao contrário de os eleitos serem impostos de entre os jotinhas mais servis do respectivo partido e pouco ou nada conhecerem das realidades do país, é que passaria a haver defensores com conhecimento de causa dos mais recônditos locais do interior. Actualmente o panorama é dramático como diz em poucas palavras José Luís Seixas.

E, se os actuais políticos não puserem de lado as suas ambições pessoais e não fizerem uma reforma eficaz do regime, ela acabará por ser levada a cabo. Não esqueçamos que houve a Revolução Francesa e outras de menor impacto, mas mesmo assim com baixas e destruição de património. Seria de evitar chegar a tal extremo, e a solução está na mão dos detentores do Poder, para o que precisam de ser mais dotados de moral, ética, civismo, sentido de Estado e sentido de responsabilidade.

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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A austeridade agrava as patologias psíquicas ???


As dificuldades impostas aos portugueses desde há cerca de 20 meses, de forma obsessiva, «custe o que custar» seguiram a pior alternativa no combate á crise, segundo críticas argumentadas, desde o início, e poderá ter arrastado o país para um abismo dificilmente recuperável, não apenas no aspecto económico mas também nos aspectos sociais, morais e de saúde física e psíquica.

Os casos de violência doméstica, nomeadamente contra menores estão bem claros nas seguintes notícias:

- Mãe atira filho de 12 anos de janela de hotel e segue-o em seguida
- Proibição do tribunal de estar sozinha com os filhos levou à tragédia
- Mãe tenta atirar-se da ponte Luís I com os dois filhos bebés
- Mãe que matou os filhos fica em prisão preventiva
- Mulher suspeita de matar os filhos foi detida quando "andava às compras"
- Mulher procurada pelo homicídio dos dois filhos já foi capturada
- Relatórios confirmam que irmãos mortos pela mãe eram vítimas de violência
- Morte em Oeiras: Segurança Social apoiou retirada das crianças à mãe
- Encontrado corpo de mãe de irmãos que estavam mortos num carro em Oeiras
- Mãe suspeita de matar os dois filhos em Alenquer fica em prisão preventiva
- Mulher procurada pelo homicídio dos dois filhos está detida na PJ
- Ateou o fogo, saiu. E ligou à sogra a confessar que tinha matado os filhos
- Há mais uma criança morta pela mãe. Será que os media estão a ajudar?

Por outro lado, a crise tirou «trabalho» à prostituição, mas aumentou o abuso de menores como referem as duas notícias seguintes:

- Reportagem. A crise chegou à prostituição
- 808 menores abusados, em 2012, só no distrito judicial de Lisboa 

É imperioso que os governantes, na sua difícil função de serviço público, olhem atentamente para a sociedade que deles depende de forma abrangente, não descurando qualquer dos sectores em que incidem as suas decisões, mesmo as que parecem simples, fáceis e intuitivas. Os seres humanos não são simples máquinas.

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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Para um Ano Melhor

É preciso que o Governo tome medidas para evitar que o bom povo português perca a esperança e entre em perigosa depressão. Depois de ler a notícia Milhares de portugueses deixaram de pagar condomínio para poderem comer, o estado de alma ficou logicamente abalado.

Mas, felizmente, pouco depois encontrei um outro texto com sinais de haver soluções possíveis, luz ao fundo do túnel, ideias de alguém que sugere pistas que, se adoptadas, criam a esperança desejada e conveniente. Dele se retiram as seguintes ideias:

Falta emprego e esperança aos portugueses e sobram dificuldades e incertezas, pelo que é preciso acção adequada.

O actual modelo de governação precisa de mudanças, de ajustamentos.

Há que apostar em políticas que tenham as pessoas como prioridade, e ultrapassar as políticas assentes em modelos que esquecem as pessoas e que consideram o desemprego e a pobreza como danos colaterais.

É imperioso criar condições que evitem que haja crianças que chegam com fome às escolas, idosos e reformados que deixam de comprar os medicamentos ou deixam de ir a consultas médicas e de famílias a viver no limite da dignidade.

