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quinta-feira, 28 de março de 2019

A ÉTICA NA POLÍTICA

A ética na política
(publicado no DIABO nº 2204 de 29-03-2019, pág 16)

A UE quer aplicar impostos directos às pessoas dos Estados-membros para reforçar o seu orçamento. Mas como? Se a UE pretende ser considerada democrática, esse objectivo não pode surgir da mão de um autocrata qualquer, por impulso ou capricho de um “poderoso” não eleito, e sem ouvir os pareceres dos representantes dos estados membros. E estes representantes devem ser escolhidos em função da sua comprovada experiência ao serviço dos interesses nacionais do seu país, da sensatez e da resistência a pressões de interesses particulares. Se este assunto não for tratado com muita prudência, arriscamos ter novos casos semelhantes ao Brexit, principalmente nos países menos desenvolvidos. Os contribuintes de tais impostos não aceitarão estar a contribuir para suportar os funcionários da UE que têm salários muito superiores aos valores em uso em muitos Estados europeus e que, aos 50 anos, são reformados com pensões escandalosamente altas em relação às da maior parte dos estados, além de mordomias como viagens, etc.

Não é aceitável que os altos “responsáveis” pelos destinos da UE usem o sistema primário de navegação à vista e que aliem uma perigosa ignorância do respeito pelas pessoas ao desejo de ostentarem, de forma exagerada, o poder de que estão investidos.

Os detentores de altos cargos da UE devem ser escolhidos por qualificados representantes dos Estados-membros com dados seguros sobre a sua competência, a posse de pensamento criador e a capacidade de não se deixarem viciar em burocracias desnecessárias que dificultam a convergência de medidas eficazes para um futuro melhor. E é indispensável o conhecimento das realidades quanto a potencialidades e a factores específicos, por forma a concentrar-se na definição de uma estratégia adequada e a tomar decisões independentes de interesses particulares, mas vocacionadas para o futuro que a maioria dos europeus deseja.

Não convém que a UE siga exemplos de Estados-membros transformados em Repúblicas Familiares em que se queira aparentar uma harmonia aparente à volta do líder paternal mas sem análise profunda de todos os aspectos dos problemas, e o argumento do chefe se resuma a dizer ‘é assim e não vamos perder tempo com esquisitices’.

O amiguismo, por vezes, leva para a UE políticos que estiveram em altos cargos onde não mostraram resultados visíveis, mas que lhes serviu de estágio ao “politicamente correcto” com promessas de obras e projectos que não saíram para o real, mas que geraram esperanças tendentes a aumentar os números de votos nas sondagens, vindos de pessoas crentes e pacatas, sem sentido critico, por ausência de observação e de espírito medianamente iluminado.

A política, arte de gerir um Estado e os seus serviços públicos, exige competência para conhecer os problemas, as suas causas e os seus factores determinantes, respeitando os direitos de cada cidadão, procurando garantir as melhores condições de este exercer a liberdade a que tem direito, da forma que mais lhe agradar, mas inserida nos mais vastos objectivos do desenvolvimento nacional. A liberdade do cidadão não deve ser restringida por burocracias inúteis nem por caprichos de controladores doentios com laivos autoritários. Os acessos aos escalões do poder devem basear-se na posse de qualidades e competências comprovadas pela experiência e não pela amizade e fidelidade ao chefe. O ascendente deste deve resultar das suas qualidades e da sua dedicação à causa pública, e da sua indiferença a interesses privados.

Resumindo, a personalidade e a moral de candidatos sujeitos a escolha deve traduzir-se, com rigor, numa dedicação incondicional ao interesse nacional, à semelhança do militar que, acima de tudo, defende a Pátria arriscando a própria vida. ■

António João Soares
22 de Março de 2019

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sábado, 27 de setembro de 2014

A DEMOCRACIA ESTÁ A MORRER


Transcrição integral da entrevista que merece ser lida com atenção:

ÂNGELO CORREIA EM ENTREVISTA AO i. «A DEMOCRACIA COMO A CONHECEMOS ESTÁ A MORRER»
Por Luís Osório. Publicado no ionline em 27 Set 2014 - 05:00

"Pedro Passos Coelho fez comigo o que todos os partidos fazem com os mais velhos: afastou-me", diz Ângelo Correia, para quem Mário Soares e Sá Carneiro foram visionários

Nasceu no final da Segunda Guerra Mundial. O tempo da sua juventude foi de esperança e de uma longa paz temperada por um equilíbrio instável entre americanos e soviéticos. Tornou-se engenheiro, mas confessou-me ter desejado ser filósofo. O pai não foi em cantigas, filosofia era para "cabeludos" e esquerdistas. Fez-lhe a vontade, embora tenha continuado em leituras que somou ao exercício da política, dos negócios e da relação com os homens, talvez a sua grande especialidade.

Acompanhou Sá Carneiro. Foi mentor de Passos Coelho, afastou-se da política activa ainda jovem, mas por detrás do pano muitos continuam a vê-lo como uma das mais poderosas eminências do regime. Nesta conversa de balanço de vida e pensamento, encontrei-o pessimista. Com desejos de um outro futuro e outros líderes, com o desejo de um novo tempo, com pessoas capazes de criar valor mas que tenham valores.

Acusa o primeiro-ministro de o ter tratado como os políticos mais jovens tratam os velhos. Distinguiu Soares como o homem com quem continua a gostar de almoçar. Assumiu detestar o cavaquismo. Elegeu Portas como o melhor político português e Assunção Cristas como sua sucessora. Elogiou Marinho e Pinto e explicou porque os comunistas não conseguirão implementar a sua revolução. Confessou-se mais próximo de Deus e afirmou o que vários dizem em surdina: a democracia, conforme a conhecemos, morreu.

Começámos a meio de uma conversa...

Há acontecimentos e figuras que pareciam poder deixar uma marca...

E não deixam coisa alguma, marca alguma. Mas sabe, isto já não tem a ver com credibilidade dos protagonistas políticos e económicos. É uma falsa questão.

Tem a ver com a forma como estamos organizados.

Absolutamente. A globalização, central nesta nova ordem internacional, matou a velha organização política e tornou-nos vulneráveis. Porque ela não é um fenómeno económico, está longe de o ser. É um movimento que pretende aniquilar, reduzir, limitar o exercício político das comunidades nacionais. Que é o mesmo que dizer dos Estados. Reduz a sua importância de duas maneiras: por dentro, criando e permitindo unidades mais pequenas...

Pequenas pátrias.

Pequeníssimas pátrias, sim. E, depois, criando entidades supranacionais que retiram grande parte da soberania aos Estados. O ideal desta nova ordem, a etapa final, é a inexistência de Estados, a inexistência de países e a inexistência de um regulador. Tudo estaria reduzido ao mercado.

E alguém o consegue? Ou idealmente chegaremos a um ponto em que as responsabilidades não podem ser assacadas a ninguém?

O mercado, por natureza, é criado ou existe como um espaço onde a legitimação democrática é ainda mais legítima. Um espaço onde os desejos e aspirações dos cidadãos consumidores são realistas. É uma concentração da expressão humana no consumo.

Uma concentração naquilo que é superficial do ser humano.

Se quiser colocar assim, não me oponho. Em segundo lugar, é a criação de uma entidade mítica em que surgimos todos como iguais. É a velha aspiração da igualdade; nunca houve uma sociedade tão igualitária mas, ao mesmo tempo, tão ferozmente desigual. Porque permitiu que os fortes expressassem a sua força. Esse estado mítico, e virtual, limita, mitiga a influência de cada um dos poderes. O que está em causa, hoje, na história da humanidade é a grande disputa entre as afirmações políticas dos países em contraposição a uma ordem internacional onde está projectado o que ninguém vê ou controla.

Como é possível regular o que não pode ser regulado? Será uma porta para novas ditaduras?

Não existe nenhuma hiperpotência hoje, esqueçamos isso. Ninguém tem o poder suficiente para impor uma regulação. Mesmo os Estados Unidos não têm o carácter tutelar sobre a humanidade em matéria política, económica, social e cultural. Isso não existe. Como tal, o caminho que tem sido seguido é a criação de ordens regionais. O mundo, no futuro, será o espaço onde as várias ordens regionais, tuteladas pelo mercado, vão ter de encontrar um denominador de regras aceites por todos. Regras que regem o próprio mercado, o próprio motivo do seu poder.

O senhor é um homem de negócios, um homem que mediou e acompanhou trocas comerciais.

Vai tentar que entre em contradição com a ideia do comércio livre, mas engana-se. Não acredito no comércio livre, acredito no comércio justo. O livre não atende às particularidades de cada país (porque uma camisa feita em Portugal não é igual a uma camisa feita na China). No comércio justo, a base não pode ser apenas o preço. Seria perverso se o fosse, porque a maneira como o trabalho e os trabalhadores existem na China não tem qualquer paralelo com a situação portuguesa. O comércio justo é regulado, um sistema de pesos e contrapesos. E voltamos à globalização, à tendência de considerar sempre os mais produtivos, os mais capazes, os mais competentes, os mais trabalhadores, mas criando um desequilíbrio que se aprofunda todos os dias.

E Portugal? Nesse sentido, e também nos outros, temos futuro?

Os grandes momentos em que fomos para fora foram os momentos de recusa de vivermos aqui. Fomos para o exterior na aventura do Atlântico, na aventura do mar, no sonho do imaginário, também por não termos a capacidade de evoluir. Nunca acompanhámos os movimentos de pensamento, fomos sempre atrás. A nossa vanguarda é para o exterior, é uma fuga, uma recusa do continente, mas também um sinal de impotência. Não estou na mente dos nossos heróis, mas não sabemos se foram por desejo de glória ou se foram impelidos pelas dificuldades - talvez um misto das duas.

Há algum herói que destaque?

Sem dúvida, D. Dinis. Um cientista, um poeta, um militar, um estratego.

Nos protagonistas dos últimos 40 anos vê alguém com essa dimensão?

Ninguém.

Nem Sá Carneiro?

A sua curta experiência governativa não lhe deu hipóteses de consagração, mas era um homem muito capaz, talvez pudesse ter sido. Transformou-se num herói, num mito, pela sua morte. Não sabemos do que ele seria capaz. A minha convicção é que ele era dos mais capazes.

E Mário Soares?