São precisas políticas públicas de saúde, educação e segurança social, essenciais para combater as desigualdades, garantir a dignidade de cada cidadão e promover a coesão social.

Enfrentar o Novo Ano com esperança lúcida para que todos deixem de ter um presente de incerteza e de falta de esperança e para que o futuro não seja receado com angústia e preocupação.


Trata-se de linhas positivas de espírito natalício que, embora teóricas e vagas, merecem muita atenção por parte dos detentores do poder e da oposição para irem ao encontro das melhores medidas práticas a fim de termos um ANO MELHOR e recuperar a economia nacional e incentivar o bem-estar social.

Imagem do JN

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domingo, 23 de dezembro de 2012

«Considerações pouco reflectidas» do PM ?

Transcrição de artigo do JN:

Velhos, novos e falência moral
Jornal de Notícias. Publicado às 00.31. Por Fernando Santos

Fruto de políticas (obsessivas) de austeridade tendo como único fito o combate à dívida, a sociedade portuguesa é hoje marcada pelo exponencial aumento de três chagas: desemprego, pobreza e exclusão social. Um quadro assim pode alimentar o recuo de muitos dos índices civilizacionais adquiridos nas últimas décadas e dos quais o país se orgulha. ...

Preocupante, o agravamento das condições de vida dos portugueses não deve no entanto servir de biombo a um outro défice em crescendo: o dos valores morais.

A crise tem acentuado, de facto, uma malsã competitividade em vários núcleos da sociedade, sendo incontestável que o materialismo e a falência do conceito de família e de todas as suas teias de apoio resultam em coquetel explosivo.

Esta Quadra do ano é particularmente exemplificativa. Quer no plano material, apesar da recessão apertar os níveis do consumo, quer nos sintomas de desagregação das famílias.

O (mau) tratamento dado à chamada Terceira Idade é paradigmático.

As horas consumidas no cumprimento de regras num competitivo mercado de trabalho em busca de bens materiais para a sobrevivência justificam uma parte da desatenção e do isolamento a que são votados os velhos. Mas não explicam tudo. E quando se verifica um aumento dos níveis de violência sobre os velhos sob o espetro imaginativo da recolha de vantagens por herança, eleva-se a preocupação sobre a falência desta sociedade. A qual se torna ainda mais iminente perante a verificação de que nas épocas mais dadas às festarolas - como as férias, o Natal ou o Ano Novo - não falta quem despache os velhos pela via do maquiavélico estratagema de os "depositar" nas urgências dos hospitais.

A bancarrota económico-financeira não pressupõe, insiste-se, a obrigação de uma bancarrota dos princípios.

Para se manter ou reforçar posições no chamado mundo civilizado, Portugal está confrontado com a necessidade de protagonizar vários combates. O do apoio e inter-relacionamento geracional é um deles, apesar de todos os sintomas apontarem na direção errada.

A rarefação do mercado de trabalho é hoje um dos perigos mais assinaláveis à coesão social e impõe pedagogia e prudência. Todo o contrário do que se tem visto....

O caso acabado e recente de como não se lida com o problema deu-o o primeiro-ministro quando provocou no país um tumulto verbal mercê de considerações pouco refletidas e pior fundamentadas ao criticar a existência de pessoas que "recebem reformas e pensões desproporcionadas aos descontos que fizeram". Pior do que a ignorância revelada por Passos Coelho sobre os cálculos do sistema de Segurança Social foi tê-lo feito por ocasião de um congresso da Juventude Social-Democrata. Para fomentar uma estúpida competição geracional não podia ser pior....

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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Não há vontade de combater a corrupção

O engenheiro João Cravinho diz que Governo não tem plano para prevenir e combater corrupção>. Afirma que "não há uma visão conjunta do que é preciso fazer para prevenir e combater a corrupção, não há meios adequados e as nossas instâncias, tribunais funcionam muito mal"

Ninguém melhor do que ele sabe do que se trata, pois em 2006 criou um plano anti-corrupção, que não foi levado para a frente e não deu origem a qualquer medida eficaz para o fim em vista. O Diário de Notícias noticiava em 2008 que havia mais de 900 processos de corrupção pendentes em Portugal.