Um homem que percebeu, em 1974, que o país encerrava um conceito estratégico que durava desde o século XV: dilatação da fé e do império, o ouro e as especiarias, o controlo dos mares e dos negreiros, isso encerrou-se com o 25 de Abril. Soares percebeu que era urgente a criação de uma alternativa. As pequenas potências precisam sempre de âncoras e a nossa passou a ser a União Europeia. Tem esse mérito. Se a pergunta é quem foi o visionário, então a resposta é esta: Soares e, por convicção pessoal, Sá Carneiro.

Porque desistiu tão cedo do exercício da política?

Cansei-me.

Quando?

Na última fase do cavaquismo, cansei-me.

Por causa de Cavaco Silva?

Cavaco Silva é uma boa pessoa, respeitável. Mas o cavaquismo é pior do que Cavaco. Em segundo lugar, pela minha maneira de ser: sempre fui muito franco. Nem todos aguentam, a maioria não aguenta. Sá Carneiro aguentava. Com ele, fiquei sempre na comissão permanente do PSD, estava nos quatro que mandavam. Os grandes comunidade dirigentes aceitam críticas, os pequenos não conseguem geri-las. Uns prezam a inteligência e a lealdade; os frágeis acompanham-se sempre daqueles que não metem medo à sua própria sombra.

Conheceu mais os primeiros ou os segundos?

Os segundos.

Falamos de grandes homens mas, com um mundo tão complexo como este, será que se existissem figuras muito respeitadas na vida política, seriam capazes de resolver alguma coisa?

Não conseguiam. Porque o mundo é mais complexo e a quantidade de actores e agentes que intervêm é muito maior. Em segundo lugar, o conjunto das causas que animam os cidadãos é menor... É um espaço de crepúsculo, e não de sonho. E quando o crepúsculo se sobrepõe ao sonho, a capacidade de sentir, desejar, reflectir e de encontrar líderes que protagonizem o sonho é menor. Temos menos causas e menos razões para as ter. Temos também uma maior uniformidade doutrinária. E todos procuram um novo sentido num mundo que é eminentemente económico e financeiro; qual o espaço reservado à alma de um partido cujo pensamento único é económico? Como é que ele sobrevive? Como é que ele se articula nesse mundo? Como é que ele pontua as suas acções?

São políticos frágeis porque o mundo financeiro é volátil...

E, por isso, sempre em queda. A França é um bom exemplo disso, da queda em permanência. Hollande passou de um estado de esperança para um estado de desgraça em menos de dois meses. Depois, para piorar as coisas, a generalidade dos políticos estão subordinados à táctica, à manobra, ao dia-a-dia. Não há um pensamento estratégico.

Ocorreu-me pensar nas eleições para a escolha do líder socialista em Portugal.

Naqueles debates...

Sim, os debates entre Costa e Seguro... Surpreenderam-no?

Têm consequências políticas mais profundas do que a fragilidade dos debates poderia fazer crer. É um debate tão pobre, tão carente, tão exterior às necessidades dos portugueses e também tão fulanizado nas personalidades... Isso acontecerá sempre em eleições em que se escolhem líderes, e não movimentos ou ideias. São personalidades, não ideologias. Isso é o que mais fragiliza a democracia a longo prazo porque é aquilo que fulaniza em vez de se concentrar na ideia, é aquilo que assenta nos aspectos do candidato, e não o que corporiza enquanto pensamento.

O que continua a levar homens a desejar tanto o poder, a fazerem tanto para o conquistar quando, depois de o terem, é tão grande o risco de correr mal?

Para muitos, há um desejo natural de protagonizar um movimento...

No íntimo, julgam-se providenciais?

No íntimo, aproximam-se do providencialismo mas, quando são colocados no meio da realidade, percebem que o seu poder é quase vazio. Por outro lado, os partidos políticos não são entidades que formam a opinião pública ou a protagonizam. São sobretudo agências de ascensão social dos seus membros. O grande problema é o da sobrevivência. Os partidos comportam-se como uma comunidade numa sala fechada, não dialogam, jogam em círculo fechado, e assim não se tem condições para o sucesso porque lhes falta o essencial: a legitimação. O político é querido quando é legitimado.

Como define o seu poder?

Poder? Eu não tenho qualquer espécie de poder.

Não brinque.

Não estou a brincar, de todo. Só tenho uma espécie de poder: aquilo que penso e digo. Uma influência muito limitada.

O senhor consegue reconhecer, com a experiência que tem, os desejos dos que se sentam à sua frente? Consegue perceber imediatamente quem está disponível para vender a alma?

Por vezes, há pessoas que enganam, gente que tem uma imagem negativa. Quando as conhecemos, temos medo, e depois surpreendemo-nos. Há outros que aparecem, verdadeiras virgens cândidas, e são serpentes em gestação.

Falei indirectamente do Diabo e não de Deus. Tem relação com Deus?

Só comigo próprio. Se Deus está no meio, e deve estar, está comigo. Não sei. Ando há 20 anos a pensar nisto, sabe? Sinto-me a aproximar-me do catolicismo, mas não o sinto de agora.

E sente que se está a afastar dos homens?

De todo, o contrário. A aproximação de Deus é, em mim, uma aproximação aos homens. Só amamos Deus se conseguirmos perceber os homens, se conseguirmos ser tolerantes. O contrário é Robespierre, estamos perante o justicialismo religioso. Sim, tenho-me reaproximado da Igreja. É inevitável. Reaproximei-me dos cultos da infância e, com o aproximar da morte, surgem novos caminhos e dramas; não gostaria de me aproximar de Deus quando já for tarde demais.

Mesmo que não queira, nos livros de história do futuro aparecerá como o homem que apoiou e legitimou Pedro Passos Coelho. Reconhece-o como discípulo?

Apenas como colega. Discípulo, não; em muitas coisas, somos diferentes.

Diga-me uma.

Eu sou um personalista, valorizo as pessoas. Ele é transpersonalista: as pessoas são um acessório do Estado. É uma visão diferente. A maior parte dos políticos é como o primeiro-ministro. Mas gosto dele, sou seu amigo. Convidei-o para trabalhar e correu bem.

Passos Coelho aguenta ter ao lado pessoas como o senhor? Ou prefere ter os que têm medo da própria sombra?

Pedro Passos Coelho fez comigo o que todos os partidos fazem com os mais velhos: afastou-me. Os partidos afastam os mais velhos. As novas elites, se o termo se deve aplicar, respeitam o princípio da distância aos mais velhos. Nota-se no tratamento das pensões, do ocaso de gente que podia contribuir com o muito que sabe.

E Rui Machete?

Precisava de ter alguém para fingir que esse princípio existia.

Sente que a relação do primeiro-ministro com o Presidente da República é a ideal?

Por acaso, sinto. É cordial, educada, séria e não servil. É o que é correcto. Sem servilismos e sem arrogâncias.

Como tem acompanhado a questão Tecnoforma? Numa declaração afirmou guardar todas as declarações de IRS, mas o primeiro-ministro está em grandes dificuldades.

Como português, gostaria que o governo fosse até ao fim, que terminasse o mandato. Com toda a franqueza. Mas vamos aguardar, não quero dizer mais nada sobre o assunto.

Falando de eleições, das próximas legislativas, como vê o aparecimento de vários novos partidos, nomeadamente o de Marinho e Pinto?

Todas as contradições do nosso tempo potenciam o aparecimento de dois tipos de pessoas: dos salvadores e dos profetas. Vão aparecer pessoas a dizer que são capazes do que os outros não são. São falsos, mas aparecerão. Vão protestar, estimular as pessoas ao protesto. Pergunta-me sobre Marinho e Pinto: conheço-o mal, mas julgo que é uma pessoa com uma enorme capacidade na abordagem dos problemas. Vai ter um bom resultado porque muito do que é o país pensa como ele. Vai ter um bom resultado e vai ficar feliz com isso.

O regime em que vivemos é democrático? Vivemos numa democracia representativa?

A democracia representativa está a morrer. Já acabou há uns anos atrás. O cidadão tem o poder de delegar o seu voto noutro e esse outro tem a capacidade de o exercer nas várias esferas - isso acabou. Quando os mercados, económica e financeiramente, se sobrepõem aos poderes políticos e se mundializam, então temos um grande problema, um problema, em primeira análise, de soberania.

O Partido Comunista nunca esteve tão perto de criar as condições para desencadear uma revolução mas, paradoxalmente, nunca esteve tão longe.

Não têm duas circunstâncias a seu favor. Por um lado, escapam-lhe os instrumentos para o poder fazer. Se à própria democracia escapam, quanto mais a quem está nos extremos. Por outro, pensar num caminho para um Estado sem Estado, uma ditadura do proletariado, é uma ideia que teve eco e se revelou contrária na sua adequação à realidade. Ruiu por dentro. Logo, o ânimo em direcção a um amanhã que canta, um amanhã de sonho, tudo isso falha no comunismo. Têm as condições objectivas, mas não têm a ideia nem o exemplo prático ou os instrumentos para o poder fazer. Estão condenados a sonhar um sonho que não se pode realizar, um sonho que, quando começa a ser sonhado, se transforma em pesadelo.

Não há instrumento mais importante para o futuro do que a educação.

Na escola portuguesa não ensinámos duas coisas: como se cria valor e quais são os valores, explicar aos meninos, desde muito pequeninos, que para serem melhores têm de criar valor, acrescentar trabalho humano, gerar riqueza, distribuir mais e melhor. Cria-se a ideia, aos rapazes e raparigas, que têm direitos, mas só os têm, só os temos se, antecipadamente, estivermos preparados para criar valor.

Mas criar valor sem ter valores...

É o que lhe digo. O nosso problema não é apenas económico, de dívida. Qual o denominador comum que temos entre nós, qual é o respeito, qual o grau de solidariedade, qual o grau de inveja que conseguimos combater, qual o maior grau de pulhice que conseguimos evitar, qual o maior grau de influências nocivas que conseguimos não praticar? Isso devia ensinar-se na escola. A escola não pode ser apenas um repositório, um compêndio do mundo, deve ser um lugar onde a pessoa se deve valorizar a si própria. E, aí, não é apenas criar valor, é ter valores.

Chegámos à recta final da nossa conversa. Se lhe apetecesse agora almoçar com alguém da vida política, a quem telefonava? Com quem lhe dá gosto conversar? 
Encontro-me muitas vezes com Mário Soares. Gosto muito dele. E há pessoas com quem nunca jantei, e gostava muito.

Com quem? 
Com o José Gil, por exemplo. Pensa bem, diz coisas muito interessantes.

Gosta de conversar com Paulo Portas?
 Muito. Neste governo há quatro pessoas de quem gosto bastante. Além do primeiro-ministro, de quem sou amigo e respeito...

E que deseja fique até ao fim. 
Desejo que fique até ao fim, sem qualquer dúvida. Paulo Portas é talvez o melhor político português, não tem um partido à sua dimensão. Mas no CDS-PP existe também Assunção Cristas, muito competente e inteligente. Acredito e espero que seja a sucessora. Gosto de Paulo Macedo, conseguiu atenuar o discurso da esquerda sobre o fim do SNS e mantém-se sem discussões. E, finalmente, Jorge Moreira da Silva, um homem da nova geração que executa bem e tem uma inovação doutrinária.

Como imagina este país dentro de 20 anos? 
Se a tendência para o futuro for parecida com os 15 anos perdidos, anos em que não nos adaptámos ao euro, vão emergir novos fenómenos... desertificação de elites, dificuldade das instituições de criarem um elo com os cidadãos, envelhecimento e uma população com uma pele mais morena. O rácio de natalidade das mulheres negras é maior que o das brancas, será inevitável que a nossa população seja a prova e testemunho da nossa presença histórica no mundo.

Que líder precisamos para o futuro? 
Precisamos de ter alguém que nos anime e faça sonhar, mas com os pés na terra.

Sente-se um homem apaziguado?
Sinto. Tornei-me imune aos tumultos exteriores, talvez menos à tristeza que o país me traz. Sei que alguns me vão acusar de velho do Restelo, mas não, é injusto. Sou um voluntarista com desejo de mudança e contribuo para isso, mas o que constato à minha volta não me dá alento.

E em algum momento neste seu caminho correu o risco de se perder? 
Corri, corri, sim. Na altura da minha transição de deputado corri o risco de me tornar outro, de ser outro.

Há um momento preciso em que tenha chegado à conclusão de que não podia ir por um determinado caminho sob o risco de se perder? 
Num dia, há muitos anos, decidi que o caminho deveria ser pessoal, o da salvação. Recordo-me de o ter pensado quando via um programa de televisão, imagine. Não valerá a pena dizer mais nada. Julgo estar no bom caminho.

Abandonou a presidência executiva da Fomentivest...
Por motivos também de saúde.

Percebeu que não era eterno. 
Não fui eu que senti, foram os médicos que mo disseram. Deixei de trabalhar o que trabalhava, diminuí o stresse.

Como acha que o país o vai recordar?
A mim? Não me recorda, seria uma presunção. Terei o nome em alguma rua ou praceta. O país recorda apenas os grandes líderes messiânicos ou os que fizeram muito mal à pátria. Não aprecia pessoas médias.

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terça-feira, 12 de agosto de 2014

É URGENTE COMEÇAR A PREPARAR O FUTURO


A política deve funcionar, como ciência e como arte, com o objectivo de se preocupar em encontrar as melhores soluções  para os problemas que afectam os direitos dos cidadãos à boa qualidade de vida e ao crescimento de PORTUGAL. A Administração Pública de alto nível não pode ser apenas um espectáculo de entretenimento, uma sequência de erros e de débeis tentativas de emendas. Os cidadãos mais esclarecidos não gostam disso e esperam mais eficiência. Os políticos eleitos pelos cidadãos não podem deixar de assumir o compromisso de cumprir as promessas feitas para conquistar o voto e zelar para uma melhor qualidade de vida e felicidade das pessoas e o maior crescimento da economia nacional. Para isso, devem colocar os interesses pessoais e partidários em segunda prioridade, abaixo dos interesses nacionais, isto é, dos legítimos interesses do povo que os elegeu

Se os governantes devem agir com medidas concretas, lógicas, sensatas e ajustadas à estratégia de longo termo decidida a nível nacional, os deputados têm um papel muito importante no controlo e na crítica às acções do Governo, de modo a que estas não caiam no facilitismo ao sabor de caprichos do momento, ou de sonhos irrealistas ou de pressões pouco sérias de donos da finança e da grande empresa. Mesmo os da oposição devem fazer críticas construtivas para Bem do País, com sugestões e propostas ou projectos de medidas praticas com vista a dois resultados: contribuir para um melhor futuro dos portugueses e criar uma imagem de eficiência e competência que facilite ao seu partido ser alternativa de governo nas eleições seguintes. Tudo isso deve ser positivo, construtivo, e não se ficar pela crítica derrotista e arrasadora. Qualquer assunto mesmo que pareça marginal, deve ser encarado com lógica e coerência nas posições tomadas não descurando interacções e efeitos secundários que prejudiquem o efeito desejado.

Não é com má gestão do dinheiro público, nomeadamente do dinheiro da segurança social, que se mostra respeito pelos direitos humanos dos contribuintes, que se defendem as promessas de campanha eleitoral ou que se contribui para a melhor qualidade de vida da população.

Os governantes, devem assumir a democracia de que tanto falam, não se considerarem donos do país e não fazerem desacatos nas costas do povo que obriguem este a suportar os maus resultados dos erros cometidos com a má gestão pública. São tais erros que geram a austeridade, cortes nas pensões e nos salários e aumento das dificuldades nas escolas, nos tribunais, na saúde, nos serviços públicos. Não devem atropelar desumanamente os direitos das pessoas, em vez de melhorar a sua qualidade de vida e fazerem crescer PORTUGAL Acerca da Segurança Social, não devem ser ignoradas as opiniões de duas pessoas notáveis da área do Governo

A opinião geral é que estamos a deslizar numa rampa que nos leva ao abismo e é preciso uma ruptura.no sistema político-social. A má vontade contra idosos, reformados e outros «não activos» ou «não produtivos» fazia crer que se tratava de uma «eutanásia» discreta e progressiva, mas esta redução de jovens, de futuros adultos trabalhadores, dirigentes e cientistas, através da emigração; leva as cogitações mais além. Sem uma geração capaz de gerir o futuro de Portugal, o país ficará nas mãos de imigrantes, talvez jihadistas ou chineses, que destruirão toda a história de grandeza dos Descobrimentos da geração que «deu novos Mundos ao Mundo».

Parece que está a tornar-se urgente uma ruptura que acabe com o actual regime partidário e dê oportunidade a Portugueses que, movidos por valores de humanidade, de cidadania, de responsabilidade para com a memória da nossa história, se desprendam das ambições pessoais e se preocupem prioritariamente com a reconstrução do Portugal de que todos nos possamos orgulhar. Precisamos do Conde de Aviz, do D.João II, do D.Jáo IV, do Marquês de Pombal e de outros em quem poder não teve a morte.

A tendência actual é para o desastre total. Cada líder gosta de se rodear de pessoas que lhe obedeçam sem fazer objecções, e evitam pessoas esclarecidas, moralmente bem formadas que pudessem ajudar a fazer «Mais e Melhor por Portugal». Depois, de entre essas pessoas de baixa condição moral e cultural, sai o líder seguinte que usa o mesmo procedimento e, assim, se caminha para líderes cada vez menos competentes e de menor qualidade. Isto será assim...até que haja uma paragem, uma reflexão esclarecida de que resulte uma reforma na sociedade e se escolham os cidadãos mais capazes.

O sistema financeiro também precisa de muita atenção. Empresas públicas pagam, com o nosso dinheiro,aos bancos mais do dobro do que o total dos salários do seu pessoal. O dinheiro público não é apenas destinado a pagar luxuosamente aos incompetentes do Poder, mas também para enriquecer os detentores do sistema financeiro que, como reles parasitas, esmifram o mais que podem, com o consentimento e o apoio de tais incompetentes. O caso BPN foi esclarecedor, tendo sido vendido por apenas 1,8% do custo já pago pelo Estado e que ainda não parou de aumentar. E, este sumidouro ainda não está bloqueado ao ponto de o Tribunal de Contas alertar que BPN poderá trazer mais custos para o Estado.

A.João Soares. 12-08-2014

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quinta-feira, 25 de julho de 2013

A «PODRIDÃO», DE RUI MACHETE


Rui Manuel Parente Chancerelle de Machete, nomeado ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, conta na sua extensa carreira política com os seguintes cargos: Comissão Política do PSD, ex-vice-primeiro-ministro do Governo do Bloco Central [PSD/CDS], secretário de Estado da Emigração em 1975, ministro dos Assuntos Sociais (1977-1979), ministro da Justiça (1983-1985) e vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa (1985) do executivo de coligação entre o PS de Mário Soares e o PSD de Mota Pinto.

Foi presidente do Conselho Superior da SLN Valor, que detinha o BPN e, antes, no início dos anos 80, tinha sido administrador da principal entidade fiscalizadora da atividade bancária, o Banco de Portugal, Foi presidente do Conselho Fiscal do Taguspark, sociedade que se viu envolvida num processo-crime a propósito de um contrato publicitário com o ex-futebolista Luís Figo e de ligações consideradas suspeitas à campanha para a reeleição do então ex-primeiro-ministro socialista José Sócrates, em 2009.

Interrogado, após a tomada de posse, sobre a polémica em torno da sua passagem pela Sociedade Lusa de Negócios (SLN), a holding do Banco Português de Negócios (BPN), o banco nacionalizado pelo Estado em 2008 e que envolveu um custo de mais de quatro mil milhões de euros para os contribuintes, (esse facto não consta do seu currículo oficial, apesar de ter sido presidente durante vários anos do Conselho Superior da SLN), Rui Machete respondeu: "Isso denota uma certa podridão dos hábitos políticos, porque deviam saber em que condições eu passei, em vez de darem notícias bombásticas".

Quanto à referida «podridão», fala quem bem conhece os meandros da actividade política, pelo que não podemos duvidar.

Machete também foi, entre muitos outros cargos, presidente do Conselho Fiscal do Taguspark, sociedade que se viu envolvida num processo-crime a propósito de um contrato publicitário com o ex-futebolista Luís Figo e de ligações consideradas suspeitas à campanha para a reeleição do então ex-primeiro ministro socialista José Sócrates, em 2009.