Mas que se soubesse ninguém na área do poder quis matar a «galinha dos ovos de ouro», o que contribui para a convicção geral de que o principal interesse dos políticos, salvo eventuais excepções, é o próprio enriquecimento rápido por qualquer forma. O primeiro artigo atrás ‘linkado’ aparece na sequência da notícia de que Portugal é visto como um dos países mais corruptos da Europa e de outra que afirma que desce uma posição no índice global da corrupção.

Também Guilherme de Oliveira Martins se mostra insatisfeito com situação da corrupção e constata-se uma convergência com as repetidas afirmações do professor Paulo Morais, por exemplo, aqui, aqui e aqui.

«Na opinião de João Cravinho, não há meios adequados para o combate, nem um "aparelho judicial à altura" e, por isso, os crimes económicos são cada vez mais numerosos e complexos.

Segundo ele, "em primeiro lugar o que há a fazer é definir responsabilidades. Hoje em dia o que me parece mais grave não é a pequena corrupção, o pequeno funcionário, ou o fiscal porque isso até avançou razoavelmente bem nos últimos anos com a informatização e melhor organização dos serviços, mas o tráfico de influências", realçou.

«Para João Cravinho, o tráfico de influências, a omissão de acção preventiva e o combate "aos grandes atentados" e a boa gestão pública continua sem qualquer sanção.

"O tráfico de influências não se combate só com alteração à legislação, mas por chamar à responsabilidade as várias entidades para uma fiscalização institucionalizada", disse.

E será conveniente meditar nos males que esta imoralidade de relacionamento com o Poder acarreta para a economia nacional e para o bem-estar material, cívico e social da população nacional.

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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Valores éticos acima do dinheiro

Transcrição post de blogue:

Polémica na Casa dos Segredos

Associação Emergência Social, que combate a pobreza e exclusão, decidiu recusar uma ajuda financeira oferecida pelos produtores do programa “Casa dos Segredos”, alegando não se rever no perfil do “reality show” da TVI e sublinhando que “o dinheiro não é tudo”.

Os concorrentes estavam prontos para leiloar, cada um deles, duas peças de vestuário, com o objetivo de angariar fundos para aquela instituição particular de solidariedade social, mas os felizes contemplados já vieram dizer que rejeitam a iniciativa.

Num comunicado agora divulgado, a Associação revela que, numa primeira fase, concordou com a ideia, sem ter tido “o cuidado de saber de que programa se tratava”.

Alertada, depois, para a verdadeira natureza do “reality show”, a Emergência Social concluiu que “não se revê no perfil” da “Casa dos Segredos” e anunciou que “prescinde de toda e qualquer ajuda daí proveniente”.

“O programa ‘Casa dos Segredos’ não é um exemplo para as nossas crianças e jovens. Na nossa opinião, enquanto o dinheiro for mais importante do que o amor não será possível acabar com a crise de valores do mundo. O dinheiro não é tudo para nós…” – afirma-se no comunicado da Associação de Emergência Social.

Publicado no Blog O Povo, por Pedro Aguiar Pinto em 21-11-2012

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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Frase de 1920

Frase da filósofa russo-americana Ayn Rand (judia, fugitiva da revolução russa, que chegou aos Estados Unidos na segunda metade da década de 1920), mostrando uma visão com conhecimento de causa:

"Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada;
quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores;
quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você;
quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto sacrifício;
então poderá afirmar, sem temor de errar, que a sua sociedade está condenada".


Ayn Rand - Alisa Zinov'yevna Rosenbaum; February 2, 1905 – March 6, 1982)

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domingo, 7 de outubro de 2012

Legalidade ou moralidade ?

Há leis que proíbem fazer carteiras e sapatos de senhora com o couro do crocodilo;
mas, infelizmente, não há nenhuma lei que proíba fazer orçamentos de Estado com o couro da classe média.