Apesar da sua convicção, assente em longa experiência, de tal podridão e de não ter pensado voltar ao Governo, não hesitou em aceitar o convite para MNE, «pela situação do país". Mas o que é mais estranho é que não se trata de uma pasta qualquer mas de uma que o coloca em contacto directo com os EUA, com os quais teve «pequenos» atritos durante as duas décadas em que geriu a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) que lhe mereceram críticas duras feitas pela diplomacia dos EUA à forma como geriu a Instituição. Rui Machete tornou-se administrador da FLAD em 1985, logo quando a fundação foi criada com dinheiro dos EUA no âmbito do acordo das Lajes, tornando-se seu presidente em 1988 e sendo substituído no cargo por Maria de Lurdes Rodrigues em 2010.

«Num relatório enviado a 15 de dezembro de 2008 para o Departamento de Estado em Washington pelo então embaixador dos EUA em Portugal, Thomas Stephenson, Rui Machete era arrasado pela forma como geriu ao longo de duas décadas a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), visto como "suspeito de atribuir bolsas para pagar favores políticos e manter a sua sinecura".

O embaixador norte-americano, nesse telegrama, argumentava que "chegou a hora de decapitar Machete" com base, entre outras coisas, no facto de a fundação "continuar a gastar 46% do seu orçamento de funcionamento nos seus gabinetes luxuosos decorados com peças de arte, pessoal supérfluo, uma frota de BMW com motorista e 'custos administrativos e de pessoal' que incluem por vezes despesas de representação em roupas, empréstimos a baixos juros para os trabalhadores e honorários para o pessoal que participa nos próprios programas da FLAD".


Com este cenário, parece que O MNE terá de delegar num secretário de Estado bem preparado, as relações entre Portugal e os EUA a fim de poupar o ministro a enxovalhos que lesem os interesses do País.

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terça-feira, 16 de julho de 2013

PORQUE SÓ FALAM ???


O professor João César das Neves, como é seu costume, elabora reflexões oportunas, perspicazes e profundas sobre pormenores da actualidade que escapam à generalidade das pessoas. Transcrevo o seu artigo de opinião publicado ontem:

Necessidade de falar 
Diário de Notícias. 15/072013. Por JOÃO CÉSAR DAS NEVES, naohaalmocosgratis@ucp.pt

Quanto menos se sabe de um assunto, mais se fala dele; e a veemência cresce com a incerteza e a insegurança. Gostamos de conversar sobre amor, saúde, negócios, desporto e política, precisamente aquilo que menos controlamos. Afinal são esses os temas dos horóscopos...

No meio de uma crise socioeconómica, as coisas agravam-se. É espantosa a quantidade de oráculos férreos e afirmações definitivas em temas que todos, incluindo o orador, sabem ser fluidos e controversos. É o próprio sofrimento da realidade que impele a necessidade de falar, substituindo a objectividade pelo magro conforto da retórica.

Quando alguém sofre, para mais injustamente, as suas palavras ganham peso especial. Por isso os maiores disparates passam por sabedoria na boca de vítimas. No aperto e na confusão, teorias mirabolantes justificam direitos insustentáveis, concedendo ao seu autor credibilidade indiscutível. Assim o debate sobe de tom, com afirmações drásticas em assuntos ignorados.

Um truque habitual na elaboração de temas desconhecidos é o uso de postulados simples, que a própria retórica torna indiscutíveis. Por exemplo, todo o País sabe que a classe política é uma vergonha. O que isso significa é difícil de compreender, pois todas as gerações sempre o repetiram, e os políticos só são louvados depois de mortos. Serão Passos e Seguro piores do que Cavaco e Soares? Merkel e Hollande? Kohl e Mitterrand? O insulto foi igual em todos.

Esse desprezo pela classe política tem a enorme utilidade de explicar a situação sem sujar as mãos na confusão da crise. Não se fala da realidade, mas do discurso sobre a realidade. A isto junta-se um truque elementar: todos gostam de um bom paradoxo; por isso é quase irresistível acreditar que o País sofre não da doença, mas da cura. Porque é que um político faria uma coisa dessas, para mais sem notar, fica sempre omisso. Mas, afinal, nesta vergonha até nem admira. O que interessa é que assim se pode ignorar totalmente a economia, limitando os argumentos ao circo da classe política que, como toda a gente sabe, é uma vergonha. É espantosa a quantidade de pessoas que falam da crise sem nunca referir a dívida esmagadora, as distorções produtivas, ou seja, a crise. A recessão é económica, mas não se discute economia; só política.

Alguns argumentos são contraditórios, sem o empolgado tribuno se dar conta. Muitos empresários queixam-se amargamente que os ministros, sem perceberem nada de empresas e mercados, tomam medidas que as destroem.

Quem o diz, por muito verdade que tenha (e infelizmente tem), não se dá conta de que está a cair no mesmo erro que denuncia, precisamente ao fazê-lo. Porque as actividades governativa e legislativa são também muito difíceis e complicadas, pelo menos tanto quanto as empresas e mercados. E os gestores e agentes económicos sabem tanto ou menos delas do que os políticos sabem de economia. Assim, ao criticarem a influência que as leis têm na sua acção, atribuindo-a à ignorância da classe política, o analista de café mostra uma ignorância pelo menos igual à que critica.

Mas será este paralelo justo? Estão economia e sociedade ao nível da política? Não se pode dizer que o Estado tem a influência e a sociedade é vítima, pois todos vemos como o poder é frágil e como, em democracia ou não, os governos dependem desesperadamente do apoio das forças sociais. Por outro lado, existe uma ilusão de óptica neste argumento. A sociedade é muito maior do que o cantinho da conversa. O facto de esta empresa ou de este mercado serem prejudicados não prova que a política não sirva o todo. Aliás, a experiência recente mostra-o abundantemente, quando durante décadas os governantes pareciam ajudar os múltiplos cantinhos da sociedade, arruinando o País. É, aliás, por isso que é preciso agora prejudicar empresas e mercados para equilibrar a sociedade.

Nos momentos difíceis, as pessoas sentem uma irreprimível necessidade de falar, normalmente com mais veemência do que juízo. A vantagem desta compulsiva ânsia de dizer disparates é que "cão que ladra não morde".

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sábado, 8 de junho de 2013

ESTAMOS ESMAGADOS - ENTREVISTA A ADRIANO MOREIRA


Este texto foi recebido por e-mail em 08-06-2013 e, depois de pesquisa, foi encontrado publicado aqui em 27-04-2013

Adriano Moreira em entrevista a Anabela Mota Ribeiro: ESTAMOS ESMAGADOS

"A culpa morre solteira" - expressão sua.

Usei-a no Parlamento. É uma prática muito verificável em Portugal, designadamente na crise que estamos a atravessar. Você ainda não viu que alguém assumisse a responsabilidade pelas circunstâncias a que chegámos.

Esse é um traço constante, observável em diferentes momentos históricos da vida portuguesa. De onde é que acha que vem esta característica?

Em Portugal tudo fica no ar, e raramente há consequências e um sentimento de justiça que o acompanha.
Acho que devia ter nascido mais cedo e ter feito essa pergunta ao Agostinho da Silva. [riso] Era capaz de lhe dar uma resposta satisfatória. Há, em todo o caso, uma circunstância de que Portugal é vítima neste momento. Normalmente, quando examinamos a vida de um país, há três forças que é necessário avaliar. Uma é a sociedade civil, que neste momento faz manifestações completamente apartidárias, o que é preciso ver com cuidado. São expressões que dizem respeito a sentimentos que unem a população, por razões de queixa fundamentais.

Está a pensar na manifestação de 15 de Setembro de 2012?

Exactamente. Depois há outra força: o Governo. E finalmente a terceira força: a conjuntura internacional que influencia qualquer país, e cada vez mais face ao globalismo. Uma ordem internacional implica que pelo menos estes três factores tenham uma harmonia de funcionamento.
Essa harmonia não existe. Com frequência, aconteceu em Portugal a desarmonia entre o Governo e a população, a desarmonia do país com a conjuntura internacional. Portugal sofreu nos últimos tempos uma evolução extremamente alarmante. Na História portuguesa, o país precisou sempre de um apoio externo.

Sempre?

O Afonso Henriques pediu apoio à Santa Sé. A Segunda Dinastia pediu a aliança inglesa e pagou caríssimo por ela. No fim do império euro-mundista o único apoio que restou foi a União Europeia. Esta evolução mostra que o país (na ligação com o mundo) é muitas vezes exógeno. Quer dizer: sofre as consequências de causas em que não participou. Um exemplo: a Guerra de14/18. Portugal participou nas causas? Não. As consequências, quer em Moçambique, quer em Angola, quer na Flandres [foram enormes]. Começou a ser evidente que o país tinha evoluído para um "estado exíguo". (Escrevi um livro com esse título há anos, dizendo que a relação entre os recursos do país e os objectivos do país é deficitária.) Várias pessoas com responsabilidade na vida pública avisaram que este declínio estava em marcha. Quando essa equação (recursos-objectivos) chegou à situação de desastre em que nos encontramos, o país ficou em regime de protectorado.

Um regime sobretudo imposto pela situação financeira?

Sim. Os países têm uma espécie de hierarquia internacional - é por isso que o Conselho de Segurança tem as superpotências. Para terem essa hegemonia precisam de ter um poder que abrange o poder militar, estratégico e financeiro. Quando esses poderes começam a afastar-se, a hierarquia começa a diminuir. Os Estados Unidos estão a ser atingidos por isso. Portugal (últimas notícias sobre as restrições nas forças armadas) mostra que nessa relação (poder militar-poder financeiro) a nossa debilidade é extrema. É isso ue justifica a situação de protectorado em que o país se encontra. As outras debilidades evidentemente atingem o país de um modo mais previsível.

Soluções?

Remédios? Em primeiro lugar é preciso restaurar um valor importante: o da confiança. A confiança entre a sociedade civil, Estado e conjuntura internacional está profundamente atingido. Parece-me que tem havido uma certa dificuldade, da parte do Governo, em compreender que há uma diferença entre a legitimidade eleitoral, que justifica a tomada de poder, e a legitimidade do exercício [de poder], que começa a ser avaliada no dia seguinte [à tomada de posse]. Esta legitimidade para a execução não é uma coisa para entretenimento das estatísticas de popularidade.

Está a dizer que tem de haver uma correspondência com aquilo que foi o programa eleitoral.

E com a autoridade que foi conferida. Não é só em Portugal que esse valor está em crise. O novo-riquismo que orientou a gestão europeia, e que levou a Europa a esta situação, já se traduziu no seguinte: a fronteira da pobreza, que ainda no século passado os relatórios da ONU situavam a sul do Sahara, ultrapassou o norte do Mediterrâneo.
Portugal está na área de pobreza. Como está a Espanha, a Grécia, a Itália; a França já começa a dar sinais disso.

Os países mediterrânicos são os que mais têm sentido esse espectro de pobreza, são os que estão mais vulneráveis à crise, Porquê?

A hierarquia de capacidades, não apenas financeiras, mas científicas, técnicas, a eficácia de governo e de iniciativa económica - tudo isso faz que sejam ressuscitadas fracturas europeias. Não é de hoje a opinião que a senhora Merkel tem sobre o sul. Se bem me recordo, há um texto do Guizot [primeiro-ministro francês em 1847] que quase emprega as mesmas palavras para o dizer. O que considero errado é considerar que esta crise é uma crise puramente europeia. Se a comunidade europeia deixar aprofundar as quebras de solidariedade que já se verificam, a Europa arrisca-se a não ter voz no mundo. A crise é ocidental. E o ocidente todo que está num período de decadência.

Isso deve-se, sobretudo, à emergência da China, dos BRlC?

Há uns que perdem capacidades e outros que a adquirem. Não necessariamente com culpas. A Alemanha, que foi responsável pelas duas guerras mundiais que destruíram muitas das capacidades europeias, teve, entre outras coisas, a benesse de estar dispensada de despesas militares durante anos. E todos colaboraram, incluindo os povos do sul, na defesa do Muro para impedir que a República Federal fosse atingida pela [força política] a que o Leste estava submetido. Nos cemitérios da Normandia, as sepulturas são de soldados americanos. Não são de soldados alemães. Portanto, estas solidariedades, a Alemanha teve-as.

Como teve quando se tratou da reunificação das duas Alemanhas, após a queda do Muro.

Exactamente. Mas se a nossa crise é uma crise global, quem é que já convocou o Conselho Económico e Social das Nações Unidas? Ninguém.

Quem é que deveria tê-lo feito?

Qualquer membro interessado.

Na Europa existe uma subjugação à Alemanha? A orientação da chanceler Merkel é grandemente responsável pelo destino actual da Europa?

Ela - [Alemanha] -, a responsabilidade, é evidente que a tem. O que é discutível é que a percepção que tem da evolução da Europa coincida com o projecto dos fundadores. Atribuo aos fundadores da União Europeia uma espécie de [estatuto de] santidade. Esses homens enfrentaram a guerra, a destruição dos seus países, transformaram o sofrimento em sabedoria, e disseram: "Vamos criar condições para isto nunca mais acontecer". Schuman e Adenauer, sobretudo esses tiveram esse espírito. Não podemos esquecer Jean Monet. Nas memórias, escreve que, se fosse hoje (quando estava a escrever), teria começado, não pelo comércio, mas pela cultura. Porque a crise de valores era extraordinária. Essa crise é que afecta as solidariedades, e faz que, mesmo num ponto de vista internacional, a governação ande entregue a órgãos que nenhum tratado criou - caso do G-20 - ou a órgãos que parecem transformar as Nações Unidas num templo de orações a um deus desconhecido.

A ONU está destituída de poderes e de importância?

Acho que a ONU está numa crise enorme. Precisa de uma remodelação. A começar pelo Conselho de Segurança que já não corresponde, de maneira nenhuma, às condições em que vivemos. As potências, qualificadas de superpotências, com direito de veto, também têm a sua crise - incluindo os Estados Unidos. Mas para a Europa é importante saber porque é que a França e a Inglaterra têm direito de veto. Que poder é que [estes países] têm em relação ao mundo? Uma das reformas que seria útil fazer seria pôr no Conselho de Segurança países que, pela sua dimensão, são efectivamente necessários lá, e regionalismos.
Era a Europa que devia estar no Conselho de Segurança e não a França e a Inglaterra.
Há cerca de um ano assinalaram-se os 5O anos do Tratado Franco-Alemão. É extraordinário pensar como este "longínquo" projecto europeu se esgotou. Na sua génese, estava uma ideia de solidariedade e de desenvolvimento harmonioso que promovesse o equilíbrio entre as diferentes partes da Europa.

Acha inevitável que se faça uma refundação de toda a Europa? Esse projecto assinado há 50 anos pode ainda ser afinado e recuperado?

Na base de qualquer projecto destes tem de estar um princípio. O princípio da unidade europeia é muito antigo. Continuo a ter admiração pelo conde Coudenhove-Kalergi, que parecia ter nascido para o internacionalismo. Todos os grandes líderes europeus depois da Guerra estiveram nos congressos que promoveu. (Ainda hoje existe uma fundação Coudenhove-Kalergi a que pertenço; já lá não vou). Esse homem falava na federação europeia. E claro que a palavra "federação" tem muitos sentidos, e isso não significava que ele tivesse o modelo final.
Significava que tinha de se caminhar, como sempre entenderam os projectistas da paz (é preciso sempre falar do Kant). Tinha que haver uma gestão solidária, comum, da Europa, que está mais ligada por valores do que por etnias, pela língua, pela cultura, que são variadas mas que têm um tronco comum. Não temos dúvidas quando dizemos que somos europeus.

Essa pertença é ainda herdeira dos valores da Revolução Francesa? É a famosa trilogia liberdade, igualdade, fraternidade que nos guia e que define o tronco comum?

Não é só isso. Esses valores são um produto da evolução do espírito europeu. "Todas as pessoas nascem com igual direito à felicidade", mas os índios não, os escravos não, os trabalhadores não, as mulheres não... Foi preciso uma grande luta [para efectivar estas conquistas].Mas sempre a partir do tal paradigma. Esse conjunto de valores é que dá identidade à Europa.
A Europa que teve a ambição de europeizar o mundo... - daí o império euro-mundista que morreu o ano passado.
Essa circunstância tem uma consequência importante: a redefinição (a ideia de refundação é muito ambiciosa) desses valores. O principal deles é a soberania. E o direito a certas prestações que o Estado deve fornecer ("le droit aux prestations", como dizem os franceses) - o Estado Social. Há uma coisa curiosa na vida [das nações] (na vida das pessoas também): mantêm a convicção do poder quando já não o têm.

Ou seja, funcionando Portugal num regime de protectorado, não temos o mesmo poder nem a mesma soberania

Não, não temos. Nem temos o que está previsto no Tratado Europeu.
Fomos vítimas do facto de sermos um estado exógeno. Também fomos vítimas de mau governo, [dito em tom irónico] Sem culpas, sem culpas... Mas queria dizer-lhe alguma coisa de esperança.

E voltamos à palavra antiga que usou: remédios. Há remédios?

[riso] Acho que há. Em primeiro lugar, olhar para o país na situação actual e ver quais são os factores da redefinição da soberania de que precisamos. Não é só a segurança que diz respeito às forças armadas e à segurança interna. Há um elemento da soberania que é fundamental: o ensino e a investigação. Uma das razões da mudança de centros (entre os países emergentes e os que estão a descer) é que talvez tenha sido esquecido que não há fronteiras para a circulação do saber e do saber fazer. Hoje, a Alemanha parece que tem um bom mercado para os seus excelentes automóveis na China. Não me admira que daqui a algum tempo seja a Alemanha a comprar os automóveis à China. Um país que quer manter-se na competição global precisa de um ensino e de uma investigação que lhe permitam utilizar o saber e o saber fazer.

Em Portugal, era preciso que se continuasse a investir na investigação científica, na qual nos temos destacado nos últimos anos?

Sim. A minha vida tem sido quase toda na universidade. O que ouvi recentemente foi um conselho, [um apelo à] emigração. Há cursos de tal qualidade (sobretudo na área da Economia e da Gestão) que se orgulham que os seus diplomados, mestres e doutores emigrem e sejam muito bem recebidos lá fora. Eu não me sinto feliz que vão trabalhar por conta de outrem, para outro país. Queria era que tivéssemos condições para que aqui ficassem, e fizessem do país um país capaz de competir.
Esta vaga de emigração que agora temos. É de alta qualidade.
Nada tem que ver com a vaga dos anos 50 e 60, essencialmente constituída por força braçal e iletrada.
É uma força altamente qualificada. Se os melhores se vão embora... As contribuições de jovens cientistas, em especial da Universidade do Minho e da Universidade de Aveiro, sim, ajudam o país a recuperar uma posição no mundo concorrencial em que estamos.

E ajudam a recuperar confiança. Alento.

Sim. Por isso sempre sustentei que ensino e investigação é um problema de soberania. As propinas são taxas do Direito Financeiro. Não são o preço do serviço que o professor presta ao aluno. Diz respeito ao interesse do país que isso se faça. Temos outras janelas de liberdade para o país. A meu ver, há duas principais. Uma é a CPLP.

A língua portuguesa como património, como motor, como tesouro?

Não é só a língua E a maneira portuguesa de estar no mundo. É mais do que a língua. Da língua, o que digo é que a língua não é nossa - ela também é nossa. Mas os valores que a língua transporta, porque a língua não é neutra, esses valores não são iguais em todos os países onde se fala português. A maneira portuguesa de estar no mundo, o Brasil soma valores indígenas, africanos, alemães, japoneses, italianos...
A CPLP é um caso único. A França que teve uma importância tão grande no norte de África, e naquele bocadinho do Canadá, não tem uma CPLP.
A Espanha também não. E [a constituição da CPLP ainda é mais significativa] depois de uma guerra de tantos anos [com os países que a constituem]... O que significa que o conflito era com a forma de governo, não era com o povo português.

Angola, Brasil e Moçambique estão a crescer, mas todos têm grandes assimetrias entre ricos e pobres.

É. Acho que a CPLP precisa de grande atenção. A universidade deu por isso: há uma associação das universidades de língua portuguesa. A última vez que reuniu foi em Bragança, 400 pessoas.
Outro problema: o mar. A terra que não se pisa e a água que não se navega não são nossas. Lembro-me sempre da reunião de D. João I com os filhos.

Como foi essa reunião?