Frase recebida por e-mail

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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Problemas não se adiam, resolvem-se

Tenho recebido muitos comentários de pessoas afectas à área do Governo que, para aliviar a imagem deste, arranjam os mais variados pretextos para justificar o adiamento de situações problemáticas e graves, ou porque as causas vêem de trás ou porque as soluções são difíceis e custosas, exigindo coragem e sacrifícios de mordomias e privilégios.

Quanto às causas, é vulgar a insistência nos erros surgidos imediatamente após o 25 de Abril e agravados continuadamente pelos sucessivos governos. Dizem que os exageros da má governação atingiram o máximo no tempo de Sócrates, mas não querem aceitar que no actual Governo foi acelerado o agravamento da crise, com a austeridade, o desemprego, a fome, o encerramento de empresas, etc.

Ora, quer a causa esteja no Afonso Henriques, no 5 de Outubro, no 26 de Maio ou no 25 de Abril, a verdade é que o problema existe e está actualmente a sacrificar demasiado os portugueses mais carentes e desprotegidos, embora os mais poderosos e favorecidos pela política continuem com o seu luxo e espavento. Portanto, há que, sem demoras, já, se corte este vício de deixar o País deslizar velozmente para o abismo.

Não se pode deixar tal tarefa para os que hão-de vir, no futuro, porque, depois, as dificuldades serão maiores e de solução muito mais difícil. Custe o que custar, a tarefa compete aos actuais detentores do Poder. A solução tem que ser realizada já, hoje, agora, pois não admite adiamentos.

Mas há quem justifique a falta de decisões para eliminar fundações, observatórios, instituições diversas, empresas públicas e autárquicas e outros sistemas parasitários sugadores do cofre do Estado sem proporcional benefício para os cidadãos, porque tais eliminações obrigariam a indemnizações a «boys» e a «girls», por despedimento antes do fim do período de contrato. Isto é demagogia. Se tal critério fosse tão respeitado para todos os cidadãos, não haveria, hoje, tanto desemprego, pelo País fora. A racionalidade da vida diz que é preferível amputar uma perna gangrenada do que deixar que ela infecte todo o corpo e cause a morte. Com efeito, o benefício do desaparecimento de uma organização deficitária e sem utilidade efectiva (a não ser para os tachistas que alberga) acabará por, em breve prazo, cobrir as indemnizações e, depois traduzir-se em benefício financeiro para o orçamento e em vantagens para a moralização do sistema.

Parece não haver dúvidas nas linhas gerais deste raciocínio, mas começa a tornar-se evidente a ausência de patriotismo e verdadeira coragem dos políticos eleitos em exercício para defender os interesses nacionais e submeter-lhes os interesses pessoais, próprios e dos seus amigos, cúmplices e coniventes. Quando surgirá tal coragem? Quem será o heróico salvador de Portugal nesta data dramática?
A João Soares, 24 Setembro 2012

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sexta-feira, 29 de abril de 2011

Código Moral no Japão

Transcrição de texto recebido por e-mail, seguida de NOTA:

Enquanto o Japão conta os mortos (quase 17 mil, segundo as últimas estimativas oficiais) e eleva de quatro para cinco o nível de alerta nuclear, já a dois níveis do que se atingiu em Chernobyl, um jornalista da CNN, Jack Cafferty, não esconde a surpresa e faz uma pergunta:

«Tendo em conta a escassez de comida e a incrível destruição, incluindo em Tóquio, por que razão não estão a ocorrer episódios de pilhagens e vandalismo no Japão?»

Cafferty estabelece um paralelo com o que sucedeu no seu próprio país depois da passagem devastadora do furacão Katrina e cita um colega, Ed West, do Telegraph.

West escreveu uma crónica na qual se confessava «estupefacto» pela reacção ordeira do povo japonês ao terramoto e ao tsunami, e do sentimento de solidariedade que encontrou um pouco por todo o lado.

«As cadeias de supermercado baixaram drasticamente os preços dos produtos assim que ficou clara a dimensão da catástrofe», conta Ed West. «Vendedores de bebidas começaram a distribui-las gratuitamente, com a justificação de que todos trabalhavam para assegurar a sobrevivência de todos».