Tanto quanto a minha memória me diz, das leituras de há tantos anos, juntaram-se para discutir o que é que haviam de fazer para se expandir.
Havia quem entendesse que a expansão devia ser para a Andaluzia. Os rapazes [os infantes] disseram: "Não. Tivemos uma guerra com Castela que durou anos, agora estamos em paz. Castela considera que a sua zona de expansão natural é a Andaluzia. Se formos para aí, vamos ter guerra outra vez". Então para onde? "Para o mar."
Discutiram. Os recursos, o saber, as armas, os navios, tudo. Definiram um conceito estratégico nacional.
Portugal tem uma posição estratégica privilegiada, mas não um Conceito estratégico nacional. Mesmo agora está a ser discutido um documento sobre defesa e segurança Fui ouvido. A minha primeira pergunta foi: defesa e segurança de quê? Falta o conceito estratégico.
Ser uma plataforma continental é outra janela de liberdade. Se nos for reconhecida pelas Nações Unidas, será a maior plataforma continental do mundo. O reconhecimento estava previsto acontecer em 2013. Agora já se fala em 2015. Não gosto disto. Esta plataforma é uma riqueza incomensurável. Vi uma notícia sobre a intenção da União Europeia de redefinir o mar europeu. Lembrei-me de 1890. Nós também tínhamos a ideia de Angola à Contra-Costa e depois veio o Ultimato [Inglês]. Se definem o mar europeu antes de definir que a plataforma é nossa, provavelmente todos os países da União Europeia vão considerar-se co-proprietários. Devíamos apressar isto.

E meios, e força, e dinheiro para apressar isto?

O financiamento é um problema, naturalmente. Aí precisa de uma esplêndida diplomacia. A nossa é boa. E equivalente à do Vaticano!, com a diferença de a do Vaticano ser ajudada pelo Espírito Santo, [riso]

Está a pensar especificamente no actual ministro dos Negócios Estrangeiros?

Também no nosso ministro, mas a nossa diplomacia é muitíssimo boa. E muitas vezes trabalha sem instruções. É o amor à Pátria, é o que [é considerado] o interesse nacional, e lá vão. Acho que isto faz parte do futuro de Portugal.
Usou a expressão "janela de liberdade", e não "janela de oportunidade", que é uma expressão que agora se usa muito. Não é a mesma coisa.
Não, não é. As pessoas acham que, porque pertencemos à União Europeia, tudo tem de ser feito de acordo com a UE. Eu digo: "Não, não. Há um espaço de liberdade. A França: aquela gendarmerie que manda para África, para explicar o que é a democracia, não tem nada a ver com a UE. Tem a sua liberdade".
Temos de ter a nossa. Temos de cumprir com os tratados da União, mas a União não nos impede que tenhamos um espaço de liberdade. A CPLP é a nossa liberdade. Por isso prefiro a palavra "liberdade". Essa liberdade já vem ligada a uma espécie de posse. A oportunidade é outra coisa. E preciso [para essa oportunidade] ainda um outro esforço.

Este Governo que temos vai para dois anos está desapontado? Têm sido crítico nas intervenções públicas que tem feito. Esperava mais?

Devo dizer que desapontado estou com a Europa. Depois estou desapontado com a solidariedade atlântica. (Os efeitos colaterais do abandono dos Açores são enormes do ponto de vista económico para o arquipélago.) Neste Governo, há uma coisa que me incomoda: o objectivo fundamental é o Orçamento. Uso a expressão "ministro do Orçamento".

Ministro ou primeiro-ministro?

Ministro do Orçamento, e não ministro das Finanças ou primeiro-ministro. O ministro mais importante é o do Orçamento.

Portugal não está refém do Orçamento, ou seja, do cumprimento do memorando da Troika?

O estar preso pelas obrigações financeiras internacionais é evidente que exige que essas obrigações sejam assumidas. É isso que restaura a confiança e que restaura a igualdade internacional do país (e que elimina o protectorado). Mas se fosse um caso isolado, a nossa debilidade seria maior. Não é o caso. O caso é que a fronteira da pobreza atingiu a Europa, como disse. A solidariedade do espaço, que é um princípio que está em vigor, implica que a situação real dos países tenha de ser avaliada. Não é com fórmulas aritméticas que se governam os países. E não é um favor que fazem.
É uma dedução do princípio da solidariedade. Já viu algum médico tratar todos os doentes com o mesmo remédio? Nunca viu. O remédio não é igual para todas as situações. A situação de cada país precisa concretamente de ser avaliada. Portugal não está na mesma posição que está a Inglaterra ou a França. Os países com que nos comparam não são esses. Portugal quis comparar-se com a Grécia, para dizer que não é a Grécia. Que é o bom aluno, cumpridor.
Mas estão todos em pé de igualdade com a Alemanha e a França no que respeita a direitos e obrigações dentro da UE. Se há o princípio de ajuda mútua na UE, tão obrigada [a isso] está a Alemanha como estamos nós. Quando chegam as dificuldades queremos ser tratados como os outros.
Voltemos à apreciação a este Governo. Falta-lhe conceito estratégico, dizia. Falta conceito estratégico. E é evidente que a gestão neoliberal do Governo está a destruir o Estado Social. O Estado Social, uma conquista do ocidente, é uma convergência do socialismo democrático, da doutrina social da Igreja e até do manifesto comunista de Karl Marx. (As palavras têm uma força tremenda. Às vezes falo do poder da palavra contra a palavra do poder) Na Constituição portuguesa o Estado Social é uma principiologia. Não é uma regra imediatamente imperativa. O que diz é: na medida da possibilidade. E estranho que se transforme uma principiologia numa rejeição. Não se devem rejeitar princípios, em especial princípios que levaram séculos a ser desenvolvidos e a ser incorporados na cultura da população. Nesse aspecto, tenho uma certa apreensão e falta de confiança no entendimento da real situação portuguesa. E não posso considerar que o Orçamento seja o elemento fundamental. Os que estão já numa situação de pobreza, juntos, têm força suficiente para dar um murro na mesa [e exigir] que os princípios da UE sejam respeitados.

Estamos na iminência de uma revolução e Portugal justamente porque esses que apontou, juntos, já são capazes de dar um murro na mesa?

Tenho admirado a maneira ordeira e não-partidária com que as reacções se têm verificado. Mas penso que a população portuguesa atingiu o limite da pressão fiscal. Quando vemos os suicídios, as mães que se atiram da janela com os filhos para não os deixar cá, quando as coisas chegam a estes extremos, lembro-me disto: a fome não é um dever constitucional. Sabido isto, a inquietação aumenta dia-a-dia Não preciso de dizer mais palavras.

Isto que estamos a viver tem algum paralelo com alguma coisa que tenha vivido nos seus 90 anos?

Não. É a situação mais deprimente que vivi na minha longa vida. As condições de vida eram diferentes. E mais difícil [agora] perder [determinadas] condições de vida. As condições não eram as desejáveis, mas as pessoas não sofriam tanto. Porque havia a... "vida habitual".
Embora a culpa morra solteira, a sociedade civil não é a que tem mais responsabilidades. Estamos esmagados. Pagamos as dívidas que o novo-riquismo do Estado desenvolveu (não tenho de fazer distinção entre partidos).Temos de pagar as dívidas das câmaras, dos institutos que o Estado multiplicou, e o que sobeja, e que não pode ser o último dos interesses, é a vida de cada ser humano. A dignidade tem de ser igual. A Europa sabe isto.

É por cegueira que os políticos não aterram nisso que diz?

Vou dar-lhe um texto do Padre António Vieira [que responde]: "Ministros da República, da Justiça, da Guerra, do Estado, do Mar, da Terra. Vedes as desatenções do governo, vedes as injustiças, vedes os sonhos, vedes os descaminhos, vedes os enredos, vedes as dilações, vedes os subornos, vedes os respeitos, vedes as potências dos grandes, e as vexações dos pequenos, vedes as lágrimas dos povos, os clamoroso e gemidos de todos? Ou os vedes ou não os vedes. Se os vedes, como não os remediais? E se não os remediais, como os vedes? Estais cegos."

Que é que acha?

O que o Padre António Vieira escreveu em 1669 o que podia ser escrito hoje.
Esta é a nossa sina?
Se isto nos acontecer mais vezes, pode ser que a gente, quando vier para a rua traga o papel e mude.

Porque é que o seu discurso está muito mais esquerdista do que eu imaginaria?

Porque você tem uma imaginação pequena. Vamos lá ver. Nasci numa família muito pobre. Sei muito bem como é que vivem os pobres.
Descrevi isso num livro de memórias que publiquei. Éramos felizes - engraçado. Havia uma solidariedade. O que fiz [politicamente] não obedece a esquerda ou a direita. Obedece à escala de valores que aprendi em criança. Uso muitas vezes a expressão: os valores são o eixo da roda. A roda corre todas as paisagens. O eixo acompanha a roda, mas não anda. Quando fui presidente do CDS, disse: "Este partido tem que assumir a obrigação em relação aos pobres". Parece-lhe muito de direita?

Anabela Mota Ribeiro


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sábado, 11 de maio de 2013

TÁCTICAS PARA SEGURAR O PODER


Políticos e partidos, para garantirem o seu (e dos seus amigos, cúmplices e coniventes) enriquecimento rápido, por qualquer forma, têm que lutar para a conquista e a manutenção do Poder, usando as mais variadas tácticas. Estas, por serem repetitivas, não passam despercebidas dos cidadãos mais atentos.

Uma delas, quando no Poder, é procurar vantagens na primeira metade do mandato, para depois alargarem o cinto que obrigaram a apertar a fim de captar as simpatias dos eleitores e os seus votos. Para tal não recusam qualquer manobra que lhes pareça ser útil para o sei propósito.

Na situação actual, todos estamos recordados da reprovação do PEC IV que levou o governo anterior a apresentar a demissão. Esta renúncia foi feita na esperança de que iria vencer as eleições antecipadas. A votação do PSD contra o PEC IV tinha como objectivo vencer as eleições aproveitando na campanha o incómodo gerado por erros do PS, já anteriormente apontados e o incentivo de promessas que levaram muita gente a esperar irmos viver num paraíso.

Logo a seguir às eleições o PSD rasgou as promessas e iniciou o aperto do cinto, gabando-se de ir além das exigências da troika. Era evidente que estava a preparar-se para usar a velha táctica de exigir sacrifício na primeira parte do mandato para depois criar ambiente favorável a uma vitória nas eleições do fim do mandato. Essa táctica era fácil de justificar atribuindo ao governo anterior as causas do mal que foi definido com as cores mais negras. Foi então que Passos Coelho disse: “Que se lixe as eleições” em que só acreditaram os mais ingénuos ou os fanáticos do seu partido. Seguiram-se medidas de austeridade exageradas, insistentes e repetidas que criaram mais pobreza, e paralisaram a economia com encerramento de empresas e aumento abissal de desemprego. A situação não era irrecuperável mas a tal táctica mal aplicada criou a espiral recessiva e, em vez de melhoria, sentimos o agravamento.

Agora, ao entrar na segunda parte do mandato seria de começar a aliviar os sacrifícios mas, como não há condições para isso (tal o estado em que a espiral recessiva colocou o País), continuamos a ouvir discursos balofos agora com mistura de promessas de melhoria para daqui a mais de um ano e truques que, na incapacidade para o diálogo e para a obtenção de consenso, são esboçados ardilosos desentendimentos dentro do Governo e dos partidos da coligação, para depois analisar as reacções populares e de instituições descomprometidas a fim de evitar erros exagerados que agravassem demasiado a má imagem do Poder actual. Foi o caso da comunicação de Portas ao País em 5 do corrente e das declarações à agência Lusa do vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, Carlos Abreu Amorim, em que defendeu que o «tempo político de Vítor Gaspar terminou», devendo o primeiro-ministro ponderar a substituição do ministro das Finanças. Alem deste caso, há as sucessivos alertas do conselheiro de Estado Luís Marques Mendes, da ex-líder do PSD Manuela Ferreira Leite, do cronista Paulo Morais, do ex-líder da bancada social- democrata Paulo Rangel, do cronista Morais Sarmento, do ex-ministro Bagão Félix, do constitucionalista Jorge Miranda, todos dando dicas para a remodelação governamental, para o corte nas gorduras do Estado, e para a concretização da Reforma Estrutural do Estado prometida há quase dois anos mas sem sinais visíveis e em que deveria estar incluía a redução da burocracia alada ao combate à corrupção e ao enriquecimento ilícito.

Esta é uma habilidosa forma de tornar mais fácil a decisão que há muito é aconselhada ao PM.

Enfim, a preparação dada pela JOTA aos futuros políticos, pode não ser de grande elevação ética ou cultural, mas não deixa de os levar a repetir as habilidades clássicas, embora sem lhes dar capacidade de análise para fazerem a melhor adaptação às realidades actuais, deu que resulte crescimento económico com melhor bem-estar da população dos eleitores e dos contribuintes.

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segunda-feira, 25 de março de 2013

Sócrates comentador


Segue-se a transcrição de um artigo de opinião sobre este tema que está gerando muita controvérsia. Deixo-o à consideração dos leitores, visitantes, deste blogue, na esperança de serem aqui colocados comentários pró e contra, aos quais, como é meu hábito, procurarei dar a resposta que entender mais adequada. É um desafio aos leitores e a mim próprio. A vida é mesmo isso, uma sequência de desafios. Haja quem aproveite esta oportunidade para dizer o que sente e pensa.

O regresso de Sócrates, o lobo mau
Jornal de Notícias 25-03-2013. Publicado às 00.43. Por Alfredo Leite

Afinal, quem tem medo do lobo mau? Vamos esquecer o Capuchinho Vermelho ou os Três Porquinhos porque esta não é uma história para crianças. É a história de um país bacoco que lida mal com o carisma alheio, procurando justificar o desmoronamento político que se avizinha com um passado já devidamente escrutinado. É, também, a história de um país que, à falta de outros argumentos e entretenimento, avança com patéticas petições públicas por tudo e por nada. A mais mediatizada dos últimos tempos é, pasme-se, para impedir que um ex-primeiro-ministro seja contratado (e, ainda por cima, probono) por uma televisão para um novo espaço de comentário político. A aparição de José Sócrates deverá ser analisada a dois níveis distintos, ainda que estas coisas estejam todas ligadas.

O primeiro é político. O insuspeito social-democrata e, por sinal, comentador Marques Mendes acha que o regresso de Sócrates pode ser "mortífero" para o Governo. É certo que o peso do antigo primeiro-ministro vai transformar, ainda mais, a oposição de Seguro numa brincadeira de meninos, mas Mendes tem razão quando afirma que será Passos o verdadeiro alvo de Sócrates. O ex-líder socialista ferve em pouca água vezes de mais para evitar ajustar contas de tudo o que dele foi dito pelos membros do atual Governo. Nesta revisão do passado recente, Sócrates não deverá igualmente deixar Cavaco Silva em sossego.

O segundo nível do regresso de José Sócrates é jornalístico. Ao ir buscar para o ecrã o mais odiado - mas também amado - dos ex-primeiros-ministros, a RTP protagonizou uma contratação surpreendente. E, de uma só vez, atirou para segundo plano os políticos comentadores da concorrência: Marcelo Rebelo de Sousa na TVI (e as suas mais do que previsíveis análises com direito a réplicas na generalidade da imprensa); e Marques Mendes, recentemente seduzido pelos encantos da SIC e que aos espectadores se apresenta muito mais como a correia de transmissão de um qualquer 'garganta funda' da esfera governativa do que como o comentador que quer ser.

Sócrates no ecrã vai eclipsar os seus pares e garantir, sem grandes margens de erro, audiências à RTP.

Eram, portanto, previsíveis as reações à ousadia da televisão pública. José Sócrates foi, para o bem e para o mal, o mais carismático dos líderes portugueses dos últimos anos e esse é um património que uma (breve) ida para Paris não apaga. O que não se esperaria é que o seu eco transbordasse as fronteiras nacionais.

A sua contratação televisiva mereceu ontem generosas referências na imprensa de Direita no país vizinho. O "La Vanguardia", de Barcelona, escreveu que "em Espanha ninguém poderia imaginar que no canal 1 da TVE, logo após o Telejornal, aparecesse José Luis Zapatero [ex-chefe do Governo socialista] para comentar a atualidade política semanal". O "El Mundo", de Madrid, refere a multiplicação de petições online contra e a favor da passagem de Sócrates "de primeiro-ministro a tertuliano" televisivo, referindo ainda as suas responsabilidades na crise iniciada em 2008, mas sem admitir que, se Sócrates cá tivesse continuado, haveria sempre a hipótese de, tal como em Espanha, estarmos sem resgate e hipotecados à troika.

Por tudo isto, a diabolização do regresso de Sócrates era inevitável. Essa fatalidade não pode é servir para atirar alguém para uma lista negra onde aos proscritos está vedado o regresso à vida pública.

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segunda-feira, 4 de março de 2013

Políticos incapazes ???


Pedro Pinto, vice--presidente do PSD, segundo artigo do jornal «i», disse, a propósito da última manifestação, «que o governo tem a “noção exacta dos sacrifícios pedidos aos portugueses”»… e que “é preciso ter soluções políticas para estes problemas, qualquer cidadão concorda com emprego e crescimento, mas é preciso saber como é que isso se faz”. E surge-nos a pergunta: então, os nossos governantes que nos mendigaram o voto com promessas de que iam resolver a crise não sabem «como é que isso se faz»? Então porque é que se mantêm no Poder? O que estão lá a fazer?

E como os governantes não sabem «como é que isso se faz», Pedro Pinto esperava que fossem os partidos da oposição a apresentarem as propostas de que o Governo não tem sido capaz, dizendo que: “Os agentes políticos representados na Assembleia da República, não só o PS, como o BE e o PCP têm uma responsabilidade superior de apresentar propostas concretas e o que estamos a assistir é à exploração das grandes dificuldades das pessoas”.

Mais uma pergunta provavelmente sem resposta: Será que o deputado vice-presidente do PSD considera todos os políticos incapazes?

O artigo cita palavras de outros políticos que suscitam meditação sobre a gravidade da situação político-social em que nos defrontamos, devido a incapacidade de políticos que não dedicam a Portugal a competência de que este necessita.

Este tema faz realçar a importância das palavras de Beatriz Talegón a que se refere o post anterior.

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Partidos são doença curável


A líder da Juventude Internacional Socialista, Beatriz Talegón, em entrevista publicada no jornal «i», critica a distância entre responsáveis políticos e eleitores e defende uma “remodelação” dos partidos.

«Há um mês esteve em Cascais para participar no Conselho da Internacional Socialista. Subiu ao palco e, olhos nos olhos, teceu as mais duras críticas aos dirigentes de 90 partidos socialistas de todo o mundo, que acusou de viverem numa realidade paralela à da austeridade. No final, recebeu uma ovação de pé.»

Aconselha-se a leitura do artigo, para o que basta clicar no linK, acima.

Imagem do jornal «i»

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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

País entre uma oposição incapaz e um Governo capaz de tudo…


A situação confusa do PS descrita por dois cronistas, cujos artigos se transcrevem:

A missão de Costa
 Correio da Manhã. 04-02-2013. 1h00. Por: Manuel Catarino, Subdiretor

António Costa tem toda a legitimidade para se bater pela liderança do PS. Mas parece perdido num labirinto de hesitações: não avança nem recua – só ameaça.

A tática da pressão tem o objetivo de forçar António José Seguro a negociar, se quiser continuar como líder, e forçá-lo a abrir o partido a ‘inteligências’ úteis ao País. Mas António Costa acaba também por servir os interesses das tropas de Paulo Pedroso e de José Sócrates – que aproveitam a oportunidade para conquistarem mais lugares e maior influência nos destinos do PS. Parte desta gente, como já se viu, é pouco recomendável: é a mesma que nos últimos anos arruinou o património moral e ético do partido.

A escolha é impossível
Manhã. 04-02-2013. 1h00. Por: José Rodrigues, Editor de Política / Economia

O episódio da candidatura esvaziada de António Costa, que deixou o País estupefacto e a oposição interna no PS desorientada, terminou com um anúncio de tréguas, mas a tensão mantém-se latente no partido, onde o líder que aparentemente saiu vencedor do confronto se acha agora refém de um ultimato dado pelo opositor que aparentemente saiu vencido, ou convencido, em nome de uma procura de unidade que se afigura impossível.

O desfecho desta crise é imprevisível, mas para já nenhum dos principais protagonistas pode cantar vitória. O desafio fragilizou António José Seguro, que acicatou ainda mais a oposição interna, e o recuo fragilizou António Costa, que frustrou aqueles que apostavam na sua candidatura. A imagem do maior partido da oposição está seriamente abalada, e o único que sai beneficiado da crise que grassa no seu seio é, como já dissemos, o Governo, cada vez mais confiante na sua capacidade de prosseguir o seu mandato até ao fim e sem obstáculos de maior.