Cafferty adianta uma explicação: os japoneses possuem um código moral tão elevado que se mantém intacto mesmo nas horas mais sombrias, mesmo quando só existe destruição em redor.

Esta atitude não é por caridade. É SOLIDARIEDADE

NOTA: O valor numa sociedade assenta mais nos valores morais do que no volume da conta bancária, no tamanho do carro ou nas marcas da roupa ou do telemóvel. Por cá, apesar de muita gente já viver da esmola e da caridade, os «boys» da política continuam a lutar pelos tachos, pelas chafaricas inúteis mas que pagam abusivamente, pelas mordomias, pelos carros de Estado de alta qualidade, etc. etc.

Não nos podemos comparar com a dignidade dos japoneses, até porque os exemplos dados pelos políticos, carentes de formação cívica, infecta toda a sociedade, desumanizando-a. Desta forma, nos iremos afastando dos melhores, na escala de valores, agudizando a injustiça social e aumentado o fosso entre os mais ricos e os mais pobres. Longo caminho há a percorrer na educação dos mais novos e na reciclagem dos mais idosos, no respeito pelos outros, segundo o princípio «não faças aos outros o que não desejas que te façam».

Imagem do Google

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segunda-feira, 4 de abril de 2011

Economia, moral e política

Transcreve-se o artigo referente à entrevista do economista e conselheiro de Estado Vítor Bento, que contém um conjunto de ideias, sem palavras supérfluas, que merecem ser bem compreendidas. Depois da leitura, há que procurar o livro recentemente publicado.

Políticos foram os maiores culpados da crise, diz conselheiro Vítor Bento
 Público. 04.04.2011 - 08:20 Por Lusa

A actual situação resultou de uma crise de valores morais.

Os políticos são os principais culpados da actual crise económica internacional, porque criaram as condições para ela se instalar, disse o economista e conselheiro de Estado, Vítor Bento, em entrevista à agência Lusa.

Vítor Bento, que apresentou recentemente o livro “Economia, Moral e Política”, publicado pela Fundação Francisco Soares dos Santos, considerou que a actual situação resultou de uma crise de valores morais, mas que os políticos falharam nas escolhas que fizeram. “No livro olhei para a crise internacional não apenas do ponto de vista estritamente económico, mas enquanto erupção de uma crise de valores da própria sociedade. Há muitos factores que contribuíram, mas uma delas é o facto de hoje vivermos numa sociedade onde os valores materiais são a referência comum, que quase toda a gente subscreve”, afirmou.

O economista considerou que, no caminho para a crise, uns têm mais culpa do que outros, destacando neste grupo de maiores culpados, “políticos, banqueiros, gestores em geral”, que tinham a obrigação de saber que as escolhas que faziam “conduziriam a caminhos errados”, além da obrigação de limitar a possibilidade dos indivíduos fazerem escolhas erradas.

“Em última instância, os políticos têm sempre mais culpas, porque têm a obrigação de gerir a casa comum, de ver melhor e mais longe. Enquanto os outros elementos privilegiam muito o seu interesse particular, os políticos têm a obrigação de colocar o interesse comum acima de tudo, de estar no cimo da torre com uma visão mais ampla e, portanto, limitar os estragos que os interesses particulares possam fazer”, afirmou.

“Os políticos que aparentemente surgem agora como quem tem que limpar a sujidade feita pela crise, foram grandes responsáveis na criação das condições que levaram à crise”, acrescentou.

Garantindo que não quer assumir o papel de juiz, “e muito menos de juiz da moralidade”, Vítor Bento disse que o livro que agora lançou é uma forma de arrumar as ideias, de “estruturar o conhecimento” num processo próprio de aprendizagem e reflexão sobre a relação entre a economia, a moral e a política.

“A forma de regulação económica, em si, é amoral, mas o comportamento das pessoas não é. Essa é que é grande questão. Não é a economia que se deteriora, é o quadro de moralidade de uma sociedade que aceita comportamentos que, de outra forma, não teria aceitado”, defendeu.