Quanto ao País, está simplesmente sem alternativas. A escolha que se lhe oferece neste momento não podia ser pior, entre uma oposição incapaz e um Governo capaz de tudo…

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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A guerrilha na política

Transcrição de post que nos mostra as malhas que a política tece para defesa de interesses pessoais, raramente subordinados aos interesses do País, isto é, dos cidadãos colectivamente, como seria suposto em verdadeira democracia:

Um adeus a Belém

Confirmadíssimo. Marcelo Rebelo de Sousa não será candidato a Belém. Miguel Relvas "nomeou" José Arantes (um homem que uns dias é jornalistas, outros assessor de imprensa e outros, ainda, membro de governo) para director da RTP Internacional.

Ora José Arantes é amigo fidelíssimo de Durão Barroso, o que significa que o Zé Manel será o candidato do PSD a Belém e Arantes vai para a RTP Internacional promover a candidatura do amigo.

Assim se esvai a última oportunidade de Marcelo se candidatar à presidência. Um sonho de vida que se esfumou.

Mas nem tudo se perde...talvez a partir de agora o professor passe a ser mais crítico do governo e de Passos, pois já não precisa de o amanteigar. É até bem provável que MRS comece, em breve, a praticar as vingançazinhas, com a mestria que lhe é conhecida.

Por Carlos Barbosa de Oliveira em 16-01-2013

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domingo, 16 de dezembro de 2012

Os donos dos países



Isto faz pensar, mas não surpreende!!!
Já aqui, neste e noutros blogues, há muitas ideias a traduzir esta realidade, embora não tão claras e estruturadas.
E, em momentos de crise, «quando o mar bate na rocha, quem sofre é o mexilhão». E nós somos os mexilhões desta realidade.
Precisamos de despertar e recordar a história do escravo romano de nome SPARTACUS.

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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Política ou jogo de interesses pessoais ?

Segundo o Expresso, em Relvas: o corta-Searas, o Senhor Doutor Relvas, ávido de recuperar a imagem perante os cidadãos, procurando fazer o máximo de aparições em público por unidade de tempo, antecipou-se a Passos Coelho para anunciar que o candidato do PSD à Câmara de Lisboa é Fernando Seara. Terá havido, nesta antecipação, interesse para o partido ou apenas interesse para o orador aumentar a sua auto-estima?

Parece que não houve interesse para o candidato que preferiria ter sido anunciado pelo líder do partido e não por uma ministro em crise de prestígio e de confiança perante os cidadãos. E, assim, e porque se trata de uma competição com um socialista de grande prestígio de quem já se falou na hipótese de vir a ser candidato a PR, Fernando Seara não confirma a candidatura que Relvas anunciou, defendendo os seus interesses pessoais, o seu amor próprio. Parece que este é um caso típico de jogo de interesses, embora sem prejuízo para o Estado, mas apenas, possivelmente, para a solução da CML.

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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O Povo já pensa assim???



Será que isto representa a voz do povo? Será que o povo já pensa assim? E os 10% mais ricos que pensam do País real?

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domingo, 26 de junho de 2011

Ética é indispensável na política

Um dos candidatos à liderança do PS defende um “capitalismo ético” ao serviço das pessoas. O conceito de ÉTICA na política é por vezes abordado, quase sempre com cepticismo, pelo que quando surge não deve ser esquecido, pois é um valor a alimentar em qualquer sector.

A intenção manifestada pelo candidato parece louvável, é religiosamente correcta, embora difícil de colocar em prática. Mas, havendo intenção de reforçar a ética, como o futuro de Portugal está nas mãos de todos os portugueses, se quisermos, o País será mais desenvolvido com as pessoas mais felizes consigo próprias, com os seus amigos e vizinhos e com todos os seres vivos.

Na origem do Cristianismo foi dado lugar de destaque às pessoas aconselhando que cada um deve amar os outros como a si mesmo e que o respeito mútuo é indispensável para uma vivência harmoniosa, em Paz. Não devemos fazer aos outros o que não desejamos que nos façam.

E quanto ao capitalismo ético, a Bíblia refere a «parábola da moeda de ouro» (Lucas 19,1.-28) que, neste tema merece ser bem ponderada no seu significado.. A distribuição social dos recursos deve ser proporcional ao mérito, à qualidade do desempenho, mas abrindo uma excepção ao apoio necessário àqueles que, por incapacidade, não possam produzir o necessário para o seu sustento.

Uma sociedade só pode viver em paz quando houver justiça social assente na ética, na moralidade, no civismo, ao serviço de toda a população, com especial atenção aos mais carentes. As oportunidades de emprego devem ser iguais para todos, cada um desempenhará conforme a sua competência e receberá a compensação proporcional ao seu desempenho.


O mesmo candidato já mostrou a sua ética quando foi o único a votar contra lei de financiamento de partidos, quando afirmou que os portugueses “estão fartos de fazer sacrifícios sem ver resultados" quando disse que "É inaceitável" que os sacrifícios não sejam feitos pelos que mais têm e quando defendeu que os sacrifícios dos portugueses devem ser justificados com resultados do Governo.

Quanto ao comportamento ético de políticos e de gestores públicos, merecem destaque palavras do Governador do Banco de Portugal, do Autarca Macário Correia e de Leonor Beleza que lembra que há altura em que é preciso colocar o país acima de tudo.

Também o outro candidato apresenta preocupações de ética ao dizer que a sua candidatura é de mudança, rompendo com a continuidade, embora correndo o risco de.não agradar aos que apostam na continuação de erros velhos.

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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Política estilo frigideira teflon

Transcrição de artigo, seguida de NOTA:

Teflon®
Destak. 03-11-2010. Por João César das Neves

Não é fácil, mas tente olhar José Sócrates em termos puramente estéticos. Abstraindo da gravidade da situação e influências na nossa vida, considerando apenas a capacidade de manipulação e sobrevivência política, Sócrates é espantoso.

Fiascos, crises, mentiras e inversões passam sem efeitos. Nunca é afectado pela realidade, não cede a escrúpulos, não teme escândalos. Sobreviveu às dúvidas sobre a sua licenciatura em Março de 2007, os casos Freeport desde 2005 e Face Oculta desde 2009 e os ataques mais violentos. É impressionante a capacidade de inverter compromissos, mudar de carácter, esquivar-se de golpes. Como nas panelas de Teflon, nele tudo desliza sem pegar.

Hoje a crise é gravíssima, paralisa a economia, desanima a sociedade, danifica a imagem internacional. O Governo, no poder há cinco anos, afunda-se em culpas, contradições, hesitações, bloqueios. Normalmente já teria caído ou sofreria sondagens miseráveis e atitude defensiva, acossada ou apática. Assim foram John Major, George Bush, agora Zapatero.

Sócrates não! Nunca se desculpa, nunca lamenta, nunca recua. Segue sempre em frente. No meio da tempestade perfeita mantém o ar inocente, triunfante até. E com razões. As sondagens são aceitáveis e a sua eficácia tribunícia permanece imponente. Quem o ouve é levado para um reino fantástico e sedutor onde, omitindo os fiascos, se olha com confiança o sucesso da próxima proposta. No campo orçamental roça o surrealismo.

A situação política está a fritar o Governo há anos e ultimamente o lume subiu. Mas Sócrates é Teflon.

NOTA: Este texto com a clareza a serenidade e urbanidade da linguagem constitui um elogio à capacidade de sobrevivência na «porca da política», cada vez mais porca. Mas é uma acutilante acusação à população em geral que continua entusiasmada com o político Armani, e não sabe discriminar os sinais ilusórios e fantasiosos das realidades de que depende o seu dia-a-dia e o seu futuro e dos seus filhos e netos, deixando-se arrastar e permitir o sucesso do pelo efeito teflon. Até quando se continuará a viver com os olhos fechados e o cérebro embrutecido?

Imagem da Net

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sábado, 12 de junho de 2010

Ricardo Rodrigues reduz âmbito da Política???

Ricardo Rodrigues afirmou á agência Lusa que "quando um juiz tem a tentação de querer meter-se nas decisões políticas ou quando um político tem a tentação de meter-se em decisões judiciais, parece que o estado de direito fica em causa porque fica em causa a separação de poderes"."É bom para a democracia que os juízes apliquem a justiça e que os políticos administrem a política".

Da forma como o deputado Ricardo Rodrigues refere a separação dos assuntos da Justiça e os da Política, certamente também defenderá os assuntos da Educação e os da Política, os assuntos da Saúde e os da Política, os assuntos militares e os da Política, o que me leva a ter curiosidade de saber que conceito tem o Sr. deputado de Política.

Numa consulta rápida encontrei estas definições:

- «Política denomina arte ou ciência da organização, direcção e administração de nações ou Estados; aplicação desta arte aos negócios internos da nação (política interna) ou aos negócios externos (política externa).»

- «O termo política, que se expandiu graças à influência de Aristóteles, para aquele filósofo categorizava funções e divisão do Estado e as várias formas de Governo, com a significação mais comum de arte ou ciência do Governo; desde a origem ocorreu uma transposição de significado das coisas qualificadas como político, para a forma de saber mais ou menos organizado sobre esse mesmo conjunto de coisas.»

Certamente o Sr. deputado terá outro conceito, o de tricas inter-partidárias para a conquista e manutenção do poder, para o que vale tudo como legalizar hábitos imorais e sem ética (como demonstrou quando defendeu a Lei do Financiamento dos Partidos), ou como fazer uma «acção directa» aos gravadores, ferramenta de trabalho dos jornalistas, ou ocultar provas de actos de duvidosa licitude, como na comissão de inquérito aos negócios da TVI.

Se politiquice pode ter tais aspectos menos positivos, será bom que nada nos sectores válidos da Nação se confunda com a política com p minúsculo, nem a Justiça, nem a Educação, nem a Saúde, nem a Defesa Nacional nem a Segurança Interna, NADA.

Mas se a Política é a «arte ou ciência da organização, direcção e administração de nações ou Estados», então parece que ela tem a ver com tudo e cai sobre ela a responsabilidade pelo bom funcionamento de todos os sectores do Estado (Nação, num território, politicamente organizada).

E quanto à influência de sentido inverso, deve concluir-se que, em Democracia, todos os componentes da Nação, em quem reside a soberania, têm o dever de cidadania de observar atentamente a forma como os seus mandatários estão a desempenhar as funções para que os cidadãos os elegeram e alertar para a necessidade de fazer correcções do rumo sempre que este se desviar das promessas eleitorais ou do sentido mais adequado para fazer face a situações inesperadas. Para isso, os cidadãos podem agir individualmente ou associados em grupos de vária natureza.

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