“Quando a economia leva por maus caminhos, é porque o quadro de moralidade permite esses caminhos”, disse ainda o professor de economia.

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segunda-feira, 7 de julho de 2008

Dicas para atenuar os efeitos da crise

Transcrevo este post do blog Fio do Prumo em que o autor, Luís Alves de Fraga, indica sugestões muito judiciosas que, a serem seguidas, atenuariam grandemente os efeitos da actual crise.

Será verdadeira a notícia?

Nos tempos que correm a informação já não nos chega só pelos jornais, pela rádio ou televisão; vem-nos também pela Internet. Claro que esta última via informativa nem sempre apresenta a fidedignidade das anteriores fontes, contudo, pode ser trabalhada se tivermos o cuidado de salvaguardar a origem e, por conseguinte, a sua verosimilhança.

Vem isto ao caso, porque, há dias, recebi uma mensagem que me dava como certo o facto — que não confirmei — de, em Espanha, Zapatero ter mandado decretar o congelamento dos salários dos funcionários superiores da administração pública, incluindo os dos gestores das empresas dependentes do Estado. A decisão justificava-a ele, dizia-se na mensagem por mim recebida, com base na crise que atravessa a Europa e, também, a Espanha.

Se for verdadeira a notícia trata-se de um bom exemplo a seguir pelo Partido do Governo nacional; se for falsa constitui uma hipótese a equacionar. Realmente, o Governo não congela os salários dos gestores públicos e privados, porque usa como base o argumento de que poderiam sair do país, e perderem-se, “boas cabeças” as quais fazem falta a Portugal. Ora, este é um fundamento falso, demagógico e estúpido. Vejamos.

Se assim fosse tinha de impedir-se a imigração, pois ela vem ocupar, por preços mais baratos, os empregos dos Portugueses que se vêem na contingência de emigrarem para, lá por fora, encontrarem trabalho melhor remunerado e, até, mais qualificado. Assim, a verdade estaria centrada no facto de, para evitar a fuga de boa mão-de-obra, se limitar a imigração. Se tal não se faz é porque ninguém está, realmente, preocupado com o que acontece aos trabalhadores nacionais. Contudo, o Governo está preocupado, isso sim, com os bons ordenados que se pagam a certos sujeitos que têm influência na nossa praça. A verdade é essa! É essa, porque não se vê o Governo delinear uma política de retorno ao país de todos os bons “cérebros” que andam lá por fora a ocupar funções de destaque. Não! O que por cá prevalece é a política do compadrio em tudo igual à que se fazia no século XIX quando a democracia era uma treta! Aliás, voltámos à política da treta!

Não se faz saudável política entre nós; prevalece a mentira e a defesa de uma clique económica detentora de altos rendimentos enquanto se vai desfazendo, desmoronando, destruindo uma classe média que sempre teve fracos recursos financeiros.

Hoje, cada vez mais, o tecido social português está em fase de rompimento: de um lado, encontram-se umas quantas, poucas, fortunas que sobrevivem bem em qualquer lado do mundo, mas que continuam a escolher Portugal para daqui levarem grossos e chorudos rendimentos; do outro, acha-se o resto da população que se divide em três grandes sectores: os que ainda têm capacidade de sobrevivência temporária graças a rendimentos muito acima da média nacional; uma larga faixa de média burguesia endividada e, por fim, um imenso amontoado de cidadãos que ronda ou está no limiar da pobreza ou é já pobre.

É inadmissível que, face ao panorama nacional e à crise, se mantenham opíparos pagamentos a gestores públicos e privados, que se permitam emissões televisivas ao longo de 24 horas diárias — há que poupar energia! — que se mantenham iluminados os monumentos e locais públicos em verdadeiro contraste entre a realidade de carência e uma política de fachada, que se não adoptem medidas quanto à circulação automóvel dentro das grandes cidades portuguesas tendentes a gastar menos combustível, que se permitam manter abertos estabelecimentos de diversão para além da meia-noite.

Para enfrentar a crise e gerar poupanças haveria que ser coerente e levar a cabo uma política de contenção. Nada disso se faz, porque o Governo não quer cair em desgraça junto de uma faixa da população disposta ao consumismo a qualquer preço, faixa essa carente de ser educada, mas que, politicamente, é mais vantajoso manter alienada.

Criminosamente o Governo permite que se viva na irresponsabilidade da crise, porque assim não tem de ser impopular e, acima de tudo, não tem de enfrentar todos aqueles que com ela beneficiam.

Em Espanha, a ser real a notícia que referi no início, o Governo socialista parece disposto a tolher o passo a todos quantos podiam passar ao largo da crise. Lá pratica-se, pelos vistos, uma política verdadeiramente nacional. Por cá, afundamo-nos.

Luís Alves de Fraga em Fio do Prumo

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sábado, 25 de agosto de 2007

Um autarca com sentido de Estado

Nós, portugueses, andamos há 30 meses a apertar o cinto, cada dia mais um pouco, estando quase asfixiados. Aumentam continuadamente os impostos, as coimas, o preço dos bens de primeira necessidade. Ganha-se menos e paga-se mais ao Estado e nas compras. Este esforço suplementar que nos é exigido e que se vem juntar às más condições de vida em relação a muitos parceiros europeus, seria logicamente considerado como um investimento do qual depressa colheríamos benefícios traduzidos em desenvolvimento do País e visível melhoria das condições de vida. Mas a realidade é que o investimento continua a fazer-se sem se vislumbrar benefício, sem se receberem dividendos. Há, sem dúvida, uma má gestão. Foi má gestão que criou a crise orçamental; é má gestão a que se compraz sadicamente em persistentes sacrifícios sem os resultados aparecerem. Há notoriamente bons benefícios para alguns mas a maioria (e esta devia ser a mais beneficiada!) sente cada mais coladas as paredes do estômago.

Mas uma notícia do DN de hoje, evidencia que há no País quem siga o caminho da moralidade em defesa dos interesses dos cidadãos humildes, que vão sobrevivendo longe da «classe» oligárquica. O Presidente da Câmara Municipal de Penalva do Castelo, no coração do País, entre as rocha graníticas do Distrito de Viseu, decidiu ontem aproveitar a possibilidade dada na nova Lei das Finanças Locais para desagravar o IRS das pessoas com domicílio fiscal no concelho.

O artigo 20º da Lei das Finanças Locais estipula que "os municípios têm direito, em cada ano, a uma participação variável até cinco por cento no IRS dos sujeitos passivos com domicílio fiscal na respectiva circunscrição territorial, relativa aos rendimentos do ano imediatamente anterior". Usando dessa faculdade, o executivo deliberou, por unanimidade, na reunião de ontem, baixar em 2,5 por cento o IRS das pessoas de Penalva do Castelo,

Segundo a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) este é "um bom desafio para o Governo" o qual «deve acompanhar este presidente de Câmara e todos os outros que lhe sigam o exemplo. Se um concelho baixar determinada percentagem dos seus cinco por cento, no caso de Penalva 50 por cento, o Governo deve acompanhar na mesma proporção em relação aos seus 95 por cento".

Leonídio Monteiro, presidente da autarquia, que há muito defende a discriminação positiva dos concelhos desfavorecidos, disse que quis precisamente dar esse "sinal" ao Governo. "Tendo eu esta possibilidade, não tive qualquer dúvida de avançar, embora seja um paliativo muito pequeno, apenas 50 por cento sobre o que a Câmara pode decidir, que são cinco por cento."

Leonídio Monteiro disse esperar que o Governo "retire um bom exemplo de uma autarquia estabilizada, que tem poucas receitas", mas "dessas poucas entendeu que devia abdicar de algumas em benefício da generalidade das pessoas que pagam impostos em Penalva".

Em Penalva do Castelo, valeu a pena apertar do cinto, porque o autarca sabe o que é ética, o que significa governar e gerir dinheiros do povo, para criar melhores condições ao povo sofredor, que tão explorado está a ser em todo o País para benefício e uns poucos incapazes de se consciencializarem dos seus deveres para com os portugueses.

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